História Promessa de Amor - Capítulo 17


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Categorias Naruto
Personagens Anko Mitarashi, Asuma Sarutobi, Boruto Uzumaki, Chouji Akimichi, Chouza Akimichi, Danzou Shimura, Darui, Deidara, , Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hashirama Senju, Hidan, Hinata Hyuuga, Hiruzen Sarutobi, Hizashi Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ibiki Morino, Ino Yamanaka, Inochi Yamanaka, Iruka Umino, Itachi Uchiha, Jiraiya, Juugo, Kabuto, Kakashi Hatake, Kakuzu, Kankuro, Karin, Karui, Kiba Inuzuka, Killer Bee, Kisame Hoshigaki, Kizashi Haruno, Ko Hyuga, Konan, Konohamaru, Kurama (Kyuubi), Kurenai Yuuhi, Kushina Uzumaki, Madara Uchiha, Maito Gai, Mebuki Haruno, Mei, Menma Uzumaki, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Mirai Sarutobi, Mito Uzumaki, Mitsuki, Nagato, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Pain, Personagens Originais, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju, Yahiko, Yamato
Tags Boruto Uzumaki, Haruno, Hinata, Menma Uzumaki, Minakushi, Naruhina, Narusaku, Naruto, Sakura, Sasuke, Uzumaki
Visualizações 80
Palavras 4.085
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


:(

Capítulo 17 - Capítulo 16


Fanfic / Fanfiction Promessa de Amor - Capítulo 17 - Capítulo 16

Embora seu corpo ainda doesse, Sakura sorriu ao sair da hospedaria. Eram dores agradáveis, do amor louco que partilhara com Naruto, ela saboreou as lembranças que despertavam.


Tinha certeza que finalmente chegou ao coração de Naruto, que, por fim, acendera bem mais que seus instintos primitivos. Com certeza, nenhum homem poderia dizer palavras tão inebriantes a uma mulher ou fazer amor com ela com tamanha doçura, sem que a amasse. As três palavras que Sakura ansiava ouvir logo viriam. Naruto só precisava de tempo para pensar sobre tudo que acontecera e encarar a verdade. E, se fosse preciso, ela ficaria fora o dia inteiro, para dar a ele esse tempo.


-Então você está viva! - resmungou uma voz grave às suas costas.


Sakura soltou um grito de pavor e fez meia volta. Então, gritou de alegria ao ver quem estava ali.


-Takashi! Graças a Deus! - jogou-se nos braços do primo e cobriu-lhe o rosto de beijos. -Tive medo que aqueles homens horríveis o tivessem matado.


-Foi por muito pouco. Mataram mesmo aqueles dois rapazes que seguiam com a gente. E eu sangraria até a morte, mas fui encontrado por um monge, que cuidou de mim e mandou avisar o pessoal de Donncoil. - Takashi olhou ao redor, tomou Sakura pelo braço e a puxou até um banco em frente à taverna. -Danzou a machucou?


-Não. Não teve tempo, pois Naruto me salvou antes disso. - respondeu Sakura, entrelaçando os dedos de Takashi nos seus, quase receosa de acreditar que ele estivesse realmente ali, ainda um pouco pálido, porém vivo e bem.


-Foi isso que os amigos de Naruto nos contaram. Mas por que ele a trouxe aqui? Por que não foi até nós?


-Naruto achou que este era o caminho mais curto e mais seguro a seguir. E era o destino dele quando me encontrou.


-Ah, para ver Hinata.


Havia um tom duro, quase de escárnio na voz do primo, e Sakura franziu a testa.


-Você a conhece?


-Um pouco.


O jeito que Takashi proferiu aquela palavra, sem encarar Sakura, disse tudo.


-Você se deitou com ela?


-Uma vez.


-Só uma?


