História Pretend... (REPOSTANDO) - Capítulo 3


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Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Indra, Lexa, Marcus Kane, Octavia Blake
Tags Clexa, Elycia
Visualizações 272
Palavras 3.977
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, LGBT, Orange, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Capítulo três.


Clarke estava indignada! Tinha uma faixa na sua testa com letras em néon escrita “fácil?”. Óbvio que não. Não sabia porque a Lexa cogitou essa possibilidade com ela, mas não iria acontecer. Nunca! Que mulher mais baixa, o que tinha de bonita e dinheiro, faltava-lhe de escrúpulo.

Era inadmissível aceitar essa proposta.

O seu sangue estava borbulhando, a irritação deixou-lhe tão cega e rebelde que não se importou em ser grossa quando a Maya a questionou sobre o que Lexa queria com ela.

– Se está tão interessada em saber, pergunte diretamente a ela! – Clarke praticamente berrou para Maya.

Maya ficou parada no corredor com os olhos arregalados como se não acreditasse na atitude de Clarke, mas também não foi atrás para repreendê-la. Porém, Clarke não era boba e sabia muito bem que a sua atitude teria uma represália: Uma advertência acompanhada de mais uma quantia retirada do seu salário. 

Depois que entrou em sua sala, concentrou-se em fazer as sobrancelhas de sua cliente que por um milagre divino não tinha reclamado do atraso. O sangue de Clarke foi esfriando gradativamente, e ela deu-se conta do que tinha feito. Não foi apenas grossa com a gerente, mas como também com a proprietária do estabelecimento. O queria? Ser demitida por justa causa? Se fosse isso, estava andando por um excelente caminho.

Tentou concentra-se o máximo em seu trabalho, e assim foi passando a sua manhã sem maiores conflitos. Foi liberada para o almoço depois de ter terminado o rodízio de clientes da manhã.  Estava faminta! Aproveitando da sua hora do almoço para comer em um dos restaurantes populares algumas quadras dali.

No bairro nobre que trabalhava o almoço mais barato custava mais de cem reais. Não tinha dinheiro para isso. Almoçaria em um restaurante que o prato feito era apenas dez reais mesmo, e ainda ganhava o suco grátis. Planejava assim que chegasse ao restaurante ligar para creche para saber como estava a Marina.

Estava andando no sol escaldante do meio-dia com os seus saltos quando teve a sensação de que estava sendo seguida por um carro preto. Olhou pelo canto dos olhos, desconfiada. O carro seguia lentamente pela rua deserta e sem trânsito, aumentou os passos, o carro aumentou a velocidade, diminuiu os passos, o carro diminuiu a velocidade também. Era oficial: Estava sendo realmente seguida.

Pensou em parar e encarar o carro, mas o pânico a fez correr quando viu que dois homens saíram do carro e seguiram em sua direção, aumentando o seu desespero que começou a gritar por socorro. Por que ao invés de ter ido pela rua principal, tinha escolhido essa rua calma e remota?

Agora iria morrer!

O que Deus tinha contra ela? Nunca fez nada, sempre foi uma mulher de fé e acreditava no Santíssimo. Fazia de tudo para seguir com os seus ensinamentos. Que pecado cometera? Jogou pedra na cruz? Salgou a santa ceia? Cuspiu no cálice do vinho?

O seu cérebro se focou apenas em fugir, mesmo que corresse com dificuldade por conta dos saltos. Em sua maratona não viu uma pedra grande em seu caminho, tropeçou e o seu corpo atingiu o chão. Estava com o nível de adrenalina tão alto que não sentiu o impacto, apenas o medo sobrenatural de morrer. Não teve tempo de se levantar, os homens a alcançaram, pegando-a pelos braços como se ela fosse leve como uma boneca de pano e a levaram para dentro do carro.

Pensou em Marina, o seu coração apertou-se com a possibilidade de nunca mais vê-la. Os seus olhos mergulharam-se em lágrimas angustiadas, sua filha precisava dela, não queria que a pequena crescesse sem uma mãe, não estava preparada para dar adeus para ela.

Por favor, meu Deus. Pediu antes de ser jogada dentro do carro.

