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História Princess Kingdom - Capítulo 21


Escrita por:


Notas do Autor


Muito obrigada por gastar um pouco de seu tempo lendo essa história!

Capítulo narrado pela personagem feminina.

Capítulo 21 - Vergonha


Dara


Ainda assustada com tudo aquilo que acontecera, olhei para meus pés. Um pacotinho distinto dentro da sacola aberta no assoalho do carro chamou minha atenção. Curiosa, olhei para o homem ao meu lado ainda mascarado. Só o que me veio a mente foi a conversa que tivemos pelo "Talk" na noite anterior.

Bastou isso para eu poder sentir a presença dele ao meu lado. Estávamos tão longe e tão perto naquele espaço que ficou difícil me segurar, principalmente quando sua mão tocava minha coxa acidentalmente no passar de marchas. Já na garagem do prédio onde ele e meu irmão moravam, eu pude relaxar um pouco quando fiquei sozinha. Saí do carro sem esperar por ele, mas não adiantou nada já que tive que esperar pelo elevador.

Ele ficou quieto, ao meu lado enquanto esperávamos juntos. Ele foi cavalheiro ao segurar a porta para que eu pudesse entrar despreocupada. Ele entrou tranquilo e parou ao meu lado. Não aguentei mais. Retirei minha máscara e antes mesmo das portas se fecharem, eu perguntei:

_Aquele convite ainda está de pé?

Por eu estar receosa, Yoshi levou uns segundos para entender o que eu estava falando. Mas quando entendeu, só jogou suas compras no chão e sua máscara longe antes de me encurralar no ponto cego da câmera do elevador para me agarrar com força e iniciar nosso beijo.

Não vou dizer que não me assustei com a atitude dele. Foi inesperado aquele ato explícito de desejo por parte dele. Só que eu me recuperei tão rápido quanto ele e logo estava deixando o beijo ainda mais intenso. Foi tão intenso que ele me retirou do chão e me fez abraçar sua cintura com minhas pernas para que pudéssemos ficar mais confortáveis. Tivemos sorte por não sermos interrompidos por algum outro morador que também precisasse usar o cubículo de metal. Quando o elevador deu seu sinal, ele me largou e foi atrás de sua sacola, o que me permitiu sair primeiro e esperá-lo na porta de seu apartamento.

Afobado, ele abriu a porta e me puxou para dentro. Mal tive tempo de registrar como era ali e já tive minha boca agarrada pela dele. Sem perda de tempo, Yoshi foi direto no zíper de meu casaco, o puxando para baixo até onde foi possível e retirando o pesado pedaço de pano de mim antes de voltar a me pegar em seus braços. Com força, me agarrei em seu cabelo e enlacei sua cintura novamente. Descuidado, senti-o se mover para trás até que seu corpo se chocou com algo. Foi tão inesperado que ele acabou perdendo o equilíbrio e caindo para trás, só então ficamos sabendo que o obstáculo no caminho era o seu maior sofá.

Não houve tempo pra risadas, ou reclamações. Ao mesmo tempo em que ele se ajeitava melhor sobre a espuma, retirava as peças de roupas de seu tronco em um movimento. Eu também não fiquei para trás, retirei todas as minhas e joguei-as pelo ambiente antes de cair em cima dele e voltar a atacar sua boca.

Me surpreendendo, ele colocou sua mão fria para dentro de minha calça a procura de um pontinho bem sensível em mim. Arrepiei quando seus dedos grandes o encontraram. Gemi baixo quando seu dedo apertou meu clitóris. Aproveitando que soltei de sua boca, recuperei meu fôlego enquanto mordiscava todo o seu pescoço.

Quanto mais ousado seu dedo era entre minhas pernas, mais eu maltratada aquela pele clara sob mim. Até que não aguentei mais e voltei a me levantar. Sem me importar com ele, fui afobada ao abrir o botão da calça jeans que ele usava e puxar o zíper para baixo. Só o que eu queria era tê-lo em mim mais uma vez, o resto eu pensaria depois.

