História Projeto 1.000 - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 1.759
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ficção Científica
Avisos: Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - A filha


Fanfic / Fanfiction Projeto 1.000 - Capítulo 3 - A filha

– Meu Deus – esboçou um sorriso no rosto. – Meus problemas acabaram. Tô rica!

Falou alto demais, mas não se importava com isso naquele momento: estava estatelada com a fortuna que havia dentro da caixa. Começou a ser encarada pelos passageiros.

Olhou novamente para o que havia dentro da caixa. Tratava-se de um cartão branco. Havia o logotipo de um banco bem no lado esquerdo inferior do objeto. No centro do cartão estava escrito: “Saque limitado”. Em seu verso havia um aviso: “Duas horas para resgate do valor. Dirija-se ao banco mais próximo”. Um pequeno relógio digital fixado dentro do cartão começou a cronometrar as duas horas.

Vera desviou os olhos daquilo que sabia ser uma mina de ouro, e voltou a olhar para os passageiros. Voltaram a usar seus celulares. Não se importavam mais com o grito de surpresa que ouviram há pouco.

Mais tranquila, Vera começou a pensar no banco mais próximo que tinha para sacar a fortuna que lhe esperava.

Esse cartão é um dos prêmios mais importantes que se ganha nos cassinos, que agora são permitidos pelo governo. Bastava se dirigir ao banco mais próximo e sacar o dinheiro. Os valores variam de acordo com o desempenho que se teve no jogo que a pessoa venceu, mas, de qualquer forma, o valor era sempre muito alto. Quem perdeu esse cartão, com certeza, devia ser a pessoa mais distraída e descuidada do mundo, pensou Vera. Não é sempre que se ganha dinheiro fácil em abundância.

Com certeza, o valor que sacaria seria mais que o suficiente para comprar um robô de limpeza bem mais moderno que o de antes.

Já estava até pensando que poderia comprar diversos gadgets para sua casa. Sempre desejou ter uma assistente virtual que gerenciasse a climatização de sua casa, a temperatura dos chuveiros e que lhe avisasse, onde quer que estivesse, que acabara de contratar uma equipe de robôs de limpeza super modernos para fazer a limpeza de seu apartamento pelo menor preço.

Embora soubesse que muito dinheiro estava a seu dispor, Vera sempre foi muito contida em gastos. Sabia que esses robôs muito modernos têm um custo elevado. Sairia mais barato contratar um serviço feito por eles, ao invés de comprá-los. Sua assistente virtual, então, faria o favor de procurar pelo serviço que oferecesse o melhor custo benefício.

Além disso, Vera começou a imaginar o que faria como profissional. Afinal, não continuaria no atual emprego.

Estava numa alegria só, mas tratou de não chamar atenção. Não queria que ninguém desconfiasse. O que tinha de fazer era apenas ficar quieta e aguardar que o trem chegasse ao destino. Daria tempo de conseguir resgatar o dinheiro.

Enquanto isso, olhava a paisagem cinzenta através da janela.

Algumas horas mais tarde, já depois de ter passado no banco para transferir a quantia para a sua conta, Vera chegou a sua casa e contou a Dora o que aconteceu. Repentinamente, Dora parou de se mover, parecia estar congelada. Para uma surpresa tão boa quanto aquela, Vera estranhou o comportamento da filha.

– Deve estar muito bom, mas já está na sua hora.

Vera apenas ouvia a voz de Dora, mas a filha estava petrificada na sua frente, como se fosse um vídeo interrompido durante a exibição em virtude da falta de sinal de internet. Poucos segundos depois, tudo ficou escuro e, logo após, viu-se deitada no que parecia ser o quarto da filha.

– Já tá na sua hora não? – perguntou Dora.

Vera ficou chateada ao se dar conta de que tudo o que aconteceu foi uma simulação.

– Poxa, por que você me interrompeu, Dora?

