História Projeto 23 - Capítulo 5


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Lemon, Naruto, Sasuke, Universo Alternativo, Yaoi
Visualizações 118
Palavras 4.528
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hoje não é domingo, mas é dia de capítulo novo.
Vamos lá? <3

(Leiam as notas finais)

Capítulo 5 - Lembrete


Sasuke acordou assustado com o barulho do controle da TV caindo no chão, Naruto também se sentou depressa:

- Ai... - reclamou levando as mãos à altura da costela - desastrado, quer me matar do coração?

O Uchiha estalou a língua no céu da boca, ainda estava no hospital e pior do que isso: estava terrivelmente dolorido. Massageou os próprios ombros e esticou as costas, pegou o celular no bolso só pra ficar ainda mais mal humorado ao se lembrar que não tinha bateria.

Se levantou ainda mole e começou caminhar em direção à porta:

- Estou indo.

Naruto concordou e soltou um comentário enrolado sobre como analgésicos davam sono, já estava praticamente dormindo outra vez.

Enquanto caminhava pelo corredor cheio de portas se deu conta do quanto grande parte sua estava dividida entre agarrar o pescoço de Neji e pressiona-lo até que dissesse alguma coisa ou socar a cara dele até que ficasse bem claro o quanto estava puto, mas havia conversado com Naruto por um bom tempo e ambos haviam concordado em descobrir mais antes de partirem pra um confronto direto, aliás, ele mesmo havia sugerido essa estratégia então ignorou o nome "Hyuuga" na placa do 302 e passou pela porta que separava os pacientes da sala de espera.

Procurou pelo irmão por um tempo antes de aceitar que ele havia ido embora sem acorda-lo. Irritado, pegou um dos táxis que ficavam parados na frente da saída principal, no relógio do carro eram 09h da manhã. O dia estava claro se comparado aos outros dias de inverno até ali mas o vento ainda era gelado. Tudo o que ele queria era comer alguma coisa e dormir de verdade. O olhar cansado acompanhou as lojas que começavam a abrir e o movimento fraco no centro da cidade, estava em casa novamente e, novamente, não sabia o que viria à seguir.

As férias haviam oficialmente começado.

O silêncio que parecia um escudo particular da mansão Uchiha dava calafrios, o motorista parecia desconfortável em estar tão longe do centro e foi embora assim que recebeu o dinheiro. O único barulho na casa vinha da cozinha, Sasuke sentiu o cheiro da comida e teve vontade de almoçar mas os olhos estavam se fechando sozinhos e a cabeça latejava. Tirou os sapatos mas não anunciou sua chegada, pensar em como o pai reprovaria essa atitude fez com que ele se sentisse um pouco melhor enquanto subiu as escadas em silêncio. O quarto estava impecável como sempre, os tons escuros aumentavam a sensação de exaustão, não tirou a roupa que estava vestindo e fome nenhuma o impediu de dormir um sono pesado e sem sonhos.

---

O relógio que ficava em cima do criado mudo marcava 16h30 quando ele acordou com o barulho de batidas na porta:

- Entra.

- Oi, desculpe por te acordar - Itachi se sentou ao seu lado na cama - quando chegou? Misa não te ouviu e ficou chateada, queria receber.

- Era umas 11h, ela devia estar ocupada na cozinha.

O outro assentiu:

- Vou visitar Naruto no hospital, quer vir junto?

Sasuke pensou à respeito. Uma parte sua queria conversar com o Uzumaki, esclarecer alguns pontos da história da floresta, definir melhor a estratégia ou sei lá, talvez estivesse inventando desculpas pra tentar se redimir fazendo companhia no hospital, mas não podia ignorar o quanto estava incomodado e culpado, naquele momento qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, lhe pareceria um bom motivo pra passar algumas horas longe do amigo:

- É melhor não. - respondeu, se sentando - não comi nada hoje e ainda me sinto coberto de sal.

- O horário de visitas acaba às 20h00 e ele gostaria que você fosse...

- Eu não vou, aniki.