Ele entendeu o meu recado, finalmente retirando sua mão de dentro de mim antes de me fazer sair de cima dele. Não fiquei parada enquanto ele retirava o resto de suas roupas. Aproveitei para fazer o mesmo. Eu acabei sendo mais rápida e pude admirar seu pênis já completamente pronto para mim enquanto imaginava diversas situações que poderia fazer com aquilo. Mordi meu lábio inferior não me aguentando de tesão quando ele ficou em pé em minha frente. Só ouvi sua risada convencida antes de ele dizer:

_Está pronta? – Mesmo ali ele não deixou de zombar de mim.

Não o respondi. Parti para cima dele e o puxei para um beijo desajeitado. Essa era a minha resposta.

_Espere! – Ele me parou. – Camisinha. – Explicou ao ver meu olhar inquisidor.

Entendi o que ele queria e parei para pensar onde eu tinha visto isso.

_A sacola! – Nós dois dissemos ao mesmo tempo.

_Eu pego! – Avisei já me dirigindo para a porta.

Eu realmente estava mais perto e certa ao ir em direção à entrada. Encontrei a sacola jogada no chão bem próxima a porta com o que eu queria no chão ao lado, junto com mais objetos desnecessários ao momento que haviam escapado do plástico.

Voltei já abrindo o pacote maior e retirando um individual. Encontrei Yoshi já deitado no sofá, olhando curioso para mim. Admirei seu sorriso travesso antes de voltar a montar nele já com a embalagem aberta. Fiz questão de fazer manha ao colocar o preservativo cuidadosamente no pênis ereto de meu parceiro para total divertimento dele.

_Pronto? – Meu sussurro conseguiu sair absurdamente erótico.

Yoshi deixou de ficar sorridente para me olhar sério antes de confirmar com sua cabeça. Manhosa, me ajeitei melhor sobre ele antes de me abaixar sobre o membro duro e fazê-lo se enterrar dentro de mim. Foi bom sentir aquela sensação novamente. Bom ao ponto de eu me mover para provocar a ambos. Pena que eu achei a duração rápida demais, mesmo eu já estando um pouco cansada. Com um sorriso triunfante, saí de cima de Yoshi assim que ele gozou. Curiosa, me sentei sobre as coxas dele. Sorrateiro, ele se apoiou em seus cotovelos antes de levar sua mão para entre minhas pernas e começar a brincar comigo.

Tudo bem que eu não havia gozado, não ligaria por sair dali um pouco insatisfeita, porém, meu companheiro não estava brincado quando disse que me queria mole sob ele. Não o impedi de me masturbar. Acabei descobrindo um novo tipo de prazer ao ter uma mão rude e grande massageando meu clitóris e me surpreendi ao ter um orgasmo mais forte do que eu tinha quando fazia o mesmo em mim.

Como ele queria, caí mole sobre ele que acariciou minhas costas até que me viu melhor. Só então ele nos levantou. Eu continuei sentada no sofá enquanto o observava. Aquele pedaço de carne era tão gostoso que eu não entendia o motivo de nunca o ter visto em uma campanha de roupa íntima, por exemplo.

_Aí! – A camisa dele em minha cara foi o que me retirou de meus devaneios.

_Vista. Eu já volto! – Ele me avisou antes de sumir por um corredor.

Dei de ombros antes de o obedecer. Sozinha, senti falta de meu celular. Pensei onde ele poderia estar e lembrei que o havia deixado dentro de meu casaco. Fui até ele, aproveitando para tirá-lo do meio do caminho enquanto pegava o objeto em seu bolso. Mal tive tempo de mexer no coitado. Yoshi reapareceu assim que voltei a me sentar no sofá com uma cueca limpa e um cobertor nos braços. Continuei em meu canto enquanto ele voltava a se deitar no sofá. Eu ri quando ele me convidou a deitar em seu peito, deitando ali antes de sentir o cobertor em minhas costas.

_Foi bom? – Ele me perguntou um pouco preocupado.

_Foi. – Afirmei timidamente. – Obrigada. – O agradeci séria.

_Pelo que? – Ele estava um pouco curioso.

