História Promessas - Capítulo 1


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Categorias The Blacklist
Personagens Elizabeth Keen, Personagens Originais, Raymond "Red" Reddington
Visualizações 7
Palavras 3.834
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Para Juliana Alves (vulgo Juli06), em agradecimento à Let's Start From The Begining, história Callian linda e perfeita que ela escreveu para mim!

Boa leitura, espero que gostem da história.

Capítulo 1 - Eu sempre vou cuidar das duas!


Fanfic / Fanfiction Promessas - Capítulo 1 - Eu sempre vou cuidar das duas!

Elizabeth Keen respirou fundo, reunindo os últimos resquícios de sua coragem e abriu a porta do quarto de hospital. Seu coração pulou algumas batidas, e quase parou de bater, quando reconheceu quem estava deitada naquele leito. Sua amiga, quase irmã, de longa data, Alícia Walsh.

— Oi, Beth - A jovem de olhos cansados, sorriu fracamente, e estendeu a mão para a amiga, convidando-a a se aproximar.

— Oh, Deus, Lilly! - Lizzie sentou-se na cadeira, ao lado da cama e segurou sua mão com cuidado. Alícia parecia tão frágil e cansada, que a agente teve medo de machucá-la, caso não fosse cautelosa - O que aconteceu?

— Câncer de pulmão - A moça de ralos cabelos aloirados apertou suavemente a mão da amiga, tentando confortá-la - Irônico, não? Visto que eu nunca fumei, droguei, nem nada - Sorriu, tristemente - Eu não descobri até que fosse tarde demais. As circunstâncias da vida atarefada, sempre me obrigavam a deixar para lá os exames e as consultas médicas, e eu acabei assim... - Completou, tentando não parecer muito melancólica.

— Mas não existe nada que possa ser feito, Lilly? Nenhum tratamento experimental? Cirurgia? Nada? - A morena perguntou, tentando se agarrar à qualquer pequena esperança que pudesse existir.

— Infelizmente não, Beth. O câncer já se espalhou por todo o corpo. Não há nada que se possa fazer... - Alícia negou, jogando um balde de água fria em todas suas expectativas.

— Por que não me procurou antes, Lilly? - Elizabeth se levantou, de repente, extremamente zangada - Eu teria ficado ao seu lado, cuidado de você!

— Elizabeth... - Alícia murmurou calmamente, num tom que mesclava entendimento e repreensão.

— Oh, meu Deus, Lilly, me desculpe! Eu não deveria ter gritado com você! - Lizzie sentou-se novamente na cadeira e segurou as mãos da amiga, com as bochechas coradas pela culpa e vergonha.

— Tudo bem, Beth. Está tudo bem. Eu também tive os meus momentos de descontrole - Alícia murmurou compreensiva - Eu demorei um pouco mais do que planejava para te encontrar. Não é todo dia que você sai em busca da melhor agente do FBI, com apenas um número de telefone que foi desligado, e um endereço velho - Ela riu, mas o momento de descontração se perdeu quando a jovem foi acometida por um doloroso acesso de tosse.

Preocupada e assustada, Lizzie encheu um pequeno copo com água e entregou à ela, esperando que esse pequeno gesto, pudesse ajudá-la a se sentir melhor de algum modo.

— Desculpe, Lilly - Ela murmurou depois que a amiga já estava conseguindo respirar um pouco melhor - Ando tão atarefada, com o emprego e a mudança, que nem me lembrei de te atualizar quanto a isso. Sinto muito!

— Tudo bem, Beth. Agora pare de se desculpar - Alícia a repreendeu com um pequeno sorriso - Somos duas mulheres adultas e independentes. É normal, que em algum momento acabássemos perdendo contato. O importante é que você está aqui; que estamos juntas agora - Ela segurou sua mão, com carinho.

— E eu não vou mais te deixar! Vou estar por perto o tempo todo. Vou te ajudar no que for preciso... - A morena interrompeu, decidida.

— Você quer parar de me interromper, Elizabeth? - A loira argumentou, séria.

— Oh, sim, claro. Eu... - A agente já se desculpar novamente, mas mordeu a língua quando viu o olhar sério da amiga.

— Beth... - Ela começou com cuidado - Você se lembra que há muito tempo atrás me fez uma promessa?

