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História Primeiro amor - Imagine Jeon Jungkook - Capítulo 2


Escrita por: e Peachwer


Notas do Autor


Boa leitura 💞💞🍑

Capítulo 2 - Chatinho


Fanfic / Fanfiction Primeiro amor - Imagine Jeon Jungkook - Capítulo 2 - Chatinho

~ ʚĭɞ ~ 

Papai e eu entramos no escritório da secretária da diretora do novo colégio. A moça rechonchuda, de bochechas coradas  e olhos puxados nos encarou, com um sorriso amigável enquanto deu um bom dia animado. Eu acenei, com a mão suada e grudenta. Minha boca travou bem na hora que iria responder em coro com meu pai. 

Eu estava tão nervosa, não conseguia nem murmurar algumas palavrinhas, nem mesmo as mais simples.

Tinha uma garota loira, de olhos verdes sentada em uma poltrona ao lado da mesa da secretária ,toda despejada como se estivesse em casa. Ela não estava prestando atenção em muita coisa,sua cara de tédio demonstrava isso e mesmo quando a mulher lhe chamou a atenção, ela não escutou. 

Mas no terceiro chamado ela olhou para a mulher, atenta.

— May, não saía daí. — A mulher ditou, fazendo gestos com as mãos. 

A garota revirou os olhos verdes, murmurando algo em voz baixa que ninguém pudesse ouvir. O jeito que a mulher a olhou , era de alguma forma carinhosa, mas estava óbvio que a garota não correspondia esse sentimento. 

Pelo o que percebi, a garota estava sem o uniforme, e pelo o que papai me contou, a escola era muito rígida com esse tipo de coisa. Na minha antiga escola em Londres,  o uso de uniforme era liberal para todos os alunos, contudo, tinham que ser vestimentas discretas, como: nada de shorts.

Porém, aqui era diferente: o uniforme era uma saia vermelha,  blusa social branca, gravata da mesma cor da saia e um casaco preto. Sem contar que os sapatos eram obrigatoriamente pretos.

— O que posso ajudar? — A secretaria gentil perguntou.

— Bem, hoje é o primeiro dia da minha filha, então…

— Ah, — A moça interrompeu papai, com a voz levemente alta. — ________ Stuart, certo? 

Assenti levemente. 

— Aqui está seu horário e seus livros, meu bem. — Ela tirou uma folha da mesa e empurrou os livros ao lado para frente, sem nenhum esforço.

As letras estava escrito em negrito com todas as informações que precisava. 

Sala 1;

Segundo ano A;

Segundo andar;

Armário N° 40 , segundo andar; senha 16890.

Suspirei.

— Venha senhor Stuart,  a diretora lhe espera. — Ela praticamente empurrava meu pai para dentro da sala que ficava a direita.

Antes que meu pai entrasse na sala, ele parou e me olhou. 

— Você vai ficar bem?

— Sim… — Murmurei. 

— Vai conseguir voltar pra casa sozinha? 

Assenti. 

Então, ele sorriu minimamente e entrou na sala da diretoria. 

Eu não sabia muito o que deveria fazer no momento,  mas quando o sinal tocou, minha mandíbula remexeu-se em alerta.  A mulher que antes empurrava papai, foi às  pressas sentar em sua cadeira desajeitada.

— O sinal tocou. — Alertou ela. — Você só tem tempo para deixar seus livros e correr para a sala. — Ela parou de falar, e quando seu olhar pousou na garota loira, ela continuou. — Ótimo,  May, sua tarefa como castigo vai ser levar a garota aqui, — Apontou para mim. —  Até seu armário e depois para a aula. 

— Que maravilha. — Ela soou com uma falsa voz animada.  Depois, ela levantou-se da poltrona e passou o braço em volta do meu, como se nos conhecêssemos há anos. — Vamos, novata.

A porta da diretoria era quase ao lado da grande escada que levava para o segundo andar. Meus pés bombeavam quando May me puxava pelo corredor, por conta do peso dos livros. Quando estávamos  quase subindo a escada, eu parei antes que uma tragédia acontecesse.

May também parou, ficando com um interrogação enorme no meio do rosto redondo. 

— Bem, você poderia me ajudar? — Indaguei. E antes que ela pudesse falar algo, avancei em sua direção e praticamente empurre os livros em seu braço.

May não falou nada, apenas segurou os livros com bastante força.  Ela ficou com uma metade e eu com a outra. No máximo,  eram doze livros, só um era de capa dura e bastante grosso.

