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História Prisioneiro do Rei - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite, armys de plantão.
Eu sempre quis fazer uma Fanfic ABO de BTS, mas não uma que só contasse o romance que esse tipo de relação traz, e sim todo o contexto de pq exatamente ela existe. Essa é uma Fanfic com foco em jikook (sendo o Jimin o personagem principal e narrador da maior parte da história), porém contém alguns outros couples secundários.
O primeiro capítulo é bemmm grande e eu gosto de escrever com uma quantidade elevada de palavras na maior parte dos capítulos.
Obs: não sou MT acostumada a mpreg, sinceramente. Entao não vou garantir filhotinhos de jikook. Sorry.
Gostaria de frisar o fato de que não é recomendada para pessoas deveras sensíveis, podendo possuir cenas potencialmente perturbadoras e violentas.
Caso se arrisquem...

SEJAM BEM-VINDOS AO REINO NUGDAE

Capítulo 1 - Permuta


Fanfic / Fanfiction Prisioneiro do Rei - Capítulo 1 - Permuta

Permuta. 

Trata-se da troca recíproca entre seus respectivos donos; acordo em virtude do qual os contratantes trocam entre si sua propriedade.


👑👑👑


— Como você pôde fazer isso? — Ouço os gritos indignados da minha mãe e corro até o local de onde eles ressoam. 

A casa simples de madeira é pequena o suficiente para que eu não demore nem um minuto até chegar ao quarto dos meus pais. 

— Não tínhamos outra opção. Era ele ou você, mulher — o homem moreno responde. 

— Preferia que tivesse me vendido do que feito isso com meu filho. Com o nosso filho, Park. 

A minha progenitora põe-se a chorar enquanto espalma o tórax à sua frente. A reação dele é rápida ao empurrá-la até que seu corpo colida com o chão, produzindo o som alto do baque. Só então movo-me, correndo até ela. 

— Quem você pensa que é para machucar a minha mãe assim? — grito, colocando meu corpo à frente dela. 

— Quanta coragem para um ômega — ele diz com escárnio enquanto levanta uma mão para bater em meu rosto, e eu prontamente a seguro. — Você vai precisar dessa coragem toda para lidar com o Lúpus daqui para frente. 

Ele espuma de raiva e sai do quarto, me deixando sozinho com a mulher que me deu a vida. 

Lúpus. Alfa lúpus. Até pouco tempo, não se sabia da existência dessa espécie há muito extinta até que o príncipe herdeiro do trono Jeon Jungkook recebeu o detalhado resultado da sua bateria de exames ao completar 18 anos — um ano atrás. 

— M-mãe, o que está acontecendo? — pergunto com a voz embargada e as mãos tremendo. 

Não pode ser o que eu estou pensando. 

Desculpa. Desculpa. Desculpa. — Ela chora em meu ombro. Não consigo me mover. — Você sabe que, com a guerra entre as Dinastias Jeon e Min, o reino está em crise. Ou melhor, a Coroa continua gastando o mesmo de sempre com futilidades enquanto os cidadãos não têm mais dinheiro para pagar suas propriedades e moradias. 

Engulo em seco e a afasto minimamente para enxergar seus olhos. 

É exatamente o que eu estava pensando.

— Mãe... Conte-me o que está acontecendo, eu estou urgindo para que acabe de vez com esse sofrimento. 

— Seu pai não tem mais dinheiro, filho. 

— Ele não é meu pai — rosno, mostrando os caninos. 

Muitos séculos atrás, os humanos quase extinguiram todos os seres vivos habitantes da terra, incluindo eles próprios. A devastação da natureza era absurdamente elevada: queimadas, desmatamento, comércio de animais raros, poluição, excesso de lixo jogado nos oceanos e esgotamento dos combustíveis fósseis. 

A humanidade — e o Planeta Terra — estava se destruindo em velocidade irreparável. No entanto, um conjunto de cientistas observou que havia um animal em específico que fora bem-sucedido em se habituar a todas as mudanças severas ocorrendo naquele momento: o lobo. 

Seja no frio ou no calor, na floresta ou no gelo, os lobos possuíam a capacidade de manter sua sociedade dividida em alfas, betas e ômegas favorecendo a sobrevivência e perpetuação da espécie. 

