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História Procurados - Capítulo 18


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Notas do Autor


Hey seus galango.

Gente, o povo tá querendo minha cabeça por causa desse hot Tododeku
Por deus galera, sei que pode parecer milagre mas eu comecei á escrever ele hoje

GLÓRIA AO DEUS JABIROCA VIU?!

Quero agradecer de paixão pelos 50 favoritos!! eu tô tão feliiiiz, obg pelo apoio gente, amo vcs! <3

Boa fic ;)

Capítulo 18 - Não passa de loucura


Fanfic / Fanfiction Procurados - Capítulo 18 - Não passa de loucura

[Deku]

Mama...Por que...por que vamos fugir?

Porque o papai está muito bravo com o irmão dele. E você sabe que irritar seu tio é muito ruim. Não queremos que ninguém se machuque, certo?

Sim...

Você se lembra do que eu te ensinei?

Sim...Machucar os outros é errado. Nunca machucar alguém que goste de você.

Isso mesmo, Izuku. Mama te ama muito...

 

 

 

 

 

IZUKU!!!!!

MAMA!!!!!

MEU FILHO!!!!

PAPA!!!!

Vamos Izuku, o prédio vai desmoronar!!!!

 

 

 

 

Demorei para conseguir abrir os olhos. A sensação calorosa que rodeava meu corpo fazia-me sentir preguiça, e minhas pernas estavam formigando. Meu corpo todo estava dormente assim. O que me surpreendeu, já que o corpo grande de Todoroki não estava mais sobre mim.

O que me despertou completamente foi um cheiro forte de comida, que tomava conta de todos os cômodos da casa. Aquele aroma instigava muito a fome em meu estômago, antes ausente.

Quando conclui que o cheiro vinha da cozinha, eu me levantei e chacoalhei meus cabelos, que estavam horrivelmente mais bagunçados que o normal, mostrando que eu realmente tinha dormido por pelo menos umas 12 horas. Ao menos, minhas olheiras devem ter sumido depois de uma noite tão boa assim.

Caminhei preguiçosamente até a entrada da cozinha, ainda confuso.

A cena que se formava em minha frente não era nem um pouco o que eu esperava. Claro, eu já imaginava que quem estaria fazendo o café da manhã seria o bicolor. Mas eu não esperava encontra-lo com somente uma bermuda desgastada, e com um simples avental cobrindo seu abdômen, amarrado logo atrás no quadril. O restante de suas costas estava completamente exposta, os músculos se contraindo conforme seus braços se movimentavam. Seu corpo se balançava levemente de um lado pro outro, seguindo o ritmo de uma música baixa que tocava em seu celular. Minhas bochechas coraram até as orelhas conforme meus olhos recaíram pra sua bunda, que ficava completamente marcada com aquela bermuda ridiculamente colada. Eu estava envergonhado por meus próprios pensamentos.

 

Ooh, girl, you shining

Like a 5th avenue Diamond

And they dont make you like they used to

You never going out of style

 

Eu percebia o porquê dele estar assim, já que com tudo fechado, um vapor quente rodeava toda a cozinha, e até mesmo minhas roupas frescas pareciam demais.

-Que bom que já está se sentindo em casa.—Cruzei os braços e sorri, disfarçando a observação que eu fazia á alguns segundos.

-Hey, bom dia.—Ele deu um sorriso por cima do ombro.

 

Ooh, pretty baby

This world might have gone crazy

The way you saved me, who could blame me

When i just wanna make you smile

 

Ele não se importou com minha presença, e continuou murmurando a letra da música junto com o balançar de seu corpo, e nem mesmo notou o quanto aquilo atraía minha atenção.

 

I wanna thrill you like Michael

I wanna kiss you like Prince

Lets get it on like Marvin Gaye

Like Hathaway write a song for you like this

 

Ele estava dividido entre dar continuidade aos cortes e mexer á frigideira. Vendo suas dificuldades, me aproximei vagarosamente dele e retirei a faca de sua mão com cuidado, já tomando á posse das cebolas que cortava. Ele recusou á ajuda, mas eu ignorei e continuei á cortar. No fim, ele só sorriu e agradeceu, sabendo que numa discussão de teimosia, eu ganharia.

