História Profana - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Tags Dragão, Fantasia, Fogo, Ioverlar, Laverne, Lésbica, Medieval, Pofrana, Puma, Romance
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Palavras 4.201
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, LGBT, Magia, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Capítulo V


Fanfic / Fanfiction Profana - Capítulo 5 - Capítulo V

Perder todo aquele sangue foi um sacrifício que Laverne prometeu não tornar a se submeter. Odiava o estado de impotência, a incapacidade despertava ímpetos de fúria em seu corpo, tinha chegado perto de ser descoberta, havia confiado no acaso num nível arriscado demais. “Os deuses me lembrando que para tudo há uma consequência”, pensou ao despertar.

Seus olhos precisaram de um esforço a mais para ser abertos, teimando em se manter fechados, lutando para levá-la[GA1]  até os sonhos novamente. “Chega de dormir”. Podia não saber quanto tempo se somava da sua ausência intelectual, mas sentia que estava inativa por horas. Respirou fundo – arrependeu-se depois – sendo invadida pelas fisgadas de pele repuxada na barriga, já até havia se esquecido desse ferimento.

 

— Ishh...

 

O chiado de protesto foi impossível de conter. A ardência espalhou-se de seu abdômen pelo resto do tronco, chegando aos seios e coxas, como quem estava se enrolando em uma toalha fervente. Não que temperaturas altas fossem um problema, mas aquele tipo de ardor chegava a ser. “Merda... Deveria ter arriscado pular a janela...”.

Não tinha muito que fazer, estava debilitada, sobre o efeito de algum chá analgésico forte, com o corpo dolorido e a cabeça pesada feito sacos de arroz. O lado bom? A dor a livrou das camadas mais densas daquela sonolência infernal.

Quando os gritos internos corporais abrandaram,  a ruiva se concentrou em sentar-se. A tarefa foi a mais difícil dos últimos meses de sua vida, tendo o ar roubado de seus pulmões a cada tentativa de movimento mínimo. Porém, conseguiu se por ereta; ergueu a camisa que cobria a nudez e encontrou uma faixa enrolando-a o ventre, tingida de vermelho no centro. Mordeu o canto da boca contraindo o rosto em uma careta.

 

— Mil vezes merda! — protestou. “Não sei como não foi pior... Como não cedi... Como...”. Que tipo de Malá havia a remendado?

 

Suas pupilas contraíram na preocupação, aquela sensação de frio incômoda a tomou e as possibilidades de personalidades de Malás começaram a surgir em sua mente. “Estamos no sul, não possuem muita magia assim”... “Mas eles são treinados no norte”... “O sul possui seu próprio estilo de cura”... “Mas... Os lordes costumam chamar Malás treinados em Whispers”.

Banharam-me??”. Levou uma das mãos aos fios, trazendo uma mecha para seu campo de visão encontrando o castanho escuro de seu tingimento proposital. Soltou o ar aliviada, pelo menos não tinha revelado a real cor dos pelos de sua cabeça. “Não é o suficiente!”. Tornou a caçar as possíveis lacunas de erros do seu improviso, procurando as brechas, os pormenores em aberto, até que...

A porta do cômodo rangeu alto ao ser aberta, instintivamente a ruiva procurou por suas adagas, seu cinto, mas achou apenas lençóis, um copo de água cheio ao lado da cama e um... “Que quarto é esse?”.

