História Procura-se amor (em cartas de tarô) - Capítulo 1


Escrita por: e vminpearl

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys (BTS), Fluffy, Kookv, Taekook, Taekookers, Vkook, Vminpearl
Visualizações 373
Palavras 6.387
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, LGBT, Shonen-Ai, Slash
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, oi, gente! Pra quem não me conhece, meu nome é Amanda. Eu já fazia parte desse projeto incrível, como beta reader, e agora resolvi me arriscar pelos caminhos das ficwriters.
Então, é minha primeira fanfic aqui. Devo dizer que estou /ANSIOSA/.

Escrevi essa fanfic para a seleção do projeto e o plot é autoria da staff do Taekookers. Quero agradecer >imensamente< a @taegust pela capa e banner MARAVILHOSOS. Obrigada, de coração! Ficou tudo uma verdadeira obra de arte <3

Espero que vocês gostem, boa leitura!

Capítulo 1 - Vamos ver o pôr do sol


Fanfic / Fanfiction Procura-se amor (em cartas de tarô) - Capítulo 1 - Vamos ver o pôr do sol

Quando seu melhor amigo sugeriu uma visita à cartomante mais popular da cidade, Jeon Jeongguk achou que era apenas uma brincadeira.

Ele era cético sim, mas não um cético fervoroso, que acreditava apenas naquilo que seus olhos registravam e suas mãos tocavam ou no que a ciência comprovava. Jeongguk acreditava em uma superstição ou outra — batia três vezes na madeira quando alguém falava alguma coisa ruim perto de si e sempre, sempre desvirava o chinelo por medo de matar a mãe —, mas não no nível exagerado de Hoseok. Hoseok, que cortava o cabelo em noite de Lua Nova para fortalecer a raiz, que sabia a função de cada elemento do mapa astral, que afirmava que a mão esquerda coçando era sinal de dinheiro chegando e já se fosse a orelha esquerda, era alguém falando mal de si. Eram tantas superstições que Jimin e Jeongguk não conseguia evitar a necessidade de, vez ou outra, pegar no seu pé pelas crenças sem nenhum fundo de verdade.

— Jimin-ah, se você conseguir convencê-lo a visitar a cartomante da qual falei, pode ficar com meus horários do estúdio por três meses. — A história da cartomante surgiu no meio de uma sessão de filmes na casa do mais novo, e nenhum dos três prestavam real atenção no filme porque era uma comédia romântica francesa sem pé nem cabeça e isso abriu espaço para Jeongguk reclamar sobre a própria solteirice, motivado pelo tédio e arrependimento de deixar Jimin escolher o filme. Com tantos filmes de romance bons ou de super-heróis disponíveis no catálogo da netflix, ele simplesmente não conseguia acreditar que o amigo havia escolhido uma comédia francesa.

— Jeongguk, se você for nessa cartomante, juro que faço seu artigo de Políticas Educacionais. — O maior enfiou a mão no balde de pipoca, encarando o Park jogado no tapete da sala com um olhar de desdém.

— Você quase reprovou nessa matéria.

— Por falta, não por nota!

— Aigoo, Jeonggukie, você não ‘tá fazendo nada mesmo. — Hoseok apontou, balançando o ombro do moreno em uma tentativa de vencê-lo pelo cansaço. — Qual o problema de ir? É só uma visitinha! Se você estiver com medo, posso entrar e segurar sua mão.

— Que mané medo, hyung. Não quero ir simplesmente porque não acredito que uma mulher estranha possa resolver minha solteirice. O problema está em mim, entendeu? A menos que ela consiga fabricar um ser humano que goste de pessoas desinteressantes, não vejo como poderia me ajudar a arrumar um namor… AI! — gritou, interrompendo a própria sentença quando Jimin levantou do sofá e acertou um soco na sua perna esquerda. Massageou o lugar atingindo e lançou um olhar incrédulo para o mais velho e, ao não receber explicação pela violência gratuita, voltou-se para Hoseok. — ‘Cê viu isso? Ele me bateu!

— Já disse que amigo meu não se desmerece na minha frente. — O loiro relembrou o que sempre dizia. Não era como se Jimin também não tivesse suas inseguranças ou momentos autodepreciativos, mas simplesmente não aceitava seus amigos se diminuindo, afinal, só andava com pessoas extraordinárias. E quem discordasse disso, que discordasse em casa, porque se fosse na sua frente… 

— Vamos lá, JK! Só uma visitinha. Você nem precisa perguntar nada, ela é tão boa que vai conseguir ler tudo sem nem conversar.

— Ela é boa mesmo. — Jimin afirmou, pausando desnecessariamente o filme, já que ninguém estava prestando atenção mesmo. — Ano passado fui lá ‘pra saber se ia conseguir arrumar um emprego e ela acertou até a área na qual eu trabalharia. 

Jeongguk suspirou descrente. Conseguia sentir o olhar em expectativa de Hoseok, além de seu sorriso trinta-e-dois-dentes ser visível pelo canto do olho. Sabia que a tal consulta não seria útil, mas ao menos teria o gostinho de esfregar o próprio fracasso na cara dos amigos. Com esse pensamento em mente, replicou:

— Você não vai me deixar em paz, né? Marca isso, então. — Fechou os olhos com força quando Hoseok deu um berro de comemoração, tentando manter uma careta zangada que não durou muito quando o mais velho abraçou-o de lado, conversando consigo em uma vozinha de bebê boba. — Mas já vou dizendo que se der errado, não vou pela cabeça de vocês nunca mais!