 

You´re over my head

Im out my mind

Thinking i was born in the wrong time

One of a kind, living in a world gone plastic

Baby, you´re so classic

 

O refrão da música pareceu soar mais alto, e isso me permitiu acompanha-la. O bicolor me observava com o canto do olho, curioso e admirado, em quanto eu me perdia na letra incrível daquela música um pouco mais tradicional.

 

 

Minutos depois, eu havia terminado meu trabalho. Coloquei as coisas juntamente com o resto já cortado e me apoiei na beira da mesa, voltando á observar o espetáculo natural que eram as costas do maior. Porem, dessa vez ele percebeu, e soltou um risinho abafado ao ver minhas bochechas corarem. Era ridículo sentir vergonha de si mesmo, mas o que eu podia fazer afinal? Não perderia isso por nada. Não se tem uma chance dessas todo dia.

Quando a música mudou, o bicolor logo a reconheceu. Ele abaixou o fogo que esquentava as frigideiras e aumentou o volume da música. O começo dela era inteiramente feita por piano, e isso trazia um tipo de calma.

Rapidamente, ele me puxou pelo quadril, colando nossos peitos e erguendo minha mão com a sua. Eu o encarei assustado, não entendendo aonde ele queria chegar. Com um movimento de pés, ele me levou para um lado, e em seguida mais uma vez. Ele estava dançando com a música?

 

If a could, begin to be

Half of what you think of me

I could do about anything

I could even learn how to love

 

Arregalei um pouco os olhos por não só a letra da música ser bem real, como notar que a voz dele era quase idêntica á um dos cantores, já que aparentemente, eram dois homens que cantavam suavemente. Coloquei minha mão sobre seu ombro e entrelacei nossos dedos levantados, aceitando aquela dança.

 

When i see, the way you act

Wondering when i coming back

I could do about anything

I could even learn how to love

Like you...

 

As vozes se alongaram, e o som do piano se acelerou. Aquilo indicava o começo do refrão, e eu finalmente havia conseguido me lembrar daquela música. Não passava de um cover feito á partir de uma música de desenho infantil. Eu devo ter visto pelo menos uma vez, pois me lembrava vagamente dessa letra.

 

Love like you...

 

Cantei baixinho. Ele abriu um sorriso contido por ver que eu me lembrara.

 

Love like you...

 

Ele complementou. Era surpreendente ver o quão nossas vozes eram semelhantes á dos cantores.

 

I always thought, i might be bad

Now i sure that its true

Cause i think you´re so good

And im nothing like you

Look at you go

I just adore you

 

 

Nossas vozes estavam em pura harmonia, parecendo perfeitamente sincronizadas com o toque do piano. Nossas vozes serem semelhantes era uma ajuda também, mas o que mais me tocava, era perceber que a letra expressava direitinho coisas que eu podia facilmente estar sentindo.

 

I wish that i knew

What makes you think i´m so special

 

Essa parte, ele se atreveu á cantar sozinho, já que eu não me lembrava. E por seu olhar estar preso ao meu, eu tentava decifrar se aquilo era somente uma letra, ou se ele estava falando comigo. Mergulhado naqueles olhos, era difícil se concentrar em continuar dançando.

Conforme nos mexíamos, saíamos cada vez mais do universo que estávamos. Afastados do calor daquela cozinha espaçosa, chegamos um pouco mais perto dos arredores da sala, onde passamos a noite anterior. Provavelmente ele deve ter se lembrado de muita coisa, pois impulsionou seu quadril pra frente e grudou ainda mais nossos corpos. Nossas mãos tiveram que se erguer ainda mais, para acompanhar o colar de cinturas. E por alguns segundos, eu desconfiei que haviam coisas demais tocando meu corpo.

-T-Todoroki, por deus!—Minhas bochechas esquentaram e minhas pernas amoleceram.

Ele riu baixinho, impedindo que eu tentasse esconder meu rosto. Ele não me deixaria disfarçar o constrangimento de saber que ele poderia estar excitado por nada. E mesmo ele parecia até orgulhoso por isso.

