História Procura-se alguém para amar - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Visualizações 52
Palavras 5.061
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Rebel, Rebel


 

 

As últimas moradias de Jungkook em um reformatório tinham sido um tanto memoráveis.

 

Depois que o governo havia cortado a verba, justificando com a desculpa ‘’há coisas mais importantes do que adolescentes problemáticos’’, o lugar tinha virado uma terra sem lei, que estragava mais do que ‘’reformava’’. A maconha rolava solta lá dentro, e os garotos podiam sair a hora que quisessem, o que era muito fácil, já que era só elogiar a aparência da diretora, que caia como um patinho na ladainha cínica deles. E por último, havia sido lá, que tinha conhecido seu melhor amigo e colega de quarto na época, Min Yoongi. Ambos haviam tido um caso, mais precisamente, sexo casual aqui e alí. A amizade de ambos havia prevalecido depois que completaram a maior idade e foram morar juntos. No reformatório era tudo muito liberal. Largado, mais precisamente.

 

Só que na cadeia era diferente.

 

Para alguém como Jungkook, que amava colecionar atrevimentos e sair vestido de liberdade, aquela estava sendo uma das piores experiências de sua vida. Sem dúvidas. O uniforme azul royal ridículo, o cheiro repugnante de fezes impregnado na cela, o chinelo encardido… Aquela cela suja e fria só tinha um vaso e duas camas, nem um chuveiro tinha. Jungkook não tomava um banho digno há semanas! Nunca pensou que a coisa que mais fosse sonhar na vida era algo simples como um banho. Então isso é estar preso? Se sentir como um animal sarnento?

 

Jungkook sentia nojo. Nojo de si mesmo por ter sido tão burro e não ter escutado seus amigos enquanto podia. Não queria nem de longe passar os restos de seus dias naquela clausura tétrica. Tudo tinha uma regra e um arquétipo a ser seguido. E se você saísse fora da linha, iria direto para a solitária. Jungkook não aguentava mais aquilo. Tinha que arranjar um jeito de fugir. Seu coração só apetecia por liberdade. Ninguém era digno de ficar enjaulado daquele jeito! Não era justo. Afinal, Jungkook só tinha feitos umas malandragens leves.

 

Ele ainda podia se recordar bem de meses atrás, quando havia sido capturado;

 

'' Lá estava eu e os caras, fazendo o protesto contra o desgraçado do diretor.

 

Sinceramente? Não me arrependo. Esse cara é um merda. Além de já ter molestado vários alunos do ginásio, tinha fodido com o time de futebol, o clube de teatro e o de jornalismo. E mais, todo mundo sabia que ele desviava verba da escola para gastar com suas coleções de carro, enquanto a fachada e o banheiro da escola estavam precisando urgentemente de uma reforma. O Hun era um corrupto mal caráter, e merecia ser punido da pior forma possível. Porém, até então, o plano estava indo perfeitamente conforme o planejado. Um grande e legível ‘’ X Lee Hun corrupto X ‘’ estava escrito a tinta vermelha no muro da escola, para que qualquer um pudesse ver. Não tinha como aquilo ficar ruim, eu sou mestre quando o assunto e vandalismo, cara. Principalmente contra a elite.

 

Foi quando nós ouvimos sirenes. Malditas sirenes.

 

— Alerta de tiras!

 

O grito do Yoongi serviu como aviso para nós três, que terminávamos nossa obra de arte entretidos demais para raciocinar direito. De primeiro, todos nós arregalamos os olhos, encarando uns aos outros em desespero. Eu tinha sido o mais rápido em largar as latas de tinta e sair correndo, rindo como louco, não dando a mínima para as sirenes já soavam perto. Atrás de mim, Sehun e Jackson aceleravam como motores de carro de corrida, e Yoongi, já estava na frente, fugindo como um rato foge do gato. A adrenalina percorria minhas veias como o fogo consome o pavio, me fazendo correr mais rápido. Cara, aquela sensação era incrível!

 

— Andem logo, porra! Querem ser putinhas na cadeia? — Yoongi berrou, dessa vez impaciente. Não, não. Se eu fosse pego não iria pro reformatório com todas as outras vezes. E a última coisa que eu queria era ir parar atrás das grades por vandalismo. Mas como num susto, dei falta de algo quente e pesado. E quando raciocinei;

 

Minha filha! Ela tinha ficado no latão de lixo no beco perto do muro da escola.

