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História Promessas - Capítulo 6


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Notas do Autor


Boa noite, gente! Mais um cap da fic, um draminha e uma teimosia. Eu adoro que eu mesma escolhi o nome do cap, mas toda vez eu leio "sedenta" ao invés de cedendo, e as duas tão mesmo. Espero que gostem!

Capítulo 6 - Cedendo


Catra caminhava entre os corredores de lápides do principal cemitério da cidade onde morava, reforçando um hábito que havia desenvolvido nos últimos meses quando se sentia amargurada. Já sabia o caminho de cabeça àquela altura, parando na frente da pedra que indicava o nome que procurava, suspirando.

- Eu continuo me perguntando porque eu ainda venho aqui, Sombria. Se estivesse vendo, acho que também perguntaria a mesma coisa. 

Cruzou os braços, se apoiando na cruz de pedra que acompanhava o túmulo atrás dela. Ficou em silêncio um tempo, olhando a lápide com a foto da mulher, sua expressão tinha a mesma seriedade e frieza que transmitia quando ainda estava viva.

- Sabe, as coisas estão melhorando agora. Você já sabe que eu saí do orfanato que você me enxotou, mas agora arranjei um bom lugar pra ficar que consigo pagar... Queria poder jogar na sua cara que estou conseguindo me virar. 

O ambiente continuava silencioso, obviamente não havia ninguém para comentar sobre as falas de Catra, muito menos quem ela se dirigia iria.

- Eu ainda me irrito com isso, sabe? Sempre soube que você estava doente, mas se você tivesse falado o quanto... Ou pedisse ajuda para alguém, talvez ainda tivesse aqui. Eu não perdoo você por ter só morrido assim... – Sentiu um aperto no peito e respirou fundo. – Se você ainda estivesse aqui, teria visto que agora eu sou forte, sou esperta e conquistei as coisas como você queria que eu conquistasse…

Encarou a lápide, frustrada e contendo o choro – Mas mesmo eu fazendo tudo o que disse… Eu ainda estou sozinha. Tudo podia ter sido diferente, eu podia ser diferente... – Encolheu, abraçando seus próprios braços de leve e suspirando – Mas isso não importa para você, nunca importou mesmo. E agora você não está aqui pra ver isso... Ou ouvir isso. – Se afastou da cruz que se recostava, respirando fundo – Até mais, Sombria. As minhas aulas voltam semana que vem, então não sei se apareço aqui tão cedo. – Começou a se afastar da lápide.

Aquilo tinha virado um hábito, não só visitar aquele túmulo nos momentos difíceis, mas culpar a falecida por seu comportamento destrutivo. Apesar do dano que Sombria havia feito em seu emocional, era mais confortável culpar alguém que nem estava vivo para se defender do que superar seus traumas e tentar evoluir. 

Queria provar para si mesma que conseguiria conquistar tudo que buscava, não para fazer o que aquela mulher havia lhe dito, mas para mostrar que era forte e não precisava de ninguém ao seu lado. Queria se convencer que não deveria se apegar mais a ninguém para não se machucar de novo. Insistia que estava melhor, que havia passado por cima de tudo, mesmo que o passado a corroesse a cada dia. E assim, criava uma casca de proteção em volta de si, construída de sua amargura, por mais que se abraçar a sua solidão só a machucasse mais.

Saiu daquele cemitério com seu peito doendo, mesmo sabendo tudo que aquela mulher havia lhe feito, não conseguia não sentir a sua morte, não sentir a dor de não ter conquistado seu afeto que buscou por tanto tempo. Não importava o quanto tentava se convencer, não tinha deixado para trás, afinal, estava ali agora. E não sabia quando deixaria de viver desse passado. 

~-~-~-~

– Ela... morreu? – Adora perguntou, em choque.

– Sim, já faz 1 ano e meio. Sabíamos que ela era doente, mas ao que parece o estado dela piorou e ela não fez o tratamento correto… - Catra a encarou, confusa com a situação - Mas você não sabia? Você realmente escolheu abandonar qualquer coisa envolvendo a gente ou o orfanato, não é? - Estava surpresa com o choque da loira e um tanto indignada com seu desconhecimento.

Adora parecia desconcertada e confusa – Eu não sabia, achei que ela ainda estava dirigindo o orfanato como sempre... – Mesmo que já tivesse se afastado de Sombria a um tempo e soubesse o tipo de pessoa que ela era, não conseguia evitar se sentir mal, mas evitou demonstrar muito isso para Catra.