-Foi o suficiente. - Takashi suspirou e passou os dedos pelos cabelos vermelhos. -Não sei como explicar isso a você, menina. Ela devora um homem. Não creio que eu estivesse suficientemente atento para ver mas havia uma expressão nos olhos de Hinata que destruía todo o prazer. Nunca acreditei em tais criaturas, mas se existe mesmo um demônio, ela é um deles.


-Ah, pobre Naruto. - Sakura murmurou.


-Como pode sentir pena daquele imbecil? O jeito com que fala o nome dele me diz que você nutre por Naruto algum sentimento especial. Mas como pode ter piedade de alguém que anda atrás de uma prostituta feito Hinata?


-Como não teria? E não é piedade, apenas simpatia. Sim, gosto dele. Gosto não, eu amo o pobre imbecil cego. Acho que Naruto deve me amar também, mas ainda não consegue enxergar isso. Dez anos de lealdade a Hinata o tornaram cego para tudo o mais. E fez um juramento a ela. Levaria muito tempo para explicar, mas acredite, poderia custar mais do que posso fazer ou dar para que Naruto quebre um juramento. Acho que consegui com que enxergasse a verdade, porém, não tenho certeza se quero testar o fato. Infelizmente, não acredito que haja mais tempo para jogar esse jogo. Creio que acabo de ver aquele demônio a se esgueirar para a hospedaria onde deixei Naruto, acamado e desprotegido. - Sakura se levantou depressa. -Na verdade, aquela feiticeira de coração de pedra não deveria aparecer. Disse que mandaria buscá-lo, não que viria encontrá-lo.


-Você a conhece? - Takashi perguntou ao ver o ondular dos quadris de Hinata, que se dirigia à hospedaria.


-Sim. - Sakura cutucou o braço diante daquele sorriso de malícia.


-Não faz mal olhar o belo, menina. - ele retrucou. E ficou sério outra vez. -Ela a vê como uma ameaça.


-A mim? - Sakura achou graça, pois a seus olhos, Hinata era tudo que os homens desejavam.


-Sim, você. - Takashi sorriu e a beijou na face. -É uma bela mulher, Sakura.


-Mas ela…


-Ela é bonita do jeito que os poetas e os músicos cantam. Isso não altera o fato de que você também é linda. E Hinata é muito feia por dentro, menina. E sabe disso. E também percebe que a sua beleza vai até o mais íntimo do seu ser.


-Naruto não foi completamente fiel a ela durante os últimos dez anos.


-Ora, Sakura, você não é nenhuma vadia de taverna ou uma prostituta comum. É alguém com quem ele poderia se casar, alguém que poderia de apossar do coração que aquela vagabunda mantém preso pelo punho por tanto tempo. Hinata vai apertar as garras, relembrá-lo do amor que Naruto jurou ter por ela.


-Oh… e recordá-lo de seu juramento. Isso é preocupante - Sakura murmurou, enquanto a mente e o coração lhe diziam para se apressar, correr para a hospedaria e tentar impedir o que Hinata estava prestes a fazer.


-Vou esperar por você.


Sakura suspirou, nada surpresa de que Takashi tivesse adivinhado seus pensamentos, porém sem saber se deveria ceder a seus impulsos.


-Não sei se é prudente ir até lá. Posso ficar tentada a fazê-lo quebrar o juramento, e isso de nada me serviria. E não quero ser a força de que Naruto precisa, mesmo que ele procure alguma para combater o feitiço de Hinata.


-E por que não? O homem deu a ela dez anos de sua vida. Enquanto nós, rapazes, nos esbaldávamos nos campos da luxúria, Naruto andava atrás de Hinata, acreditando que fosse uma pobre mártir da ganância dos parentes. Só porque ele continua nesse caminho não significa que ainda goste da trilha pela qual se embrenhou, não quer dizer que não tenha dúvidas, que o vínculo se enfraqueceu ou mesmo se quebrou. Ninguém gosta de pensar que desperdiçou dez anos, que em troca de todo o sacrifício e sofrimento não possui nada além do que possuía no início da provação.


