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História Principe Encantado do Ponto de Ônibus - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Part One


 Kirishima estava cansado. Seu trabalho estava o desgastando ao extremo. Hoje, especialmente, havia sido um dia difícil. 

Eijiro trabalhava em uma pequena cafeteria no centro da cidade. Ao seus 23 anos de vida, aquele não era exatamente o trabalho que havia sonhado quando estava no ensino médio, porém, dava para o gasto. O problema era a correria que Kirishima estava vivendo. Faculdade e trabalho não eram, exatamente, duas coisas fáceis de conciliar. 


 Agora, ele se encontrava com a cabeça encostada na janela do ônibus que pegava para ir à faculdade. O coletivo não estava muito cheio, diferente dos outros dias, onde, na maioria das vezes, não haviam nem lugares vagos para se sentar. 


 Enquanto o transporte fazia mais uma parada para pegar passageiros, Kirishima observava a rua. Carros e motos trafegavam pelo largo asfalto. Nas calçadas, pessoas apressadas andavam de um lado para o outro, algumas conversando entre si, outras mexendo em seus celulares. Nada mais que um dia normal em Chiba. 


 De repente, algo chamou a atenção do ruivo. Do outro lado da rua, mais especificamente, encostado em um dos pilares que sustentava o pequeno ponto de ônibus, estava uma das pessoas mais lindas que já tivera visto. Ele tinha cabelos loiros e aparentava ter a mesma idade de Eijiro. Usava uma camiseta preta, junto de uma calça jeans e tênis da mesma cor. Na mão que estava segurando o celular, haviam alguns anéis em seus longos dedos, e uma pulseira em seu pulso. Seu rosto era longo e fino; os olhos semicerrados encaravam o aparelho em suas mãos enquanto seu semblante alternava entre pensativo e irritado, mordendo, levemente, o lábio inferior. 


 Kirishima se sentira profundamente atraído por ele. 


 Ficou olhando para o homem do outro lado da rua por um bom tempo, até que, enquanto o ônibus se preparava para retomar seu caminho, o loiro, de repente, levanta a cabeça e seus olhares se encontram. Foram por poucos segundos, mas o suficiente para fazer Eijiro corar de vergonha. Para sua sorte - ou nem tanto - alguns momentos depois, o coletivo se movimentou, deixando o outro para trás. 


 Durante todo o caminho até a faculdade, ele ficara pensando no loiro que ficara atraído e, graças a isso, quase perdeu o ponto onde deveria descer para chegar até o lugar onde estudava. Felizmente, o cobrador - que já o conhecia havia muito e estava acostumado a ver o ruivo praticamente todos os dias no mesmo ônibus - lhe chamou a atenção. 


 Ao chegar no campus, ele andou por alguns corredores até chegar em seu bloco. A universidade onde estudava era um lugar grande. Haviam diversos prédios, cada um hospedando um curso. O bloco onde Kirishima estudava, ficava próximo aos de administração e medicina. 


 Após caminhar por alguns minutos, ele finalmente parara em frente a grande construção bege onde tinha suas aulas. Aquele era o prédio onde os alunos de psicologia estudavam. Eijiro, simplesmente, amava o curso. Desde pequeno, seu sonho era poder ajudar outras pessoas, enquanto estava no fundamental, pensava que se tornaria um enfermeiro, porém, com o passar do tempo, começou a se interessar pela psicologia e percebeu que medicina não era sua área. 


 Ainda parado na frente da construção, ele deu um suspiro e tirou seu celular do bolso. Oito e quarenta e sete. Dali a, exatamente, 13 minutos, a aula teria início. Tomando uma respiração profunda, ele adentrou os portões e seguiu em direção a sala 1 - A. 


 A sala 1 - A era, digamos, espaçosa. Haviam duas fileiras de assentos em cada lado do lugar, contendo cinco grandes mesas com, pelo menos, nove cadeiras cada uma. Dentre as fileiras, havia uma escada que ia até o final do local. A frente do espaço, estava o grande quadro de vidro na parede, com algumas anotações escritas e, a cerca de um metro do mesmo, estava uma comprida mesa de madeira escura, juntamente com uma cadeira. 


