1. Spirit Fanfics >
  2. Príncipes de papel >
  3. O último príncipe de papel

História Príncipes de papel - Capítulo 25


Escrita por:


Notas do Autor


Finalmente, aaaaa!

Boa leitura!

Capítulo 25 - O último príncipe de papel


Fanfic / Fanfiction Príncipes de papel - Capítulo 25 - O último príncipe de papel

Era sexta-feira. Eu acordei com o despertador, como todos os outros dias. Levantei da cama e fui tomar um banho bem quente, já que estávamos em pleno inverno de Nova York. Estava nevando lá fora, e o aquecedor do meu apartamento nunca passava dos 20ºC. Uma verdadeira geleira para alguém que veio do Arizona. 

Coloquei meu uniforme de sempre: camisa social branca, gravata, calça social, terno preto. Peguei as chaves do carro e saí do apartamento, descendo os três lances de escada até chegar na portaria e sair pela rua. Fui até a esquina, onde ficava minha cafeteria favorita do Brooklyn. Assim que entrei no estabelecimento, a atendente atrás do balcão já acenou animada. 

— Oi, Sasuke. Bom dia. — ela terminou de preparar o expresso para o cara na dianteira da enorme fila e pegou meu café preto no copo fechado. — Aqui está. 

Agradeci com um aceno de cabeça, como fazia todo dia, ignorando os olhares confusos do pessoal na fila. Voltei de volta para perto do meu prédio, onde meu carro estava estacionado. Entrei nele, manobrei para sair e fui dirigindo pelas ruas em direção a Manhattan. Obviamente, não demorou muito para que eu fosse pego no trânsito da cidade. Fiquei sentado no carro tomando meu café e mexendo no celular enquanto esperava por quase quarenta minutos no engarrafamento da cidade grande. 

#

— Excelentíssimo júri. — o advogado estava terminando seu discurso de convencimento. — Meu cliente é uma pessoa impulsiva que não sabe lidar com provocações e rejeições. É um ser humano como qualquer outro, que possui defeitos e falhas, e agora está sofrendo com as consequências delas. Peço, por favor, que não o condenem por isso. 

Arregalei os olhos, assustado. Até parei de digitar e levantei a cabeça para olhar na direção dele, sem acreditar que o advogado realmente tinha mandado essa para defender os cinco estupros cometidos pelo cliente dele. 

Olhei na direção de Suigetsu, sentado entre os advogados da promotoria. Ele estava de olhos arregalados, porém respirou fundo para se recompor e ajeitou os papéis à sua frente, se segurando para não sorrir, já que sabia que o caso agora era todo seu. 

Juugo, sentado na posição de juiz, estava se segurando para não expressar nada, porém como o conheço há quatro anos, sei que estava se segurando para não surtar lá de cima. 

O advogado de defesa retornou para se sentar ao lado de seu cliente e Juugo ainda ficou uns segundos petrificado antes de voltar a si. 

— Quinze minutos para uma decisão do júri. — foi tudo que ele disse antes de bater o martelo e engolir duramente. 

Suigetsu estava com um sorrisinho vitorioso já, se segurando junto com os outros da promotoria para não começar a comemorar antes da decisão final. 

Obviamente — e felizmente também — o cara foi condenado por unanimidade do júri. 

— Puta que me pariu, nunca lidei com uma palhaçada dessas antes. — Juugo xingava horrores enquanto ele, Suigetsu e eu saímos para nosso horário de almoço. — O cara defende cinco estupros dizendo que o cliente dele não sabe lidar com rejeição? Ele tem três anos por acaso? 

— Você viu a cara das mulheres do júri? — Suigetsu perguntou rindo. — Elas estavam fuzilando ele com os olhos. 

— Se eu pudesse, teria jogado o martelo na cabeça dele ali mesmo. — Juugo continuava exasperado. — Que filho da puta. Deve ser assediador também, não é possível. 

