História Prison Sans Grilles - JIKOOK - Capítulo 18


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Boyslove, Jeon Jungkook, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin, Park Jimin, Yaoi
Visualizações 260
Palavras 5.162
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


AVISO: Capítulo +18

Boa Leitura! ^^

Capítulo 18 - 17 - Notre Monde


Fanfic / Fanfiction Prison Sans Grilles - JIKOOK - Capítulo 18 - 17 - Notre Monde

“Há no fundo das almas um princípio inato de justiça e de virtude, com o qual nós julgávamos as nossas ações e as dos outros como boas ou más; e é a este princípio que dou o nome de consciência.” Jean-Jacques Rousseau

JUNGKOOK P.O.V'S

Queria jogá-lo sobre aqueles lençóis e terminar logo com tudo, mas lhe prometi uma noite de tirar o fôlego. Se corpo estava ali exposto a temperaturas baixas, não que eles estivesse reclamando, para minha sorte já que a visão de seus pelos arrepiados se tornou bem atrativa diante dos meus olhos.

Busquei outra música na playlist para me dar algumas ideias. Jimin havia pensado em absolutamente tudo, enquanto me preocupei em buscar apenas uma taça de sorvete.

Sobre nossa cama alguns objetos que ele acredita serem essenciais para deixar essa noite incrível. Algumas, chicote, lubrificante, preservativo e um dos vibradores que compramos em Paris.

Muitos questionariam por que diabos compraríamos equipamentos em Paris? Não ousei contrariá-lo quando entramos naquela butique especializada. Descobri que Jimin às vezes deixa seu lado safado dominar o lado santo.

Cá entre nós, vê-lo perder a linha é tudo o que desejo ver. Quando fecho a porta do quarto percebo que ali de joelhos já não está mais Park Jimin, ali está o submisso que me encantou em meio a todos daquela casa fetichista.

– De pé. – ordenei sendo atendido em seguida. – Mão para trás, Ange.

– Vai me deixar chupá-lo agora, senhor? – indagou deixando evidente o sorriso filho da puta de quem havia quebrado uma das regras de propósito. – Senhor?!

– Calado, Jimin. – respondi deixando um tapa forte em sua coxa.

Juro ter ouvido uma risada baixa, mas deixei passar me preocupando mais em vendá-lo. Em seguida o deixei deitado entre as almofadas, não diria ser uma posição confortável já que seus braços ficar abaixo de seu corpo, algemados contra suas costas, porém, Jimin não esboçou nada em relação a dor ou desconforto.

No entanto, ao perceber que não estou para brincadeira, o mais velho não disse mais nada. Apenas vi a forma que sua respiração descompassou quando aproximei a colher gelada de seu abdômen.

– Ahh... – gemeu ao sentir um pouco daquele choque térmico.

– Gosta de baunilha, Ange? – perguntei não lhe dando tempo de responder, ao menos não com palavras. Um gemido ecoou manhoso pelo quarto quando deslizei a língua sobre a mancha que provoquei com o sorvete. – Não é meu sabor favorito, mas fica incrível disperso sobre sua pele.

Jimin não disse mais nada, apenas gemia a cada vez que voltava a tocar aquela colher gelada em sua pele, gotejando um caminho de sorvete de seu peitoral até sua virilha. Desta vez não limpei apenas com a língua, aproveitei para literalmente chupar cada gota como forma de lhe marcar.

Foi um pedido dele, Jimin quase implorou para deixá-lo marcado desta vez. Como um bom dominador cabe a mim optar ou não por atender seus desejos.

O mais velho apenas não percebeu ainda, mas nas últimas semanas tenho feito de tudo e até agiria como seu cãozinho se assim ele desejar.

Passei a dar valor a ele não apenas como submisso, mas a pessoa que me apoiou e esteve ao meu lado quando tinha mil e um motivos para romper. Jimin poderia ter jogado tudo para o alto e virado as costas, porém, decidiu ficar e me dar uma nova chance.

Por mais turbulento que nossos dias estejam, me comprometo a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para deixá-lo bem.

Foi nesse intuito que comecei a chupá-lo. Ao som de Swim, me movido pela melodia da música e o desejo de fazê-lo gozar daquela maneira. Seu corpo parecia sedento, e antes mesmo de tocar a língua em sua glande, foi possível perceber o fio do líquido pré seminal escorrendo por sua ereção.