 O ruivo leu alguns dos avisos e se virou em direção à escada. Escolheu um lugar próximo a janela e no final da fileira. Sentou-se na cadeira, colocou sua bolsa em cima da superfície retangular, e retirou o celular do bolso. Haviam algumas mensagens de Kaminari, seu melhor amigo, e notificações do Twitter. Resolveu ignora-las, momentaneamente, e desligou o aparelho. Mais uma vez, o loiro havia tomado lugar em seus pensamentos. 


 Às nove e cinco, o professor chegara na sala. Era um homem baixinho, media por volta dos 1,65 e aparentava estar na casa dos 50 anos. Seu nome era Rafael. Professor Rafa, como era chamado, nascera e fora criado no Brasil, mudando-se para o Japão quando já estava com seus 30 e poucos anos. Aquele homem havia sido uma das melhores pessoas que Kirishima já conhecera, ele era extremamente animado e comunicativo, e suas roupas eram, um tanto extravagantes, o que lhe dava um ar de diversão. 


 Mesmo com as aulas animadas de Rafael, o ruivo não conseguira prestar atenção em sequer uma palavra que o homem falara. O maldito loiro continuava em seus pensamentos. E parecia que não iria sair deles tão cedo. 


 Ao perceber que o outro estava avoado, Mina, sua melhor amiga, lhe mandara uma mensagem, ainda durante a aula, perguntando se estava tudo bem. Eijiro lançou um olhar rápido para a garota e lhe respondeu que estava ok, não havia com o que se preocupar. E realmente não havia. Tirando o fato de que ele havia tido um dia exaustivo e que se apaixonara por uma pessoa que nem sequer conhecia. A Ashido, no entanto, não acreditou no outro e lhe mandou uma nova mensagem, dizendo que era para espera-la na saída da faculdade, pois ela iria dormir na casa do mesmo. 


 Kirishima queria contestar, mas sabia que de nada adiantaria, Mina era, definitivamente, a pessoa mais teimosa que conhecia, quando ela colocava algo na cabeça, não havia nada nem ninguém que a fizesse mudar de ideia. Assim, ele se deu por vencido e simplesmente acenou positivamente na direção da garota. 


 Cerca de uma hora e meia depois, a aula havia terminado. Enquanto Ashido ia falar com alguns colegas sobre uma festa que iria na semana seguinte, Eijiro foi até um dos corredores do campus e parou em frente a uma velha máquina de bebidas. O objeto era de cor amarelo limão e possuía algumas manchas de ferrugem. A máquina estava lá desde que o ruivo entrara na universidade, isto é, pouco mais de dois anos. Ele, frequentemente, ia até lá para comprar algo, já que, na maioria das vezes, saía tão apressado do trabalho, que ficava sem comer. Kirishima desconfiava que gastava mais com as bebidas do que consigo mesmo. 


 Intercalando o olhar entre uma lata de café e outra de refrigerante, ele finalmente colocou o dinheiro na máquina e apertou o botão correspondente ao recipiente com liquido marrom. Após alguns segundos, o ruivo se abaixou e pegou a bebida. Ao levantar novamente, abriu a lata, a levou até seus lábios e tomou um longo gole. 


 Enquanto bebia o café, começou a observar o local. Há alguns metros de distância do corredor onde estava, havia um grande espaço coberto por grama. Ao fundo, algumas arvores balançavam com o vento e pessoas saíam dos prédios onde estudavam. 


 Passado algum tempo, ele finalmente terminou de beber o liquido. Jogou a latinha em um lixeiro próximo de si e rumou em direção à saída da universidade. 


 Ao se aproximar dos portões, viu que a garota já estava o esperando. Andou rapidamente até ela e os dois trocaram algumas palavras, logo seguindo em direção ao estacionamento do campus, onde o carro da Ashido estava. 


 Mina era filha da diretora de um dos principais hospitais da cidade, então a Ashido era financeiramente estável. Aos seus 22 anos, a mulher de cabelos rosados já tinha seu próprio carro e morava sozinha em um apartamento luxuoso. Porém, mesmo nascendo em uma família rica, isso não a impediu de sofrer durante sua infância e adolescência. Para começar, seus pais eram ausentes, se preocupavam mais com o trabalho do que com a própria filha; achavam que todos os seus problemas se resolveriam se a dessem algum brinquedo ou uma roupa cara. 