Aposto que comprou o diploma. — comentei irritado também. — O cara me vem com uma dessa num tribunal federal que fica no meio de Nova York? 

— Ele é filhinho de papai. — Juugo respondeu enquanto sentávamos na mesa do restaurante italiano que mais gostávamos e ficava ali mesmo, na rua do tribunal. — O pai dele é um advogado renomado também. Dizem que pagou para ser aceito na Columbia. 

Tá explicado. — resmunguei enquanto nós três tirávamos o paletó para colocar nas costas da cadeira e a garçonete já vinha sorridente nos atender. 

— Cada coisa, meu. — Suigetsu falou com aquele sotaque de sempre, que denunciava que ele veio do Texas. — Nunca pensei que fosse lidar com idiotas, mesmo sendo da promotoria de uma cidade como essa. 

Nós fizemos o pedido e ainda ficamos em silêncio por um minuto antes de Suigetsu mudar de assunto. 

— Ainda vamos no cinema hoje? — ele me perguntou. 

Acho que sim. 

— Marceline e Princesa Jujuba não confirmaram ainda? — ele ficou surpreso. 

Quem? — indaguei confuso. 

— Karin e Sakura, cara. — ele riu. — Caramba, você não assiste TV mesmo. 

Ah, não sei. Sakura não me mandou nenhuma mensagem ainda. Então acho que tá de pé. — dei de ombros. 

— Vocês formam casais bem peculiares de ver. — Juugo comentou divertido. — Sempre estão engravatados desse jeito quando encontram com as duas. 

— Não tenho culpa se gosto de mulheres estilosas e chamativas. — Suigetsu retrucou.

Era verdade. Sempre que íamos sair com Sakura e Karin depois do trabalho, estávamos usando os ternos chiques do trabalho, assim como elas, que usavam suas roupas chamativas de professoras. Karin sempre usando aquelas roupas pretas esquisitas e Sakura as roupas coloridas. 

Já faz quatro anos que estou em Nova York, o mesmo tempo que Suigetsu, já que ele prestou o concurso para a vaga única da promotoria. Já faz três anos que ele namora Karin, que conheceu graças a mim e Sakura. 

Nós quatro costumamos sair bastante juntos depois do trabalho, mas às vezes é meio estranho porque fico me sentindo como se estivesse segurando vela, e sei que Sakura também se sente assim às vezes. 

É estranho estar no cinema e o casal sentado ao lado começar a se beijar. Ela sempre olha pra minha cara meio sem graça e tenta se concentrar totalmente no filme. 

Geralmente, logo depois da sessão, nós saímos do cinema e alguém sempre para Sakura para perguntar se ela é a namorada do jogador famoso Rock Lee, já que ela sempre aparece nos stories dele, e boa parte da mídia especula que eles sejam um casal não assumido. Dá pra ver que ela se diverte com a curiosidade das pessoas. É quase uma subcelebridade, afinal, as pessoas sempre a param para pedir foto também. 

Não a vejo pessoalmente desde a semana passada, apenas nos falamos por mensagens. Por isso marcamos de ir ao cinema hoje com Karin e Suigetsu. 

Nós voltamos ao tribunal logo depois de almoçar para passar a tarde ocupados. 

— Aqui as próximas audiências para você registrar. — passei na administração com Kabuto para pegar as fichas das audiências da tarde. 

Certo. — agradeci olhando os horários e as salas que ocorreriam. 

Me dirigi para a primeira sala levando o macbook de registro, me sentando na mesa ao lado do juiz, sempre à direita. Boa parte do júri daquela audiência já tinha chegado e estavam se sentando em seus lugares. Os dois promotores também não demoraram muito a chegar. 

Suspirei dando uma última olhada no celular antes de deixá-lo no silencioso e colocá-lo no bolso. 

Nenhuma mensagem de Sakura. 

#

Quando saímos do trabalho, Karin estava nos esperando lá na frente, usando suas roupas punk de sempre. Estava sozinha. 

— Sakura passou mal, meninos. — ela disse já olhando pra mim.

