História Prometa-me - Capítulo 1


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Categorias Hetalia: Axis Powers
Personagens América (Estados Unidos da América), Rússia
Tags Alfred Jones, Amerus, Guerra Fria, Harumachi, Histórico, Ivan Braginsky, Pós Guerra Fria, Rusame, Space Gays
Visualizações 60
Palavras 2.102
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Slash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá <3
Recentemente, ando encontrando diversas one-shots de Hetalia em meu pc (quase todas deste ship xD) e decidi que vou postar as que eu gosto.
Essa aqui tem uma referência lá no finalzinho, espero que gostem ><

Capítulo 1 - Capítulo único - Algo impossível


Fanfic / Fanfiction Prometa-me - Capítulo 1 - Capítulo único - Algo impossível

— Acabou, Amerika — os dois homens encontravam-se lado a lado em uma paz agora completamente incomum a ambos, encostados na parede da varanda de um suntuoso quarto de um hotel de luxo. O mais alto, envolto em um pesado casaco de inverno, aceitou um cigarro do maço oferecido a si, e acendeu-o com um isqueiro dourado pescado de um de seus muitos bolsos.

— Eu sei — respondeu o menor enquanto o outro puxava a fumaça tóxica e inebriante. Seu olhar distante se perdia em meio às luzes hipnóticas que começavam a se acender com a chegada da noite, conferindo outra face à metrópole que se estendia e aos pedestres que passavam lá embaixo.

— O que vai fazer daqui em diante? — Uma pergunta em meio a outra tragada, proferida em um tom baixo e contido que escondia o cansaço e a irritação, originados não apenas pelo conflito que se estendera durante décadas, mas também por outro motivo, mais desgastante que a presença do homem ao seu lado. — Continuar a brincar de herói, se escondendo dos crimes que cometeu?

— E de quem é a culpa? — O tom acusatório fez o maior bufar, expelindo junto a fumaça. O menor descartou o cigarro no chão, esmagando-o com a sola da bota. A brisa suave acariciava seus cabelos dourados, ondulando-os ao sabor da noite.

— Certamente, eu não passei os últimos anos brincando de pega-pega comigo mesmo.

O estadunidense finalmente desviou os olhos da paisagem e fitou de soslaio o homem que lhe fazia companhia. A expressão de Rússia era como um céu nublado, sem revelar mais que uma camada superficial de seus pensamentos. Ele enterrava o nariz proeminente em seu cachecol levemente sujo pelas cinzas do cigarro. O tubo de nicotina se consumia lentamente entre os dedos do soviético, sem que este fizesse menção de dar mais uma tragada.

— Vindo de seu país, eu não duvido de nada — rebateu América, esperando uma reação mais explosiva por parte do russo, como sempre acontecera nos anos de conflito com o mais velho. Ao menos, lhe daria uma desculpa razoável para trocar mais umas farpas com ele, seu maior inimigo.

No entanto, Rússia não respondeu. Ele apenas puxou a fumaça do cigarro uma última vez antes de deixá-lo escorregar por entre seus dedos enluvados e cair ainda aceso no chão. Então, o soviético soltou um suspiro, expelindo a fumaça branca que pairou ao redor de seu rosto como uma névoa antes de se dissipar, levada pelo vento.

— Chega — foi o que falou, por fim. Sua voz, que sempre soara alegre e infantil, apenas pronunciava as palavras em um tom vazio e monótono. Ele deu as costas ao americano, encolhendo os ombros e dando o primeiro passo para a porta que o conduziria de volta ao quarto.

— Espere — o russo parou, mas não se virou. — Não vai dizer mais nada?

— E o que quer que eu diga, Amerika? É fácil para você comprar briga com o mundo inteiro agora que minha função terminou e você pode se gabar de seus lauréis. Vá em frente, use as armas das quais tanto se orgulha em quem bem entender. — Uma breve pausa, como se Rússia se forçasse a pôr as palavras a sair de sua boca. — Não é mais da minha conta.

— Então é isso? — O estadunidense resistiu ao impulso de puxar mais um cigarro, e apenas encarou as costas largas daquele que um dia lhe parecera tão grandioso. — Acabou?

O soviético continuou parado, mas não se virou.

— Interprete como quiser — mais uma pausa prolongada. — Você sabe muito bem que eu não tenho mais como mantê-lo sob controle.

As costas de América bateram com força na parede, e ele não respondeu por um longo tempo, apenas fitando o céu nublado e evitando olhar para o russo. Quando este estava quase desaparecendo pela porta, o estadunidense soltou mais uma pergunta:

— Ei, Ivan — a menção ao seu nome humano fez o soviético parar mais uma vez — você já se esqueceu?

— Especifique, Amerika — o tom impessoal atingiu o americano com a mesma intensidade de um murro, mas ele ignorou-o.

