História Projeto Huang Renjun - Capítulo 3


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Haechan, Jaemin, Jeno, Mark, RenJun
Tags Donghyuck, Jeno, Mark, Markhyuck, Nct, Nct Dream, Noren, Renjun
Visualizações 152
Palavras 2.393
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura <3

Capítulo 3 - Nova chance


Estou parado no mesmo lugar há mais de dez minutos. Já são três da tarde, a aula acabou há mais de uma hora. Eu e Renjun fizemos o mesmo caminho juntos depois de três meses sem nos encontrarmos, e eu não podia estar mais triste.

Quer dizer, eu devia estar feliz?

Toda essa melancolia e saudosismo dentro de mim estão me impedindo de colocar um sorriso sequer em meu rosto. Nós não conversamos, nenhum assunto parece existir entre nós, tudo o que penso em dizer parece afiado, perigoso demais para ser dito, até mesmo um "o céu está bonito hoje".

Nunca fui bom em lidar com sentimentos assim, talvez seja por isso que me tornei alguém tão perturbado após precisar começar a enfrentar coisas desse tipo tão repentinamente.

Estou imóvel em frente à casa de Renjun. Sua mãe já havia ido à janela acenar para mim duas vezes, mas em nenhuma delas veio abrir a porta para que eu entrasse. Quando cheguei mais cedo, Renjun ao menos se despediu antes de entrar.

Ele claramente quer evitar que fiquemos sozinhos, talvez haja muitas coisas passando por sua cabeça, assim como está acontecendo comigo.

Mais uma vez, a cortina se mexe. A sala da casa dos Huang tem uma enorme janela, tampada por um enorme tecido grosso e bonito da cor do pôr do sol. Ali, vejo o rosto do meu melhor amigo. Ele não parece feliz, mas também não está bravo.

Eu nem mesmo sei porque estou parado aqui, mas quando vejo Renjun acenar para que eu vá embora, finalmente consigo mexer minhas pernas. Eu aceno de volta, mas ele logo some de vista, como se tivesse pressa para desligar o fogão ou recolher a roupa do varal.

Não consigo evitar me sentir machucado com isso, tenho saudades, mas parece que há algo entre nós que me impede de matá-las.

Minha casa não é longe, apenas preciso caminhar pelas próximas duas ruas, chutando todas as pedrinhas possíveis que encontrei pelo caminho. Olhar para o chão enquanto se anda não é seguro, mas é algo que passei a fazer com frequência.

Parados em frente a minha casa e escorados no muro, amassando completamente a minha caixa de correio, vejo Mark e Donghyuck. Meu amigo canadense está com fones enfiados em seus ouvidos e de olhos fechados, já o outro está encarando o céu, uma expressão desanimada em seu rosto.

— Vai ficar com dor nos olhos, Donghyuck — digo, tentando chamar sua atenção, falhando completamente.

Mark abre suas pálpebras, fitando o outro.

Donghyuck é claramente um caso de preocupação, desde que vinha ficando mais estranho que o normal nas últimas semanas. Ele não fala tanto quanto antes, não responde nossas mensagens e quase nunca presta atenção no que estamos dizendo.

— Por que vocês estão aqui fora? Jaemin já deve estar lá dentro, ele tem a chave reserva.

— Toquei a campainha, mas ninguém atendeu. Ele deve ter dormido.

— Inacreditável — balanço a cabeça, enfiando a mão no bolso e tirando dele o meu molho de chaves recheado de chaveiros.

Minha casa é térrea e pequena, mas possui um bonito jardim na entrada, com um mini lago cheio de carpas. Minha mãe passa mais tempo cuidando delas do que fazendo o cabelo ou pintando as suas unhas, é o seu paraíso pessoal e refúgio em tempos ruins.

Todos nós largamos nossos sapatos de qualquer jeito no hall, mas eu sei que mais tarde precisarei voltar para arrumá-los antes de anoitecer. Não ofereço nada, apenas me jogo no sofá, ao lado de Jaemin, que na verdade está apenas assistindo a um vídeo em seu celular com fones de ouvido.

Mark e Donghyuck se dirigem à cozinha, estão acostumados a sempre fazerem isso em todas as vezes que vêm aqui em casa. Esses encontros se tornaram mais comuns após o incidente com Renjun, e agora eles até mesmo sabem onde ficam os talheres e copos.

Minha cabeça dói um pouco, estou exausto desse dia incrivelmente louco. Não aconteceu nada fora do normal, mas apenas pensar em tudo já o suficiente para me deixar esgotado.

É como se Donghyuck lesse meus pensamentos, pois em pouco tempo ele aparece segurando dois copos d'água. De um dos bolsos da calça, ele retira dois sachês de café solúvel.

— Eles já são adocicados — diz baixo, me entregando meu copo.

— Obrigado — sussurro, sentindo o aroma do líquido.

Jaemin se livra de seu celular, e em breves segundos ele já está deitado com a cabeça em meu colo. Mark e Donghyuck estão sentados no outro sofá, o primeiro com os pés apoiados sobre a mesa e o olhar perdido, já o segundo apenas encara o seu próprio copo de café. Eu apenas observo todos.