 

~~~~~~~~ & ~~~~~~~~

 

— De onde a conhece, Puma?

— Ela me ajudou na floresta, antes de chegar aqui. Já disse isso antes, Sir.

— Mas não me disse de onde ela é.

— Posso conversar com ela primeiro? Ainda nem acordou depois do que ocorreu, como quer descobrir algo agora? — se Guliver não fosse o general do lorde, e não fosse mais velho do que ela, estaria apontando a ponta de sua espada em seu pescoço e o ordenando calar a boca.

— Você precisa é me esclarecer essa história, isso é muito suspeito, não soube de mulher alguma acompanhando o lorde na noite passada.

— Vai repetir quantas vezes a mesma coisa? — ele se calou um instante, Puma massageou a testa numa tentativa vã de aliviar as dores de cabeça, esperando, com a paciência quase no limite, aquele desgraçado na sua frente sumir de vez.

— É responsabilidade sua, está entendendo? Sua.

— Já sei disso! — a irritabilidade não conseguiu passar despercebida dessa vez. — Agora vá cuidar do funeral do seu lorde e de manter a lady segura, antes que algo a acometa também. Aí,[GA3]  a responsabilidade será sua e nosso Rei saberá que falhou para com a proteção de seus aliados.

 

Guliver ficou dois tons mais claros com a menção do Rei, as palavras sumiram de seus lábios e ele saiu com um aceno de confirmação breve e uma carranca mais do que falsa. “Cagão! Um bando de medrosos[GA4]  quando o assunto é o Rei... Temem perder a posição de privilégio, não é mesmo?”.

 

— Pelos deuses... — Puma fechou a porta atrás de si depois de adentrar os aposentos reservados para ela.

— Espero não ter causado muitos problemas.

 

A voz dengosa da mulher a encheu de uma espécie de euforia que quase a fez derrubar a jarra de suco de tangerinas, que carregava nas mãos. Seus olhos caíram na jovem sentada, vendo seu rosto apático e o sorriso pálido de seus lábios secos.

 

— Acordou! — a alegria escapou sem que notasse.

— Há pouco... — Verna sorriu.

— Pelos deuses, não deveria estar sentada, nem ter se sentado sozinha! Espere um pouco, vou ajudá-la .

 

Não esqueça as perguntas, Puma!”, se cobrou. Depositando a jarra sobre a mesa de pedra ali perto,[GA6]  a general adiantou-se ao encontro da mulher, colocando mais travesseiros e almofadas atrás de seu corpo e a acomodando melhor. Ouvia seus baixos protestos enquanto se posicionava, cada pequeno gemido meio contido a injetava a sensação de pânico mínimo, não a aprazia o esforço que Verna exercia só para se encostar. “Poderia ter evitado isso, se eu tivesse chegado um pouco mais cedo”.

 

— Você exagera, não estou tão ruim.

— Não? Eu tenho uma pequena noção de quanto sangue contém um adulto, mas nunca vi tanto sangue sair de alguém, não na velocidade que deixava seu corpo.

— Bobagem... Estou bem agora.

— Não conte com o peixe no anzol. — negou veemente com a cabeça, mirando os olhos verdes universo daquelas órbitas cansadas, daqueles olhos tão... “Lindos. Oh! Deuses! Como são lindos, tão lindos”. — Alguma dor estranha?

— Difícil dizer onde não dói.

— Perdoe-me por isso.

— Não há o que se desculpar, a culpa não foi sua.

— Mesmo assim...

 

As duas entraram em um silêncio constrangedor e Puma se sentiu envergonhada, não sabia o real motivo de ter se desculpado tão repentinamente, muito menos de onde vinha a sensação de culpa e amargor que a tomou quando encontrou o rosto abatido de Verna. Não era para uma mulher como ela sofrer desse jeito, não era para mulher alguma passar por algo desse tipo. “Eu poderia a ter protegido”, a falha não seria esquecida tão cedo.

Então, rompendo o clima embaraçoso, Verne deposita a mão sobre a de Puma, passando os polegares nas suas falanges calejadas, acarinhando em consolação e compreensão. Não imaginou que o toque de uma caçadora fosse ser tão macio e quente, Puma teve o corpo inteiro em arrepios constantes, numa tensão muscular loucamente prazerosa. O almoço revirou-se na barriga, provocando ímpetos de ir ao banheiro, ao mesmo tempo que a inundava de um formigar gostoso.

 

— Então eu a desculpo.

 

Encontrou o sorriso mais cálido existente no mundo no rosto da mulher, aqueles lábios ressecados, ainda pálidos, a hipnotizavam, chamavam seu corpo para mergulhar entre eles, querendo-a mais perto e Puma desejava estar mais perto.

 

Faz alguma coisa! Segura a mão dela de volta! Retribui o gesto!”, nenhum sinal de movimento, seu corpo não respondia as ordens, não conseguia, simplesmente não movia. Viu a mão de Verna se afastar, seu sorriso se tornar mais fraco e o arrependimento dominar sua alma. “Perdi a chance, perdi a completa chance. Mas...”. “Ela está só sendo gentil, deixe de criar expectativas”. Mil suposições do que a mulher havia achado da sua não retribuição passaram por sua cabeça, injetando o típico desespero de quem quer se redimir.

 

— Com fome? — apressou-se em dizer, alisando as coxas como quem ajeita as dobras da roupa, num movimento ansioso.

— Um pouco, não mentirei. Mas sinto que qualquer coisa que comer, poderá deixar meu corpo pela mesma abertura que entrou.

 

A pequena brincadeira tinha chego feito brisa de primavera, provocando risos fracos na general e trazendo a leveza de volta, mesmo pouco.

 

— Providenciarei algo leve, então.

 

O que esta acontecendo comigo? Estou... Nervosa?”. Puma se perguntou a última vez que esteve tão ansiosa assim, talvez há uns seis anos, quando ainda treinava, era só uma garota magricela, e queria, com todas as forças, vencer a prova de admissão do exército.

 

Agora estou eu, tola, desejando passar uma boa impressão... Aliás, passar mais do que uma boa impressão”. “Tolice, Puma. Mulheres como ela se deleitam nos braços de homens, dos mais bonitos, fortes. Jamais pensará em você quando a ideia de gracejos lhe vier à mente”.

 

Havia mais do que sua insegurança, havia algo pior... Havia...

 