 

— Eu tenho que voltar. Deixei minha filha pra trás! — mas é claro! Eu estava tão entretido com a depredação contra o diretor, que acabei ficando lerdo.

 

— Não fode, Jungkook. Você tem merda na cabeça? Eu compro uma nova para você. — já escondidos num beco perto da li, ofegantes e suados, Jackson disse incrédulo.

 

— Cara, ela tem um valor sentimental. — eu disse, revirando os olhos.

 

— Valor sentimental tem a buceta que eu comi ontem, porra! Se você voltar lá, vai ir direto pro xilindró! — Jackson avisou e eu revirei os olhos. Não importava mais o que podia acontecer ou não comigo, eu tinha que pegar minha filha.Tinha sido cara, poxa! E eu não tinha medo de nada. Absolutamente nada. Muito menos de uns policiais de merda.

 

Quando completei meus vinte e um anos, comecei a ficar cada vez mais perturbado com o sistema e padrões impostos. Corpo perfeito, pele clara, dentes branquinhos, agir conforme os playboyzinhos mimados da minha idade… Isso tudo já estava enchendo a porra do meu saco. Eu me sentia um robô. E por causa desse questionamento constante, comecei a frequentar clubes alternativos de pessoas que tinham ideologias diferentes a respeito do governo e da sociedade, que eram completamente fora do padrão, junto com Yoongi. Aquilo tudo de alguma forma começou a me mudar radicalmente, me fazendo começar a ver o mundo e meus país de outra forma. Era tanta coisa que me deixava puto! Eu só queria revolucionar, chamar atenção. Não dando a mínima se era por vandalismo, desacato a autoridade, etc.

 

O melhor de tudo, foi que eu consegui encontrar pessoas que pensavam exatamente como eu, como Jackson, Sehun e Yoongi. Éramos a gangue mais rebelde e fora de qualquer paradigma de Busan. E além do mais, eles eram os únicos amigos que eu tinha naquele lugar, os mais confiáveis também. Eles faziam parte do tráfico, mas ainda assim eram meus irmãos.


 

— A gente se encontra no QJ. — avisou e foi em encontro a sua Queen’s biker preta. QJ era nosso lugar secreto. Eu e os caras sempre nos encontrávamos lá, seja para jogar conversa fora ou arquitetar planos contra a prefeitura. Yoongi guardava a mercadoria dele lá também.

 

— Jungkook, espera aí, cara! —  A voz de Sehun soou como aviso, enquanto fazia um gesto com a mão no ar, já que a outra estava apoiada no joelho pela fadiga. Aos passos que eu chegava mais perto da pichação e do meu xodó, não tinha notado os dois policiais que tinham me visto, indo de vez ao meu encontro.

 

— Meu bebê! — eu beijei minha jaqueta e a abracei infantilmente, como se a mesma fosse uma pessoa. Eu tinha que voltar, sem mais nem menos. Aquela jaqueta era minha marca registrada no bairro. Nosso plano já tinha ido por água abaixo mesmo. Tinha como ficar pior?

 

— Parado em nome da lei! Mãos para cima!

 

Sim, tinha.

 

— Eu disse mãos pra cima! — joguei a cabeça para trás, suspirando alto e virando com a minha melhor feição de falsa inocência.

 

— Ei, ei, muito calma nessa hora, meu chapa. — virei de costas, logo sendo prensando contra a parede pela autoridade local, logo após, sendo revistado — Calma aí, gordinho. Não tô afim que ninguém pegue nas minhas bolas. — o policial ficou vermelho por causa do meu apelido. Em seguida, eu dei uma piscadela, rindo debochado.

 

Eu não dava a mínima, adorava tirar sarro de tudo e todos.

