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História Proibido (Jeon Jungkook - BTS) - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, oi.

Sentiram saudades?
Boa leitura <3

Capítulo 4 - Quattuor.


Fanfic / Fanfiction Proibido (Jeon Jungkook - BTS) - Capítulo 4 - Quattuor.

— Cento e vinte e um, cento e vinte e dois, cento e vinte e três, cento e vinte e qua… Droga! 

Após gritar no travesseiro e começar meu método de terapia super avançado — Contar de um até o número que aliviasse o meu estresse momentâneo. 

Super, ultra, mega eficaz, eu sei.

 Só que, neste momento, acho que meu método infalível está com defeito. 

A camisa de mangas longas que eu trajava chegava até metade das minhas coxas e é folgada em excesso e eu não fazia ideia de quem se atreveu de colocar a peça em mim ou a quem pertencia aquela muda de roupa, afinal, o cheiro que bate sutil ao meu olfato é o de guardado. Os arranhões em meus braços e pernas não ardiam mais e pareciam levemente cicatrizados. 

Cansada de ficar naquele quarto fazendo inúmeras suposições da índole do alfa que supostamente me salvou, sai do cômodo. O ambiente é silencioso e bizarro, intimidador. À frente da porta do quarto em que eu estava, deparo-me com uma porta pintada de preto; a maçaneta era adornada com detalhes pratas e, por curiosidade, cheguei-me perto e olhei a gravura que estampava a maçaneta. Um dragão detalhado foi esculpido na maçaneta. Ele era bem delineado em seus traços e parecia algum brasão sinistro.

Tentada, girei a maçaneta, mas estava trancada. Bufo, quase me praguejando pela minha curiosidade. Afinal, a curiosidade em excesso te mete em situações das quais, talvez, você não esteja pronto para lidar e muitas das vezes, minha curiosidade era considerada algo que eu devia me policiar ou acabaria em maus lençóis. Pois uma ômega, não deve ser tão curiosa demais, a maioria dos alfas não gostam. 

Com as mãos escondidas na camisa de manga longa, segui o corredor; as paredes eram todas pintadas em cores neutras ou escuras que contrastavam com algumas molduras vintages pregadas pelas paredes. Era tão cafona e rústico que acabei fazendo careta. Se o alfa queria fazer com que as pessoas sentissem medo ao andar pela a sua aparente mansão, ele conseguiu com maestria. 

Já que o corredor era extenso e parecia ser dividido em dois — Leste e oeste. —, preferi caminhar, incertamente, para uma pequena claridade refletida mais à frente. Chegando lá, dou de cara com uma escada de mármore negro (com o corrimão da mesma cor) que se dividia em duas, indo cada uma para o lado, e as descendo dava para o andar de baixo. 

Sentindo o material gelado abaixo dos meus pés descalços, desço vagorosamente e chego no grande hall de entrada. Diferentemente do andar de cima, todas as paredes eram brancas com detalhes negrumes e haviam dois arcos, dando a impressão de que havia mais cômodos. O lugar era realmente grande e majestoso, digno de um príncipe, ou quase isso. Me questionei onde eu me meti e onde estaria todo mundo.  

Notei uma movimentação e segui para lá, quando cheguei reconheci os cachinhos dourados de Melissa e ela estava sentada, de costas para mim, numa bancada de granito negro e parecia falar com alguém. Cheguei-me mais próximo, ainda calada, e vi que era um senhor de cabelos grisalhos que conversava com ela e tinha um bule de chá em mãos. 

Pigarreei, chamando atenção.

— Bom dia, senhora. — A moço de cabelos grisalhos me ofereceu um sorriso cordial e estava extremamente educado, como se eu fosse alguém importante. — Deseja algo? 

Franzi o cenho e olhei para Melissa que pareceu não ter entendido o comportamento do vozinho. 

— Oi, Mia! — Mel saudou.— Não precisa ser tão formal. — Se referiu ao senhor. — Senta aqui.

— Desculpa, Melzinha, mas eu recebi ordens do senhor Jeon de tratar a futura senhora Jeon dessa forma.

— Perdão…., "Futura senhora Jeon?" — Indaguei inquieta. 

Olhei para Melissa que me devolveu o olhar e ela mexeu a cabeça para o lado de como quem diz: "precisamos conversar". Numa concordância muda, vejo Mel se levantar do banquinho e contornar a bancada de granito. 

— Ei, senhor, vamos ali, ok? — Serelepe, Mel avisou ao vozinho grisalho. — Mas guarde uns biscoitinhos para mais tarde. — Piscou um dos olhos. 

— Mas a duas não comeram nada desde que chegaram, — apressou-se em fazer alguma coisa — hm, aqui — Deu uma pequena bandeja cheia de biscoitos e duas xícaras de algum líquido quente, parecia chá. 