— Aquela promessa.

Um som abafado indicou que Rússia estava rindo. América mordeu o lábio inferior, engolindo a raiva que ameaçava subir por sua garganta como lava. Sim, o russo devia ter esquecido – um entrelaçar de dedos com uma criança, um ideal que nunca seria alcançado, mas que o estadunidense era infantil demais para compreender o quão impossível era a sua realização.

— Você realmente levou aquilo a sério?

O estadunidense soltou uma risada forçadamente debochada, que não enganou nem a si mesmo. Ele enfiou a mão no bolso, puxando o cigarro que estava se coçando para consumir, e acendeu-o rapidamente. Claro que o russo não havia sido sincero em sua promessa. Era uma brincadeirinha com uma criança, outrora inocente, que apenas não suportava mais aquele mundo de jogos políticos e conflitos fúteis. Aquelas palavras, que sempre soaram gentis, agora conseguiam transmitir uma simples melancolia vazia.

Esfregou os olhos com a mão que não segurava o cigarro, a risada morrendo aos poucos na garganta. Finalmente, voltou os olhos para a porta aberta, esperando que o russo já não estivesse mais lá.

Os passos pesados que se tornavam cada vez mais audíveis indicavam que ele estava enganado. Rússia havia se aproximado novamente, metade do rosto ocultado pelo cachecol que ele nunca costumava largar, as sobrancelhas erguidas em uma expressão ao mesmo tempo indecifrável e ligeiramente vulnerável.

Pochemu ty plachesh'? — Perguntou ele em um murmúrio trêmulo.

— Nada — América afastou a mão enluvada estendida em direção a si com um tapa, desviando o rosto e tentando esconder as lágrimas que ele sabia que o outro já havia notado. O estadunidense escorregou até o chão, cobrindo a face e engolindo os soluços. — Não é nada.

Rússia, ao contrário do que o americano esperava, não se virou novamente para ir embora: ele apenas fitou os ombros trêmulos do menor e deixou-se cair ao seu lado, encarando a paisagem que América estivera fitando durante tanto tempo com o mesmo interesse que demonstrara durante toda a conversa com ele.

— Sinto muito — o soviético estendeu a mão mais uma vez, alcançando o ombro do estadunidense em um novo gesto indeciso. O maior se sentiu levemente melhor quando o mais novo não o afastou desta vez.

O russo fechou os olhos, encostando a cabeça na parede. Seu cachecol escorregou pelo pescoço, expondo uma enorme cicatriz que inexplicavelmente nunca desaparecera de seu corpo. Ele fez menção de falar algo, mas fechou novamente a boca, sem saber exatamente o que fazer naquela situação.

Como poderia esquecer?

 

O sol forte dos Estados Unidos era agradável em Nova York, a cidade favorita de seu representante, ao contrário do clima desconfortavelmente gélido de Moscou. Era um dos ínfimos motivos de o representante russo apreciar as visitas oficiais ao país daquele pirralho quase inconsequente.

Naquele dia, entretanto, estava ali por razões pessoais. Fugir da rotina exaustiva e abusiva de um líder absolutista era mais que necessário: chegava a ser uma obrigação, um espaço para respirar e se sentir mais humano em meio a um dia a dia sufocante que exigia cada vez menos humanidade de sua parte.

Alfred F Jones o levara para o interior, apesar dos protestos de Ivan de que se contentaria com os encantos da Big Apple, e o apresentara a uma chácara com um jardim imenso repleto de girassóis, para surpresa agradável do russo.

“É um presente”, dissera o estadunidense em uma glória de inocência, entregando um molho de chaves que pertencia à chácara “ao meu primeiro amigo fora da família”.

Alfred colhera uma das flores, oferecendo-a a Ivan, que conseguira exibir um de seus raros sorrisos sem segundas intenções. Um presente tão simples, segundo o estadunidense, mas que dizia ao russo que ele teria um lugar para ir caso não aguentasse mais a situação em seu próprio território.

E à noite, deitados lado a lado na grama, observando as estrelas sem a poluição visual e sonora da grande cidade, Alfred pronunciara a primeira pergunta que mudaria a vida de ambos.

“Por que nós?” pronunciara em tom de dúvida genuína, como se questionasse os astros brilhantes ao longe ao mesmo tempo que amaldiçoasse sua sina aparentemente sem fim. “Existem tantas pessoas no mundo, por que nós fomos escolhidos para representar os países? Por que existimos, afinal? De onde viemos?”

Ivan, meio sonolento após as longas horas de voo, se virara para encarar o estadunidense, usando o braço e seu cachecol como travesseiro.

“Não procure respostas onde não existem” dissera em tom ameno, arrastando as sílabas tanto pela dificuldade em pronunciar a língua materna do americano quanto pelo sono que começava a vencê-lo.