 

Sem sombra de dúvidas, eu não era lá um exemplo de obediência aos mais velhos e autoridades. Isso era uma das características marcantes que me faziam um bad boy, já que como citado anteriormente, eu não seguia padrões e detestava submissão, o que era uma das coisas mais exigidas no meu país e na Ásia inteira. Muitas famílias consideravam o respeito algo básico da educação de qualquer adolescente asiático. Toda a sociedade tradicional, no caso. Mas eu estava pouco me fodendo. Detestava regras e a idéia de ser submisso, muito menos ser manipulado pelos padrõezinhos de merda. Como consequência disso, sempre agi de modo considerado indisciplinado, dissimulado e sem doçura.

 

— Seu moleque atrevido!

 

— Ih, olha lá! Não é o Marty Mcfly dirigindo um DeLorean*? — apontei para o outro lado da rua, numa feição de falsa surpresa. Tinha que funcionar, todos caem na do DeLorean, bicho.

 

— Onde? — quando o policial fez menção de virar o rosto, Jungkook já tinha dado no pé.

 

Otário.

 

— Volte aqui, delinquente! Eu vou te pegar! — o policial berrou em escárnio, tentando me alcançar, mas eu era muito mais jovem e rápido e já estava metros de distância.

 

— Acho que esse botijão de gás aí em baixo da sua blusa aí não ajuda, em! — gritei, colocando minha jaqueta de couro preta e deixando o gordinho para trás, que já tinha parado de correr há tempos pela falta de condicionamento físico. Eu ri. Eu nunca tinha corrido  tanto, podia ser até o novo Flash. Numa versão oriental e muito mais confiante, é claro. E sem aquele spandex apertado. Imagina minhas bolas naquilo? Tô fora.

 

Eu estava tão aéreo por causa da adrenalina e meus pensamentos, que nem me dei conta da viatura policial que estava parada bem na esquina que eu tinha parado para respirar. E num piscar de olhos, pronto. Cinco viaturas já estavam bem na minha frente. Só podia ser brincadeira. Eu era um comunista, terrorista ou o que?

 

— Mãos na cabeça e de joelhos! Agora? — todos os outros sacaram as armas na direção de Jeon, que estava pálido de medo. Eu engoli seco. ''

 

Daquela vez ele não teve saída. Tudo por causa de uma jaqueta. Uma jaqueta! Como pode ser tão cabeça dura? Jungkook sabia que seu materialismo empedernido o consumia de vez em quando. Chegava a ponto de fazer loucuras por coisas simples e supérfluas. Tais como sua moto, seu walkman, sua coleção de vinis do Michael Jackson — a qual daria a vida — e claro, sua queen’s biker de couro. Que havia sido o gatinho daquilo tudo.

 

— Companhia nova, pirralho. — o carcereiro avisou, abrindo as grades. O que? Jungkook levantou a cabeça na mesma hora, quando se deparou com o que menos esperava parado bem na sua frente, com o mesmo uniforme que o seu e o cabelo pintado de verde.

 

Yoongi?

 

— Ao vivo e em cores. — ele sorriu, com aquela feição largada de sempre, enquanto o policial tirava suas algemas.

 

— Seu filho da puta! — Jungkook o abraçou apertado, não acreditando. Aquilo sim tinha sido uma baita surpresa. Agora não estava mais sozinho. Seu coração se aqueceu no mesmo instante que Yoongi retribui seu abraço, de forma calorosa. A memória da primeira vez que o conheceu estava fresquinha em sua cabeça. O ver ali o trouxe uma nostalgia sem igual.

 

— Cara, como veio parar aqui? — Jungkook perguntou, ainda surpreso. Ambos já haviam se separado do abraço, sentado na cama do moreno.

 

— Me pegaram vendendo baseado. De novo. — bufou rindo. Jungkook inspirou fundo. Yoongi dava muito mole, se tivesse trocado o ponto de drogas como o havia aconselhado, nada daquilo teria acontecido. Mas não iria discutir com ele agora. Não era o lugar nem a hora. Pelo menos iriam se foder juntos.

 

— Vai ficar quanto tempo aqui? — o mais novo perguntou, unindo as sobrancelhas.

 

— Ainda não tive meu julgamento. Mas provavelmente, anos. — a fala sincera fez com que Jeon arregalasse os olhos e batesse a mão na testa, fazendo Yoongi rir, mudando de assunto — E você?