Porém a morena percebeu o desconforto dela e entendia o que ela sentia. Se ela, que sabia que tinha muito mais motivos para desgostar de Sombria, sentia a dor da morte dela, Adora também tinha todo o direito de sentir. Sentiu um aperto no peito de vê-la assim. Pensou em aproximar suas mãos das dela novamente, para tentar consolá-la, mas desistiu no processo.

– Pelo menos ela não pode fazer mais nada com a gente, ou com qualquer um... – Comentou a loira, tentando ver o lado bom daquela situação.

– Mas também né? Com o estrago que ela já fez, não é como se já não fosse suficiente... – Catra disse em tom irônico, suspirando em seguida. 

– Mas agora a gente só tem o estrago já feito pra consertar, e não novos a serem feitos. Bem, como ela não está aqui para falar nada, acho melhor a gente mudar o assunto e comer, antes que a comida esfrie.

– Tem razão – Se afastou de volta e voltou a tomar seu milkshake. Ficou pensando no que Adora havia dito. Ela tinha razão, Sombria não podia fazer mais do que já havia feito e agora só precisavam aprender a lidar com o que já aconteceu, mesmo que não fosse uma tarefa simples.

Haviam parado de falar por um tempo, para comer, e isso deu liberdade para Catra observar um pouco Adora quando ela não olhava em sua direção. Ela não havia mudado muito desde que foi embora e não sabia dizer se isso era bom ou ruim, mas sabia que isso fazia os sentimentos que decidiu enterrar quando ela havia partido voltarem. E com isso, não conseguiu evitar reparar em como ela estava bonita com aquela roupa. Desviou o olhar assim que percebeu no que estava pensando, Adora não reparou em nada daquilo.

– Você vai querer fazer algo depois daqui? Passear para conversar sobre mais alguma coisa? - Perguntou Adora, terminando de comer.

– Não, não quero chegar muito tarde em casa e o trajeto pode ser um pouco demorado, não é bom para o horário. Além de que, não tenho grana sobrando pra ficar gastando com você e ficar batendo perna por aí não. 

– Ah, eu vim de carro. Eu posso te deixar em casa, é mais seguro. 

– Não, eu vou de ônibus, obrigada. Tenho medo do perigo que é entrar em um carro com você e não faço questão. Gosto da ideia de chegar viva em casa.

– Ei, eu sei dirigir super bem, okay? – Encarou ela, parecendo ofendida - E eu faço questão. Não tem porque você negar, é mais seguro, menos empenho e menos gasto, já que é algo que reclamou.

– É, mas eu estou negando, então é um não. 

– Catra… - Encarou ela com uma expressão que a pedia para que aceitasse.

Catra encarou ela por um tempo, com os braços cruzados, mantendo seu posicionamento. Depois de ficar encarando Adora com aquele olhar dela por um tempo, como se ela pedisse com o olhar que ela colaborasse e perceber que havia perdido os argumentos e aquilo era claramente só por birra, cedeu.

– Tá bom, tá bom. Mas ainda quero ir direto para casa depois daqui, não tenho mais nada a conversar e estou cansada. - Não estava mentindo, mas se aproveitou disso para não parecer tão fácil para a loira e se convencer a não se soltar tão facilmente. 

– Tudo bem, quando quiser. Não vou ficar te prendendo. - Sorriu de leve para ela.

Catra revirou os olhos, incomodada de perceber que cedeu tão fácil. Logo terminaram tudo que tinha na mesa e pediram a conta, cada uma pagando o que havia pedido. Foram para o carro e Catra sentou no banco da frente, ao lado de Adora no banco de motorista. Catra afivelou o cinto e colocou o endereço para a outra no GPS de seu celular, mas parou, pensando um pouco.

– Você não ouse ficar aparecendo na minha casa sem ser chamada depois disso, entendeu? 

Adora riu, ligando o carro e começando a dirigir – Eu? Por que acha que eu faria isso?

– Porque parece exatamente o tipo de coisa que você faria. Então fique sabendo que vai ficar para fora. 

Adora sorriu de leve – Okay, anotado. Sem surpresas.

Elas ficaram um tempo em silêncio e Catra ficava atenta em como Adora dirigia e, realmente, não fazia tão mal. Mas ainda parecia estranho estar em um carro com ela no volante – Esse carro é seu? 

– Não, é da Angella. Ela me emprestou ele pra hoje, pois não sabia que hora ia voltar. 

– Como assim não sabia que hora ia voltar? Era meio previsível já que só íamos lanchar…

– Hah, é, mas melhor prevenir do que remediar, não é? Não sabia quanto íamos conversar – Riu de leve, um pouco sem graça. 