O que ela teve? 

— A cólica de sempre. — respondeu suspirando. — Foi no hospital tomar umas injeções agora. Acabou de mandar mensagem dizendo que está indo pra casa. — ela ergueu o celular para que eu visse. 

— Ela passou o dia mal e foi trabalhar assim mesmo? — Suigetsu indagou surpreso. 

— Claro. Daqui duas semanas os alunos vão ter a semana de férias de fim de ano. — Karin respondeu ajeitando o cachecol em seu pescoço já que estava nevando minimamente naquele momento e estávamos parados na calçada. — Não podemos atrasar nenhuma aula nessa época. 

Acho que eu vou vê-la. — respondi aos dois. 

— Claro que vai. — Karin debochou. — Sinceramente… por que não se assumem logo? 

Se dependesse só de mim, isso já tinha acontecido há muito tempo. 

Me despedi deles e peguei o carro, indo até o Chelsea, o bairro onde Sakura morava. Parei num restaurante coreano para pedir comida para viagem e depois fui numa lojinha de conveniência para comprar chocolate para ela, já que sorvete não era uma boa pedida no meio de dezembro. 

Estacionei o carro na frente do prédio dela e entrei. O porteiro já me conhecia e sorriu em cumprimento, já que não podia fazer mais nada para se comunicar comigo por não entender a língua de sinais. Fui até o elevador e subi até o quinto andar, onde ficava o apartamento de Sakura. Bati na porta algumas vezes, sem saber se ela já estava dormindo ou não. 

Demorou dois minutos para chegar até a porta. Estava com uma toalha na cabeça, com seu pijama de bolinhas e as pantufas de coelho nos pés.

— Karin me denunciou, né? — ela perguntou e confirmei com a cabeça, fazendo-a revirar os olhos. — Tá, entra. 

Você já comeu? — perguntei enquanto ia deixar a comida coreana em cima da mesa. — Eu trouxe seu prato favorito. 

— Obrigada. — ela sorriu com dificuldade, e percebi que ainda devia estar sentindo dor. 

Foi pegar pratos para comermos antes de fazer um sinal para que eu sentasse também. 

O apartamento todo dela era em estilo minimalista e em tons pastéis. Eu adorava a parede que ela tinha na sala, onde colava as fotos de sua polaroid e fazia um mural muito interessante de ver. Boa parte das fotos contava com minha presença ou de Lee, além dos outros amigos dela e sua mãe. 

Antes de se sentar, ela tirou a toalha molhada da cabeça e arregalei os olhos ao ver seu cabelo inteiro pintado de azul. 

O que aconteceu? — perguntei alarmado, já pensando que ela tinha tido algum acidente com a tintura. 

— Prometi aos meus alunos que se todos eles tivessem nota maior que nove nas provas, eu ficaria com o cabelo azul até as férias de fim de ano. — ela explicou rindo enquanto se sentava. 

Certo. — assenti mais relaxado, porém sem parar de olhar para os fios despenteados e molhados. 

— Pode dizer que está estranho, Sasuke. Eu sei disso. — ela comentou enquanto abria a embalagem da comida coreana. 

Ok, tá estranho. — concordei, divertindo-a mais ainda. 

Nós comemos sem muita conversa na maior parte do tempo. Sakura comia meio curvada, talvez por conta da cólica ainda. 

Você tinha dores assim antes de Nova York? — perguntei curioso. 

— Não. É por causa do frio. — ela explicou. — Fico mais sensível à dor. 

Entendi. 

— Que filme você pretendia me levar para ver hoje? 

Sei lá. — dei de ombros. — Só queria sair já que estamos há uma semana sem nos ver. Nem sei o que está em cartaz na realidade. 

— Podemos ver um filme qualquer aqui. — ela sugeriu apontando sua televisão na sala. Concordei com a cabeça. 

Falei que lavaria a louça e ela concordou, permanecendo sentada à mesa enquanto eu lavava os pratos. 

