História Projeto Huang Renjun - Capítulo 7


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Haechan, Jaemin, Jeno, Mark, RenJun
Tags Donghyuck, Jeno, Mark, Markhyuck, Nct, Nct Dream, Noren, Renjun
Visualizações 177
Palavras 3.914
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, bebês! Quero agradecer por todo carinho que vocês estão dando para a história, embora eu não esteja atualizando ela com muita frequência... Escola, vestibular, vocês entendem um pouco, não é?

Eu demoro um pouco para escrever os capítulos de PHR, eles são um pouquinhos complicados TT

Esse capítulo é um pouquinho especial pra mim, eu gosto de verdade dele, eu espero que todos gostem também~♥

E me desculpem por não estar respondendo os comentários, eu não tô tendo muito tempo livre, e prefiro deixar acumular pra elaborar uma resposta mais bonitinha depois, eu leio todos com muito carinho e atenção, ok? Cada palavrinha de vocês me importa e me incentiva MUITO

Boa leitura ♥

Capítulo 7 - Hoje


 Em algum momento, enquanto eu estava no ginásio, uma das garotas da qual eu gostei uma vez me disse: "Ei Jeno, você é um pouco covarde, não acha?"

 Eu não entendi o seu ponto de vista. Eu pedi a Renjun que a entregasse uma carta, na qual eu a convidava para dar uma volta pelo bairro e tomar sorvete de pistache na sorveteria da esquina. Nós tínhamos apenas doze anos, e mesmo assim eu fui taxado de covarde.

 Demorei alguns anos até que finalmente entendesse a razão pela qual aquela garota bonita de cabelos cacheados, com uma mente madura demais, me disse tal coisa.

 Para alguns – e hoje reconheço que estou incluso nisso – é incômodo receber o recado de terceiros. Saber uma notícia ou receber algum presente em nome de outra pessoa é compreensivelmente irritante, além de, em certas ocasiões, nos sentirmos expostos.

 Afinal, eu havia contado sobre todas as minhas intenções sobre aquela garota para Renjun, e é óbvio de que ela estava ciente disso no momento em que me rejeitou e disse aquelas palavras.

 Mesmo que eu não me orgulhe disso, a covardia é uma pequena migalha que está incrustada dentro de mim, que vem me atrapalhando ao longo dos anos. Eu me incomodo, e sinto necessidade de me livrar dela, mas ela própria me atrapalha nas horas em que devo tomar uma iniciativa para exterminá-la.

 Se não fosse minha covardia, eu jamais teria passado por tantas situações incômodas, nas quais eu engoli mais de mil palavras por me faltar forças para dizê-las. Ficar apenas ali, encarando a pessoa e imaginando como a situação seria caso eu dissesse o que realmente queria. Todo mundo já passou por algo do tipo.

 Hoje é até mesmo um pouco poluído de respirar com tantas palavras atrofiadas dentro de mim.

 De certa forma é triste dizer isso, porém, Renjun e sua desagradável surpresa foram as causas principais e o empurrão que faltava para que eu finalmente mudasse esse meu ponto negativo. Ultimamente, disse coisas as quais nunca imaginei que um dia seria capaz de dizer.

 Sempre fui calado, e agora sou um dos que mais fala, mesmo que a chance de estar errado seja altíssima.

 Meu melhor amigo não quer que eu o trate com diferença, e isso me faz enxergar que talvez eu deva tratar eu próprio diferente. Não posso tratar Renjun como um anormal, mas a ideia de deixar as coisas exatamente como antes me incomoda.

 Antes, havia algo de errado.

 Agora, não pode haver algo de errado.

 Eu quero que Renjun continue no mesmo lugar onde está agora, eu não quero que ele vá a lugar algum, mas eu não consigo encontrar respostas do que eu deveria fazer para que ele aceite ficar. Todos concordamos em sermos mais presentes para ele, mas ainda me parece imperfeito.

 Para mim, existe algo de errôneo, e esse algo não está em Renjun. Por que ele precisa ser o único a mudar? Desde o início é claro que não apenas ele está incluído nessa história, e sim todos nós.

 E depois de ouvir o que Renjun tinha a dizer, eu tive a certeza de que eu devo ser mais generoso comigo mesmo e, também, com ele. Agora é claro que a maneira com que venho me cobrando mais está atrapalhando do que verdadeiramente ajudando.