_Por me ter tirado de lá e me fazer esquecer da melhor forma possível. – Passei de séria a tímida enquanto era sincera com ele.

Ele sorriu levemente antes de voltar a ficar sério.

_O que foi aquilo?

_Pelo que eu entendi, Tomas estava com aquela garota a um mês enquanto tentava avançar comigo.

_Ele estava te traindo? – Yoshi não acreditou no que eu disse.

Fiz que sim, me divertindo com seu jeito de menino raivoso.

_Ele é mesmo um babaca! – Soltou me fazendo rir.

_Eu sei. E a garota também. Ela o conquistou para tentar me desequilibrar, como eu fiquei um mês inteiro sem saber de nada, acho que ela armou esse circo todo para tentar me atingir e, de alguma forma, destruir minha carreira.

_Bem, parece que ela não conseguiu. Como eu estava dentro da loja, pude ver tudo. Achei que iria ser agredida a qualquer momento. Fiquei com medo de aquela vaca te machucar enquanto o babaca ficava olhando.

_Não sei como eu consegui manter meu sangue frio ao ponto de não reagir.

_Também não. Se fosse eu, teria arrancado os dentes dela na primeira levantada de voz. – Ele admitiu nem um pouco envergonhado.

_Uau! Não sabia que você era violento. – Brinquei.

_Só com as pessoas que eu amo. – Ele soltou sério.

Fomos atingidos pelas palavras dele ao mesmo tempo. E tivemos a mesma reação; vergonha. Ele por ter dito algo tão intenso sem querer. Eu pelo que acabara de saber.

_Posso te perguntar uma coisa? – Mudei de assunto antes que ficássemos em silêncio constrangedor.

_O que quiser. – Ele disse já normal.

_Bem... – Comecei sem jeito. – Por que você comprou camisinha? – Joguei o que estava me matando nele.

Yoshi ficou desconfortável embaixo de mim. Deixei que ele pensasse antes de falar qualquer coisa, porém ele mesmo conseguiu responder:

_Eu queria tentar ser mais atirado e transar com uma mulher sem compromisso, mas sem o básico não seria possível.

_E eu foi uma dessas? – Tentei não me ofender com minha própria pergunta.

_Não! – Ele se exaltou. – Com você nunca é sem compromisso. – Ele deu uma pausa para pensar. – Vou ser sincero, você me deixou louco na quarta a noite inteira. Não consegui esquecer na quinta. Daí nós tivemos aquela conversa e eu fiquei pior. Não sabia quando poderia ter algo com você de verdade já que estava com um cara, babaca, mas estava. Então, eu pensei em sair esse final de semana e tentar encontrar alguma mulher que pudesse, pelo menos, me aliviar.

_E encontrou. – Brinquei. Mesmo assim não tive coragem de olhar para ele.

Senti sua mão em minhas costas subir para minha cabeça e a acariciar delicadamente. Me derreti naquele carinho, sorrindo feito uma criança boba.

_A melhor pessoa para isso. – Eu pude ouvir o sorriso em sua voz.

Eu iria perguntar mais sobre nós dois quando ouvimos o barulho característicos das fechaduras eletrônicas quando são acionadas.

Merda! Havia esquecido que estávamos na sala dele e que ele não estava sozinho em casa. Tivemos sorte de não ter ninguém ali durante o ato, mas isso não durou muito.

Gelada de pavor e sem tempo para mais nada, fiz a coisa mais idiota que poderia ter feito: puxei o cobertor em minhas costas até minha cabeça e me escondi embaixo do tecido a tempo de ouvir a porta se abrindo.

Yoshi também ficou assustado no primeiro momento, mas assim que me escondi, ele irrompeu em uma gargalhada gostosa que me faria até bem, se não estivesse naquela situação. Irritada, mordi o pedaço de sua pele mais próximo de minha boca, fazendo-o rir ainda mais em meio a um grito de dor.

_O que está acontecendo aqui? – Ouvi a voz da irmã mais nova dele.

_Nada, só estou rindo de algo engraçado que lembrei. – Ele desconversou sem ser muito convincente.

_Espera aí! – A mulher pediu.