~~~~~~~~ & ~~~~~~~~

 

Se ela descobrir precisarei ser drástica, e não sei se aguentaria uma luta contra Puma nessas condições. Deuses, sejam bons mais essa vez, só mais essa vez, eu prometo não ser tão ruim. Prometo!”.

 

Puma voltou tão rápido quanto saiu do aposento, permitindo pequenos minutos de silêncio e reflexão à ruiva remendada. Entregando-se aos travesseiros, Laverne se deu conta da estrutura do quarto só agora, aliás, do quarto e de seus pertences. “Não posso me esquecer!”. Por um breve instante ela se deixou iludir em pensar que estariam bem ao pé da torre, onde jogou na noite passada. “Com Puma aqui? Nem pensar”. Puma poderia ter caído no feitiço de ilusão, mas não era tola, muito menos ingênua e se estava na posição que lhe cabia, era porque, no mínimo, tinha um olhar aguçado. “Espero que não para mim”.

Mesmo assim, averiguou o perímetro, o máximo que sua condição permitia, mirando cada centímetro daquele aposento de paredes de pedra, de colunas de madeira, tapetes nas cores da casa do lorde cobrindo o chão, um sofá baixo perto da lareira pequenina, uma mesa baixa rodeada de almofadas, cortinas de cores escuras cobrindo as janelas, alguns pergaminhos organizados sobre a mesa de escrever ali perto e um baú que, aparentemente, deveria guardar os pertences da general.

O luxo tem suas vantagens... E seu charme, confesso”. Pegou-se se perguntando como deveria ser o quarto dela de verdade, aquilo só era um cômodo reservado a qualquer um de sua posição, nada além de um padrão de conforto exagerado, algo para a porcentagem mínima da população. Agora, o quarto de Puma, aquele que deve estar situado ao lado da torre do Rei, numa posição estratégica para a chegada aos aposentos reais, caso haja... “Algum problema... Aliás... Muito problema...”. Além de, visão perfeita dos fortes, saídas secretas, esconderijos de proteção secretos...

 

Ah! Puma, Puma, Puma... Gatinha tímida... Nosso romance não pode acabar assim, não pode de forma alguma”.

