História Primavera - hardenshipping - Capítulo 1


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Categorias Pokémon
Personagens Archie, Maxie
Tags Alpha, Aqua, Archie, Courtney, Faun, Fauno, Hardenshipping, Magma, Maxie, Merman, Ômega, Oras, Pokémon, Ruby, Sapphira, Shelly, Tabitha, Team, Tritão
Visualizações 43
Palavras 1.799
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo 1


Quem no mundo detestaria a primavera?

A estação das chuvas é símbolo de prosperidade, de renovação. A neve derrete e o frio finalmente se despede. Com o calor, as folhas crescem e as rosas desabrocham, preenchendo a mata úmida de cor e abundancia.

Também é quando a maioria dos pokemons despertam do sono profundo, emergem de suas tocas escuras e correm para saciar o estômago há muito contorcido de fome.

E, para quem vive de baixo da água com um apetite de tubarão, só cogitaria agradecer a volta dos cardumes rechonchudos de gooldens e seakings.

Principalmente se este alguém passou o inverno inteiro caçando lá de vez enquanto um ou outro margikarp desprevenido de carne magra...

Mas muito embora o homem peixe estivesse contente com a chegada da estação da fartura, algo no íntimo o fazia se sentir estranhamente ameaçado com toda essa... Agitação habitual.

O problema era para ser um só: território.

Manter o território, protegê-lo de outros predadores a qualquer custo!

Essa era a única preocupação de Archie a vida toda, pois se um sharpedo possui um território tão vasto e rico quanto o seu, então tem comida, autoridade, segurança e, bem... Fêmeas que de vez enquanto se aventuram por suas águas com intenções nítidas...

Não havia do que se queixar, mas ainda assim veio aquele sentimento ingrato:

Archie odiou a primavera.

E tanto desprezo gratuito se originou por muito pouco:

Embora não seja lá o seu bioma favorito, a terra aos arredores do lago – tipo a floresta inteira e mais um pouco – é sua por direito. O tritão havia desmembrado muitos outros machos de sua espécie para conquistar tal privilégio.

Então, naturalmente, tudo o que a tocava também o pertencia.

E, bem... O fauno vivia ali, certo? Nas redondezas, por entre os arbustos altos.

No cérebro de tubarão de Archie, isso só podia significar que Maxie era dele e fim de papo.

...Pena aquela criatura de pelo macio e chifres pontudos ainda não estar ciente disso.

E falando em chifres...

– Oh, mas você esta aí! – veio o grito familiar um pouco distante.

O fauno estava na margem, sentado à espera do tritão como costumava todo fim de tarde.

...Costumava, porque, ultimamente, o camerupt que fazia o coração do tubarão bater mais forte andava meio sumido.

Seguindo o som da voz rouca, Maxie percebeu a figura de Archie no lago, feliz, com aquele sorriso sarcástico, emergida até os ombros.

– Até que enfim! – o tubarão continuou – Pensei até que tivesse sido comido! – e com os dentes pontudos à mostra, ele começou a se aproximar – Chegasse numa hora boa! Você não vai acreditar no tamanho dos Lotads que tem do outro lado do rio e-

No que arrancou uma mão escamosa de baixo da água, já a ameaçando apontar para o lugar do ocorrido, Archie congelou, surpreso.

Suspirando impacientemente, sem olhar para o tritão, o fauno retrucou de mau humor, balançando a cabeça ligeiramente:

– Pelo amor de deus, Archie, eu já disse que sou herbívoro!

Ele passou a mão pelo rosto, empurrando os óculos um pouco para cima. Sentia-se estranho, bagunçado e irritadiço, e as pequenas galhadas que cresciam em sua cabeça coçavam como o inferno.

Como se seu mal estar não bastasse, foi acertado por uma risada alta, maníaca, e desprevenido tomou um susto, levantando as orelhas.

– O quê?! – berrou, transtornado, olhando para o tubarão, que ria sem parar.

A risada se transformou em uma gargalhada exagerada.

Desconfortável, Maxie apenas bufou, revirando os olhos.

– O que foi?! – ele tentou de novo.