— Fechei o negócio com aquela casa no SoHo. — ela comentou empolgada. 

Coloquei os pratos na escorredeira. 

Sério? — perguntei animado antes de pegar um pano de prato para enxugar as mãos. — Você já avisou sua mãe sobre isso?

— Não. Quero falar quando for visitá-la no Natal. — ela respondeu sorridente. — Já vai ser o presente. 

Que bom, Sakura. Estou muito feliz. — eu devia estar tão empolgado quanto ela com a notícia. 

Desde que chegou aqui, Sakura estabeleceu um objetivo para si mesma: comprar uma casa para a mãe na cidade, onde ela poderia passar sua aposentadoria. Só que um imóvel por aqui não é lá muito barato de conseguir. Ela passou os últimos cinco anos economizando ao máximo seu salário para conseguir isso, juntando com o resto do dinheiro deixado pelo pai. 

Ela se aposenta no ano que vem, né? — perguntei para ter certeza. 

— É. — ela confirmou animada. — Ainda bem que consegui há tempo. 

Eu gostaria de poder fazer isso pelos meus pais, só que provavelmente vai demorar um pouco mais de tempo que Sakura, já que ela recebe três vezes mais que eu, porém, trabalha muito mais também. 

Fazia poucos meses que ela tinha terminado sua pós-graduação, financiada pela Avenue, na universidade de Columbia. Além disso, já tinha se tornado fluente em francês e italiano também nos últimos cinco anos. 

A maior dificuldade que tínhamos para nos ver ocorria porque geralmente ela não tinha tempo para sair. 

Nós nos sentamos no sofá e Sakura começou a procurar por algum filme interessante que nenhum dos dois tivesse visto. Peguei o saco com chocolates e ela me disse para pegar um vinho no armário. Coloquei as coisas na mesinha de centro em frente ao sofá enquanto ela colocava um filme de drama para assistirmos. 

Enquanto começava, coloquei vinho em duas taças e ela olhou os chocolates no saco, ficando sorridente ao ver que eu pegara seus doces favoritos, que ela só comia em dias especiais como aquele. Açúcar não era mais uma coisa frequente da sua dieta há muito tempo. 

O aquecedor do apartamento dela era bem melhor que o meu, por isso ficamos bem à vontade sem precisar nos cobrir, os dois sentados um de cada lado do sofá como antigamente, tomando vinho e comendo chocolate. 

Era um daqueles filmes de drama onde alguém morreu e o protagonista está remoendo sua perda ainda. Sakura prestava bastante atenção, como sempre fazia, concentrada em analisar o enredo e desvendar os personagens. 

Eu não conseguia olhar pra ela sem sentir vontade de rir do cabelo azul, por isso, prestei completa atenção no filme. 

Momentos como aquele me faziam lembrar de antes, de como costumávamos ser. 

Cinco anos antes, fazíamos a mesma coisa no Arizona. Assistíamos filmes juntos no sofá da casa dela, numa tentativa de esquecer nossas vidas por aquele curto período de apenas duas horas. 

Mas hoje, nós assistimos apenas pela diversão. Nossas vidas não precisam mais ser esquecidas, porque elas são exatamente aquilo que queríamos. 

Eu trabalho no tribunal que sempre sonhei. Não exatamente no cargo que gostaria de verdade, devido às minhas limitações, porém é na área que sempre sonhei. Tenho um apartamento bom, num bom bairro do Brooklyn. Tenho amigos que conseguem se comunicar comigo e me tratam de igual para igual, além de também ser respeitado no próprio ambiente de trabalho, já que a maioria dos meus colegas também fala língua dos sinais. Vivo numa cidade grande, que apesar de seus defeitos — tipo o frio dos infernos, o engarrafamento rotineiro e o cheiro de cidade poluída — é um lugar livre onde não me sinto constantemente oprimido como antigamente. Visito meus pais algumas vezes por ano, mais pela minha mãe que pelo meu pai. Voltei a falar com meu irmão, que também aprendeu a língua de sinais e ainda tenta ensinar minha mãe com algumas dificuldades. 