Um homem obeso e muito feio a aguardava. Ele fumava um cigarro bastante fedorento que condizia com o cheiro que a pele dele exalava, Clarke sentiu a necessidade de tampar o nariz, mas evitou. Olhou para a porta, mas os homens bloqueavam a saída, um de cada lado. A situação de sua roupa estava lastimável, tinha trocado a blusa branca melada de café – sempre deixava uma blusa reserva na bolsa. Infelizmente, não tinha outra blusa para substituir essa que sujou-se toda de lama. O seu joelho estava com um machucado feio que sangrava e ardia como o inferno. Nem as suas mãos foram salvas! Um pequeno lembrete mental: Nunca amortecer o peso do corpo com as mãos.

Percebendo que estava divagando, enquanto, a sua vida estava em jogo, concentrou-se na situação que se encontrava. Um fio de esperança latejou em seu peito, se eles tivessem a pretensão de matá-la, o carro não ficaria parado no mesmo local, certo? Certo! Já a teriam levado para algum lugar de desova. Ou será que era um assalto? Mas assaltantes eram rápidos, geralmente roubavam e iam embora. Será que era um sequestro relâmpago? Hipótese descartada também, o carro estaria em movimento. E se fosse estupro? Seu corpo e sua alma gelou com a possibilidade.

– Clarke, é um prazer conhecê-la. – O homem disse com um sorriso de dentes amarelados.

– Como sabe o meu nome? – Clarke franziu o cenho, preocupada.

O homem riu.

– Eu sei muito sobre você. Por exemplo: Onde mora, onde trabalha, em que creche deixa a sua filha todas as manhãs... Marina o nome dela, não é mesmo? – Ele falava calmamente, como se fosse um amigo íntimo. Clarke ao contrário dele, estava aterrorizada. Bastou mencionar o nome da sua filha para quase ter uma parada cardíaca no banco do carro. Poderiam fazer tudo com ela, menos com a sua filha. – Seu pai me contou. – Esclareceu.

Claro, seu pai. Clarke soube rapidamente que se tratava de uma dívida. Kane Griffin era um compulsivo por dívidas, quanto mais tinha, mais as queriam. Não sabia o que ele fazia para ter tantas, já que morava em uma casa bastante humilde no subúrbio.

– O que ele fez agora? – Perguntou com uma carranca.

– Kane está me devendo dez mil reais, e quero que você me pague, de preferência até amanhã. – O homem disse a olhando com seriedade.

Clarke teve uma crise de riso, desconcertando o homem a sua frente que a olhava sem entender. Em sua conta, se tivesse dez reais era muito, imagina dez mil? Era a piada do ano!

– Poderia me dizer qual é a graça?

– Eu não tenho esse dinheiro. – Clarke informou aos risos, depois de limpar as lágrimas dos olhos. – Desculpe-me, mas não posso ajudá-lo.

O homem terminou de fumar o cigarro, mas colocou o filtro na boca e começou a mastigá-lo. Ew! Nojento, limpeza não devia ser o forte dele.

– Clarke, você não entendeu bem a situação: Eu quero o dinheiro e você vai me dá. – A olhou bem dentro dos olhos. – Não me importo se tem a quantia ou não, eu só quero saber que eu quero. Der um jeito de conseguir até amanhã ou você quer imaginar o que vai acontecer com a pequena Marina se eu não tiver esse dinheiro bem aqui na palma da minha mão? – Ao terminar de falar, ele afastou um pouco a jaqueta para mostrar o cano do revólver. – Você consegue compreender a gravidade da situação?  

Clarke sentiu o seu mundo desabar. Hoje, com certeza era um daqueles dias que você não deveria sair de casa, muito menos levantar da cama. Também era um teste gratuito para o seu coração, estava mais que confirmado que tinha o coração forte, os seus batimentos cardíacos reduziram o suficiente para que ela sentisse a circulação em cada um dos seus vasos. O medo deixara as suas estranhas congeladas. O desconhecido tinha acabado de ameaçar a sua filha!

– Sim. – Respondeu num sussurro.

– Ótimo. Amanhã neste mesmo horário, neste mesmo local. Se não vier, pode esquecer que um dia teve uma filha. – Ele bateu na porta do carro, assustando a Clarke, um dos homens se afastou e abriu a porta para ela sair. – Ah, Clarke... – Clarke virou-se para ele. – Se pensar em ao menos fugir, aconselho pensar melhor sobre, os meus homens estão vigiando os seus passos. – Ele piscou. – Até amanhã.