-Isso é cheiro da sua comida queimando?—Funguei, mentindo descaradamente.

Ele arregalou os olhos e descolou nossos corpos, voltando pra frente do fogão. Eu segurei a risada que tentou escapar por meus lábios ao ver seu avental quase cair na corrida estabanada que ele fez até lá. Quando ele notou que não tinha nada errado com a comida, e que na verdade ainda faltava bastante pras panquecas ficarem prontas, ele me lançou um olhar de relance e começou á vir na minha direção.

-Seu mentirosinho!—Ele começou á correr.

-Foi pro seu bem, hahaha!!—Soltei a risada, correndo para longe dele.

-Vai ver o que é pro seu bem!!—Ele não precisou de muito para me alcançar.

 

 

 

Depois de conseguir acalmar a fera orgulhosa e convece-lo de que eu o recompensaria após a conversa com Aizawa, ele aceitou nos sentarmos para tomar o café. Eu só suspirei sabendo que ele me lembraria dessa promessa todos os dias.

No melhor, as panquecas que ele preparou estavam deliciosas.

-Se eu soubesse que você cozinhava tão bem assim...—Terminei minha terceira panqueca.

-Não se preocupa, eu vou poder cozinhar mais vezes até amanhã.—Ele mastigava seu pedaço com calma, em quanto me encarava.

-Até...amanhã?—Arqueei uma sobrancelha.

-Acha que eu trouxe uma mala pra quê?—Ele apontou para uma bolsa grande largada ao lado da porta, que eu não tinha notado.

-Você vai dormir aqui?!!—Engoli meu pedaço pesadamente, sentindo um enrolar no estômago.

-Por que tanta supresa?—Ele abriu um sorriso no canto dos lábios.—Já temos praticamente 2 meses de namoro, Izuku.—Claro que ele usaria meu primeiro nome pra me deixar ainda mais envergonhado.

-T-t-tudo isso?!—Desviei o olhar. Nem percebi o tempo passar.

-Sim, tudo isso.—Seu sorriso se alargou um pouco.

-N-nossa...Quer saber, p-pode deixar que eu desfaço sua mala! T-termina seu café!—Me levantei apressadamente.

Precisava fugir daquela conversa o quanto antes, nem que fosse com uma desculpa esfarrapada como essa.

-Ei, Midoriya.—Ele chamou minha atenção.—Você...costuma ter pesadelos?—O assunto diferente me confundiu.

-N-Não sei ao certo. Nunca me lembro direito.—Engoli em seco.

Pesadelos?

Não. Não eram pesadelos.

Eram lembranças. Dolorosas, porém lembranças.

Ele notou meu ar pensativo, mas ficou apreensivo demais para perguntar. Chacoalhei a cabeça e me voltei para a tarefa que precisava fazer. Espero que ele não cobre uma explicação.

 

Agarrei a alça da bolsa e corri desajeitadamente para meu quarto. Com a velocidade acabei batendo a porta com muita força, e isso fez o bicolor soltar um risinho. Ele estava adorando me ver nervoso daquele jeito, nem notando que minha respiração estava acelerada. Meu coração batia em meu estômago. Mas que merda!

Então ele ia dormir duas vezes aqui...na minha cama. MARAVILHA! Meu coração ia adorar ter alguns infartos até lá.

 

 

 

-Olha, parece que o Kirishima já está bem.—Mostrei as mensagens para o bicolor ao meu lado.

Ele passou os olhos por todas as palavras rapidamente e afirmou.

-Que bom.—Sorriu levemente, antes de voltar á atenção para a TV.

Recostado em seu ombro, eu respondia á mensagens que a muito tempo eu não olhava. Não que eu recebesse muitas, mas com o tempo, elas acabaram se acumulando. Todoroki tinha a atenção presa em um programa de esportes que não chamava muito minha atenção. Ambos aproveitávamos a presença um do outro com simples toques. Eu soltei um suspiro longo, agradecendo internamente por Kirishima já estar bem melhor.

 

Uraraka: Ele vai receber alta amanhã de manhã e vai passar metade do dia na casa dos pais. Depois ele vai vir pra casa. Acredito que vai dar pra você ver ele á noite.