Itachi não insistiu, sabia que aquela era um discussão perdida então se despediu do irmão e saiu do quarto. A relação entre Naruto e Sasuke sempre foi complicada, eles já competiam entre si antes da Academia Geist e o Projeto 23 pareceu intensificar ainda mais essa rivalidade, porém, ao mesmo tempo, eram amigos próximos tanto no colégio quanto fora dele. Viviam sempre juntos e a forma como trabalharam juntos no exame - independente do que havia acontecido no processo - era a prova de que existia uma cumplicidade entre os dois. 

Mesmo assim, não conseguia deixar de se preocupar.

Todos diziam que os eles lembravam Minato e Fugaku quando jovens e apesar da competição amigável entre os pais ter resultado em uma amizade de longa data, temia que Naruto e Sasuke não encontrassem o mesmo caminho. Amava os dois quase que da mesma forma e seria devastador ter que escolher um lado.

Dessa vez dirigir até o hospital levou mais tempo, o sol havia desaparecido no céu nublado, mas a temperatura de apenas uma casa decimal não o impediu de abaixar o vidro do carro e acompanhar a movimentação da cidade naquele começo de noite. 

O quarto 307 estava vazio mas o 312, alguns metros à frente, parecia estranhamente animado quando chegou. A porta estava aberta, as conversas e risadas eram ouvidas do corredor mesmo que Kushina estivesse encostada do lado de fora com Tsunade, a 74° Classe (ou parte dela) estava ali:

- Ita! - Naruto o recebeu assim que apareceu na porta - Você voltou!

O garoto estava em uma cadeira de rodas com um tubo de oxigênio fixado na entrada do nariz, perto da cama onde Sakura Haruno estava deitada. O quarto estava completamente cheio de gente, pelo menos umas dez pessoas e vários presentes - balões de "Get Better soon" e alguns vasos de flores - assim que ele tentou arrastar a cadeira por conta própria recebeu um tapa na mão:

- Sem esforço, você prometeu. - Hinata Hyuuga empurrou Naruto até Itachi enquanto ele bufava alto

- Empurrar minha própria cadeira de rodas não é esforço! 

- Depois de uma cirurgia é sim - a garota ralhou - e você mal conseguiu se mexer! Pare de ser teimoso e aceite a ajuda das pessoas em volta, Naruto-kun.

O Uchiha sorriu discreto, já havia estado presente em alguns eventos na companhia de Hinata, na verdade havia (de certa forma) observado o crescimento da garota de longe, ela era como parte de um plano de fundo: silenciosa, observadora e adaptável. Porém nos últimos anos suas mudanças haviam sido no mínimo notáveis: ela estava entre os quinze primeiros alunos da classe e sua evolução como agente parecia caminhar em conjunto com a sua evolução pessoal, Itachi podia jurar que aquela era a primeira vez que ouvia a Hyuuga falar de maneira tão firme:

- Cuide bem dele, Itachi-san. - pediu, curvando levemente o corpo - agora vão antes que os outros percebam. 

- Obrigado, Hina. - Naruto agradeceu sorrindo, se voltando pro outro em seguida - Eles não são sempre grudentos assim.

- Eu duvido muito disso. 

Quando passaram pela porta do quarto Kushina interrompeu a conversa com a mentora para tocar a testa do filho, medindo a temperatura de forma improvisada:

- Como está se sentindo, Naruto? - Tsunade perguntou, entornando um copo de café

- Como uma sacola plástica amassada, tenho certeza que me concertou errado vovó! - ele retrucou com uma careta - Odeio o cheiro de hospitais e todo esse branco... argh sem falar das malditas roupas! Eu definitivamente não nasci pra vestir saias, sem contar que essa nem cobre a minha bun_

- Naruto! - Kushina cortou

Tsunade riu:

- Descanse, não se esforce demais, tome seus remédios e faça a fisioterapia que logo vai estar fora daqui. Eu fiz um bom trabalho. 

