História Prófugo - HIATUS - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS), Got7, Mamamoo
Personagens Hwasa, Jin, Jungkook, Rap Monster, V
Tags Jungkook, Medieval, Taehyung, Taekook, Vkook
Visualizações 31
Palavras 3.827
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, escoteiros!

Depois de muito tempo apareci aqui, mas eu cumpro com as minhas histórias rsrs. Então, bora ler?

Boa leitura☆

Capítulo 2 - Capítulo II


Castelo de Origon, quatro anos depois.

 

Os ventos tempestuosos devastavam tudo o que tinha pela frente naquela época do ano, colocava medo nos animais selvagens que encontravam abrigo em suas tocas ou em cavernas, destruía as folhagens das árvores apenas deixando de pé seus troncos, era inseguro andarilhar entre as tempestades de inverno naquelas regiões sem estar inteiramente apto a fazê-lo a não ser se quisesse congelar o seu próprio sangue pela extrema temperatura. Passaria por experiências desagradáveis, enfrentaria lutas constantes tanto contra o frio quanto contra animais carnívoros das neves, fora as instabilidades psíquicas que todo ser humano passa ao ficar cara a cara com os seus medos, principalmente da morte.

O sopro das rajadas de ar entre os corredores de blocos de pedra eram como lamúrias, um som horripilante que causava arrepios nos guardas que cumpriam a sua ronda diária e proporcionava grandes narrações de suspense e terror sobre aparições de espíritos de pessoas que morreram por toda a extensão do castelo. Esses boatos persistiam, e muitos acreditavam firmemente do lugar ser mal assombrado, porém, recentemente, uma nova lenda estava na boca dos visitantes e serventes do rei e se tratava justamente sobre o assassinato da rainha. Algumas camareiras diziam tê-la ouvido no corredor perto de seu aposento onde fora morta, proferindo frases sussurradas e arrastadas assim como em seus últimos suspiros e sendo suas palavras incompreensíveis para quem a escutasse, consequências de sua goela fatalmente cortada.

Seus dedos da mão esquerda rodavam o anel no seu anelar direito em um movimento delicado que denotava afetuosidade pelo objeto feito de ouro de suma importância. O que havia em suas mãos calejadas pelo empunho de uma pesada espada durante anos de batalhas épicas consistia em ser uma das memórias pertencentes ao seu real dono que, com toda a sua graça e fidelidade, recebera jurando votos que se conservariam até o fim de suas vidas. Porém, o eventual e conhecido destino que nos cercava e nos acrescentava acontecimentos satisfatórios e infortúnios ao longo de nossa existência, como era incapaz de ser alterado pelo manuseio dos próprios portadores de seu porvir, retirara a família de Kim Namjoon, o soberano de Origon, da maneira mais cruel e devastadora que alguém poderia aguentar.

A dor da perda o assolava a cada minuto que o silêncio tomava completamente a sala do trono, não ouviria mais as risadas de seu filho de apenas cinco anos que gostava de correr e encontrar esconderijos para escapar dos banhos, sentiria falta dos abraços que lhe dava antes de dormir e da sua voz cheia de sono murmurando logo pela manhã. Mark era o seu primogênito, fruto de seu amor com a mais bela e gentil das mulheres, Moonbyul, com quem compartilhou anos de dores e conquistas. Seus cabelos macios e longos em um loiro unicamente hipnotizante até hoje eram conservados pelo esposo, quando antes de enterrá-la resolvera cortar uma mecha para carregá-la consigo em todos os lugares, preservando, assim, a sua memória a todo o momento.

Além do mais, não existira ninguém ao lado de Namjoon para ajudá-lo a superar os obstáculos que lhe foram impostos no passado a não ser Moonbyul e seu grande amigo, e líder das tropas de seu exército, Jackson Wang, no momento em que perdera a visão ao ser atingido nos olhos por um terceiro inimigo enquanto combatia dois ao mesmo tempo. A transição para se adaptar a sua nova vida fora difícil, mas havia conseguido junto aos seus únicos companheiros que permaneceram ao seu lado nessa época e observaram pessoas virarem as costas para si.