As coisas começaram a dar errado mais cedo do que ele esperava.

Era o dia da consulta com a cartomante e Jeongguk estava parado em frente à uma porta de vidro estreita, encarando fixamente a placa “LEIA SUA FORTUNA OU DESGRAÇA COM CARTAS, TARÔ E BÚZIOS” com um semblante em partes preocupado e aliviado. Preocupado porque o local onde a mulher atendia ficava em uma rua de poucas casas e construções, a porta estreita espremida entre um estabelecido fechado e uma casa capenga com ares de abandono; e aliviado porque ao menos a mulher parecia ser sincera já na placa de anúncio. 

Entrou sem bater. Hoseok disse que não era necessário, porque a cartomante já estava ciente do seu horário marcado. Ao contrário do que prometeu, o Jung não foi consigo e talvez Jeongguk tenha se arrependido de ir sozinho, porque sentiu uma pontinha de inquietação ao cruzar o corredor escuro, os passos eram abafados pelo carpete que cobria o piso. A passagem escura se abriu em uma sala de espera pequena, iluminada por uma janela aberta e o único ruído presente era o ventilador de teto que mais fazia barulho do que ventilava. Não havia ninguém atrás do balcão para lhe receber e, sentindo um medo irracional pelo silêncio esmagador e pela decoração pesada — vários tons de vermelho cobriam o sofá, o balcão de madeira, os quadros na parede —,  pegou o celular no bolso da calça, enviando a própria localização no grupo que tinha com os melhores amigos.

— Jeongguk-ssi, eu estava esperando por você. — A voz tranquila surgiu tão de repente que o jovem pulou assustado, observando a mulher parada na frente de uma porta que definitivamente não escutou ser aberta. Ela era mais velha e tinha um sorriso calmo nos lábios vermelhos e a maquiagem carregada destacava os olhos pequenos. Jeongguk analisou as roupas com certo receio e curiosidade: saia longa e vermelha, adornada com várias medalhinhas douradas, um collant bege que destacava os inúmeros colares que pediam no peito coberto, até fixar nos pés descalços. Ele acompanhou a mulher para dentro da outra sala, o estômago embrulhando ao notar que não havia janela nem ventilador ali. O clima era quente e o cheiro de incenso estava lhe causando certa vontade de vomitar — ou seria o medo? 

— Vamos ser rápidos. Percebi que você tem ânsia com cheiro de incenso e infelizmente não posso apagá-los, eles tornam a leitura mais clara. — Kang Jiyeon lhe lançou um sorriso pequeno, que Jeongguk teria considerado até mesmo simpático se não estivesse com medo da mulher trancar a porta e mantê-lo preso ali pela eternidade. Será que Hoseok havia passado o endereço certo? Toda aquela decoração espalhafatosa em vermelho era realmente necessária?

— C-como vai funcionar? — perguntou ao se sentar na almofada e encarar a mesa baixa que dispunha de velas, baralhos e ramos de folhas que ele não fazia ideia da serventia. 

— Hoseok-ssi foi bem específico ao dizer que você só queria uma leitura sobre sua vida amorosa, então vou ler apenas o que as cartas têm a dizer sobre isso. Enquanto embaralho e corto o tarô, vou pedir para você fazer algumas escolhas e quando estiver tudo montado, começarei a ler. Não se preocupe em tentar escolher por lógica ou racionalidade, apenas aponte para qualquer carta que lhe chamar atenção.

Jeongguk assentiu e observou em silêncio a mulher pegar o deque de cartas, os dedos adornados por vários anéis dourados, finos e grossos eram ágeis ao  embaralhar, cortando para cima e para baixo. Escolheu o monte da esquerda quando ela pediu, apontou para as seis últimas cartas quando a cartomante instruiu que escolhesse sete e, por fim, escolheu a primeira da fileira. 

— Ah, aqui está — falou com os olhos fixos nas cartas viradas para cima. Jeongguk se aproximou, tentando ver para o que ela apontava. Quando a cartomante ergueu a cabeça, as testas quase se chocaram e Jeongguk se afastou com rapidez, pedindo desculpas e ficando vermelho de vergonha.

— Ao contrário do que imagina, você não vai viver uma vida de beato, cercado apenas por gatinhos e cachorrinhos. Não vai mesmo. — Jiyeon abriu um sorriso grande para as cartas, talvez achando graça em alguma coisa que Jeongguk não enxergava. — Vejo um jovem mais ou menos da sua idade em seu futuro. Não posso dizer com clareza quando o encontrará, mas será em breve. Cabelos castanhos, sorriso retangular e olhos marcantes, um deles com pálpebra dupla. Adora usar roupas folgadas, não existe outro tipo em seu guarda roupa. — Jeongguk franziu o cenho para o tom incomodado que a mulher aderiu na última sentença, será que ela era algum tipo de cartomante fashionista que secretamente julgava o guarda roupa da clientela ou das pessoas que via em suas cartas? — Espera! Consigo vê-lo usando um conjunto decente de calças justas. Ah, são suas, claro. —  Jeongguk arregalou os olhos com o sorriso malicioso que a mulher mandou em sua direção, as bochechas corando com a situação. Aquela cartomante estava vendo seu possível namorado pegando roupas suas, emprestadas? Só podia ser brincadeira. — É um bom rapaz, vai te fazer rir muito. Você é meio tímido, não é? Pois então, o casal perfeito, porque seu rapaz é bastante desinibido. 