Clarke saiu do carro, mas ainda ficou parada no meio-fio. Suas pernas estavam trêmulas para sustentar o peso do seu corpo, por isto, quando o carro finalmente se foi, ela sentou-se na calçada. Os seus pensamentos estavam a mil. O que iria fazer? Não tinha crédito em banco, um empréstimo desse valor nunca seria concedido. Não tinha também nenhum amigo para recorrer, a sua família se resumia praticamente ao seu pai, e sabemos que ela estava nessa situação por conta dele. Abby deveria estar se remoendo dentro do caixão por culpa do Kane.

Colocou as mãos no rosto, enquanto, pensava numa solução para o seu problema, o que rendeu um choro desesperado e repleto de medo. Se alguma coisa acontecesse com a sua princesinha, morreria junto. As poucas pessoas que passavam pela rua a olhava tortamente, achando que ela era uma bêbada ou uma drogada sem rumo.

Ficara tanto tempo ali que esqueceu-se do trabalho. Quando o seu celular tocou, atendeu sem nem ao menos olhar para o visor, mergulhada demais em seu próprio drama que despertou ao ouvir uma Maya furiosa no outro lado da linha:

– Eu nunca me importei com a vida pessoal dos meus empregados, até porque nunca influenciou a minha vida e muito menos o funcionamento da clínica. Mas, você está se tornando uma grande exceção, Clarke! Uma exceção irritante. – Maya rangeu os dentes e foi tão alto que causou um arrepio desagradável em Clarke. – Quero-a aqui em dez minutos, ou considere-se desempregada. – E desligou.

Clarke ficou olhando o visor do celular, a Maya achava-se a dona do estabelecimento, iludia-se que era uma Lexa da vida, mas faltava muito, muito mesmo para ser uma.

Pensar no nome de Lexa foi como uma luz surgisse em um click em seu cérebro. Claro! Já sabia onde arranjaria o dinheiro. Levantou-se rapidamente, ignorando a dor e desconforto do seu joelho ao correr para o trabalho. Ao entrar como um furacão na recepção luxuosa, alguns clientes e funcionários a olharam com espanto, parecia mais uma mendiga.

Os olhos de Maya quase pularam fora das órbitas ao ver o estado da mulher.

– Mas o que...

Clarke não esperou que ela terminasse de falar, passou por Maya e correu em direção a área restrita do recinto, com a gerente correndo atrás dela, falando descontroladamente. A mais nova nem se preocupou em bater na porta, abriu de supetão.

– Eu aceito! – Gritou.

(...)

Lexa estava almoçando quando foi surpreendida pela invasão de Clarke em seu escritório. Depois que olhou a menor com atenção, surpreendeu-se com o estado da garota. Maya surgiu de repente, agarrando o braço de Clarke e tentando puxá-la para fora do escritório.

– Deixei-a. – Lexa ordenou para Maya que a olhou inconformada. – Conversarei com a Clarke. Saia e feche a porta, por favor.

Maya a olhou contrariada por alguns segundos, mas acatou a ordem da morena. Soltou o braço de Clarke e com relutância, saiu do recinto, fechando a porta.

Clarke ajeitou a sua blusa já tão estragada, caminhou até a poltrona agradável e sentou-se sem contar o alivio pelo conforto tão convidativo até para as suas costas. Estava apreensiva e também envergonhada, não sabia como iria abordar o assunto, aliás... Iria pedir um preço alto, e se Lexa não aceitasse?

– Houve um avanço cientifico e as vacas começaram a flutuar? – Lexa perguntou com deboche para a figura apática de Clarke.

– Perdão? – Clarke perguntou confusa, mas lembrou-se o que tinha dito antes de sair daquele escritório mais cedo com o orgulho inflamado. Apertou os lábios com força ao ver o sorriso cínico de Lexa. – Vai ficar de gracinha? Porque se for, eu vou embora. – Avisou, ameaçando se levantar.

Lexa levantou a mão para que Clarke ficasse no mesmo lugar, ao ver a mais nova voltando a se sentar, desfez o sorriso dos seus lábios, não queria despertar o gênio daquela mulher. Limpou a boca com um guardanapo, sem tirar os olhos de Clarke. O estado das roupas de Clarke estava deplorável, o machucado no joelho também não passara despercebido. A curiosidade a invadiu queria saber o porquê dela estar assim, e claro, por ela ter aceitado a sua proposta.