Kim Namjoon sempre recebera elogios pela sua agilidade com sua Montante por ser rápido demais empunhando uma espada quase de seu tamanho. Antes era considerado um guerreiro destemido em guerras e confrontos, um estrategista aclamado por comandar sua própria tropa de cavalaria — e pertencer a ela. Mas agora, o que mais chegava em seus ouvidos era comentários duvidosos sobre o seu reinado, colocando sua deficiência como um empecilho e cada vez mais avaliado como um rei incapaz de proteger suas fronteiras.

Grandes motivos que frustravam o rei de Origon atualmente.

Sentado em seu trono acolchoado branco com partes compostas pelo dourado do ouro, seus pensamentos eram tomados por recordações passadas que o aqueciam naquele lugar soturno e frio, resultante da tempestade de neve incessante e interminável que ocorria fora do castelo. O vento transpassava pela janela soando a sua peculiar voz como se clamasse por misericórdia e trazia murmúrios de gente em sofrimento no intrínseco de suas lembranças. Havia destruído várias famílias, aldeias que não seguiram o seu regime e pessoas inocentes, e logo tudo voltara para si com as mesmas proporções de sofrimento. Moonbyul e Mark foram punidos pelos pecados aterrorizantes de um rei consumido pela ganância de expandir seu território.

Seus músculos se enrijeceram ao aperceber-se de uma manta caindo por sobre seus ombros para o aquecer da temperatura baixa. Após anos, não havia se acostumado com o seu atual estado e sentia-se ameaçado sempre que algo, mesmo inofensivo, o pegava de surpresa. De tantas batalhas que participara, o que aprendeu com suas experiências foi nunca abaixar a sua guarda em lugares desconhecidos, e a cegueira era uma condição desconhecida para Namjoon.

— Vossa Majestade congelará se ficar aqui sem nenhuma proteção para o frio que açoita as paredes imensuráveis do castelo. — O homem loiro de armadura negra se posicionou a frente de seu rei e se ajoelhou, mirando fixamente a faixa branca que cobria os olhos de Kim.

— Não que eu me importe em ser levado para onde Moonbyul e Mark estão. — Ergueu o seu queixo, soltando uma bufada de ar visível.

— E o que lhe faz acreditar que ficará junto a sua esposa e seu filho? — Esperou uma resposta para a sua pergunta. — Nós, homens de guerra, somos marcados como parceiros de Lúcifer por destruir tantas vidas com métodos atrozes, nosso destino é meramente o sofrimento eterno nas suas chamas impiedosas. — Levantou-se. — Mas, permita-me mudar de assunto para compreender seus pensamentos. Vossa Majestade tocou o corpo de sua mulher sem qualquer suspiro de vida e não encontrou o seu filho na cena do crime. O que o faz pensar que ele também esteja morto sem qualquer prova?

— Os responsáveis por esses crimes não procuram perder tempo para dizimar os seus inimigos. São imprevisíveis e audaciosos, Jackson.

— Por isso tem se assustado facilmente? Tem medo de ser o próximo? — O loiro encarava-o sem perder os vacilos que Kim Namjoon mostrava em suas expressões.

— E não era para estar? Por mais que eu tenha sido reconhecido como o mais destemido dos homens, todos  nós temos os nossos medos. Minha condição atual me amedronta, não posso sequer ver o rosto do meu inimigo antes de ser apunhalado. Esse já é o fim da minha vida, mergulhado na escuridão eterna.

— Sua desistência me entristece, Vossa Majestade. Mas suponho que eu consiga levar alguma luz para a sua falta de esperança. — Jackson sorriu o mais singelo possível, atraindo os ouvidos atentos do rei. — Há pouco tempo chegou uma carta noticiando que o fugitivo responsável pelo crime contra a família real de Origon finalmente fora capturado. Ele está sendo mantido em Herates pelo rei Kim Seokjin, que espera a sua resposta para o enviar de volta para cá e, assim, ser julgado.

— Qual era mesmo o nome do facínora? — Indagou com sua voz pouco embargada, fechando os punhos com força.

— Kim Taehyung. — Se acercou do rei e o ajudou a se levantar, segurando um de seus braços para se servir de guia. — Esse criminoso pode nos levar a informações sobre o filho de Vossa Majestade que foi levado pelo seu cúmplice. Já preparei um mensageiro para viajar até Herates para o trazer, agora preciso somente de sua permissão.