 

— Seis meses. — Jeon disse, colocando a sua mão por cima da de Yoongi, tentando o confortar. Anos? Não pode ser! O que vou fazer anos sem o meu melhor amigo por perto? Ele não pode ficar aqui. De jeito nenhum. — Yoongi, ainda pode ter algum jeito. Você não pode me abandonar.

 

— Eu já aceitei o meu destino. — falou com frieza. Fazendo Jungkook se desesperar.

 

— Não! A gente pode fazer um protesto, tentar pagar um advogado…

 

— Protesto? Advogado? — riu com desdém. Tirando sua mão de perto dá do garoto. — Jungkook, acorda! Você acha mesmo que alguma dessas coisas dariam certo? Eu moro na rua, sou desempregado e ainda por cima traficante de drogas. Não tenho a menor chance. Lide com isso.

 

— Mas e a nossa amizade? Tudo que passamos juntos? — os olhos de Jeon se enchiam de mágoa. Sabia que Yoongi era frio, mas só estava tentando ajudar. Não conseguia lidar com a idéia de o perder.

 

— Simplesmente esqueça. Me esqueça. — ele disse cheio de frieza, virando o rosto para não encarar Jungkook.

 

Ouch! Essa doeu.

 

— Hum. Pelo menos me dê o motivo. — o moreno não estava surpreso. As pessoas sempre o magoavam ou decepcionavam. Principalmente amigos. Yoongi era só mais um. Jungkook tinha ficado magoado sim, mas nem morto admitiria isso. Só iria descartar Min como lixo. Mas antes, Jeon queria pelo menos uma explicação do porquê dessa mudança repentina. Porém, antes que Yoongi pudesse responder, e explicar que era tudo por que ele se preocupava com o mais novo e se achava uma péssima influência para ele, que era apaixonado por Jungkook e que o achava incrível demais e inteligente demais para andar com um fracassado como si, e ter uma vida baseada em utopias e mediocridade, o carcereiro entrou;

 

— O delegado quer ver você, Jeon. — o homem de farda avisou secamente, fazendo Jungkook e Yoongi franzirem o cenho, confusos. Jungkook não sabia o que esperar, então tentou não criar expectativas e já foi logo se levantando e acompanhando o policial, que algemou suas mãos contra as costas. O que será que ele quer dessa vez? Não chupo o pau de ninguém por liberdade não.

 

Jungkook estava tão ansioso, que somente mandou um olhar de conforto para Yoongi, como se dissesse ‘’quando eu voltar, terminamos isso’’, fazendo o mesmo responder com um sorriso forçado, e logo depois, quando o Jeon já havia saído, deixou a angústia tomar conta de si. Bem lá no fundo, ele tinha um estranho sentimento, como se soubesse o que iria acontecer; Jungkook não iria voltar. Yoongi ficaria sozinho.

 

Havia ficado para trás, naquela cela de aço fria e apática, com seus sonhos e futuro destruídos.


 



 

— Delegado Kim, por favor… — a mulher baixinha fungou, limpando os olhos com o lencinho encharcado. Jungkook havia sido chamado na sala do diretor para poder discutir sua liberdade, se aconteceria ou não, junto com sua mãe. — Tem que haver uma solução. Ele é inocente. — o homem suspirou, olhando cansado para a mulher. Já estava cansado desses pais desnaturados que não davam conta dos próprios filhos. Sempre juravam de pé junto que eles eram bem educados, que eram inocentes e blá, blá, blá. Era a mesma história de sempre, e o delegado Kim já estava mais do que acostumado, e de saco cheio.

 

— Senhora, se tem uma coisa que seu filho não é, é inocente. — disse sério, fazendo a mulher arregalar os olhos. Jungkook somente riu. Estava sentado na cadeira ao lado de sua mãe, de um jeito descolado, como quem não liga para nada.

 

— Como se atreve? Eu conheço meu menino mais do que ninguém!

 

— Conhece mesmo, Senhora Jeon? — o homem grisalho semicerrou os olhos, apoiando os cotovelos na cadeira, encarando Jungkook que arqueou as sobrancelhas, depois olhando novamente para a mãe — Por acaso já passou pela sua cabeça, que o fato de seu filho já ter repetido 3 vezes de ano, parado de frequentar regularmente a escola, ter várias fichas criminais na polícia por vandalismo, agressão e desacato a autoridade, não fazem nem um fio da cabeça dele inocente? — a senhora Jeon ficou calada. Não tinha o que rebater. Apenas abaixou a cabeça e engoliu seco. Ela sabia de tudo, e era a mais pura verdade. Só queria apenas defender o seu filho, como qualquer mãe faria.

