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História Pretty Vacant - Capítulo 8


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Notas do Autor


Aaaaaa desculpa a demora MESMO
O bloqueio criativo tá foda, mal tô conseguindo escrever :(
Mas vamo q vamo

Capítulo 8 - Conflitos


Que pele macia.

Que cabelo macio.

Que voz viciante... Tudo estava deixando Mista absolutamente louco, cada toque do loiro abaixo de si causava arrepios no seu corpo inteiro. Cada gemido, cada respiração entrecortada... 

Não se lembrava de ter se livrado de suas roupas, estava concentrado demais na expressão de prazer e nos olhares sensuais e provocativos de Giorno. Queria arrancar-lhe mais alguns gemidos... E com sorte o faria gritar seu nome.

Mista sentiu as pernas alheias a entrelaçar em sua cintura, puxando-o para mais perto enquanto arqueava as costas, jogando a cabeça para trás. Claro que ele ia se aproveitar dessa aproximação, enchendo o pescoço de Giorno com beijos e o roçar de seus dentes.

G-Guido... – o loiro sussurrou. Sua voz estava pesada, ecoando e soando como algodão nos ouvidos do mais velho. Seu nome soava tão bem em seus lábios. – Eu te amo... Me fode...


Mista acordou com um sobressalto violento. Estava dormindo em seu colchão, ainda na cela, de madrugada... Foi só um sonho?

Ele não percebeu que soltou um ofego alto, que também chamou a atenção de Giorno, que estava deitado em sua cama, lendo um livro com uma pequena lanterna.

– Tá tudo bem? Você me deu um susto. – o loiro disse, interrompendo sua leitura e deixando o livro de lado.

– Ah... Foi mal... – Mista coçou a nuca, envergonhado. Céus, tomara que Giorno não tenha notado sua ereção embaixo do lençol. – Eu só... Hã... Tive um sonho... Agitado.

O mais novo virou a cabeça, meio confuso.

– Agitado como?

– Ah... Eu meio que esqueci o que era... Haha~... – ele soltou um riso nervoso e virou de bruços para disfarçar o volume em sua cueca. – E você? O que ainda faz acordado?

Giorno respirou profundamente.

– Tive um pesadelo... – murmurou, encolhendo os ombros. – ... Daquela noite com o Diavolo...

Oh... Agora Mista se sentia horrível por ter sonhos eróticos com o loiro... Ele passou por um evento extremamente traumático, era óbvio que não iria se recuperar em tão pouco tempo. Boa, Mista. Seu babaca insensível.

– Que horrível... Você tem esses pesadelos com frequência? – perguntou.

– Um pouco... – Giorno deu de ombros, desviando o olhar. – Não tenho conseguido dormir nos últimos dias...

– Oh...

Um silêncio constrangedor pairou entre os dois, mesmo com o ressonar baixo de seus amigos ainda adormecidos.

– Eu posso fazer um pedido estranho? – o loiro perguntou, acanhado.

– Uhum.

– Eu... Posso dormir com você?

Mista piscou algumas vezes, processando o que ouvira.

– Hã... Claro, claro... – disse, sentindo o rosto queimar e abrindo espaço ao seu lado.

Giorno se levantou em silêncio para deitar no colchão, virado para Mista.

– Obrigado... – o loiro sussurrou, esboçando um sorriso ameno.

– Não foi nada... – o mais velho retribuiu o sorriso, tirando uma mecha de cabelo do rosto de Giorno e aproveitando para fazer um carinho com os dedos em sua bochecha. Ele repousou a mão por cima da sua. – Algum problema?

O loiro negou.

– Não, é que... – murmurou. – Hã... Fazia muito tempo que eu não ficava tão próximo assim de alguém... – ele riu baixo, acanhado. – Ainda é uma sensação estranha, mas... Eu gosto.

– É... Eu também gosto... – Mista respondeu, inconscientemente tracejando de leve os lábios de Giorno com o polegar. Mesmo no escuro da cela, conseguia ver o tom rosado e o formato de coração que ele tanto queria beijar... Poderia passar o resto da vida admirando-o. Acariciando aqueles cabelos dourados... Mista notou que até as sobrancelhas e cílios do rapaz eram da mesma cor. Ele parecia um anjo daquelas pinturas renascentistas.