-Vamos dizer que Naruto finalmente pensou em alguma forma de quebrar o juramento e manter a honra. Tudo que você acabou de dizer daria a ele a força que precisa para dispensar Hinata?


-Sim e não. Naruto pode querer dispensá-la, mas, se o fizer, terá de admitir que jogou fora dez longos anos. Ele pode bem precisar de um forte empurrão para fazer isso. Vá, menina. Deixe que Naruto veja o que pode ser. Se vale a pena o que tem em comparação ao que continua buscando.


-Eu não queria ver e ouvir como perdi o jogo. - Sakura murmurou.


-Por que deu a ele tudo o que uma moça pode dar a um homem?


-Como sabe disso? - Sakura espantou-se que Takashi desconfiasse que ela não fosse mais casta.


-Sei como você pensa, menina, pois somos muito parecidos. Você quer aquele homem; um homem que se sente ligado a outra. Acho que você encarou o problema de Hinata, reuniu o conhecimento que podia e viu a vagabunda pelo que ela é de fato. Já que não havia necessidade de respeitar o vínculo que os unia, você decidiu virar a sorte para o seu lado. E como fazer isso, como agarrar e prender um homem que acredita estar apaixonado por outra? Dando-lhe tudo, mantendo-o por perto e satisfeito, penetrando em seu sangue e em seu coração, alimentando seu desejo até que também lhe pertença.


-Pensa que é muito esperto, não é? - Sakura resmungou.


-Bem, sim, eu sou mesmo. - Takashi enfrentou aquele olhar de desgosto com um sorriso Largo. -É isso o que eu faria, menina. Tentaria obrigar minha amante a enxergar apenas meu rosto, sem se decidir, eu haveria de querer ter certeza de que a deixaria com desejo e felicidade no coração e na mente para que, se eu fosse embora, minha lembrança se recusasse a abandoná-la. Sim, e talvez a mudança que procurei na minha amante começasse assim que eu me fosse.


-Eu sou covarde, Takashi.


Ele riu baixinho e a abraçou.


-Não, apenas está relutante em se magoar. Só um tolo não hesitaria em ter seu coração partido. E você não é tola. Eu gostaria de assegurar que não haverá sofrimento, mas não vi você e aquele imbecil juntos. Não posso julgar. Tudo que posso fazer é lhe dizer para endireitar esse corpo e encarar o desafio. Coloque-se na frente de Naruto para lhe recordar que agora ele tem uma escolha. Se for estúpido demais, se não enxergar que um juramento feito a uma prostituta já não vale a pena ser mantido, estarei aqui, menina, pronto para levá-la para casa.


Sakura o encarou muito séria.


-Mas você não irá falar com Naruto se ele comprovar-se um idiota.


-Não posso?


-Não, não pode. Tudo isso é responsabilidade minha. Vi o que queria e procurei conseguir. Não preciso que meus parentes saiam correndo para reparar, com punhos e espadas, algum insulto imaginário. A decisão foi minha. Na verdade, o camarada foi difícil de seduzir.


Sakura esboçou um sorriso quando Takashi soltou uma gargalhada.


-Um cavalheiro, hein?


-Muito cavalheiro e reprimido com a idéia de que me devia e aos Haruno.


-Mas você superou isso.


-Sim. - Sakura enrubesceu um pouco. -Descobri que o que minha mãe me disse era verdade. Sou como ela. Senti o que Naruto sentia. Sabia que ele me desejava. Foi estranho e um pouco chocante quando Naruto me beijou pela primeira vez.


-Sempre imaginei que verdade haveria nisso. - murmurou Takashi, a fitá-la com interesse. -Receio que tenha menosprezado certas coisas. Achava que tudo estava carregado de fantasia, de imaginação romântica.


Sakura concordou.


-Eu também. E fiquei muito constrangida ao ouvir minha mãe falar de tais coisas. Mas juro a você, Takashi, é a verdade. Senti o desejo de Naruto. Alimentei o meu próprio entrelaçando ao dele e, creio, de alguma forma, que Naruto sentiu o mesmo. É muito difícil explicar, pois não tenho certeza de ter entendido.