— Ok. — Ela sussurrou, voltando a andar. 

Quando paramos no segundo andar, no meio do corredor , perto do armário 37, ficamos atenta para não deixar meu armário passar despercebido. 

38… 39…  40…

— Então, — May começou, parecendo inquieta. — Em qual turma você ficou? 

Meu olhar não estava mais nela, agora meus olhos estavam atentos no armário,  enquanto tentava colocar meus livros no grande metal organizado. Quando terminei, reparei na decoração do corredor e nas cores dos armários. Eram todos azuis, alguns claros e outros escuros. No começo dos armários, tinha dois banheiros. Um era para as meninas, outro para os meninos, e mais a frente já podia-se ver as salas de aulas. 

— Creio que na A. — Avisei após olhar novamente meu horário. 

— Eu também. — Desta vez, May não estava sendo falsa em sua resposta. Pude ver em seus olhos que estava realmente animada por saber que éramos da mesma turma.

Eu não sabia o que pensar. May parecia ser uma garota legal mas ao mesmo tempo parecia maluquinha. Não que eu tivesse alguma escolha no momento nas minhas amizades, afinal, era meu primeiro dia. E além de tudo, May era tão oposta das garotas da antiga escola em Londres que me deixava confusa e quieta.

Portanto, não estava reclamando.

Dei mais uma olhada em meu horário de aula e peguei quatro livros que precisava. Coloquei dois em minha pequena bolsa que estava em minhas costas e os outros eu dava conta de carregá-los.

— Vem, vou levar você para a primeira aula. — Ela me puxou, sem nem um aviso prévio.

Eu não falei nada, deixei que May me guiasse para a sala de aula, mas quando ela colocou os pés no degrau abaixo da escada, percebi que não estávamos indo para a direção certa.

Já estávamos no primeiro andar , e quando dei por mim, já estávamos fora dos corredores e nisso, no campo de futebol, perto das arquibancadas. Meu pequeno órgão acelerou, não sabendo ao certo o que deveria fazer. E não tinha certeza de muita coisa, porém, tinha certeza de que perderia aula se continuasse seguindo a doida de cabelos loiros. 

— Aqui não é a nossa sala. — Falei, assim que May parou perto de uma árvore cheia, acompanhada de gramas no chão. 

Ela deu de ombros, sentando tranquilamente sobre a grama verde. 

— Eu sei. — Ela sorriu, e jogou os cabelos loiros cheios de cachos para trás dos ombros. — Senta!

Mesmo não querendo, sentei, colocando os livros no chão. 

— Não é errado matar aula?! 

— Relaxa. — Ela pediu. — É o primeiro dia de aula. Nem vão sentir nossa falta.

Ela estava certa.

Tentei relaxar como ela tinha pedido, mas a consciência estava pesada. Não sei se conseguiria ficar tranquila sentada embaixo de uma árvore como se não estivesse matando aula. 

Mas ainda sim, tentei esquecer por um momento. 

— Você é bem calada, não é?

— Às vezes… 

May disse um Hm.

Retirei a bolsa das costas e coloquei no meio das minhas pernas. Meu olhar foi atraído  por uma cabeleira vermelha que corria sobre as arquibancadas saltitando, enquanto vinha em nossa direção.  

Era um garoto.

— Oi, May. — Ele cumprimentou, com uma falsa voz amarga. 

— Oi, Tae. — May não foi diferente. 

Porém, quando percebi que ambos estavam se encarando muito, os dois caíram na gargalhada e o tal Tae se sentou em minha frente.

— E aí, quem é essa? 

— Minha nova amiga. — Ela se gabou, passando os dedos finos em meu cabelo curto. 

— Oi, eu sou Kim Taehyung. — O garoto se apresentou, sorrindo.

— Oi, me chamo…

Então May me cortou,apressadamente.

— Para de querer roubar minha amiga. — Ela praticamente cuspiu as palavras no rosto do Kim.

O garoto revirou os olhos, como se seu olhar dissesse tudo, que não valeria a pena discutir uma besteira com a garota dos olhos verdes. 

— Olha lá quem está vindo. — A voz de May fez o ruivo se virar rapidamente para trás. 

Meus olhos vasculharam o campo de futebol também, esperando encontrar a pessoa de quem May estava falando. Mas não encontrei uma pessoa, e sim um grupo no meio do campo, portanto, consegui ver uma pessoa em particular, junto ao grupo de garotos. 