Itachi empurrou a cadeira de rodas ao redor do hospital inteiro e dizer que eles conversaram seria subestimar a capacidade de Naruto de falar por mais de trinta minutos. Durante a maior parte do tempo o garoto reclamou sobre a comida do hospital e o tédio, além de contar sobre como salvou Sasuke de tomar um tiro durante o exame final, a empolgação dele nessa parte fez com o Uchiha desse risada embora tivesse que lutar contra o instinto de perguntar a motivação por trás da colaboração mútua repentina entre os dois rapazes:

- Podemos ir lá fora? Só um pouco!

- Não - o Uchiha respondeu, encostando a cadeira perto de uma máquina de bebidas - Sua mãe disse que você ainda pode pegar alguma infecção nesses primeiros dias e eu não quero ser o culpado se isso acontecer.

Naruto bufou, encarando a pouca movimentação do lado de fora do hospital através das grandes portas de vidro, o chão estava coberto de neve branca e as pessoas andavam depressa:

- Ela só está sendo super-protetora! - rebateu

O outro riu:

- Você passou a vida toda morando dentro de uma escola que fica há mais de três horas daqui, aprendendo a manusear armas, tipo, armas de verdade, não como hobbie ou algo do tipo mas como uma futura profissão. Se tem uma coisa que Kushina não é, é super-protetora.

Era verdade. A mãe gostava de cuidar dele assim como qualquer outra mãe, mas nunca o havia impedido de fazer qualquer coisa por isso fora criado de uma maneira bem livre até ali. Naruto esperou o Uchiha escolher o sabor do chá e se sentar no banco próximo para observar a rua também.

Por todos os deuses, queria mais do que tudo contar sobre Neji Hyuuga, mas o conhecia bem: Itachi era do tipo que seguia todas as regras, e tinha certeza que aquela história acabaria em pizza se chegasse até pessoas responsáveis do jeito que estava.

Naruto tinha bons instintos, não iria ignorar essa qualidade naquele momento.

É mais que uma briga de criança - repetiu pra si mesmo, respirando fundo.

- Tia Kushina quer tirar umas férias e ficar em casa com você.

- Ela comentou, e eu já disse que não precisa de todo esse alvoroço.

- Você sabe que vai precisar de ajuda quando receber alta, não seja orgulhoso.

- Você pode me ajudar! Sasuke pode me ajudar! Misa pode me ajudar! - respondeu com a cara fechada - prefiro ficar com vocês, do jeito que tem sido desde sempre.

Itachi suspirou, encarando o copo de plástico ainda cheio, o chá estava esfriando:

- É injusto afastar seus pais dessa forma, sabia? Você quase morreu. Parece que não porque Tsunade é uma médica excelente e quase nada a assusta, mas é verdade. Então é injusto culpa-los por se preocupar.

- Eu não estou culpando e nem afastando ninguém, Ita. Eu amo minha mãe com todas as minhas forças, eu quero passar tempo com ela também, mas não como a merda de um peso morto que não consegue andar sozinho até o banheiro!

O Uchiha não respondeu de imediado, ao invés disso se contentou em beber o liquido morno em silêncio:

- Eu vou pra casa quando meu pai voltar de viagem - prometeu - daqui duas semanas ou no final do mês.

- Tudo bem. 

Itachi sabia que não podia culpar Naruto por não querer dar trabalho aos pais depois de vários anos tendo que lidar com os próprios problemas sozinho, fazia tanto tempo que o Uchiha não se machucava de verdade que simplesmente não conseguia imaginar como se sentiria estranho se, por acaso, realmente precisasse do pai e da mãe novamente. De qualquer forma, não podia negar que uma parte sua queria o garoto na sua casa durante as férias também, por isso não se esforçou tanto em convencê-lo a mudar de ideia, havia se acostumado com as férias compartilhadas e agora que estava prestes a se formar queria aproveitar ao máximo a companhia de Sasuke e Naruto. Usaria suas habilidades pra convencer Kushina a mudar.

Quando voltaram ao quarto 307 as visitas de Sakura já haviam ido embora. O quarto do Uzumaki também havia sido redecorado pelos amigos, ganhando um ar mais divertido: 

- Abre as cortinas, não aguento mais encarar a parede e a televisão - o rapaz pediu enquanto se preparava pra levantar.

