História Primaveril - Capítulo 1


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Izuku Midoriya (Deku), Shouto Todoroki
Tags Bnha, Tododeku
Visualizações 31
Palavras 1.245
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: LGBT, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Quero agradecer ao anjo, vulgo @_started que fez essa capa maravilhosa (amo tu, neném).
Sem mais delongas, vamos lá!

Capítulo 1 - Capítulo Único; Eterno


”Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar, e você o estará alimentando pelo resto da vida.”  

Era esse proverbio chinês que movia sua vontade atual. Era de conhecimento publico que nunca fora alguém que buscava as coisas do amanhã, focava mesmo era no hoje. Gostava de viver cada dia como se fosse o ultimo – dentro das leis, se possível – e podia afirmar que sua vida era boa assim, estava tudo bem, isso até o conhecer.

A primeira vez que pôs os olhos sobre si, ficou na dúvida se estava alucinando. Era inverno e sua mãe o alertou sobre levar mais de um casaco, mas qual filho em sã consciência escuta esse tipo de conselho? Não deu outra: Izuku se encontrava tremendo, parecia sambar de tanto frio enquanto esperava o carro para lhe levar em casa. Só que foi ali naqueles poucos minutos de espera, que percebera sua presença.

Estava sentando num banco comum, vestindo uma roupa comum – ainda lembrava que ele usava mais de um casaco – mexendo num celular comum enquanto deixava a neve pousar calma sobre seus cabelos coloridos. Naquela hora, cogitou a possiblidade de uma pequena alucinação devido ao frio intenso, porque tinha certeza que humano aquele lá não era não, só podia ser anjo, pensava. Mas não deu tempo de descobrir, ouviu o buzinar do motorista e pulou pra dentro. Ficou a observar a figura fantasmagórica sumir em meio à branquidão e a distancia até ouvir algo sobre a importância do uso do cinto e afundar no banco.

Durante os outros dias daquele inverno curioso, se deixou levar – jamais admitiria que fosse de proposito – ate aquele parque sombrio que carregava o mistério do garoto fantasmagoricamente colorido. Andava sempre com seu caderno e lápis em mãos, queria registrar os traços da sua possível alucinação. Ao passo que não dava sorte, começou considerar que realmente tinha visto um fantasma e todas as piadas que havia feito consigo mesmo sobre o evento, pesaram.

Andou apressado para fora daquelas arvores secas, tão rápido que não viu seu alvo sentado num banco mais afastado dos outros, o observando. Antes que pudesse sair dali, um vento fino bateu em sua nuca e como se o puxasse, ele olhou para trás. Viu o mesmo cara ali, com as roupas comuns e acessórios de igual descrição. Podia afirmar que tudo estava do mesmo jeito, isso se não fossem as bochechas vermelhas denunciando o frio acumulado em sua pele.

“Não é um fantasma”, pensou. “Claro que não é um fantasma, sua anta, isso nem existe”, concordou com a segunda voz. “Puta que pariu, tô discutindo comigo mesmo e ainda nem são quatro da tarde.”

Antes que um sorriso se formasse, sentou. Buscou o banco mais escondido, mas que desse uma boa visão do antes fantasma. Buscou seu caderno e puxou os primeiros traços. Não queria focar no corpo, o excesso de roupas impedia que ele pensasse em como desenhar o torso, focou então no rosto. Viu que ele tinha uma cicatriz forte num lado e olhos bicolores. “O cabelo deve ser para combinar”, sussurrou em sua mente.

O esforço nos desenhos era nítido, mas sempre achava que não estava bom o suficiente, não conseguia captar a beleza incomum daquele cara. E foi por isso que resolveu aplicar o proverbio à sua vida.

Se antes ele já tinha o ‘peixe’ – sua habilidade de desenhar –, agora ele queria uma vara também e melhor, queria aprender a usá-la. Só quando conseguisse alcançar essa quase utopia, sentia que iria conseguir captar toda a essência daquele que ainda não tinha um nome para si.