O vizinho que me mostrou o dedo do meio estava lá, meio distraído com seu fone de ouvido. 

Ele estava com o uniforme da escola e só agora reparei que estava o vendo completamente. Simplesmente, não conseguia tirar meus olhos dele. E novamente, sensações peculiares invadiram meu corpo, o preenchendo por inteiro.

Minha garganta ficou seca.

Eu odiava isso.

— Iiiih , parece que Jungkook chamou a atenção de alguém. — Cutucou May e eu ri constrangida. 

Então o nome dele era Jungkook. 

Taehyung me encarou e sorriu também, com as bochechas vermelhas. 

— Você gosta desse tipo de garoto? — Foi a vez do ruivo indagar.

Eu fiquei confusa, tanto que não evitei em fazer uma careta.

— Como assim? 

Taehyung se remexeu, dando a entender de que deu de ombros.

— Você sabe, — Murmurou ele. — Tímido, quieto e destruidor de corações. 

Destruidor de corações… nossa. 

Eu não sabia o que dizer.

Minha boca se abriu, mas logo a fechei evitando meu olhar no ruivo e encarando de novo o vizinho que se chamava Jungkook. 

Os garotos que pareciam amigos do moreno se afastaram dele e correram para o canto do campo. Jungkook ficou sozinho, indo em direção aos amigos em passos lentos e desinteressado. Ele não tinha me visto e se talvez tivesse reparado que eu estava ali, acho que correria para dentro, em busca de ficar a salva do seu dedo médio. 

— Não. — Foi tudo que consegui dizer ao lembrar de Jungkook na janela me mostrando seu dedo.

Taehyung ficou calado, não falou mais nada. Ele só limpou a garganta e voltou seu olhar para os garotos.

— Taehyung fazia parte do grupinho. — A voz de May se manifestou do nada. 

E taehyung se virou tão rápido que quase jurei ter visto seu pescoço sair do lugar.

— May… — Sua voz a repreendeu. Mas ela não deu ouvidos.

— Quando Jungkook entrou no grupo… meio que o Tae foi excluído…

— Eu saí! — Argumentou Tae, quase gritando. — Não fui excluído… Eu quem quis sair do grupo.

E ele fechou a cara. May o olhou com as sobrancelhas arqueadas e continuou.

— Ah, claro. — Ela debochou, fazendo o Kim ficar vermelho em brasa.

— Por que excluiram ele? — Perguntei baixinho para May. 

Não queria deixar o ruivo ainda mais zangado. E eu nem o conhecia direito para fazer perguntas diretamente para ele. 

— Na verdade,  só o deixaram de lado. Segundo o Tae,  o grupo estava cheio.

Murmurei um ah, sabendo o quanto aquilo era chato. Já aconteceu comigo várias vezes, e por um desses motivos eu não era muito boa em socializar com pessoas desconhecidas. 

Para a minha sorte ou azar, foi que encontrei May esta manhã. 

— Não sei o que todo mundo ver naquele moleque que vive ouvindo música. — O Kim urrou, com os dentes cerrados. 

Eu só prestei atenção em sua expressão furiosa quando se dirigia a Jungkook.  

— Fala sério, o que não há pra ver ali? O garoto é um pacote completo, tirando a frieza e o anti-sociais, claro. Até porque, ele é bem chatinho.

Chatinho.

Já podia até imaginar como Jungkook era. Mas também, imaginava que, tirando toda aquela arrogância, ele deveria ser uma pessoa legal. 

Quando as aulas acabaram, foi um alívio que senti percorrer minha pele. As aulas eram chatas e cansativas. Meu caderno estava cheio de atividades e exercícios para poder ser feitos em casa. Eu estava cansada e sem contar que May não me deixava quieta por um segundo. Ela era o tipo de pessoa que não se contentava com uma amizade , mas sim com várias . Ela pulava de grupo em grupo, me levando para todos os cantos que ela ia. 

Já Taehyung, ele era discreto e sabia puxar uma conversa do nada. E mesmo quando eu não estava demonstrando interesse em seu bate papo, ele não desistiu e mudava para outro assunto que me prendia. 

As pessoas eram mais na delas, não se socializavam muito com novatos. Todos tinham o seu grupinho, e mesmo que todos estivessem usando o mesmo uniforme, não era difícil de deduzir quem era quem em um padrão escolar. 