Itachi afastou as persianas distraído, a janela do terceiro andar dava pra uma paisagem completamente urbana, luzes coloridas e milhares de pequenas janelas características ao centro da cidade, estava completamente absorto e distraído quando o barulho de alguns objetos caindo no chão chamou sua atenção:

- Não podia ter esperado alguns segundos? - reclamou, apoiando o corpo trêmulo e ofegante de Naruto e o guiando até a cama

O garoto não respondeu (provavelmente devido à falta de ar e não à falta de resposta) e se deixou ser amparado,pra não dizer carregado, até o colchão enquanto reclamava mentalmente:

Como três malditos passos podiam ser tão dolorosos?

Não houve sermão. O Uchiha ficou de companhia até dez horas da noite e assistir um filme se tornou novamente um evento suportável durante aquele curto período de tempo. Ele até se ofereceu pra passar a noite mas aquele era o posto da sua mãe e se tinha alguma esperança de poder passar as férias fora de casa, o "sim" estava diretamente ligado com um bom comportamento durante a estadia no hospital.

Pra sua sorte Itachi havia se dado ao trabalho de procurar pelo seu celular e ipod, então o tempo não iria passar mais tão devagar, a esperança de que a fisioterapia tomasse boa parte do dia também era um consolo, não aguentava mais ficar preso entre quatro paredes e quanto mais rápido se recuperasse, menos tempo passaria ali.

Quando o relógio apitou 22h30 os comprimentos pra dor finalmente chegaram e junto com eles veio o merecido descanso depois de um dia cheio de amigos e com gosto de vitória, apesar do desespero vivido durante o exame final todos eles haviam sido aprovados e Naruto mal podia esperar para o início do segundo ciclo na Academia Geist.

 

 

Neji recebeu alta depois de dois em observação, fora o ombro e o tornozelo (ambos deslocados durante a execução do plano de fuga brilhante de Kabuto) não estava gravemente ferido pra ser mantido no hospital. A única pessoa que se deu ao trabalho de visita-lo foi Tsunade, já que seus pais estavam mortos há muito tempo e sua família mais próxima era o tio, Hiashi Hyuuga, que estava fora da cidade. Sendo assim a maior demonstração de afeto que recebeu foi uma ligação de "parabéns por ser aprovado pro segundo ciclo" que na verdade queria dizer "depois de todo o investimento que fizemos em você, não fez nada além da sua obrigação". 

Sabia que no fundo aquela era a verdade então isso não o ofendia, pelo contrário, gostava de pensar que era uma das coisas que o tornavam mais forte. Essa era a diferença entre ele e Hinata, talvez se a prima não fosse tão cercada de gentileza e mimos tivesse se tornado uma pessoa digna de herdar a liderança do clã.

De qualquer forma, a pior parte em tudo aquilo era ter que fazer média com Kushina Uzumaki que parecia ronda-lo de propósito, o que era extremamente irritante. Chegou a se questionar se Naruto havia aberto a boca sobre o que aconteceu na floresta mas descartou essa possibilidade depois da visita da diretora que não parecia nenhum pouco desconfiada, no final das contas o Uzumaki era realmente petulante o bastante pra acreditar que poderia resolver as coisas sozinho.

O andar todo parecia imerso numa comoção exagerada e volta e meia se ouvia comentários sobre como o filho da chefe de cirurgia estava internado depois de um "acidente na escola."

Riu com desdém enquanto preenchia seus papéis de alta se perguntando qual mentira haviam invetado dessa vez, já que era sempre assim que a Academia e a Agência lidavam com questões que não podiam resolver internamente: mentiras, e nem sempre das mais elaboradas.

Neji não conseguia deixar de se perguntar como o mundo podia estar tão cheio de pessoas como aquelas: burras o suficiente pra acreditarem na primeira coisa que ouviam.

Qual seria a cara que fariam se descobrissem a verdade por trás de como nós três realmente nos machucamos? - pensou divertido.

Tinha certeza que ninguém acreditaria no que estavam envolvidos.