Me: E o Kacchan?

Uraraka: Vc não pode evitar ele pro resto da vida, Deku!

Me: É...Obrigado por me informar Ura.

Uraraka: Não tem de quê príncipe.

 

Agora só faltava verificar as mensagens do grupo criado por Mina, que estava bombando de mensagens nesse mesmo instante. Precisava me apressar para acompanha-los.

 

Kaminari: Seguinte galera! Eu, Mina e Momo resolvemos organizar uma festa de boas-vindas pro Kiri! Vai ser amanhã de noite, só nós do grupo! O que acham?

Jirou: Pode ser.

Lida: Onde vai ser?

Uraraka: Eu também topo!

Momo: Vai ser numa das casas do meu pai. Endereço: **** ** ******

Tsuyu: Também posso ir.

Shinsou: Me too.

Hagakure: Já que a Mina está me obrigando, eu também.

Mina: Haaa, que ultrage! Só não quero ficar sozinha, miga.

Hagakure: Até parece que você não vai levar o seu moreno.

Sero: Nem me metam nisso.

Mina: Ele vai sim, mas vc sabe que é mais importante né?

Lida: Vou ir pra evitar um incêndio.

Me: Eu e Todoroki também vamos.

Jirou: Vc já ta melhor Mid?

Me: Heh, estou sim, não se preocupem.

Shinsou: E o Bakugou? Não seria uma festa pro Eijiro sem ele.

Kaminari: Eu e a Mina vamos cuidar disso. Vai ser épico!

Uraraka: Dessa vez eu vou preparada com uma câmera!

Me: Pra que? Pra filmar seus próprios tombos com aquele salto enorme seu?

Uraraka: Cala boca, seu bosta.

Tsuyu: Pode deixar que se isso acontecer quem vai filmar sou eu.

 

 

Todos começaram á fazer apostas para decidir quem seria o bêbado da vez, já que aparentemente na última festa, havia sido eu.

O maior notou os risos nada discretos que eu soltava e começou á encarar o celular com curiosidade. O programa parecia ter acabado.

-O pessoal vai fazer uma festa pro Kiri. Eu confirmei nossa presença, não tínhamos nada melhor pra fazer.—Expliquei.

-Hmm. Não tínhamos?—Ele me apertou e me olhou com um olhar sugestivo. Claro que ele estava falando daquela maldita promessa.

-N-não!—Corei e desviei o olhar para a tela novamente.

-Ok...—Ele suspirou.—Mas e o Bakugou?—.

-Não é como se eu pudesse evita-lo pra sempre...Talvez possamos conversar com ele até lá.—Desliguei o celular.

-Podemos ir até a casa de Kirishima. Provavelmente quem vai levar ele pra festa é o Katsuki.—Ele sugeriu.—Eu quero estar junto. Quero ouvir o que ele tem a dizer.—.

-Todoroki...—O encarei com um olhar repreendedor.

-Não vou socar ele.—Seus dedos colocaram uma mexa atrás de minha orelha.—Prometo.—.

-Hm.—Aceitei.

Ele aproveitou do silêncio para começar um beijo lento. Eu larguei o celular e passei os braços ao redor de seu pescoço. Ah, aquilo era tão bom!

 

 

 

*No dia seguinte*

 

 

[Kirishima]

-Acho que meus pais gostaram de você!—Sorri para o loiro, que dirigia o carro em silêncio.

-É, parece.—Ele me respondeu, seco.

Eu suspirei, notando que nada tinha mudado. Semanas haviam se passado desde aquele rapto, e ele não mudou de opinião desde lá. Ainda se mantem teimando que o culpado de tudo era Midoriya, e que devíamos nos afastar. No fim, nada que eu falava adiantava, e agora eu só ficava em silêncio cada vez que ele falava coisas do tipo.

-Quer ajuda pra entrar?—Ele estacionou o carro perto da entrada.

-Não.—Respondi.

Sai do carro antes que ele pudesse perguntar o porquê do tom chateado que usei e comecei á caminhar rapidamente para dentro de casa. Minha surpresa foi notar que ele vinha atrás de mim, já entrando na casa também.