– O que aconteceu com você, finalmente? Por que está toda suja e machucada? – Lexa questionou, descartando o guardanapo na bandeja e a afastou de sua frente.

– Cai. – Clarke respondeu dando de ombros. – Nada demais. Podemos falar o que realmente interessa?

– Claro. – Lexa ficou ereta na poltrona. – Será uma semana em Recife... – Clarke a olhou surpresa, mas não questionou nem reclamou. – Os meus pais irão renovar os votos de casamento. Passaremos esse tempo na casa deles, então, é de suma importância que nos tratemos da melhor forma possível, quero que minha família acredite que estamos apaixonadas.

Clarke ficou pensativa.

– Por que quer enganar a sua família com um relacionamento falso? Por que não arranja um relacionamento de verdade?

– Porque não é da sua conta. – Lexa respondeu meio rude. – Você não precisa saber dos meus motivos, apenas cumprir o seu papel. – Bateu as unhas na mesa. – Quero que seja carinhosa e amorosa comigo na frente dos meus familiares.

Clarke riu, na realidade, ela gargalhou, fazendo a Lexa arquear a sobrancelha, a morena estava começando a questionar a sanidade da outra.

– Imagina um caminhão, um dos maiores e por trás do volante uma caminhoneira. Eu sou essa mulher, a caminhoneira. Não sou romântica e não gosto desse melado sentimental nem se tivesse mergulhada em mel sairia alguma coisa romântica de dentro de mim. – Clarke explicou ainda rindo.

Lexa imaginou a calda de mel deslizando pelo corpo nu de Clarke. Foi uma imaginação bem fértil e que ficaria povoando a sua mente, também registrou como Clarke era linda rindo, em alguns momentos ela colocava a língua entre os dentes. Simplesmente adorável.

– Eu também não sou romântica, mas fui uma excelente atriz nas peças teatrais do colégio. – Lexa deu de ombros com um simples sorriso de lado. – Acha que consegue fingir estar apaixonada por mim? – Piscou os olhos ao perguntar, Clarke se prendeu uns segundos encarando as esferas esverdeadas... Achava a morena tão linda que não seria difícil de fingir, principalmente se ficasse em transe ao olhá-la, como fazia agora. Percebendo o que estava fazendo, corou, arrancando uma risada de Lexa. – É, eu acho que não.

– Prepotente. – Clarke resmungou. – Fingirei até que você é a única mulher da face da terra, mas antes quero o meu dinheiro. – Sentiu-se suja por dizer isso, mas como não teria sexo no meio e estava necessitando das cédulas, uma parte de si se convenceu de que era necessário.

– Justo. – A expressão de Lexa não se alterou, ficara impassível. Ela pegou a bolsa, retirou um talão de cheque, abriu o mesmo e buscou uma caneta. – Quanto vai querer?

Moída de coragem, afastando a vergonha de seu ser, disse:

– Dez mil reais.

Clarke manteve o queixo erguido, mesmo quando Lexa levantou a cabeça para avaliá-la. Não soube dizer o que a mais velha pensou, mas também não queria saber.

– Muito bem. – Lexa preencheu o cheque e puxou do talão. – Dez mil reais. – Clarke estendeu a mão para pegá-lo, mas, Lexa levantou a mão e o balançou, recebendo um olhar questionador de Clarke. – Posso realmente confiar em você? E se der para trás?

Clarke cruzou os braços, ficando bastante avermelhada, poderia ser tudo, menos mentirosa.

– Eu tenho escrúpulo e honro a minha palavra, se eu disse que vou, é porque eu vou. – Clarke retrucou. – Se desconfia tanto assim de mim porque não redige logo um contrato?

– Um contrato é bastante pertinente, não me leve a mal, como empresária sou precavida.

– Não á levo a mal nem a bem. – Clarke deu de ombros, estava mais preocupada em pegar o cheque e livra-se daquele homem. – Faça logo esse bendito contrato.

Lexa estudou a Clarke por um momento, tinha alguma de errado com as mais nova, os ombros estavam pesados como se ela carregasse o peso do mundo sobre eles, os olhos azulados estavam aflitos. Definitivamente, as coisas estavam fora dos eixos. Não quis prolongar a aflição de Clarke, então, entregou o cheque, viu o alivio no rosto bonito, teve a impressão de que alguma coisa muito séria acontecera para que Clarke mudasse de ideia e aceita-se ser a sua acompanhante, dando-se conta da maneira que a mesma saiu do seu escritório mais cedo.