— Sim... é claro que me lembro - Lizzie concordou, após pensar alguns segundos - Eu prometi que se alguma coisa, algum dia, acontecesse com você; eu cuidaria dos seus filhos como se fossem meus.

— Então... - Alícia murmurou quase sem voz, torcendo os dedos nervosamente.

— Oh, meu Deus, Lilly! Você está preocupada com a Anne? - Lizzie se lembrou da garotinha que era praticamente sua afilhada, embora só a tivesse visto algumas vezes, ainda recém nascida. Pelas suas contas, Anne deveria estar com quase quatro anos - É claro que eu vou cuidar dela, Lilly, não se preocupe!

— Me desculpe, Beth! - A loira piscou algumas vezes, tentando controlar as lágrimas - Eu sei que você tem uma vida complicada com as coisas do trabalho e tudo o mais; e eu que não deveria estar te pedindo isso... mas eu não confio em mais ninguém! - Ela desabafou, se rendendo às lágrimas.

— Não! Não diga isso! Eu lhe fiz uma promessa, Lilly, lhe dei minha palavra. Não vou voltar atrás, agora - A agente declarou, enfática - Vocês são minha família, Lilly. São tudo o que eu tenho.

— Obrigada, Beth - Alícia abraçou com força, chorando de emoção e agradecimento - Eu tive tanto medo de deixar Anne sozinha e desamparada.

— Ela não está sozinha! Anne tem a mim! - Lizzie exclamou, decidida - Vocês duas tem a mim!

— Obrigada, Beth. Eu nunca vou poder agradecer tudo o que você está fazendo por mim e por minha filha... - A jovem se recostou no travesseiro, se sentindo extremamente cansada - Pela nossa filha - Completou com um sorriso envergonhado.

— Você não tem que agradecer, Lilly. Não há nada no mundo que eu não faria por vocês duas! - Lizzie se levantou com um pequeno sorriso compreensivo - Agora eu vou deixar você descansar um pouco. Volto mais tarde para ver como você está - Ela olhou ao redor, buscando algum vestígio da passagem da criança pelo quarto, mas não encontrou nada - E Anne?

— Está na escolinha - Alícia respondeu, num tom cansado - A professora vai trazê-la para cá depois da aula.

— Certo, tudo bem - A agente assentiu - Eu volto mais tarde para conversarmos, então. Acho que se estivermos juntas, quando formos explicar tudo, Anne não vai ficar tão confusa - Murmurou pensativa, tentando visualizar a ideia.

— Parece bom - A jovem respondeu, quase vencida pelo sono e cansaço.

— Descanse, Lilly. Eu volto depois... - Lizzie beijou sua testa com carinho e saiu sem fazer barulho.
Elizabeth Keen sentiu como se o mundo inteiro estivesse desabando sobre sua cabeça quando fechou a porta do quarto atrás de si. Sua melhor amiga estava morrendo e não havia nada que ela pudesse fazer.

Alícia Walsh estava morrendo, e deixando para ela a tarefa de cuidar e proteger uma garotinha que mau conhecia. Uma garotinha que mau a conhecia também. E para fechar com chave de ouro, Lizzie não fazia a menor ideia de como era ser mãe.

Excelente, ela pensou fechando os olhos com força para controlar as lágrimas que insistiam em surgir.

— Elizabeth... - Ela ouviu uma voz familiar murmurar seu nome e abriu os olhos, para se deparar com uma figura única e característica lhe encarando, no fim do corredor, com uma expressão triste e ao mesmo tempo compreensiva.

— Red! - Ignorando todos seus atritos e diferenças, Lizzie caminhou em sua direção e se afundou em seu abraço.

— Tudo bem, querida, eu estou aqui - Ele murmurou baixinho, afagando seus cabelos - Eu estou aqui para você, Elizabeth!

Lizzie se aconchegou ainda mais nos seus braços, e finalmente desabou em lágrimas, sentindo todo o seu corpo ser sacudido pela força dos seus soluços.

(...)

Um ano inteiro havia se passado desde a morte de Alícia Walsh; e Lizzie estava se esforçando ao máximo para poder se adaptar às suas novas rotinas: a de oficial da lei, e a de mãe.