Sua fala seguiu de um longo silêncio antes de eu ouvir passos. Provavelmente ela se aproximou mais do sofá. Fiquei ainda mais nervosa enquanto esperava pelo desenrolar da cena.

_Você está mesmo com uma mulher aqui? – Ela estava estranhamente feliz ao flagrar seu irmão.

Não sei o que Yoshi a respondeu, o que me fez prender o ar em meu esconderijo fajuto.

_É quem eu estou pensando?

Mais uma resposta silenciosa de Yoshi antes de ela concluir:

_Yuna vai adorar saber disso! – Ela exclamou como uma criança que acabara de ganhar o melhor presente do mundo.

_Vou adorar o que? – A voz da outra irrompeu pela sala.

Mais um silêncio amedrontador antes de Yuna exclamar:

_Céus! O que aconteceu aqui?

_O que você está pensando. – A mais nova disse triunfante.

_Yoshi como você faz uma coisa dessas aqui, nem para ir para o quarto? – A mais velha o repreendeu.

_Desculpa, não deu tempo! – Ele pediu despreocupado.

_Como não? Vocês estavam tão excitados que não puderam dar mais alguns passos até o seu quarto e se trancarem lá?

_Não. – Ele admitiu sem pesar.

O que me deixou ainda mais constrangida embaixo do cobertor.

_E onde está essa garota que fez meu irmão certinho fazer algo desse tipo? – A mais velha disse em tom de ordem.

Ouvi a mais nova pigarrear antes de mais um breve silêncio. Parece que houve uma conversa silenciosa entre elas até a mais velha exclamar:

_Sério?

Mais silêncio.

_Eu tenho que confirmar isso! – Yuna se aproximou do sofá.

Ao contrário da irmã, ela foi mais indiscreta ao fazer isso. Eu senti ela se debruçar no encosto do móvel e um dedo quase encostar em mim.

_Ah! Isso me faz tão feliz. Vou deixar vocês dois sozinhos aí. Fiquem a vontade e façam de conta que não estamos aqui.

Senti Yoshi rir levemente antes de respondê-la em silêncio. Este se seguiu por um longo tempo depois que o barulho de passos e portas se fechando findou-se.

_Está segura agora. – Yoshi disse baixo ao tentar retirar o cobertor de cima de mim.

Fiz que não em desespero. Mesmo que não tivesse mais ninguém além de nós dois ali, com que cara eu olharia para ele depois do flagra?

_Vai se esconder até mesmo de mim agora? –- Ele estava bem humorado.

_Vou! – Respondi chorosa.

_Desculpa, devia ter te levado para o quarto quando terminamos. Esqueci que não moro mais sozinho. –- Ele disse sincero.

_Tudo bem. Eu devia ter ido embora depois que terminamos. – Eu também me desculpei finalmente saindo de meu esconderijo.

_Quer ir agora? – Ele perguntou cúmplice.

_Você se importa? – Eu fiquei um pouco triste, não queria magoá-lo.

_Claro que não. Eu sei o quanto minhas irmãs podem ser inconvenientes. – Ele sorriu compreensivo.

Agradeci-o silenciosamente antes de descer de seu peito. E pra que? Para me espantar ao finalmente olhar a bagunça que estava na sala. Eu entendi a reação das meninas ao ver aquilo. Nossas roupas estavam espalhadas pelo chão, denunciando o nosso ato pecaminoso. Um pacote de camisinhas estava jogado no chão com algumas, claro, espalhadas ao redor.

Com vergonha do que tinha acontecido, pedi novamente, desta vez me curvando envergonhada:

_Sinto muito.

_Não sinta. Eu também tenho culpa no cartório. – Ele respirou, me pareceu para se controlar. – Agora vá se vestir.

Assustada com a ordem dele, levantei meu corpo e dei de cara com um Yoshi visivelmente em uma batalha mortal entre o certo e o errado.

_Você fica tão linda usando minha camisa que fica difícil eu me controlar. – Ele foi sincero em seu sôfrego elogio.

