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História Proibido - Capítulo 13


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Notas do Autor


Oi, oi.

Eu tava meia tristinha aí tava atrapalhando o começo da narrativa, então não deu pra att dia 15, como prometido. Mas já tô aqui, viu?
Muito obrigada aos +200 favoritos e todos os comentários, vocês são os meus anjinhos \o/

[Edit - 27/05/20: essa daí abaixo é uma fanart da MELISSA de proibido feito pela minha melzinha morena a @AnaJujuKawai. Obrigada, Ju.]

Boa leitura <3

Capítulo 13 - Tredecim.


Fanfic / Fanfiction Proibido - Capítulo 13 - Tredecim.

MELISSA

Uno! Uno! Uno!  

O alfa bochechudo exclamou, de pé, enquanto pulava como uma criança pequena por conseguir descartar sua penúltima carta, não dando tempo de alguém falar o contra-uno. 

Éramos sete pessoas, distribuídas de maneiras e posições diferentes no carpete da sala principal da mansão de campo de Jeon Jungkook, o alfa lúpus. 

Jisung e Felix estavam animados com o jogo de cartas-destruidoras-de-amizades, conhecida popularmente como Uno; Minho estava choramingando pelo mais quatro que, gentilmente, recebeu de Jeongin e tinha um tal de Hyunji que ria histericamente do penalizado por essa carta dos infernos. O clima estava leve apesar da minha mente estar um pouco longe daquele pequeno círculo. 

Os meninos eram incríveis e muito diferentes de quaisquer especulações sobre a conduta escrota de muitos alfas, claro, Jeongin, assim como eu, era ômega. E tirando ele e o líder do grupo, todos eram alfas. Eles me fizeram sentir acolhida como quando cheguei na boate e encontrei refúgio em Mia. 

Nessas duas semanas, quase três, que se passaram sem notícias de minha melhor amiga, todo santo dia, me sinto reclusa a uma bolha de pensamentos que me tiram totalmente da realidade e que me fazem pensar e repensar em como ela deve estar, já que o alfa que fora com ela voltou estranho e se isolou completamente.

Esse bando de alfas e o ômega fofinho, porém, me tiram completamente da bolha de preocupações que estou inserida e, ao fim, consigo ao menos dar sorrisos genuínos.

É isso que faço nesse exato momento. Eu sorrio e jogo minha carta.

Numa jogada estratégica, lanço minhas duas cartas de bloqueio e acabo com a alegria exacerbada de Jisung e Felix. Com os dois bloqueados é a vez do mais quietinho no recinto jogar, seu nome é Seungmin e ele é uma graça. 

Seungmin me olha de soslaio e aperta os olhos, desconfiado; mexe as cartas entre os dedos e passa os olhos por cada uma. Aí ele faz uma caretinha e leva a destra ao moio de cartas para tentar buscar uma na cor de minha última carta de bloqueio que está por cima das demais já lançadas, e neste caso, na cor amarela. 

E ele tem sorte. Consegue resgatar uma carta amarela. Contudo, vem uma pegadinha. A carta sorteada no moio é um nove. 

Ademais é só desespero. 

A dupla que estavam em pé, jogam-se no carpete. Minho e Hyunji se debruçam sobre as cartas, o pobrezinho do Jeongin é esmagado no meio do caminho, a mão do jogador da vez, Seungmin, parece ser engolida debaixo daquele caos. Bem, e eu, com amor a minha vida, sequer me movo e já vou logo pegando a minha penalidade, mais uma carta, e grito: 

— Próximo a jogar! 

— Não acho que quero mais jogar! — birra Minho — Todo mundo sabe que o Jisung vai ganhar. 

— Te falta ânimo, soldado! Mexa-se e jogue essa porcaria — eu ri com os dizeres de Hyunji. 

Contragosto, pela cara fechada que ele nos esboçou, Minho jogou sua carta um tanto inseguro. A carta da vez não tinha qualquer símbolo, a não ser pelas quatro cores da carta: amarelo, vermelho, verde e azul. 

— 'Cê 'tá olhando 'pra mim por quê? Escolhe logo uma cor, poxa! — impaciente e doido para ganhar, o de madeixas rosinhas que, devido o tempo, estava desbotando, exaltou-se. 

— Corre que o Jisung 'tá puto — aí Felix, sempre implicante quando se tratava do rosinha, desdenha. 