— Mande-o imediatamente. — Falou, imponente.

— Sim!

Desceram os dois degraus próximos ao trono e caminharam para a grande porta de madeira pesada, sendo aberta pelos dois guardas presentes naquele corredor.

Kim Namjoon estremecia com o frio e a adrenalina que passava pelo seu corpo. Saber notícias do assassino de sua esposa lhe acendeu uma chama descontrolada, capaz de o consumir como nas vezes em que batalhava incansavelmente contra todos os tipos de inimigos. Porém, diferente do sentimento de sobrevivência e vitória, a vingança era predominante em seus pensamentos, estando disposto inclusive a caçar a cabeça do facínora que arruinou a sua vida entre as labaredas perpetuosas e agonizantes do inferno.

 

 

Herates, campo de treinamento das tropas. Área um - Cavalaria.

 

O jovem acariciava a face do equino castanho, passando sua palma pela listra branca do animal para se conectar com ele. Jeon Jungkook encarava os olhos negros do até então nomeado por si como Profeta, concentrados em procurar algum tipo de sinal que o fizesse prosseguir com o que se iniciaria naquela tarde. O cavalo mexia uma de suas patas dianteiras pisando diversas vezes no gramado verde e seu rabo, agitado, espantava os insetos que pousavam em seu couro, mantendo-se imóvel assim que seu par de bolinhas brilhosas encontraram-se com os olhos de seu companheiro. Era a indicação que o homem precisava.

Agarrou a parte de cima da sela e pôs seu pé no estribo para montar no animal, puxando o cabresto para guiá-lo para aonde queria. Ao longe, diversos alvos de pano em formato de pessoas estavam presos a estacas de madeira prontos para serem atingidos. Os objetos faziam parte de seu treinamento, foram os seus instrumentos durante anos para aperfeiçoar suas habilidades e entrar para a cavalaria de um rei, um sonho seu desde pequeno. Atualmente, seu objetivo consistia em subir de posição, se tornar um dos importantes cavaleiros do soberano de Hetares e, quem sabe, ter o prazer de ser o ombro direito do rei. Mas para isso, deveria ser um ótimo combatente e ser reconhecido para receber suas honrarias.

Completamente seguro, instruiu Profeta a dar partida e a pegar velocidade na direção dos alvos. O corpo de Jungkook inclinava-se para frente entrando no ritmo da cavalgada, seus cabelos negros esvoaçando com a brisa quente contra a sua face. Soltou as alças presas ao cabresto do cavalo e retirou sua espada da bainha, em seguida atingindo e cortando os panos em diversos locais. Jeon era ágil, com uma brutalidade calculada perfeitamente. Girou a lâmina, acertou o alvo da esquerda, depois o da direita sem muita dificuldade, virando-se rapidamente para trás para cortar a flecha que vinha em sua direção em dois. Caso não estivesse atento, acertaria seu ombro.

Fez com que o seu cavalo diminuísse a velocidade até que estivesse completamente parado.

— Interessante... Seus olhos estão mais abertos que no primeiro dia em que você chegou no castelo. — A mulher abaixou o arco, com um sorriso fechado, mas expressivo, vendo o rapaz descer do equino. — Assim irá chamar a atenção de Sua Majestade o mais cedo possível.

— Estou me preparando muito para esse dia, que será a maior realização de todas as minhas conquistas. — Encaixou o punhal em sua bainha enquanto observava a mulher se aproximar. Esboçou um sorriso de lado. — Mas não acho que eu seja o único com os olhos abertos. Não se sente ameaçada com alguém tão novo com menos de cinco anos na tropa capaz de assumir a sua posição? Se eu fosse você estaria bem atento com essa questão, Wheein. — Provocou.

— Tenho muito com o que me preocupar. Não será um pirralho que nem sequer possui marcas que o fazem ser um fiel guerreiro de Sua Majestade, pronto para morrer a qualquer momento pelo seu senhor, que me preocupará. Ainda tem longos anos para que me alcance, Jeon.