 Nossa conversa não durou pouco tempo dentro do banheiro, e ainda passamos algum tempo sozinhos, cada um com os seus pensamentos. Não foi desagradável ficar quieto, sentado sobre a pia ao lado de Renjun; isso apenas me relembrou os velhos tempos.

 Agora, estamos na quarta aula. Nós ainda não tornamos a falar sobre o que eu queria ter contado antes – na verdade, não achei uma maneira adequada de introduzir o assunto.

 Hoje, incrivelmente, Jaemin alugou Renjun para uma conversa, e eles apenas pararam quando a professora de biologia os interrompeu para que explicasse sobre o trabalho em dupla que faríamos na aula.

 Tentei falar com Renjun algumas vezes, mas minha voz acabava saindo baixa demais, e ele realmente estava concentrando em ouvir Jaemin falando sobre o seu último encontro com Jisung, quando viajou para Ulsan para vê-lo. Eu, sinceramente, já não aguento mais ouvir sua narração sobre o momento em que deram as mãos pela primeira vez, mas, justamente hoje, irritantemente Renjun se interessou pela história.

 Eu apenas voltei a ser o seu foco quando ele arrastou sua carteira até ao lado da minha para fazermos o trabalho. Renjun sentou-se e deitou o corpo sobre a mesa, apoiando a cabeça sobre sua mão direita enquanto me encarava.

— Por que está emburrado?

 Continuo concentrado em encarar a janela; minha cabeça também está apoiada em uma das mãos, e eu estou quieto há um tempo. Se Mark e Donghyuck não tivessem resolvido ficar mais próximos de uma hora para outra, eu provavelmente teria com quem conversar.

— Eu não estou emburrado.

— E esse bico está na sua cara só de enfeite, não é? — Renjun está soando irônico, mas ele solta uma risada após eu direcionar um olhar irado em sua direção. — É, você está emburrado. O que foi?

— Não é da sua conta — droga, não era para eu ter dito isso.

 Ao contrário do que imaginei, Renjun não pareceu ficar bravo com o que eu disse. Ele deu de ombros, balançando a cabeça e procurando por algo debaixo da carteira. Mais tarde, descubro que era apenas o seu caderno.

 Nós permanecemos sem trocar palavras pelos próximos cinco minutos. Preferi ficar em silêncio enquanto meu amigo copiava os textos da lousa com caneta colorida em uma folha. Ambos sabemos que é permitido usar apenas caneta preta em trabalhos que devem ser entregues, mas não é como se discutir com Renjun adiantasse alguma coisa.

— Essa caneta cor de rosa é nova?

— Sim... — responde baixo, concentrado em fazer um desenho. — Mas a roxa continua sendo mais bonita. Quer usar?

 Eu balanço a cabeça, negando. A pequena célula vegetal que está sendo desenhada se parece mais com a cabeça de um alienígena do que com o desenho que está estampado na lousa. Renjun nunca foi bom com desenhos, de qualquer maneira.

— Hum...

— Pode perguntar, Jeno. Preciso falar de novo?

Ah... Não, só estava pensando no que dizer primeiro.

— Então você estava mesmo emburrado por eu ter ficado conversando com Jaemin? — ri baixo, não desgrudando os olhos do papel.

 Por que Renjun parece tão bonito assim concentrado?

— Eu não estava emburrado, só... Cansado. Mark e Donghyuck também me deixaram de fora, não foi culpa de vocês dois, de qualquer maneira.

— Eles estão um pouco mais próximos, não? Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora?

— Hum... — tento pensar em alguma coisa, mas enquanto repasso as poucas memórias que tenho guardadas na cabeça, nenhuma parece ser diferente do normal. — Não que eu tenha visto. Mas... É. Eles estão agindo um pouco estranho mesmo.

— Há muito tempo?

— Não. É recente... — coço a nuca; agora é um bom momento para eu puxar assunto. — Renjun.

— O quê?

— Você e Donghyuck saíram ontem.

— Hum... Isso é uma afirmação? — me olha de soslaio, e eu meneio a cabeça. — Saímos. Ele quis ir assistir a uma animação no cinema e comer dois baldes de pipoca.

— Foi legal? — pergunto, sentindo algo estranho dentro de mim após dizer isso.

 Eu nunca faço perguntas desse tipo.