Eu e os outros meninos olhamos para os dois escondendo os risos, prevendo que o Jisung iria avançar no Felix. Premeditadamente, assim como nós achávamos, isso acontece. Jisung é o primeiro a ir em cima do loiro, todavia o clima é instantaneamente cortado pelo barulho deveras alto, quase estrondoso, da porta da frente. A madeira da majestosa porta negra se quebra à medida que ouvimos um uivar afiado. 

Os destroços da porta se espalham pelo hall de entrada e chegam até próximo de onde estamos, assim tentamos proteger o rosto por instinto. 

Então um lobo extremamente grande com pelos negrumes todo encharcado e olhos de um vermelho escarlate cortante entra na casa. 

No mesmo instante que isso acontece, eu me escolho porque me sinto ameaçada a sua presença dominante. Jeongin, tão afetado quanto me encontro, chega-se mais perto de mim. Logo, nos abraçamos, tentando passar um ao outro, na medida do possível, calma. 

O odor de cachorro molhado se sobrepõe ao cheiro natural do alfa à frente, não consigo discernir quem ele é. E por conseguinte, o grande lobo nota nossas respectivas presenças. Seu focinho fareja o ar, claramente procurando algo, mas não encontra. A resposta para sua busca sem sentido é um rugido animalesco, selvagem, ensurdecedor; faz meus tímpanos doerem e deixa meu lobo temeroso e acuado, mas não submisso a si. Não é tão poderoso quanto uma voz de comando, mas é devastador na mesma proporção.

Os alfas no recinto não esboçam medo perante o animal de grande porte que invade a sala, apenas esperam. As patas sujas de terra avançam pela casa, melando a cerâmica de porcelana do chão e o lobo some por entre os cômodos da mansão. 

Meu corpo tenso tenta relaxar, mas minha respiração se torna audível. Mais um pouco e tenho certeza que morreria de ataque fulminante. 

— Puta merda… — o resmungo sai alto e enraivecido. Mas não proferido por nenhum de nós, pois, ao que parece, ainda estamos muito impactados por aquilo. — Ele quebrou a porra da porta. 

Aí um humanóide se projeta na entrada destruída da casa. Seus ombros são muito largos e suas feições másculas entram em contradição com o cheiro que tenta mascarar o odor que cachorro molhado que ainda toma o local. Ele cheira a ameixa negra. Reconheço-o de vista. Seu nome é Kim Seokjin. 

Um dos únicos que usa no cabelo o estilo mullet e tem os fios pintados por uma coloração negra. O ômega é sério e, às vezes, ignorante, portanto não construímos muita amizade durante o tempo que estou aqui. 

Seokjin entra, coloca a mão na cintura e fala mais palavrão.

— Eca. Cheiro de cachorro molhado. — a fala de nojo é proferida pelo baixinho da praça de alimentação, Park Jimin.

O alfa era insuportavelmente imaturo, em função disso, nossas personalidades se bateram muito bem. Num momento ele soltava uma de suas cantadas falíveis e no outro eu o ajudava a colorir seu cabelo; o último dito, por sua vez, está laranja. Formávamos uma boa dupla. 

Não obstante, a sala toda parece ter sofrido superlotação. Rosé, a prima de Jungkook, apareceu e em seguida, respectivamente, Bangchan, doutor Changbin, Namjoon e… Yoongi

— Estão todos bem? — Namjoon diz, atencioso. — Desculpem por isso. Tentamos ligar, mas estávamos preocupados em conter um cachorro grande. 

As expressões chocadas se convertem em uma tensão no ar. Jeongin que até então me abraçava, distanciou-se e se juntou aos meninos. O jogo, notoriamente, havia acabado. 

— Equipe gama a postos, por favor. — Bangchan, o líder ômega da fragrância de jabuticaba, ditou. 

— Eu nem queria jogar uno mesmo — Minho soltou, conformado.

— Perdedores não tem moral aqui — e Jisung abre a boca a fim de provocar uma nova confusão. Ele era muito bom nisso, sério. 

Minho esboça uma careta para si, Jisung devolve o gesto dando língua, aí Hyunji se intromete entre os dois e defende Minho e, seguindo essa lógica desastrosa, Felix também participa. Os alfas arrastam Seungmin e Jeongin para a discussão e eles envolvem Bangchan e doutor Changbin. 