E Sakura também está na vida que sempre quis. Trabalha em cidade grande, na área com que se identifica, numa escola fantástica onde ela não se sente presa a nenhum estereótipo ou código de conduta, e ainda recebe muito por isso, além de ter os próprios estudos pagos pela instituição. Além disso, a terapia a ajudou muito com seus traumas do passado, como os do bullying e os causados por Sasori. Claro, às vezes ela tem umas recaídas, como qualquer ser humano normal, mas já está bem melhor hoje em dia. 

Não há mais aquele escudo invisível ao seu redor. Hoje é uma pessoa mais leve, mais tranquila, que não se deixar ser dominada pela ansiedade e não tem mais medo de ser um destaque na multidão, coisa que ela sempre foi mas evitava admitir pelo medo de julgamento. Não se importa se as pessoas a encaram quando sai com suas roupas meio infantis. 

Hoje, ela já é dona da própria vida. 

É bom saber que nós conseguimos encontrar nossos lugares no mundo. E isso enquanto ainda somos jovens, antes dos trinta anos. 

Talvez daqui uns anos isso mude, e um de nós decida mudar drasticamente de carreira e mudar completamente o estilo de vida. E acho que vai estar tudo bem, já que agora estamos no controle. 

Entretanto, ainda estou sentado na areia. 

Ainda espero por ela na praia. 

Quando o filme acaba, ela suspira, reprimindo a emoção do final dramático. 

— Eu nem sei porque coloquei isso sabendo da sensibilidade que estou. — ela comenta rindo enquanto termina sua última taça de vinho. 

Teimosia pura. — resmungo terminando minha taça também. 

Nós as colocamos na mesinha de centro e olho pela janela dela. A neve estava caindo mais forte do lado de fora. 

Acho que é melhor eu ir. — falo olhando o relógio no pulso. 

— Por quê? — ela olha na direção da janela também. — Tem certeza de que é bom sair agora?

Preciso ir antes que piore. — respondo me levantando do sofá e indo pegar meu paletó na cozinha. 

Ela pega as taças e leva para colocar na pia, junto com a garrafa de vinho vazia. Se encosta contra o balcão e fica me observando, parecendo pensativa. 

Você já está melhor? — pergunto jogando o paletó por cima do ombro.

Ela confirma minimamente com a cabeça e me encara. 

O que foi?

Não responde. Só fica me olhando, perdida nos próprios pensamentos. Está bem séria. Incerta. 

Eu sei exatamente o que ela quer dizer. 

Eu quero muito que diga. 

Estou esperando por essas palavras há anos. Mas ela ainda precisava de tempo para se reconstruir. Ainda não estava pronta. 

Agora eu quero que esteja. 

Ela parece estar. 

Mas assim como eu, também está com medo.

Pego as embalagens vazias do restaurante coreano e as jogo em seu lixo na cozinha. 

Mando mensagem quando chegar em casa, pra saber que estou bem. — falei sorrindo e já fui me virando. — Até, Sakura. 

Ela continua na cozinha enquanto saio e ando por seu hall até a porta, destrancando-a. Giro a maçaneta. 

E quando abri a porta apenas alguns centímetros, ela sai da cozinha. 

— Talvez seja melhor você ficar aqui hoje à noite. — diz. 

Fico parado, ainda de costas, sem saber o que fazer. A mão ainda segurando a maçaneta, com a porta aberta. 

Meu coração começa a acelerar enquanto engulo em seco. 

Viro a cabeça em sua direção, vendo-a parada ali no corredor de entrada, me encarando nervosamente, as mãos tremendo levemente, de maneira inquieta. 

Faz anos que estou esperando, mas ainda é meio difícil de acreditar que realmente esteja acontecendo. 

Ela cruza os braços sobre o peito. 

