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História Professora Kim (Chaennie) - Capítulo 16


Escrita por: kjnfeels

Notas do Autor


Vou pedir desculpas antecipadas caso tenha algum erro por aqui. eu tô caindo de cansaço, então não vai dar tempo de revisar hoje.

Boa leitura 🌹

Capítulo 16 - Conversa Esclarecedora.


Fanfic / Fanfiction Professora Kim (Chaennie) - Capítulo 16 - Conversa Esclarecedora.

Roseanne acordou subitamente com o som de uma trovoada. Piscando os olhos, notou que não estava em seu quarto. A janela indo do chão ao teto com as cortinas afastadas mostrando o forte temporal caindo sobre a cidade, e o quarto na penumbra sendo iluminado apenas pelos raios cortando o céu vez ou outra, lembraram-na de que estava na cobertura de Jennie. Jennie. O momento dos ocorridos horas antes surgiu em sua memória. Ela virou a cabeça para o lado, sendo contemplada com a vista da morena agarrada a si como um filhote de urso agarrando a mãe.

As pernas curtas estavam emaranhadas nas suas, prendendo sua perna direita entre elas. A mão direita da Kim agarrava com força o tecido de sua camiseta por dentro, repousando em seu ombro, a bochecha descansando sobre seu peito que subia e descia de acordo com o movimento da respiração que ela mesma soltava. Pelo ângulo, ela só conseguia ver a parte de cima do rosto da namorada, entranto, sabia que Jennie estava dormindo a julgar por sua respiração lenta. Havia sido uma noite agitada.

Quando ela e Minseok estacionaram na garagem subterrânea do prédio e seguiram até o hall de entrada, o porteiro que conhecia os dois, inocentemente perguntou se estavam realizando alguma comemoração, visto que o "pai de Jennie" havia subido minutos antes. A Park teve um péssimo pressentimento quando ouviu aquilo, e sem dar tempo de algum outro comentário, correu para o elevador, que infelizmente estava ocupado. Tendo que ir pelas escadas o mais rápido que pôde, ela agradeceu aos céus por ser atlética ou teria morrido por falta de ar. Com dedos trêmulos tateou o bolso do jeans, buscando a chave reserva que Jennie tinha deixado consigo.

Ao conseguir abrir a porta e adentrar o apartamento, seus pés pareciam ter sido pregados com cola quente ao chão. Donghae estava sobre Jennie, acariciando de maneira desprezível o torso da própria filha, que a essa altura tinha a blusa rasgada. Sem pensar duas vezes, ela agarrou o homem pelo paletó o jogando contra o chão. Seu corpo parecia responder automaticamente a cada soco que era desferido no rosto dele, as mãos inutilmente tentando tirá-la de cima de si.

— Chaeyoung, calma. – a voz de Minseok soou por sua retaguarda. – Tira a Jennie daqui.

Seus olhos deslizaram para a mulher ao chão, os cabelos esparramados no rosto, a franja bagunçada e seu corpo tremia tanto que ela parecia um gatinho assustado quando Chaeyoung se abaixou para pegá-la no colo. Com agilidade tirou Jennie dali, bem a tempo de ver Minseok desferir um murro contra o estômago de Donghae e os seguranças o levando de lá.

— Nunca mais ouse encostar suas mãos imundas na minha irmã! – ouviu Minseok gritar com raiva quando elas entraram no quarto de Jennie, seguindo para o banheiro.

A morena chorava contra seu ombro, e quando ela se sentou na banheira, trazendo Jennie para seu colo, o choro quebrado e doloroso da mais velha abriram mais algumas feridas em seu coração. Ela odiava ver seu amor daquele jeito, tão quebrada, destruída. Chaeyoung ficou ali, acariciando os cabelos dela e murmurando palavras doces, até que sua lástima cessou.

— Precisamos trocar suas roupas. Você não pode pegar um resfriado. Vem aqui.

Seus toques pareciam mais cuidadosos do que o normal a medida que ela despia Jennie. Primeiro foi a blusa rasgada - uma emoção sombria cruzou sua espinha ao cogitar o que poderia ter acontecido se ela não tivesse chegado a tempo - depois, com delicadeza passou a calça de Jennie por suas pernas. Tirou também as vestes íntimas da morena sem malícia alguma. Naquele momento, Jennie precisava de cuidados reais. Enrolando o corpo pequeno em um roupão branco felpudo, ela retirou suas próprias roupas encharcadas, jogandos-as na pia junto com as da namorada. Voltou para o quarto e rumou até o closet de Jennie, pegando uma camisola de seda preta e uma calcinha nova para a Kim.