Incrível a forma que ele se entrega a mim.

Indescritível o jeito com o qual seu corpo reage a cada toque meu.

Não preciso de muito, nunca precisei. Apenas alguns beijos e toques são suficiente para deixar claro a todos os vizinhos o que estamos fazendo.

Ficou evidente que exibição é nosso ponto forte, nunca tivemos problemas quanto a isso em nossas cenas em masmorras, pelo contrário, sinto um orgulho do caralho ao ver todos aqueles dominadores desejando o que me pertence.

Para quem ciúmes quando na cama lhe dou motivos para não procurar outro?

Nossas frustrações são tiradas ali, boa parte delas ficam sobre os lençóis junto ao suor e qualquer fluido que nossos corpos expelem durante o ato.

Eu errei muito nos últimos meses, quase joguei uma história de três anos e meio no lixo. Posso dizer que sim, sou um puta sortudo por ter sido perdoado por ele, no entanto, ainda não sinto que me redimi o suficiente.

Por Jimin sou capaz de fazer qualquer sacrifício, quero seu bem como sempre desejei desde a primeira vez que nos vimos.

Jimin gemeu um pouco mais alto, seu corpo estava sensível o suficiente que nem deu tempo de avisar direito. Acabei engolindo boa parte do que foi expelido em minha boca. Confesso que aquele não é o melhor gosto do universo, porém, sentir seu gosto foi como ter o combustível para continuar.

Mais uma vez o fiz gozar, e por qual motivo me sinto emocionado como da primeira vez que lhe provoquei tal sensação?

Jimin vai bem além de um rostinho lindo e corpo cheio de curvas, sua inteligência e sua língua afiada são suas virtudes que mais me atraem. Meu Ange e sua mania de tornar o meu mundo um lugar melhor, ainda que eu mereça tudo isso.

– Agora vou deixar você me chupar, Ange. – o deixei ainda deitado, tudo o que fiz foi me posicionar com uma perna de cada lado do seu corpo, sem colocar meu peso sobre seu peitoral e impedindo que ele pudesse se mover. – Não vai usar as mãos, assim como não vai ver meu rosto. Faça direito, meu bem.

– Quando eu não faço direito, senhor? – perguntou com sua voz ainda entrecortada pela respiração falha.

– Essa má-criação eu vou deixar passar, Ange. Somente porque estou sedento por essa boquinha lindo. – respondi abaixando o zíper e deixando apenas meu membro para fora da calça. – Abra a boca.

Jimin o fez sem reclamar e no segundo seguinte o senti envolver a língua em minha glande. Sensação essa que me desestabilizou por um tempinho, a ponto de que precisei apoiar uma das mãos contra a parede para me equilibrar.

Gemi como se toda frustração estivesse sendo tirada naquele momento, o corpo tremulando com pouco, a língua aveludada deslizando sobre aquela pele sensível. Ah, como desejei isso nos últimos dias, apenas não tivemos tempo para tal coisa.

Passei a ditar os movimentos, entrando e saindo de sua boca dando atenção ao corte de sua respiração. Não queria deixar desconfortável para ele, ainda que sua imagem de bochechas vermelhas me excita para caramba.

Tenho consciência de que só devo fazer aquilo que testamos ao longo dos três últimos anos. Obviamente já passamos de qualquer fase de treinamento, ainda que eu reconheça que existem diversas vertentes que precisamos tentar em algum momento.

Jimin aceita ser amarrado, chicoteado, está aberto a diversos fetiches, mas quando envolve algo que lhe provoca muita dor, ele sempre usa sua palavra de segurança. A velha história de que todos temos um limite, conhecendo seu corpo como a palma de minha mãos, ouso afirmar que meu submisso é mais forte do que muitos por aí.

Senti meus músculos abdominais sofrerem uma contração forte, para em seguida me afastar rapidamente a tempo de expelir todo contra seu rosto e peitoral.

Visão do paraíso.

Jimin vendado. Bochechas avermelhadas. Suor cobrindo seu corpo e deixando seus fios úmidos. Agora com seu rosto coberto com meu líquido.