Eu não reagi. Fiquei parada feito uma planta. Boba demais com o elogio sincero de meu amigo que estava começando a ser mais do que isso.

_Dara, Dara! – Ele chamou minha atenção. – Se continuar assim será impossível eu não te levar para o meu quarto e fazer de novo o que fizemos nesse sofá. – Me advertiu.

Acordei assustada com sua advertência verdadeira. Apressada, busquei minhas peças de baixo e as vesti. Eu iria retirar a camisa dele, mas seu olhar em mim me fez parar e apenas colocar meu moletom por cima dela. Teria que carregar meu sutiã e minha blusa nas mãos. Calcei minhas meias e meus tênis já mais tranquila.

_Terminou? – Yoshi chamou minha atenção para ele.

Agora ele estava só com o jeans que ele usara antes, deixando seu tronco maravilhoso ainda a mostra para mim. Mordi minha boca para controlar minha própria ânsia por mais. Mas estava difícil, principalmente depois de ele sorrir vitorioso para mim.

_Seu telefone. – Ele quebrou o encanto ao estender o velho objeto para mim.

No calor do flagra, eu nem me lembrava onde eu o havia largado. Envergonhada, eu o peguei das mãos de Yoshi, tomando cuidado para não tocá-las e atiçar meu desejo por mais.

_Está vibrando. – Ele me avisou curioso para saber quem era.

Olhei para a tela quebrada e vi o nome de meu irmão.

_É Diego. Eu vou subir e ver o que ele quer comigo.

_Ok. Se precisar de ajuda, para qualquer coisa, pode falar comigo.

_Eu sei. – Disse antes de dar as costas para ele.

Sem jeito, ele me acompanhou até a porta de seu apartamento. Foi triste ter que me despedir dele. Acho que, se não fosse o flagra, eu nem ligaria para o meu telefone e passaria a noite ali.

_Até mais? – Minha despedida pareceu uma pergunta.

_Sim! – Ele sorriu fofo. – Até mais. – Ele deu um passo a mais para frente.

Não recusei, aceitei seu beijo de despedida sem me importar com nada. Eu precisava daquela boca delícia na minha mais um pouco. Foi um beijo carinhoso, mas mascarado pela vontade de irmos além mais uma vez. Tanto que me senti envergonhada ao parar nosso ato no momento exato que vi Yuna, entrar na sala.

Curioso por minha vergonha repentina, Yoshi olhou para trás a tempo de ver sua irmã correndo para a cozinha.

_Está tudo bem. Elas já sabem que é você. – Ele soltou despreocupado.

_Como? – Foi só o que conseguiu sair de minha boca em meu espanto.

_Você ficou tão assustada quando Aysha entrou, que se esqueceu de seu cabelo. Ele ficou para fora do cobertor e não teve como elas não perceberem que era você.

Ele brincou com uma mexa de meu cabelo ainda rosa.

Maldita hora que isso foi acontecer! – Praguejei mentalmente.

_Eu sou mesmo uma idiota! – Me xinguei chorosa.

_Uma idiota fofa e linda que minhas irmãs adorariam conhecer melhor. – Ele foi sincero em seu elogio.

Não teve como evitar a reação que ele me provocava. Foi inevitável ficar tímida na frente dele, que ampliou ainda mais o seu sorriso.

_Preciso ir. – Voltei ao normal ao sentir meu telefone começar a vibrar mais uma vez.

_Tudo bem. Eu te explico melhor o que não viu pelo "Talk". – Ele abriu a porta para mim.

_Eu te chamo depois de ver o que Diego quer comigo. – Esclareci antes de dar um passo para fora.

_Espera! – Yoshi chamou minha atenção.

Sem preocupar, me virei para ele. No momento que nossos olhos se encontraram, ele pegou meu rosto com suas mãos e o puxou até que nossos lábios se encostassem em um selinho manhoso.

_Agora pode ir! – Ele sussurrou encantadoramente feliz depois de separar nossos lábios.

Fiz que sim ainda atônita pelo pequeno gesto de carinho dele. Continuei assim até abrir a porta do apartamento de meu irmão e dar de cara com ele e seu namorado visivelmente preocupados.