 Renjun demora a responder, e quando o faz, para de prestar atenção nas anotações apenas para me encarar.

— Foi. Por que a pergunta? Quer saber sobre o que falamos?

— O quê?! Não! — ergo as mãos, as balançando no ar. — Não é isso. Eu só quis ser educado.

— Você queria conversar sobre isso mais cedo? Eu acabei não deixando você dizer o que queria.

— Não... É que aconteceu... Uma coisa — desvio o olhar, fitando as minhas mãos entrelaçadas sobre a mesa. — Logo que eu cheguei.

— Tem algo a ver com a professora de biologia?

— Não. É sobre a Dra. Oh.

Ah? Como assim? Você sabe por que ela não está aqui hoje?

— Eu tenho quase certeza de que ela anda conversando com alguns alunos...

Como é?! — a voz de Renjun é estridente, os seus olhos até mesmo se abrem mais que o normal.

 Discretamente, olho em volta, percebendo que vários alunos estão nos encarando, inclusive a professora. Eu dou um sorriso amarelo para ela e silenciosamente peço desculpas pelo barulho.

— Querem compartilhar algo com o resto da sala, Huang Renjun e Lee Jeno?

— Está tudo bem, professora — eu respondo.

 Ela me lança um olhar desconfiado, mas volta a prestar atenção na lousa, continuando a escrever e fazer os seus desenhos bem treinados ao longo dos anos de profissão.

 Suspiro, aliviado, voltando a olhar para Renjun. Ele está mordendo a tampa da caneta, uma expressão pensativa no rosto.

— No que está pensando?

— Minha mãe prometeu que ela não faria isso. O que ela está dizendo para os outros? — pergunta baixo, conversando consigo mesmo. — Como você sabe disso? Você ouviu? — volta sua atenção para mim.

 Respiro fundo. Não posso ficar quieto, preciso contar a ele.

— Hoje ela pediu para conversar comigo quando eu estava na sala dos professores. Acho que ela ainda está lá.

 Ele me encara, e eu não consigo dizer o que ele está sentindo. Não é raiva ou tristeza, mas suas íris estão brilhando. Eu não faço a mínima ideia do que ele está pensando, mas quando ele abre a boca, parece estar aflito:

— O que ela te disse?

— Ela não disse nada sobre você, só que queria ajudar — baixo a cabeça, mantendo o tom da minha voz no mínimo, apenas para que nós dois sejamos capazes de ouvir o que estou dizendo. Não seria bom para nenhum de nós se alguém ouvisse a nossa conversa ou que a professora nos castigasse. — Renjun... Ela é a sua psicóloga há quanto tempo?

— A Dra. Oh não é a minha psicóloga.

— Como? — fico surpreso; mas oras, que história é essa?

— Ela só começou a me seguir para todos os lados, nós nunca conversamos diretamente. Eu não gosto dela, ela nunca se apresentou diretamente a mim e age como se fosse dona da minha vida, anotando e fofocando para a minha mãe.

— O que ela disse para a sua mãe?

— Jeno, ela criou um perfil falso no Twitter e me seguiu para saber que horas eu vou dormir! Minha mãe quase me enforcou quando ficou sabendo sobre eu ir dormir quase todos os dias às três da manhã!

— Que horror — resmungo. — Por isso você deixou de usar?

— Eu entrei duas vezes nos últimos três meses e, mesmo assim, quase fiquei sem celular por causa dela — suspira, passando a mão pelo cabelo, frustrado. — Ela faz parte da equipe médica que... Cuida de mim.

— Você está cansado deles, não está? — minha pergunta soa como uma afirmação, e eu uso um tom desanimado e afetado, o que causa um suspiro em Renjun, que assente. — Quer ir em casa?

— Eu tenho uma consulta no hematologista hoje.

— Hematologista? — me assusto com a palavra.

 Que diabos de médico é esse?

— Minha mãe me faz tomar algumas vitaminas — coça a nuca, claramente incomodado. — Então sempre faço exames de sangue e levo para ele ver.

— Sempre?

— Há quase três anos, Jeno.

— Três anos?! — como é possível que eu viva grudado em Renjun e apenas esteja sabendo sobre isso agora? — O que mais você esconde? Você é o Batman?

— Só se você for o Robin — responde divertido, sorrindo pequeno.

 Eu não acho graça, então continuo sério. Renjun engole seco, voltando a copiar a lição da lousa contra a sua vontade.