Era complicado, confuso, cansativo e ainda assim maravilhoso. Apesar de todos os imprevistos e correria, ela era recompensada todos os dias, com o amor incondicional de uma garotinha de quase cinco anos.

Mas todo esse amor da pequena, não viera assim tão fácil. Durante os três primeiros meses, Anne se mantivera no mais absoluto silêncio. Nenhuma palavra, birra, grito, ou choro descontrolado. Ao contrário, a menina cumpria todos os seus horários sem nenhuma reclamação, de modo automático. E isso preocupava muito sua nova mãe, que temia por sua saúde física e psicológica.

O comportamento da pequena loirinha começou a mudar, e para a melhor, quando ela foi apresentada à Raymond Reedington. A agente não se surpreendeu muito com essa mudança, visto que o homem exercia algum tipo de poder inexplicável sobre as mulheres, não importando muito a idade delas.

O encontro deles tinha acontecido por acaso, durante uma visita inesperada dele à casa de sua protegida, para supostamente falar sobre trabalho, e assim saber como elas estavam se adaptando à toda aquela situação.

O estilo único e envolvente do homem despertou a curiosidade e atenção da menina. E Red, ciente do fato, não hesitou em se aproveitar disso, para tentar estabelecer uma relação de amizade e confiança com Anne. Uma relação extremamente próxima e verdadeira.

E por essa razão elas estavam alí, sentadas no meio da sala de estar, terminando de decorar a árvore de Natal. Porque o tio Red, e até mesmo Dembe, estavam chegando para passarem aquela noite com elas.

— Posso colocar esse, mamãe? - Anne pediu baixinho, segurando a estrela dourada, com os olhinhos muito azuis brilhando de expectativa.

Lizzie não pode evitar um enorme sorriso ao ouvir sua mais nova palavra favorita. O primeiro Mamãe de Anne viera de forma natural e inesperada, durante um dos muitos jantares em que seu adorado tio Red estivera presente. A morena ainda conseguia se lembrar claramente do enorme sorriso que ele lhe dera. Um sorriso cheio de carinho, orgulho e uma pitada indisfarçável de tristeza.

— Claro, querida, você pode sim - A agente concordou, ficando de pé e pegando a filha no colo, para que pudesse alcançar o topo da árvore.

— Pronto! - A menina sorriu, satisfeita e se aconchegou melhor no colo da mãe - Mamãe Lilly ia gostar muito de tudo isso... - Murmurou baixinho, observando as luzinhas que não paravam de piscar.

Anne adorava dizer que tinha duas mães. A mamãe de sangue, Lilly; e a mamãe de coração, Lizzie. Elizabeth tinha quase certeza de que havia o dedo de Red nisso também. O filho da mãe, tinha conseguido encontrar uma maneira para que a pequena lidasse do seu próprio jeito com todo o trauma da perda, e ainda assim não se esquecesse da mãe biológica, e do amor que sentiam uma pela outra.

A morena foi arrancada de seus pensamentos pelo som familiar da campainha. Colocando a filha no chão, não pode evitar um novo sorriso, cheio de amor, quando viu os olhinhos muito azuis brilhando de expectativa.

— Tudo bem, você pode abrir a porta - Ela respondeu à pergunta silenciosa, se abaixando para recolher o restante dos enfeites, enquanto Anne disparava para a entrada.

— Tio Deemby! - A menina exclamou radiante, abraçando o recém chegado.

— Olá, garotinha - Dembe beijou suas bochechas rosadas, e acenou para a mulher que se aproximava - Olá, Elizabeth.

— Olá, Dembe - Ela sorriu - Onde está o Red? - Indagou, ao vê-lo sozinho.

— O tio Red não vem? - Anne se manisfestou, triste.

— Claro que vem - Dembe a tranquilizou - Ele só foi buscar o presente de vocês...

A menina sorriu, um pouco mais conformada.

— Você também me comprou um presente, tio Deemby? - Perguntou, curiosa.

— Comprei, sim - Ele estendeu uma garrafa de vinho para Elizabeth, que agradeceu com um sorriso; e tirou um urso de pelúcia de uma sacola decorada e colocou diante dela.