_O que aconteceu? – Perguntei como eles assim que deixei minhas chaves na cerâmica do aparador ao lado da porta.

_Eu é que pergunto. – Diego não escondeu seu nervosismo.

_Eu tive que sair para resolver uns problemas. – Menti um pouco.

_Problemas? Você chama aquela agressão de problemas? – Ele levantou a voz um pouco.

_Calma amor, não vamos assustá-la. – Mark tentou o acalmar.

_Você tem razão. – Diego o ouviu.

Continuei a tentar entender o que estava acontecendo. Fiquei parada no lugar onde estava esperando qual seria o próximo passo dos dois.

_Dara, entre. Precisamos conversar. – Mark foi o primeiro a falar.

Seu tom tranquilo não me fez ficar mais calma, mas o obedeci e entrei até a sala, me sentando na poltrona ao lado do sofá. Meu irmão e seu namorado se sentaram nele, olhando para mim de uma maneira que estava me assustando.

_Gente, o que houve? – Chamei a atenção dos dois para a conversa que queriam ter comigo.

_Estamos preocupados com você. – Diego começou.

_Acho que devíamos explicar para ela o motivo primeiro, querido. – Mark salientou.

_É verdade. – Diego voltou a olhar sério, mas preocupado, para mim. – Acho que devo começar com o fato de eu ter passado o dia inteiro na agência e Mark gravando. – Sua voz estava um pouco apática.

_Sim. Eu acordei sozinha hoje. – Salientei controlando meu próprio receio.

_Como estamos adiantados com o nosso retorno, a reunião não demorou tanto quanto o esperado e eu pude retornar mais cedo para casa. – Diego deu uma pausa para controlar seus sentimentos. – Quando cheguei, vi que não estava aqui. Não me importei, achei que tinha ido trabalhar no café hoje. Então, eu deixei minhas coisas no quarto e fui para o banheiro tomar um banho pra relaxar um pouco. Hoje eu demorei só um pouco mais do que costumo e, quando voltei, fui ver o que tanto meu telefone alertava. Quase tive um treco quando vi os vídeos.

_É verdade. Quando cheguei aqui Diego estava nervoso e tive um trabalho enorme para acalmá-lo.

_E por que ele estava nervoso? – Perguntei com calma.

_Porque ele viu vídeos de você sendo agredida por uma maluca. – Mark respondeu sem se controlar.

_Ah! – Eu me senti envergonhada. – Desculpe? – Foi só o que consegui dizer.

_Desculpa? – Diego se alterou. – Como você tem coragem de pedir desculpa?

Não tive coragem de responder. No pouco tempo em que convivia com ele, eu nunca o tinha visto daquele jeito.

_Calma amor. Você está assustando sua irmã. – Mark o advertiu mais uma vez.

_Tem razão. – Diego respirou fundo para se acalmar. – É só que não é ela quem tem que pedir desculpa, e sim aquele canalha!

_Sim, eu concordo com você, mas precisamos ouvir o que aconteceu por ela. – Mark foi sensato ao acalmar meu irmão.

Diego fechou os olhos e respirou fundo mais algumas vezes. Ao olhar novamente para seu namorado, ele lhe deu carta branca para que pudesse conduzir aquela conversa. Mark sorriu levemente, aceitando o pedido silencioso antes de os dois se voltarem para mim.

_Dara? – Ele chamou minha atenção para eles.

_Sim. – Sua delicadeza me deu segurança para respondê-lo.

_Você pode nos contar o que aconteceu?

Fiz que sim antes de começar:

_Eu passei o dia inteiro aqui. Ainda me sinto cansada demais para ir trabalhar no café. A manhã foi tranquila, pude comer bem no café da manhã e no almoço. Pude ver TV, algo que não fazia a muito tempo, e acabei dormindo no sofá.

"Eu fui acordada por meu telefone vibrando no chão. Já estava quase anoitecendo. Era Tomas me pedindo para encontrá-lo na loja de conveniência do Saturno e eu fui para tentar resolver nossa situação.