E tão rápido quanto começou, a leitura acabou. Jeongguk piscou os olhos vagarosamente, observando a mulher recolher as cartas e guardá-las. 

— Alguma dúvida? — questionou, apoiando o queixo em uma das mãos. 

— Ahn, não…? 

— Não se preocupe, Jeongguk-ssi. Do meu ramo, eu sou a melhor no que faço. Não há dúvidas que você vai conhecer o amor da sua vida. — Ele acenou e resmungou um agradecimento, acertando a quantia da consulta e fazendo o caminho de volta até o corredor com passos pesados, o medo esquecido há muito tempo. Desde o início não estava dando muito crédito para a mulher, mas após menos de vinte minutos dentro daquela sala abafada, estava claro como o sol que havia acabado de se consultar com uma vigarista.

— Cabelos castanhos, roupas largas… — replicou infantilmente com uma voz mais fina, revirando os olhos e tudo. — Acabou de descrever mais da metade das pessoas da minha faculdade!

 

-

 

A melhor maneira de esquecer o prejuízo dos vários wons que levou com a cartomante fajuta foi se ocupando com uma interminável semana de provas. Na sexta feira à tarde, após terminar um seminário extenso de História da Literatura, a única coisa que passava pela cabeça de Jeongguk era dormir. Estava com planos de pedir pizza a noite e passar todo o final de semana dormindo e recuperando as energias quando encontrou duas figuras muito conhecidas jogadas no chão do final do corredor, aparentemente lhe esperando.

— Jeonggukie! — Hoseok acenou, puxando Jimin para cima e caminhando de encontro ao mais novo. — Como foi o trabalho?

— Não muito bom — respondeu cansado. — Minha dupla não foi tão ativa na apresentação e quando abriu a boca para falar, falou merda.

— Você fez o trabalho inteiro sozinho, de novo? — Jimin questionou em um tom de reprovação.

— Se tivéssemos divididos as partes eu teria que revisar tudo novamente e eu faria isso na força do ódio, com direito a mil juras de morte ao Seulki-ssi, então foi muito mais prático fazer sozinho. 

— O homem nasce bom, o trabalho em grupo o corrompe. — Hoseok citou, afagando o cabelo de Jeongguk em consolo. Os mais velhos sempre escutavam, compadecidos, as reclamações do garoto acerca dos trabalhos em grupo, porque aparentemente não havia pessoas realmente comprometidas em suas turmas ou Jeongguk quem era perfeccionista demais e sempre acabava se desentendendo com os colegas e fazendo tudo sozinho para evitar brigas.

— Vamos lanchar alguma coisa para recuperar as energias, sim? Aproveita que os hyungs vão pagar para você. — Jimin falou, enlaçando o braço disponível de Jeongguk e o trio caminhou em direção a saída do bloco didático, os mais velhos ignorando os resmungos do Jeon sobre querer dormir e não comer.

A lanchonete ficava fora do campus, próxima do portão superior e, como em todos os outros dias, estava lotada. O trio demorou quase dez minutos para conseguir uma mesa disponível no lado de dentro, Jimin fazendo questão de ocupar um dos sofás sozinho, folgado como era, e deixando o que restou para os amigos. Os pedidos demoraram meia hora para ficar pronto e como se o calor, o ambiente cheio e os pensamentos baixo astral de uma possível nota baixa não fossem ruins o suficiente, Jeongguk foi designado para buscar os milkshakes por estar sentado na ponta.

— Eu só sou explorado nesse grupo — resmungou ao sair pisando firme, acotovelando grupos de universitários que achavam uma boa ideia conversar em pé no meio da lanchonete lotada. Entregou o papel com senha e segurou o pedido de Jimin e Hoseok em uma mão — eles dividiram um milkshake duvidoso de tamarindo ao passo que o Jeon optou pelo tradicional de ovomaltine — e com a restante, pegou o próprio. Estava quase chegando na mesa quando encontrou com alguém saindo do banheiro, arregalando os olhos e pulando para trás para evitar um desastre. 

— Desculpa! — falaram ao mesmo tempo e, como se espelhasse as próprias ações, o desconhecido também arregalou os olhos, os braços encolhidos na frente do corpo como se preparado para um impacto que nunca veio. Jeongguk analisou o rosto mais atentamente, pouco ligando para as bochechas vermelhas porque, bem, o cara na sua frente era lindo. Vestia um suéter azul soltinho e com uma imagem estampada, era tão alto quanto o próprio Jeon e as calças largas lembravam um moletom. Nos pés usava um chinelo slide e quando Jeongguk abriu um pequeno sorriso pela falta de jeito, recebeu um sorriso retangular muito singular em resposta. 

— Sem problemas, eu quem fui desatencioso. — O desconhecido falou novamente, a voz aveludada era tão gostosa que se gravassem o jovem falando e vendessem no iTunes, Jeongguk compraria sem pensar duas vezes. Despediu-se com um aceno de cabeça breve, os olhos focando as mãos grandes com anéis prateados uma última vez antes de seguir seu caminho. 