 

— Tem que haver uma solução, Delegado. — a mulher disse, cabisbaixa.

 

— Já estou cansado de pais desnaturados como a Senhora. Todo dia tem um com o mesmo discurso que você aqui. Mas a verdade é que vocês não tem a decência de criarem os próprios filhos de uma maneira honrada, e no final, sobra pra nós. Conselho tutelar e governo. — bufou, mexendo em suas papeladas, procurando a ficha de Jungkook.

 

A mulher engoliu seco, olhando para os próprios pés.

 

— Ele não pode ir para um reformatório? — a mulher ainda tentava conseguir uma chance, mesmo sem esperanças.

 

— Como dito antes, seu filho já é maior de idade. Ele será julgado e condenado como um adulto. Reformatório é apenas para adolescentes que cursam o ensino médio, ou até mesmo sendo maiores de idade. — dessa vez, a senhora Jeon não se aguentou e desabou em lágrimas. O desespero consumia seu pobre coração impiedosamente.

 

Jungkook não teve nenhuma reação. Ele não era o que podemos chamar de sensível, mas ver a própria mãe chorar daquele jeito havia mexido consigo. Mexeria com o psicológico de qualquer um. Ele a amava mais do que tudo, e sabia as dificuldades que a pobre mulher já havia passado por sua causa. Sem contar que ela estava desempregada, e morava com seus avós desde que Jeon e sua irmã fugiram de casa, por não aceitarem o relacionamento abusivo da mesma com o próprio pai. Ele. O desgraçado inútil que havia destruído a vida daquela mulher e de seus dois filhos. Jungkook não queria a dar mais desgosto. Sua mãe era uma mulher doce e pura, não queria a ver sofrer mais.

 

Então, pela primeira vez em toda a sua vida, mesmo que contra sua vontade, tomou uma atitude consciente, totalmente contrária a quem era;

 

— Eu posso voltar a estudar.

 

— O que? — o homem ficou sem reação, assim com a Senhora Jeon, que não acreditou no que escutou. Ela levantou o rosto mesma hora, toda agitada, limpamos as lágrimas rapidamente.

 

Estudar.

 

Aquela palavra aterrorizava a mente de Jungkook mais do que qualquer outra coisa no mundo. Todas suas experiências em escolas haviam sido deploráveis, sem contar as vezes que havia sido expulso por diversos motivos, e entre eles o mais comum; notas baixas. Jeon não podia ser considerado um aluno A, muito menos esforçado. Só ia na escola para ficar com alguma lider de torcida, comer na cantina ou contestar o professor de história. Odiava com todas as forças o sistema bruto e desumano das escolas em que já havia estudado. Era muito pressão de vestibular, emprego, faculdade… Jungkook era largado demais para aquilo. Só queria andar tranquilamente na sua moto, tocando sua guitarra em shows, sem o estresse acadêmico. Não conseguia levar muitas coisas para frente, não por que não era inteligente, mas por que tinha preguiça mesmo.

 

Mas daquela vez tentaria fazer diferente. Pela sua mãe.


 

— É isso mesmo que vocês ouviram. — o rapaz respondeu, confiante — Eu vou voltar a estudar.

 

— Oh, querido! — a mãe a abraçou de lado, não conseguindo conter a felicidade. Achava que estava dentro de um sonho. Seu menino voltaria para a escola! Tinha algo melhor que aquilo? Para o delegado não. Ele somente encarava os dois boquiaberto, pois sabia que tinha arranjado uma enorme dor de cabeça. Jeon seria uma pedra no seu sapato. O pior para si e que ele não podia refutar a decisão do rapaz, era um direito dele.

 

— E eu quero começar amanhã. Exijo que me tirem daqui hoje. — cruzou os braços, dando um sorrisinho, fazendo com que o pedido autoritário fizesse delegado revirar os olhos e inspirasse profundamente. Que garotinho mais mimado, pensou. Já Jungkook, estava amando impor seus direitos.