— Já me sequei – Jennie proferiu pela primeira vez. Chaeyoung assentiu, observando ela desfazer o nó do roupão. — Você pode me vestir?

— É claro. Se apoie em mim – Roseanne se colocou sobre os joelhos. – Agora erga os pés, querida.

Jennie segurou em seus ombros exercendo o que lhe foi pedido. Os dedos da Park roçaram sua perna gentilmente quando ela subiu o tecido de renda vermelha. Depois, fora a vez da camisola, enquanto Jennie erguia os braços a mais nova passou delicadamente o tecido por seu corpo, que pairou no meio de sua coxas. Analisando ao redor, ela lembrou que Jennie guardava o secador de cabelo no armário debaixo da pia. Murmurou um "achei" animado ao encontrar o objeto, plugando na tomada e virando-se para Jennie.

— Pra que isso? – a Kim inquiriu baixinho.

— Eu vou secar o seu cabelo, babe. Vira pra frente do espelho, por favor?

Jennie comprimiu os lábios com força evitando chorar. Encarando o reflexo da loira, com os cabelos em uma bagunça ensopada, vestindo um roupão enquanto passava um pente por seus cabelos ao secá-los, ela se perguntou o que fez de tão bom na vida para merecer um anjo daquele. Ela estava ali mesmo depois de sua estupidez na sexta-feira passada.

Quando Chaeyoung ficou satisfeita com os fios sedosos secos e arrumados, ela pegou Jennie novamente no colo, em estilo nupcial voltando para o quarto. Deixou um beijo em sua têmpora e depois na marca vermelha em sua face esquerda, murmurando que logo se juntaria a ela na cama, só ia se trocar. A loira voltou para o closet de Jennie, pegando uma roupa para si. Elas já estavam no nível em que deixavam roupas na casa uma da outra. Não achou uma de suas camisetas, provavelmente estariam na lavanderia, já que a Kim gostava de usá-las por ter seu cheiro, mas por sorte, achou um top preto. Soltou um pesado suspiro olhando seu rosto no espelho quando voltou para o banheiro. Que dia. Vestiu a calça de flanela xadrez azul, o top e ligou o secador para ajeitar as madeixas loiras.

Assim que ela voltou pro quarto, Jennie já estava cochilando. Não querendo despertá-la, somente deitou do outro lado, trazendo o corpo frágil para si. Agora ela estava ali, observando as gotas de chuva escorrendo pelo vidro.

— Por que você não está dormindo? – a voz rouca de Jennie a fez levar um susto. Ela quase caiu da cama, se não fosse pela namorada em cima de si.

— Eu achei que você estivesse dormindo.

— Estava, até acordar com o trovão e você se remexer antes.

— Me desculpe – Jennie movimentou-se na cama, e ficando sobre os joelhos, pegou um dos travesseiros, sinalizando para a loira erguer a cabeça. – Para o que vai usar isso? 

— Para sua cabeça ficar mais alta enquanto conversamos.

— Tá bom. – Roseanne se ajeitou sobre os travesseiros, sentindo o olhar de Jennie percorrer seu torso. — Está tudo bem, não estou com frio.

Mentira. Ela estava sentindo os braços arrepiarem. Jennie cerrou os olhos.

— Abra as pernas.

— O quê?

— Vamos lá, RosiePosie – brincou. De cenho franzido, ela atendeu o pedido mais uma vez. Jennie se encaixou sobre suas pernas, deitando contra sua frente, nivelando o rosto para ficar sobre o travesseiro de maneira que ambas se encarassem. Ela puxou a coberta grossa sobre elas e sentiu os braços fortes de Chaeyoung circularem suas costas. — Melhor agora, não é?

— É. – ela riu genuínamente e a Kim fechou os olhos. Ficaram em silêncio, ouvindo as gotas de chuva resfolearem na vidraça.

— Você quer falar primeiro? – Jennie não obteve resposta. Abrindo as orbes, visualizou uma Roseanne brincando com uma mecha de seu cabelo distraidamente. Ela sorriu. – Rosie, amor...

— Ah, oi, desculpa – suas bochechas coraram. — O que você tava dizendo?