Tudo vira bagunça. 

O medo de minutos atrás, a tensão do ambiente, as expressões chocadas, tudo se dissipa muito rápido. E os que estão de fora, como eu, observamos, incapazes de intervir e acabar, de alguma forma, dentro do efeito catastrófico que esses meninos culminam. 

— Todo mundo sabe que eu sou o melhor! — é o que o de cabelos rosas argumenta.

— Quem te iludiu, bocó? — foi ouvimos de Felix.

— Eu só queria jogar uma partida em paz, meu pai do céu — Seungmin choraminga.

— Só quero ver o círculo pegar fogo, continuem — Hyunji atenta.

— Qual foi a parte do "a postos" que vocês não entenderam? — Bangchan tentava colocar ordem.

— Pelo amor de deus, falem baixo! — doutor Changbin pedia.

— Por que o chefe estava na forma lupina? Eu fiquei assustado! 

E é nesse instante que o silêncio e a tensão voltam, com mais intensidade. Coloco a mão na boca, embasbacada. 

Então quer dizer que o lobo assustador e negro é ninguém menos ou ninguém mais que Jeon Jungkook.

Jesusinho amado, o choque.

— Jisung, tira a ômega dos cachinhos daqui. — Seokjin quem disse, num suspiro cansado — Vamos dar um jeito na bagunça.

O rosinha assente mais sério. 

Mas antes mesmo que ele tenha a oportunidade de completar o que cordialmente lhe foi imposto, um timbre calmo e baixo, se faz presente:

— Eu levo a loirinha. 

A voz dele faz meu estômago gelar em ansiedade e nervosismo, cria uma comichão fugaz na palma da mão e me faz mirá-lo em expectativa, quase esperança cega. 

É Min Yoongi, o alfa que dormiu comigo na boate e me tratou diferente dos demais alfas e betas do local. Aquilo, confinado a quatro paredes, foi a melhor experiência que já tive na vida. Eu podia sentir em cada pelo de minha derme um singelo toque de dignidade e, até mesmo, o agridoce do brutalidade e doçura.

 Melissa Juanita Montecchio não é um objeto para satisfação sexual de ninguém, mas, assim como ele, também merece ter momentos de prazer combinados a algum tipo de sentimento por trás. 

Porque sexo não tem que ser apenas sexo. Tem que ir além do ato. É uma troca mútua de sentimentos demais. Entre a gente não tinha tantos sentimentos assim, de ambas as partes, mas havia algo que até então ninguém tinha por mim: respeito

O alfa pálido e baixinho teve respeito, paciência e meiguice para comigo, naquela noite, às escondidas. 

E é deprimente ter que remoer as memórias naquele lugar asqueroso — senão pela noite em que conheci o pálido — e só conseguir me lembrar de coisas que me fizeram mal, mas que, provavelmente, nunca vão sair de minhas faculdades mentais. Tenho que conviver, assim, com os meus próprios pecados e não deixá-los interferir em meu presente-futuro. 

— Está tudo bem 'pra você, Melissa? — Rosé diz e, em reflexo, pisco duas vezes. 

Quero dizer que não. Tem problema. Pois eu não consigo tirar a imagem erótica de Yoongi de mim e de como essa visão ainda me causa efeitos colaterais. Lembro-me de prometer a Mia, ainda na boate, de que não iria me engraçar com nenhum alfa daquele lugar. 

Só que não estamos mais lá.  

Abro a boca para falar, mas travo. Tento outra vez, mas também falho. Na terceira vez, porém, guaguejo:

— S-sim… 

Arrependo-me logo após, mas é tarde.

A alfa ruiva esboça um sorriso calmo e os demais concordam em silêncio. Os meninos se dispersam e só Jisung e Felix se despedem de mim com um abraço. Yoongi observa calmamente. Seokjin e Namjoon dizem que vão até o quarto de Jungkook para conversar e Park Jimin alega procurar o senhorzinho para falar sobre o jantar, porque diferentemente de todos naquela casa de campo, ele era o único com fome. 

Depois que me despedi, com um bico enorme na cara e com a barriga se revirando todinha,  segui o alfa até a porta e, um ao lado do outro, saímos. 