– Ué, mãe? Não é você que tava falando ontem que era pra eu cronometrar a máquina quando eu fosse usar? Por que essa surpresa? Você não programou ela não?

– Mas é claro que programei! Ainda mais considerando o dia de hoje né... É hoje o lançamento!

– Bem, aqui no fora no cronômetro ainda resta algum tempo. Dentro da simulação, ainda havia mais dois dias a serem gastos. No tempo do mundo real, ainda faltava duas horas pra você sair daí. O que quer dizer que você se atrasaria e muito pro trabalho.

– Sério? Mas não é possível...

– Deveria me agradecer. Te salvei...

– Mas deve ter algo errado não é? Eu não tava conseguindo dormir, resolvi vim pra cá, cronometrei tudo direitinho. Programei pra tudo durar até às cinco da manhã, que é a minha hora de acordar.

– Aqui no cronômetro consta que ainda faltavam duas horas pra você sair daí.

– Enfim... vamos deixar de papo furado. Tenho que me arrumar logo.

Vera levantou-se e enquanto ia em direção ao banheiro, falou:

- Hoje é o dia.

Entrou no banheiro. Enquanto fechava a porta, Vera comentou em voz alta com Dora, que estava dentro do seu quarto:

– Ai, como eu queria ter ficado mais duas horas nessa máquina. Dois dias me restavam no tempo da simulação é? Ô, que maravilha... Sonho ótimo. Só você mesmo pra estragar, viu Dora! Porque se acordou tão cedo?

– Vou resolver umas coisas... – respondeu de volta, em voz alta, de dentro de seu quarto.

Minutos depois, assim que pôs os pés no corredor do andar em que morava, Vera deparou-se com um de seus vizinhos caído do lado de fora da porta de seu apartamento. Parecia estar, mais uma vez, de ressaca.

Enquanto descia as escadas, deparou-se com um homem e uma mulher fazendo sexo sem nenhuma cerimônia. Era a mesma coisa todas as madrugadas e início das manhãs. Havia dias em que estavam sozinhos; outros, em que estavam acompanhados por outro casal. Hoje era o dia em que os dois casais estavam suprindo seus desejos sexuais. Não se importavam com quem passava por ali.

Andando quase um quilômetro, por entre prédios e mais prédios de conjuntos habitacionais gigantescos, já estava na estação metroviária aguardando seu trem. Alguns minutos depois, o trem chegou e tirou da inércia aquela multidão isolada em sua própria consciência, incluindo Vera. Em pouco tempo o trem já estava em movimento.

Só não havia, embaixo de sua cadeira, nenhuma caixa com um belo de um cartão pronto para ser usado. Seguiu a viagem assistindo televisão pelo celular, assim como os demais passageiros de seu vagão.

 

 

Àquela hora da manhã, normalmente não estava acordada. Seis horas da manhã era cedo demais para uma criança de dez anos, mas aquele era um dia especial: o dia do lançamento da nova máquina da empresa de seu pai. Alice estava ansiosa para usar a nova simuladora.

Geralmente, batia na porta do quarto de Gonçalo antes de entrar, mas estava afoita e empolgada demais para tais cerimônias.

– Papai, papai! Acorda, quero ir logo usar a máquina!

Gonçalo despertou aos poucos. Deu um sorriso alegre para a filha e a abraçou.

– Pode ficar tranquila. Vai usar sim. Só tenha calma, ainda tenho coisas pra fazer antes de você usar.

– Então se arruma logo, senão vou fazer muitas cosquinhas em você.

– Não, não. Sou eu que vou fazer! – desafiou.

Gonçalo começou a fazer cosquinhas em Alice, e ela nele. Davam altas gargalhadas. De repente, foram interrompidos:

– Me perdoe doutor Gonçalo. Ela te acordou cedo demais... – era Agenor, o mordomo da mansão.

– Nem se preocupe... – Gonçalo interrompeu o mordomo. – Pode ir.

