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História Primeiro verdadeiro amor - Capítulo 27


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Capítulo 27 - Capítulo Vinte e Três


Fanfic / Fanfiction Primeiro verdadeiro amor - Capítulo 27 - Capítulo Vinte e Três

— Merda, merda, merda — Mitsuri deu descarga mais uma vez, sentindo a garganta arder. Ela não tinha mais o que por para fora, mas a vontade de vomitar continuava vindo.

Seus olhos verdes se encheram de lágrimas quando ela lembrou o porquê de estar naquela situação. Sentia-se tão pesada e culpada que havia faltado aula naquela manhã só por estar sentindo-se culpada e enjoada, vomitava duas ou três vezes por dia e estava cada dia mais difícil esconder a fome crescente e o rápido ganho de peso.

A porta do banheiro abriu com força e Mitsuri fechou os olhos fortemente. Pronto, era seu fim, não tinha mais desculpas para dar à sua mãe, não queria mais mentir, queria apoio, não aguentava mais esconder o que estava acontecendo de todos à sua volta.

A mãe da garota abaixou-se em sua frente, colocando uma mecha do cabelo de Mitsuri atrás da orelha da garota. — Há quanto tempo?

— Como a senhora sabe? — Mitsuri perguntou em tom baixo.

— Eu sou sua mãe, Mitsuri, eu sempre sei. — A mulher suspirou. — Eu te avisei tanto, Mitsuri, eu avisei inúmeras e inúmeras vezes. O que você vai fazer agora? Ainda tem dezoito anos e está grávida!

— Mãezinha, eu vou fazer o que puder, isso é tudo que eu sei. Não vai ser fácil e eu vou querer morrer a maior parte do tempo, mas eu vou tentar do mesmo jeito. — Mitsuri respondeu com a voz quebrada. — Me desculpe por decepcionar a senhora.

— Oh, não, não, nunca, Mitsuri. — A mãe da garota a abraçou apertado. — Eu estou preocupada, mas nunca decepcionada com você, entendeu? Nunca. Você é a minha vida, bebê.

Mitsuri abraçou a mãe de volta e chorou como se sua vida dependesse disso. — Mãezinha!

A mãe da garota começou a acariciar os longos cabelos da filha até que ela se sentisse mais calma. Ficaram longos minutos sentadas abraçadas no chão do banheiro, até que Mitsuri se afastou minimamente para encarar sua mãe, que como sempre a encarava cheia de amor e cuidado. Mitsuri sempre foi mimada e amada pela mãe, também levava muitas broncas, mas nunca reclamaria sobre isso.

— Obanai é o pai? — A mulher perguntou.

Mitsuri concordou com um balançar de cabeça. — Mas eu não contei pra ele, mãezinha, eu não tenho coragem.

— Mas você vai contar! — A mulher cruzou os braços. — E se ele ousar ir contra isso se verá com seu pai e comigo, eu arranco a cabeça dele fora!

— Calma, mãezinha! Eu tenho certeza que Obanai nunca faria algo assim. — Mitsuri suspirou. — Eu só não tenho coragem de contar, ele tem problemas com a família biológica, fugiu de casa quando ainda era criança e mora com a avó adotiva, essa que parece que não gosta muito de mim, então...

— Problema dela que não gosta, minha filha não fez bebê sozinha, que eu saiba não se faz filho com o dedo. — A mulher disse brava. — Você irá falar com ele hoje ainda, Mitsuri, e isso não está em discussão.

Mitsuri encolheu os ombros. — Mãezinha, Iguro-kun tem dois irmãos gêmeos.

— E...? — A mulher não entendeu onde a filha queria chegar.

— Iguro-kun foi o primeiro, nasceu sete segundos antes dos outros dois pelo que Tomioka-kun vive dizendo. — Mitsuri estava enrolando para contar.

A mulher arregalou os olhos. — Trigêmeos?!

— Sim — Mitsuri respondeu baixo. — Oito semanas hoje.

— Meu Deus, Mitsuri! Três?! — A mulher levantou-se rapidamente. — Você vai ter que parar de estudar, sabe disso, não é?

— A senhora pode conversar com o diretor sobre isso, não pode, mãezinha? Eu sou uma aluna exemplar! — Mitsuri implorou enquanto se levantava. — Por favor, mãezinha, eu não quero ter que estudar tudo de novo!

A mulher suspirou. — Vá falar com Obanai. Amanhã contamos ao seu pai, Deus, Mitsuri, três bebês...