Tenho a obrigação de admitir que sou um puta sortudo. Às vezes acabo perdendo a compostura quando Jimin me desafia, mas quando ele resolve se entregar a submissão me vejo como um filho da mãe privilegiado.

Voltei a trocar sua posição, enquanto ele gemia esfregando sua pélvis contra o colchão, o coloquei de bruços com os pulsos presos na cabeceira de metal da cama.

Finalmente ele estava do jeito que mais amo, atado pelas algemas de uma forma que não poderia me tocar, vendado para inibir sua visão e deixar seus outros sentidos – principalmente o tato e a audição aguçados –, além de manter seus quadris empinados em minha direção.

De quatro e com sua intimidade pulsando por mais.

Seu corpo parecia implorar em silêncio por algo mais intenso. Foi assim que um gemido manhoso e prolongado deixou seus lábios quando espalhei o resto do sorvete ao longo de sua coluna até parar um pouco acima de suas nádegas.

Sua pele se arrepiou e seus músculos sofreram alguns espasmos pelo pequeno choque térmico, vi suas mãos se agarrarem com força na corrente que une uma algema a outra, sinal de que estou tocando seu ponto certo.

O mais velho havia se preparado para mim. Como sempre, acredito que se mantenha dessa forma esperando por algo. Nunca neguei o fato de ser imprevisível, assim como procuro fazer as coisas de forma pensada para não lhe ferir.

Limpei todo o sorvete entre lambidas e alguns chupões, deixei algumas marcas em suas costas como ele havia me pedido. Seus gemidos apenas preenchiam o ambiente, vez ou outra competindo com a altura de I feel like I'm drowning que tomava o sistema acústico com suas notas sensuais.

O preparei usando a língua. Algo que muitos acham nojento, confesso que de início também tive receio, mas hoje faço sem problemas. Além de que sei o efeito que tal contato íntimo faz com meu namorado.

Há muito tempo a vergonha passou a ser algo inexistente entre Jimin e eu. Para que nos envergonhar se aquele quarto continuará guardando nossos segredos mais insanos?

Então logo passei para a preliminar mais pesada. Passei um pouco de lubrificante no vibrador, em sequência usei o mesmo para espalhar uma pequena quantia em sua intimidade. Não demorei a introduzi-lo ali, ouvindo seus gemidos de desconforto sendo abafados pela sensação do prazer.

Respeitei seu momento para se acostumar com aquilo. Usei meu celular para ajeitar a vibração e comecei uma sensação de estocadas letras com aquele brinquedo.

– Ahh... Senhor! – ele gemeu com a voz trêmula e a respiração acelerada.

Não demorei ao ver seus quadris mexendo em busca de mais contato. As nádegas empinadas praticamente implorando por tapas. Foi quando lhe acertei um em cheio deixando o local avermelhado.

– Mais... Mais um, senhor. – Jimin pediu e foi prontamente atendido.

Suado, ofegante e com os músculos em contrações constantes. Me vi preocupado com seu cansaço, motivo pelo qual vez ou outra o monitoro para evitar desmaios ou qualquer consequência do esforço.

Ah, como é bom ouvir seus gemidos daquela forma. Como me sinto pleno a cada vez que ele implora por mim.

– As coisas não mudaram afinal. – aumentei a intensidade daquelas vibrações e me aproximei de seu corpo, aproveitei para deixar ali alguns beijos e mordidas fracas como forma de lhe provocar. – Pode até ser independente, mas sobre essa cama continuar agindo como minha cadelinha.

Jimin não se importa com esse tratamento quando estamos dentro do nosso quarto, por essa razão me acostumei a usar de tais apelidos e tais comparações para provocá-lo. Ele se excita. Há cada vez que o chamo de minha cadelinha seguido por tapas em suas nádegas o ouço delirar de prazer.

E esse foi o ponto final para fazê-lo chegar ao segundo orgasmo da noite. Decidi não restringir essas ações, prefiro ver seu corpo reagir tão bem ao meu. Costumo usar negação de orgasmo apenas em momentos onde quero castigá-lo, isso não vem ao caso agora.

Porém, não esperei que ele se recuperasse daquelas sensações. Deixei de lado o vibrador e coloquei o preservativo em meu membro, logo me afundando em sua intimidade. Senti seus músculos internos me apertando, uma sensação tão boa que precisei me controlar para não gozar de primeira.