“Mas deve existir um motivo para existirmos” insistira o mais novo, ainda encarando as estrelas.

“E mesmo assim, resposta alguma será suficiente para uma mente tão jovem e maleável” Ivan estendera a mão para acariciar os cabelos dourados do rapaz, que não fizera nada para parar o maior, como o russo presumira que ele faria. O estadunidense também se virara para o amigo, aproximando-se e finalmente fechando os olhos.

“Ei, Ivan” chamou ele após longos minutos em silêncio, escutando o som calmante da natureza ao redor “está acordado?”

“Da” foi a resposta, grogue demais para o russo lembrar do idioma do mais novo. O americano soava empolgado, como uma criança que acabava de maquinar uma trela que com certeza enlouqueceria os pais.

“Pode me prometer uma coisa?”

 

— Fredka — chamou o russo, inclinando-se em direção ao estadunidense. Sua mão continuava no ombro do menor, e ele puxou-o para mais perto. América voltou-se para ele, os olhos azuis marejados e as lágrimas continuando a escorrer por seu rosto. — Eu me lembro, sim.

O norte-americano piscou uma vez, os lábios se entreabrindo em um o fofo. Ivan enxugou as lágrimas do menor lentamente, murmurando frases desconexas em sua própria língua materna em uma tentativa destrambelhada de acalmá-lo.

— Eu sei — a voz do representante dos Estados Unidos soava rouca e exaurida — que foi uma promessa infantil, e não precisa levá-la a sério. Mas eu... eu queria achar que nós dois nos lembrávamos desse segredo, sabe? Eu não queria ter a impressão de que...

— ... de que carregava o anúncio de um crime sozinho — emendou o soviético, sem saber se era isso mesmo que o outro queria transmitir. Para seu alívio, o americano assentiu, fungando.

Ivan estendeu o mindinho, como fizera naquela noite, e esperou Alfred retribuir o gesto, entrelaçando os dedos.

— Eu prometo — murmurou o russo — Que quando você não aguentar mais a sensação de carregar o mundo nas costas, eu o levarei a um lugar onde nunca vão nos encontrar: nós seremos apenas mais um nas costas do mundo.

O estadunidense abriu um pequeno sorriso, inclinando-se para mais perto do maior.

— Agora que você fala em voz alta, parece mesmo algo que não é possível levar a sério.

Ivan riu.

— Mas me parece algo que você diria naquele tempo — o russo enfiou a mão livre nas madeixas douradas, revivendo a sensação de acariciar os cabelos macios do mais novo. — Algo leve, puro e sonhador, assim como você, Fredka.

— Então, você cumpriria a promessa se eu pedisse para ser agora? — Alfred arriscava soar esperançoso, mas a fagulha logo sumiu quando Ivan sacudiu negativamente a cabeça.

— Aproveite seus lauréis, moy dorogoy. É tempo de comemoração aos Estados Unidos e seus aliados. Você não pode fugir das suas responsabilidades, não agora. — Ivan beijou rapidamente a testa de Alfred, percorrendo a bochecha ainda úmida com a ponta dos dedos. Depois, ele se soltou do americano e se levantou, limpando o pó e as cinzas do casaco.

— E você? — Perguntou América, voltando a encostar a cabeça na parede. — O que pretende fazer daqui em diante?

Rússia deu de ombros, como se nem mesmo ele soubesse. Teria que lidar com um segredo que ainda não podia revelar ao estadunidense, além das crises que o Kremlin vivia após o aparente fim do conflito e a óbvia perda da força de sua ideologia político-econômica.

— Acho que por enquanto, apenas irei arrumar a bagunça dentro de minha própria casa antes de ser tarde demais, e devolver Gilbert ao irmão. — Ele se virou, afastando-se lentamente como se não quisesse mais sair dali.

— Ei, Vanya — chamou Alfred uma última vez, encarando o céu que se abria aos poucos, revelando um manto de estrelas que mais lhe parecia um fantasma daquele por qual se apaixonara ao se deitar no gramado da chácara do russo, o satélite que tanto lutara para alcançar primeiro brilhando solitária — recentemente, Japão me ensinou uma nova forma de te dizer a resposta do que você me falou naquela noite.

Ivan virou o rosto, erguendo uma sobrancelha em curiosidade.

A lua está linda.


Notas Finais


Traduções:
Pochemu ty plachesh'? - Por que você está chorando?
Da- Sim
Moy dorogoy - Meu querido



Quanto à última frase dita por Alfred, ela é famosa por ter sido uma adaptação ao traduzir a frase "eu te amo" pelo autor Soseki Natsume para ser entendida melhor pelos japoneses.


Enfim, espero que tenham gostado <3


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