A mulher saiu do banheiro e Mitsuri levantou-se para escovar os dentes e sair dali. Foi até seu quarto para trocar suas roupas, optando por usar um macacão de frio escuro e um sobretudo da mesma cor, nos pés a garota calçou sapatilhas e os cabelos continuaram bagunçados, e assim a garota desceu as escadas para encontrar sua mãe falando no telefone com alguém, provavelmente seu pai. Dando um beijo estalado em sua mãe e um aceno, a garota saiu de casa após pegar sua bolsa e começou a caminhar calmamente em direção à casa de Obanai, esperava não encontrar a vó do garoto presente, pois ainda sentia-se tímida com o olhar que a idosa lhe dava toda vez que a via.

Mitsuri suspirou. Agora a ficha havia caído de fato, e ela estava acostumando-se com a ideia de ter três bebês crescendo em seu ventre, e com esse pensamento a garota descansou as mãos em sua barriga, ainda não havia volume ali, só parecia que ela havia comido demais quando usava roupas coladas demais, e isso a fazia pensar que a maioria de suas roupas ou eram coladas ou eram curtas.

Com uma batida na porta, Muichiro a abriu. — Quanto tempo, Mitsuri-san, você está cada dia mais bonita.

— Ah, obrigada, fofinho! — Mitsuri sorriu e abraçou Muichiro com força, o garoto retribuindo com mais cuidado.

Muichiro não gostava muito de pessoas, só de seu irmão e sua avó, e mesmo que ele tivesse amigos na escola, mantinha distância deles fora dela. Ele gostava de Mitsuri porque seu irmão gostava e ele a achava divertida, então sempre que a via a tratava muito bem.

— Obanai está ajudando a vó com o almoço. — Muichiro disse ao puxar Mitsuri para dentro e fechar a porta. — Ela vai ficar feliz em te ver.

Mitsuri não achava isso, mas concordou com a cabeça. — Eu só quero dar uma palavrinha com ele e vou embora, fofinho.

— Tá bom, espera aqui. — Muichiro deixou Mitsuri na sala e foi pra cozinha.

Tempo depois Obanai chegou na sala acompanhado de Muichiro e de sua avó.

— Olá, Kanroji-san. — A avó de Obanai a cumprimentou calmamente, mas o olhar dela fazia Mitsuri estremecer.

— Oi, avó. — Mitsuri disse respeitosamente. — Desculpe atrapalhar.

— Não atrapalha em nada. — A senhora de idade disse. — Fique para almoçar conosco.

Mitsuri pediu socorro com os olhos para Obanai, que logo foi em seu socorro. — Primeiro preciso saber o que ela quer, vó. Nós vamos subir e já já eu volto.

— Tudo bem. Não demorem. — A senhora de idade disse.

Obanai pegou a mão de Mitsuri e a levou para cima, e então entraram no quarto do garoto. A rosada deixou sua bolsa em cima da cama e abraçou Obanai com carinho, da mesma forma que ele a abraçou.

Obanai puxou Mitsuri para que eles se sentassem na cama, o garoto ainda segurando a mão da rosada. — Por que não foi na escola hoje?

— Vomitei a manhã inteira. — Mitsuri respondeu calmamente.

— Você fez o exame? — O garoto perguntou. Fazia algum tempo que ele lhe perguntava aquilo e ela sempre fugiu do assunto.

— Uhum — Mitsuri soltou a mão de Obanai para pegar sua bolsa, a abrindo. Todos os seus exames estavam ali, então ela os pegou e entregou para ele. — Aqui, eu fiz semana passada.

— Por que não me disse? — Obanai perguntou enquanto pegava os exames.

— Eu só disse para Kanao. — Obanai olhou para Mitsuri com curiosidade. — Ela é a única que sabe além da minha mãe, já que ela foi comigo no hospital.

— Contou pra sua mãe pelo que vejo. Fico mais aliviado assim. — Obanai sorriu para Mitsuri e a garota acariciou seu rosto, não se importando nem um pouco com a cicatriz.

— Veja os exames, amorzinho. — Mitsuri pediu se afastando mais uma vez.

Obanai levou sua atenção para os exames que segurava. Ele não entendia nada que estava ali, mas sentiu a boca seca ao ler a palavra positivo bem grande e em negrito em um deles, no segundo exame havia um ultrassom, e tudo que ele via eram borrões estranhos.

