História Projeto 1.000 - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ficção Científica
Avisos: Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Uma descoberta


Fanfic / Fanfiction Projeto 1.000 - Capítulo 2 - Uma descoberta

Primeiramente, Dora procurou se acalmar. Sabia que nada de ruim poderia lhe acontecer. Por isso, levantou-se da areia, esgueirando-se por entre aquelas pessoas desconhecidas e barulhentas.

Iria andar por entre elas. Já vira muitas pessoas aglomeradas, mas não daquela forma. Pareciam estar alegres. As únicas vezes em que via pessoas reunidas em locais públicos era quando acompanhava sua mãe para receber alguns benefícios do governo (como quando daquela vez que sua mãe precisou pedir licença do trabalho) ou quando ia aos grandes mercados. Mas ver pessoas reunidas e alegres? Nunca vira.

Aquela multidão de pessoas na praia era completamente diferente. Em virtude disso, resolveu dar alguns passos para matar a curiosidade.

Ainda estava apreensiva, por isso andava quase que na ponta dos pés. Para quê andar na ponta dos pés? Trate de ir andando normalmente, ora bolas! Quem já se viu ficar andando de forma cautelosa na areia de uma praia?  Por acaso está com medo de ser ouvida?

Dora preferiu seguir esses conselhos. Passou a caminhar normalmente. Afinal de contas, que mal poderia lhe ocorrer?

Após mais alguns passos, parou repentinamente e ficou meio pensativa. Não demorou muito, olhou para o chão da areia. Tinha se lembrado de algo.

Escavou alguns poucos centímetros de areia. Estava à procura de algo. Cerca de não mais de dez segundos depois, achou um botão verde na areia da praia. Clicou nele e pediu:

– Me ajude.

Imediatamente, um holograma surgiu. Era uma mulher alta com a face afilada e semblante tranquilo. Magra, do alto de seus saltos altos e trajada com um terninho, fitou os olhos de Dora e logo entendeu.

– Não há motivos para preocupação. Tratam-se de figurantes gerados automaticamente pelo sistema.

–  Nossa, que burra que eu sou! Como não pensei nisso?

Assim que percebeu que não era mais útil para esclarecimentos, o holograma se desfez.

Dora continuou desfrutando do que o simulador era capaz de proporcionar.

 

Vera saiu do trabalho mais cedo, pois andara fazendo horas extras além da conta. Para compensar o excesso de horas, foi-lhe permitido sair duas horas mais cedo do trabalho.

Sua vida como secretária do gabinete da presidência do grupo Correia era muito corrida e cansativa. Geralmente se acordava às cinco horas da manhã para ir ao trabalho. Considerando que sua casa fica muito longe do centro urbano em que está localizada a sede do grupo, até que não precisava se preocupar muito com o transporte: o metrô já era suficiente.

Apesar de super tecnológico, sendo capaz de viajar a mais de trezentos quilômetros por hora, o metrô demorava cerca de uma hora para chegar ao destino. E sem contar o excesso de usuários fazendo uso do transporte, o tempo total que levava para chegar à empresa poderia chegar a até duas horas.

Por isso se acorda tão cedo. Deve chegar ao trabalho às sete horas da manhã, embora oficialmente, para o público e para os altos executivos, o horário comece às oito da manhã.

Assim que chega à empresa trata de checar todos os e-mails que chegam em sua caixa de entrada e redireciona aqueles que competem à tomada de decisão de Gonçalo para a caixa de e-mail deste.

Além disso, precisava checar toda a agenda eletrônica diária do chefe. É a parte que considera mais chata de seu trabalho, pois deve lidar com o gerenciador automático que ordena as tarefas com base nas ligações e e-mails que ela mesma direciona.

Para Vera, essa parte é um trabalho repetitivo e redundante, já que o gerenciador automático faz tudo sozinho. O problema é que já houve vezes em que a máquina errou e a culpada pelo ocorrido foi Vera.

Faz tanta questão de dizer na nossa cara que somos incompetentes e tudo o mais, e que a gente deveria ser substituído por máquinas, mas foram elas mesmas que já lhe deram alguns problemas... Por diversas vezes é assim que Vera pensa. Só não tem coragem de dizer isso na cara do chefe.