Logo, os experimentos médicos tiveram seu início e o material genético dos seres humanos passou a ser misturado ao dos lobos na tentativa de adquirimos suas habilidades e resistência enquanto as mudanças climáticas permanecessem severas demais. 

Muitas cobaias morreram no processo, não que eles se importassem, é claro. E alguns efeitos colaterais foram desenvolvidos na nova espécie surgida: os híbridos. 

Um deles é a própria subdivisão e suas respectivas características: alfas, líderes dominantes; ômegas, obedientes e submissos. Beta foi a forma como chamaram os experimentos que não conseguiram ter a mistura do material genético adequadamente. Assim sendo, eles são o mais próximo que resta da antiga humanidade. 

Um dos efeitos colaterais de nascer alfa ou ômega é que se tem atração ao polo oposto, com a necessidade de o possuir durante o cio, o qual costuma ocorrer a cada semestre. 

Como se essa depravação programada não bastasse, ainda havia como piorar. A existência do que foi chamado de fated mates — os casais que são geneticamente pré-destinados a permanecerem juntos — dificulta todo o processo. 

Por quê? Deveria ser algo romântico, certo? Mas, na prática, não o é. Uma vez que se encontra seu fated mate, o instinto do lobo dentro de você os faz pertencerem um ao outro ao estabelecer a marca — mordida do alfa no ômega durante o cio de um dos dois ou dos dois ao mesmo tempo. Esse laço é inquebrável e fará com que suas emoções sejam sentidas pelos dois, além de garantir a influência de um sobre o outro.

Mas essa não é a parte absurda de toda essa história. Uma vez que você é marcado pelo seu alfa, vocês estão eternamente ligados e não podem em hipótese alguma se separar e caso o façam, comprometerá a saúde de ambos, podendo levar até à morte. 

Tanto homens quanto mulheres podem nascer em qualquer uma das classificações e, ao contrário da maneira de reprodução da humanidade antiga, o que faz alguém engravidar não é o esperma do homem e sim o esperma do alfa, independente de seu sexo. E o feto nascerá a partir de uma cirurgia já que o parto normal tornou-se preocupantemente perigoso para os híbridos. 

Minha mãe tinha como fated mate a sua melhor amiga do Ensino Médio. Assim que completaram 18 anos, minha mãe se entregou a ela no cio e foi marcada. Elas se amavam, isso é tudo que eu sei sobre a alfa. Sequer sei seu nome ou sua aparência, pois essa é uma memória dolorosa para minha mãe. 

A mulher que está agora me abraçando foi punida quando contou aos pais que estava grávida de uma mulher. Ainda havia — há — muito preconceito na nossa sociedade. Ela foi forçada a deixar sua amada e se casar com um homem asqueroso ao qual eu deveria chamar de pai. 

Como consequência, a doce alfa acabou morrendo alguns anos depois e minha mãe adoeceu mentalmente — tudo por ter negado sua marca e abandonado seu laço do destino. 

— Eu sei que não gosta dele, mas ele te criou. — Sou tirado dos meus devaneios históricos com a voz vacilante da Sra. Park. 

— Não ouse defendê-lo. Isso é tudo sua culpa. Se você não tivesse abandonado a pessoa cujo material genético realmente rola em minhas veias, ela não teria morrido e você não teria adoecido a ponto de não poder mais abandonar esse casamento ao atingir a maturidade — falo, seco, mesmo sabendo que estou sendo um babaca. 

Levanto-me e ando irritado até a porta, olhando para sua figura pequena e indefesa mais uma vez — uma última vez. 

Filho? 

Espero que o Príncipe cuide melhor da nova propriedade dele do que o homem que você insiste que eu deveria chamar de pai. 

Bato a porta com força e corro até meu quarto, contendo as lágrimas que ameaçam escorrer. 

Assim que adentro o quarto, vejo algumas malas abertas e roupas espalhadas. Respiro fundo e começo a arrumá-las. 

Então é isso: fui vendido para o príncipe herdeiro — como seu escravo — em troca de quitarem suas dívidas e permanecerem vivendo nesse casebre. 

Em que mundo um filho é menos importante que uma moradia? Em que mundo uma vida possui valor de compra? Em que mundo um ser humano vale menos que bens materiais? Em que mundo? 