"Como está um dia frio e calmo, não quis dirigir até lá. Fui a pé mesmo, já que é perto. Cheguei lá no horário combinado, mas não tinha ninguém. Esperei por cinco minutos e já ia embora quando os dois apareceram e se pegaram na minha frente.

"Eu não sei como tive a frieza necessária para apenas conversar. Pelo que Melanie queria, era para nós duas cairmos na porrada. Só que eu previ que era isso que ela queria quando ela já começou com escândalo quando veio falar comigo.

"Tentei conversar com Tomas, mas toda pergunta que eu fazia, ela respondia por ele. Não vou mentir e falar que foi fácil passar por tudo aquilo. Doeu muito saber que minha melhor amiga tinha inveja e ciúmes de mim ao ponto de seduzir meu ex e agora o Tomas. Só que eu não poderia reagir da forma como ela queria. Eu tinha visto um paparazzo quando ela me empurrou da primeira vez.

"Foi aí que meu plano se formou e deixei que ela me agredisse. Não sou mais uma anônima que pode ter o luxo de se envolver em barracos. Eu tenho um pouco de fama e, mesmo que insignificante, eu tenho que zelar por minha imagem. Só por isso aceitei ser agredida por ela. E teria ficado pior se Tomas não tivesse intervisto.

"Ele tentou conversar comigo, mas já era tarde e eu saí de lá sem ouvir o que ele tinha para dizer." – Terminei minha história com um dar de ombros.

_E onde estava até essa hora? – Mark continuou calmo.

_Onde está o seu casaco? – Diego, nem tanto.

Só então me dei conta de que o havia esquecido na sala de Yoshi. Mais um ponto para ser zoada quando encontrasse com a família dele.

_Acho que a pergunta certa é: como conseguiu escapar dos paparazzi? – Mark foi sagaz ao ler minhas reações.

_Bem... Yoshi me encontrou no estacionamento e me tirou de lá. Eu estava com ele até você me ligar. – Contei a verdade sem saber onde me enfiar.

_Hm... Menos mal. – Diego entrou no modo irmão protetor.

_Bem, era só isso? – Tentei escapar de mais perguntas.

_Sim. Você deve estar cansada por causa do que aconteceu. Vá tomar um banho, eu vou preparar o jantar. – Diego se levantou, já mais calmo.

Eu fiz o mesmo e o abracei antes de seguir caminho para o corredor.

_Espere! – Diego chamou minha atenção mais uma vez.

Parei quase no corredor e me encolhi de receio. O que poderia ser daquela vez?

_De quem é essa camisa que está usando?

Merda! Com o estado de meu irmão eu havia esquecido que não estava completamente vestida com minhas roupas. Olhei para baixo e vi o tecido azul claro da camisa de Yoshi me denunciando.

_Deve ser de Yoshi, porque aqui está a dela! – Mark disse travesso.

Me virei em direção à voz e vi meu amigo segurando para não desmanchar em risadas enquanto sustentava minha blusa branca e meu sutiã vermelho no ar. Eu fiquei vermelha, tanto quanto minha peça íntima, de imediato. Desejei fortemente que abrisse um buraco sob meus pés e me levasse para bem longe dali.

_Dara Park, o que você e Yoshi fizeram? – Diego pareceu meu pai ao me repreender.

_Isso é obvio, né amor! Eles transaram. – Mark respondeu por mim.

_Dara! – Diego chamou um pouco mais alto.

Não o respondi, tão pouco me movi. Não tinha coragem para nenhum dos dois. Só o que minha vergonha permitiu foi encarar o chão.

_Vai repreendê-la agora? – Mark ficou um pouco sério com a atitude de meu irmão.

_Eu tenho que fazer isso. – Diego realmente agia como um pai.

_Tudo bem, mas não esqueça que ela ouve tudo o que nós dois fazemos no quarto ao lado. – Mark o repreendeu travesso.

Segurei uma risada. Sabia que meu irmão se constrangia com isso tanto quanto eu. Por isso não mencionava para ele o que eu ouvia.

_Mark! – Ele repreendeu o namorado.