Giorno virou o rosto levemente, encostando os lábios em seu polegar para um beijo suave, sem desviar seus olhos.

– Você tá me olhando como se fosse perguntar algo... – o loiro provocou, com um sorriso de canto.

Mista arregalou os olhos, surpreso.

– Caramba... Eu amo e odeio esse seu jeito de saber tudo que eu penso... – ele respondeu com um sorriso acanhado e respirou fundo. – É... Eu ia pedir algo...

– O que? – Giorno insistiu.

– É que... Hã... – Mista gaguejou. – Eu... Queria perguntar se eu posso...

Antes que ele terminasse de falar, o loiro repousou uma mão em sua bochecha e fechou a distância entre seus lábios.

Foi apenas um breve selar, mas parecia transmitir tantos sentimentos. Mista sentia que seu rosto iria entrar em combustão a qualquer momento.

Giorno se afastou e mostrou um sorriso envergonhado.

– Era isso que você ia pedir? – perguntou, quase inocentemente.

– Hum, talvez... Se eu disser, você faz de novo? – Mista retrucou, arrancando um riso baixo de ambos.

Então Giorno assentiu, beijando-o mais uma vez. Agora tocou com a língua em seu lábio inferior e o mais velho abriu passagem de bom grado, acariciando a língua do loiro com a sua.

Fazia tanto tempo que não beijava alguém. E depois de tanto tempo de abstinência, ter lábios tão doces e macios quanto os de Giorno contra os seus, era quase a sensação de uma overdose. Era simplesmente enlouquecedor.

Mista nunca havia usado entorpecentes (exceto uma tentativa de fumar maconha aos dezesseis anos, não foi uma boa experiência) graças à influência de Buccellati, mas ele tinha certeza de que beijar Giorno era tão viciante quanto.

Quando se deu conta, uma de suas mãos estava na cintura do loiro, entrando embaixo da camisa para encostar em sua pele. Mista o ouviu suspirar contra sua boca ao sentir os dedos frios contra sua superfície, puxando-o para continuar o beijo.

– Deixem pra transar quando estiverem sozinhos, por favor... – Bruno grunhiu, sonolento, virando-se em sua cama. Os dois afastaram os rostos bruscamente. – Eu não mereço ver e ouvir vocês fodendo agora...

Giorno cobriu o rosto com a mão. Suas bochechas queimavam.

– Como se eu já não tivesse ouvido você e o Policial Gótico Gostosão fazendo sexo selvagem enquanto eu vigiava a porta. – Mista rebateu e o loiro teve que segurar o riso.

Bruno apenas apoiou-se com o cotovelo para lançar-lhe um olhar. Teria sido intimidador se ele não estivesse com o cabelo completamente bagunçado e com uma cara amassada de sono. Ele apenas revirou os olhos e virou-se para a parede para voltar a dormir.

Giorno e Mista se entreolharam e riram baixo, aconchegando-se nos braços um do outro para, novamente, caírem no sono.

Dessa vez sem pesadelos, mas... Com sonhos agitados.



(...)



Restaurar a estufa até que não era tão tedioso quanto imaginavam. Haviam velhas ferramentas de jardinagem jogadas no canto, enferrujadas, mas ainda em bom estado. Bastava uma limpeza e uma boa organizada que ficaria ótimo.

Até Buccellati e Narancia resolveram ajudar, Abbacchio estava presente, mas apenas ficou escorado na porta, observando. Bom, afinal ele estava fazendo seu trabalho de vigiar os detentos (pra não dizer que ele queria passar mais tempo com Bruno e esse grupo que ele se apegou tanto, mas que Leone jamais admitiria em voz alta).

– Caramba, podemos plantar tomates?! – Mista disse, olhando um dos envelopes com as sementes. – Legal, vou poder fazer um rango maneiro, só preciso de algumas coisinhas da cozinha~!

– Nem vem. – Abbacchio disse firmemente. – Você que se resolva com o Carne.