 

— A única escola que te aceitaria, — o delegado olhou o garoto de cima abaixo, com desdém. Mas Jungkook não se deixou abalar e ergueu ainda mais a cabeça — é a Yonsei High. Portanto, lá é um colégio interno. Bastante rigoroso. Tenho certeza que vão te colocar no seu devido lugar. — Jungkook trincou o maxilar. É o que veremos, pensou.

 

— Ah, que notícia maravilhosa, Sr. Kim! Meu coração não podia estar mais feliz! — a mulher falou feliz como nunca, vendo Jungkook sorrir forçado.

 

— Dessa vez você terá uma chance, Senhor Jeon. Farei um acordo com a escola, e eles ficaram mais do que de olho em você. Seus passos e até mesmo sua respiração, serão monitorados e devidamente vigiados. Vou fazer com que eles não te deêm moleza. — o homem o encarou, com uma postura de seriedade de dar arrepios — Saiba que não é todo dia que delinquentes como você tem esse tipo de chance. De recomeçar. Espero que você faça valer a sua escolha e a oportunidade a qual está tendo. Qualquer deslize, o senhor irá voltar diretamente para a cadeia, sem qualquer mordomia.

 

Jungkook se arrepiou dos pés a cabeça.

 

Aquilo era muito sério. O delegado não estava de brincadeira. Jeon pela primeira vez sentiu medo. Medo de algo dar errado e voltar para aquele esgoto de lugar, sozinho e sem liberdade. Mas afinal, era a única chance que tinha. Não podia reclamar. Tinha que agarrar aquela oportunidade, e fazer algo diferente em sua vida, pelo menos uma vez.

 

Mas isso não queria dizer deixar sua rebeldia de lado.

 

— Irei garantir que alguém os acompanhe até a escola. E que fique claro; ninguém pode saber deste acordo. Absolutamente ninguém. Jungkook será somente um estudante normal, que trocou de escola no meio do ano. Você irá sair daqui hoje. Não me faça eu me arrepender, Sr. Jeon. Só estou tomando essa atitude em consideração a lei, não a você. Estamos entendidos? — o homem perguntou, estendendo a mão. A mãe engoliu seco, encarando o filho com apreensão. Jungkook apenas revirou os olhos, se erguendo com postura e apertando as mãos do homem.

 

— Sim, senhor.

 

O garoto nem imaginava que aquilo mudaria sua vida para sempre. De uma vez por todas.


 

 

 




 

Yonsei High parecia um daqueles colégios internos de filmes.

 

Os prédios da escola eram gigantes, com paredes de pedra beges e janelas de vidro espalhadas na frente. O gramado verde extenso dava um ar mais leve a visão, que era cinza e deprimente. Um campo de futebol americano podia ser notado há alguns metros, uma piscina olímpica também. Qualquer um que entrasse ali, com certeza se sentiria como um peixinho fora d'água.

 

E Jungkook já desfrutava muito bem desse sentimento, no portão do local, junto com sua mãe e sua mochila velha de pano, que trazia todos os seus pertences.

 

Oras, por mais que Jeon fosse descolado e bad boy, não deixava de ser um garoto pobre e humilde. As escolas em que havia estudado mal tinham banheiro, e a única coisa que as enfeitavam eram as pichações no muro do lado de fora. Mas ali, naquele lugar, ele nem tinha entrado no colégio, e já sabia que era tudo era demais. Sofisticado demais. Jungkook e sua mãe estavam impressionados. Tinha até piscina! Será que conseguiria se adaptar ali? Era como um outro mundo, integralmente novo e desconhecido.

 

Um mundo potencialmente elitizado e cheio de riquinhos mimados. Jungkook tinha certeza.

 

— Sejam bem vindos. Meu nome é Kim Namjoon e eu sou o monitor do primeiro ano. — quando já estavam na diretoria da escola, sentados num dos bancos de madeira, um garoto alto e moreno se aproximou, vestido num terno e gravata social, arregalando os olhos pela aparência nada formal de Jungkook. Normal. Jeon era de se intimidar mesmo, sua presença era forte e marcante. Então já estava acostumado com aquele tipo de olhar. — Vou acompanhar vocês. Do que eu poderia chamá los?