— Vamos conversar.

— Tá. Você pode ir primeiro.

Jennie assentiu. Reunindo coragem soltou o ar de seus pulmões.

— Primeiramente, eu quero te pedir que me perdoe por ter lhe dito aquelas palavras. Rosie, você não é uma cabeça de vento e muito menos estúpida. Tudo que tem aqui dentro – ela tocou o indicador na testa da Park —, mostra o quão maravilhosa você é. A forma que você desenha como se já tivesse nascido sabendo fazer aquilo, ou como você toca piano, e o fenômeno encantador que é quando canta, te tornam a mulher mais incrível desse mundo. Você é perfeita, Park Chaeyoung, e eu, estúpida Jennie Kim, falei aquilo da boca pra fora, acabei descontando minha raiva em você injustamente. Por favor, me perdoe, Rosie, me perdoe – Jennie finalizou com a voz embargada.

Roseanne ficou encarando seus olhos marejados e os lábios trêmulos, o coração derretendo com a cena. Sua mão cobriu a bochecha direita de Jennie.

— Meu mandu. – apertou com cuidado a bochecha protuberante, fazendo um beicinho projetar nos lábios da namorada. — Eu te perdôo, Nini. É claro que o que você falou me magoou muito, eu jamais esperava ouvir aquilo de você, e fiquei remoendo aquelas palavras na minha cabeça.

— Me desculpa – fungou.

— Mas irei te perdoar, eu te amo demais para ficar chateada com você por muito tempo. Ei, não chore – ela esfregou o caminho de uma lágrima rolando em seu rosto simétrico. — Só que preciso que você seja honesta comigo. Me conte tudo, o por quê de nunca ter me dito que já foi noiva e por que estava tão irritada naquele dia.

— Tudo bem. Primeiro quero te pedir uma coisa – ela fixou os olhos castanhos avelã, encontrando consentimento. — Não me olhe de maneira diferente, ok?

— Eu nunca faria isso.

— Certo. Eu realmente fiquei noiva em 2017, foi bem na época que você entrou na Yonsei – Jennie sentiu a menina se remexer inquieta. — Mas eu não estava noiva de verdade.

— Como assim?

— Donghae tentou infernizar Minseok, eu e mamãe depois de um tempo. Sabe aquela empresa que produz roupas, a Nieeh? É da minha mãe. Minha e da minha mãe. Ela começou a dar entrada em umas ações quando ainda estava casada com Donghae. Embora eles tenham se separado, o maldito só assinou o divórcio três anos depois. E em 2017 ele deu entrada em um processo onde exigia 80% dos lucros, já que quando foi fundada, eles estavam casados no papel ainda.

— Que filho da puta!

— Olha a boca. — Jennie repreendeu. – O Minseok só ia receber o diploma uma semana depois, e não podia ser advogado da causa. Minha mãe viajou até os Estados Unidos, em busca de um que fosse eficiente e bom. Ela conseguiu. Quando voltaram para a Coréia, ele apresentou uma maneira de retroceder o processo de Donghae. Como eu era uma co-fundadora, se tivesse um noivo ou um marido que fosse sócio, automaticamente refutaria a exigência que Donghae solicitou. Eu contatei Jongin, um amigo antigo, e contei pra ele a situação. Ele foi generoso, ofereceu um investimento para a empresa e aceitou forjar um noivado comigo. A foto que Donghae te mostrou, foi postada na época para deixar mais real. Um mês depois, o advogado veio com a notícia de que o processo tinha sido retirado, tinha dado tudo certo.

Chaeyoung ficou em silêncio por um instante. Jennie engoliu a saliva acumulada na boca, sentindo os dedos finos fazendo um carinho gostoso em seu cabelo.

— O seu pai é um cuzão, hein.

— Park Chaeyoung! – Jennie a repreendeu, chocada com o palavrão. – Que palavreado é esse?

— Mas é, Nini. Ele foi um canalha dos grandes, não bastou transformar sua adolescência em um inferno, destruir sua família, depois ele ainda tem coragem de exigir alguma coisa? Eu acho que deveria ter quebrado um pouco mais a cara dele hoje mais cedo. – rosnou. Jennie piscou, surpresa com o ataque repentino.

— Você não está chateada comigo por ter feito isso?

— Não. Por que ficaria?

— Eu... vendo assim parece que eu só estava me importando com o dinheiro.

Chaeyoung balançou a cabeça.