 Contudo, durante metade de sua adolescência, a garota começara a pensar mais nela mesma e deixar de sofrer pela falta dos pais. Claro, ainda era difícil para ela falar sobre eles, porém, comparada a antigamente, Mina estava muito melhor. 


- Hey Kiri, por que você tá tão quieto hoje? 


- Perguntara Ashido assim que estacionou o carro na vaga do prédio onde o ruivo morava. 


 Parando para pensar, Kirishima percebeu que mal falara com a garota durante o trajeto. Ficou o caminho todo pensando no loiro que chamara sua atenção. Não conseguia tira-lo de seus pensamentos. 


- Ah, eu? Não aconteceu nada, sério. - Não queria contar a verdade para amiga, por enquanto. Não que ele tivesse medo que a outra risse dele ou algo do tipo, Eijiro sabia que Mina não era assim, pelo contrário, ele tinha medo de que ela começasse a procurar loucamente pelo garoto, determinada a achar a pessoa que havia, finalmente, chamado a atenção de seu amigo, já que, muito raramente ele se interessava por alguém. 


- Kirishima, amado, nós somos amigos há quase sete anos, você acha mesmo que eu não sei quando tem algo te incomodando? Anda, pode ir falando. - Ashido dizia enquanto andava em direção a entrada do prédio com o ruivo. 


 Eijiro, convencido de que ela não lhe deixaria em paz até que o mesmo lhe contasse o que estava acontecendo, soltou um suspiro cansado enquanto olhava para o céu, decidido a contar para Mina sobre o loiro do ponto de ônibus quando entrassem dentro do apartamento. 


 Alguns poucos minutos subindo as escadas do edifício e os dois pararam na frente da porta de madeira escura com o número 101 entalhado na mesma. Kirishima abrira a porta a ambos adentraram no pequeno espaço. 


 O apartamento podia ser pequeno, mas era muito bonito e aconchegante. As paredes de cor branca contrastavam com os sofás cinzas e os móveis marrom escuro, juntamente com a televisão presa na parede por um suporte e alguns quadros nas paredes. Pouco a frente estava a cozinha, com uma pia também marrom escuro e armários aéreos da mesma cor; no balcão estavam depositadas algumas louças limpas que o ruivo havia lavado pela manhã. 


 Os dois amigos deixaram suas coisas em cima do sofá e Mina se direcionou a cozinha, dizendo a Eijiro para ir tomar um banho enquanto ela fazia algo para comerem. 


 Kirishima seguiu as instruções da amiga e seguiu em direção ao pequeno espaço constituído de paredes brancas, pia, vaso sanitário e box. O ruivo gostava da cor branca, tanto que, praticamente, todo o lugar era dessa cor, tirando o próprio quarto, onde as paredes eram azul escuro. 


 Ele tomou um banho rápido e vestiu-se com roupas mais leves, uma camiseta preta de mangas longas e uma calça de moletom cinza. Quando se direcionou novamente a cozinha, viu que a amiga havia trocado o jeans e suéter rosa por um short preto e uma camiseta azul do próprio Kirishima. Ambos se conheciam há tanto tempo e a intimidade entre os dois era tão grande, que roupa não era problema entre eles; Eijiro usava algumas roupas de Mina e a garota fazia o mesmo com as dele, sem contar as inúmeras peças que ambos tinham nos apartamentos um do outro. 


 A comida não demorou para ficar pronta e os dois logo estavam sentados na pequena mesa disposta no meio da sala, conversando sobre trivialidades do dia a dia enquanto escutavam as notícias passando na televisão. 


 Pouco antes de terminarem de comer o macarrão que Ashido havia preparado, o ruivo tomara coragem para contar a amiga sobre o loiro que tinha lhe chamado a atenção. Mina ouvia tudo atentamente, com um semblante desacreditado. Em sua mente, ela se perguntava quem era a pessoa que conseguira despertar interesse no outro. 


 Ao fim da história, a de cabelos rosados continuava com a mesma expressão de antes. 


- Kirishima eu to - a garota interrompera a própria fala, ocupada pensando em algo que ajudasse o amigo a achar o seu tão sonhado príncipe encantado do ponto de ônibus. - Ok, espera, você disse que viu ele enquanto vinha pro campus, certo? - O outro acenou positivamente com a cabeça. - Então, tem chances de ele estar lá amanhã de novo, oras - Dizia ela com tom óbvio. 