Tinha dado três passos quando sentiu uma mão encostando em seu ombro, ao mesmo tempo em que a mente dava um click, repassando o sorriso retangular do jovem de segundos atrás, a voz da cartomante parecia muito clara na sua cabeça.

Cabelos castanhos, sorriso retangular e olhos marcantes, um deles com pálpebra dupla. Adora usar roupas folgadas, não existe outro tipo em seu guarda roupa…

Virou para trás em um giro, e tamanha foi sua surpresa ao encontrar justamente o rapaz que estava procurando ainda atrás de si, e agora Jeongguk conseguiu ver com clareza a pálpebra dupla em um dos olhos. Estava tão atordoado que a junção das pernas tentando equilibrar o corpo e algum felizardo esbarrando em suas costas resultou em um Jeongguk sendo jogado para frente, a mão que segurava o milkshake de ovomaltine encontrando um pobre alvo para ser o palco daquele desastre: a pintura do casal coreano de época que estampava o centro do suéter azul, a bebida escura manchando aos poucos os detalhes do vestido a mulher.

— Ai, meu Deus — sussurrou em pânico, olhando para cima e vendo o jovem encarando o próprio suéter com ares de confusão. — Meu Deus, me desculpa. Desculpa. Sério, mil perdões e-eu posso lavar e- ou te dar um novo e desculpa, não foi m-inha intenção...

— Você está bem, Jeongguk-ssi? — O mais novo piscou atordoado, tanto pelo sorriso bondoso que o rapaz lhe direcionava, quanto pelo fato deste saber seu nome. Como ele sabia seu nome? Por que perguntava se estava bem, e não gritando ou fazendo caretas já que seu lindo suéter estava completa e irrevogavelmente arruinado? — Aquele cara esbarrou em você...

— O seu suéter… — disse em um tom de voz muito baixo, respirando fundo e tentando não tremer ao esclarecer: — Eu posso pagar por um novo, me desculpa.

— Não é nada que uma boa lavagem não possa limpar, não se preocupe.

— Eu posso lavar! — Se prontificou, desesperado, alcançando o porta guardanapo da mesa mais próxima, pouco se importando com as pessoas ali sentadas e entregando para o outro limpar o excesso de líquido da roupa. — Eu posso lavar e se não ficar bom eu realmente posso te dar outro ou pagar pelo prejuízo e… — Sua fala morreu quando o dono do suéter jogou a cabeça para trás e riu, o som gostoso preenchendo o espaço onde estavam e soando muito mais infantil que sua voz forte.

— Você é adorável, sabia? Não precisa ficar tão preocupado assim, sério. E, olha, você provavelmente não teria se assustado se eu não tivesse te puxado pelo ombro, desculpe. 

— Você… meu ombro? — questionou, lembrando de momentos antes quando havia sentindo um toque no ombro. 

— Eu queria te perguntar uma coisa, acho que agora vai ser menos esquisito, por causa do suéter.

— O quê? E você me conhece? — O estranho abriu novamente aquele sorriso retangular, e Jeongguk simplesmente precisou concordar com a cartomante: era um sorriso muito singular.

— Nós fazemos aula de História da Literatura juntos… Meu nome é Kim Taehyung. — Jeongguk ficou encarando o rapaz, incrédulo. Qual era a probabilidade de uma cartomante adivinhar sobre um rapaz que ia conhecer, alegando ser o amor da sua vida, esse mesmo rapaz ser da sua sala e Jeongguk nunca ter reparado nele?

Era uma piada. Tinha certeza. Não havia tarô no mundo que pudesse explicar aquilo racionalmente.

— Jeongguk-ssi? Está tudo bem?

— Ahn, claro, eu só… Não lembro de ver você e… — Deixou a sentença morrer aos poucos, sem achar palavras para explicar sua perplexidade. — O que você queria pedir?

— Queria sentar com você. Se estiver tudo bem, claro. É que a lanchonete está muito cheia e se não for incômodo...

— NÃO! Huh, quero dizer, não é incomodo nenhum! Eu estou ali com uns amigos e tem espaço, vai ser tranquilo e vai dar certo e… eu vou parar de falar agora, vamos apenas andar. —  A última sentença saiu em um sussurro apressado pois Taehyung ainda tinha a atenção em si e aquilo, por mais recente que fosse, deixava Jeongguk nervoso porque era um olhar firme e fixo, seguido daquele pequeno sorriso no canto da boca, como se o Kim soubesse de algo que o mais novo não sabia.

Jimin e Hoseok, ao que parece, tinham uma percepção muito mais aguçada que Jeongguk. Talvez por terem escutado o amigo falar e debochar sobre as previsões da cartomante por dias ou simplesmente porque eram espertos, mas assim que seus olhos analíticos pousaram na dupla se aproximando da mesa, Hoseok puxou Jimin para cima, sussurrando algo em seu ouvido e dando qualquer desculpa idiota e suspeita para ir embora, mal cumprimentando Taehyung no processo. 