Depositou um selar indômito nos lábios de Jungkook, o apanhando pelo maxilar com força; o rapaz retribuiu, ainda que estivesse inerte o bastante para nem sair do lugar com a intensidade do beijo. Parecia que nenhum dos lados cederia, até mesmo para aquilo havia uma disputa entre os dois parceiros que se alfinetavam sempre que aparecia uma oportunidade. Pronta para dar um basta naquela troca de salivas que durava tempo demais, Wheein se afastou. Esnobe como sempre foi, não abaixava o olhar na presença de qualquer outra pessoa a não ser para sua majestade, quem servia há anos.

— Você se parece muito comigo, garoto. Confesso que isso é um pouco irritante. — Mexeu em seus fios presos em um rabo de cavalo. — Se eu tivesse o conhecido quando mais nova, certamente a sua vida não seria a das melhores. Manter a minha eutimia era impossível mesmo com coisas ínfimas.

— Então me sinto um homem de sorte. Se a conhecesse antes, seríamos da mesma idade. Não me sentiria atraído nem um pouco por uma menina sem experiência nos atributos que eu procuro. — Sentiu a mão do mais novo deslizar pelo seu pescoço e seus olhos a encará-la. Prontamente, Wheein agarrou seu pulso com ímpeto e o retirou, ouvindo as risadas cínicas de Jungkook que soava pelo campo aberto.

— Você é apenas um bebê comparado a mim quando eu tinha sua idade, seu convencido. Não sabe de nada desse mundo. — Disse áspera, indicando sua impaciência com o comentário anterior, e iniciou uma caminhada seguida pelo jovem.

— Já está partindo? — Jeon indagou sarcástico ao observar a face zangada da mulher.

— Não vim para jogar conversa fora, mas buscá-lo para se apresentar a Sua Majestade para cumprir com uma ordem que lhe fora dada.

— Ordem?

— Escoltar um prisioneiro. — Sentou na sela em seu equino de pelagem meio avermelhada com facilidade. — Não podemos demorar muito, você terá que partir hoje à noite.

Profeta!

O chamado fez com que o cavalo encerrasse o seu pasto e fosse imediatamente para ser montado por seu dono que, em seguida, acompanhou Wheein no cavalgar em direção ao castelo de Herates.

 

 

°°°

Os passos rápidos indicavam que estava apressado para chegar a sala do trono o mais depressa possível. Ao regressarem para os arredores do castelo de Herates, e logo após cumprir de enviar a mensagem ao seu subordinado, Wheein seguira o próprio caminho, cavalgando em seu azalão diretamente para a cidade. O rapaz, contente pela primeira missão dada diretamente pelo seu rei, caminhava entre as lamparinas nas paredes e sua sombra, um pouco maior devido a armadura que vestia, tomava conta de todo o corredor esguio.

Avistou os dois guardas de estatura robusta, somente em olhá-los poderia deduzir o poder de sua presença, e Jungkook, pela primeira vez os encontrando, sentiu-se na vontade de batalhar com os gigantes. Ele gostava de desafios, seu corpo pegava fogo como brasas. Havia um espírito opulento no interior do jovem que sempre fora apaixonado por armas e contos históricos e épicos de guerreiros que, tão impávidos e incríveis aos seus olhos, derrotavam milhares de inimigos.

O consistente portal de ferro com símbolos criados pela família real em séculos passados se abria pelos dois homens de aparência rude com algumas cicatrizes de batalhas em suas faces. O pulsante órgão dentro do peito de Jungkook se agitava, suas mãos suavam naquele tempo quente. Em seu tempo e espaço, a caminhada demorava uma eternidade, o seu cérebro simplesmente foi capaz de fazê-lo dobrar os segundos até se dar conta que encontrava-se ajoelhado em frente a Kim Seokjin. Mantinha-se com o seu olhar abaixado em sinal de respeito, apenas sendo possível observar sua bota do couro nobre.

— Se apresente para a Vossa Majestade. — Alguém se pronunciou.

— Meu nome é Jeon Jungkook, faço parte de uma das tropas da cavalaria, e estou disposto a servir Vossa Majestade por toda a minha vida. — Discretamente respirou fundo para controlar o seu nervosismo.

— Levante o seu rosto. — A voz harmoniosa ecoou pelo ambiente.

Efetuando a ordem, seu queixo foi erguido, encontrando dois pares de olhos castanhos olhando-o fixamente.