Já passava das 18h00 mas fez questão de passar em frente ao quarto 307 mesmo que pra isso tivesse que se desviar da rota que levava até a saída do hospital. Naruto estava conectado à máquinas de monitoramento e oxigênio e dormia tranquilamente enquanto Itachi Uchiha fazia o que sabia de melhor: afastava qualquer um que tentasse perturbar o descanso sagrado da bela adormecida com uma expressão ameaçadora demais pra ser questionada.

Aquilo era quase tão ridículo quanto a mini-festa da sua classe no dia anterior.

Não demorou muito pra que chegasse em casa, um apartamento razoavelmente grande e bem localizado dentro do condomínio onde Hiashi e boa parte da sua família moravam, mas já havia escurecido. Neji estava terrivelmente cansado, era como se não tivesse dormido desde o exame final, o corpo todo doía e andar de muleta com um dos ombros imobilizados era bem mais difícil que o normal.

Usou a chave extra pra abrir a porta, sabia que graças ao tio a casa estaria limpa mas a lista de coisas que tinha por fazer era tão extensa pra quem havia acabado de entrar de férias que parecia até uma piada de mal gosto. 

Entrou distraído, o prédio era silencioso e na cobertura essa característica ficava ainda mais evidente. O andar estava imerso em uma quietude tão profunda que se prestasse atenção podia ouvir até o som suave da mais tranquila das respirações...

O Hyuuga sentiu o coração disparar e arregalou os olhos, se virando depressa:

- O anfitrião finalmente apareceu! - Orochimaru sibilou divertido, o sorriso cínico estampado no rosto branco demais - Seja muito bem vindo! 

O diretor estava sentado no sofá da sua sala com aquela expressão perigosamente tranquila, e o garoto praguejou mentalmente por ter sido pego de surpresa, usando todas as suas forças pra não engolir em seco ali mesmo:

- Orochimaru-sama - cumprimentou tenso - o senhor me assustou.

O homem deixou a cabeça tombar levemente pro lado, apoiando-a com a mão:

- Não esperava minha visita? Que decepcionante - provocou - Bom... não que isso me surpreenda, tenho me decepcionado bastante nesses últimos dias.

Neji sentiu o coração acelerar ainda mais e precisou respirar fundo pra não gaguejar:

- Me desculpe! - pediu, mancando depressa até a cadeira estofada mais próxima - Eu não esperava que Naruto aparecesse e...

Orochimaru levantou uma das mãos pedindo silêncio e foi como se a voz do garoto desaparecesse na hora:

- Talvez... se você não fosse tão estúpido a ponto de colocar seus sentimentos pessoais acima da única tarefa que lhe foi dada até agora, essa história teria tido um final diferente, não é?

- Sim, mas eu teria conseguido se...

- Teria... mesmo? - ele perguntou, estreitando o olhar - Eu nunca pedi que matasse a garota.

- Eu só achei que...

Orochimaru riu:

- Você "achou"... - repetiu, respirando fundo como se buscasse pela paciência há muito perdida - Esse tipo de atitude me faz pensar se envolver alguém tão temperamental em um plano que vem sendo cuidadosamente arquitetado há mais de dez anos foi uma boa decisão... Nesse momento não existe nada mais perigoso pra todos nós do que inconstância e impulsividade, sabe? E definitivamente não existe brecha pra achar o que quer que seja.

O Hyuuga balançou a cabeça positivamente e o homem se levantou:

- Tomei a liberdade de trazer suas coisas - informou, apontando com a cabeça pra mala no chão e estendendo um celular na sua direção.

Antes que Neji pudesse pegar o aparelho o diretor agarrou seu braço com força, expondo a lateral do pulso que continha uma marca em alto relevo de quase três centímetros, suavizando o toque pra correr o dedo indicador sob a cicatriz e sorrir, o rapaz gemeu de dor:

- Esse é um belo lembrete - sussurrou, próximo ao seu ouvido - significa "Não me desaponte outra vez."

Ele soltou o telefone e se afastou, o garoto ouviu seus calmos passos até a porta e depois pelo corredor mas não conseguiu responder, ficou paralisado na cadeira onde estava até que o barulho das portas do elevador se fechando ecoassem pelo andar.