Yoongi mal me encarou quando adentramos o veículo e meu nervosismo podia se sentir a quilômetros de distância, por isso, o mais sensato que fiz foi me sentar nos bancos de trás e deixar o de cabelos cinzas confortável na frente e sozinho. Todavia, meus atos pareciam ter surtido um efeito cômico nele, porque assim que minha bunda magra estava bem posicionada no banco de couro do carro super caro e confortável do pálido, ele riu. 

Ah, mas eu só poderia ser uma piada ambulante para ter esse tipo de reação, sinceramente. 

Lógico que depois disso, eu fiquei brava. 

Cruzar os braços foi apenas um dos meus gestos recorrentes que comprovavam o fato. 

— Você é fofa. 

Sua fala me desarma.

Desisto.  

Não dá para simplesmente ficar brava com ele, inferno. 

Mas eu precisava fingir. 

Cabe às forças cósmicas universais que equilibram o mundo me ajudarem a aguentar a barra.

— Você é muito bom em fingir — como não sou baú 'pra ficar guardando tudo e também não consigo estabelecer limites ao meu cérebro, acabo soltando a primeira coisa que passa por ele. — Enquanto eu sou péssima. 

É bem nítido daqui d'onde estou que minhas palavras o atingem. Yoongi parece se empertigar e aperta o volante com força. 

Engulo seco quando ele se vira e suas orbes castanhas me fitam com impassibilidade, então diz, cínico:

— Nunca precisei fingir, loirinha. — seus lábios se abrem num sorriso. Os dentes pequenos ficam à mostra e a gengiva exposta. Meu coração, lascado, bate forte na caixa torácica. 

— O que quer dizer com isso? — eu realmente não conseguia ficar calada. 

E, mais uma vez, ele sorriu. 

Real e oficial, eu sou uma piada.

— Coloca o cinto.

Bufei pela súbita mudança de assunto. 

Coloquei a porcaria do cinto e passei a depositar minha atenção na janela, tentando controlar todas as perguntas que a cada segundo pareciam querer escapar de meus lábios. 

Só então, ele dá marcha e sai da propriedade da casa de campo. O carro ganha velocidade conforme a paisagem verde vira borrões e a estrada passa de barrosa para asfaltada. 

Mas não consigo ficar quieta, mesmo sabendo que ele irá se esquivar do assunto. Decido, portanto, mudar o foco. 

Afinal, de qualquer forma, também estou curiosa sobre isso.

— Por que o Jungkook vira realmente um lobo? — dei ênfase no realmente, porque aquilo era extraordinário ao mesmo tempo que assustador. 

— Você não consegue ficar quieta, não é? — seu olhar encontrou o meu pelo espelho de dentro do carro e neguei com a cabeça. Aí ele revirou os olhos, mas me respondeu em seguida. — Há quem diga que os lúpus são todos descendentes dos primeiros espíritos lupinos, dos primeiros clãs, das primeiras tradições. O DNA deles é puro e complexo. Mas eu realmente não sei explicar essa parte genética, apenas Seokjin e Namjoon. Você pode perguntar a eles. 

— Então só lúpus podem se transformar em lobos? — indago, maravilhada. — Por que só Namjoon e Seokjin? E por que, nas escolas e faculdades de história, nunca lecionaram isso 'pra gente?

— Muitas perguntas, loirinha. Fique quieta. 

Chateada e inconformada, decidida a descobrir tudo sozinha, calei-me. Ignorei o alfa pelo resto da viagem para não-sei-onde e deixei que meu lobo xingar o alfa. 

Enjoado!, Idiota!, exclamou meu lobo, bravo com o outro. 

€€

O apartamento que Yoongi me levou era muito chique e confortável. Possuía uma decoração moderna e toda nas cores branca e cinza. Os móveis pareciam ser feitos  sob medida para os cômodos não muito grandes, dando a impressão de que o espaço era muito maior do que aparentava. 

— Onde estamos? — então é a primeira pergunta que faço desde que o alfa me mandou ficar quieta. 

— Meu apartamento. — ele responde, com naturalidade.

Mas… oush

— Por que me trouxe 'pra cá? 

— Porque Jisung ia te levar ao galpão e aquele não é lugar 'pra você, loirinha. — seu corpo meio franzino, com poucos músculos, se joga no sofá da sala. — Mais alguma pergunta?

— Está disposto a me responder agora? 

— Se perguntei, né? Senta aí. — deu tapinhas no sofá. 

Irritada, sentei-me na beirada do estofado. 