-O que você quer?—O encarei. Ele não tinha me dito que ficaria.

-Vim ficar contigo caralho.—Ele colocou as mãos no bolso.

-Não precisa, valeu.—Indiquei a saída com a porta.

-Por que ficou assim de repente?!—Ele falou mais alto.

-Só tô te mostrando o quanto você ta insuportável nesses últimos dias!—Esbravejei.

-Eu não tô falando assim.—.

-Ta falando pior!—Me virei, prestes á ir para meu quarto.

-Ei! Explica direito, idiota!!—Ele segurou meu pulso.

-Idiota!? Tem certeza que eu sou o idiota aqui?!!—Soltei seu toque com brutalidade. Mais do que pretendia.

Ele me olhou chocado, realmente não entendendo porque eu estava fazendo isso. No fundo, nem eu conseguia entender.

-Você...você...está mudado!! Anda estressado, carrancudo, xingando e afastando todos!! E eu ainda não consigo acreditar que você...—Encarei-o por alguns segundos, e aquilo trouxe aos meus olhos uma vontade imensa de chorar.—...que você quer entregar o Izuku como se ele fosse um simples pedaço de carne sem nenhum significado...por puro egoísmo...—Ele percebeu a úmidez em meus olhos.

-Egoísmo?!! É pra salvar todos nós!! Até mesmo aqueles idiotas do andar 1!—Ele apontou.

-E ISSO NÃO É EGOÍSMO?!!!—Gritei.—E ELE?! QUER MESMO QUE ELE MORRA!!? ESQUECEU QUE ELE É NOSSO AMIGO!!!! QUE ELE NOS AJUDOU?!!!—Os olhos dele se arregalaram.

Seu corpo parece ter pesado, pois ele cambaleou para um lado em quanto me olhava em choque.

-Eu te amo Katsuki...—Minha voz enfraqueceu devido ao choro que tomou minha garganta.—Mas...sinto como se você estivesse se afastando de mim também.—Abaixei o olhar.

Caminhei lentamente para meu quarto, meus passos fazendo barulho devido ao piso de madeira. Dessa vez, ele não me impediu. Eu apressei o passo e logo fechei a porta do quarto com força. Não queria que ele entrasse ali. Pelo menos não agora. Não queria que ele me visse assim. Meu rosto enfaixado, e pior, agora encharcado pelas lágrimas que eu segurei por todas essas semanas. Sabia que aquilo me deixaria melhor, então me permiti desabar.

 

 

Alguns minutos passaram desde que eu sentei em frente a porta e abracei meus joelhos, sentindo dores no peito á cada fungada pesada. Era óbvio que alguns efeitos colaterais voltariam, só não imaginava que tão fortes.

Concentrado em tentar amenizar aquela dor, nem notei quando alguém tentou abrir a porta. Eu me assustei e me afastei um pouco, permitindo que a pessoa entrasse.

-Kirishima?—Todoroki passou os olhos por meu corpo confuso. Logo atrás dele, o esverdeado apareceu.

-O-oi vocês dois...—Me encostei na parede.

-Kiri, tá tudo bem?! Por que está ai caído no chão?—Midoriya se aproximou mais de mim e se ajoelhou em minha frente.—Vimos o carro do Kacchan lá fora. Aconteceu alguma coisa?—.

Abracei meus joelhos com mas força e escondi o nariz neles. Meu coração batia forte com a ideia de Bakugou ter falado algo, já que aparentemente ele não se deu o trabalho de ir embora.

-N-nós nos desentendemos...—Eles eram meus amigos afinal, de alguma forma eu confiava demais neles pra mentir.

O esverdeado deu uma olhada rápida do namorado, e ele entendeu na hora, saindo imediatamente do quarto, provavelmente atrás de Katsuki.

-Quer me contar?—Ele se sentou ao meu lado.

Eu suspirei. Ele saberia de qualquer jeito.

-Foi...por sua causa, Midoriya.—Seus olhos se arregalaram um pouco com a surpresa.

-Por...mim?—.