Aquela bunda farta se chocando contra minha pélvis. Os movimentos de vai e vem lhe arrancando gemidos mais altos. Partes de seu corpo já avermelhadas por chupões, tapas ou apertos de minhas mãos.

Deslizei meus toque por sua cintura até para-los em seus quadris onde os apertei com força. Deixei ali as marcas dos meus dedos, mas tive equilíbrio para me segurar e enchê-lo de estocadas fortes e precisas.

– Hum... Ange. – gemi baixinho inclinando meu corpo sobre o seu. – Você é um pecado, Jimin.

– Mais... Mais forte, senhor. – pediu em resposta, não pude ver seu rosto, mas sabia que havia um sorriso de satisfação ali.

Para não forçar mais seus pulsos, abri aquelas algemas e decidi trocar nossas posições. Me deitei entre os lençóis e almofadas, ainda vendado fiz Jimin se sentar em meu membro, mas se mantendo de costas para mim.

Uma visão pecaminosa, mas se estou no inferno por isso, acredito que mantenho o sorriso enquanto ergo uma taça de cabernet¹.

E ele sabe o que fazer. Jimin passou a rebolar de uma forma que impediu qualquer reação minha. Tudo o que consegui fazer foi deixar meu corpo caído entre as almofadas enquanto sentia o peso de seus movimentos.

Suas unhas curtas afundadas em minhas coxas onde ele tinha o apoio para continuar. Percebi que ele estava reunindo forças para me dar um prazer indescritível.

Foram minutos daquela tortura gostosa. Um tempinho bom sentindo sua intimidade pressionar meu membro daquela maneira. Não sou o único a fazer um ótimo serviço aqui. Estou refém dos meus próprios prazeres neste momento.

Ergui meu corpo abraçando o seu por trás. Enquanto Jimin continuava a rebolar sobre meu membro, tudo o que fiz foi segurá-lo com força e deixar alguns beijos na parte posterior de seu pescoço.

– Calma. Assim... Assim você acaba comigo... Ange. – pedi sendo ignorado, mas não havia sequer forças para repreendê-lo pela desobediência.

Me entreguei ao seu prazer. Deixei meu corpo a mercê das vontades daquele que é seu dono, e mais uma vez Jimin não teve piedade.

O mais velho me fez gozar tão forte que nem sequer tive controle de minhas forças por algum tempo. De longe o orgasmo mais intenso que já senti na vida, precisei até de alguns minutos para recuperar.

No entanto, a noite não parou por ali. Não poderia simplesmente deixá-lo a ponto de bala com mais um orgasmo. Juntei minhas forças e me levantei, trazendo seu corpo junto ao meu até o enorme espelho em uma das paredes do quarto.

Ao som de I put a spell on You voltei a penetrá-lo. Um gemido de prazer deixou o fundo de sua garganta, mas percebi que Jimin estava quase sem forças quando segurou meu braço que mantinha seu corpo em pé.

A outra mão estava na lateral de seu corpo, cuidando para ter uma base onde pudesse ter mais forças na hora de penetrá-lo naquela sequência. No entanto, logo a deslizei para seu membro, o bombeando contra o espelho.

Ele não estava vendo, mas a visão queeu tenho é a melhor de todas. E não demorou para que meu submisso finalmente chegasse ao terceiro orgasmo da noite, expelindo aquele líquido contra o espelho. Gemendo quase sem forças e deixando todo seu peso em meus braços.

Então cessei tudo. O peguei no colo e o deixei sobre a cama para ir até o banheiro. Ali me livrei do preservativo e coloquei nossa banheira para encher.

Decidi que apenas tomaremos banho ali. Seus cuidados e nossa noite de sono deixei para o outro quarto já que as roupas de cama estão limpas. Tudo o que fiz foi limpar ao máximo para não deixar vestígios que possam constranger nossa funcionária.

Voltei para o quarto apenas para pegar Jimin. Ele não estava adormecido, mas assim que tirei a venda de seus olhos ficou evidente o quão exausto o deixei. Tudo o que o mais velho fez foi se agarrar a mim quando voltei a pegá-lo no colo, mostrando uma fragilidade que a muito tempo não via.