 

Estava sorrindo quando a mulher voltou e permaneceu toda a sorrisos enquanto comia o caldo de carne de carneiro guisado, arroz soltinho e batatas cozidas de primeira. Bebeu o hidromel mais doce de sua vida, e engoliu gordos goles as águas de coco servida. Cheia? Sim, estava; tanto que podia sentir a comida querendo deixá-la pela boca, mas quando se viveu com menos de um pão seco, queijo mofado e carne dura feito couro de boi, uma comida como essa se deve comer até que respirar seja um problema sério.

O sono veio mais uma vez, feito mágica, fazendo seus olhos ficarem pesados, sua mente ficar turva e mal notou quando cochilou ali mesmo, acordando antes do sol se pôr, com aquele cheiro de tarde inundando o ar e uma letargia boa a tomando.

A primeira coisa que viu foi Puma, sentada diante da mesa de escrever, rodeada de velas e empunhando dedos frenéticos sobre uma carta. O cheiro de tinta das boas a invadiu, lembrando-a de um passado não tão distante, de um velho não tão velho assim e de uma vida que gostaria de ter podido viver até o fim de seus dias. “Mas alguns seres pensam ser melhores do que outros...”, o ódio não podia a contagiar naquele momento.

 

— Acho que devo ter sido a mais indelicada de todas as hóspedes. — rompeu o silêncio sepulcral existente no ambiente. Estranhamente se sentia melhor, apesar de ainda com dores, mas já não tinha aquele peso na cabeça de mais cedo.

— Verna? — o susto a fez borrar uma palavra. — Merda!

— Perdoe-me, deveria ter sido mais sutil.

— Ah! Besteira, por favor, eu quem apoiei errado meu braço.

— Olhe só para mim, só trazendo problemas a sua vida num prazo tão curto desses.

— Ora, que isso! Não exija tanto de si e não tome culpas as quais não se devem a você.

— Creio encontrar motivos em demasia para ser culpada dos seus transtornos.

— Verna, pelos deuses. Você quase estrebuchou de tanto sangue, o que mais poderia ter feito?

— Não ter te dado essa dor de cabeça, por exemplo. Morrido logo...

— Não!

 

Os olhos de Puma se arregalaram de tal forma que até Laverne se assustou com aquele movimento repentino. Parecia que estava prestes a agarrar algo com toda a força e a ruiva agiu por instinto, levando um braço em defesa sobre o rosto, com o outro pronto para socar a barriga do infeliz. “Por que eu fui fazer isso?”, pensou no meio das lágrimas doloridas, que saíram no instante seguinte, junto à dor alucinante. De repente aquele pouco vigor recuperado se desfez, seus braços eram bolas de chumbo das mais pesadas, e só conseguiu levar a mão ao lugar, como se aquele simples movimento fosse capaz de curar qualquer ferimento, aplacar qualquer dor.

 

— Verna! Pelos deuses, vai acabar abrindo-se de novo! Céus. Deite-se, deixe-me ver as talas.

— Vi-virei um peso morto a-agora?

— Virará se não se acalmar e me deixar ver. — Puma a aconchegou novamente nos travesseiros, as mãos suadas, Laverne pode sentir, com um tom preocupado em demasia para ser apenas gentileza à vitima. Ela ajeitou as cobertas e ergueu de leve a camisa que escondia sua nudez. — Manchadas, olhe só isso. Precisarei chamar o Malá.

— Por-por favor, não precisa. Prometo, pr-prometo me acalmar.

— Mas as faixas estão manchadas!

— Vai passar, eu j-juro.

— Verna, Verna. Será rápido, ele...

— Não, por-por favor. Já experimentei demais daqueles chás e, com certeza, ele me fará beber outro.

— Verna... — Puma já tinha cedido antes mesmo de confessar, sentando pesadamente na cadeira onde estava mais cedo, passando a mão nos cabelos em preocupação. — Eu, sinceramente, não sei. Costumo não acompanhar procedimentos dos Malás, acho muito angustiante, mas o seu eu precisei... Nunca vi nada parecido.

 

Laverne engoliu em seco, o sangue desaparecendo de sua face, e o nervoso a atingindo com violência. “O que você viu?”.