Na sala de refeições de sua mansão, Gonçalo e Alice tomaram café da manhã.

– A máquina não vai sumir. Vai ter tempo pra tudo. Coma mais devagar. Já conversamos sobre isso, Alice.

Alice desacelerou o ritmo e passou a comer em um ritmo normal.

– Cadê a vovó? – perguntou a menina para o mordomo.

– Dona Belina não se acorda a essa hora – Agenor gentilmente respondeu.

– Ela dormiu na máquina essa noite, Agenor? – consultou Gonçalo.

– Sim, senhor. Ela me pediu ontem à noite pra eu programar o tempo da simulação.

– Certo. É bom que continue assim, os efeitos são melhores pra ela.

– Eu também queria poder dormir na minha máquina à noite – intrometeu-se Alice.

– Também já conversamos sobre isso, filha. Apenas os mais velhos podem. Quando você tiver idade, poderá fazer isso... Por enquanto, só usar pelo dia – enquanto dizia isso, Gonçalo olhava com cumplicidade para Agenor.

 

 

Um grupo de guarda costas aproximou-se de Gonçalo e Alice assim que o primeiro pousou o veículo voador no telhado do prédio da sede da Correia Simulations. Eram quase dez horas da manhã. Assim que puseram os pés no rol, uma centenas de bloggers e internautas transmissores de conteúdo, os quais estavam atrás de uma faixa isolante, começaram a tirar fotos dos dois.

– Tem algo pra nos adiantar, Gonçalo? – perguntou um deles em voz alta.

– Nada. Deixarei pra falar tudo daqui a alguns minutos. Com licença.

Os seguranças que guardavam a entrada dos fundos do auditório em que ocorreria o evento estavam de prontidão aguardando a chegada de Gonçalo. Abriram-lhe a porta.

– É agora que vou poder usar papai? – Alice perguntava insistentemente.

– Vai aguardar só mais um pouco – Gonçalo procurou tranquilizar a filha.

Vera vinha ao encontro de Gonçalo e falou:

– Chegou na hora certa doutor. Doutor Ferreira quer falar com o senhor.

Gonçalo apenas ouviu a secretária e foi em direção ao local em que estava Ferreira. Já sabia onde este estava. Não precisava perguntar.

– O senhor está precisando de alguma coisa? Alguma bebida? – Vera estava procurando ser solícita.

– Um suco de limão. E Alice, fique aqui com a Vera.

– Pois não.

Gonçalo saiu, indo ao encontro de Ferreira. Vera solicitou, através do ponto em seu ouvido, que fosse providenciado o suco do chefe.

– Onde tá a N1000? – perguntou Alice à Vera.

– No palco do auditório... senhora Alice – não sabia como se referir à menina. Por via das dúvidas, melhor manter a formalidade.

Dentro de uma sala anexa ao auditório, Ferreira e Gonçalo estavam no meio de uma conversa.

– Espero que essa seja a decisão certa – murmurou Ferreira.

– Não tomo decisões precipitadas – Gonçalo frisou.

Ferreira não fez nenhum comentário, nem respondeu a essa frase de Gonçalo.

Do lado de fora, havia uma multidão de cerca de quinhentas pessoas no auditório. Produtores de conteúdo, agências de propaganda, altos executivos da Correia Simulations, dentre diversos e seletos convidados.

O auditório estava imerso por murmurinhos entusiasmados. Cá e lá havia comentários do tipo “não vejo a hora de ver a N1000”, “quero ver se é tudo isso mesmo”, dentre outros.

Próximas ao palco do auditório, em área reservada aos funcionários responsáveis pela organização do evento, Vera e Alice estavam sentadas lado a lado.

– Então já vai começar logo? – perguntou a menina à Vera.

– Sim.

Que droga, toda vez ele deixa eu usar primeiro, pensou Alice, chateada.

Gonçalo e Ferreira entraram no palco. Os murmurinhos pararam.  A apresentação iria começar.



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