A morena não tinha se surpreendido com a quantia, podia pagar, não julgou a Clarke. Se fosse ela que tivesse na situação da mais nova, com certeza teria pedido muito mais. Algo dentro de si dizia que Clarke era uma pessoa boa e nobre, bastava olhar nos lindos olhos para confirmar isso.

– Você pode me liberar para casa? – Clarke pediu em tom cansado. – Pode até descontar o dia do meu salário, eu só quero descansar um pouco, o dia foi um pouco complicado.

– Melhor, porque não tira os dias que antecedem a viagem de folga para se organizar?

Clarke quase se desbulhou em lágrimas de felicidade ao escutá-la, então, uma questão pairou em sua mente.

– Quando é a viagem?

– Daqui há três dias, no domingo pela manhã. Algum problema para você, querida? – Lexa perguntou com amabilidade.

“Querida”. Era uma palavra simplória, usada no dia-a-dia, ás vezes, em tom de ironia ou falsidade, mas na boca de Lexa tinha soado tão doce que foi quase íntimo.

– Não...

– Ótimo. Organize tudo que precisar, arrume as suas malas e descanse. Quero-a bem disposta e bem humorada no domingo. – Lexa olhou no seu relógio de pulso, num ato automático. – Estarei em frente de sua casa ás dez horas em ponto, certo?

– Certo. – Clarke murmurou, de repente bem consciente da dor no seu joelho, queria estar com a sua filha no aconchego da sua casa, precisava de um banho e também se alimentar. – Mas, como vou justificar a Maya minhas folgas? E como você sabe onde fica a minha casa?

Lexa riu para perguntas inocentes da mais nova.

– Com a Maya não precisa se preocupar, eu sou a autoridade maior daqui. – Lexa se levantou. – E outra coisa, eu sei de tudo, principalmente de sua fixa. – Caminhou até a porta. – Venha comigo.

– Pra onde? – Clarke levantou-se rapidamente, se amaldiçoando em seguida pela dor no joelho.

Lexa olhou para trás, os seus cabelos castanhos e sedosos acompanharam o movimento e alguns fios caíram por cima do seu rosto, deixando-a sexy. Os olhos esverdeados brilharam numa intensidade hipnotizadora.

– Vou cuidar do seu joelho... – Lexa respondeu com um sorriso quente que foi capaz de arrepiar cada centímetro da pele de Clarke...

(...)

Clarke estava sentada sobre a maca de sua sala com os olhos fixos em Lexa que estava sentada na cadeira a sua frente compenetrada em limpar o seu joelho. Tinha que admitir que Lexa tinha jeito para coisa, suas mãos eram suaves e leves, apropriadas para uma massagem, sem contar que o calor que emergia delas eram acolhedoras. Não seria muito difícil fingir se apaixonada por Lexa... Linda, cheirosa e extremamente sexy, era quase um convite imoral para a paixão. Pensou Clarke encarando os cabelos da mais velha.

– Isso vai arder um pouco... – Informou Lexa, colocando um pouco de povidine na ferida da mais nova.

Clarke quis matá-la! A ardência em seu joelho foi quase insuportável, as lágrimas vieram as bordas dos seus olhos, deixando-a envergonhada por agir como uma criança. Respirou fundo, tentando não pensar na dor, não tinha muita tolerância para dor, não era fraca, mas preferia não sentir nada. Lexa enviou-lhe um sorriso de desculpa e continuou a limpar o seu joelho.

– Qual é a sua cor favorita? – Lexa perguntou.

Clarke piscou, confusa:

– Oi?

Lexa repetiu a pergunta.

– Isso eu ouvir bem, só não entendi o intuito da pergunta.

– Iremos passar uma semana fingindo que somos namoradas, acho que deveríamos saber algumas coisas uma sobre a outra. – Lexa explicou.

– Ah, preto.

Lexa ergueu a cabeça.

– Sério mesmo? Você é tipo uma adorada de satanás? – Brincou.

Clarke riu.

– Sério, e não... Gosto do preto porque esconde gordurinhas indesejáveis.