— Não. Você estava pensando em sua mãe e em você. No esforço de vocês. Tanto você quanto ela viveram um inferno com seu pai, e trabalharam duro pra conseguir aquilo. Eu entendo perfeitamente que você fez isso mais pela sua mãe do que por você mesma.

Jennie a encarou com os olhos carregados de amor.

— Eu não sei o que fiz pra merecer alguém como você.

— Me responde outra coisa? – Jennie acenou com a cabeça. — Por que você estava tão estressada no sábado? Eu sei que você não ia dizer aquelas coisas pra mim se estivesse em sã consciência.

— Me desculpe mais uma vez, meu bem. – ela beijou a testa de Roseanne. — Enquanto Donghae estava com você, Irene tinha me chamado para ir a Universidade com urgência porque ele havia instruído um subordinado a tentar passar a perna em mim e na Joohyun para vendermos nossas ações da Universidade.

— Você tem ações na Yonsei? – a morena confirmou. — Agora entendi porque você é tão rica.

Jennie revirou os olhos, a sombra de um sorriso nos lábios.

— Não mencionei antes, mas a empresa de Donghae está sendo investigada por lavagem de dinheiro. O homem que foi falar com a gente no sábado, queria as ações para usá-las em propina. Ele é um péssimo negociador, acabou deixando muitas pontas soltas em sua fala, e quando ele mostrou seu cartão, eu saquei tudo. Joohyun teve que me impedir de voar em cima dele, e no processo a xinguei sem querer. Eu saí de lá enxergando tudo vermelho, e bem, quando te vi com Donghae... Você viu do que ele é capaz hoje, não é?

Chaeyoung sentiu a namorada ficar tensa sobre seu corpo, e rapidamente apertou os braços ao seu redor, deslizando as mãos por toda a extensão de suas costas, beijando o topo de sua cabeça.

— Tudo bem, Nini. Não precisamos falar disso. Eu também tenho que me desculpar por ter mentido pra você, e ter ido me encontrar com ele. Deveria ter dito a verdade.

—Está tudo bem. Agora já passou – suspirou. — E obrigada. Por ter me salvo e cuidado de mim hoje – acrescentou. — Eu nem quero imaginar o que teria acontecido se você não tivesse entrado a tempo.

— Não fala mais nada, princesa. Agora está tudo certo. Estamos bem, vamos ficar bem. Durma menina linda, eu estarei aqui quando você acordar.

— Eu te amo, Chaeyoung.

— Eu também te amo, Jennie.

— Boa noite, Rosie. – sussurrou.

As carícias em seu cabelo, o calor e o cheiro do corpo da loira, e o barulho de chuva lá fora logo a fizeram cair na terra dos sonhos quando o sono a levou.

— Por um longo tempo eu achei que ia viver com as palavras ruins e as memórias do bullying que sofri. Você não tem noção do quão difícil foi ter que lidar com o pensamento de que eu realmente era uma retardada por conta da frequência que falavam isso pra mim – Roseanne engoliu em seco —, mas então quando eu entrei na Universidade e te vi no meu primeiro dia de aula, as memórias ruins que me assombravam dia e noite foram substituídas pelo seu sorriso. Quando eu tinha pesadelos, eu sempre lembrava de como você ficava toda séria na frente da classe, mas sorria ao falar comigo. E quando você disse que gostava de mim também, foi o dia mais feliz da minha vida. O que quero dizer, mesmo que não ouça isso agora, é que você trouxe cor para minha vida novamente, Jennie. Você me fez enxergar que eu não sou uma pessoa diferente de maneira ruim, que eu posso ser tudo que eu quiser. Não sei se isso é possível, mas me distraio com muito menos frequência quando estou na sua presença. Tudo que penso antes de dormir, é na maneira que seu sorriso cresce ao dizer que me ama. Obrigada por trazer luz novamente em minha vida, Nini. Eu te amo muito.

Chaeyoung ficou ali, embalando o corpo flácido nos braços até adormecer também. E quando sua respiração se tornou pesada, a morena abriu os olhos. Um relâmpago clareou o quarto, e se ainda estivesse acordada, Park teria visto os olhos brilhando em lágrimas acompanhados de um sorriso feliz nos lábios de Kim.

— Você é todas as cores em uma só, Rosie – Jennie proferiu, dedilhando sua bochecha.


Notas Finais


Até mais 🙃


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