– Os galhos...! – Archie explicou, se esforçando para se acalmar, mas não conseguindo tirar o sorriso bobo dos lábios – Eles ficaram presos na sua cabeça, seu idiota!

Em dúvida, o fauno estreitou os olhos, até que levou uma mão curiosa até o topo da cabeça para tocar os tais galhos tão engraçados e encontrou apenas seus pequenos chifres encravados.

– Ah, é isso? – ele resmungou, carrancudo – São meus chifres, peixe burro!

– ...Chifres? – o tubarão repetiu, parando de rir.

Torceu a expressão divertida em uma careta desconfiada.

O tritão observou seu amigo por um instante antes de mergulhar, ressurgindo próximo a ele, na margem rochosa.

Ao emergir, porém, como sempre trouxe um gêiser de água gelada junto. Maxie levantou as mãos para se proteger, fazendo cara feia para a indelicadeza do tritão.

– Por que você teria chifres...? Você não precisa deles!

Terminando de enxugar o rosto molhado, o fauno explicou, num tom zangado, o óbvio:

– Eu sou um macho, Archie!

– Camerupts machos não tem chifres! – Archie insistiu, franzindo o cenho.

Cavando os dedos na raiz de uma das galhadas, o fauno se coçou repetidamente enquanto falava.

– Ta, mas eu não sou exatamente um camerupt, não sou? – e apertou com força, inclinando a cabeça, inconformado com o desconforto que sentia – ...Além disso, eu preciso sim dessas coisas malditas para me proteger!

O tubarão pestanejou, aparentemente insultado.

– Proteger?! Mas do quê?! Eu já faço isso para você!

Parando de se coçar, Maxie se voltou para o amigo.

– Archie, você vive na água – ele lembrou, ranzinza – Você não pode fazer muito por mim na terra... Principalmente na primavera.

– O que tem a primavera?!

– Ué, você não sabe? – desmanchando a cara feia, as bochechas de Maxie coraram ligeiramente – É, bem... Como eu posso dizer isso...? Época de reprodução, eu acho...?

Os olhos do tubarão se alargaram.

– Eu não sou muito de procurar por companhia, eu já estou meio velho para isso – o camerupt continuou, passando uma mão nervosa no pescoço, fitando os cascos por um momento – mas quando os chifres aparecem, os faunos ficam meio loucos... Então é bom que eu também tenha um par de galhadas para me defender.

Voltando a sorrir – embora desta vez não de alegria, mas frustração – Archie rosnou, inquieto:

– Então é por isso que você não vem mais me ver- Porque fica enfiado na sua toca- Morrendo de medo!

– ...Perdão?

– Você é tão estúpido – Archie zombou, tentando controlar sua irritação. No fundo sentia-se mal por Maxie não confiar sua segurança a ele. Era quase, aos olhos de um sharpedo, dizer que não o considerava forte o suficiente – ...Fica por aí, com medo de chifradas idiotas- E no meu território, como se eu fosse um margikarp inútil- Sabendo que eu posso matar qualquer um que incomodar você!

Dando uma olhada indiscreta no homem peixe, Maxie apenas suspirou em silêncio.

Depois de alguns meses convivendo com o tritão, ele aprendeu que determinados assuntos deveriam ser evitados, pois não importa o quanto desperdiçasse seu tempo tentando explicar, Archie jamais entenderia.

Suas naturezas eram tão diferentes...

De qualquer forma, embora uma voz em sua mente lhe dissesse que não era uma boa ideia, o fauno estava preocupado demais e sentia uma necessidade sufocante de expor seus demônios para alguém.

E, bem, já como ele só conhecia aquele sharpedo por aquelas bandas...

– ...Eles não pretendem me atacar, Archie – querendo ser claro para não ter que repetir a dose, Maxie continuou, baixando o tom da voz e virando o rosto, visivelmente incomodado – ...Eles pretendem acasalar comigo.

O sorriso do tritão murchou.

As sobrancelhas, pesadas, enrugaram a testa num sinal claro de perplexidade.

– ...Eles o quê? – incapaz de acreditar no que tinha ouvido, ele repetiu sendo perigosamente amargo, olhando nos olhos de Maxie.