— É melhor você ficar porque… não quero que aconteça um acidente… com toda essa neve. — fala pausadamente, tentando colocar firmeza nas próprias palavras, que nem mesmo ela acredita que isso vá acontecer, afinal, as ruas de uma cidade como essa não podem deixar neve ser acumulada justamente para evitar mais congestionamentos, então há caminhões limpando regularmente o asfalto durante essa época. 

Pisco várias vezes, ainda segurando a maçaneta, sem me mover enquanto encaro aqueles olhos verdes brilhantes. 

Tem certeza? — pergunto. 

Ela descruza os braços e seu rosto suaviza enquanto se torna mais determinada e perde o medo. 

Seus pés cobertos pelas pantufas de coelho vêm na minha direção devagar. Ela se escora na parede à minha frente e sua mão fica por cima da minha, que ainda está sob a maçaneta. Lentamente e sem desviar o olhar do meu, ela fecha a porta e gira a chave para trancá-la. 

— Absoluta. — fala baixinho, porém com um tom de voz bem decidido. Seu rosto está a centímetros do meu devido ao pequeno espaço do hall de entrada. 

Consigo sorrir de canto, apesar de estar pulando e comemorando por dentro. 

Tiro minha mão da maçaneta e levo ao seu cabelo despenteado e azul, segurando uma mecha e alisando-a com o polegar e indicador. 

Sakura também sorri minimamente, respirando fundo antes de sua mão encontrar a minha. 

Ela entrelaça seus dedos nos meus, segurando firme. 

E me puxa de volta para dentro de seu apartamento. 

No percurso de volta, enquanto vai levando devagar, ela apaga as luzes do hall, da cozinha e da sala. 

Mesmo na completa escuridão, tenho certeza de que ela sabe que estou sorrindo. 

A neve continua caindo lá fora a noite inteira. 

E na manhã seguinte, continuava caindo.


Notas Finais


Vamos lá para minhas considerações finais.

Primeiro de tudo, eu mudei o final dessa fic faz apenas dois dias. Desde quando me surgiu o plot no ano passado, eu sabia que eles não ficariam juntos no final, porém isso foi mudando conforme as atualizações vinham e chegavam novos comentários falando sobre essa relação dos dois. Apenas cinco pessoas sabiam que eles não terminariam juntos, e quatro delas ficaram me enchendo o saco todo santo dia para que deixasse eles terminando juntos. Graças a esses quatro consagrados, vocês conseguiram me arrancar um final feliz, já que eles sabem argumentar muito bem, principalmente com argumentos sobre perdão e superação, então, sejam gratos a eles, kkk.

Bom, esse enredo me surgiu no começo do ano passado, quando me matriculei na aula de libras na faculdade, e meu professor da matéria era surdo. Quando um idiota da turma foi fazer uma pergunta pra ele, o chamou de "surdo-mudo", e aí ele berrou na nossa cara "NÃO SOU MUDO NÃO, SOU SÓ SURDO MESMO". Ele foi um dos professores mais incríveis que já tive, além de me ensinar libras, também me desconstruiu muito em relação a esses achismos que a gente geralmente tem em relação à comunidade deficiente. Só agradecimentos àquele homem incrível <3

E acho ainda mais válido dedicar essa estória a todos aqueles que já tiveram seus corações partidos e acharam que nunca mais seriam amados. Levantar da cama nunca é fácil, mas é possível. Nada dói pra sempre. A jornada sempre continua, então sempre curtam a caminhada.

Eu espero muito muito muito que tenham gostado da estória, e quero agradecer por todos os comentários e mensagens maravilhosas que recebi nas últimas semanas. Vocês me motivaram a terminá-la o mais rápido possível, e agora é toda de vocês.

Muito obrigada a quem chegou até aqui, e vejo vocês por aí em outras fics.

<3

Insta: https://www.instagram.com/writer.plutoniana/

Playlist da fic: https://open.spotify.com/playlist/54itRGR1o2byuEjYxTLeoA


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...