É evidente que todos estamos cansados. O único som aqui é o que provinha do ponteiro maior do grande e antigo relógio que temos na sala. É um pouco deprimente demais.

— Vocês não vão comer? — tento puxar algum assunto.

— Se eu colocar algum pedaço de comida na boca, acho que vou vomitar tudo depois — Jaemin responde.

— Meu estômago está do avesso, acho que estou sem fome. Você nem deveria estar bebendo isso, Donghyuck — Mark dá o seu parecer, resgatando o copo da mão alheia, o colocando sobre a mesa.

Donghyuck não se opõe, ele morde os próprios lábios e se encolhe no lugar, abraçando uma almofada. Parece estar pensando em algo.

Sem que combinássemos nada, todos passaram a encará-lo. Não queríamos intimidá-lo, apenas estamos desesperados pelo momento em que essa tensão toda pararia de nos esmagar assim.

— Jeno...

— Sim?

— Mais cedo... No pátio. Você disse que queria conversar sobre aquilo.

— É verdade. Você até mudou o nome do nosso grupo para "Projeto Huang Renjun", mas nem explicou o que é isso — Jaemin fala.

Oh, é mesmo... De repente, me pareceu uma boa ideia criar um grupo separado no KakaoTalk, onde todos, menos Renjun estão presentes.

— O que você tem em mente?

A voz de Donghyuck está trêmula, e isso me deixa inseguro de continuar essa conversa. Não quero que ele chore mais, e também não quero que briguemos por qualquer motivo que seja. Devemos ficar unidos, mas eu não tenho tanta confiança assim no que penso e digo.

— Diga. Sem medo.

Meu olhar se cruza com o de Mark. Ele parece saber exatamente o que eu estava pensando.

— O Renjun... Quis ir embora. Ele ao menos quis se despedir de todos nós, apenas se rastejou sob as nossas vistas e tentou escapar dessa droga que chamamos de vida.

— Não exagere...

— Jaemin, você acha que ele fez isso por nada? É óbvio que havia algo de errado.

— Isso não significa que é a nossa culpa.

— Eu nunca disse que era, sim? Nenhum de nós imagina o que se passava e o que se passa na cabeça do nosso Renjun. Eu pensei que estava tudo bem no fato dele ser quieto demais perto de nós, ele sempre foi assim, eu achei que...

— Todos achamos que estava tudo no seu devido lugar. Isso não inclui apenas você, Jeno. Nós quatro somos amigos do Renjun, e mesmo que você o conheça há mais tempo, nós gostamos e nos preocupamos com ele tanto quanto você.

— Eu sei, Mark.

— Então pare de incluir apenas você no discurso. Você está arrastando toda responsabilidade dessa merda para você, e combinamos que as coisas não seriam assim.

— Deixa ele falar, Mark — Donghyuck se intromete, me fazendo respirar aliviado.

Quando Mark começa a falar, ele não sente pena de esmurrar quem quer que seja. Na situação em que estou, quero fugir de sua mira.

— Hum... Durante esse tempo eu estive tentando pensar em um motivo plausível para que Renjun não quisesse mais estar ao nosso lado. Mas eu também pensei que talvez esse não seja o caso.

— Oi? Como assim? — Jaemin faz uma careta para mim, e eu aperto de leve o seu nariz, o fazendo dar uma risada curta.

— Talvez Renjun não se ache necessário aqui.

— Está dizendo que é nossa culpa? — Mark bufa.

— Cala a boca, Mark! — um grito por parte de Donghyuck assusta todos nós.

Todos ficamos chocados. Donghyuck nunca levantou a voz, ele geralmente apenas faz isso quando ri alto demais, mas dessa vez ele veio para nos surpreender. E dessa vez, ele soou mais rude do que nunca.

Renjun parece estar testando todos os nossos limites, e infelizmente o de Donghyuck já havia sido atingido há muito tempo.

Mark se encolhe em seu lugar, nós sabemos que ele está chateado. Ele cruza os braços e vira o rosto para a janela, fingindo estar interessado na claridade da área de serviço da casa.

— Continua, por favor, Jeno.

— Não quer ir tomar uma água?

— Eu estou bem, de verdade.

Ah, é tão óbvio que você está bem, você jamais esteve tão bem, Donghyuck — a voz sarcástica de Mark é irritante o suficiente para fazer com que Donghyuck se levante de onde está e se esprema no mesmo lugar que eu e Jaemin.

O clima está mais do que desconfortável. Irrevogavelmente há algo de estranho acontecendo entre esses dois, e esse empecilho não está pensando duas vezes antes de atrapalhar mais ainda a nossa difícil conversa.

Não quero me meter em seus assuntos, mas isso já está passando dos limites.

— Eu não sei o que há com vocês hoje, mas desde manhã parece que todo mundo está tentando testar a minha paciência! — digo alto. — Vocês dois nunca brigaram antes, mas vão decidir fazer isso logo agora? Logo agora que precisamos estar todos juntos para ajudar Renjun? Não posso fazer isso sozinho, você próprio acabou de dizer que combinamos dividir esse peso, Mark. Então por que estão brigando assim?