_Diego, você sabe que ela não é mais uma criança e que não é a primeira vez que isso acontece entre os dois. – Meu amigo foi sincero.

_Você tem razão, mas eu não posso deixar de me preocupar com ela. – Diego soltou choroso.

_Claro que não, mas é o Yoshi que está saindo com ela. O nosso Yoshi. – Mark foi até seu namorado e o acariciou.

Observei discretamente aquela cena linda que se desenrolava diante meus olhos.

_Ele é um homem como outro qualquer. – Diego não parecia dar o braço a torcer.

_Então converse com ele também. Eu já te falei o que acho sobre isso e o que ela sente. Nós tivemos essa conversa ainda ontem.

_Eu sei, só que ela é minha irmã.

_Não é sua única. Você não age assim com a outra. – Mark apontou bem.

_Você sabe que aquela lá é tão cobra quanto minha mãe e só quer me usar para conseguir dinheiro.

_Mas ainda assim é mais sua irmã do que Dara, se for parar para pensar.

_Não é verdade. Sabe que eu me conectei com ela desde o primeiro dia que papai nos contou sobre sua existência. Ela sempre foi a irmã que eu sempre quis ter.

_Eu sei disso. Ela é realmente um amor, mas é adulta e sabe se virar.

_Não parece. Sempre que eu olho para ela eu vejo uma menina que precisa ser cuidada.

_Isso até pode ser verdade, mas não é assim. Dara é uma mulher forte e que sabe o que quer.

_Discordo, olha os homens que ela arrumou para ela?

_Tudo bem, ela pode até ter um dedinho podre para homens, mas o seu amigo não é assim. Você lembra do último show que fizeram.

_Ele não disse nada do que fizeram, disse apenas que foi bom. Mas ele ficou excitado por causa dela no especial.

_Que hétero não ficaria? Ela estava linda naquele vestido, tanto que ouvi vários elogios nos bastidores. Eu mesmo pude confirmar isso quando tive o prazer de apresentar um pouquinho o show com ela.

_Isso desconcertou Yoshi e virou piada. Ele nunca tinha se descontrolado tanto assim. – Diego riu levemente ao lembrar da noite. – Fizemos ele sentar o mais próximo possível dela só pra ver ele desconfortável.

_Que maldade! – Mark o repreendeu rindo.

_Mesmo assim ele continuou sendo um “gentleman” até depois do espetáculo acabar. Pude ver com meus próprios olhos o carinho que ele a tratou até deixá-la no camarim.

_E depois ele foi para festa conosco e sua irmã para casa. Nós todos voltamos cedo e você a encontrou dormindo aqui. Não precisou você ficar com paranoia sobre os dois.

_Não mesmo. Mas é difícil controlar isso em mim.

_Te entendo. Por que você não senta e conversa com ele amanhã depois, ou antes, do ensaio de vocês?

_Pode ser. – Diego disse distante. Seus olhos estavam presos nos de seu namorado.

_Pode ser não, você vai falar com ele! – Mark conseguiu puxar a orelha de Diego antes de receber um longo beijo dele.

_Que lindo! – Acabei soltando alto demais.

Os dois pararam o ato assustados e olharam para minha direção.

_Desculpa! – Pedi envergonhada. – Vocês ficam tão lindos juntos que não resisto em olhar.

_Tudo bem. Mas vá, quero te ver de banho tomado em quinze minutos. – Diego brincou comigo.

Sorri para eles antes de continuar meu caminho e ir para o banho. Acabei demorando mais do que esperava por pegar no sono dentro da banheira. Acordei com o bater na porta e só tive tempo de abrir os olhos antes de impedir que meu irmão entrasse. Ele riu de mim antes de avisar que o jantar já estava pronto.

Sai do banho e me troquei o mais rápido que pude. Ainda no quarto mandei uma mensagem para Yoshi dizendo que não poderia conversar com ele. Estava realmente muito cansada por tudo que tinha acontecido. Ele pareceu entender e me mandou um áudio tão fofo que não resisti em mandar um outro para ele antes de sair do quarto.


Notas Finais


Muito obrigada por chegar até aqui e até a próxima quarta!


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