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História Primordials - Capítulo 1


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Notas do Autor


Gente, estou repostando esta história.
Eu já havia postado anteriormente, mas acabei dando uma pausa para reescrever, planejar e melhorar.
Agora, vamos começar de novo.

Capítulo 1 - I . Vou te contar uma história


Contar uma história não é uma tarefa fácil, muito pelo contrário.

Veja bem, não se trata simplesmente de narrar acontecimentos, mas também de compartilhar os sentimentos daqueles que a viveram, seus pensamentos e desejos mais profundos.

E olhe só, eu decidi aceitar esse desafio depois de tanto relutar.

Vou te contar uma história.

Por isso, peço que preste atenção em cada palavra, cada detalhe, para que quando eu enfim termine, você também possa compartilhar essa história com outras pessoas.

Isso é importante, sabia?

A partir do momento em que uma história deixa de ser contada, ela morre.

Pois bem, vamos parar de enrolação e ir ao que interessa.

Essa história é sobre uma grande aventura, cheia de perigos, mistérios e descobertas.

Um grande mal assola o mundo, o que ameaça destruí-lo. E o grande responsável por isso é...

Espera. Eu acho que estou fazendo isso errado. Começamos bem.

Como era mesmo?

Ah, é mesmo! Eu deveria começar por ela.

¤¤¤


Aquele dia começou exatamente igual aos outros. Mya se sentou na cama e fitou o relógio próximo à cabeceira, marcava seis e vinte da manhã, ainda era cedo. Após um longo bocejo, ela deu uma rápida olhada pelo quarto e viu os beliches vazios. Todos já haviam saído.

Parando para pensar, normalmente a esta hora ela própria já estaria de pé e a caminho do colégio, porém há um mês as aulas haviam sido suspensas depois que tiveram um “pequeno incidente" que danificou o sistema elétrico.

Para sua sorte as aulas só voltariam... Hoje!

Ela se colocou de pé num pulo, como poderia ter esquecido? Três dias antes, ela havia recebido o comunicado de que as aulas retornariam naquele dia. Agora precisava estar na escola em meia hora e nem tinha começado a se arrumar.

Mya correu até o guarda-roupa e começou a vestir seu uniforme, uma camisa laranja e uma calça preta. Depois foi em direção ao banheiro, onde escovou os dentes e prendeu os cabelos num rabo de cavalo lateral. Desceu as escadas de forma atrapalhada, quase tropeçando várias vezes no processo. Só não saiu rolando pelos degraus pois conseguiu se segurar no corrimão.

Já estava quase na porta quando ouviu alguém chamar seu nome da cozinha:

— Desculpa, estou atrasada! — gritou antes de sair e bater a porta atrás de si.

A escola não ficava muito longe, em cerca de dez minutos estava atravessando os portões e caminhando em direção ao prédio principal. Na pressa, mal teve tempo de passar em seu armário para pegar seu material e correr para a sala. Já estava quase chegando quando ouviu o tão conhecido som do sinal.

Para sua sorte a professora, senhora Fallon, estava parada na porta e a viu se aproximar:

— Senhorita Harper, por um momento pensei que não nos acompanharia na aula de hoje. — A mulher de meia idade abriu caminho para que Mya passasse.

— Pois é, eu tive um pequeno imprevisto essa manhã. — Mya deu um sorriso sem graça. Ela não iria dizer que havia esquecido que hoje tinha aula e acabou dormindo demais.

Aliviada por ter conseguido chegar a tempo, a garota se dirigiu a seu lugar habitual, na fileira do meio, enquanto a professora se posicionava na frente da turma. Como se aquele fosse um sinal, todos imediatamente ficaram em silêncio:

— Certo, turma, bem vindos de volta! — disse a mulher com empolgação. — Eu estava pensando no que poderíamos fazer para comemorar a volta das nossas aulas e cheguei à conclusão de que uma prova surpresa seria ideal!

Várias risadas nervosas e gemidos de frustração foram ouvidos. Não era preciso ser nenhum gênio para perceber que ninguém havia sequer aberto um livro no último mês, exceto pela própria Mya (o que? Não acredita? Pois fique sabendo que ela realizou o feito de ler toda a saga do Senhor dos Anéis):

— Não precisam fazer essas caras. — A senhora Fallon balançou uma das mãos. — Eu só estou brincando com vocês. Vamos fazer uma breve revisão antes de continuarmos a matéria. Abram seus livros na página duzentos e trinta e dois.