- Sim, eu considerei essa hipótese também, mas pensa comigo: mesmo que ele esteja lá amanhã de novo, não é como se eu fosse descer do ônibus pra pegar o número dele ou algo do tipo. - Eijiro dizia enquanto cruzava as pernas em baixo da minúscula mesa. - E também, ele pode não estar lá. 


- Bem, isso é verdade. - Disse Mina, depois de passar alguns segundos pensando no que deveria falar para o outro. - Mas isso é o que vamos ver amanhã, certo? - Enquanto fala, a garota havia se levantado e recolhido as louças que os dois haviam sujado, seguindo com elas em direção a pia. 


 Passados alguns minutos, Kirishima, absorto em seus pensamentos, continuava sentado no tapete cinza da pequena sala, pensando no quão bizarra sua vida era. 


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ*** 


 Eijiro estava parecendo um zumbi. 


 Ele havia dormido extremamente na mal na noite passada e agora estava com uma cara horrível e tendo um dia de merda.


 Para começar sua trágica história, Kirishima acordara tarde e teve que sair correndo de casa, ainda por cima com o estômago vazio, a fim de pegar a tempo o ônibus que o levava para o trabalho. Bem, isso já deixara o humor do garoto meio estragado, porém, não era nada que uma boa xícara de café não pudesse curar. 


 Chegando em seu serviço, o ruivo se vestira com o maldito uniforme quente que tanto odiava e se direcionou a cozinha, morrendo de vontade de saborear sua tão amada bebida. Kirishima conseguira fazer o café e estava pronto para degustar do mesmo. Um, dois, três goles, essa era a quantidade que Eijiro conseguira tomar quando derrubou o líquido pelando em si mesmo. Kirishima estava puto. Extremamente puto. E nem era por ter derramado a bebida em sua camisa social branca sem nenhuma mancha, e sim porque todo o seu café fora jogado fora. 


 Continuando com a sua cruel história, após começar o expediente, o maldito chefe do ruivo viera reclamar consigo sobre as chaves da loja que haviam sumido, contudo, não fora Kirishima quem tinha aberto a loja naquela manhã, então o mesmo nem fazia ideia de onde as chaves estavam. 


 Saindo do trabalho, Eijiro tivera que enfrentar 40 minutos em pé no ônibus lotado a fim de chegar na faculdade. Aparentemente, justo naquele dia, todas as pessoas haviam resolvido pegar o mesmo coletivo. 


 E, para fechar com chave de ouro o seu desgraçado dia, Kirishima não vira o seu príncipe encantado (que estava mais para tentativa falha de eboy) do ponto de ônibus. Ele vasculhara com os olhos todas as paradas de coletivo pela qual passava, mas, em nenhuma delas, ele avistara o loiro. 


 Em resumo, o seu dia havido sido uma total e completa merda. Eijiro só esperava poder chegar logo em casa para tomar um bom banho e criar fantasias onde ele e o loiro se casariam e teriam dois gatos e uma calopsita. 


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ*** 


 Três semanas. Esse era o tempo que havia se passado desde o dia em que Kirishima encontrara o amor da sua vida, a metade da sua laranja, o soul do seu mate. Bem, chame como quiser. 


 O ponto, caro leitor, é que você deve estar pensando: "Ah, se passou tanto tempo assim? Eijiro deve ter esquecido dele então". Bem, não. É isso mesmo que você leu, cara pessoa, Kirishima, como o bom trouxa que era, não havia esquecido do garoto de roupas pretas e cabelo loiro.


 Mesmo depois de 21 dias, Eijiro continuava pensando no outro. Um pouco menos agora, porém, ainda pensava. 


 Hoje era mais um dia corrido para Kirishima. Ele saíra de casa com apenas café no estômago e ficou assim até as 13 horas, o horário de seu intervalo, onde conseguiu se alimentar decentemente. 


 Passou o resto do dia ouvindo as reclamações de seu insuportável chefe e, ao finalmente pegar o ônibus que o levaria até a faculdade, teve que ficar de pé durante todo o trajeto, pois, novamente, o coletivo estava lotado. 


 Kirishima estava tendo uma porra de semana, e a única coisa que poderia o animar agora, era a sua tão querida amiga máquina de bebidas. 