– Você não precisa disso. – Lexa murmurou, focando-se nas curvas de Clarke. – O seu corpo é incrível.

Clarke ficou envaidecida e também ruborizada por uma onda de calor ter invadido o seu corpo, não era sempre que recebia um elogio de uma mulher como Lexa Woods, isso deixou o seu ego nas alturas.

– Obrigada...

– Você tem uma beleza exótica, Clarke. – Lexa continuou suavemente. – Os traços do seu rosto são fortes e marcantes. Sem contar o seu sobrenome “Griffin”, é brasileira legitima?

Clarke se surpreendeu com a perspicácia da outra, quase ninguém percebia.

– Sou de origem cubana com cidadania brasileira. – Clarke murmurou, observando as mãos da morena cuidar do seu joelho. – Os meus pais são cubanos e vieram para o Brasil assim que nasci.

– Isso é incrível, Clarke. – Lexa disse com sinceridade. – ¿Habla español?

– Un poco, mi madre que me enseñaba el español, pero después de que ella murió, mi padre prohibió cualquier cosa que recordara a mi madre o Cuba, incluido el idioma. – Clarke contou com o espanhol fluente.

Lexa parou o que estava fazendo para encarar a Clarke que não esboçava nenhum sentimento.

– Eu sinto muito por sua mãe.

Clarke deu de ombros. Fazia muito tempo que Abby tinha falecido, ela era apenas uma criança de cinco anos. Já tinha sofrido e sentido muita dor pela perda de sua mãe, hoje, restava apenas a saudade.

– Tudo bem, já faz muito tempo. Voltando para a pergunta inicial, qual é a sua cor favorita?

– Eu tenho várias cores favoritas em várias fases da minha vida, não consigo me prender em uma, mas hoje, diria que é o azul. – Lauren respondeu olhando diretamente para os olhos de Clarke. – E vermelho. Mas o vermelho gosto mais de observar em outras mulheres.

– Por quê? – Clarke questionou interessada, desviando o olhar dos olhos esverdeados para os cabelos castanhos de Lexa que desciam um pouco mais dos ombros, quase tocando a cintura. Eram cabelos do sonho.

– Porque me instiga. Uma mulher de batom vermelho, sempre chama a minha atenção para os seus lábios. Eu amo bocas, principalmente as finas. – Lexa lançou um olhar significativo para a boca de Clarke que umedeceu os lábios, arrancando um sorriso malicioso da morena. – E também vestido. A cor vermelha em si é quente, e emoldurando o corpo feminino beira a perfeição.

– E lingerie também? – Clarke perguntou baixinho sem se conter, envolvida demais no diálogo.

– São as melhores, principalmente para tirá-las com os dentes. – A voz de Lexa ficara rouca num tom bastante erótico.

Meu Deus! Quem seria a louca que não se apaixonaria por Lexa?! Pensou Camila encarando a morena, o seu corpo vibrou em expectativa, de repente, sentiu muita vontade de beijar a sua patroa e tinha quase certeza que a mesma compartilhava do mesmo querer, se Clarke inclinasse um pouco o rosto para frente...

– Pronto, terminei o seu curativo. – Lexa informou, levantando-se, estragando o clima. Retirou as luvas, descarto-as no lixo e foi lavar as mãos na pia.

A frustração invadiu a Clarke, entendeu qual era a de Lexa... A morena gostava de envolver, de seduzir para depois agir como se nada tivesse acontecido. Ela deveria ser acostumada a ter quem bem entendesse nas mãos. Esse pensamento irritou demais a loira que pulou da maca ignorando a resposta dolorida do seu joelho que agora estava protegido por um curativo bem feito.

– Obrigada pelo curativo. – Clarke disse seca, buscou a sua bolsa e foi mancando até a porta.

– Até domingo, Clarke. E não se esqueça, de dez horas. – Lexa relembrou.

Clarke não respondeu, apenas revirou os olhos e se retirou da sala. Viu a Maya andando em sua direção, mas foi mais rápida e aumentou os passos com dificuldade até a rua, sentindo-se salva ao sentir o sol quente na pele. Não estava com vontade de escutar as reclamações de sua chefe, que Lexa resolvesse os problemas com a Maya.

Foi em direção a creche, iria pegar a Marina e depois ir pra casa...

 


Notas Finais


perdoem-me os erros.


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