A mão livre apertava a coxa com tanta força que as juntas estavam esbranquiçadas e foi a primeira vez depois de muito tempo em que se sentiu completamente aterrorizado.

Riu nervoso.

Teria que ser bem mais cuidadoso de agora em diante.

Naruto acordou com a voz baixa da mãe que falava no telefone, era madrugada de uma quarta feira. Os dias haviam realmente passado mais depressa depois que iniciou a fisioterapia mas como não podia continuar tomando tantos remédios pra dor (acabava dormindo a tarde inteira quando fazia), se sentia desconfortável na maior parte do tempo.

Só tinha três estados físicos naquele hospital: Deitado, Sentado e sendo-fisicamente-torturado-pela-fisioterapeuta-sádica.

 

Não eram opções agradáveis:
 

- Você disse que voltaria sábado que vem... – a mulher sussurrou. – e eu sei que essas coisas são imprevisíveis, não me trate como idiota!

Não conseguia realmente entender o que o pai dizia do outro lado da linha mas se o conhecia direito ele estava tentando fazer as coisas parecerem melhores do que realmente eram:

- Minato ele se machucou de verdade mas mesmo assim não quer ir pra casa. Se isso não tem a ver com o fato de termos nos ausentado por tempo demais, eu não sei o que tem!

Silêncio.                                                                                          

Naruto queria contrariar a mãe e dizer que estava tudo bem, mas sabia que se mexer naquele momento só iria piorar a situação:

- Eu sei que não é sua culpa, mas não vou força-lo a passar um mês trancado sozinho em casa, só posso tirar duas semanas de férias... – ela respirou fundo, estava irritada – Olha... Quer saber? Está tudo bem. Não vamos brigar agora.

Aproveite a chance e fique quieto pai – implorou ainda de olhos fechados – não leva essa discussão pra frente

Mas era claro que eles iriam continuar:

- Não acredito que disse isso! Eu sei muito bem a idade dele, e também sei o motivo dessa briga! Faz um bom tempo que só nos conformamos ao invés de fazer qualquer coisa à respeito.

Velho idiota...

A voz no telefone pareceu mais alta e a mãe finalmente parou de sussurrar:

- Você só esquece que o meu trabalho é tão importante quanto o seu, estou fazendo o melhor que posso!

Naruto se mexeu na cama e gemeu de dor, não iria mais ouvir aquela conversa:

Kushina respondeu um "te ligo depois" antes de desligar o celular, estava ao lado da maca quase no mesmo instante:

 - Filho... tudo bem? Eu acordei você?

- Não... – mentiu – só estou com dor nas costas.

A mulher sorriu cansada e correu os dedos pelo cabelo loiro, afastando do rosto:

- Desculpe pela briga... – pediu tocando a bochecha quente - Seu pai vai passar mais um tempo fora.

Ele balançou a cabeça:

- Não quero que se preocupem comigo, por isso prefiro ficar com o Itachi e o Sasuke. Eu gosto de passar as férias lá.

Ela afastou o próprio cabelo dos olhos:

- Depois conversamos sobre isso –  respondeu, enchendo um copo de água – agora descanse.

O garoto segurou a mão gelada da mãe:

- Promete que vai pensar... – implorou manhoso – por favor?

Kushina riu:

- Amanhã. Agora beba e volte dormir. - ela disse firme, se sentando na cadeira de acompanhante.

Em sua defesa ele havia realmente tentado obedecer quando se acomodou e fechou os olhos, em partes por que estava cansado mas principalmente porque sabia o quão esgotada a mãe estava. Ela passava o tempo todo por perto mesmo quando Ita se prontificava a ajudar e, como se isso não fosse o bastante, estava tendo o maior trabalho pra estender as semanas de férias, dobrando plantões e cobrindo horários vazios.  

Naruto não se arrependia de ter voltado pra floresta e salvado Hinata mas não conseguia deixar de pensar o quanto tudo seria mais fácil se ele só não tivesse se machucado ou se, pelo menos, tivesse se machucado durante o período letivo, assim não teria que voltar pra casa e o drama todo seria menor.