 Chegando no campus, ele tirou rapidamente o celular do bolso e olhou a hora. Oito e cinquenta e dois. Eijiro teria que correr, mas achava que conseguiria pegar uma lata de café antes de suas aulas começarem. Então, ele se pôs a correr. Corria como se sua vida dependesse daquilo. E em parte, dependia, ou, pelo menos, o bem estar de seu estômago. 


 O caminho que durava cerca de 7 minutos, levou 4. Kirishima se aproximou da máquina, ofegante. Diminuiu a velocidade e apoio as mãos nos joelhos, tentando regular a respiração. 


- Você tá bem? - Kirishima deu um pulo ao ouvir a voz. Levantou rapidamente a cabeça, a fim de ver quem estava falando consigo, já que, quando estava se aproximando da máquina, não vira ninguém por perto. Enquanto erguia, lentamente, o rosto, o pensamento de que, talvez, houvesse um fantasma ou alguma outra coisa sobrenatural por ali, o arrepiou por inteiro. 


 Por fim, ele ergueu completamente e rosto, rezando um pai nosso em sua mente enquanto fazia tal ação. 


 Atrás da máquina, ao lado de uma caixa de papelão contendo várias latas com bebidas industrializadas dentro dela, estava ele. O seu príncipe encantado do ponto de ônibus. À primeira vista, Kirishima não acreditara que realmente era o homem por quem se atraíra; pensava que estava delirando ou talvez, sonhando enquanto estava tendo um (não tão tranquilo assim) sono em sua cama. Chegou até a beliscar seu próprio braço, a fim de "tentar acordar". Porém, ele não acordou. Aquele momento estava realmente acontecendo. 


- Ah, e-eu to bem sim, e você? - "Puta merda, eu não acredito que to passando vergonha na frente dele" - pensara o ruivo. 


- Eu to bem?? Quem parece mal aqui é você, me olhou como se tivesse visto um fantasma. 

- O cara do ponto de ônibus olhou para Eijiro com uma careta estranha, talvez pensando que o homem a sua frente, era louco. 


- Ah... - Essa fora a única sílaba que ele conseguiu falar, seguindo de um suspiro baixo. 


 Um clima desconfortável se instalara ali, fazendo com que Eijiro começasse a balançar a perna e olhar para os lados, fazendo isso, continuamente, por alguns longos minutos. 


 Kirishima, tentando se desfazer da atmosfera estranha que se instalara, pegou o celular e olhou a hora; bem no meio da tela do aparelho, o relógio marcava exatos nove e dez. Kirishima estava atrasado. 


 Com o pensamento de que o mesmo se foderia caso perdesse mais uma aula, ele se despediu desajeitadamente do cara do ponto de ônibus e correu depressa para o prédio de psicologia, deixando o outro, com uma expressão incrédula para trás. 


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ***


 Bakugo tivera um dia estranho. 


 Para começar, ele passara a madrugada toda ouvindo os gemidos da vizinha do apartamento ao lado, fazendo com que não conseguisse dormir direito e ficasse puto na manhã seguinte. Depois, ao ir para o trabalho, onde ele entregava bebidas para uma distribuidora, teve que lidar com o gerente de uma loja que insistia em dizer que aquelas não eram as bebidas que ele havia pedido. E então, para fechar seu dia bizarro com chave de ouro, Katsuki fora encarado por um cara ruivo e destrambelhado enquanto fazia sua última entrega do dia. Ok que o homem que o encarava era bonito e seu jeito desajeitado era fofo, mas, mesmo assim, Bakugo achara bizarro o outro fica-lo encarando como se Katsuki fosse um fantasma. "Talvez ele tenha ficado impressionado com a minha beleza." - Deduzira Bakugo enquanto tomava banho. 

 Durante a noite, novamente, fora obrigado a ouvir os gemidos irritantes de sua vizinha. Bakugo pensava se a mulher não tinha mais o que fazer do que ficar transando toda noite e irritando os outros moradores do prédio com seus gemidos caóticos. 


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ***


 Ao chegar na distribuidora no dia seguinte, Katsuki logo se dirigiu à sala do supervisor, a fim de ver o que faria durante aquela semana. 


 Adentrou o largo espaço com paredes brancas e azuis, com a grande mesa de vidro ao fundo, onde a Supervisora Yaoyorozu estava sentado lendo alguns papeis. 