– Eles não- Ele, na verdade- – o fauno corrigiu.

Voltou sua atenção para o amigo e percebeu, então, que sua insistência no assunto tinha ido longe demais.

Ciente da bomba que estava por estourar, Maxie só conseguiu baixar as orelhas e se culpar interiormente por sua ousadia.

Pensou a respeito, procurando por uma resposta que tranquilizasse o tritão, mas quando já ia reunindo as palavras que considerou adequadas e abriu a boca, inspirando o ar, não teve tempo para responde-lo.

Puxando os braços de dentro da água, Archie apoiou as garras pontudas na margem rochosa, impulsionou o corpo ligeiramente para cima e berrou, furioso:

– Quem é ele?! Onde ele esta?! Eu mato! – e bateu o rabo na água com força, provocando ondas agitadas na superfície e um gêiser gelado para cima.

De olhos arregalados, o fauno, surpreso, se afastou, fugindo tanto das gotas que ameaçavam atingi-lo quanto da presença instável do predador.

Ao se levantar, há um ou dois metros, distancia que julgou segura da margem, ajeitou os óculos no rosto e deu uma olhada dura para o tritão.

– Ta vendo? É por isso que eu não venho mais aqui! Sempre tão possessivo, que saco! – Maxie repreendeu, fazendo Archie rosnar por entre os dentes – Você não consegue ter uma conversa saudável sem dar um chilique!

– Me diz quem ele é! – Archie insistiu, nervoso.

– Archie, pelo amor de deus, eu não sou mais um filhote- Eu sei cuidar de mim mesmo!

Fechando uma das mãos com força, o tubarão virou o rosto, ainda praguejando:

– Eu vou acabar com ele.

O fauno revirou os olhos, batendo um dos cascos. Era o suficiente.

– Você quer fazer o favor de parar de dizer que vai matar todo mundo- Depois os outros pokemons ficam por aí dizendo que você é um psicopata e você fica brabo!

Se voltando novamente para Maxie, o homem peixe parecia indignado:

– Esse maldito está tentando abusar de você! – ele gesticulou, inquieto. Não entendi o porque da relutância de Maxie – E você não me disse nada!

– Ninguém esta abusando de mim, seu idiota! É época de reprodução- Essas coisas acontecem, é natural!

Os olhos de Archie se estreitaram.

Encarou o fauno por um momento, completamente insultado, e então, foi escurecendo sua expressão em uma carranca zangada.

– ...Toda essa história de se sentir ameaçado- Me evitar- Depois que esses malditos chifres apareceram- Era tudo uma desculpa idiota para ficar se assanhando por aí!

Franzindo o cenho, Maxie simplesmente balançou a cabeça com desdém.

Olhou para o lado, evitando o tritão, e com um tom que transbordava decepção, retrucou antes de se virar, querendo partir:

– Por que eu ainda falo com você?

O assistindo do lago, ainda com as garras nas rochas, Archie, pela primeira vez desde que começou a perseguir aquela criatura que o encantava, não sentiu vontade de sair da água e ir se arrastando atrás dele.

Ele estava desapontado, com ciúmes e também com raiva.

Mas, em uma última tentativa de se conectar ao fauno, resolveu se declarar:

– ...Eu pensei que tivéssemos algo – ele começou, olhando para baixo, nervoso. Maxie se virou, o fitando de longe – ...Mas já percebi que você não pensa o mesmo!

Então, levantando a cabeça, o tritão encarou o fauno sem dizer nada por um momento.

Não havia surpresa ou choque na expressão do camerupt, apenas branco, difícil de ler – seu rosto estava sério, mas não desconfortável ou aborrecido.

Era como se ele já esperasse, soubesse disso.

Algo? – ele repetiu, quebrando o silêncio – Já olhou para nós dois...? Você é um peixe, Archie. Isso nunca daria certo.

E começou a andar, partindo em direção à mata, deixando Archie para trás.


Notas Finais


sim, pessoa, eu só queria um motivo aleatorio para fazer esses dois brigarem
porque eles são taaao fofos e por alguma razao eu gosto de tocar o terror em coisas fofas


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