Mas as coisas não fluíram assim. Foram longos três meses naquela rotina que começava a cansar. As poucas coisas que fez valer a pena foi que em algum momento ele tomou coragem, se aproximou, se apresentou, disse que estudava arte e queria desenhá-lo, tudo de uma vez só. Não seria estranho se o outro levantasse, começasse a correr e parasse só num distrito policial, mas ele não o fez. Concordou com a ideia e se apresentou também, pedindo para ficar com os desenhos que seriam descartados.

Dois esquisitos. Um que não tinha noção de espaço e nem privacidade e muito menos sabia diferenciar pessoas de fantasmas e outro que não tinha medo de topar com um maníaco obcecado por desenhos seus. A neve devia estar congelando seus cérebros, única explicação possível.

Mas em algum momento, o aspirante a artista assumiu para si que captar toda a essência da coisa não era mais seu único objetivo ali. Ele queria poder estar com o fantasminha – ah, esse é apelido que ele usava enquanto discutia consigo mesmo –, queria poder vê-lo, mas ainda lhe faltavam coragem para dizer em voz alta, por enquanto diria somente em pensamentos.

Só que ele estava cansado. Cansado e ficando sem dinheiro, porque aqueles cadernos eram caros e os lápis também e quanto mais desenhava, menos gostava. Tentando achar uma desculpa para parar com os desenhos, mas continuar com os encontros, a primavera chegou. Foi bem engraçado no começo, porque o foco na perfeição era tamanho que mal percebeu a neve derretendo e dando espaço para uma graminha aqui, acolá. Só teve a verdadeira certeza quando chegou ao parque e não conseguia ver mais o fantasma – nem em pensamentos – só via ali um garoto, de sua idade mais ou menos, que ainda usava roupas comuns, mas tinha um sorriso tão belo quanto a nova estação.

Foi ali, naqueles instantes que observava a carreira perfeita de dentes que o mundo parou. Pássaros não cantavam e muito menos os carros faziam barulhos. Soube que precisava sobrepor seu caderno sobre uma das coxas e desenhar rápido, cru e honesto. Aquela era hora da verdade.

Enquanto mantinha a lembrança vivida do sorriso, não conseguia segurar o seu. Olhava a forma que o desenho tomava e ria, olhava Shoto e ria, olhava o parque e ria. Parecia um retardado e naquele momento, estava. Não conseguia segurar a crescente emoção dentro de si cada vez que contornava uma linha e afirmava que estava bom. Estava tão bobo que nem pensou no depois, que ao conseguir o desenho perfeito não teria mais motivos para se verem, ele não pensava em nada. Sua mente não conseguia manter uma linha segura de raciocínio. Ia desde os olhos bicolores até como seu lápis estava pequeno, precisava urgente de outro.

Milhões de neurônios gastos de uma só vez quando ergueu a folha. Sorriu sincero e viu ali uma das coisas mais lindas, se não a mais de todas – ele não estava falando do desenho –. Ficou tanto tempo tentando prender aquela forma num papel que se esqueceu de contemplar ela ali, vivinha da silva.

A arte que levou três meses e alguns dias para ficar agradável aos seus olhos já não lhe apetecia mais, não tanto como esperava que acontecesse. Um pensamento lhe invade a mente. Isso mesmo, antes estava tudo errado. Os desenhos, a neve, seus episódios de quase congelar na rua, tudo fora da ordem natural. E ele soube o motivo das coisas estarem assim, quando Shoto sorriu novamente, apontando com o nariz para a folha em sua mão: aquele garoto era primaveril, um ser da primavera. Nada daria certo para ele ou com ele em qualquer outra estação, por isso, agora sua missão de vida – ainda usando os ensinamentos do antigo proverbio – era transformar todas as estações numa eterna primavera para um ser de primavera eterna.


Notas Finais


E então, gostaram? Confesso que eu amei essa coisinha e olha que eu geralmente não gosto tanto do que escrevo. Bom, espero que vocês tenham curtido a leitura, perdoem qualquer erro e até a próxima!!


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