-Pode ter origem no mesmo dom que a fez saber quando alguém mente.


-Ah, sim, algum dom estranho. Explicaria muita coisa.


-Então, deveria estar mais segura de si, mais capaz de confrontar Naruto, pois pode saber o que ele sente.


-Sinto o desejo, a ternura, até mesmo a afeição. Mas também a confusão, a dúvida. E o sofrimento. Sei que o fiz feliz, que se não fosse por Hinata e um juramento feito, ele seria meu sem questionar. Mas existe Hinata e um juramento, e os conflitos que despertei com relação a essa mulher e à própria honra de Naruto o deixaram muito infeliz. Receio que ele não tenha tido tempo suficiente para resolver o que quer e o que realmente precisa. Mas você tem razão. Devo enfrentar isso. - Sakura respirou fundo. -O momento da verdade chegou para mim e não posso me esconder dele.


-Rezo para que encontre a verdade que deseja. - Takashi beijou-a na face.


-Eu também, mas fique preparado para deixar esse lugar. Se eu descobrir que Naruto ainda está preso na teia de Hinata, que não pode nem mesmo pensar que haja um jeito de cortar o elo forte de sua promessa da juventude, não quero ficar aqui.


-Nem lutar por ele?


-Fiz isso desde que fugi das garras de Danzou. Se tudo não foi o suficiente para que pelo menos Naruto hesite em voltar para Hinata, então não posso ficar ao lado dele. - Sakura começou a andar em direção às hospedaria. - Só peço que, se Naruto escolher se prender àquela vagabunda, eu possa controlar a mágoa e a raiva para ir embora com algum resquício de dignidade.



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-Hinata! - Naruto exclamou, surpreso, quando a mulher entrou silenciosamente no quarto. -Você disse que mandaria me buscar.


Ergueu-se para uma posição sentada e recostou contra os travesseiros. A caminhada que acabara de fazer podia ter fortalecido suas pernas, mas, no momento, o deixara tão fraco como uma criança pequena, e Naruto maldisse o momento ruim daquela visita. Teria preferido encará-la com a mente clara e firmeza nos pés. Percebeu que também queria que ela não tivesse vindo procurá-lo no quarto que compartilhava com Sakura. O que o intrigou era que não se sentia constrangido que Hinata o visse deitado na cama que ele dividia com a amante e, por outro lado, tinha a impressão de estar traindo Sakura, de alguma maneira.


-Não consegui esperar para vê-lo, meu amor - Hinata disse ao correr para o lado da cama e tomar a mão de Naruto nas suas.


-Não? Foi você que disse que eu deveria esperar para encontrá-la.


Hinata ficou tensa quando ouviu o barulho distinto de uma criança balbuciando. Seu olhar se desviou para o cesto e para o bebê, que brincava, alegre, com os pezinhos. Ela sorriu com desgosto diante da visão da criança e também do enorme gato cinza sentado perto do berço.


-Seus? - ela perguntou.


-Oh, não. Sakura os recolheu. O bebê foi abandonado para morrer, e o gato estava sendo torturado por um bando de moleques.


Hinata estudou Naruto com os olhos estreitos, em uma inspeção atenta. As coisas estavam piores do que imaginou. Ele ainda não tinha a beijado. Nem mesmo tentara. E não havia nada, em seu olhar, daquela fome desesperada a que ela se acostumou. A cadela Haruno, obviamente, o havia mantido muito satisfeito. Diante disso, deveria fazer uma cena de raiva ciumenta, ou se mostrar magoada e chorosa? Ou apenas fingir que a fulaninha não existia?