-S-sim...—Cravei um pouco as unhas no tecido de minha calça.—Ele...está realmente irritado com você e...eu não gosto disso! Você nos ajudou! É um dos meus melhores amigos, e ele não tem motivo pra isso! Esse não é ele...Ele não falaria isso...—.

Uma de suas mãos cercou meus ombros e me puxou pra mais perto. Com esse meio abraço, ele forçou um sorriso triste.

-Obrigado por tentar...me defender...—Ele não sabia se essa era a palavra certa.—Eu prometo que vou resolver isso diretamente com ele. Mas não briguem mais por minha causa...ok?—Ele puxou meu olhar ao seu.

Eu encarei as irises esmeraldinas por longos segundos. Um brilho residia no fundo deles, por mais que se apagasse um pouco cada vez que ele piscava. Seu sorriso que mostrava levemente os dentes brancos era encantador, e as sardas se movimentavam com suas bochechas. Ele estava me garantindo que tudo terminaria bem, mesmo que só com um simples olhar. Sem perceber, uma lágrima pesada escorreu por minha bochecha e pingou no chão. Um círculo admirado se formou em meus lábios.

Ele se contentou em sorrir e se levantou, já abrindo a porta. Eu o fiquei encarando com os olhos um pouco vidrados.

-Midoriya!—Chamei sua atenção antes que ele saísse.

Por nanosegundos, não soube o que falar, as palavras presas em minha garganta.

-Obrigado...—Larguei meus joelhos, relaxando minhas pernas.

Ele somente sorriu e logo saiu do quarto, fechando a porta, e me deixando sozinho com meus pensamentos mais uma vez.

Minha cabeça borbulhava, meus olhos ardiam com a força que eu fazia para não chorar, e meu coração se acelerara ainda mais. No fundo, eu sabia que aquilo era felicidade e um pouco da tristeza por nossa discussão. Mas de alguma forma, eu sabia que tudo foi apenas um desabafo forte demais, e que Bakugou deve ter ficado mais abalado com tudo isso do que eu.

Nisso, resolvi me levantar e procurar por eles, para saber o que fariam, e se eu poderia ajudar com essa pequena confusão.

 

 

 

Caminhei por alguns cômodos, encontrando o bicolor perto da porta de vidro que daria para a varanda, ele estava agachado, e espiava por entre as cortinas. Quando me viu, sinalizou para que eu me escondesse e ficasse em silêncio também. Obedeci e me coloquei ao seu lado.

Na varanda, Bakugou estava apoiado no parapeito, olhando a vista extensa, Midoriya estava trás dele, esperando para que recebesse atenção. Claro que o loiro já havia notado sua presença, tentando com todas as forças ignorar.

-O que você quer?—Ele quebrou o silêncio, usando um tom de voz ríspido.

-Conversar...—Os olhos verdes abaixaram.—Estamos criando problemas sem nem mesmo saber o porquê.—Ele esfregava as mãos, nervoso.

-Fale por você.—Katsuki não desviava o olhar da paisagem por nada.—Sei muito bem que te odeio e que esse ódio aumenta á cada dia.—.

-O-oh...—O esverdeado se chateou um pouco com isso, mas prosseguiu.—Então...s-será que não podemos...nos resolver?—Suas bochechas corarem.

-O que? Quer fazer um tratado de paz ou algo do tipo? Sai fora.—Ele falava com ironia e irritação.

O esverdeado encarou as costas do loiro por bastante tempo, pensando nas possibilidades de desistir e sair correndo dali. Mas em vez disso, suspirou fundo e caminhou á passos pesados para perto do loiro, e se colocou ao lado dele, apoiando os braços no parapeito também.

-Me leva.—Ele só disse isso.

O loiro o encarou pelo canto dos olhos, levemente surpreso.

-Oi?—.

-Me leva. Me entrega pra eles então.—Os olhos verdes se perderam naquela mesma paisagem.