A professora iniciou a leitura, mas não foi muito longe, já que alguém bateu na porta:

— Continuem a leitura, eu já volto — pediu antes de ir atender seja lá quem fosse.

Ninguém continuou a leitura. Foi só a professora dar as costas que várias conversas se iniciaram aqui e ali.

Como ainda estava com sono, Mya pousou a cabeça sobre a mesa e fechou os olhos. Teria realmente dormido se alguns minutos depois não tivesse ouvido a professora pedir de novo atenção.

Ao erguer a cabeça percebeu que a professora não estava sozinha, havia um rapaz ao seu lado. Levando em consideração que usava o uniforme, deveria ser um aluno, mas Mya não o conhecia:

— Um momento, por favor. — A professora ergueu a voz e esperou alguns segundos até que todos se calassem. — Turma, este é Zaki Payton, a partir de hoje ele será colega de vocês. Espero que possam recebê-lo bem.

A sala caiu no mais absoluto silêncio enquanto todos observavam o novato. Não que sua aparência tivesse algo de anormal: Possuía cabelos pretos e olhos castanhos; além do uniforme usava um casaco preto, visto que seu cabelo estava meio desgrenhado se podia deduzir que ele estava usando o capaz até pouco tempo atrás.

Correspondendo aos olhares de todos, o novato também passou a observar a turma. Não parecia ter achado nada de interessante, até pousar em Mya e arquear levemente as sobrancelhas. Em um gesto inconsciente , ela repetiu o gesto antes de rapidamente desviar o olhar:

— Senhor Payton, pode se sentar — disse a professora apontando para o único lugar vazio, no fundo a sala, e iniciou a aula sem dar tempo para novas conversas.

(...)


O sinal tocou, anunciando o fim das aulas. Como de costume, todos se levantaram e se dirigiram a porta de uma vez, o que nunca dava muito certo. Mya esperou até que todos saíssem e que o tumulto na porta diminuísse para, só então, pegar suas coisas e sair.

Ela foi direto para seu armário, que depois de um mês deveria estar clamando por uma arrumação. Depois de tirar um bocado de papel de doce, finalmente começou a organizar seu material.

Logo se distraiu com a organização, tanto que não percebeu que alguém havia se aproximado até ser tarde demais para poder correr:

— Olha só o que temos aqui! — Ao ouvir a voz, não conseguiu conter o suspiro que escapou por seus lábios.

Se virou apenas para dar de cara com três garotas paradas a sua frente. A do meio, Amber Trant, era bem conhecida sua, não que isso fosse bom (muito pelo contrário). Ela era aquele tipo de pessoa que Mya mais detestava, que se achava melhor do que os outros e gostava de humilhar os outros para se sentir melhor.

Como se só isso não bastasse, por algum motivo, ela não gostava muito de Mya (não que o sentimento não fosse recíproco) e dedicava bastante de seu tempo a testar sua paciência.

As outras duas não eram familiares, o que não fazia a menor diferença. Amber costumava trocar suas "sombras" com bastante frequência, então ninguém fazia muita questão de lembrar seus nomes (e você também não deveria):

— A gente nem teve tempo de conversar na sala. — Amber se aproximou e passou um dos braços ao redor dos ombros de Mya, que teve de usar todo seu autocontrole para não lhe dar um soco.

— O que você fez de bom nesse mês? Aproveitou bastante? Viajou com a família?

A expressão de Mya se tornou dura, enquanto as três garotas sequer faziam questão de esconder os sorrisinhos de deboche:

— Ah não, me desculpe. Eu quase me esqueci de que você não tem família. Falha minha. — Amber se afastou alguns passos e colocou as mãos na cintura.

— Francamente. — Mya revirou os olhos. — Não vai me dizer que você veio aqui só pra fazer a mesma "brincadeira" de sempre. — Fez as aspas com os dedos. — Se é assim deixa eu te contar um segredo, isso não me aborrece, longe disso. No máximo me entedia. — Cruzou os braços. — Uma dica, que tal você usar o seu cérebro, se é que você tem um, e tenta inventar algo novo da próxima vez?