 

— Ele precisou usar agulhas de osso... De osso de dragão. Mesmo assim sua pele não fechou direito. — ela continuou. — Nunca tinha visto nada semelhante.

— N-nunca? — a ruiva torceu para que ela não tivesse percebido a entonação de medo em sua voz. “Estou perdida, estou completamente perdida”.  O nome, bastava pensar no nome, pensar forte nele e a salvação viria; seu coração retumbando feito batuque de tambor selvagem, os pés dobrando, esfregando-se um no outro na aflição, o suor frio surgindo poro a poro em sua superfície, feito febre a ceder. Bastava dizer só um nome... “NÃO! Ele não vai me ouvir chamar! Não!”.

— Malá disse que é uma condição rara, que tratou de um homem desse jeito. Eu nunca vi alguém assim, mas ele falou que é dos problemas das agulhas de aço, elas não cortam todas as peles, os ossos são melhores.

— Ah! Q-que coisa... — o ar saiu entre seus dentes quase num assobio de tão forte e farto. A sensação de alívio a engoliu intensamente, embaralhando sua visão, obrigando-a a deitar a cabeça nos travesseiros, fechando os olhos por um instante.

— Você tem certeza que está bem?

— Si-sim, sim. Só... Um pouco tonta. — esboçou um sorriso torto. — As lembranças também não são das melhores...

— Lembranças?

— S-sim... ­— esforçou-se em uma careta triste.

— Do que se lembra?

— N-não sei... N-não sei como foi direito... Estava na cidade... Vendendo peles... Negociando com um comerciante... Q-quando... Ahhr..

— Não se esforce tanto, pode me contar amanhã, quando estiver melhor.

— Qu-quero falar. Por favor... ­— olhou com órbitas marejadas para Puma, encontrando um rosto mais ávido por respostas do que preocupado. “É mais general do que pensa, Puma”. — Estava prestes a... Vender a peça... T-tinha conseguindo um bom preço... Quando... Al-alguém... Alguém surgiu... Surgiu do nada... E me segurou...

— Conseguiu ver quem? Alguma silhueta?

— Era um homem... Isso eu tenho certeza... Era um homem... Alto... Acho que bem alto.

— Não conseguiu ver nada?

— N-não... Ele me levou para um lugar... Uma casa... Não sei dizer... Só lembro de... Um pano úmido no meu nariz... Meu corpo ficar mole... E... Acordar no quarto do lorde...

— O que?? Quem fez isso?

— N-não sei... N-não vi...

— Ora, mas o que queriam com você?

— N-não sei... Só sei que... Estava na cama do lorde... Jogada... Ele chegou depois... Disse que... Ele disse... — fingiu um engasgo de choro. Engoliu em seco e tornou a falar. — Tentei lutar contra ele... Até que... Um homem surgiu pela janela... Disse que veio para levar o lorde... Os dois brigaram... Eu não vi quem era, estava com medo... E o homem... Era alto... Magro, tinha os olhos negros como a morte... Ah... Céus...

— Não precisa se esforçar dessa maneira, Verna. Foi uma sorte você ter conseguido ver alguma coisa, ter sobrevivido.

— Ele parecia a morte, a morte! ­— dessa vez soluçou, falso, ganhando uma fisgada de dor por isso.

— Verna, você está pálida. Vou chamar um Malá, pronto, resolvido.

— Não! Por favor, Puma. Por favor.

— Verna, você parece uma mulher em parto, banhada de suor! Como deixar estar? Como?

 

Puta que pariu, puta que pariu! É a única chance”.