Me sentei primeiro e o trouxe de encontro ao meu peitoral, Jimin apenas se encostou ali e me permitiu lavar seu corpo com cuidado. Acredito que após os corpos esfriarem a dor do esforço se fará presente, no entanto, ainda não posso lhe dar remédios graças ao vinho que tomamos mais cedo.

Lavei cada centímetro de sua pele, tirando o suor e os demais fluidos corporais que liberamos. Ainda nos permiti ficar ali abraçados por um tempo. De certa forma a água morna e os sais de banho de lavando servem para acalmar cada partezinha de nossos corpos.

Logo que Jimin reclamou do frio me levantei e o tirei dali. Vestido apenas um roupão e eu com uma toalha em volta da cintura, precisei carregá-lo até o outro quarto após ouvir suas queixas de que não estava sentindo as pernas.

Já no quarto pedi que se sentasse sobre a cama. Fui até a cozinha buscar outra taça de sorvete e lhe dei para recuperar as forças enquanto o me ocupava em tratar sua pele.

Creme hidratante, uma pequena massagem onde os tapas acertaram e onde as algemas o prenderam por um tempo. Era possível ver alguns de seus músculos ainda saltarem depois de tudo, o que apenas garantiu que o esforço foi além de seus limites.

– Por que não disse a palavra de segurança, Jimin?

– Porque eu não precisei, senhor. – respondeu parecendo sonolento. – Estou bem, você está fazendo tudo certo. Não precisa se preocupar.

– Olha para mim, Ange. – pedi tocando carinhosamente sua bochecha. Em seguida ele ergueu o olhar, me dando a visão de seus olhos fragilizados pelo sono. – Não se esforce tanto. Não precisa provar algo a ninguém, tão pouco se matar para agradar a mim.

– Amo você, Jeon. – disse ele com seu tom de voz neutro. – Você foi intenso e perfeito, apenas estou exausto.

– Então dorme, meu bem. – deixei um beijo em sua testa e um selinho demorado em seus lábios. – Eu também amo você.

Jimin sorriu. Aquela simples declaração fez mais efeito que a taça de seu sorvete favorito.

Logo ele se deitou, adormeceu tão rapidamente que precisei terminar de secar seus cabelos daquela maneira. Apenas cobri seu corpo para proteger sua pele das baixas temperaturas, tudo porque ele optou apenas por se vestir com uma boxer.

Depois que cuidei do mais velho tratei de cuidar de mim. Me vesti com uma calça de moletom e segui até a cozinha para fazer um lanche. Isso mesmo, às quatro e meio da manhã abrindo geladeira após consumir toda energia fazendo o que sei de melhor, sexo.

Dois sanduíches e um copo duplo de vitamina, algo que me sustentou e trouxe o sono com tudo. Me restou apenas escovar os dentes e me juntar ao meu namorado, esse nem sequer dá indícios de que irá acordar cedo.

O abracei com carinho, procurei unir meu corpo ao seu debaixo daquele edredom para trocarmos um pouco de calor humano. Confesso que de tudo o que fazemos, esse é o contato mais inocente e simples que me deixa confortável.

•••

Devo ter adormecido por horas, quando acordei os raios solares já transpassavam a vidraça das janelas. Apenas me levantei para fechar as cortinas, apesar de que quarto ainda permaneceu com uma baixa iluminação, nada que atrapalhasse o sono de Jimin.

O deixei dormindo, apesar de não ter costume de ficar na cama até tarde, sei que seu nível de exaustão foi grande o suficiente para derrubá-lo por horas. Tudo o que fiz foi me deitar novamente ao seu lado, passar todo o tempo observando seu rosto pouco iluminado, mas assim sim sereno.

Vê-lo tão tranquilo ao meu lado me faz refletir. Sei que não sou digno de sua confiança, mas ainda sim Jimin confia boa parte de seus planos e sonhos a alguém com pouca estabilidade.

Estou assustado, mesmo que tenha lhe contado tudo, ainda que tenha a certeza de que meu namorado sabe se cuidar sozinho, temo por qualquer ação do inimigo que não conhecemos.

De fato há uma enorme possibilidade de ser JungHyun ou meu pai, e se isso for verdade temo pela vida de Jimin. Apesar de ter coragem de enfrentar aqueles dois, devo admitir que tudo não passa de um teatro para tentar intimidá-lo.