O rapaz apenas fechou a cara e mostrou a língua.

Narancia nem estava prestando muita atenção no que estava fazendo. Já tinha organizado alguns jarros e estava limpando e dobrando uma lona transparente, que serviria de reserva caso as de fora fossem danificadas.

Fugo tocou seu ombro, fazendo-o dar um sobressalto.

– Podemos conversar? – ele perguntou.

Narancia franziu o cenho, desviando o olhar.

– Agora não. – respondeu baixinho.

Buccellati pareceu entender a situação imediatamente e empurrou Giorno e Mista para fora.

– Andem, andem, que tal irmos nos limpar logo? – disse, também puxando Leone pelo braço. O guarda estranhou, mas ao ver a expressão de Bruno, apenas concordou e o seguiu.

Narancia suspirou longamente, com as mãos no rosto.

– Não precisa lembrar daquilo se não quiser, não vou fazer de novo. – murmurou.

– Mas... Eu... Tô muito confuso... – Fugo respondeu. – Eu nem sei realmente o que dizer, só... Me incomoda você se afastar de repente desse jeito... Eu sinto que fiz algo errado.

Narancia desviou o olhar, o mais novo nunca vira seu semblante sempre alegre ficar tão melancólico.

– Eu só antecipei sua reação. – disse, mexendo na lona para se distrair. – Não precisa se forçar a sentir algo por mim se estiver com pena.

– Eu não estou com pena. – Fugo logo retrucou. – Eu só tô... Muito confuso.

– Sobre o que?

– Sobre tudo! – ele falou, um pouco mais alto, com as mãos na cabeça. – Eu não sei como me sinto em relação a isso e não quero ferir seus sentimentos também.

– Oh, então de repente você se importa com os meus sentimentos, é? – Narancia perguntou, ironizando. – Você não pensa sobre isso quando faz questão de apontar tudo que eu faço de errado ou pra me chamar de idiota imprestável!

– Você sabe que eu faço isso pra te ajudar. – Fugo respondeu, já sentia sua voz ficar trêmula e já estava começando a suar. Não era uma boa hora pra ter uma crise.

– Então adivinha, NÃO AJUDA! – o mais velho exclamou. – Você não corresponder o que eu sinto não fere os meus sentimentos, mas você me diminuir e me menosprezar todo santo dia FERE! DÓI! E DÓI MUITO!

O loiro suspirou, afobado.

– Eu... Não sabia que você se sentia assim...

– Que tal aprender a "ler o ambiente", hm? – Narancia ironizou novamente, fazendo aspas com os dedos. Fugo notou que seus olhos estavam marejados e que ele estava segurando as lágrimas.

– Me desculpa, ok... Eu tô sendo sincero, eu não queria te fazer se sentir mal... – ele respondeu abaixando a cabeça.

– Tá, tanto faz, só esquece o que aconteceu. – o moreno abanou a mão, desviando o olhar.

– Foi a primeira vez que alguém me beijou... Meio que não dá pra esquecer isso... – Fugo murmurou.

Narancia grunhiu alto e avançou de repente no mais novo, desequilibrando-o e fazendo ambos caírem no chão. O mais velho estava com o punho levantado, pronto para esmurrar seu rosto.

– Para com isso! PARA! Eu não sei que merda que passa pela sua cabeça, mas você SABE que eu não entendo as coisas direito! – Narancia exclamou, agora as lágrimas caiam livres pelo seu rosto. – Então para de tentar me confundir! Para de me dar esperança e tirar de repente! Você é a porra de um covarde por fazer isso!

A visão de Fugo tomou um tom avermelhado.

Ele fez um movimento rápido e acertou com o punho no rosto de Narancia, bem no nariz. Ao sentir o impacto, o rapaz afastou, com sangue respingando em seu uniforme e Fugo inverteu as posições.

– Então toma vergonha nessa cara e para de agir como a porra de uma criança ingênua! – ele gritou. – Aliás, é bem a sua cara mesmo! Por isso que você vai apodrecer aqui dentro!

– Cala a boca! – Narancia retrucou alto, também desferindo um golpe no rosto do mais novo.