 

~~~~~~~~ & ~~~~~~~~

 

 

Puma sentiu os dedos febris da mulher enlaçarem seu punho quando se pôs de pé. Firmaram-se ali feito algemas de ferro, grudando sua pele na dela, causando uma sensação boa de arrepio. Então, firmes, duvidosamente precisos, perigosamente ágeis, aqueles dedos a puxaram para baixo, levando seu corpo inteiro a se curva, primeiro, depois a se deitar parcialmente.

Num instante via Verna quase desfalecendo em suor e dor, pálida sobre a cama, no outro, o rosto dela tinha colorações rosadas como jamais encontrou naquelas curvas. O beijo veio em seguida, quente, absurdamente quente, úmido como beber água e de gosto...

 

Coco... Carne de coco”.

 

Puma sentiu seu umbigo invaginar, engolido pela contração do abdômen, suprimido pelo ar preso em seus pulmões. Mal conseguia se mover, mal conseguia pensar, mal conseguir existir em si, exalando doses elevadas demais de adrenalina, nervoso e desespero, num estado de completa confusão, levando-a a completa ausência de reação. Causando incêndios severos de dentro para fora, daqueles que vem quando se bebe um chá quente demais e rápido demais. Algo violento, severo, algo feito cachaça, feito rum, passando a rasgar por dentro, dolorido e mesmo assim...

 

Tão bom...”.

 

Assim, com a suavidade de uma fada, Verna acomodou sua boca na dela, colhendo seus lábios nos dela como quem abraça. Puma teve a nuca alcançada por dedos gentis, afagada, e massageada em vai e vem suave, enquanto tinha a boca num inteiro entregar. Sem saber como, simplesmente fechou os olhos e no instante que Verna iniciou o afastamento a deteve. Prendendo-a ali por mais alguns instante, incapaz de deixar esse momento se desfazer tão depressa.

Foi quando aprendeu mais sobre um beijo naqueles minutos do que imaginou durante toda a sua vida. O selar virou saliva e a língua da morena começou a catar a sua dentro da boca. Hesitante, mas curiosa, Puma se permitiu ser acometida pela dança molhada daquele encontro; tendo o calor virando queimação, vibrando no seu interior, escorregando de seu pescoço ardente, para os seios – enrijecendo os mamilos –, barriga – revirando as tripas em solavancos de prazer –, baixo ventre – contraindo os músculos em espasmos – e, por fim, o meio das pernas. Ali... Ali as coisas viraram cachoeira, e se um dia Puma pensou estar excitada, não chegava a ser capaz de se comparar com aquele momento.

Simplesmente estremeceu, colocando as mãos no rosto macio da mulher, querendo a tornar parte de si, alisou as maçãs meio pegajosas de Verne, sendo acometida por um instante inesperado de iniciativa, tomando o beijo nos seus moldes. Mas Puma mordeu mais do que podia engolir e acabou batendo os dentes nos de Verna, na sua empolgação.

 

Agora ela vai te estapear a cara! Sua inútil!”.

 

Mas Verna sorriu, o sorriso mais cálido existente em uma pessoa, daqueles convidativos, daqueles gostosos de ouvir e com delicadeza ela a beijou mais uma vez. O fato de precisar se impor todas as horas do dia, e todos os dias, levavam Puma a um estado de constante reafirmação, constante tomada de liderança. Mas haviam coisas as quais seu controle não cabia, coisas além da sua capacidade de conduzir. E mesmo ciente da sua falta de experiência, se exigia mais, exigia impressionar, estar um passo a frente. Até que, simplesmente, todos os pensamentos desapareceram da sua cabeça magicamente.

E essa mágica estava no simples toque de Verna em sua coxa, no aperto suave que ela deu ali, no interior, sem parar o beijo. Desarmando qualquer muro da imponência de Puma, Verna a invadiu os lábios, sua língua tinha o sabor da primavera, tinha o som dos pássaros no verão e aquele aquecer gostoso dos lençóis no inverno. Seu beijo era feito fontes termais, era aquele vinho perfeito de se degustar, era a torta de alho no ponto ideal, era a paz existente no empunhar de uma espada, a satisfação de um golpe bem realizado, e o alívio de se subir a superfície depois de certo tempo submerso.

O beijo de Verna era como experimentar o sopro de vida, daqueles que fazem você lembrar que ainda existem coisas boas; da forma perfeita de se ensinar o que significar querer despertar amanhã. E de uma forma incrivelmente maluca, aquele beijo era a fatalidade, e o perigo, de uma fogueira perto da palha. Mas Puma queria ser consumida.

 

Por favor, que dure a eternidade...”.

 