A velha história: jamais devemos subestimar a força e a inteligência de um inimigo. Ainda mais quando este inimigo possivelmente detém o poder sobre todas as forças armadas de nosso país, sem mencionar que tem aliados políticos fortíssimos além dos inúmeros agentes corruptos ao seu lado.

Jimin não tem noção da magnitude deste problema, cabe a mim tentar manter a ordem, ainda que seja assustador agir sob pressão.

Nunca senti medo nessa intensidade. Não sei dizer ao certo, mas apenas pensar nas inúmeras coisas que podem acontecer com ele faz meu mundo se abalar. Perder Jimin não deve ser uma hipótese, mas confesso que deixá-lo livre e me submeter as chantagens daquele velho para salvá-lo, é algo que constantemente tem passado em minha cabeça nos últimos dias.

– Prometo te deixar seguro, Ange. – sussurrei tentando conter minhas lágrimas. – Ainda que me quebre, que meu mundo se desestabilize por inteiro e eu morra, nada disso vai atingir você e tudo o que lutou para construir.

É fato, alguém de poucas lágrimas está em prantos por se sentir acuado e sem reação. Sim, afinal sou um ser humano como qualquer outro.

Já errei... Me redimi... Procuro fazer o certo... Mas nada me garante a segurança de um futuro feliz ao lado daquele que aprendi a amar.

Se pudesse fugiria com Jimin para uma ilha deserta. Um lugar longínquo onde nada de ruim pode nos atingir. Talvez viveremos sem uma cama confortável, mas quem precisa de uma quando se tem uma areia fofa para deitar?

Sonhos adolescentes de quem teve essa fase roubada pelas intolerâncias e autoridade desnecessária do pai. Viveu exilado por anos, estudando fora sem poder retornar para casa. Alguém que constantemente via a mãe abaixar a cabeça para as regras absurdas de um pai machista e opressor, o pior de tudo isso é ver que ela consentia e aparentemente estava feliz.

Depois de tantas cenas medievais, algumas perguntas ainda ecoam em minha mente:

Como alguém consegue ser feliz vivendo com medo?

Como uma mãe consegue sorrir vendo um filho ser obrigado a seguir um caminho diferente do que sonhou?

JungHyun se tornou marionete do meu pai, e como tal, tomou as dores do velho e quer me forçar a agir da mesma forma. Nascemos livres, precisamos lutar para continuar assim. Houve um tempo em que os respeitava achando que estava fazendo o certo, porém, bastou a primeira bronca para perceber que um simples deslize seria o bastante para ser castigado.

Nunca vi meu pai empunhar a arma para matar alguém, mas claramente ouvi quando essa ordem saiu de seus lábios e um dos seguranças executou um concorrente direto de seu partido.

Houve investigação, mas esta foi arquivada como os diversos crimes que ficam sem solução por conta de subornos. Pessoas são movidas ao dinheiro, alguns zeros a mais na conta são o suficiente para transformar o anjo em um demônio.

Por isso temo pela vida de Jimin. Por conhecê-los o suficiente para saber que não hesitariam em eliminar alguém do próprio sangue, quanto mais um desconhecido que julgam estar atrapalhando.

Na mentalidade sanguinária deles, Jimin é quem me impede de casar com as inúmeras mulheres de famílias tradicionais e boa posição. O varreriam do mapa com a mesma facilidade que limpam um inseto no para-brisas de um veículo.

Jimin tem coragem por sempre fazer tudo sozinho, mas ainda não tem toda a maldade do mundo à sua volta. É como um gatinho domesticado que passa o tempo miando da janela e defendendo seu território, se acaba fugindo o risco de se acidentar ou ser morto é muito grande.

Chorei por um longo tempo, mas quando percebi que ele estava prestes a acordar fui direto para o banheiro. Não quero que Jimin veja esse meu lado, não é por ignorância ou masculinidade frágil, apenas quero evitar que se preocupe com os esses problemas agora.

No entanto, tentei fugir com tanta pressa que apenas tirei a roupa e entrei embaixo do chuveiro após escovar os dentes, esqueci de trancar a porta que logo foi aberta por ele.

Jimin não se importou em usar o sanitário na minha frente, tão pouco escovar seus dentes e lavar o rosto como de costume. Ali estava meu namorado com seu rosto inchado de tanto dormir, a expressão serena de quem conseguiu descansar e suas forças totalmente recuperadas.