Decidiu exibir a raiva primeiro. Se Naruto reagisse mal, sempre poderia recorrer às lágrimas depois, fingindo que a raiva nascera do sofrimento. Ele sempre fraquejava ao vê-la chorar. Quando tentava acalmá-la, Hinata o conduzia na direção que queria. No momento, essa direção era quanto mais longe possível da magricela Sakura Haruno. Tentaria conseguir isso sem revelar seu segredo, mas, se fosse forçada, tinha uma arma poderosa para usar, algo que certamente atrairia Naruto para seu lado e o manteria ali, para todo sempre.


Naruto era seu. Ele a enxergava como uma vítima meiga e inocente, usada pela família e pelos maridos. Hinata achava ambas as coisas divertidas e encantadoras. Naruto, além disso, era bonito, jovem, forte e viril. Talvez um pouco viril demais, pensou, pois ela tivera de se livrar por três vezes de filhos gerados por ele. Naruto era sua criação e a única constante real em sua vida. Dava-lhe amor, mais fidelidade que qualquer outro, respeito e cortesia, e Hinata sabia que não merecia nenhuma dessas coisas. Não tinha, porém, intenção alguma de perder tudo isso, e certamente não para alguma mulherzinha de um clã cuja única fama parecia ser a capacidade para procriar.


-Tem medo que a sua amante nos pegue juntos? - perguntou, a voz a assumir um tom agudo de irritação.


-Hinata! - Naruto exclamou, aborrecido.


Se calou para controlar uma forte sensação de ressentimento, pois sabia agora que Hinata não era virgem quando tinham ficado juntos pela primeira vez. Depois, ela se deitara com quatro maridos e, se os boatos eram verdadeiros, com alguns amantes também. Não tinha o direito de condená-lo, sobretudo quando viviam mais separados que juntos.


Então, Naruto procurou ser compreensivo como antes. Hinata não escolheu nenhum dos maridos, e ele não tinha provas de que tivera amantes. As situações aflitivas que os dois haviam sofridos não eram por culpa dela. Contudo, de repente, percebeu que não iria permitir que ela falasse mal de Sakura, nem que menosprezasse aquilo que ele e Sakura compartilhavam. Era hora, quem sabe, de Hinata corresponder um pouquinho com a imensa compreensão que Naruto sempre lhe demonstrou.


-Sakura não é assunto seu - ele retrucou, com frieza, mas lhe afagou o dorso da mão em uma carícia para suavizar a dureza da voz.


-Como pode dizer isso, meu amor?


Naruto deu de ombros.


-Duvido que consiga fazê-la entender. Sakura salvou minha vida não uma vez, mas duas. Devo a ela e ao seu clã mais do que poderei pagar. Sakura e eu somos amigos. - ficou um pouco surpreso ao se dar conta de que falava sério, do fundo do coração. -É tudo o que você precisa saber.


Amigos? Hinata pensou. Tinha a sensação de que Naruto nunca a chamaria de amiga. Isso quer dizer que Sakura já conquistara uma parte de Naruto que ela mesma jamais conseguiu alcançar, e isso a enraiveceu. Percebeu que ele escapava para longe de seu controle. Podia sentir, ouvir na frieza da voz. Aumentou convulsivamente a pressão dos dedos na mão de Naruto, ignorando o modo como ele a encarou.


-Sinto muito - Hinata murmurou. -Receio que a presença dela a seu lado tenha se apossado da minha mente. Desde que a vi, tive medo de que pudesse afastá-lo de mim. Foi por isso que eu pedi que você esperasse, a princípio. Não passava de ciúme.


A evidente infelicidade de Hinata acendeu a culpa de Naruto, embora não de maneira tão forte nem tão rápida como sentiu outras vezes. Aquela era a mulher com quem se comprometeu, a mulher com quem poderia estar casado em breve. Não deveria existir segredos entre ambos e, no entanto, ele não sentia nem vontade de se confessar nem de pedir desculpa.