Eu fui permutado. Se estivéssemos no Brasil colonial, eu seria o ouro entregue pelos índios aos portugueses em troca de espelhos. 

Termino de colocar as roupas na mala e pego uma foto minha com a minha mãe na mesinha de cabeceira. Aperto contra o peito e guardo na mala em seguida.


👑👑👑


— Desça da carruagem, maldito ômega imundo. 

— Farei qualquer coisa para me manter longe de você com todo o prazer, papai — digo, entredentes. 

Havia sido uma viagem longa de mais de um dia e eu estava exausto física e mentalmente. Totalmente desgastado e desgostoso com a vida. A única certeza que eu tenho é que minha liberdade foi privada de mim e que agora sou propriedade do príncipe, quem em breve será coroado rei. 

Dois sentinelas buscam minha bagagem, enquanto outro mais forte segura meu braço, puxando-me para dentro das portas duplas do castelo do alto da montanha. 

Sequer olho para trás. Não há nada para mim lá. 

Observo ao redor com curiosidade, me sentindo pequeno perto da imensidão. Há ouro cercando até mesmo as cortinas do castelo e lustres de cristal encrustados com diamantes. 

Lembro-me das palavras de minha mãe acerca da Coroa ainda gastar muito dinheiro futilmente enquanto a população enfrenta uma crise econômica severa devido às divergências entre os Reinos Jeon e Min. Trinco os dentes com raiva. 

Não me atentando mais ao caminho percorrido dentro daquele enorme labirinto real, sou jogado no chão de uma sala, raspando os joelhos e vendo o sangue manchar o carpete cor de vinho quase de forma imperceptível pela semelhança das colorações. 

Você deve ser Park Jimin. 

Levanto-me lentamente e olho para frente. Há um trono de ferro aparentemente desconfortável acima de um pequeno pedestal rodeado por mais alguns tronos menores mais atrás. São para a Realeza, percebo. E esse homem sentado no grande trono central muito provavelmente é o rei. 

— Sim, Vossa Majestade. — Levanto-me, desastrado, e faço uma reverência de 90 graus. 

O rei Jeon sorri. Um sorriso perverso que poderia congelar a minha espinha se eu não estivesse com o sangue fervendo de raiva. 

— Sabe por que está aqui? — pergunta, apoiando o queixo na mão. 

— Sim, majestade. — Como eu poderia esquecer?

— Só sabe dizer isso? — Ele ri, entediado. — Agora já não tenho tanta certeza assim se você vai conseguir saciar meu filho. É o aniversário dele de maioridade amanhã e achei justo que ele tivesse um brinquedo maduro de presente.  

Controlo minha respiração para não mostrar o quanto suas palavras são desconcertantes e finco minhas unhas na palma das mãos. 

Papai! — A porta da sala do trono se abre estrondosamente, dando passagem para um menino de cabelos castanhos um pouco mais novo que eu. 

— Taehyung! Já disse para não me chamar assim e que você não deveria me incomodar com sua inutilidade — o rei grita com o menino, que se encolhe. 

Quem é ele? E por que está sendo tratado tão mal? Não fez nada de errado na minha opinião. 

— De qualquer forma, já que você está aqui, leve o escravo do seu irmão para conhecer o castelo. Vão e se explodam de uma vez. — Espanta-nos com a mão. 

O menino acastanhado — Taehyung — me encara com um semblante triste e anda, esperando que eu o siga. Logo, eu o faço. 

Assim que estamos fora daquele cômodo, não consigo segurar minha curiosidade. 

— Vo-você é filho dele? 

— Uhum — murmura, desanimado, sem olhar para mim. 

— Então, você também é um príncipe, certo? — Apesar de estar sendo praticamente ignorado, eu não consigo parar de investigá-lo. 

Não fazia ideia de que o supremo do nosso reino tinha mais de um filho. 

— Em tese, sim. — Ele para de andar e olha para mim. — Mais alguma pergunta? 

— Na verdade, sim. Ele sempre te trata assim? 

O menino mais alto que eu suspira e esfrega o espaço entre seus olhos com o indicador e o polegar. 