Como não podia se virar sem sentir dor permaneceu deitado de costas por um bom tempo, até que finalmente percebeu que não conseguiria dormir tão cedo e desistiu de continuar fingindo. A mãe já havia saído pra ronda das 3h30 e havia sido tão silenciosa que ele nem havia notado. As vezes se esquecia que ela recebeu o mesmo treinamento que ele recebia agora.

Pegou o celular na mesa ao lado:

[03h47] Naruto Uzumaki: Está acordado?

No fundo, ainda acreditava que a pior parte de tudo aquilo era perder parte das férias dentro do hospital.

Seus amigos visitavam e se esforçavam pra tornar os dias um pouco mais fáceis mas a verdade é que, apesar de todo o trabalho com a Fisio, só poderia fazer o teste físico no sábado e se não passasse continuaria preso lá dentro igual um velho de oitenta anos:

SASUKE-TEME is typing...

Riu sozinho com o apelido idiota salvo no telefone:

[03h51] SASUKE-TEME: O que você quer?

[03h51] Naruto Uzumaki: Não consigo dormir.

[03h52] SASUKE-TEME: Quer que eu te cante uma música?

Sentiu a pontada de irritação com a provocação sarcástica que normalmente ignoraria, mas Sasuke não havia aparecido desde a manhã do exame final e quase nunca respondia as mensagens enviadas, sua parte racional dizia pra não tocar no assunto mas quando percebeu já havia digitado e enviado a mensagem:

[03h52] Naruto Uzumaki: Qual é, Sasuke! Continua irritado comigo por causa da prova ou algo do tipo?

Foi depois dessa mensagem que o silêncio do quarto pareceu ainda maior, pois como imaginou que aconteceria, o Uchiha não respondeu. Ele era assim desde sempre e Naruto até poderia insistir, ligar e encher o saco como sempre fazia, mas depois de ter sido tão direto dificilmente conseguiria uma resposta satisfatória.

Se xingou mentalmente. Era só ter puxado algum assunto idiota e leve que agora não estaria acordado sozinho as 04h00 da manhã, remoendo assuntos sob os quais não tinha controle algum.

Em menos de duas horas já havia presenciado a briga dos pais e agora estava sendo poeticamente ignorado, aquela madrugada estava começando a ficar longa demais.

Se virou de lado com dificuldade.

Talvez esse fosse um daqueles casos em que, depois que a situação caótica passa, a pessoa percebe o quão irritada realmente está e agora Sasuke o odiasse por fazê-lo perder o primeiro lugar; Talvez ele houvesse repensado a história da floresta e não acreditasse mais na sua versão dos fatos; Ou talvez ele estivesse simplesmente agindo como o grande pé-no-saco que era.

De qualquer forma, não importava. Estava realmente tarde - quase cedo, pra falar a verdade - e Naruto Uzumaki se permitiu ser tão egoísta quanto uma pessoa nas suas condições podia ser e colocou os pais, os amigos e até a própria dor de lado, iria ignorar tudo isso só até de manhã. Fisicamente se sentia um caco e, se tinha algo que podia fazer pra que aquela noite não acabasse pior do que já estava, era evitar ao máximo gastar suas energias tentando encontrar soluções pra todos os problemas que tinha naquele momento.

 


Notas Finais


Oi pessoal, esse foi o capítulo 4! Queria agradecer pelos novos favoritos e pedir desculpa pelas ~quase três semanas sem postar, esperei o ENEM passar (e foi por culpa dessa maldita prova que esse cap ficou tão fraco :[ ) mas o próximo já está praticamente pronto vem logo, provavelmente amanhã ou na Quinta-feira (Quarta tenho UNESP x.x), tenham um pouquinho de paciência comigo nesse mês cheio de vestibulares! ahahahaha Hoje não teve Mini-Dicionário da Fic porquê não usei nenhum termo novo, mas se algo ficou confuso é só chamar minha atenção nos comentários e a gente adapta melhor >//< Obrigada pelos reviews (tanto os coments quando as mensagens) e esperem pelo próximo cap porquê nosso SasuNaru começa se desenvolver nele!

Até a próxima!


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