 Penso que ele não vai voltar a dizer alguma coisa tão cedo, mas vejo que estou enganado, já que enquanto faz outro desenho, volta a sussurrar para mim:

— O que você contou a ela?

 Então ele está preocupado com isso?

 Poucas vezes eu enxerguei Renjun como alguém vulnerável da maneira como estou o vendo agora.

 Quando éramos pequenos, tentamos aprender a andar de bicicleta sozinhos, assim como aos nossos quatorze anos, tentamos aprender skate, e, em ambas, Renjun caiu e se machucou. Ele chorou quase instantaneamente nos dois acontecimentos, e eu apenas fiquei com cara de tacho, chocado por vê-lo dessa maneira.

 A verdade é que, algumas vezes, meu melhor amigo se parece com um gatinho arisco que tem medo do mundo. Ele não gosta de sentir dor, não gosta de frio, não gosta de ficar sozinho. Quando está desconfortável, foge e se esconde; quando se sente ameaçado, fica em alerta e ataca os outros com suas garras; quando se sente cansado, quer estar longe dos problemas e dormindo em um lugar confortável.

 Desde sempre é óbvio para mim e para os meus amigos. Renjun, de fato, se esconde atrás de uma máscara de palavras afiadas, mas depois de um tempo de convivência, ele se torna o seu companheiro calmo e silencioso, mesmo que algumas vezes ainda seja afiado.

 Vê-lo agora, encolhido, pensativo e inseguro, me faz pensar nisso novamente: que Renjun precisa de descanso, pois, para ele, estar confortável é essencial. Para ele, é uma necessidade estar confiante.

— Eu não contei nada a ela. Eu a disse para esquecer e não tentar mais nada comigo.

— Mesmo? Só isso? — se virou para mim.

 Posso ver um pouco de suspeita em seu olhar.

Errr... Eu meio que falei algumas coisas, mas não sobre você. Eu só disse algo que me veio à cabeça.

— E esse algo era...?

— Eu falei que você não gostava disso. E nem ninguém.

— Disso o quê? — pisca, confuso.

— Dela... Em cima de você. Analisando os nossos movimentos, anotando cada palavra. Mas não é como se isso fosse mudar o pensamento dela.

— Você enfrentou mesmo uma psicóloga formada na Universidade Nacional de Seul? — arqueia a sobrancelha, me fazendo gelar.

 Eu não sabia disso!

— Como assim? — digo de olhos arregalados. — Ela é formada lá?

— Sim, com pós-graduação, especialização e tudo mais.

 Droga... Eu realmente devo ter parecido um idiota resmungando em sua frente. Renjun provavelmente está imaginando isso, e por isso está sofrendo tanto para segurar a sua risada.

— Não estou vendo graça, eu só estava te defendendo — resmungo, virando o rosto para o lado contrário do dele.

— Que fofo! Nem parece o Jeno de verdade — respira fundo, limpando os cantos úmidos de seus olhos.

 As suas bochechas estão avermelhadas pelo esforço de segurar a risada e, droga, isso é um pouco adorável. Por que estou pensando nisso?

— Você não vai terminar de copiar isso?

— Não quer que eu te conte sobre o que eu e Donghyuck conversamos?

 Mordo os lábios, nervoso. Eu não deveria estar sendo curioso a essa altura do campeonato.

— Eu sei que você quer, uh? — pisca para mim, sorrindo pequeno.

 Por que ele está sorrindo tanto?

— Eu não quero... — por incrível que pareça, eu, Lee Jeno, fiz um bico por vontade própria.

— Não acredito que você está agindo igual a uma criança mimada, Jeno — dá risada, balançando a cabeça. — Na saída, eu vou demorar um pouco. Pode me esperar?

 Eu assinto. Não quero dizer mais uma palavra e ter a chance ser zoado de novo por Renjun. Essas brincadeiras parecem me afetar mais do que antes, ainda não entendo porque fiquei tão envergonhado assim.

 Definitivamente, não estou agindo como uma criança.

 

[...]

 

 Renjun está atrasado.

 Quero dizer, ele está muito atrasado. Quando disse que iria demorar um pouco, eu imaginei que seriam dez minutos ou um pouco mais do que isso, mas na verdade já são quase duas e meia e ele ainda não apareceu.

 Não acredito que estou esperando há meia hora!