— Vejo que será difícil você se acostumar com a vida no castelo se continuar agindo dessa forma — ele diz, cansado. — Deixe-me dar um conselho a você: não faça muitas perguntas, não fale muito, não mostre seus sentimentos, principalmente os de fraqueza ou tristeza. Ou você será comido vivo aqui dentro. 

Engulo em seco, com as mãos tremendo. Ele segura meus dedos. 

— O que você— Tento perguntar, mas ele me interrompe, dando um selar na minha palma. 

— Talvez isso o acalme. Não deixe que ninguém veja que você está tremendo, pequeno. Os nobres são cruéis, principalmente os desse castelo. 

Eu achava que o rapaz era frio, mas vejo que possui em seus olhos muitos sentimentos e... Tristeza. Talvez até mesmo solidão. 

— Muito obrigado, alteza. — Sorrio, me sentindo agradecido por alguém parecer se importar minimamente com o meu bem-estar no que passaria a ser minha moradia daqui para frente. 

Talvez nem todos eles fossem tão ruins. 

— Isso que você está pensando, pare agora. — Solta as minhas mãos e volta a andar. 

— O quê? — indago, confuso, e me esforço para acompanhar seu passo. 

— Estou apenas deduzindo que você acabara de criar esperança na existência de pessoas gentis aqui. Não faça isso, pois não existem. 

— E quanto a você? 

Ele para mais uma vez e me empurra na parede, chegando muito próximo do meu rosto para me intimidar, falhando miseravelmente. Seu cheiro é adocicado demais. Ômega.

— Eu não sou melhor que nenhum deles. Mas, não pretendo fazer mal a alguém que ainda parece extremamente perdido. 

— Só de pensar isso, você já está sendo gentil. 

Ele bufa e me puxa para continuar caminhando. Eu sequer estava dando atenção ao caminho uma vez que a conversa era muito mais interessante. 

O restante do percurso, no entanto, é feito em total silêncio até pararmos num corredor, cujo fim é uma porta dupla branca com maçanetas de ouro maciço. 

— Boa sorte em conhecer meu irmão, seu novo... Dono. — Taehyung parece desconfortável ao pronunciar a palavra, fato que me faz sentir mais afeiçoado a ele. — E lembre-se do que eu disse: quanto menos você reagir, melhor será. Eu estarei aqui fora para te mostrar o castelo e te levar aos seus aposentos quando for liberado. 

Eu teria meu próprio quarto? Achei que iria dormir no calabouço ou algo assim. Já é bem melhor do que o que eu tinha em casa. 

Sempre fui tratado mal pelo marido da minha mãe por ser um homem ômega nascido de uma mulher que engravidou jovem de sua amiga da escola. Ser tratado mal não é nenhuma novidade. Eu estou preparado. 

Toco a maçaneta dourada e a abro, adentrando o quarto gigante sozinho. Prendo a respiração devido ao nervosismo. 

Não consigo enxergar muito bem. O quarto possui apenas a iluminação da lua. O príncipe está sentado na beirada da cama de casal King size. 

O som alto reverbera de caixas de som. Eu nunca havia visto algo assim na minha vida devido ao alto custo da tecnologia. 

You let me violate you, o príncipe cantarola, não parecendo perceber a minha presença. Começo a traduzir suas palavras. Por algum motivo desconhecido, apesar de eu nunca ter tido aulas de inglês, eu consigo entender com maestria a língua. Você me deixa te violar fora o primeiro verso.


You let me desacrate you ( Você me deixa te profanar).


Observei o príncipe distraído, focando os olhos na pouca luz. Ele possui cabelos pretos um tanto rebeldes como se estivesse se recusando a cortá-los e olhos negros profundos. Lascívia os descreve.


You let me penetrate you (Você me deixa te penetrar).


Ele finalmente olha para mim, me fazendo congelar no lugar e esconder as mãos trêmulas atrás das costas.


You let me complicate you (Você me deixa complicar você).


Para de cantar por alguns momentos e se levanta, caminhando até mim com passos arrastados. 

Aproxima-se o suficiente para sentir meu cheiro. 

— Qual o seu nome? — pergunta. 

— Jimin. Park Jimin. 

— Idade? 

— 21 anos. — Ele está me interrogando?

Estala a língua. 