A abraçou, passando o braço em torno dos ombros de Hinata quando ela se sentou na cama, e apertou-a gentilmente contra o peito. Embora fizesse quase um ano que não a tocava, não sentiu o menor lampejo de desejo. Disse a si mesmo que era porque Hinata estava triste, precisava de consolo, não de sedução, mas não acreditou nos próprios argumentos.


-Não tem motivo para ter ciúme. - Naruto mentiu, outra coisa que era a primeira vez que fazia com Hinata, mas que não o deixou constrangido como deveria.


-Eu não suportaria perdê-lo, Naruto. Sei que não tenho o direito de me apegar a você. Deveria liberá-lo daquele juramento que fizemos quando não passávamos de duas crianças. Por egoísmo, eu não o fiz, e o forço a ficar sozinho. É que preciso tanto de você… você é a única coisa boa na minha triste vida, minha única fonte de alegria. Sem o seu amor para me manter forte, eu simplesmente murcharia e morreria. Mas não devo condená-lo a compartilhar minha desgraça.


As palavras foram pronunciadas em um tom de voz suave e trêmulo. Naruto sabia que deveria jurar devoção no mesmo instante, repetir sua promessa e depois fazer amor com Hinata. Contudo, de repente, sentiu-se como se estivesse representando um papel estranho em uma peça mórbida de teatro. Tinha amadurecido e mudado; Hinata também amadurecera e mudara, maridos e amantes entravam e saíam de cena e, no entanto, tudo continuava na mesma. Hinata se lastimava pelo egoísmo e sugeria deixá-lo livre, e ele assegurava que queria apenas estar ao lado dela. No momento, Naruto não sentia nenhuma inclinação para dizer sua fala, e isso, ao mesmo tempo, o espantou e afligiu.


Por dez longos anos, havia pronunciado fielmente as palavras que agora Hinata esperava. Deveriam sair com facilidade e, contudo, permaneciam bloqueadas dentro dele. Sentia raiva diante daquela exigência. Não provara sua devoção repetidas vezes durante os últimos dez anos? Não estava ali, depois de correr de novo atrás dela? E apesar do lugar de Sakura agora em sua vida, Naruto não tinha mandado avisar Hinata que havia chegado e não aceitara humildemente a exigência de esperar até ser chamado? O que aquela mulher poderia querer?


Alguma coisa estava profundamente errada. Algo mudara. Naruto não percebia em si aquela avidez que o devorava sempre que via Hinata. Não conseguia nem mesmo achar que a falta de impulso sexual fosse apenas por ter estado nos braços de Sakura fazia horas. Uma voz em sua cabeça o avisava para observar mais atentamente, para abrir os olhos e ver que estava livre de Hinata, sugerindo que existiam meios de quebrar a promessa e manter a honra, mas Naruto a sufocou.


Se recusava a aceitar que desperdiçara dez anos de sua vida, ou, bem pior, que representara o papel de imbecil fiel por aquele tempo todo. Não queria pensar que se prendera erroneamente a uma jura que não poderia quebrar, mas que sempre lamentara. Estava cansado, era isso, pensou, depois de ter se saciado plenamente nos braços macios de Sakura. Logo todos os antigos sentimentos que Hinata sempre despertara nele voltariam. Tudo ficaria bem de novo. Só precisava esperar um pouco.


-Naruto? - Hinata pressionou ao vê-lo mudo e pensativo.


Beijou-lhe o lóbulo da orelha, algo que sabia ser do agrado dele. E ficou espantada quando o sentiu tenso sob o toque de seus lábios. Não se afastou, mas ela o percebeu se retrair de alguma forma. As coisas estavam piores, bem piores do que Hinata pensava. Então, ela ouviu um ligeiro ruído perto da porta, o suave farfalhar de uma saia pelo chão. Poderia ser uma criada, mas o instinto lhe disse que era Sakura Haruno. Hinata poderia ter problemas em atrair Naruto de volta, mas conseguiria com o tempo. Seria bem mais rápido se a pequena Sakura Haruno sumisse da vida dele. E isso era algo que Hinata sentia que poderia conseguir. Tudo que precisava era de uns poucos minutos, antes que Naruto visse que Sakura voltara. Comprimiu as mãos nas faces dele e puxou-lhe a boca para junto da sua, escondendo a fúria que sentia quando Naruto foi lento em retribuir.