Agradeci meio sem jeito, pois não estou acostumada a ser tratada tão cordialmente dessa forma. Mel que levava a bandeja com propriedade e eu a seguia, estranhamente, Melissa sabia o caminho, então não foi difícil ela encontrar uma pequena sala, em meio as muitas, que não houvesse ninguém. Quer dizer, até agora nessa imensa casa, não vi uma alma viva sequer, a não ser por Mel e pelo senhor que me atendeu. 

Sentamos no sofá pequeno e Mel deixou a bandeja numa mesinha de centro em frente ao sofá. Peguei em mãos a xícara, mas assim que degustei o líquido, fiz careta e não tomei mais. Não que a chá de camomila estivesse ruim, longe disso, ele estava até docinho, mas é que meu paladar não gosta de chá. Peguei, por fim, um biscoito e voltei-me para minha melhor amiga que parecia amar o chá.

— Então, como foi? Você conversou? — Ela disse após tomar um longo gole de sua xícara.

— Ele me pediu para casar com ele.

— E você vai? — Deixou a xícara na mesinha, olhando-me com expectativa.

— Quê?! Não! Sem chance! — Respondi ofendida. 

Melissa suspirou audivelmente. 

— Amiga, você precisa repensar nisso. — Franzi o cenho com suas palavras, por isso, ela emendou: — Você lembra das classes que regem a nossa sociedade? 

— Alfa, ômega e beta? 

— Isso, o sistema ABO! — Ela pegou dois biscoitos na bandeja e me ofereceu um, peguei-o de sua mão e mordo, anciosa. — Eu estudava história quando era livre, então, eu precisei conhecer os pilares da nossa sociedade — Mordeu seu biscoito. —, betas são aqueles que não possuem cheiros e que podem ser facilmente passados desapercebidos na sociedade, pelo simples fato de que um ômega ou alfa nunca irá se satisfazer completamente com um beta — Suspirou. — Na vida, eu queria ser uma beta, poxa vida! No geral, betas se relacionam com betas e vivem de boa. Eu queria viver de boa. 

Eu ri. Ela perdia o foco muito rápido. 

— Ômegas, como eu e você, temos o instinto submisso dentro de nós, somos mais "frágeis" que um beta, por exemplo; somos delicadas e sutis, mas você é a excessão, seu projeto de troglodita! — Fez careta, enquanto colocava mais um biscoito na boca. 

— Assim você me ofende — Fiz drama e Mel deu de ombros. — Valeu pela parte que me toca. 

— Além disso, nossos cheiros, geralmente doces e frutais, são percebidos facilmente. Então, chegamos aos alfas; altos, corpulentos e muito viris. Todo alfa exala um cheiro amadeirado ou cítrico, por onde passam transbordam poder e confiança. São os pilares que regem a sociedade, independentemente se for macho ou fêmea. Ser alfa quer dizer que você terá privilégios, agora, pense comigo, além de ser alfa, você ainda é agraciado por ser lúpus. Você se torna, tipo, o cara. 

— Eu não entendi onde você quer chegar, Melissa. 

— O Jungkook, o cara que te salvou, é esse cara! — Pisquei duas vezes e Mel revirou os olhos. — Ele é um lúpus, poxa! O cara tem a bunda, literalmente, virada para a lua! Ele é o fodão, sabe? Todo mundo deve respeitar, temer e adorar esse cara. E ele te escolheu pra ser a ômega dele, tu tem noção do que isso significa? 

Mordi o lábio com força.

— É, amiga, 'cê 'tá ferrada. Ninguém diz não a um alfa lúpus. 

Levantei-me às pressas do sofá. 

Vida minha, você já pode parar com toda essa palhaçada, por favor. 

— Eu… nós… — Travei. Droga, eu precisava de um plano. Sinto que minha mãos estavam novamente presas a um nó invisível e, sem muitas opções, estou eu, novamente, refém de escolhas que sequer pensei em tomar. Estou mais uma vez sendo um fantoche, uma moeda de troca, uma barganha nas mãos de desconhecidos. —…precisamos sair daqui. 

Virei-me e marchei para longe, corri, na verdade, sem nem ao menos pensar. 

Minha mente estava cheia demais de um sentimento que se acumulou dentro de mim desde que me levaram àquela boate; descaso. Sou um grande nada ambulante, feita apenas para satisfazer quem quer que seja. Bati em alguém, enquanto fugia, mas não liguei. 

Dizem que a mente se torna seu pior inimigo, porque ela nos manda códigos subliminares e controla nossas emoções, cria uma armadilha, nos cega. E eu estava cega por um sentimento que corroía meu peito. 

E talvez eu pudesse me sufocar com aquilo. 

 Se sua mente vira caos, o que sobra de você depois? 

Atravessei o hall de entrada e empurrei a primeira porta que vi pela frente, meus pés descalços pisaram na grama verde que o nosso ambiente produziu; estava numa espécie de jardim, mas não pude admirar sua beleza, eu queria a minha liberdade. 