- Ah, bom dia, Bakugo, meu querido funcionário! - Dissera Momo enquanto lançava um sorriso falso para o outro. 


- Bom dia é o caralho. Não tem porra nenhuma de bom. - Respondera ele enquanto caminhava em direção a uma das poltronas em frente à mesa e se jogava, desleixadamente, no estofado. - A porra da minha vizinha gemeu a noite inteira de novo, Momo, já fazem três fodendo dias que aquela mulher desgraçada não para de gemer igual a uma galinha a beira da morte em plena madrugada. 


 Momo Yaoyorozu, além de ser a supervisora de Katsuki, era também a melhor amiga do outro. Ambos se conheceram no ensino fundamental, quando Bakugo era visto como o cara mais bizarro da escola e claro, as crianças tinham um motivo para chama-lo assim. Primeiro: o loiro não tinha amigos. Aos seus 12 anos de idade, Bakugo Katsuki possuía um total de 0 amizades. Segundo: ele sempre andava com a cara fechada, como se fosse uma bomba prestes a explodir. E bem, eles se conhecerem de um jeito um tanto peculiar, afinal, os dois viraram amigos após Momo o levar para a enfermaria, graças a bolada que a garota de 11 anos na época, dera nele durante a aula de educação física, onde a turma estava jogando queimada. 


 A bolada havia sido tão forte, que a barriga de Katsuki ficara com uma grande mancha roxa durante uma semana. 


 Yaoyorozu lembrava que, naquele dia, enquanto caminhava com o loiro apoiado em si até a enfermaria, havia aprendido um estoque de palavrões para a vida toda. E claro, ela sentiu-se culpada também, afinal, poderia ter controlado um pouco de sua força caso tivesse prestado atenção no garoto com cara azeda parado atrás de um dos grandalhões que Momo pretendia acertar. 


 Enquanto estavam na enfermaria, os dois começaram a conversar e deram boas risadas e, ao final da semana, parecia que já eram amigos há anos. Depois disso, Momo apresentara Todoroki Shoto, seu melhor amigo, a Bakugo e, ao fim do ano letivo, os três eram inseparáveis. 


 Agora, 13 anos depois, eles continuavam amigos. Bakugo e Yaoyorozu trabalhavam na mesma empresa, enquanto Todoroki estudava Moda em Yale, nos Estados Unidos. 


- Sabe, Bakugo, isso pode ser o karma agindo por todas aquelas vezes que eu e o Shoto íamos pra sua casa e ficávamos gemendo pra incomodar os seus vizinhos. O universo tem dessas, viu. - Terminara ela com um pequeno riso de deboche. 


- Vai se foder, Yaoyorozu. - Bakugo, agora, se alongava, preguiçosamente, na poltrona - Enfim, o que tem de trabalho pra esse cu de semana? - Questionara ele ao sentar-se com os cotovelos apoiados nos joelhos. 


- Hum, vamos ver aqui. - Momo revistara alguns papeis à procura da agenda de funcionários daquela semana. - Achei! Então, meu querido amigo fodido, hoje, amanhã e quarta, você vai precisar abastecer quatro mercados com refrigerantes, água e cerveja. Na quinta e sexta, reabastecer as maquinas de bebidas das ruas Chitanda e Akemiri. No total, tem 18 maquinas nessas duas ruas. - Ela dera uma pausa para olhar outra folha. - Sábado você vai precisar abastecer a boate Paradise e domingo.... - Outra pausa, agora para olhar mais atentamente o documento em suas mãos. - Uh, domingo você vai precisar fazer uma entrega das grandes pra uma festa das grandes. Pelo visto, é uma festa de universidade, ou seja, bebida pra caralho. 


- Nem fodendo que eu vou ter que fazer abastecimento de festa de universidade. Você lembra da merda do sufoco que eu passei da última vez com aquele cara bêbado que achou que eu tava dando em cima da namorada dele, né? - Dizia ele com uma careta dolorosa. 


- Então, prezado funcionário, depois eu peço para o Denki te passar os endereços e horários. Tenha um péssimo dia de trabalho e vá para a casa do caralho. Amo você. - Dizia ela, falsamente, ignorando a reclamação do amigo. 


- Vai se foder, Yaoyorozu. 