A loirinha ficou imóvel por alguns segundos, analisando o bichinho com extrema atenção. O urso de pelúcia marrom, extremamente comum se diferenciava dos demais por estar usando um elegante terno de três peças. Ele também tinha um pequeno chapéu Fedora, cuidadosamente costurado à sua cabeça.

— Parece com o tio Red! - Ela finalmente declarou, abraçando o novo amigo com carinho.

— Ele sabe que você fez isso? - Lizzie perguntou apontando o urso, ainda surpresa com a originalidade do presente, e recebendo um aceno negativo como resposta.

— O que eu não sei? - Red apareceu, de repente, curioso com toda aquela movimentação.

— Tio Red! - Anne correu em sua direção.

O homem só teve tempo mesmo de passar uma caixa de papelão, simples, para as mãos de Dembe, antes que a pequena se jogasse em seu colo.

— Olha o que tio Deemby me deu, tio Red! Ele parece com você! - Ela sorriu, orgulhosa do urso novo.

— Vejam só! Parece que o Senhor Teddington aqui, tem um gosto tão bom quanto o meu - Ele brincou, tocando o pequeno chapéu do urso que era idêntico ao seu próprio.

— Ah, pelo amor de Deus, Ray! Você tem um gosto horrível para nomes! - Lizzie interrompeu, rindo.

— RAY! - Red e Anne exclamaram juntos, pensando ao mesmo tempo num nome para o felpudo e arrancando gargalhadas de todos.

— Tio Deemby disse que você tinha ido buscar meu presente - A loirinha começou, como quem não queria nada.

— E eu fui... - Red concordou.

— E o que é? - Anne começou a se contorcer no colo dele, tentando ver o que tinha dentro da caixa de papelão.

— É melhor irmos para sala abrir esse presente - Dembe sugeriu - Antes que Anne acabe se matando de tanta curiosidade.

Com os adultos devidamente acomodados no sofá, e Anne no meio do tapete da sala, Dembe colocou a preciosa caixa de papelão no chão, na frente da garota.
Lizzie tirou o celular do bolso para registrar o momento, e se surpreendeu ao perceber que tanto Red quanto Dembe, tinham tido e mesma ideia.

— Vamos, querida, abra a caixa - Ela incentivou a filha - Você queria tanto saber o que era...

A pequena lançou um último olhar desconfiado para os adultos e respirou fundo, tomando coragem. Com cuidado, ela abriu a primeira aba do papelão e esperou. Nada aconteceu. Ela então abriu as outras partes, lentamente, uma à uma.

A agente sentiu seu coração quase parar de bater. Sua filha estava completamente imóvel, com os olhos arregalados, em choque. E ela permaneceu assim por alguns segundos. E então sorriu.

Um sorriso lindo. Imenso. E cheio de felicidade.

— Olha, mamãe, é um neném! - Ela murmurou fascinada, tirando um filhotinho peludo de cachorro da caixa.

— Que nome você vai dar para ela, querida? - Red perguntou, cheio de orgulho, e Lizzie percebeu que ele ainda estava gravando a cena, esperando pelo desfecho da história.

— Rose! - Anne murmurou decidida, abraçando o filhote com cuidado - Porque é uma neném menina.

— É uma excelente escolha, garotinha - Dembe sorriu, guardando o próprio celular no bolso, e afagando seus cachos loiros.

Depois do grande momento em família que o presente de Red tinha proporcionado, todos se encaminharam para a sala de jantar, seguidos de perto pela pequena Rose, que estava mais que ansiosa para conhecer tudo de sua nova dona.

Já passava um pouco das dez, quando Dembe decidiu que já era hora de ir embora e começou a se despedir.

— Você tem mesmo que ir? - Anne murmurou, com uma vozinha triste.

— Está tudo bem, querida - Red a pegou no colo e afagou seus cabelos - Dembe vai voltar logo...

— Isso mesmo, Anne - O homem confirmou com um sorriso - E quando eu voltar vou trazer uma surpresa!

Os olhinhos azuis brilharam de curiosidade.

— Que surpresa? - Perguntou, ansiosa.

— Se eu disser, não vai ser mais uma surpresa - Dembe apertou seu nariz de leve - Brownies? - Perguntou à Lizzie, movendo apenas os lábios para que Anne não escutasse, e recebendo um sorriso afirmativo como resposta.