A passos ainda mais apressados, quase correndo, acabei tropeçando e quase fui ao chão. Quase. Outra vez.

Os pelos de meu braço se arrepiaram quando mãos frias encostaram na derme, fazendo com que minha pele quente, ao ter aquele toque antônimo, entrasse em uma sutil explosão. Fui segurada com força e puxada, sem brusquidão, até que meu corpo colidiu com o peito de outro alguém. Seu cheiro atingiu minhas narinas e meu lobo, inquieto, instantaneamente se acalmou. Como se seu cheiro fosse o melhor analgésico 'pra esse tipo de situação, logo, eu também fiquei mais calma. E seu olhar penetrante estava lá, analisando-me mais uma vez. 

— Você está bem? — Ele me solta e eu cambaleio para trás, sua cabeleira vermelha estava meia bagunçada, talvez ele tivesse corrido até aqui. 

— Eu não vou me casar com você… — Minha voz saiu no automático, enquanto meu cérebro me atormentava. — Não sou boneco de troca, não sou. 

— Ei, vamo conversar dentro de casa, está esfriando e você não está vestida adequadamente, por favor. — Jungkook pediu, manso, mantendo uma certa distância entre mim e ele. — Você pode ficar doente. 

— Eu não quero ir com você, eu quero ir 'pra casa. — Confessei, perdendo minha pose de durona outra vez perante ele. 

Seus ombros flexionaram e eu percebi que ele estava rígido até agora, suas mãos foram aos fios rebeldes e ele os alisou, soltando lentamente o ar. 

— Está bem. — Soltou, ao fim. — Vamos ver seus pais, mas antes, precisamos ir a alguns lugares. 

— Que lugares? 

— Você quer ficar com esse blusão para todo o sempre? — Neguei. — Pois bem. Vamos ao Shopping. 

Eu o encarei embasbacada.

— Fica paradinha aí, ok? — Ele pediu. — puta que pariu. — Franzo o cenho. — Ah, não! Não foi com você, é só que- porra, deixa para lá. 

E entrou de volta em casa, meio atrapalhado, quando tornou até onde eu estava trouxe consigo Melissa, Jisung, Felix e o alfa que quase avançou em mim.

Mel quase correu em minha direção e me deu um tapão no braço.

— Au!

— Achei que a louca dessa amizade fosse eu! Dá próxima vez que você sair correndo desse jeito e me assustar, te dou um soco nesse rostinho de anjo! 

Resmunguei e ela segurou meu braço. Os olhos do de cabelos vermelhos não abandonavam os meus movimentos de jeito algum, enquanto os outros alfas agiam como se o pequeno surto de Melissa fosse a oitava maravilha do mundo. Jisung ria, Felix observava e o outro só ficava alheio e de cara fechada. 

— Vamos, a garagem é por ali. — Ditou o de cabelos vermelhos e andou, eu tive que dá uma pequena corridinha para alcançar os outros e arrastei Mel, logicamente. 

— Felix, eu e a loirinha vamos no meu carro — Disse o cara que eu esqueci seu nome. — Jisung e a morena vão com você. 

O alfa de cabelos vermelhos assentiu e abriu a porta do veículo para que eu entrasse e o fiz, Jisung entrou logo após e o alfa deu partida no carro. Me despedi brevemente de Mel que parecia chateada em ter que dividir o carro com os dois alfas. Tenho que lembrar de perguntar o que rolou com ela na noite que saímos da boate. 

Mas agora eu me privo de muitas coisas e jogo tudo para o ar, ligo meu modo "foda-se".

Minha cabeça está cheia ao mesmo tempo que está completamente vazia. Por isso, viro a cabeça em direção a janela e deixo que a paisagem rural, tornar-se urbana e preencha minha mente cheia e confusa em borrões de prédios passando velozmente.  


Notas Finais


Eu deixei esse capítulo para explicações sobre o universo ABO, porque eu não sei se vocês já conhecem o universo. Além disso, vou deixar aqui um link de um blog muito bom que explica tudo mais a fundo, como os cios e os períodos de rut ou heat.
http://sosfanfiction.blogspot.com/2016/04/universo-abo-o-que-e-como-funciona.html?m=1

Vocês vão ver que a Mia é muito boa nesse esquema de tacar o foda-se, sério. Mas lembrem, galera, tem sempre motivos por detrás de qualquer surto e ela já começou a mostrar os porquês, certo?
Já pararam para pensar o que se passa na cabeça de Jeon Jungkook? (Spoiler do próximo capítulo)

Me perdoem se eu tiver demorado muito para atualizar e o capítulo não ter saído como vocês esperavam, eu tentei.

Continuo?

Créditos dessa capa super, ultra, mega incrível para @_Eden. Muito obrigada \o/

Ah! Proibido tem trailer, pois é, pois é!
https://youtu.be/T4uKHVergy8

Nos vemos por aí 🖤


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