— Podemos falar sobre o porquê do Namjoon e do-...

— Sem perguntas relacionadas ao Jungkook. — aí ele me corta. — Ele é meu chefe. Devo-o respeito e preciso de sua permissão. 

— Então por que você… argh! 

— Olha, loirinha, você ia descobrir que ele virava um lobo de qualquer forma. Só que, a história da vida, antepassados e o escambau, é apenas dele. Compreende? — concordei, contrariada, como uma criança que aceitava os pedidos da mãe, mas que permanecia insatisfeita. — Ótimo. Mais alguma coisa?

— A gente pode falar sobre a gente?

— Não existe "a gente", loirinha. Existe eu e você. Aquilo foi só um lance de uma noite. Só sexo.  

Depois dessa eu murchei todinha. Já não queria perguntar mais nada, porque aquelas palavras me doeram. Eu sou o tipo de garota sensível que se entristece muito rápido, principalmente quando crio expectativas. O que pensei sobre Yoongi, de ser diferente de todos os outros, talvez, esteja errado. Sinto-me enganada mais uma vez por mim mesma.  

E tenho vontade de chorar.

Maldito instinto ômega!

Por que eu não sou uma beta? 

Choramingo baixo e tento não chorar, mas não funciona. Minha face alva começa a ficar vermelha e meus olhos nublam. 

— Você não vai chorar, não é? 

Sabe quando você está prestes a chorar, mas não chora aí vem alguém e te fala exatamente essas palavras? E o que acontece depois disso? Pois é, a gente chora. 

Comecei a chorar de verdade e muito. 

Isso pareceu deixar o alfa atordoado.

— Qual é, loirinha. Não chora. Eu sou um babaca, não se chora por babacas. 

Posteriormente, o de cabelos cinzas tenta se aproximar, mas não deixo e acabo me levantando do sofá num pulo. Minhas mãos percorre por minha face nervosamente, tentando estancar as lágrimas que insistem em cair. Fungo baixo. Quero voltar para a casa de campo. Ou, melhor, eu quero a minha melhor amiga. 

— Eu não achei que aquilo ia te machucar, loirinha. Por isso que prefiro alfas, elas não são tão sensíveis. A Rosé nunca choraria se eu dissesse algo assim.

Pronto. 

Perdi tudo. 

Agora fica mais que claro que, sim, é possível ficar brava e/até odiar Min Yoongi. 

A sequência de suas palavras ricocheteiam e borbulham meu âmago em raiva. Jamais pensei que me sentiria assim.

— Não sou a porra de uma alfa e também não escolhi ser a porra de uma ômega. Só nasci assim. Infelizmente, não tive o luxo de ser tão forte quanto a Mia ou a Rosé. E não me compare com outras, por favor. Não sou a prima do Jungkook, sou a Melissa. Eu. — minha voz tava a um fiapinho de tão trêmula, acho que ele nem devia estar me levando a sério, mas ainda assim, continuei: — Me desculpe por criar ilusões sobre apenas uma noite de sexo. É claro que alguém como eu não podia ter o prazer de ter algo ou sentir coisas a mais, não é? Porque eu era a porcaria de uma... — apenas me calei porque até pensar em  dizer a nomeclatura da qual me chamavam naquele lugar, me faz ter vontade de chorar ainda mais. 

— Loirinha, eu-

— Enfie esse apelido no meio do seu cú! Quero voltar 'pra casa de campo agora! 

O de cabelos cinzas ficou ali, parado, me observando por longos minutos, enquanto eu o encarava de volta, toda vermelha, chorosa e muito brava. Quando finalmente parecia que ia responder algo, seu celular toca. 

Vejo-o cada mínima expressão de seu rosto à proporção que alguém fala com ele. A ligação é rápida, mas me parece penosa. Os lumes poucos expressivos devolvem cada mirada que dou a si e, a última coisa que me diz antes de sairmos e fazer todo o percurso  de volta à casa de campo, me faz chorar ainda mais. 

Minha melhor amiga havia sido sequestrada. 

€€

O clima é tenso, angustiante.

Estou na sala, de volta a casa de campo. O hall de entrada não contém mais pedaços da porta arrombada e a luz natural do sol ilumina tudo, já que ainda não tem uma porta. 