 

— Me chame de Senhora Jeon, querido. — a mulher o deu um leve sorriso, fazendo com que Namjoon fizesse uma reverência, apertando a mão da mesma. E logo seus olhos mudaram para Jungkook, que estudava o ambiente ao redor. — Esse é meu filho, Jeon Jungkook. — Namjoon engoliu seco ao encarar o mesmo. O tal Jungkook tinha uma áurea muito intensa. Se sentia pequeno perto do mesmo.

 

— E aí? Tudo sussa? — Jeon comprimentou Namjoon de modo descontraido, o olhando de cima abaixo, dando um soquinho de leve em seu peito e um sorriso confiante, fazendo o mesmo olhar para o lugar onde ele havia tocado e depois para si, pigarreando nervoso.

 

— Eu… E… Tudo, sim. — ajeitou a gravata e se recompôs. Não estava acostumado com aquele tipo de vocabulário. Era informal demais. De primeira vista o gênio forte do Kim não tinha batido com o de Jeon. Algo nele o incomodava.— Bom, me acompanhem. Irei mostrar seu dormitório e mais tarde faremos um tour por todo o internato.

 

Os três começaram a andar em direção a uma escada gigante em espiral, que tinha vários corredores e alas, para lugares e salas diferentes. O lugar tinha uma decoração clássica, parecida com aquelas casas antigas dos anos cinquenta. As cores eram escuras e os alunos andavam sempre de forma estranha. Como se fossem robôs. E todos, sem exceção, encaravam Jungkook como se o mesmo fosse algo inédito. Para eles parecia gente de outro mundo! A música War Pigs do Black Sabbath podia servir de fundo naquele momento.

 

Jungkook se sentia um astro de cinema.

 

Não era de se evitar tantos olhares pasmos. Fala sério; um rapaz novato lindo de morrer, alto como um poste, que usava piercing na orelha cheia de brincos, com uma jaqueta de couro, calça apertada e botas de couro sujas de lama, todo confiante e descolado… Quem não ficaria encantado? E afinal, o diferente sempre chama atenção.

 

— Esse é o seu dormitório. Seu colega de quarto não está presente no momento, mas ele é o garoto mais inteligente e esforçado do colégio. E, hum… Um tanto difícil de lidar. — Jungkook entrou no local após Namjoon abrir as portas, ficando confuso de início. O quarto era enorme. Um lado era completamente infestado por posters de filmes, com uma estante de livros e discos de vinil jogados, e uma cama cheia de travesseiros e com um lençol escrito ‘’ Be free ‘’. Jungkook presumiu que aquele fosse o lado habitado por seu coleguinha e revirou os olhos.

 

Não seria tão difícil ter que dividir o quarto com alguém. Já havia o feito com vários garotos no reformatório, e também com sua irmã quando era mais novo. Aquilo não era problema para si. Era só cada um no seu canto, sem invadir o espaço do outro que estava beleza. E talvez o garoto que iria dividir o quarto consigo podia ser legal. Pelo menos Jeon esperava que sim.

 

— Querido, não é incrível? — a mulher baixinha alisou levemente as persianas, fazendo Jungkook a olhar admirado. Ela estava tão feliz. Havia tanto tempo que Jeon não via aquela expressão no rosto da mãe.

 

— É sim. — respondeu sorrindo e beijando a testa da mesma, com ternura.

 

— Já pode ir se acomodando. Irei acompanhar sua mãe até a sala do diretor, para que vocês finalizem a transferência e fiquem cientes das regras da escola. — Namjoon fez uma menção com a cabeça para a mulher o acompanhar, o que a mesma fez, depois de dar um abraço apertado e um olhar orgulhoso para o filho.

 

Jungkook estava enfim sozinho em seu pseudo lar.

 

Largando suas coisas de qualquer jeito no chão, o rapaz se jogou em sua cama, suspirando. Até então não tinha sido ruim. Quem sabe podia começar a gostar dali? Ou até mesmo… se enturmar? Mas antes que pudesse se aprofundar de vez em seus pensamentos, um cheiro forte de baunilha e um pigarreio o assustaram, o fazendo levantar a cabeça de prontidão.