– Hmm… – Catra ficou em silêncio por um tempo, mas voltou a falar, trocando o assunto – É bom lá? Onde você mora? Você vive com aquela baixinha, a Glitter, né? Vocês parecessem próximas…

– É Glimmer, e sim, ela é uma boa amiga. E eu não tenho o que reclamar, é um ótimo lugar e eu tenho o apoio deles para o que eu precisar.

Catra encolheu na cadeira, fechando um pouco a cara, enciumada – E o garoto que anda com vocês? 

– O Bow? Ele é amigo de infância da Glimmer e aí, quando comecei a morar com elas, ficamos próximos também. Você ia gostar deles, eles são boas pessoas, sabe?

Catra riu em deboche – Não, essa gente feliz o tempo todo me irrita. Combina mais com você mesmo. – Não demorou nada para sua expressão voltar a sua cara fechada.

Adora percebia que aquele não era o melhor assunto para conversar, mas não conseguiu fugir dele quando Catra começou – Mas e você? De quem é próxima no colégio? 

– De ninguém, ainda bem. Não suporto ninguém daquele lugar.

– Ah, pare. As pessoas lá nem são tão ruins. E eu já te vi com aquela altona de side-cut, Scorpia, não é? Vocês parecem próximas.

– A Scorpia é uma pessoa muito insistente, só isso. Ela não é ruim, mas é muito apegada e não sabe desgrudar.

– Entendi... – Sorriu de leve, tranquilizava Adora saber que Catra tinha alguém para contar e que não passava todo o tempo sozinha como fazia parecer, e que tinha alguém que também conseguia aturar a personalidade difícil dela. 

Catra, sem ter mais assunto pra puxar, colocou música no rádio do carro para ouvirem no caminho, ligando ele no bluetooth do celular e colocando uma playlist que gostava. Seguiram o resto do caminho ouvindo música enquanto Adora batia ritmadamente os dedos no volante conforme o som, fazendo a morena achar graça e mantendo um bom clima mesmo com o silêncio. 

Não demoraram muito para chegar e Adora estacionou na frente do prédio. Já havia escurecido, era por volta das 19:30 da noite, e Catra esperou para descer, pensando no que falar antes de sair.

– Então… - Começou Adora, um pouco hesitante, respirando fundo – Eu sei que não foi justo eu ter desaparecido tanto tempo, mas você vai dar uma chance de eu tentar recompensar isso agora? Eu não quero que seja da noite pro dia, mas queria voltar a ter pelo menos um pouco da amizade que tínhamos antes…

Catra ouviu, não conseguindo olhar para ela diretamente para Adora, pensando por um tempo – Eu não sei se gosto da ideia de voltarmos a conversar normalmente no colégio, não quero tirar a atenção da tão popular Adora das pessoas daquele lugar. Sabe que as pessoas já não vão com a minha cara lá.

– E você sabe que eu não dou a mínima para isso…

–  Mas eu dou… - Tomou coragem e encarou ela - Você tem a vida perfeita, Adora. Pessoas em volta de você que te querem por perto. Você consegue o que quiser. As coisas não são assim para todo mundo…

– Mas eu quero você por perto... 

Catra a fitou, um tanto envergonhada e sem saber o que dizer, e então, suspirou, abrindo a porta do carro –  Eu vou pensar. Talvez pensar sobre não te ignorar se a gente se esbarrar no colégio.

–  Já é um começo. –  Sorriu, vendo Catra fechar a porta do carro. 

– Até mais, Adora – Seguiu em direção ao prédio, abrindo o portão e sumindo de vista.

–  Até, Catra. - Falou, mesmo ciente que ela não ouviria. Sorriu, voltando para casa mais animada com aquilo. Porém o sorriso foi sumindo quando começou a lembrar no que haviam conversado mais cedo. 

Adora não conseguiu evitar se entristecer ao retomar a notícia da morte de Sombria. Ela tinha sido sua figura maternal por muitos anos, por pior que fosse, e aquilo doía. Quando estacionou em frente a casa, ficou um tempo no carro, deixando-se sentir tudo aquilo e chorando com a cabeça no volante. Demorou um tempo para conseguir conter o choro, mas o fez, antes que percebessem que havia chegado e viessem saber o porquê não entrou. Guardou tudo aquilo dentro de si, respirando fundo e saindo do carro, indo em direção a sua casa.

Bow e Glimmer ainda estavam maratonando séries e o garoto dormiria aquele dia lá, como era costumeiro das festas de pijama que faziam fim de semana. Quiseram ouvir tudo de Adora quando ela chegou, e ela omitiu o assunto da diretora, para não preocupá-los. No fim, se juntou eles na maratona e acabaram todos adormecendo nos sofás da sala.