— Ora sua... — Amber bufou irritada. — Pode ir tirando esse sorrisinho do rosto! Você não passa de uma...

— Com licença!? — Alguém pigarreou atrás de Amber, que deu um pulo nada gracioso com o susto.

O rapaz de cabelos encaracolados fitava a cena de braços cruzados e clara expressão de reprovação. Connor Matthews era o presidente do conselho estudantil, além disso sua família era dona da escola. Não que isso fosse muito relevante para Mya, mas aparentemente o era para Amber, que parecia se importar com a forma que ele a via.

Sob o olhar do rapaz, Amber se afastou mais ainda de Mya e endireitou a postura:

— Espero não estar atrapalhando a conversa. — Connor dirigiu um olhar questionador para Mya, que, por sua vez, apenas sacudiu levemente a cabeça. — Se não se importam, eu preciso conversar com a senhorita Harper por um momento.

—I-imagina. Longe disso. — Amber sacudiu as mãos e acenou para as outras duas. — Depois nós continuamos a nossa conversa. Vamos, meninas?

—Então — Connor falou depois que o trio se retirou —, estavam pegando no seu pé de novo, não é? Se você quiser eu posso...

— Não precisa se meter! — Mya disse de maneira ríspida, depois continuou de forma mais suave. — Digo, não precisa se preocupar com isso, Amber só é um pouco mimada, nada que eu não possa me virar sozinha.

Um silêncio desconfortável se formou. Mya admirava a boa vontade do rapaz, ele sempre fora gentil com ela. Mas não poderia deixar que ele simplesmente resolvesse seus problemas, afinal ela sempre se virou muito bem sozinha:

— Então, sobre o que mesmo que você queria falar comigo? — ela indagou.

— Pois bem. — ele disse ainda cabisbaixo. — Eu queria lhe pedir um favor.

Os dois caminhavam juntos em direção à sala do conselho enquanto Connor contava sobre os contratempos que a pausa forçada das aulas havia causado. Várias atividades foram pausadas e precisavam ser retomadas e vários eventos estavam com sua organização atrasada.

Connor, como presidente do conselho, estava a frente de tudo isso:

— Entendo. — Mya colocou uma das mãos no queixo, pensativa. — Então o favor que você quer me pedir... ?

— Eu não gosto de ficar te pedindo as coisas, você sempre me ajuda e eu nunca consigo fazer nada por você. — Ele a olhava de forma acusadora. — Mas eu vou ter uma reunião com o comitê de eventos em dez minutos e isso vai ocupar toda minha tarde. — Connor parou de andar assim que chegaram a seu destino. — O diretor havia me pedido para mostrar a escola para um aluno novo, mas eu não vou conseguir.

Percebendo onde isso ia chegar, ela abriu a boca para protestar, mas Connor se adiantou e abriu a porta. No interior da sala, ela conseguiu ver que alguém aguardava: o novato.

— Você pode mostrar o colégio para ele, não é? — Connor terminou de dizer.

Ela ficou em silêncio. O presidente havia a colocado numa situação em que recusar o pedido poderia parecer rude e, pelo sorriso em seu rosto, ele tinha plena consciência disso. Mesmo sem vontade alguma, Mya se viu obrigada a dizer:

— Zaki, né? Claro, será um prazer te mostrar nosso colégio. — Ela forçou um sorriso.

— Esta é Mya Harper. — Connor disse empolgado. — Sem querer puxar o saco, mas ela é uma de nossas melhores alunas, além de membro do conselho. Tenho certeza que será uma ótima guia.

Mya teve de rir da tentativa do rapaz. Ele realmente achava que ela relevaria a situação em que ele a colocou apenas com elogios.

O novato saiu da sala sem dizer uma palavra, ou mesmo mudou a expressão de completo desinteresse que tinha no rosto. Aquilo com certeza seria divertido.

Quando ele passou por ela, no entanto, Mya sentiu um certo desconforto, um arrepio percorreu todo seu corpo como se tivesse levado um choque.

Antes de sair, Mya direcionou um olhar irritado ao presidente:

— Você me paga — sussurrou.

— Me desculpe. — Ele devolveu com um sorriso.