– Não aguenta a verdade, é?! – Fugo rosnou, entre os socos que recebia do mais velho, agora segurando seus pulsos. – Beleza, então toma a verdade! – ele jogou Narancia para lado com uma joelhada. – Não teria como eu sentir algo por uma pessoa tão infantil, estúpida e inconsequente.

Cada palavra soou como um tiro no peito do rapaz e, em um acesso de fúria, se jogou na direção de Fugo novamente, trocando golpes e rolando pela terra, quebrando até um jarro de argila no conflito.

Ao ouvir o som da briga, Abbacchio e mais dois guardas tiveram que intervir e separa-los à força. O albino forçou para que Narancia ficasse deitado com o peito no chão enquanto o rapaz continuava se debatendo, com lágrimas nos olhos. Fugo já não reagiu mais, apenas deixou os outros guardas o algemarem em silêncio.

Abbacchio sentia como se estivesse segurando um gato arisco.

– Para com isso, Ghirga, só vai piorar sua situação! – avisou, quase sussurrando, mas Narancia pareceu não ouvir.

– Abbacchio, Martini, levem os dois para a solitária. – o terceiro guarda disse e ele hesitou. Era seu superior, afinal... Tinha que obedecer, por mais que quisesse pegar leve com esses garotos.

– Anda... – Abbacchio disse baixo, ajudando-o a se levantar e lançando um olhar furioso para Fugo.

A expressão do mais novo parecia uma máscara, fria, sem sentimentos. Mas era óbvio que ele estava sofrendo tanto quanto Narancia, que estava soluçando e chorando abertamente por todo o caminho até a solitária.

Os dois entraram na cela e Abbacchio tirou as algemas de Narancia.

O guarda estava muito perdido na situação. Não tinha a menor ideia do que fazer para melhorar o astral do rapaz... Bruno que era o especialista nisso, droga!

– Hã... – ele gaguejou, dando um tapinha leve e desajeitado no ombro de Narancia. – ... Fica bem, tá?

O mais novo fungou e o abraçou com força, soluçando em seu peito. Leone olhou em volta, quase desesperado e confuso, quando viu Bruno vindo pelo corredor. Ele sinalizou para o moreno, sem saber o que fazer, vendo-o apenas dar de ombros com um olhar solidário.

– Por que eu me permiti sentir isso por ele, Abbacchio? – Narancia balbuciou entre soluços. – Por que eu sou tão estúpido, droga?!

– Tá, tá... Para com isso, você não é estúpido. – Leone murmurou, ainda tentando pedir ajuda a Bruno, que se direcionou até a cela onde Fugo estava. – Calma... Calma...

Após alguns segundos, Narancia respirou fundo, recuperando o fôlego.

– É bom você não me tirar dessa cela tão cedo... – disse baixo, com a voz ainda embargada.

– Por que?

– Porque se o Fugo aparecer na minha frente, a gente vai acabar se matando.

O olhar do rapaz estava tão sério que fez Abbacchio hesitar por um segundo.

– Tudo bem. – ele respondeu, se afastando para sair. – Vou conversar sobre isso com o Bruno e ver o que ele acha.

Narancia apenas assentiu cabisbaixo enquanto via o guarda sair de sua cela.

Durante isso, Buccellati ainda estava se preparando para encarar Fugo.

O mais novo andava de um lado para o outro dentro da cela, claramente impaciente.

Bruno bateu na porta algumas vezes e o viu respirar fundo.

– Agora não, Buccellati... – respondeu de imediato. – Não quero conversar agora.

O mais velho suspirou.

– Ok... Mas uma hora ou outra vamos ter que falar sobre isso. – disse, escorando-se na porta. Sentia um toque de amargura em sua voz. – Se me lembro bem... Você me falou que a última coisa que faria era ferir os sentimentos do Narancia...

– Eu sei, eu... – Fugo gaguejou e virou-se para a parede oposta à porta. – ... Só me deixa sozinho... Por favor...

Bruno lançou-lhe um ultimo olhar, seguindo de volta pelo corredor.