— Obrigada por tudo Dembe. Anne adorou o presente - A morena sorriu, lançando um olhar para a filha, que estava quietinha no colo de Red, ainda abraçada ao urso Ray.

— Eu é que agradeço, por tudo - Ele apertou sua mão e se virou para o homem mais velho - Tem certeza de que não precisa mesmo de mim?

— Vai descansar, Dembe! Você precisa de uma folga - Red respondeu num tom firme - E não volte nos próximos dois dias, ou vou dispensar você! - Completou a ordem com um sorriso divertido.

— Tudo bem - Dembe assentiu - Boa noite - Com um último aceno, ele se retirou.

— E agora é a sua vez, mocinha! - Lizzie se virou para a filha, que estava de olhos fechados, quase adormecida - Hora de ir para a cama.

— Tio Red pode me contar uma história? - Ela pediu baixinho.

— Claro, querida - O homem concordou, embora também já estivesse pronto para partir, e a colocou no chão - Sobre o quê?

— Carmem Sandiego!!! - Anne exclamou empolgada, e mais desperta.

— Vá escovar os dentes e colocar o pijama, ou nada de história para a senhorita, Anne... - Lizzie ameaçou, fazendo algumas cócegas na filha.

A pequena saiu correndo em direção aos quartos, rindo e fugindo da ameaça da mãe, sendo rapidamente seguida pela cachorrinha Rose.

— Carmem Sandiego? - A morena murmurou pensativa - Não é um desenho animado?

— Tecnicamente, Elizabeth, é um desenho educativo - Red a corrigiu num tom professoral - Um desenho excelente, aliás, para ensinar geografia às crianças pequenas.

— Você sabe que ela só gosta, por causa das viagens, do casaco e do chapéu, não é? - Lizzie sorriu, analisando as pequenas semelhanças entre o contador, e a protagonista da história.

— Com certeza, Lizzie - Ele assentiu, convidando-a a segui-lo - E também, porque Anne tem um inegável bom gosto.

Red passou o braço ao redor de sua cintura, e a guiou na direção dos quartos; para a verdadeira missão especial, que era colocar Anne Elizabeth Keen na cama

(...)

Raymond Reedington abriu os olhos devagar, e piscou algumas vezes encarando o teto. Não demorou muito para que as imagens da noite anterior voltassem á sua cabeça, e ele se lembrasse com clareza, de onde estava.

Na casa de Elizabeth Keen. Mais precisamente, na cama dela!

Red tinha concordado em ficar, graças à um pedido da sua pequena Anne. E ele não era o tipo de homem que dizia não há uma criança. Mas adormecer no meio da história de ninar que tinha prometido, definitivamente, não estava em seus planos.

Certo. Precisava ir embora. Antes que Lizzie acordasse, o visse e começasse com toda sua ladainha e reclamação.

Começou a se levantar com cuidado, para não despertar suas garotas, mas foi surpreendido por um par de olhos muito azuis, que o examinavam com atenção.

— Você não devia estar dormindo? - Perguntou baixinho, tentando parecer sério.

— Eu estava pensando na mamãe - Anne respondeu, inconscientemente, abraçando ainda mais o urso de pelúcia.

— No que estava pensando, querida? - Indagou, afagando os cabelos loiros.

— Você acha que a mamãe Lilly pensa em mim, tio Red? - A pequena olhou para a janela, através do vidro, para um céu estrelado - Porque eu sinto falta dela.

Raymond respirou fundo, pensando numa resposta adequada. Ele não acreditava nesse tipo de coisa, mas não podia simplesmente, destruir todas as esperanças de uma criança tão pequena com as palavras erradas.

— Eu não sei o que acontece com as pessoas depois que elas se vão, querida - Ele finalmente respondeu - Mas... eu acho que onde quer que ela esteja, sua mãe está cuidando de você - A pequena sorriu. Um sorriso genuíno, cheio de amor.

— Mamãe Lizzie disse que ela virou uma estrela, pra poder ficar sempre perto de mim. E que quando eu olho pro céu, a mamãe olha pra mim também - Anne murmurou, com os olhinhos brilhando.

— Acho que sua mãe se saiu melhor do que eu nessa - Red sorriu, lançando uma olhar carinhoso para a agente que ainda dormia, apesar de toda conversação.