E assim se iniciou seu tour pelo colégio. Ela não demorou muito para perceber que Zaki não era muito fã de bater papo, então o caminho todo se resumiu a um monólogo dela dizendo coisas triviais, do tipo "aqui é o refeitório, é onde a gente come".

Mal via a hora de aquilo acabar, agora só faltava a biblioteca e, enfim, poderia ir embora. Estava tão absorta que não percebeu que Zaki havia parado de andar até trombar com ele:

— Ai! — exclamou. 'Por que ele está andando na frente se sou eu que estou mostrando o lugar?' — O que foi?

— O que é aquele lugar? — ele perguntou.

Ela seguiu seu olhar até o lado de fora:

— É o ginásio. — Ela avistou o prédio do outro lado do terreno da escola, ainda estava em reforma. — Ele está fechado, então não tem como a gente ir lá.

— Então foi ali que o raio caiu. — Ele ponderou.

— Foi — ela concordou. 'Então ele sabe disso'.

E quem não sabia? Aquele fato havia se tornado a notícia mais comentada na cidade.

Ela se lembrava claramente daquele dia, um mês antes. Ainda estavam em aula quando ouviram um enorme estrondo: um raio havia caído no ginásio. Como o gerador que alimentava toda a escola ficava no porão do prédio eles acabaram ficando no escuro e sendo dispensados das aulas.

Enquanto ia embora Mya passou por ele, havia ficado com um buraco no teto e algumas rachaduras. Foi bizarro, era como se houvesse algo de errado naquele lugar, alguma coisa... Ela não saberia explicar. Porém sentiu um grande ímpeto de se afastar dali o mais rápido possível. Só de lembrar disso, evocava novamente aquele sentimento ruim.

O mais estranho? Naquele dia não havia sequer uma nuvem no céu.

— Não é nada de mais. — Ela sacudiu a cabeça, como se quisesse afugentar o pensamento. — Diferente do que as pessoas acreditam, a queda de raios é bem comum.

— Comum... — ele balbuciou. — Você acredita mesmo nisso?

Zaki se virou em sua direção e a fitou com um olhar tão intenso que a fez engolir em seco:

— B-bom, isso não importa de verdade. — Ela deu de ombros. — Vamos continuar, sim? Estamos quase terminando.


Mya queria xingar tudo e todos quando percebeu que seu "passeio" pela escola havia demorado tanto. Quando ela foi embora já estava escuro.

Enquanto caminhava de volta para casa, percebeu algo incomum: não havia ninguém nas ruas.

Não que aquela cidade fosse muito movimentada, mas não era tão tarde para estar tudo vazio daquela forma.

Uma sensação ruim a preencheu e, antes que notasse, havia acelerado os passos ao ponto de quase correr. No mesmo momento em que o fez, um vento forte começou a soprar, o que produzia um som que soava estranhamente perturbador a seus ouvidos.

Ela manteve o ritmo até que parou subitamente ao ouvir um ruído alto atrás de si. Parecia algo como um estouro seguido de algo caindo no chão.

Agitada e trêmula, ela se virou para verificar do que se tratava, mas não havia nada ali. Ela estava absolutamente sozinha.

Respirou aliviada ao perceber que já havia chegado ao orfanato. Atravessou o jardim correndo em direção à porta da frente. Assim que entrou, foi atingida pelo som de risadas e conversas animadas.

Logo duas garotas correram em sua direção:

— Mya, por que você demorou tanto? — Beth perguntou fazendo bico.

— A gente estava te esperando. — resmungou a segunda, Claudia. — Você poderia nos ajudar com a lição de casa?

— Claro, só me deixem tomar um banho e trocar de roupa. — Mya correu em direção as escadas. — Pensando bem, acho que também vou comer, estou morta de fome!

O restante da noite foi o mais tranquilo possível. Após o jantar, Mya ajudou as garotas com os deveres de casa.

Só depois que todos já haviam dormido que ela conseguiu fazer as próprias tarefas. Apenas quando se viu com tanto sono que nem sequer conseguia se manter de olhos abertos decidiu que era o suficiente naquele dia e foi se deitar.

Antes de fechar os olhos, contudo, percebeu que o vento já não soprava mais do lado de fora.

(...)


Notas Finais


E é isso. Primeiro capitulo...
Vamos considerar esses primeiros capitulos uma introdução a história.
Logo trago o próximo capitulo.


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