Uma brisa suave soprou, tomando conta de todo o local calmo que se formava. Os cabelos esverdeados chamavam bastante a atenção, conforme se mexiam com o movimento tranquilo do vento. Os cabelos loiros eram mais arrumados, e se moviam menos. Isso foi uma deixa para os olhos vermelhos encararem aquelas sardas escuras. O sol se punha no horizonte, tudo estava calmo demais para o começo de um fim de semana, e os feixes de sol perdido por entre as árvores era a única iluminação. Os pássaros também já começavam á se recolher.

-Essa é a solução...não é Kacchan?—O vento passava por dentro das roupas, causando um sensação de frio.—Você está certo. Se eu sou mesmo o alvo, todos ao meu redor correm perigo. E você só está protegendo seus amigos...Então eu não me importo. Vamos resolver isso...—O vento cessou.

Os olhos vermelhos não demonstravam nada. Estavam completamente pasmos com as palavras pronunciadas pelo menor, e ele não conseguia encontrar uma resposta para aquilo. Estava completamente confuso.

-Eu te admiro muito...sabia?—O esverdeado agora se virou para encara-lo também com um sorriso sincero.—Você pode ter um temperamento forte e um pavio curto, mas...resolve seus problemas com muita facilidade e sabe demonstrar seus sentimentos carinhosos pelas pessoas, mesmo que raramente. E é muito forte. Mais do que todos que já conheci. Você é incrível.—Aquelas palavras afetaram o orgulho do loiro.

-Por que...por que está me dizendo essas coisas? Depois de tudo que eu disse...—.

-Não tem um motivo...—Ele deu de ombros e sorriu de novo.—Eu só falei o que sinto!—.

Como uma lança, as palavras atravessaram o ego do maior, perfurando qualquer orgulho que estivesse mantendo acumulado em seu cérebro, e deixando seus ombros relaxarem pela primeira vez em muito tempo. Ainda não tinha a capacidade de pedir desculpas, mas sua boca formou um sorriso involuntário, e ele estalou a língua com força, fazendo o esverdeado o encarar um pouco confuso.

 

Os dois simplesmente se encararam por segundos e começaram á rir. Não uma risada forçada ou algo do tipo. Eram gargalhadas verdadeiras, que saíam espontaneamente, fazendo os olhos até se umidecerem de tanto rir.

Midoriya estava feliz. Não sabia se o loiro estava zombando de si, ou sendo verdadeiro. Mas só de vê-lo feliz novamente, se sentia mais tranquilo.

-Ei vocês dois, já podem sair dai.—Limpando uma lágrima, Midoriya disse.

Todoroki e eu nos olhamos, antes de nos levantarmos e sairmos vergonhosamente de nosso esconderijo, não esperando sermos pegos dessa forma. Todoroki caminhou até o parceiro, que correu ao seu encontro e o abraçou. As lágrimas escorriam finas por suas bochechas, mostrando que ele estava emocionado. Feliz por não sentir mais aquele sentimento pesado de culpa. E o loiro, observava quieto a cena carinhosa dos dois, em quanto seu nervosismo aumentava á cada passo que eu dava.

-Nós também não vamos correr na direção um do outro e se abraçar chorando como se não nos víssemos á dez anos?—Disse ironizando, dando um jeito de cobrir minha vontade de chorar.

Ele desviou o olhar e soltou um riso abafado, se sentindo aliviado por não receber um tapa ou algo do tipo. Eu ignorei seu orgulho e pulei em seu pescoço, abraçando-o com todas as minhas forças. Fazia tanto tempo que não tínhamos um momento tão carregado de sentimentos, e eu sentira falta dessa parte que ele fazia questão de manter escondida. Era o “meu” lado Bakugou.

-Agora que os ânimos foram acalmados...—Todoroki sorria, em quanto esperava eu soltar o loiro para prestar atenção.—...Há uma festa esperando por nós.


Notas Finais


Poxa, eu gostei de escrever esse cap
Mas toda vez q eu releio eles, acho uma bosta.

Enfim, espero que gostem.
E se preparem, pq a parte triste ainda nem começou

Músicas do cap:

1
https://youtu.be/OE5GOukNze8

2
https://youtu.be/Ab2JrfN1aZM (Essa msc foi feita pra Tododeku e quem discordar não sabe oq ta falando)

Bjos


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