— Desse jeito a mamãe Lilly nunca mais vai me deixar de novo - A pequena completou, se aconchegando à ele, ainda olhando através da janela.

— Ela não vai, querida - Red concordou, olhando na mesma direção - E eu também nunca vou te deixar! Você sabe disso, não é, Anne?

— Você e a mamãe Lizzie! - A loirinha concordou, com um enorme sorriso de compreensão.

— Sim. Eu, sua mãe... e Dembe! - Completou, arrancando um novo sorriso da menina - Nunca vamos deixar você. Você sabe o que é uma promessa, Anne? Sabe o que significa quando damos nossa palavra para alguém? - Ele perguntou, num tom mais sério.

— Mamãe disse que é quando a gente cumpre o que diz. Quando a gente sempre faz o que fala que vai fazer - Ela respondeu, um pouco incerta, depois de pensar alguns segundos.

— Isso mesmo - Red confirmou, sorrindo com a perspicácia de sua garotinha - Eu prometo, Anne, que eu sempre vou cuidar e proteger você - Ele lançou um novo olhar para a agente adormecida - Você e a sua mãe!

— Eu prometo que vou cuidar de você também, tio Red! Pra sempre! - A pequena sorriu, sonolenta; mas ele ainda podia ver claramente a sinceridade brilhando nos olhinhos azuis.

Raymond sorriu. Era a primeira vez, em muitos e muitos anos, que ele sabia, que podia confiar completamente em uma pessoa. E em uma promessa.

— Eu lhe dou minha palavra, querida! - Ele beijou a testa da menina quase adormecida - Eu nunca mais vou deixar você e a sua mãe! Agora durma, porque você já está quase babando em mim... - Brincou, divertido, apertado de leve o nariz da menina.

— Eu amo você, tio Red! - Anne se aconchegou em seu peito, finamente, se rendendo ao sono.

— Eu também amo você, Anne! - Red beijou os cabelos loiros e olhou para a morena que ainda estava dormindo, totalmente alheia à tudo o que tinha acontecido - Eu também amo vocês duas!

Reedington respirou fundo, desistindo completamente de ir embora. Não podia simplesmente prometer nunca abandonar uma criança, e desaparecer no meio da noite, contrariando todas as suas palavras. Teria que suportar toda a falação de Elizabeth Keen, pela manhã. Ou não, se ele tivesse sorte. Muita sorte.

Ele observou a menina que dormia calmamente em seu peito e lançou um olhar pensativo para o céu estrelado, que podia ser visto, através da janela de vidro.

— Eu nunca vou abandoná-las. Sempre vou protegê-las. As duas! - Prometeu, não para Katarina ou Alícia, mães das suas meninas; mas para si mesmo - Eu sempre vou cuidar das duas!

Como se realmente entendesse a importância daquelas palavras, a peluda Rose, que até aquele momento estivera quietinha nos pés da cama, se aproximou exigindo atenção, e ganindo baixinho.

— Tudo bem, Rose, tudo bem... - Ele afagou o filhote peludo, com carinho - Eu vou cuidar de você também. Agora fique quietinha, ou vai acordar a casa inteira...

Muito obediente, a cachorrinha voltou para seu lugar no meio das cobertas, e não fez mais nenhuma barulho. Red aconchegou melhor a menina adormecida em seu peito, e estendeu a mão livre para entrelaçar os dedos com os de Elizabeth.

Que belo filho da puta de sorte você é, Reedington! Pensou com um pequeno sorriso, na família única e excepcional que tinha construído.

Porque era exatamente isso que eles eram. Elizabeth, Anne, Dembe e até mesmo a intrometida e peluda Rose eram sua família.

O único motivo pelo qual ele ainda se mantinha vivo!

 


Notas Finais


"Where in the World is Carmen Sandiego?" é um jogo de computador lançado no meio da década de 1980. No enredo o jogador é um detetive que junta pistas ao redor do mundo para solucionar um caso. É considerado um jogo bastante educativo porque, durante essa procura, aprende-se aspectos de geografia e as características de vários países. Também teve uma versão animada/desenho "Where on Earth is Carmen Sandiego?" que foi exibida pelo canal Fox entre os anos de 1995 e 1999.


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