Minha cabeça está apoiada nos seios de Rosé e ela faz um carinho nos meus cabelos cachedos e, a esta altura, bagunçados. Meus olhos estão inchados de tanto chorar. Os meninos estão se preparando para algo e sumiram. Não vi mais Yoongi depois de saí do carro, mas pouco me importava. Meus sentimentos explodiram numa comparação boba sobre preferências um pouco medíocres. Não era um problema ser sensível, pelo menos até onde sei. Ou é?

— O I.N já achou ela?! 

O murmúrio impaciente é proferido por Jungkook e ele está bravo, quase irreconhecível. 

Sei disso porque tudo nele grita estranheza. Seus trajes não são o comum que veste todos dias com tanto afinco e ele está tão perturbado e vulnerável que toda aura lupina parece ter esvaído de si. Não vejo um alfa lúpus, vejo um beta inofensivo. 

— Você tem que ficar calmo, primo. — eu queria ter a mesma serenidade e autocontrole que ela tem, honestamente.

— Mande a calma para a casa do caralho! — ele berra, estressado. Bufa. Anda de um lado para outro. Bagunça os cabelos acerejados, porque o vermelho está desbotando também. As veias de sua testa saltam. Ele se transforma. Torna-se selvagem. Os olhos mudam para um vermelho escarlate. Mais uma vez. Não vejo um Alfa lúpus, agora, tudo que vejo é uma besta emputecida. — Onde está a equipe gama?! Diane já está no aeroporto?! Mande o I.N agilizar aquela droga! Já tem notícias do Woojin?!

Me encolho nos braços de Rosé e ela fica em alerta, os olhos mudam de cor, ficam vermelhos comuns. O timbre do Jeon mudou como se no lugar dele existisse outra pessoa ou… coisa

Jeon Jungkook exala um ódio que transcende a sua voz e se mescla na figura medonha que se transforma.

— Yoongi, Bangchan e Changbin foram ao galpão pegar os armamentos e convocar o pessoal; Jisung, Felix e Jimin estão checando a localização de Park Kyung; Seungmin, Hyunji e Minho estão ajudando o I.N com os computadores; Woojin já deve estar voltando com a mãe da ômega e Diane já deve estar mofando naquele aeroporto. Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance. Fique calmo. — é Namjoon quem diz tudo, muito preocupado, mas tentando passar confiança.

— O que Jeon Megumi faria se te visse assim, seu menino insolente? — mais calmo que Rosé, só Seokjin. Ele tinha voz monótona, fria, sem um pingo medo perante o lúpus. — Você sabe a resposta. Agora fica calmo, porra. 

Os minutos seguintes pareciam mais duradouros do que de fato eram. Jungkook, ainda puto, porém agora mais controlável subiu ao seu quarto, deixando-nos a sós na sala sem porta. 

Depois que retornou, com um de seus ternos, cabelos penteados elegantemente e exalando aquela ebriedade pacífica que sempre teve, sentou-se em um dos sofás da sala e ficou ali, olhando para o nada. 

Ninguém sabia o que se passava com ele, tampouco tínhamos coragem de perguntar. Todo mundo sabia que Jungkook estava instável. 

Eu continuei recebendo cafuné da alfa até dormir, depois de tanta angústia, estresse e medo que senti ao dia. 

Só acordei quando tudo começou a ficar barulhento e agitado demais. 

Jeongin ou I.N, como ele gostava de ser chamado, conseguiu invadir as câmeras de segurança de toda as cidades do Canadá e descobriu a rota e a placa do carro em que colocaram minha amiga. 

Fiz birra, briguei e usei todos os artifícios possíveis para me levarem junto, mas não deu certo. 

Todo mundo me deixou para trás com o senhorzinho que tentava me consolar com bombas de chocolate e pizza caseira. 

Junto as mãos, torço o nariz e faço o que me convém no momento, mesmo sem saber ao certo se realmente acredito; 

Eu oro e peço para que Mia esteja bem. 


Notas Finais


Último capítulo de transição postado!
Segunda fase a caminho :')

Aqui é Stray kids OT9! Woojin, anjo, cê tá no meu coração.

Tenho muito orgulho da Melzinha, ela é forte do jeito dela.

Proibido vai ter dois casais segundários, já temos um. Quem são? Hihohi E eu prometi para mim mesma que não ia falar muito.

Não sei quando sai o próximo, provavelmente vai demorar, desculpem.

Continuo?

Nos vemos por aí 🖤


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