Basicamente, seu trabalho era ficar atendendo às solicitações e reclamações de Gonçalo, bem como atender telefonemas de altos escalões do governo. Embora para a maioria dos casos o contato feito com o governo fosse realizado por meio de videoconferências em plataformas com alto nível de segurança, assuntos ultra confidenciais continuavam sendo tratados por uma linha telefônica especial, ligada a um satélite próprio do Grupo Correia, o qual, anos antes, junto com outras empresas, havia sido obrigado pelo governo a tomar tal medida.

Vera sempre é muito cautelosa com tais ligações, pois como lhe compete redirecioná-las ao chefe nunca sabe ao certo como avisá-lo sem que ele fique irritado.

–  Doutor Gonçalo, o Ministro do Comércio solicita uma conversa com o senhor. Ele está na linha – informara, certa vez, interrompendo-o.

–  Você é burra ou o que? Não tá me vendo aqui ocupado nessa videoconferência? – bradara Gonçalo certa vez, logo após ter pausado uma videoconferência em virtude da entrada abrupta de Vera.

–  Desculpa, senhor. O telefone tá com problema, o CPD ainda não veio consertar – Vera informou, tentando se esquivar. – Mas pode ficar tranquilo, vou chamar eles de novo. Quanto ao Ministro, ele pediu pra avisar que é muito importante.

O trabalho de Vera é mais ou menos esse. Chato, repetitivo e ainda precisa ouvir grosserias, mas até que é bem paga. Também não fosse... São onze horas diárias de jornada de trabalho, fora as horas extras que, às vezes, surgem com mais frequência que o normal.

Chega à sua casa praticamente às oito da noite, exausta e estressada. No entanto, não para por aí sua rotina de estresse. Precisa lidar com seus dois filhos, Dora, de dezessete anos, a mais velha, e Daniel, o caçula, de quatorze anos.

–  Dora, me ajude com o jantar! – berrou Vera assim que pôs os pés em seu apartamento, enquanto tirava seu par de sapatos. Estava sentada no sofá. Por ela, caía no sono ali mesmo.

Mesmo depois de chamar por Dora várias vezes, não obteve resposta. Tampouco Daniel apareceu para ajudá-la.

Levantou-se e foi ao quarto de Daniel, onde o encontrou dormindo.

–  E você, o que tá fazendo na cama essa hora? Ainda é muito cedo.

–  Dormindo, não tá vendo? –  respondeu imediatamente Daniel, esfregando os olhos e com o semblante nitidamente nervoso por ter tido seu sono interrompido.

–  E a tarefa de casa? Cadê os estudos? – Vera falava isso de forma autoritária, semelhante à forma como era tratada todo o dia no trabalho, especialmente no dia de hoje, véspera do início das preparações para a campanha do lançamento da N1000.

–  Já fiz – Daniel ligeiramente respondeu à mãe.

–  Uma porra que você fez.

Vera aproveitou que o computador do filho já estava aberto, e com sua senha acessou o sistema a que os pais podem visitar para acompanhar a vida escolar dos filhos. Não havia nenhuma atividade realizada naquele dia.

–  Ah... pois então não fez nada... – falava isso em tom de deboche, mas bastante aborrecida.

–  Mãe... – Daniel revirou os olhos.

–  Não só não fez nenhuma atividade desde... deixa eu ver... semana passada, como também faltou à aula hoje.

Vera pegou Daniel pelos braços e começou a segurá-lo com muita força.

–  Acha que eu sou uma burra pra trabalhar o dia todo e ver você desperdiçando meu dinheiro, seu vagabundo? – gritava Vera.

–  Eu tava com sono! Eu vou estudar depois do jantar. Agora estou em condições.

–  Acha que me engana, seu mentiroso?

–  Enfim, se não acredita em mim, problema seu. Posso fazer nada.

–  Cale a boca, eu já falei com você! Me respeite Daniel, eu sou sua mãe. E tem mais: se você não for à escola você vai se arrepender.

A essa hora Vera já estava vermelha e um pouco suada. Vendo que não adiantaria discutir muito com ele, apenas avisou:

–  Levante-se. Vá me ajudar no jantar também. Por falar nisso... Cadê tua irmã? – perguntou ríspida e aborrecidamente.

–  Deve tá na nova máquina dela.

–  Máquina? Que máquina, menino?

–  Aquela simuladora, a N1, esqueceu?

–  Ha-ha-ha, finalmente chegou – Vera não estava tão satisfeita assim, provavelmente teria mais trabalho. Falava em tom de deboche.