 E assim, ele deixou a sala de sua não tão querida supervisora e começou mais uma semana de trabalho. 


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ***


- Vamos Kiri, por favor!! - Pedia Mina ao amigo, com uma expressão manhosa. 


- Mina, amor da minha vida, eu já disse que não. Domingo eu tenho muitas coisas pra fazer, vou ficar ocupado o dia inteiro. - Kirishima dissera, frisando a palavra. 


- Ah, é? Tipo o que? 


- Tipo colocar meus animes em dia enquanto retoco a raiz do cabelo e como brigadeiro. - Dissera ele, simplista. 


- Eijiro, você parece um velho. Vamos, por favor. Os seus animes você pode ver outro dia e, com o seu cabelo, eu posso ajudar a pintar, é só você ir lá em casa que eu pinto pra você. Então, por favor, vamos nessa festa, sim? - Ashido implorava ao ruivo. 


 O que acontece, é que no final da semana, mais especificamente, domingo, uma amiga de Mina daria uma festa das grandes, onde a de cabelos rosas havia sido convidada. A garota estava doida para ir, porém não queria ir sozinha, já que sempre exagerava na álcool em festas assim. Então, prontamente, lembrou de Kirishima, que era uma pessoa em quem confiava e que não ia a uma festa desde o início da faculdade, devido à falta de tempo, então Mina pensou que aquela seria uma ótima oportunidade para fazer o amigo se divertir e tirar toda a tensão que estava em si. 


 Kirishima, porém, estava relutante em aceitar a proposta da amiga, já que o mesmo não gostava muito de festas e preferia ficar em casa assistindo animes, como o bom otaku que era. Contudo, lhe preocupava que a amiga fosse em uma festa sozinha, já que a mesma não sabia a hora de parar de beber. 


- Por que você não chama a Tsuyu? - Sugeriu ele. 


- Já chamei, e ela disse que não poderia ir porque a Ochako vai pegar folga, então as duas vão aproveitar na casa de praia dela. - Refutou a sugestão enquanto fazia um pequeno bico com os lábios. 


- Deku? - Tentou novamente. 


- Vai fazer ligação com o Shoto o dia inteiro. 


- Iida? - Sugeriu uma última vez. 


- Vai em um encontro com a garota que conheceu pelo Tinder. - Disse ela com tom amuado. 


 "Parece que eu vou ter que ir mesmo, afinal." - Pensava enquanto um inaudível suspiro saía de seus lábios. 


- Ok, eu vou. - Dissera Eijiro, derrotado. 


- AH, MUITO OBRIGADO, KIRI, VOCÊ É A MELHOR PESSOA DO MUNDO - Dizia ela, empolgada, enquanto se jogava em cima do outro para lhe dar um abraço. - DEPOIS EU TE PASSO O HORÁRIO POR MENSAGEM, OK? 


- Ashido dizia, berrando, enquanto saía em disparada pelos corredores da universidade


ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ***


 Kirishima, naquele dia, chegara em casa exausto. O estudante de psicologia apenas tomou um banho, tomou uma grande xícara de café - ou tonel, como Mina diria - e se jogou na cama. 


 Enquanto deitado e estando, de algum jeito, meio acordado, meio inconsciente, ele fizera uma lista de coisas que precisaria fazer naquela semana. No topo da lista estava: comprar uma roupa decente para a festa. Em segundo lugar, fazer o trabalho que Rafael havia passado. E em terceiro e último lugar, porém não menos importante: esquecer o maldito loiro do ponto de ônibus. 


 Com o pensamento de que aquela seria uma semana cheia, Eijiro pegou no sono. 




Notas Finais


oioi, tudo bem com vocês?? espero que sim aaa

então, cá estou eu de volta com mais uma fanfic de bnha irra

bem, essa é a história mais longa e demorada que eu ja escrevi até agora, no total, deram mais de 10k de palavras (inclusive tive que dividir ela em duas partes por causa disso) e demorou quatro meses pra eu finalizar ela e ainda falta o extra que eu planejo publicar ksksksksk

enfim, espero que tenham gostado. críticas construtivas e comentários são sempre bem vindos. caso alguem queira acompanhar meus futuros trabalhos, bater um papo ou algo do tipo, meu twittter eh o @/soursuke.

obrigado por lerem 💕


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