 Meu celular está sem bateria, estou sentindo fome, sono e sede. Durante o intervalo, a única coisa que comi foi uma das bolachas integrais que roubei do pacotinho pequeno de Jaemin, enquanto ele estava ocupado demais conversando.

 Mesmo que eu tenha ficado contente mais cedo por Renjun ter pedido para que eu o esperasse – ao invés de me mandar ir embora sem ele –, agora, estou começando a me arrepender um pouco de ter dito que o esperaria. Onde raios esse menino se meteu?

 Respiro fundo mais uma vez, apertando a parte do nariz entre meus olhos, torcendo para que minha cabeça parasse de doer um pouco.

 Ouço alguém se aproximar e, quando abro as pálpebras, vejo que Renjun está vindo, saltitando pelo pátio. Ele me lança um sorriso pequeno, mostrando não estar com a consciência nem um pouco pesada por ter me feito ficar plantado aqui por meia hora.

 Infelizmente, meu coração é mole, e eu acabo sorrindo de volta.

 Me desencosto do portão empoeirado, passando a mão pela manga da minha camisa, limpando as marcas de sujeira que ficaram sobre ela. Hoje, o clima esquentou tanto que não fui capaz de continuar com o paletó até o final das aulas.

— Sabe com quem eu estava? — ouço a voz de Renjun perguntar.

 Eu e o fito, curioso. Renjun está comunicativo e sorridente hoje, muito mais sociável que o seu normal.

— Com a Dra. Oh?

 Ele faz uma careta.

— Por que eu estaria com ela, Jeno? Eu mais fugiria dessa mulher.

— Não sei em quem pensar — dou de ombros, enfiando as mãos nos bolsos da calça. — Com quem?

— Eu segurei Donghyuck na sala. Eu e o perguntei sobre Mark.

Oh? Você realmente foi atrás dele para perguntar sobre isso?

— Eu estava curioso, de verdade.

— O que ele disse?

Hum... Não sei se posso dizer.

— O quê? — paro de andar, ficando boquiaberto por segundos. — Você falou de propósito só para que eu ficasse curioso?

— Hum... Talvez — continuou a andar, me obrigando a acompanhá-lo. — Quer pegar o ônibus ou ir andando?

— Você não vai mesmo me dizer? — choramingo. — Tem alguma coisa acontecendo com eles? Eles brigaram?

— Não acho que você vá entender o que está acontecendo — responde descontraído, prestando atenção em dobrar as mangas de sua camisa branca, deixando os antebraços claros expostos.

 Meu olhar fica preso em sua pele por algum tempo. Quando levo um pequeno tropeço em uma pequena pedra na calçada, volto a pensar com clareza.

— Mas eu quero saber.

— Não vai rolar, Jeno.

Argh... Ótimo! Que seja. Vocês todos já estão me deixando de fora de qualquer jeito — resmungo com raiva, acelerando os meus passos até o ponto de ônibus.

 Posso ouvir a risada de Renjun atrás de mim e, por alguns instantes, eu quis que ele não estivesse aqui comigo. Renjun parece estar tão diferente, de um jeito bom, mas eu ainda não consegui acompanhar isso.

 Ele está mudado assim por minha causa?

— Então é isso mesmo. Lee Jeno está carente?

— Ninguém conversa mais comigo!

— Foi só hoje, deixa de ser dramático — revira os olhos, empurrando o meu ombro com o seu próprio. — Você está muito sentimental.

 E de quem será a culpa disso, uh, Huang Renjun?

— O ônibus chegou — me levanto, ignorando completamente o que ele havia dito.

 Renjun queria que eu o tratasse como sempre, não? Então assim será.

 Faço questão de bater o pé com força enquanto subo as escadas, recebendo um olhar torto do motorista. Dou um sorriso amarelo e pego meu cartão do ônibus.

— Duas passagens, por favor.

— Mas... — Renjun tenta dizer algo, porém, eu já havia passado pelo sensor.

 Os últimos bancos foram ocupados por nós dois e, dessa vez, mesmo eu sabendo que meu melhor amigo prefere a janela, eu quem me sentei rente a ela. Apoiei a mochila sobre minhas pernas, para que assim eu possa apertá-la, e Renjun teve a mesma ideia.

 Droga, eu estou envergonhado.

— Você não precisava ter pago para mim...