Quando estava deixando os livros no armário, senti dois pares de braços finos rodearem meus ombros. Depois, o ruivo,  Kim Taehyung,  apertou minha mão e murmurou um tchau meio baixo. Já May, ela foi bem diferente do Kim; ela praticamente gritou quando me soltou de seu abraço desajeitado. 

Enquanto andava pela rua, tentava lembrar o caminho de casa. Não era muito longe, mas era confuso. Lembro que papai me ensinou hoje pela manhã direitinho, porém, aqui, agora e sozinha, estava tudo confuso. 

Tinha alguns estudantes caminhando ao meu lado mas nenhum eu conhecia e nenhum morava perto de casa. Eu já estava ficando apavorada, não sei se conseguiria voltar sozinha. As ruas eram todas iguais e as casas não ajudavam, eram todas brancas meio amareladas com gramas esverdeada. 

Meu coração só se acalmou quando vi Jungkook a uma certa distância. Ele estava longe, muita a frente, e com certeza ele estava indo para casa. Com isso, eu acelerei o passo, ficando de uma certa distância. Não queria que ele me visse, mas essa ideia foi se perdendo quando o vi virar o rosto para trás e cravar os olhos em mim.

Foi inevitável não baixar a cabeça. Minhas bochechas queimaram mais que uma fogueira. 

Jungkook estava com um fone no ouvido enquanto o outro ele rodopiava com a mão.  Seus lábios estavam se mexendo,  dando a impressão que estava cantando. Só pensar nessa ideia me veio a vontade de rir. Ele não parecia o mesmo garoto que mostrou o dedo, Jungkook parecia apenas um garoto tolo ouvindo música. 

Mas quem era eu para opinar alguma coisa sobre ele? Eu nem o conhecia direito.

Seus olhos se reviraram com um certo desprezo e logo ele voltou a olhar para frente. 

A vontade de encarar seu rosto era enorme, mas a vergonha me venceu. Sabia que de alguma forma, ele ia perceber meu olhar. Então achei melhor encarar seus pés que se movimentavam freneticamente a cada passo. 

As ruas estavam ficando familiares e a casa de meu pai estava em meu campo de visão. 

Suspirei com tanto alívio que Jungkook se virou para trás com a mesma expressão. Ele não disse nada, entretanto, me olhou novamente com desprezo, porém, desta vez suas bochechas estavam avermelhadas. 

Qual era o problema dele? 

Ele nem me conhecia e parecia que já me odiava. 

Meu pai estava na cozinha e quando ele ouviu o barulho da porta se chocando,  ele mostrou as caras com uma certa alegria.

— E aí, colega, como foi?

Distinto. Queria dizer, mas a palavra morreu no fundo da garganta. 

— Bem… 

— Bem? — Ele repetiu, confuso. Mas acho que deu de ombros. — Acertou o caminho! Fico feliz que tenha prestado atenção.

Na verdade, eu tive sorte de ter encontrado o vizinho rabugento.

— É, eu vou subir. 

— Não vai comer? 

Ele ficou surpreso. 

— Vou trocar de roupa primeiro.  — Avisei, e antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, eu corri para o meu quarto.

Joguei a bolsa na cama e corri para janela.  Minha intenção era de poder pegar um ar antes de descer, mas tudo mudou ao ver Jungkook em seu quarto desabotoando a camiseta social do uniforme. 

Meu Deus.

O clima ficou quente e um desconforto eu senti. Aquele garoto com carinha de anjo , das bochechas rosadas era uma perdição.  Seu corpo era a grande prova. Os gominhos do abdômen eram definidos e o V que descia entre…

— Meu bem… — Meu pai gritou.

E Jungkook me viu. 

Droga.

Totalmente envergonhada, vermelha como um tomate, corri rapidamente para o lado da janela, sendo completamente tampada pela parede. Meu estômago borbulhou, mas de uma forma diferente, uma sensação que não sabia explicar. Sem contar que meu coração estava acelerado. Eu não vi a reação de Jungkook,  mas tinha certeza que não foi um sorriso amigável que ele lançou. Tanto que até ouvi o barulho da janela ser fechada com uma certa força. 

Fechei meus olhos com mais força ainda e murmurei uns palavrões em voz baixa. 

Eu estava tremendo, e não sabia o porquê. Ele só havia me visto e nada além de muito vergonhoso aconteceu. Só queria me entender, de alguma forma Jungkook chamava minha atenção e eu queria descobrir um jeito de como poderia me aproximar dele sem parecer uma idiota pervertida. 

Mas acho que já estraguei tudo.


Notas Finais


Até o próximo.


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