Com as orelhas queimando de vergonha e uma inquietação que agitava o corpo inteiro, Jeongguk ocupou-se com o milkshake ao empenhar-se em agir normalmente e sentiu o cérebro congelar em várias tentativas frustradas de engolir 700 ml de um creme gelado em poucos goles. Taehyung estava sentado à sua frente, tentando mais uma vez tranquilizar o Jeon pelo suéter danificado. Ele só conseguiu ficar verdadeiramente calmo quando Taehyung se livrou da peça, aliviado pelo Kim ter outra blusa por baixo, assim não precisaria ficar andando melecado pelo campus o dia inteiro, mas sua paz durou apenas os minutos necessários para reparar que a blusa em questão tinha um decote largo e amplo, revelando a pele bronzeada do peito e ressaltando inclusive os ombros largos do seu recém-descoberto, colega de classe. 

Manter uma conversa agradável não foi tão difícil quanto imaginou que seria. A cartomante novamente acertou ao dizer que Taehyung era desinibido, porque ouviu por vários minutos o mais velho descrever a localização onde sentava na sala, com quais pessoas andava. Não adiantou muito, porque para Jeongguk, a turma de História da Literatura era a mais complicada de lidar ou fazer amizades e ele havia desenvolvido a interessante habilidade de ignorar todos os colegas da sala e filtrar apenas o que era importante no ambiente, isto é, o que o professor falava. 

O contato da dupla não se reduziu ao fatídico acidente na lanchonete porque na hora de se despedirem, Jeongguk teimou em se responsabilizar pela lavagem do suéter e trocaram números, já que ele ficou de avisar quando terminasse de lavá-lo para combinar de entregar. É claro que o Jeon fez questão de reparar na aula seguinte de História da Literatura, o coração descendo direto para o estômago quando Taehyung se aproximou no intervalo e começou a conversar consigo sobre sobre a última matéria passada pelo professor. Aos poucos, Jeongguk achou que seria seguro apresentá-lo aos amigos — após um sermão de quinze minutos sobre todas as coisas que a dupla dinâmica estava proibida de fazer, a primeira delas sendo citar a cartomante e a segunda, fazer piadinhas sobre relacionamentos em geral — e ficou muito contente quando, em situações corriqueiras do dia a dia na universidade, reunia com os três para conversar, Taehyung facilmente se dando bem com o jeito animado de Hoseok e com as brincadeiras de Jimin. 

Ainda sim, não se permitiu criar falsas esperanças. Porque mesmo que a cartomante tivesse acertado em tudo até o presente momento — a fisionomia, as roupas, o caráter de Taehyung —, ele não podia ser ingênuo e confiar que tudo daria certo. Lutou para manter o pé atrás, mesmo com Taehyung lhe fazendo rir, convidando-o para passeios noturnos de última hora, arrastando-o para exibição de filmes que acontecia nos eventos da faculdade, compartilhando dicas de animes por mensagem, mandando selfies engraçadas e fazendo praticamente um álbum de fotos do seu cachorrinho Yeontan, que Jeongguk nem conhecia pessoalmente, mas já morria de amores ao ver as fotos no celular. 

Isso tudo pode não significar nada, se lembrava constantemente, porque não entendia como Taehyung conseguiria ter interesse em um garoto tímido e quieto como si, que ficava vermelho e sem graça ao receber muita atenção, que não havia notado sua presença forte em quase seis meses de aula. Ele só está sendo simpático, afirmava mentalmente ao responder as perguntas do mais velho “quantos anos você tem”, “onde você mora”, “por que escolheu o curso de letras literatura?”, “já passou pela sua cabeça que a faculdade seria um ótimo campo de batalha se estivéssemos em uma partida real de overwatch?”, ou ele pode gostar da sua companhia só como amigo, completou ao empurrar Taehyung dentro de um carrinho no supermercado, obedecendo as instruções do mais velho, que lia várias vezes os ingredientes necessários para fazer um kimchi caseiro. 

Você pode muito bem estar vendo sentimentos onde não tem nada, afinal já fez isso antes, a consciência sussurrava em looping naquela tarde, quando Taehyung montou a mesa do próprio apartamento, fechando a porta e a janela da cozinha, apagando as luzes e substituindo por velas. Ele pode não ter os mesmos sentimentos que você, pensou ao acompanhar com os olhos o Kim rodeando a mesa, sentando na sua frente, os pés descalços apoiados na cadeira. À luz de velas, o rosto de Taehyung ficava mais enigmático, o cabelo liso caindo pelos olhos lhe dava uma aparência mais velha e Jeongguk não sabia se sobreviveria a um jantar inteiro sendo encarado por aqueles olhos determinados e bonitos, que combinados com o sorriso retangular, faziam o coração do mais novo disparar.

— Então, eu preciso perguntar: Jeon Jeongguk, você pretende me devolver o suéter algum dia ou todos os acontecimentos na lanchonete no mês passado eram parte de um plano maligno e inteligente para roubar minha linda peça de meia estação? — Jeongguk se engasgou com a bebida que tomava, um suco de uva em uma taça de vinho porque estava insuportavelmente quente para qualquer bebida alcóolica.

— Não é na-da dis-so! — explicou exasperado, entre várias sessões de tosses. Taehyung se levantou de onde estava, descalço e tudo, ficando atrás de si e batendo em suas costas com cuidado, erguendo seus braços e aconselhando a olhar para cima. 

— Melhor? — questionou atencioso quando as tosses cessaram e Jeongguk acenou, limpando as lágrimas nos cantos dos olhos. 