Dirigiu-se imediatamente ao cômodo da filha e abriu a máquina simuladora. Também sem nenhuma cerimônia.

–  Vamo saindo, já tá bom de ficar aí nesse sonho. Agora venha pro seu pesadelo: me ajudar.

Dora, aos poucos, abriu os olhos e olhou mal humorada para a mãe.

–  Levanta!!

Depois de algum tempo, Dora se levantou da máquina e, olhando para a mãe de forma negativa, falou:

–  Até parece que a senhora não sabe que não dá pra ir se levantando assim depois de usar essa máquina.

–  Pois já devia saber programar essa gerigonça. Já era pra você tá na cozinha começando a preparar o jantar. Mas não, tá aqui!

–  Desculpa, ainda tô aprendendo a usar.

–  Pois aprenda logo, não quero que isso me atrapalhe. Por mim você nem tinha isso.

–  Pelo menos comprei com meu dinheiro – esgueirou-se Dora.

–  Sim, sim! Pelo menos isso, já não basta o que eu gasto do meu salário suado pra sustentar vocês dois. Uma máquina dessas então... Pode ir preparando o bolso, se acha que só ia gastar dinheiro comprando, aguarde a hora da manutenção. É bem capaz de ficar sem ela.

–  Já fiz as contas mãe... juntando o meu salário e o pouco que eu consigo vendendo meus mini jogos, eu consigo manter a máquina.

–  Pois bem....

Já na cozinha, Dora e Vera levaram cerca de 30 minutos para deixar o jantar pronto. Enquanto preparavam a refeição, Daniel, a muito contragosto, arrumou a mesa.

– Do jeito que a coisa anda, acho bom começar a arrumar um emprego logo – não se dirigiu especificamente a Daniel. Nem precisava.

– Quem sabe...

– Ou vê se trata de se dedicar aos estudos. Pelo menos siga o exemplo da sua irmã, não tem 18 anos, mas já trabalha e estuda. Enquanto você...

O jantar transcorreu em silêncio, até que Dora, já no final da refeição, resolveu quebrar a monotonia:

– Só quero que vocês dois me respeitem quando eu tiver usando a N1 – foi bastante enfática ao se referir à máquina simuladora.

– Contanto que não deixe de me ajudar nas tarefas domésticas... Tudo bem... – cedeu Vera.

– Quanto a isso pode ficar tranquila – enquanto falava, Dora se levantou e levou o prato e o copo para a pia.

Dora começou a lavar seu prato e falou:

– Se quiser eu posso comprar um novo robozinho pra limpeza.

– Já disse que isso é comigo. Não posso comprar agora, mas daqui a alguns meses... – Vera logo foi interrompida por Dora.

– Prefere esperar meses do que poder ter um novo logo agora.

– Isso já está certo e acabado. Quem compra isso aqui sou eu.

– Mas quem lava aqui também sou eu né... E isso é um saco.

Dora mal terminou de falar, Vera já emendou:

– Além do mais, antes da gente ter aquele trequinho, a gente nunca teve nenhum problema em fazer esses serviços. Não é hoje que vamos ter. Só assim vocês não se acomodam...

– Você parece das antigas, isso sim. Todo mundo usa e dá graças a Deus de não ter que fazer tanto esforço e perder tempo...

– E você – Vera apontou para Daniel, como se a sua conversa com Dora já tivesse acabado – trate de ir lavar seu prato.

Daniel preferiu não contrariar Vera. Levantou-se e foi limpar, junto com Dora, seu copo e seu prato. Ao terminar de tirar o excesso de comida e já pronto para ensaboar o prato, deu-se conta de que Dora estava usando a bucha:

– Como vou limpar se ela tá usando?

– Pega outra bucha, ora. É cada uma... – Vera balançou a cabeça e terminou de beber seu café. Terminou o gole e falou: – Vamos, agiliza, tá ali dentro daquela gaveta perto do micro-ondas.

Daniel a obedeceu e começar a lavar. Enquanto isso, Vera recolhia o restante das coisas em cima da mesa e colocou tudo na pia.

Dora terminou de enxugar e de guardar alguns objetos nas gavetas e prateleiras, e falou para Vera em tom de provocação:

– Se quiser pode usar minha máquina.

– Dispenso. Já usei essa sua lá na empresa há muitos anos. Agora disponibilizam melhores pra gente usar durante os intervalos.