— Você é mais velho que eu — conclui. — Interessante

Afasta-se e volta a cantarolar ao sentar novamente na cama. Jeon Jungkook é uma pessoa excêntrica e misteriosa. Não se passou um minuto que estou aqui e já sinto que quero sair correndo. 


I wanna feel you from the inside (Eu quero te sentir por dentro). I wanna fuck you like an animal (Eu quero te foder como um animal). 


Meus olhos arregalam e o calor percorre minhas bochechas. Ele sorri e aperta um botão que desliga a música. 

— Estou surpreso que esteja entendendo a letra — o moreno comenta, divertido. — Esse cover do Monarchy é minha versão favorita de Closer. Eu sequer sabia que você estaria aqui, então não tive a intenção de lhe fazer corar. 

Não sei o que significa cover, ou que música é essa. Na minha aldeia, o máximo que eu ouvia era o canto dos passarinhos e assobios do padeiro. 

Mas não posso deixar de perceber que o gosto musical do príncipe é um tanto quanto indecente até porque ele ainda não atingiu a maioridade. A memória de que o fará no dia seguinte me atinge de súbito. Que tipo de presente eu teria que lhe dar?

— Você não fala se eu não lhe perguntar diretamente? — indaga, impaciente. 

Não consigo responder. Ele se levanta mais uma vez e anda em minha direção. O garoto é hiperativo, percebo. 

Seu cheiro é confuso. É como as ondas do mar misturado com essência de baunilha. Não chega a ser extremamente doce como o de um ômega, mas tem um quê de doçura que eu não esperava em um alfa lúpus. 

Jungkook me rodeia, percorrendo meu corpo com os olhos. 

— Você é muito bonito, Jimin — diz, me surpreendendo ao cheirar minha nuca. 

Meu deus. Que nervoso. Ele não se importa em se aproximar tanto de um desconhecido assim? Se fosse um ômega, jamais se exporia tanto por alguém em quem não confia. 

— Obrigado. — É tudo que consigo dizer. 

Você também é bonito, eu não falaria algo assim. 

— Sabe, você é meu escravo agora.  

Finalmente chegamos ao ponto em que ele impõe seu poder sobre mim. E eu não posso fazer nada além de manear a cabeça positivamente e aceitar o destino que me foi dado. 

Ele busca uma peça de couro fina com pedrinhas encrustadas nas letras "JM - JK": Jimin - Jungkook. É uma coleira, percebo. 

Ótimo, agora sou um animal de estimação também. 

— Pelas regras do reino, todo escravo pessoal de um monarca deve ser identificado com a abreviação de seu nome e do nome a quem ele pertence — explica. — Até mesmo por questão de segurança. Ninguém fará nenhum mal a você porque você tem a minha identificação e ninguém é idiota o suficiente para me afrontar. Não precisa ficar com essa coleira no seu próprio quarto, mas toda vez que sair dele, você deverá usá-la, entendeu? 

— Sim, alteza. 

Após prendê-la em meu pescoço, volta a ir para o local onde descansa. 

— Muito bem. Conte-me um pouco sobre você. — Ele dá dois tapas em sua cama ao seu lado e eu respiro fundo e rumo até ele. 

— O que deseja saber? 

— Qual seu animal favorito? 

Sério? — Fico surpreso ao ver que tipo de coisas o príncipe tem interesse de saber, mas logo me recomponho e o respondo: — Eu gosto muito de gatos. 

— Sua personalidade me lembra gatos. 

— O que quer dizer? 

Eu já não estava mais conseguindo manter a formalidade e a regra de não falar mais que o necessário. 

— Felinos são astutos, quietos, misteriosos, demoram a criar confiança nas pessoas e isso deveria repelir alguém, mas a mim só cria atraçãoele responde, subitamente divagando. 

De todas as coisas que eu achei que fosse fazer como escravo do príncipe, sentar em sua cama para conversar sobre gatos de estimação não era uma delas. 

— Gosta de gatos então, vossa alteza? — Tento retomar a conversa e tirá-lo de suas divagações. 

— Sim. Em alguns pontos, eles se assemelham aos lobos também. Eles têm cios, por exemplo. — De repente, olha em meus olhos profundamente e pressinto uma pergunta íntima vindo à tona. — Em falar em cio, você é virgem

Eu deveria ganhar uma moeda de prata toda vez que estivesse certo. Então, poderia comprar minha alforria. 