 

Posso saber quem é você? — a vozinha fina e séria o perguntou, fazendo com que Jungkook arregalasse os olhos ao reparar de vez a figura a sua frente. O garoto era muito baixinho, tinha os cabelos negros partidos de lado, com um óculos grande e redondo no rosto de pele pálida. O uniforme da escola ficava desproporcional no corpo do garoto, o fazendo parecer um gatinho de pijama. Os olhos de Jungkook brilharam.

 

Só me faltava essa, Jeon pensou.

 

Jungkook levantou lentamente, vendo o baixinho arregalar os olhos assustado e recuar levemente, afetado pelo tamanho de Jungkook. Ele era uns dezoito centímetros mais alto que si! Como não se sentiria afetado? E o pior é que o gigante chegava cada vez mais perto, fazendo sua cabeça ficar abaixo de seu ombro. Jimin só conseguia o encarar, impressionado com seu modo de vestir, principalmente com os piercings na orelha. Não sabia se gostava ou estranhava. Ele era totalmente diferente de tudo que já tinha visto.

 

De um jeito mais complexo, no caso.

 

— Meu nome é Jungkook, Jeon Jungkook. — estendeu a mão, que foi apertada pelo garoto mais baixo. Jeon não pode deixar de notar que mãozinha dele era muito macia, semelhante à de uma mulher. Jungkook sorriu levemente, jogando charme. — Mas pra você pode ser Jungkook, gracinha. — o rosto do garoto ficou vermelho como um tomate, fazendo Jungkook sorrir convencido. 

 

Ninguém resiste ao charme de Jeon Jungkook.

 

— Meu nome é Park Jimin. — o garoto se recompôs, falando seriamente e apertando a mão do mais alto, que ergueu as sobrancelhas —  E pra você é Park. — Jungkook achou graça.

 

Os marrentos são os melhores.

 

— Ah sim. É um prazer, Park Jimin. — a maneira como Jungkook pronunciou o nome dele fez com que Park se arrepisse dos pés a cabeça, e que sentisse coisas estranhas no estômago. — Você já pode soltar minha mão. — ele sorriu novamente, fazendo Jimin pigarrear e se soltar, limpando as mãos suadas nas calças sociais. Jeon tombou a cabela de lado, achando a feição de Jimin semelhante a de um gatinho assustado. Não era muito diferente.

 

— Você está fazendo o que aqui? — Jimin perguntou, se afastando de Jungkook, que colocou as mãos nos bolsos da jaqueta de couro, sorrindo galanteador e ficando naquela típica pose de garoto mal.

 

— Bem, eu vou morar aqui. Sou seu novo colega de quarto. — os olhos de Park se arregalaram como duas bolas de ameixa, não podia ser verdade. Ninguém havia o avisado sobre aquilo! Tinham falado que ele quarto seria só dele. Argh, era por isso que odiava aquele colégio!

 

— O que? Não, não e não. Eu não divido nada com ninguém, muito menos meu quarto!

 

Que garoto mimado!

 

— Vai se acostumando. Por que agora eu vou morar aqui e você vai ter que lidar com isso, querendo ou não, tampinha. — Jungkook piscou, saindo do quarto, deixando um Jimin puto sentando em sua cama. Tampinha? Quem esse fedelho pensa que é? Jimin bufou, ajeitando os óculos no rosto. Estava ferrado. Teria que dividir o quarto com uma versão ambulante do John Bender.

 

Aquilo com certeza iria dar problema.

 

Muito problema.

 

 


Notas Finais


DEMOREI, MAS POSTEI!

pessoal, espero de coração que vocês tenham gostado desse capítulo. era pra ser um prólogo, mas decidi fazer um capitulo normal mesmo. espero que vocês de conectem com essa fanfic, cara. deeu muuuuito trabalho. eu respostei agora de novo, pq sou MUITO neurotica.

a fanfic se passa nos anos 80! e ela tem uma playlist que em breve vou postar para vocês.

a música do capítulo é rebel, rebel, do david bowie.

ATÉ O PRÓXIMO CAP, ABRAÇOS!!!!!!!!!!!!!!!


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