Obanai respirou fundo. — Ok. Como você está?

— Bem, e você? — Mitsuri perguntou.

— Ah — Obanai soltou os exames e esfregou as mãos no rosto. — Eu tô sei lá, não sei, bem, eu acho.

Mitsuri riu baixo, sentia uma estranha sensação de conforto. Tinha sua mãe ao seu lado agora e tudo parecia tão mais fácil. — Vem aqui, Iguro-kun. — Obanai se aproximou de Mitsuri e a garota segurou sua mão, a levando até sua barriga. — Você vai ser papai de três bebês.

Obanai arregalou os olhos. — Três bebês?!

Mitsuri concordou. — Sim, três. Estou de oito semanas ainda, mas consegui vê-los pois quando fiz os exames estava de sete.

— Três?! — Obanai perguntou mais uma vez. Mal estava conseguindo processar a ideia de cuidar de um, quem dirá de três. — Puta que pariu, Deus! Três mesmo?

— Sim. A médica explicou que provavelmente são três por sua causa. — Mitsuri dizia tranquilamente. — Eu chorei muito esses dias, você quer chorar?

— Agora eu quero, mas não por ser pai de três bebês, e sim por saber que você chorou sozinha esse tempo todo. — Obanai rapidamente abraçou Mitsuri, fazendo a garota arregalar os olhos. — Me desculpe por ter te deixado sozinha.

Mitsuri rodeou Obanai com seus braços e sentiu a visão ficar turva. Porcaria, estava chorando de novo. — Obrigada, Iguro-kun.

— Nós vamos conseguir fazer isso. — Obanai garantiu, juntando seus lábios aos de Mitsuri carinhosamente.

Mitsuri sorriu, sentindo Obanai secar suas lágrimas. — Nós vamos. Mas você ainda precisa falar com o meu pai e com a sua avó.

— Porcaria — Obanai resmungou. — Mitsuri, o que você acha que são?

Mitusri riu. — Não faço ideia, ainda não podemos saber, mas eu quero três meninas!

— Nem ferrando! — Obanai se levantou.

— Ah, sim, garotinhas! — Mitsuri levantou rapidamente também, abraçando Obanai pelos ombros. — Três Kanrojis para você cuidar.

— Eu não quero três garotas Kanrojis — Obanai rodeou a cintura de Mitsuri com seus braços. — Eu quero três garotos, obrigado.

Mitsuri riu alto. — Amorzinho, tomara que sejam três meninas só pra você pagar a língua.

— Não fala assim, eu fico sensível — Obanai fez biquinho, este que Mitsuri mordeu, rindo quando o garoto fez uma careta. — Aí, Mitsuri-san!

Mitsuri agarrou o rosto do garoto com ambas as mãos de maneira carinhosa. — Eu — Ela o beijou levemente. — Amo — O deu um beijo na bochecha. — Você.

— Linda — Obanai a beijou mais uma vez. — Fofa — Deu outro beijo no rosto da garota. — E incrivelmente forte.

Mitsuri sorriu. — Sou sim.

Os dois ficaram abraçados até que alguém batesse na porta, o casal se afastou e Obanai abriu a porta, vendo Muichiro ali. — A vó tá chamando pra almoçar.

— Vou descer. — Obanai disse.

Mitsuri guardou os exames na bolsa e a pegou, não pretendia ficar para almoçar porque a avó de Obanai lhe causava arrepios. — Eu vou ir pra casa agora, amorzinho. Você conta pra ela?

— Você não quer contar junto? — Obanai perguntou.

Mitsuri sentiu o coração fraco com a expressão pedinte que Obanai estava fazendo. — Ah, já que você tá me pedindo com essa carinha fofa...

— Contar o quê? — Muichiro perguntou.

— Você já vai saber, fofinho. — Mitsuri sorriu.

Os três desceram as escadas e foram para a sala de jantar onde o almoço já estava servido. A senhora de idade ja estava sentada e sorriu satisfeita ao ver Mitsuri ali, e então logo a rosada, Obanai e Muichiro se sentaram para comerem também.

— Conta antes — Mitsuri sussurrou no ouvido de Obanai. — Aproveita que estou sem apetite, anda.

Obanai respirou fundo. — Avó, eu tenho algo para te dizer.

A senhora de idade olhou para Obanai com curiosidade. — Aconteceu algo?

Muichiro também olhou para o irmão.

— A senhora sabe bem que eu tenho duas irmãs — Obanai começou. — E somos trigêmeos.