— Eu... Eu... Sim, sou virgem — respondo baixo, sentindo as bochechas queimarem. 

— Isso é surpreendente. — Ele tomba a cabeça para o lado. Seria fofo se não estivesse declarando que eu teria que satisfazê-lo. 

— Por que acha minha virgindade surpreendente, alteza

— Você é mais velho que eu, é bonito, parece ser inteligente já que é o único plebeu que eu conheci que fala outro idioma, e também possui um cheiro... Um cheiro que eu nunca senti na minha vida. 

Encolho-me, sentindo sua atenção em minhas reações. 

— Eu também serei seu escravo sexual, imagino — falo, engolindo em seco. 

— Sim... Mas, não te obrigarei a fazer nada que não se sinta à vontade. 

Meus olhos recaem sobre ele, arregalados. Mesmo que eu não tenha sido liberado de fato do ofício, eu também não seria violentado. Já é um alívio. 

Três batidas na porta interrompem nossa conversa esquisita. 

— Creio que seja meu irmão gêmeo, tentando te proteger do monstro que sou eu. Vá. — Ele faz um sinal para a porta e eu me levanto, reverenciando-o. — Volte à meia noite. Até lá, se divirta. 

O jovem príncipe de personalidade excêntrica volta a se deitar na cama e geme de dor. Não pergunto o que ele está sentindo, apenas abro a porta e saio apressado. 

De nada — Taehyung diz. — Venha comigo. Vou te mostrar o castelo. 

— Alteza? — chamo. 

— Não precisa me chamar assim. Não é como se mais alguém aqui me visse como príncipe de qualquer maneira. 

— Tudo bem... Taehyung, então? 

— Pode me chamar até de Tae se quiser. 

Tae — repito a palavra monossilábica, arrancando um sorriso quadrado do rosto do jovem ao meu lado. — Você é o gêmeo do Jungkook? 

Ele engole em seco e acena positivamente. 

— Mas... Vocês não são parecidos e ele é um alfa lúpus e você um ômega — concluo. 

— E é exatamente por isso que ele é o herdeiro do trono e eu sou apenas um príncipe qualquer — responde, frio. 

— Sinto muito. 

— Não. Você não sente. Não precisa ser empático com quem não conhece. Quanto menos sentimentos, melhor para sua segurança. 

— Você diz isso, mas cada palavra sua é recheada de emoção e fragilidade. — Arrependo-me de ter aberto a boca assim que ele para no meio do caminho, me fazendo colidir contra suas costas. 

— Você poderia parar de me analisar? Isso é irritante. Já basta ser julgado pelos nobres, agora tenho que ser julgado pelos escravos deles também

Sinto minha autoconfiança ir mais baixo que o chão ao ser relembrado constantemente de minha posição social: escravo, nada mais que um objeto ou um animal de estimação com uma coleira no pescoço.


👑👑👑


— Esse é o seu quarto — o príncipe acastanhado diz. — Pode ficar onde quiser quando não estiver servindo o Jungkook, mas eu ficaria aqui se fosse você. Até mais, Jimin. Eu vou embora agora. 

— Muito obrigado por me mostrar o castelo. 

Ele apenas acena e vai embora, me deixando sozinho. 

Não conversamos durante o passeio pelo local depois que ele fez questão de me colocar no meu lugar. 

Jogo o corpo exausto na cama gigante e observo a extensão do cômodo. Possui paredes cor de pêssego e roupas de cama creme. Tons claros e neutros trazem uma sensação de calmaria. 

No teto, estão colados adesivos de estrelas e da lua. Sorrio ao perceber a inocência de quem o decorou dessa forma. Eu gostaria de conhecer essa pessoa. 

Levanto-me e abro a mala, pegando o porta-retrato com a foto da minha mãe me segurando no colo. Posiciono-o no criado-mudo e respiro fundo. 

Não é que eu não vá sentir saudades da minha mãe, afinal eu a amo. No entanto, odeio todas as escolhas que ela tomou a vida inteira. 


Abro a porta na lateral do quarto, descobrindo ali um banheiro de tamanho suficiente para comportar dois quartos lá dentro. 