Como o rei de Herates era bonito. Seu rosto jovial por conta da pouca idade, bem mais jovem que o homem ajoelhado a sua frente, deixou Jungkook completamente absorto enquanto analisava seus traços angelicais. Uma pintura de um rosto encantador estava exposta, desenhado perfeitamente pelo mais extraordinário pintor. Dos comentários que escutava de seus companheiros que voltavam da sala do trono, todos ressaltavam e descreviam a beleza de Kim Seokjin como algo raro e donzel, despertando a curiosidade do cavaleiro que há poucos anos entrara para servi-lo. Agora, finalmente na presença de seu soberano, pôde constatar a veracidade das palavras ditas pelos outros.

O influente homem sentado em seu assento avermelhado e chamativo não mostrava uma expressão capaz descrever, era impossível identificar se estava sério ou neutro, somente quando um sorriso sem exibir os dentes foi delineado em seus lábios que unicamente denunciou suas ações. Assim como seu subalterno, também examinava-o silencioso com seus olhos impassíveis e críticos, assentindo com a cabeça sutilmente e trazendo Jungkook de volta a realidade.

— Há quanto tempo ele está me servindo? — O cavaleiro deu uma breve observada em sua coroa composta por pedras das mais valiosas.

— Não chega há cinco anos. Um rapaz novo que ainda não teve experiências árduas em batalhas.

— Não? — Encarou Jeon com uma das sobrancelhas arqueadas.

— Apenas fiz escoltas e revistas em mercadorias que entraram na cidade. Nada mais do que isso. — Engoliu em seco, esperava alguma resposta reprovativa pela sua pouca experiência.

— Ótimo. — Seokjin levantou-se do trono, mirando o subalterno com prepotência e com uma face completamente diferente, e surpreendendo Jungkook. — Tragam a criatura.

O portal novamente se abriu, surgindo dois pares de orbes azuis em um felino enorme de pelagem negra com ferimentos espalhados pelo o corpo. O animal estava com uma coleira maciça de metal presa a duas correntes pelos dois guardas robustos que Jeon vira do lado de fora, parecia exausto e andava lento, porém um dos homens o espetou com uma lança pontuda de aço para que aumentasse o seu ritmo, o fazendo soltar um rugido alto e provocando um avanço em seu provocador. O outro soldado que também o dominava teve uma reação rápida, puxou a corrente em suas mãos, livrando seu parceiro das garras gigantes do bicho que se agitava muito por estar assustado e enlouquecia com as presas de fora.

Jeon apenas observava a dificuldade em domar aquela criatura maior, e provavelmente mais pesada que si. Percebeu o medo explícito do felino, a dor pelos seus machucados causados, provavelmente, por aquelas mesmas pessoas que o buscavam acalmar, mas de uma forma totalmente agressiva, e sobressaltou de leve com o chiado agudo do animal pela pancada desferida na parte de cima de sua cabeça. Aquela brutalidade o deixou imóvel, no entanto não ao ponto de ficar inconsciente.

— Como as notícias correm rápido, até mesmo aquelas que se referem a cidades do outro lado do mundo, você já deve ter escutado sobre os acontecimentos trágicos que ocorreram no castelo de Origon. Ou estou errado?

— Não, Vossa Majestade. O assassinato da esposa do rei Kim Namjoon?

— Absolutamente! Quem fez tamanha atrocidade, não tem um pingo de compaixão. Além de derramar o sangue da rainha em seus aposentos, sequestrara seu filho único que seria o próximo a subir ao trono. Esse é o mais profano dos crimes, atentar contra a vida de um soberano e de sua família! — Encarou com olhos frios o animal oprimido, erguendo ainda mais seu queixo. — Por isso, como um dos influentes e dono de um dos quatro continentes vastos e abundante em terras férteis, não devo me esquecer de um plebeu insolente que teve a audácia de transtornar um dos reis discaradamente. — Uma bufada com um fraco rugido ecoou. Os olhos azuis da criatura abaixada fuzilavam o rosto angelical do homem em frente ao trono, exprimindo suas intenções ameaçadoras. — Você permanece olhando em meus olhos sem a minha permissão...