-Ah, Naruto, meu amor. - disse alto o bastante para se fazer ouvir pela pessoa perto da porta. -Como tenho saudade de você! - continuou a prendê-lo pelo rosto, obrigando-o a encará-la, embora percebesse que o olhar dele se desviava. -Ainda existe um fogo entre nós.


Naruto não sentia nada, mas, mesmo assim, declarou:


-Sim, Hinata. Sempre houve.


Não era uma completa mentira, pois assim que se sentisse mais descansado, tinha certeza de que aquele fogo voltaria.


Ao perceber que iria ser difícil arrancar uma confissão ardente de Naruto naquele momento, Hinata se esforçou para levar o assunto na direção que queria. Se fizesse as perguntas certas ou arrancansse as palavras, elas poderiam facilmente soar da maneira que queria, cheias de amor. Naruto, na verdade, nunca declarara que seu coração era só dela, mas Hinata sentia-se segura de que poderia fazê-lo dizer algo muito próximo disso.


-Depois de tantos anos, de tantas noites compartilhadas, com certeza você não me deixará de lado, não é?


-Não, claro que não! - Naruto exclamou, irritado por ter de lembrá-la de que não era homem de quebrar a palavra dada.


-Oh, você me faz tão feliz! Eu estava com tanto medo, Naruto.


-Não precisa ter medo, Hime. - ele murmurou ao lhe afagar os cabelos. -Estou aqui, como sempre estive para você. Tal como prometi.


-Posso confiar no seu amor, não posso?


-Naturalmente.


-Estou tão contente que tenha vindo me ver outra vez, meu amor! - Hinata exclamou ao roçar os lábios nos dele. -Creio que existe esperança para nós dois dessa vez, que finalmente poderemos ficar juntos como sempre desejamos. Não está feliz?


-Claro Hinata. Como não estaria? Não é o que procurei durante dez longos anos? - então por que se sentia tão encurralado? Naruto perguntou para si mesmo. E não encontrou resposta. -Acho que você deveria ir embora antes que sejamos descobertos.


-Oh, não se preocupe. - Hinata respondeu. -Estou cansada de esconder o que sinto por você, o que nós sentimos um pelo outro. É hora de nos agarrarmos àquilo pelo qual ansiamos e deixarmos de lado toda a compostura e medo do perigo. Deveríamos proclamar nosso amor por todas as terras.


Naruto mal conseguiu deixar de berrar: Por Deus, Não! Deveria estar extasiado por Hinata, finalmente, ter coragem de proclamar seu amor, mas tudo o que conseguia pensar que Sakura poderia ouvir e ficar magoada. Um pensamento incômodo cruzou-lhe a mente. Algo estranho estava acontecendo e ele precisava desesperadamente ficar sozinho para descobrir o que era.


-Fico feliz, Hinata, e muitas vezes desejei que pudéssemos fazer isso. Contudo, creio que um pouco de cautela seria prudente agora. - disse com suavidade. Então, percebeu que ela parecia estar à beira das lágrima, e a beijou depressa. -Somos mais velhos agora, mais sábios para nos permitimos tal impulsividade, ações tão apressadas. Vamos manter um pouco de descrição.


-Ah, você precisa falar com a sua vagabunda. Compreendo e vou esperar. Mas não por muito tempo, meu amor.


Antes que Naruto pudesse repreendê-la pelas palavras ríspidas a respeito de Sakura, uma voz rouca, familiar, que lhe provocou calafrios, resmungou:


-Por que esperar? Vamos esclarecer a questão aqui e agora!


E Naruto sentiu como se algo dentro dele precisasse gritar alto, de pânico e frustração.


Notas Finais


Até a próxima, talvez


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