~~~~~~~~ & ~~~~~~~~

 

Pelo amor de todos os deuses do sul e do norte! Como pode ser tão nervosa?”.

 

Laverne se obrigou a encerrar aquele ato com maestria, oferecendo a Puma a melhor experiência, o melhor de si, o melhor dos beijos que pode dar a alguém, vendo a general se desmanchar em seus braços, ganhando o aquecer bom de quem começa uma preliminar. Então, quando as coisas chegaram ao ponto que, se continuasse, as mãos começariam a ganhar vida própria, iniciou o afastamento.

Encerrou aquele encontro com um selinho estalado e viu um rosto inebriado a sua frente, um rosto de quem não consegue raciocinar nem o próprio nome, de quem precisa de um tempo para entender o que tinha acontecido.

 

O rosto de quem recebeu mais uma dose de magia... Uma dose leve de magia...”. E nem precisou expelir muito de seu mana, tinha reserva suficiente para não chegar a um ponto crítico, e usar mais um encanto de ilusão. Puma veria aquilo que desejaria, a mulher que vinha enxergando há algum tempo, aquela jovem delicada, de jeito frágil, que vem despertando seu interesse mais aguçado.

 

Ela fica feliz, eu fico feliz, consigo o que quero. Tudo fica bem”.

 

— Por... Ser gentil... — disse num sussurro de lábios molhados.

— É? — Puma questionou atônita, os olhos fixos na boca da ruiva.

— É.

— Por favor, não chame o Malá. Só preciso dormir.

— Malá? Não iria chama-lo.

— Agradeço imensamente... Puma. Só preciso de... Uma noite de sono... Um aconchego... Tudo ficará bem. — afagou o rosto da general com o polegar, depositando um beijo doce na ponta de seu nariz, notando quando ela se preparou para receber outro beijo nos lábios, mas não os teve.

— Confiarei, então...

 

Laverne a beija a boca dessa vez, num selinho molhado e demorado. Sorrindo abertamente e se deitando com a ajuda da mulher. Uma vez acomodada, seus ferimentos cobraram seus últimos esforços, não seria tola de transparecer a real sensação daqueles cortes, mas sabia que não estavam nada bem. “Preciso sair daqui o quanto antes”. Permitiu-se ser enrolada, afagada e contemplada por Puma, oferecendo seu melhor olhar de agradecimento, piscou demoradamente, calma, sentindo a leveza tomar conta de si, se concentrando em dormir de fato, em simplesmente descansar. Sabia que não conseguiria relaxar por inteiro com Puma a zanzar pelo quarto, bastava uma simples menção do assassino para reavivar os pensamentos frenéticos daquela mulher, não correria esse risco.

 

Pelo menos vou ficar aquecida”.

 

— Deita aqui...

— Ahm?

— Deita aqui, vou me sentir mais segura.

 

A manhosidade de sua voz a fez ter vergonha de si mesma, mas foi a dose perfeita. Puma pediu um instante e se livrou das partes pesadas de sua roupa, V percebeu que ela trancou a porta e fechou as janelas do cômodo; por fim, sentou na beirada da cama, deitando-se sobre os lençóis.

 

— Mais pertinho...

 

Manhou de novo e Puma se aproximou. V a atiçou mais uma vez a se aproximar e o corpo das duas se encontraram. Laverne sorriu largo e deitou a cabeça no ombro da general, se permitindo relaxar, aliviar a tensão de si.

Sentiu quando Puma começou a fazer carinho em sua cabeça, depois quando ela a laçou a mão. No instante seguinte estava adormecida, imersa em sonhos e neles ela via aqueles olhos amarelos vivos, com um risco no lugar na pupila e sobrancelhas de escamas. Encarar aqueles olhos a deixava aflita... Despertava saudade.

 

Quando poderemos nos encontrar novamente, Meu Pequeno?”.

 

 

CONTINUA... 


Notas Finais


Todas as imagens aqui postadas são oriundas do pinterest e google imagens, autores desconhecidos.


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