— Eu estava brincando, Jeongguk-ah — esclareceu com uma risadinha infantil. Pegou o celular em cima do balcão, escolhendo uma das suas intermináveis playlists de R&B e jazz (aquela era “wanna kiss you in the lips, cheeks, hips”, que Jungkook conseguia reconhecer porque ultimamente passava tanto tempo com o mais velho que nem precisava se esforçar para aprender os detalhes e gostos que compunham sua personalidade) e uma música suave preencheu o silêncio do ambiente. Jeongguk sentiu Yeontan passando pelos seus pés e esticou a mão embaixo do assento, fazendo um carinho no cachorro que finalmente havia conhecido e claro, adorado.

— Minha mãe teve que me ensinar como lavar, fiquei com medo de manchar mais, sei lá. Ela está nos Estados Unidos então foi meio complicado achar um horário ‘pra fazermos uma ligação em vídeo. — Isso e o fato de que estava enrolando porque o suéter, sujo ou não, tinha um pouquinho do perfume do Kim e Jeongguk não sabia se estava pronto para se livrar da fragrância.

— Jeongguk-ah, é só um suéter — resmungou risonho, incrédulo com a capacidade do Jeon ser perfeccionista mesmo nas coisas mais simples.

— Eu espero que tenha ficado bom de verdade, hein — completou, se servindo primeiro e implicando o mais novo, que era quem havia cozinhado.

— Você não perguntou se eu cozinhava bem, perguntou se eu sabia fazer kimchi — retrucou com um sorriso pequeno. 

— E nem precisava. Você é bom em tudo que faz, e mesmo se estiver ruim, com certeza está melhor do que o meu ficaria.

Não era noite de verdade. Eles estavam matando tempo na faculdade quando Taehyung expressou sua vontade de ver o pôr do sol e comer kimchi em um jantar à luz de velas. Jeongguk disse que era meio complicado realizar as duas vontades do mais velho ao mesmo tempo, e Taehyung prometeu que se o Jeon cozinhasse, seria capaz de se virar com o resto.

E ele foi. Lá fora não era noite de verdade, Taehyung explicou conforme os fechava na cozinha e acendia as velas, mas ali dentro seria o universo paralelo deles e assim, poderia ser o que eles quisessem. Jeongguk sorriu com a ideia mirabolante do Kim, desejando que fosse noite para sempre, que aquela noite fingida fosse real pela eternidade pois assim, poderia presenciar a risada leve do mais velho de pertinho sempre, o hálito tremeluzindo a chama das velas. Enquanto fosse apenas os dois, Yeontan e uma playlist suave, poderia alimentar as esperanças que a cartomante havia acertado na questão principal do seu atendimento. 

O despertador tocou quarenta minutos depois, quando Jeongguk estava repetindo o kimchi que, nas palavras de Taehyung, estava “de comer rezando”. O Kim levantou em um pulo, desligando o alarme do celular e afastando o prato de Jeongguk com afobação, puxando-o para ficar em pé e caminhando até a pia para abrir a janela, a luz forte explodindo pelo cômodo e embaçando a visão do Jeon momentaneamente.

— Tae, o que você está fazendo? — perguntou confuso.

— É o pôr do sol, vem logo, Guk! — demandou, balançando as pernas impacientemente como uma criancinha birrenta. Jeongguk se aproximou com um sorriso bobo, balançando a cabeça negativamente.

— Não acredito. 

— Agora você entende minha pressa ‘pra comer logo? — questionou, e fez muito sentido as horas anteriores, quando o Kim ficou seguindo Jeongguk pela cozinha bastante ansioso, perguntando de dez em dez minutos se ficaria pronto logo. 

— Eu achei que você ia colocar um pôr do sol na televisão, sei lá. — Sua resposta fez o mais velho rir, e ele apontou para o horizonte, ambos observando o momento exato que a cor do céu atingia o ápice de tons quentes e fortes, uma explosão de laranja, amarelo e vermelho que permaneceu por vários minutos até o sol se abaixar gradativamente, os raios solares desaparecendo atrás dos outros prédios do bairro. Eles tinham uma visão privilegiada porque Taehyung morava no último andar e a cozinha era o cômodo perfeito para ver o sol se pôr.

— Tinha outra coisa que eu queria fazer, junto com comer kimchi à luz de velas e assistir o pôr do sol. — Taehyung interrompeu o silêncio com uma confissão baixinha. Jeongguk olhou para o lado, esperando-o continuar. 

— Beijar você — continuou, surrando ainda mais baixo e a voz era tão suave, tão rouca e Jeongguk imaginou, por um segundo, que havia escutado errado. — As duas ideias na verdade complementava essa: jantar kimchi à luz de velas e te beijar no pôr do sol. 

— O sol não terminou de se pôr ainda — lembrou em um tom tímido. Ele prendeu a respiração ao lançar um olhar para a janela apenas para se certificar que ainda possuíam tempo. Sentiu dedos em seu queixo, o metal gelado dos anéis de Taehyung fazendo sua pele arrepiar quando foi puxado na direção do outro, tão lentamente quanto a melodia inicial de As I Am tocando ao fundo. 

Taehyung estava sorrindo ao encostar os lábios nos seus. Jeongguk sorriu junto, desfrutando pela primeiríssima vez aquela agitação no estômago, apoiando os quadris na borda da pia quando o mais velho empurrou-o para trás, deitando a cabeça na palma da mão do Kim quando foi segurado pela bochecha, os dedos longos de Taehyung acariciando a pele atrás da sua orelha e fazendo Jeongguk tremer. 