O fim de semana passou as aulas retornaram na Segunda, seguindo a semana. Catra e Adora já não se ignoravam ou se evitavam no colégio, mas também não tinham diálogos muito longos, pois Catra logo desistia quando via qualquer pessoa que pudesse querer a atenção da loira se aproximar. Voltou a lançar seus “Hey, Adora~”, que eram costumeiros antes, quando se encontravam e ditar pequenas provocações como chamá-la de idiota, que não era ofensivo, mas sim um costume antigo. 

Adora sentia que estava se aproximando dela aos poucos e isso a alegrava. Porém a alegria foi interrompida pela preocupação da loira quando a outra começou a faltar vários dias seguidos e ninguém sabia dizer o porquê. Chegou a mandar mensagens que não foram respondidas e já havia completado uma semana de faltas aquela altura.

Naquele momento, Adora estava na cantina com seus melhores amigos no intervalo de almoço, transparecendo sua preocupação. 

– Mas ela veio as primeiras semanas normalmente, por que ela faltaria uma semana inteira assim? - Adora falava, um tanto nervosa.

– Porque ela é delinquente, Adora. É isso que delinquentes fazem, esse tanto de aula já foi demais para ela. - Glimmer comentou, comendo seu almoço.

– E se aconteceu alguma coisa? Você sabe que ela é toda problemática e destrutiva… Eu vou na casa dela, descobrir o que aconteceu, ou no trabalho dela. Acho que na casa tem menos chance de causar problema, na verdade.

– Mas você não disse que ela te disse no encontro que não queria você aparecendo na casa dela sem ser chamada? - Perguntou Bow.

– Ela disse, mas a situação é diferente. Os professores começaram a falar que se ela continuasse faltando assim ela ia começar a ter problemas e a gente não sabe o que está acontecendo, ela pode estar doente… - A loira já havia começado a ficar paranoica com a situação.

– Adora, eu acho que ela está bem. E não acho uma boa ideia você aparecer na casa dela assim, não é muito legal, sabe? Mas se você quiser ter tanta certeza… O máximo que você vai receber é uma cara de brava dela. – Bow tentava tranquilizá-la, mesmo que achasse que seria em vão.

–  E se decepcionar ainda mais... – Glimmer comentou.

Adora ficou um tempo pensando – Eu vou lá, eu preciso saber se está tudo bem. 

Glimmer e Bow se entreolharam e a baixinha suspirou, enquanto ele comentou – Se for te deixar mais calma…

E assim Adora o fez, era sábado no dia seguinte e Adora tinha pegado ônibus para a casa de Catra. Depois de ter todas suas mensagens ignoradas, Adora não conseguiu evitar ser tomada por suas paranoias. Sabia como Catra poderia ser cabeça dura, então se estivesse mal ou com os problemas, ela tentaria resolver sozinha, e a loira não sabia se confiava em seus métodos. Então, depois do almoço, naquele dia chuvoso, seguia até o prédio que havia a deixado-a da outra vez. 

Catra havia começado a faltar para começar a trabalhar período integral por um tempo. Tinha sido avisada pelo proprietário de seu apartamento, a algumas semanas, que o aluguel seria aumentado e Catra, que já tinha seu dinheiro contado, não conseguiria pagá-lo só com o salário que tinha. Tentou discutir com o dono do apartamento, mas ele insistiu no aumento, então conseguiu negociar com seu patrão para fazer horas extras. Então, Catra decidiu tomar aquela semana para fazer isso, e logo, estava cansada da semana e deixou aquele fim de semana para passar o dia todo no sofá.

Quando quase cochilava enquanto assistia qualquer coisa na TV, ouviu o interfone tocar e ficou confusa, e irritada. Foi até o interfone, tirando e colocando ele do gancho, pois sabia que ele estava quebrado e não conseguiria ouvir quem era. Colocou um roupão e uma pantufa, ainda de pijama, pegou as chaves na mesa e abriu a porta de entrada para descer ver quem era. Seu mau humor habitual triplicou e desceu irritada. Não tinha ideia de quem era, mas considerando que o interfone estava quebrado, preferiu conferir o que poderia ser, mas já xingava até a décima geração, independente de quem fosse.

Desceu as escadas e foi até o portão, bufando e batendo o pé. Quando abriu o portão, que não precisava de chaves para abrir por dentro, viu Adora parada na frente dele, tomando a chuva leve da garoa que estava naquela tarde, e sorrindo em sua direção.

–  Oi, Catra.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado, já estou preparando mais.


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