– Aceita companhia para o banho, senhor? – perguntou com sua voz ainda rouca. – Deveria ter me acordado, já são meio-dia.

– Não queria atrapalhar seu sono. – acabei deixando um sorriso evidente quando o vi abaixar a boxer e entrar debaixo do chuveiro. – Você está bem?

– Melhor impossível. – o mais velho se aproximou envolvendo os braços ao redor de meu pescoço. – Bom dia, Jungkook.

– Bom dia, Ange. – sussurrei antes de arrastar a pontinha de meu nariz em sua bochecha molhada, logo selando seus lábios com todo carinho.

Ele não percebeu que eu estive chorando, talvez imagine que o rosto inchado é por sono e não por lágrimas. Não o culpo, Jimin tem um jeito único de devolver a calmaria ao meu coração.

– Achei que houvesse te ferido ontem.

– Você foi prefeito. Apenas não recuperei minha resistência como antes, apesar de ter conseguido o peso, meu físico não está em um nível bom ainda. – disse ele explicando sua situação.

A médica disse que seria uma recuperação gradativa, Jimin até tem evoluído melhor que o esperado, mas de fato não tem a mesma resistência que antes. Porém, sou suspeito em dizer que ele está perfeito assim, ainda mais com as diversas marcas pelo corpo.

– Sente alguma dor? – questionei enquanto deslizava cuidadosamente a esponja em seus ombros.

– Não. Só estou faminto.

– Acho que adorei saber isso. – murmurei o virando em minha direção e lhe roubando um beijo. – Vamos terminar aqui, vou fazer nosso café da manhã.

– Na verdade, acho que podemos ir almoçar fora. – o encarei um pouco confuso. – Loup Blanc², talvez?

– Hum... Comida francesa.

– Oui monsieur!³– apenas sorri ao vê-lo com aquele humor incrível.

Terminamos aquele banho e nos apressamos em nos vestir. Jimin teve um pouco de dificuldades em encontrar uma blusa que cobrisse algumas marcas em seu pescoço, precisou optar pelo uso de um lenço que o deixou irritantemente fofo.

Claro, no calor do momento qualquer um faz pedidos loucos, agora que viu os resultados em frente ao espelho, só faltou arrancá-lo da parede e quebrá-lo em minha cabeça.

– Você deveria se controlar mais, Jungkook. Olha essas marcas.

– Devo recordá-lo que implorou por elas? – provoquei vendo ele me encarar através do espelho. – Apenas fiz o que você suplico, Ange.

– Um tapa doeria menos? – murmurou tentado novamente ajeitar o lenço.

– Claro, está tão acostumado com os tapas que é capaz de gozar apenas os sentindo. – sorri ao perceber suas bochechas avermelhadas. – Late, Jimin.

– Vai se foder. – gargalhei ao ver que consegui provocá-lo.

– Vou esperá-lo na sala, meu bem. – me aproximei deixando um tapa em cheio na sua nádega direita. – Delícia!

– JUNGKOOK!

– Na sala, Ange. Vê se não demora. – respondi em um tom mais alto ouvindo seus muxoxos.

Não precisei esperar muito, mas ainda que não me sinta confortável em aparecer em público depois daquela ameaça, acabei cedendo ao seu pedido para um almoço.

Jimin foi dirigindo, encontrou uma boa vaga de estacionamento e saiu me conduzindo como seu sócio. Apesar de sentir algumas coisas ruins em relação a forma com a qual nos apresentações, sei que é para o nosso bem.

Durante aquela refeição pude ver o quanto ele parece feliz comendo algo que goste. Foi um almoço reforçado, ainda teve petit gâteau⁴ como sobremesa. Saímos dali satisfeitos com o atendimento e a qualidade dos pratos.

Meu namorado ainda quis caminhar pelo bairro, entre diversos turistas e alguns jovens de nosso país. Algo me diz que Jimin apenas quer confortar quem nos ameaçou, sair pelas ruas tendo minha companhia é prova o suficiente disso. Enquanto ele se divertia, meus olhos ficaram atentos a qualquer movimentação suspeita ao nosso redor.