As bocas se abriram uma na outra, as línguas deslizando para dentro em sincronia, Jeongguk subindo as mãos pelos braços do mais velho, recuando o rosto e deixando selinhos nos lábios de Taehyung, rindo bobo quando o mais velho mordeu seu lábio inferior e puxou fraquinho, sacudindo a cabeça levemente com os dentes ainda presos na sua boca. Os milhares de avisos mentais que se tornaram familiares no último mês foram silenciados com aquele único beijo e Jeongguk sentiu uma pontinha de esperança ao pensar que talvez, apenas talvez, Taehyung também compartilhasse seus sentimentos. 

Talvez ele também esteja gostando de me beijar, pensou ao sentir as mãos alheias passear pelas laterais de seu corpo, respirando fundo para sentir o perfume dele melhor, para enviar mais oxigênio aos pulmões. Talvez ele também me veja como mais que um amigo, pensou ao escutar um murmúrio baixinho e incompreensível de Taehyung, provocado pela sensação das mãos geladas de Jeongguk invadindo sua blusa folgada pelas costas, os dedos deslizando pela coluna em um dedilhado calmo, explorador. 

Talvez a cartomante esteja certa, ponderou ansioso para abandonar o ceticismo e a negatividade de uma vez por todas. Sobre tudo que previu no tarô.

 

-

 

Tinha decidido fazer uma surpresa ao namorado naquela tarde, mas não esperava ser aquele a ser surpreendido. 

Combinaram de Taehyung dormir em sua casa no final de semana, mas Jeongguk deveria buscá-lo em seu apartamento e aproveitar para conhecer seus pais.

Seria tranquilo, garantiu Taehyung no decorrer da semana, acalmando o nervosismo do namorado. Meus pais são tranquilos. Minha mãe conversa pelos cotovelos, avisou, mas se você me aguenta, aguenta ela também. E meu pai, adicionou com um sorriso contente nos lábios, é a inspiração da minha vida. Não tem como não adorá-lo!

Jeongguk confiava na palavra do namorado, mas isso não lhe impediu de surtar no grupo com os amigos, levantando hipóteses e mais hipóteses sobre todas as coisas que poderia dar errado. E se Hoseok ou Jimin estavam achando ruim o grude que era o novo casal, não podiam reclamar, afinal, foram eles quem incentivou Jeongguk a procurar a bendita cartomante.

Sua surpresa era um chocolate suíço que tinha fama de ser muito gostoso, e sabia que ia agradar a família toda, porque já havia feito sua pesquisa de campo (isto é, encheu Taehyung de perguntas) e descobriu que todos os Kim amavam chocolate. Quando o namorado atendeu a porta, as mãos de Jeongguk tremiam, mas o coração relaxou ao encontrar o sorriso bonito direcionado a si, sentindo conforto no abraço alheio e no seu cheiro gostoso. 

— Viu o que estou usando? — Apontou para o suéter azul que Jeongguk quase arruinou quando se conheceram, ou melhor, quando se falaram pela primeira vez. — Só ‘pra dar sorte. 

Jeongguk riu, deixando um beijo na bochecha do namorado e sufocando aquela vontade absurda de beijá-lo com tudo bem ali, na entrada da casa. Tinha um namorado tão bonito e tão beijável que, meu Deus, às vezes se pegava pensando que tipo de pessoa tinha sido na vida passada para merecer alguém tão maravilhoso quanto Taehyung nessa. 

Taehyung lhe conduziu pelo corredor, gritando pela mãe e andando em direção a cozinha. Jeongguk sempre sentia uma pequena euforia interna naquele cômodo, porque as memórias do primeiro beijo com o Kim parecia gravadas a fogo e ferro em sua memória e em seu coração. Havia sido tão bom beijá-lo ali, com o sol de pondo e H.E.R tocando ao fundo, e todas as vezes que se beijaram depois disso foi igualmente bom e especial. 

A mãe de Taehyung era baixinha, foi a primeira coisa que registrou ao observar a mulher de costas, lavando as mãos na pia da cozinha. E quando ela se virou na sua direção, Jeongguk registrou que além de baixinha, ela também lhe era familiar.

 — Kang Jiyeon-ssi? — questionou horrorizado e surpreso, os olhos arregalados. A mulher secou as mãos no pano de prato calmamente, o sorriso estampado no rosto era o mais satisfeito possível.

— Olá, Jeongguk-ssi. Eu disse que não ia demorar, não disse? 

— Ué... Vocês já se conheciam? — Taehyung perguntou confuso, dividindo o olhar entre o namorado e a mãe.

— Ela… Eu fui até…

— Ele marcou uma consulta comigo, Taetae. — A mulher respondeu inabalada, escorada na mesa da cozinha. — Para falar sobre vida amorosa, e eu previ que você conquistaria o coraçãozinho dele, claro. 

— Mãe! — Conhecendo a mãe como conhecia, sabia que ela estava sendo irônica, ou emitindo muita coisa importante daquela história. A mulher suspirou em drama, puxando uma cadeira e se sentando. 

— Tudo bem, tudo bem. Vou ser sincera com você, Jeongguk-ssi. Nada do que previ naquele dia era verdade. Nem estava usando o baralho certo. 