Em cima de um banco há algumas peças de roupa e um bilhete cor de pêssego dobrado.


Está frio. Vista isso. 

Até a meia-noite. 

Jungkook


Talvez ele não seja tão mal assim. 

Devido à minha baixa condição financeira, eu constantemente fico doente por não poder comprar agasalhos. O inverno lá fora é severo. 

Ligo o registro na água quente e me surpreendo com o quão boa é a sensação. Em minha antiga casa, só tinha água gelada do poço — isso quanto tinha água. 

Eu poderia chorar agora, mas só consigo aproveitar a sensação de estar passando condicionador nas madeixas de cabelo. É tão cheiroso e macio que poderia acabar com a tristeza de qualquer um. 


Deixo o box, vestindo as roupas deixadas pelo príncipe. Todas elas cabem perfeitamente — até mesmo a cueca. 

Nunca estive com o corpo tão quentinho na minha vida. É aconchegante sentir que não vou morrer de frio essa noite. Posso até morrer, mas não vai ser de frio. 

Coloco a coleira em volta do pescoço abaixo do gola alta da camisa, tentando não deixar que minha onda de bom humor vá embora. 

Encaro um aparelho desconhecido de volta ao quarto. É retangular e tem a superfície de vidro. Não sei do que se trata, mas indica as horas. 

23:55. Preciso ir até o quarto do príncipe. Não posso descumprir sua primeira ordem se quiser continuar vivo.


👑👑👑


Detenho-me na porta dos aposentos do príncipe ao sentir um cheiro inebriante se apossar das minhas narinas. Ouço um gemido abafado que me faz prender a respiração. 

Abro a maçaneta mesmo assim. É o aniversário de maioridade de Jungkook. Logo, faz total sentido ele estar em seu primeiro período de cio, mas o cio de ninguém nunca me afetou antes, então não sinto medo de entrar. 

Alteza? — pergunto ao tentar acostumar a vista com a escuridão. 

— Saia! — ele grita. — Se não quiser ter seu corpo violado, saia agora. 

Por que eu não me movo? O mais novo parece agonizar com a própria dor em cima dos cobertores, fincando suas unhas na própria coxa exposta. Ele está somente com a roupa de baixo, o que me faz desviar os olhos, perdendo a coragem que tive antes. 

— Quer que eu traga um remédio para dor? Um copo d'água? — pergunto. 

Ele arfa, tentando responder: 

— Só quero que saia daqui ou vai me odiar para sempre. Seu cheiro é a melhor coisa que eu já vi e isso está provocando meu lobo. embora agora! 

A última frase é pronunciada com uma voz mais ríspida, controladora e eu não consigo ir contra ela, então apenas saio do quarto às pressas, encostando as costas no lado de fora da porta, respirando com dificuldade. 

Essa é a voz de um alfa lúpus. Achei que não me afetaria. 

Se eu ganhasse uma moeda de prata por cada vez que eu estivesse errado também, poderia comprar minha alforria.


Notas Finais


Meu deus, finalmente comecei a escrever um ABO. A fadinha da homossexualidade bateu na minha porta e eu ESCANCAREI
Então... O romance não vai ser super rápido de acontecer não kkkk embora o JK tenha entrado no cio, isso aqui não se trata apenas de sesksu, mas quando tiver, eu quero fazer bem caliente *Alguém taca uma BIBLIA na minha cara pelo amor de Kim Seokjin*

Eu sou caloura da faculdade de letras da UFRJ (estou me expondo demais? PROVAVELMENTE, mas não é como se vcs fossem invadir a faculdade com uma arma para me matar neh? Kkkkk eu espero q não) então eu provavelmente vou aprender a melhorar a minha escrita e trazer conteúdos mais elaborados.

Além disso, eu tbm tenho outra fanfic de BTS que já possui um pouco mais de 20 capítulos (é MT mais pesada que essa aqui by the way). Caso tenham interesse, o nome é Busan Asylum e vou deixar o link:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/busan-asylum-10265168

Espero que tenham gostado.
Favoritem, comentem, me dêem amor ou me joguem pedras kkk desde que beijem a ferida depois kkk eu sou carente, mas não mordo... Só se me pedir
Isso é tudo por hoje, pessoal

Kissus de Pêssego e creme


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