Vera não fazia mais questão de usá-las durante os intervalos intrajornadas. Além de ter se enjoado, as filas para usar a N1 Plus – a máquina simuladora que o grupo Correia disponibiliza atualmente para os seus funcionários usarem dentro da empresa – eram muito grandes. Passava-se mais tempo esperando do que efetivamente dentro da simulação.

– Pelo menos a sensação que você tem de ter estado dentro da simulação por quase uma hora compensa o fato de ter que ficar esperando tanto tempo né... – falou Dora, já sabendo o porquê de Vera não usar mais as máquinas.

– Ô... se eu pudesse ter a N1Plus aqui em casa... – Dora estava desejando em voz alta. – Já paguei pra usar por dois minutos num centro de simulação. A sensação que tive foi que passei umas duas horas lá dentro. É fantástico. Foi por um preçinho camarada, acho que vou de novo lá. Se eu trabalhasse na Correia ficaria na fila todos os dias. De graça, mãe!

Vera continuou fazendo o serviço de casa. Não respondeu à colocação de Dora, que, já tendo terminado sua função ali na cozinha, foi-se retirando, não sem antes avisar:

– O que eu vou falar só vale pra mamãe, viu Daniel? Qualquer coisa pode usar minha N1. – falou isso e se retirou.

Vera começou a lavar os pratos e não deu importância ao que Dora falou. Era orgulhosa demais para usar algo tão caro comprado pela filha. Não usaria e ponto final. Já estava decidida.

 

Pelo resto da noite, Vera assistiu um pouco de televisão. Após algumas horas, foi dormir.

Já era onze e meia da noite. Estava há quase uma hora tentando dormir. Virando de um lado para o outro da cama, ficando de barriga para cima ou de barriga para baixo, não conseguia pegar no sono, embora quisesse muito.

Estava agitada para o dia de amanhã. Já se passara uma semana desde que as burocracias para o lançamento da N1000 estavam concluídas. Depois de uma semana de intenso trabalho, amanhã seria o ápice de tudo. Tudo estava planejado para não dar errado, mas mesmo assim não conseguia deixar de ficar apreensiva. Pela forma como Gonçalo andava falando, aquele lançamento era muito importante para ele. Parecia atingi-lo de uma forma bastante pessoal. Era melhor ninguém contrariá-lo amanhã. Além disso, só de pensar que terá que ficar o dia todo num evento que considera chato, cheio de pessoas metidas da alta sociedade, não consegue deixar a apreensão de lado.

 

 

Pela manhã, Vera acordou-se, tomou um rápido café e saiu de seu apartamento. Assim que pôs os pés no corredor, deparou-se com um de seus vizinhos caído do lado de fora da porta de seu apartamento. Parecia estar, mais uma vez, de ressaca.

Embora o conjunto habitacional em que morava fosse bastante alto, afinal, ali habitava mais de setecentas famílias, Vera tinha o hábito de descer pelas escadas, já que morava no segundo andar. O elevador é movimentado demais, e como não pode perder tempo pelo horário da manhã, preferia enfrentar sempre o mesmo cenário que encontra na escada de seu prédio.

Enquanto descia as escadas, deparou-se com um homem e uma mulher fazendo sexo sem nenhuma cerimônia. Era a mesma coisa todas as madrugadas e início das manhãs. Geralmente estavam acompanhados por mais um casal, mas naquele dia estavam sozinhos. Não se importavam com quem passava por ali.

Andando quase um quilômetro, por entre prédios e mais prédios de conjuntos habitacionais gigantescos, já estava na estação metroviária aguardando seu trem. Alguns minutos depois, o trem chegou e tirou da inércia aquela multidão isolada em sua própria consciência, incluindo Vera. Em pouco tempo o trem já estava em movimento.

Já acomodada em seu assento, Vera sentiu um obstáculo na parte de baixo de seus pés. Afastava o objeto com os pés, sem olhá-lo, mas após algum tempo ele sempre voltava para o mesmo lugar, voltando a incomodá-la. Depois de algumas vezes repetindo o mesmo procedimento, Vera decidiu se abaixar e olhar o que era.

Era uma caixinha redonda, não muito jeitosa, mas mesmo assim lhe despertou a curiosidade. Abriu-a sem cerimônias.

Quando viu o que havia dentro, não acreditou. 



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