Você mentiu ‘pra ele? — O tom de Taehyung era exasperado e ele não podia estar mais envergonhado. — Por quê?

— Veja bem, mentir é uma palavra muito forte. Eu apenas… fingi coisas das quais tinha certeza...?

— Como poderia ter certeza se não previu nada? Mãe!

— Aish, Taehyung-ah, o que você queria que eu fizesse? Abro a porta do meu consultório e de repente, puft! O garoto pelo qual meu filho está choramingando e dizendo que nunca teria chance há seis longos meses está lá, parado no meio da sala de espera com os olhinhos de corsa arregalados, olhando tudo atentamente como se um demônio terrível pudesse sair do vaso da minha samambaia.

— Choramingando por mim? — Jeongguk murmurou, cada vez mais confuso com aquela história.

— Eu sabia que vocês combinaria no momento que o vi, Tae. Retraído e tímido, roupas escuras que são um total contraste do seu guarda roupa inovador… Ele era seu tipo, cuspido e escarrado! Ficou tão compreensível o penhasco que você sentia por ele. E que mal faria se eu tentasse juntá-los? Misturei informações genéricas com características suas e pensei que, com sorte, ele te notaria na sala.

— Então você não previu nosso encontro? — Jeongguk perguntou baixinho, soando um tanto inocente aos olhos da mulher mais velha.

— Nadinha, querido. Mas se vocês se encontraram mesmo assim, quer dizer que era ‘pra ser, certo? — Piscou para ele divertidamente.

— Ok… Isso não saiu como eu esperava. Nada como eu esperava. — Taehyung murmurava ao andar pela cozinha, roendo a unha do dedão. — Muito para processar, muito, muito, muito mesmo. A gente vai ‘pra casa dele e depois remarcamos essa jantar e…

— Mas Tae, eu já preparei tudo!

— Vamos comer no caminho. — Determinou, lançando um olhar bravo para a mãe. — E depois, mãe, nós vamos conversar. Guk, vem. 

Jeongguk foi praticamente arrastado para o quarto do namorado. E conforme processava a conversa de momentos atrás, um sorriso implicante tomava conta do seu rosto.

— Você reparou em mim desde o começo das aulas? Quase seis meses atrás?

— Nós não vamos falar sobre isso.

— Não acredito que você falou de mim ‘pra sua mãe. — Continuou, praticamente saltitando abraçar o namorado por trás, rindo quando este tentou se soltar. — Ya, estou me sentindo especial.

— Psiu, silêncio. Esse assunto não será discutido nesse momento, tente novamente dez anos mais tarde.

— Você gostava de miiiiiim! — cantarolou e ultrapassou o namorado em um saltitar contente, gargalhando quando Taehyung tentou acertá-lo com um tapa. 

— Você trouxe a calça que pedi? — questionou, empinando o nariz e fingindo uma pose inabalável. Estava morrendo de vergonha, tanto pelas revelações quanto pelo comportamento da mãe, mas não deixaria Jeongguk perceber aquilo porque ele ficaria simplesmente insuportável de tão implicante. 

— Uhum — concordou, finalmente se livrando da mochila que carregava nas costas, deixando o chocolate ali e procurando pela calça que havia escolhido especialmente para aquela situação. Taehyung havia mandado mensagem mais cedo pedindo para o namorado trazer uma calça porque enrolou para lavar roupa naquela semana e todas as calças estavam molhadas. O clima estava um pouquinho frio para shorts e parte do benefício de ter um namorado com estatura física semelhante a sua era pegar roupas emprestadas. Esticou embrulho para o mais velho e, ao desenrolar o tecido, Taehyung apoiou a calça na frente da cintura, torcendo o nariz um pouquinho ao comentar, olhando baixo para a peça:

— Aish, não tinha nenhuma calça mais folgada não? Essa vai ficar tão colada… — Jeongguk mordeu o interior das bochechas com força, segurando o riso. Jiyeon podia ter inventado todas as coisas que disse na sessão de Jeongguk — seu aborrecimento ao citar as roupas largas do amor da sua vida fez muito sentido ao saber que ela estava descrevendo o próprio filho —, mas a sugestão de Jeongguk emprestar uma de suas calças coladas para o namorado tinha sido uma dica de ouro e como não era bobo, não hesitou em agarrar essa oportunidade quando o namorado lhe pediu uma calça emprestada.

— Não tinha, amor — replicou com um tom doce, comemorando internamente ao imaginar o quanto o namorado arrasaria seu pobre coração quando o corpo bonito fosse delineado pela calça justa. — Também lavei roupa essa semana, mas tenho certeza que essa vai ficar ótima em você.

— Roupas justas são tão irritantes. — Taehyun murmurou consigo mesmo. — Ainda bem que vamos ‘pra sua casa, quando chegar lá, vou tirar elas antes mesmo dos sapatos. — Saiu resmungando na direção do banheiro, deixando para trás um Jeongguk muito satisfeito com a situação.


Notas Finais


E aí, gostaram? Me digam o que acharam, tô tão curiosa dskçlfks

Espero ver vocês mais vezes, em histórias futuras. Obrigada todo mundo que se dispôs a ler e veio até aqui! Quem quiser falar comigo, estou sempre pelo spirit, ou no twitter @/vminpearl

Até a próxima <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...