Aproximou-se do felino que teve suas correntes mais firmes. Kim Seokjin não desgrudou sua visão da face grande do Qwat dominado e sem opções de fuga, que apenas esperava seu destino incerto. Sorriu de lado, ajeitando alguma parte da sua roupa para acrescentar uma descontração no ambiente hostil criado por encaradas.

— Jeon Jungkook, quero que você leve o prisioneiro até Origon para ser julgado por seus crimes contra a família real. Consegue cumprir essa simples tarefa?

— Farei com que a criatura chegue a Origon a salvo, Vossa Majestade. Não irei decepcioná-lo.

— Espero que cumpra o que me diz. — Voltou a se sentar no trono. — Quero a criatura viva, assim como Kim Namjoon deseja. Ela é uma peça importante que somente pode ser mexida por aquele que irá desgraçar a sua vida.

— Ande! — O homem com a lança exasperou, atingindo novamente o animal que teve uma reação mais passiva que anteriormente.

A pessoa ao lado do rei gesticulou para que Jungkook saísse da sala e obedecendo, não sem antes reverenciar pela última vez à Kim Seokjin, pôs-se de pé e seguiu para o portal de ferro junto ao prisioneiro peculiar aos seus olhos.

 

Era uma noite fresca apesar da alta temperatura que marcou aquele dia inteiro, o falatório se formava perto de um portão lateral do castelo, pois aquela vez não passariam pela cidade e arrancariam olhares dos cidadãos. As tochas já encontravam-se acesas, os cavalos estavam equipados e prontos para serem cavalgados e, naquele momento, colocavam o personagem importante encarcerado em uma jaula, pequena o bastante para o espremer, dentro de uma carroça abastecida com mantimentos que usariam durante a viagem duradoura e iriam reabastecê-la em paradas fundamentais em cidades próximas. Longos meses os esperavam.

O cavaleiro checava se tudo estava corretamente pronto para que não ocorresse imprevistos, as comidas, as armas, o dinheiro, tudo deveria estar minuciosamente conferido. Depois de minutos concentrado em sua organização, montou Profeta e acariciou seu pescoço, sendo seguido por quatro companheiros que também sentaram-se em seus respectivos cavalos.

— Senhor. — Jeon se virou para observar quem o chamou. — Não é pouco o nosso contingente? Quatro pessoas podem se aventurar nessas estradas perigosas e imprevisíveis? Se sofrermos um ataque, todo o controle pode escapar de nossas mãos.

— Estou ciente de nossa situação. Mas não pude recorrer ao aumento de nosso grupo porque Wheein liberou apenas vocês, alegando não ser necessário um número grande de companheiros para a viagem.

— Isso não é estranho? Faremos uma viagem longa e há lugares perigosos a caminho de Origon. Não me sinto seguro com a nossa quantidade. — Jungkook sorriu, acercando-se com Profeta para dar leves batidas nas costas do outro.

— Não tenha medo! Iremos nos ajudar e vigiar as costas um do outro para que derrotemos possíveis imprevistos. — Posicionou-se ao lado da carroça, mais a frente de seus companheiros. — Agora devemos partir, essa primeira noite passaremos acordados, então não quero ninguém pregando as pálpebras!

— Sim! — Os quatro jovens responderam unissonante.

Os equinos começaram a andar, dois deles puxando a carroça que atraiu os olhos do cavaleiro de espírito valente para qualquer desafio que lhe apresentassem. Enquanto cavalgava, a sua encarada curiosa direcionada para o felino deitado com a cabeça encolhida entre os próprios pelos trazia imaginações e ponderações sobre o futuro da criatura que, segundo ele, não estaria entendendo o que acontecia.

— Você é uma criatura bem burra. — Disse, balançando a cabeça em negação e vendo as orelhas do animal se mexer, atentos com tudo o que estava ao seu redor.


Notas Finais


Só digo que tudo tem um propósito ou significado. Terão que prestar bastante atenção se não quiserem perder nada da estória.

• No decorrer dos dias, farei um jornal falando de todos os personagens da fanfic de acordo que forem aparecendo. Então, podem ficar de olho :) Eu espero fazer tudo bonitinho.

Nos vemos em um futuro próximo com o capítulo três! Beijos♡


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