— Sim, você me disse isso assim que chegou aqui ainda pequeno, adorava se gabar disso. — A senhora de idade deu um pequeno sorriso. — Mas o que tem isso?

— Eu vou ser pai — Obanai disse de uma vez só. — De trigêmeos.

A senhora ficou um tempo calada antes de abrir um largo sorriso. — Oh! Deus! Isso é ótimo! Você vai ser pai, Obanai! Deus, nós temos que comemorar!

Mitsuri franziu as sobrancelhas em confusão. — Ah, bem, avó, a senhora está bem com isso?

— Claro! Estou tão feliz, imagine três Iguros correndo pela casa! — A senhora estava realmente animada com a notícia. — Claro que você deveria ter se cuidado melhor, Obanai, mas conversamos sobre isso depois. Estou tão feliz, serei avó de novo!

Pela primeira vez Mitsuri viu Muichiro sorrir animado por algo. — Eu vou ser tio, que legal, Mitsuri-san! — A rosada se assustou quando Muichiro tocou sua barriga levemente. — Nossa, ainda não dá pra sentir nada!

— Está de quanto tempo, Kanroji-san? — A senhora perguntou curiosa.

— Oito semanas, avó. — Mitsuri sorriu com o toque de Muichiro em sua barriga.

— Oh, ainda vamos acompanhar tudo de perto então. — A senhora comentou feliz. — Onde passará toda a gestação?

Mitsuri olhou confusa para Obanai. — Na verdade não sei, estive pensando sobre isso... — Na verdade ela não havia pensado sobre, só sabia que queria passar toda a gestação perto de Obanai.

— Nós não conversamos sobre, vó, mas a senhora saberá de tudo. — Obanai garantiu.

No fim das contas, Mitsuri almoçou e ficou ali quase até a hora do jantar. A garota foi muito mimada por Obanai como sempre era, mas agora também tinha a constante atenção de Muichiro e da avó dos dois, que lhe perguntava de minutos à minutos como ela estava se sentindo. Como presente, Mitsuri deixou o primeiro ultrassom com a senhora e acabou ganhando um abraço por isso. Mitsuri nunca imaginava a reação positiva que veio da senhora, mas sentiu-se tranquila com isso quando se despediu de todos para ir embora, ela ficou um tempo à mais se despedindo de Obanai e lhe garantindo que chegaria em casa bem, e então finalmente caminhou para sua casa, sentindo-se muito mais tranquila do que esteve na manhã daquele mesmo dia.

Quando Obanai fechou a porta de casa soube que sua avó o mataria. A senhora realmente havia ficado feliz com a notícia, mas o sermão ainda viria e ele sabia disso.

— Iguro Obanai! — A senhora jogou um de seus sapatos no garoto que desviou por muito pouco. — Você está louco, garoto?!

— A notícia não é boa? — Muichiro perguntou confuso.

— É e não é! Mitsuri ainda só tem dezoito anos, e agora terá que cuidar de três bebês! — A senhora jogou outro sapato, fazendo Obanai quase cair dessa vez. — Você será presente, entendeu? O mais presente do que puder imaginar! Eu quero você grudado nela vinte e quatro horas por dia, porque ela não engravidou sozinha!

— Eu vou ser tio — Muichiro comentou abobado. — Legal, Obanai!

— Eu sei — Obanai resmungou. — Eu tô feliz até.

— É bom estar! — A senhora gritou. — Uh, Deus, vou orar por essa garota, você é tão imaturo Obanai...

— Ei! — Obanai franziu as sobrancelhas. — Eu vou cuidar dos meus filhos, vó, assim como ela. Eu não vou deixá-la sozinha, nunca faria isso.

A senhora resmungou. — Você cresceu tanto... Olhe só, será pai...

— De três — Obanai a lembrou e riu quando ela olhou para ele com raiva. — Calma, avó, vai dar tudo certo.

— Se depender de Mitsuri vai mesmo — Muichiro concordou. — E eles serão lindos!

A senhora riu. — Você ficou feliz, não é, Muichiro?

— Sim! — Muichiro concordou. — Posso ser padrinho?

Obanai se aproximou do irmão para bagunçar seus cabelos. — Se quiser, sim.

— Legal! — Muichiro deu um sorriso maior ainda.

Obanai sorriu. Sua vida deu uma mudança gigantesca quando conheceu Mitsuri, e ele estava começando a achar que foi pra melhor.



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