 Permaneço em silêncio, apenas balançando a cabeça, dando a entender que eu não me importo muito com isso.

 Eu... Não estou chateado. Quero dizer, não há motivo algum para isso. Na verdade, estou um pouquinho surpreso por eu estar agindo dessa maneira por apenas ter sido deixado de lado por certo tempo.

 Isso já aconteceu antes, nós somos um grupo de amigos de número ímpar, às vezes acaba por ocorrer que algum de nós fique sozinho. Cada hora acontecia com um nós: ora eu, ora Jaemin, ora Donghyuck, ora Mark, ora Renjun. É natural.

 Mas especialmente hoje isso me irritou um pouco.

 Eu deveria estar aproveitando por Renjun estar de tão bom humor, sorrindo e rindo por motivos pequenos e bobos – ele realmente fica bonito quando faz isso, mas infelizmente parece que ainda não sei como lidar com isso.

 Suspiro e deito minha cabeça contra a janela, usando minha mão como apoio. Não queria estar sendo esse incômodo para Renjun.

— Hum... Oh, eu trouxe algo. Espera aí — ouço meu melhor amigo resmungar. — Aqui! É para você.

 Me desencosto da janela, virando o rosto para o lado. Vejo que em sua mão há uma embalagem pequena de suco, semelhante àquela que comprei na cantina da escola.

— Por que isso? — pergunto, hesitando em pegar a caixa.

— Você me deu a sua ontem.

 Ok... Ele está tentando me devolver um favor? Aquilo foi... Um presente? Sim, com certeza foi um presente.

 E talvez eu deva ser sincero agora.

 Empurro o suco de morango de volta para ele, que me olha confuso.

— Não precisa me retribuir. Eu comprei aquilo para você.

— O-Oi? — pisca os olhos.

— Eu estava na fila com Mark, e só pensei se você queria alguma coisa... — conto, baixo.

 Há duas pessoas sentadas no banco em nossa frente, e um homem está em pé, se segurando nos apoios próximo a nós dois. Estar em um local público e tão exposto assim faz eu me sentir um pouco inseguro de dizer essas coisas.

 Renjun não responde, ele permanece em silêncio enquanto ainda segura a caixa de suco. Eu arrisco a erguer a cabeça e lhe olhar, e fico um pouco surpreso por encontrá-lo com o olhar baixo, parecendo tímido.

 O que está acontecendo aqui?

— Aconteceu alguma coisa? — pergunto.

 Por que ele está chocado?

— N-Nada, Jeno. Por que teria algo de errado?! Eu estou bem, o dia está quente, nem usar esse paletó sufocante eu estou usando! Haha, algo de errado... — balança a cabeça, resmungando mais algumas coisas enquanto abre sua mochila e começa a mexer nos livros dentro dela.

 As suas mãos estão tremendo, e ele deixa a embalagem de suco cair no espaço do banco que há entre nós.

 Renjun está nervoso. Isso é mais do que notório, e essa situação me traz cócegas à garganta. Me sinto em um beco sem saída, a vontade de sorrir é quase insuportável, então eu preciso me virar para a janela e cobrir a boca com a mão.

 Porém, meus olhos me entregam.

— Do que você está rindo, seu babaca?! — ele diz alto, chamando a atenção das pessoas a nossa volta. — Quer perder os dentes?

 Dou uma tosse seca, arrumando a postura no assento e me curvando para o senhor que está nos encarando com uma expressão enfurecida. Eu já havia me esquecido sobre esses ataques repentinos de Renjun.

 Ah, Renjun...

 Você anda me metendo em situações que eu jamais estive em minha vida, e também está se mostrando capaz de fazer tudo o que era rotina se tornar algo um pouco mais significativo para mim.

 Nós apenas estamos sentados lado a lado dentro de um ônibus, suando por conta do calor enquanto usamos nossos uniformes de inverno. Você acabou de gritar comigo e, agora, está me ignorando completamente, apenas porque ficou sem graça por saber que havia recebido um presente, e não somente mais uma gentiliza qualquer minha.

 É a situação mais normal na qual nos metemos nesses últimos dias, e uma das únicas que não me faz relembrar de todo esse pesadelo que estamos vivendo.

 Hoje, eu estou em paz por ter visto seu sorriso e ter ouvido a sua risada.

 Eu queria que hoje durasse para sempre.



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