É inviável viver assim. Impossível levar uma vida normal, correndo risco de ser morto sem ao menos saber de qual arma partiu a bala.

Sinto que estou vivendo em um jogo de roleta russa, a diferença é que a sorte em jogos nunca esteve ao meu lado.

Porém, toda a preocupação foi tirada quando vi Jimin entretido com algo na vitrine de uma loja. Sendo honesto nunca o vi daquela forma, mas o cãozinho do outro lado da vitrine lhe chamou a atenção.

Antes que eu pudesse dizer algo ele foi entrando na loja. Torci para ser uma daquelas cafeterias com presença de animais, mas logo vi o atendente trajando um jaleco e algumas pessoas espalhadas pelo local.

– Boa tarde, senhores. Em que posso ajudá-los? – o funcionário indagou de forma simpática.

– Aquele cachorrinho da vitrine está a venda? – Jimin questionou deixando o garoto visivelmente confuso.

– Não mexemos com venda de animais, senhor. Somos uma ONG de proteção à vida animal, aquele cãozinho está disponível para a adoção.

– Oh, certo. Hum... Vou levá-lo.

– Jimin?! – disparei um pouco assustado.

– Desculpe, nós vamos levá-lo. O apartamento precisa de mais vida. – ele confirmou fazendo o funcionário ir até a vitrine para buscar o pequeno. – Ele foi abandonado, rapaz?

– Infelizmente. Algumas pessoas se afeiçoam a raça e acabam pagando caro sem ter noção dos cuidados. – finalmente ele entregou o animalzinho para Jimin. – Nosso amiguinho aqui tem sérios problemas pela compressão do trato respiratório superior, além de outros limites impostos pela raça.

– Acha difícil cuidar dele?

– Se tiver condições, tempo e carinho de sobra, não terá grandes problemas. – o mais novo respondeu. – Temos veterinários aqui caso queira tirar dúvidas, cuidar de um Pug é complexo, mas eles são bolinhas cheias de amor.

– Ele não é fofo, Jungkook? – apenas o deixei sem um resposta, deixando evidente não estar contente com tudo aquilo. – Precisa assinar algum papel para levá-lo?

– Não, senhor. Mas aconselho a comprar alguns equipamentos, temos muitos disponíveis aqui. – ele apontou para as inúmeras prateleiras. – Vocês têm opções de comprar em outras lojas, porém, se comprar aqui ajudará diretamente nas arrecadações de nossa ONG, usamos todos os recursos nos resgates e tratamento de animais em condições semelhantes.

Pronto, aquela explicação foi motivo o suficiente para ficarmos quase uma hora dentro daquele estabelecimento escolhendo desde coleiras, roupas, até uma caminha confortável para o mais novo membro da família.

Talvez eu esteja sim com ciúmes de um cachorro, mas além disso tenho a consciência de que não estamos em um momento propício para dar atenção a um animal, quanto mais um que precisa de cuidados dobrados.

No entanto, não discuti com Jimin sobre aquilo. Seu sorriso e sua animação enquanto caminhava com aquele cãozinho nos braços foi o suficiente para me fazer recuar.

Apenas espero que essa seja uma boa ação que nos fará ter um pouco de paz, é disso que mais precisamos agora.


Notas Finais


[1] trata-se do vinho produzido com a uva Cabernet Sauvignon, que por sua vez foi obtida pela mistura das uvas Cabernet Franc (tinta) e Sauvignon Blanc (branca);

[2] restaurante tradicional de culinária francesa localizado em Hongdae;

[3] Tradução literal: "Sim, senhor!";

[4] é uma sobremesa composta de um pequeno bolo de chocolate com casca e recheio cremoso servido geralmente acompanhado de sorvete;

[*] é uma raça de cão de companhia de pequeno porte, com focinho achatado e cauda enrolada. São cães braquicefálicos, ou seja, têm o focinho "achatado". Cães com essa características tem o sistema respiratório superior comprimido e portanto não toleram muito exercício físico;

MÚSICAS MENCIONADAS NO CAPÍTULO: Swim – Chase Atlantic

I feel like I’m drowning – Two Feet

I put a spell on You – Annie Lennox

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Olá, amores!

O capítulo foi quente, né non? 🌚

Espero que tenham gostado.

Beijos e até o próximo capítulo! 😘

Próxima att: 23/11


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