O rapaz pressionou as mãos no rosto com força antes de acertar com o punho na parede de concreto, descarregando toda a sua raiva ali. Sentia a pele de sua mão se rasgando com o impacto, mas a dor simplesmente não veio.

A porta de sua cela abriu e fechou, fazendo-o soltar um longo suspiro.

– Eu já disse que não queria conversar com você, Buccella- – no momento que Fugo se virou, seus olhos se arregalaram ao perceber que não era Bruno que estava em sua cela naquele momento.

– E comigo? Vai querer conversar? – Diavolo perguntou, seu rosto ostentava um sorriso de canto convencido e seus braços estavam cruzados. Fugo cerrou os punhos novamente, esperando o pior, mas o homem apenas ergueu as mãos em rendição, quase em um gesto de deboche. – Não vou fazer nada com você, pode relaxar... Só quero conversar.

– Igual você quis "conversar" com o Giorno? Conta outra, você não faz meu tipo. – o rapaz rebateu acidamente.

Diavolo riu baixo.

– Giovanna foi apenas uma diversão que o Abbacchio resolveu meter o nariz sem ser chamado. – ele explicou. – O garoto é mais inteligente do que eu esperava, mas eu sei que você o supera nisso.

Fugo franziu o cenho, confuso.

– Fala logo o que você quer comigo.

– Tudo bem, eu posso resumir... – Diavolo caminhou até ele, repousando uma mão em seu ombro. – Eu quero você longe do Buccellati e daquele grupinho... Você é esperto, sabe que eu comando tudo dentro e fora dessa prisão... Sabe que mais cedo ou mais tarde Buccellati vai definhar sozinho sem que eu precise levantar um dedo sequer... – ele se aproximou para sussurrar em seu ouvido. – ... A escolha é sua, se afaste deles e veja apenas Buccellati morrer, ou... Continue como está e todos vão morrer... Principalmente o seu amiguinho, Narancia Ghirga... Não que isso importe, não é? Eu soube que vocês tiveram uma briga feia agora a pouco... Você nem deve querer olhar na cara dele.

– Eu... Não quero que nenhum deles morra. Nem o Narancia, nem o Buccellati. – Fugo murmurou.

– Vou deixar você pensar nisso... – Diavolo foi até a porta novamente. – Eu tenho tudo pronto para pagar sua fiança, te livrar de Poggioreale e arrumar uns serviços bem pagos, basta você confirmar.

– Eu preciso de um tempo. – o rapaz disse baixo.

– É claro. – ele sorriu, saindo da cela. – Leve o tempo que precisar, mas lembre-se... A vida dos seus amigos está nas suas mãos.

Assim que Diavolo estava fora de sua vista, Fugo pôs as mãos no rosto, seus olhos ardiam violentamente com a vontade de chorar.

Iria trocar eles pela sua liberdade? Ou seria egoísta para condenar todos a morte e ser levado junto? Eles não eram simplesmente companheiros de cela. Eram seus amigos. Sua família.

Fugo soluçou baixo.

Me perdoem...



(...)



Alguns dias após a briga, Bruno varria o piso da estufa depois que Giorno e Mista se retiraram para voltar à cela.

O moreno estava com uma expressão triste e preocupada no rosto, encarando o piso, sem prestar atenção no que fazia. Estava pensando em como poderia resolver o conflito de Narancia e Fugo...

Eles costumavam brigar e discutir com frequência, mas nunca partiram para a violência séria dessa forma. Bruno lembrou-se de ver o rosto do mais novo cheio de ferimentos ao vê-lo na solitária.

O som de algumas batidas no vidro chamou sua atenção, o obrigando a direcionar o olhar para a porta.

– Precisamos conversar. – disse Abbacchio, com um olhar preocupado.

– Aconteceu alguma coisa? – Buccellati perguntou, deixando a vassoura de lado.

– Fugo vai sair. – ele respondeu, vendo o moreno dar de ombros.

– Bom, já fazem três dias, ele não pode ficar na solitária para sempre.

– Não, Bruno... – o mais velho corrigiu, com uma mão pressionando suas têmporas. – Alguém pagou a fiança do Fugo... Ele vai sair de Poggioreale.