— Eu estava te defendendo, Jeno!

— Eu sei disso, Donghyuck. E também sei que Mark não disse nenhuma daquelas coisas para estragar o nosso dia. Reconheço que todos temos as nossas diferenças, mas será que apenas por agora podemos esquecê-las? Podemos nos concentrar em Renjun? Apenas nele, e em mais nada. Nosso amigo está de volta, não podemos deixá-lo ir novamente.

— Como diabos você vai fazer um suicida simplesmente querer viver, Jeno? Você imagina a complexidade desse assunto? — Mark diz, soando desesperado.

— Eu não preciso saber a complexidade disso. Não estou nem aí. Eu não preciso estudar anos de medicina, psicologia, psiquiatria e mil outras coisas para saber que o nosso dever é não deixar que Renjun fique sozinho.

— Não é tão simples assim.

— Deixe de ser cético apenas por cinco minutos, Mark! Renjun esteve ao nosso lado por todos esses anos, mas nós não estivemos lá por ele! Quantas vezes Renjun nos contou sobre como ele se sentia? O que ele pensava das coisas?

— Mesmo que perguntássemos mil vezes, ele nunca nos respondeu. Por que agora seria diferente?

— Mark, é exatamente isso. O agora é diferente. O pior dos segredos de Renjun veio à tona, agora todos temos consciência de que há algo ruim dentro dele. Nós não tivemos a chance de ajudá-lo antes, mas se ele ainda está aqui, então a temos.

— E se não conseguirmos?

E se.

Essa maldita frase.

Essa maldita insegurança que me perseguiu e me impediu de ajudar meu melhor amigo, de correr até ele no hospital ou bater na porta de sua casa, de puxar assunto enquanto caminhávamos juntos para casa ou de tocar a campainha e pedir para passarmos o dia juntos, como já fizemos várias outras vezes.

Eu não posso deixar que meus amigos se deixem levar por isso.

O e se que se foda.

— E você vai fazer o que então? Ficar sentado, esperando ele correr até a ponte mais próxima e pular? Ficar preso em casa, gastando todos os seus neurônios com pensamentos e medos idiotas, imaginando o que pode acontecer quando você nem mesmo colocou o pé para fora de casa? Vai ficar se culpando até que aconteça algo pior e você se culpe mais ainda? Apenas vai esperar ele ir embora diante de nossos olhos novamente?

— Jeno... — Jaemin segura em meu braço, me fazendo parar de falar.

Eu não percebi quando, mas meus olhos estão molhados, e por algum motivo desconhecido eu estou chorando. Meu peito dói, e parece que a dor daqueles três meses voltou duas vezes mais forte.

Sinto alguém me abraçar, e sei que é Donghyuck por conta dos soluços escandalosos que ouço. Nós todos estamos desestabilizados.

— Nós não vamos ficar parados. Não mais. A partir de agora, qualquer movimento é válido, desde o mais delicado até o mais arriscado. Renjun precisa entender como é a nossa vida sem ele aqui.

— N-Não existe v-vida sem o R-Renjun.

— É isso que ele precisa entender, Hyuck — rodeio seu ombro com um dos meus braços. — Ele precisa entender que é importante e que faz diferença por aqui. Renjun ainda não conseguiu compreender que ele não pode simplesmente decidir ir embora pelas nossas costas. Mark.

— S-Sim? — meu amigo pisca os olhos diversas vezes, um pouco atrapalhado.

É óbvio que ele está deslocado. De fato, eu nunca achei que fosse capaz de dizer coisas como as que eu disse, estou mais do que surpreso comigo mesmo, mas também estou preocupado com o que Mark pode estar pensando ou sentindo.

Poucas são as vezes que alguém consegue calá-lo, mas eu não quero que ele pense que estamos brigados ou algo do tipo, já que essa é a última coisa que precisamos por aqui.

Desprendo Donghyuck de mim e empurro Jaemin para longe com cuidado, me levantando e arrastando os pés até o outro sofá, praticamente me jogando sobre esse idiota que eu chamo de amigo.

Nunca nos abraçamos, mas eu sinto que este é o momento exato para demonstrar afeto.

E quer saber? Não é tão ruim assim.

Eu sinto que ele está prestes a chorar, e talvez ele me agradeça mais tarde por ser a barreira que impede que os outros vejam essa cena vergonhosa que é o seu rosto vermelho e inchado.

Essa foi verdadeiramente a conversa mais louca, desgastante e cansativa que já tive em minha vida, e talvez se eu quiser seguir em frente com esse projeto eu tenha que enfrentar muitas outras dessas.

Não posso mentir que é um pouco desanimador, ainda não me acostumei com esse meu novo lado sentimental e compreensivo, mas pensar que estou fazendo isso para aproveitar a nova chance que Renjun nos deu, faz com que eu mergulhe de cabeça nesse abismo sem pensar duas vezes.

Afinal, se é por Renjun, então tudo vale a pena.


Notas Finais


Bom, é isso! Se preocupem com todos os seus amigos, mesmo que você seja mais próximo de uns e distantes de outros. É importante cuidar de todo mundo e sempre estar junto <3


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