Bruno ergueu a cabeça bruscamente. Por um segundo achou que fosse brincadeira, já que o rapaz ainda teria no máximo dois anos de pena para cumprir, mas o olhar de Leone deixou a situação bem clara.

– Quem pagou a fiança? – perguntou.

– Veio do nome Solido Naso.

– Solido Naso... – Bruno murmurou, caminhando de um lado para o outro. – Eu conheço esse nome... – um clique soou em sua mente e ele arregalou os olhos. – É um dos nomes do Diavolo! Ele usava para fazer transferências clandestinas.

– Por que o Diavolo iria fazer algo do tipo? – Leone perguntou.

– Eu não sei... Mas eu preciso conversar com o Fugo agora. – Bruno disse, passando pelo guarda e caminhando direto de volta para o pavilhão, com o albino atrás.

Ele mancou rápido pelos corredores até chegar na porta da cela.

Fugo estava de costas, recolhendo seus livros em uma sacola. Ele não usava o uniforme, apenas uma calça jeans desbotada e uma camiseta branca.

– Fugo... O que aconteceu? – Buccellati perguntou.

O rapaz demorou um pouco e soltou um longo suspiro.

– Eu vou embora. – disse.

– Eu entendi isso, eu quero saber o porquê. – o moreno insistiu, recebendo apenas silêncio como resposta. – Por favor... Fala comigo, você sabe que pode confiar em mim.

Fugo virou-se para ele. O rapaz ainda estava com o rosto cheio de feridas e hematomas da briga com Narancia, era doloroso de se ver, ainda mais com esse olhar triste e desamparado que se destacava em sua expressão. Parecia que ele ia chorar a qualquer momento.

– Diavolo me fez uma proposta... Uma ameaça, aliás. – explicou, desviando o olhar para o chão. – Ele quis me tirar do jogo... Disse que se eu preferisse ficar do lado de vocês, ele ia dar um jeito de matar todos nós... E se eu fosse embora... Ele iria poupar o Narancia, o Mista e o Giorno... – a voz de Fugo ficou trêmula, com o esforço de segurar as lágrimas. – Mas nessas duas opções, você tem que morrer...

Buccellati piscou algumas vezes. Sua única reação foi puxa-lo para um abraço apertado.

– Eu sei que é uma escolha difícil... E sei que você está fazendo o que acha ser o certo. – disse, baixinho. – Você está pensando na segurança dos seus amigos, é isso que importa.

Fugo soluçou, relutantemente retribuindo o abraço.

– Me perdoa, Buccellati... – ele balbuciou com os ombros trêmulos. – Me perdoa... Eu não quero deixar você morrer...

– Ei... – Bruno o afastou para olhar em seus olhos, com um sorriso reconfortante. – O meu tempo está acabando a anos... Se eu morrer, pode ter certeza de que não vai ser pelas mãos do Diavolo. – ele deu alguns tapas fracos em seu rosto. – E você pode fazer o que você quiser com a sua vida agora, então aproveite bastante, ok? Tenho certeza de que todos nós aqui te desejamos boa sorte.

– Obrigado... – Fugo murmurou, limpando as lágrimas com as costas das mãos. – Pode me fazer um favor?

– O que?

– Diga ao Narancia que eu sinto muito por ter dito aquelas coisas... Que se eu pudesse, teria voltado no tempo pra... Responder da maneira certa... Que eu me arrependo... – ele respirou fundo. – ... E que eu o amo.

– É claro... – Bruno assentiu.

Eles trocaram um ultimo abraço de despedida. Mista e Giorno foram pegos de surpresa por um abraço inesperado quando Fugo ia passar pela porta, dizendo adeus baixinho e acompanhando Abbacchio pelo corredor.

A luz do sol bateu em seu rosto, fazendo seus olhos arderem mais, além das lágrimas.

– Boa sorte, garoto. – Abbacchio disse, simples e curto, com um tapinha em seu ombro.

– Valeu. – ele respondeu, forçando um sorriso. – Cuida bem deles, tá?

O albino assentiu, vendo-o se virar e seguir seu caminho.


Notas Finais


Bruh n ganhei ovo de páscoa 😔


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