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História Prometido ao Supremo - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Avisos:

• Capítulos contendo cenas mais pesadas, conterá avisos para que você que não se sente bem ao ler, não se sinta obrigado a tal coisa.

• Esta será uma LONGFIC. Os capítulos serão grandes, no mínimo 4K de palavras. Sobre as att's, eu não tenho dias específicos para postar. Eu só posto mesmo quando o capítulo está bem escrito e pronto, então não se preocupem caso eu demore um pouquinho.

• Universo ABO, completamente entrelaçado ao universo do lobos, a qual será bem retratado no decorrer da história.

• Se passa num momento onde existem reis, castelos e essas coisas. Junto algumas tecnologias já avançadas, ligadas a um momento onde as criaturas (todas elas) prezam demais a natureza. Você entenderá tudo no decorrer do enredo.

• Nunca compare essa fic com as outras que você já leu, isso deixa o coração de qualquer autor doendo.

• Está não será uma continuação de DPL, e sim, uma outra história com enredo diferente em tempos diferentes, mas com o casal Jikook. Sendo JK o alfa, e o Jimin o ômega. Como se fosse em uma outra vida.


Se com o decorrer da história, você não gostar da mesma, não se sinta na obrigação de ler, porque eu vou continuar escrevendo mesmo que só tenha um alguém a lendo. Se você que leu DPL, achou aquele história intensa, você não viu nada meu amor 💕. Kkk

(~•~•~•~)

Enfim...

Boa leitura!

E que venha os vários surtos deliciosos! ❤️🐍

Capítulo 1 - Capítulo I.



O frio da madrugada entreva pela a janela e deixava o quarto completamente gelado. Mesmo enrolado em duas cobertas, podia sentir a temperatura baixa lhe recochitiar e fazê-lo tremer embaixo das mantas. Abriu os olhos por alguns segundos e levantou-se da cama observando o lado de fora da janela. Não estava afim de andar  e pisar no chão tão frio, mas mesmo assim o fez, precisava fechar a janela, mas por algum motivo sentia que não deveria fazer tal coisa. Andou até às madeiras frias da janela, e as tocou começando a fechá-las. No entanto, algo lhe chamou a atenção no meio da escuridão, dois olhos laranjas flamejantes o encaravam com certa intensidade, enquanto andava em direção a sua pequena casa. Era um grande lobo, mas não dava para saber qual era a cor da pelagem do mesmo, porque estava escuro demais. Jimin sentia um arrepio estranho no começo de seu espinhaço, que subia até seus cabelos ruivos, o deixando um pouco assustado. Era incomum ver um lobo por ali. Todos daquela região não eram puros, e sim mestiços. Metade humano e metade lobo. Originando-se apenas lobisomens. Os puros viviam no norte, bem longe dos mestiços - considerados inúteis para a sociedade. Tinham classificação comum de alfa, beta e ômega, assim como os puros, tinham também seus cios, mas o que diferenciava era na força, velocidade e todos os outros quatro sentidos, e claro, a capacidade de se transformar num grande lobo. O Park segurou firme as madeiras da janela, quando viu o animal sair do meio do mato e se transformar na forma humana, ainda com os olhos da mesma cor.

Não podia indentificar seu rosto, mas o cheiro marcante que vinha junto ao vento, era gratificante ao seu olfato. Tombou a cabeça de lado e continuou a observar o lobo, que agora estava na forma de um belo homem, não conseguia indentificar sua nudez mas podia ver o formato de seu esbelto corpo. Era algo técnicamente estranho se sentir atraído por aquele ser desconhecido, se perguntava internamente o que ele estava fazendo ali, tão próximo a sua casa, onde morava com os tios. Podia notar o movimentar das cabeleiras do homem. Não sabia dizer se ele era alfa, beta ou ômega. Não sabia muitas coisas sobre os puros, porque não havia estudado ou prestando muita atenção nas aulas sobre estes, já que não via nenhuma extrema importância em saber sobre eles. Sentia-se triste pelo o fato de ter que conviver separado dos puros, por estes se acharem superiores demais, era algo extremamente ridículo. Além do mais, todos eram felinos, apesar das diferenças. Jimin só sabia sobre os mestiços. Olhos vermelhos eram dos alfas, os amarelos dos betas e os azuis dos ômegas - como o seus são. Agora, aquele laranja era um mistério para si. Viu o homem dá mais alguns passos, e pode perceber seus lábios levemente entre abertos, com uma leve expressão de seriedade enquanto encarava o Park. Ele sussurrou algo que o Jimin não conseguiu ouvir muito bem, mas pode entender os movimentos dos lábios do outro.

Mestiço. Foi a palavra dita pelo lobo, antes dele se transforma e sai correndo pela a mata sem mais nem menos. O Park se estremeceu por inteiro ao ouvir o uivo alto estremecedor do lobo, mas algo lhe dizia que aquele uivo não pertencia ao ser de olhos laranjas. Então apenas suspirou e fechou a janela de seu quarto. Caminhou até sua cama e sentou-se sobre a mesma, pegando seu diário em cima da cômoda ao lado. Rastejou até a cabeceira e encostou as costas na mesma, colocando suas pequenas pernas debaixo da coberta. Abriu o seu diário e suspirou mais uma vez, sabia que não conseguiria dormir novamente, então apenas pegou seu frasco com tinta preta - que estava pela a metade - e sua pena branca de ponta fina, começando a escrever.

" 13 de outubro, quinta feira.

Hoje é meu aniversário. Felizmente completo os meus vinte anos de idade, e já sinto o cheirinho de liberdade. Desde que meus pais sumiram, quando eu tinha uns seis anos, passei a morar com os meus tios paternos. Eles não são pessoas ruins, mas sempre me "sufocaram" de certa forma, tentando fazer de mim um ômega perfeito. Eles sempre me treinaram para cozinhar, limpar, ter bons modos, ler e tocar instrumentos delicados, e também, não menos importante, dançar uma boa valsa. Nunca entendi para que tudo isso, eu me sentia sufocado por eles, nunca me deixavam brincar com os betas ou ômegas da nossa vizinhança. Me tratavam como se eu fosse de porcelana, e eu achava isso completamente ridículo, já que na terra dos mestiços, você tem que tentar sobreviver às coisas que nós acontece pelo o simples fato de não termos o sangue puro correndo em nossas veias.

Então, quando eles começaram a me obrigar a fazer aulas  educacionais para ter bons modos, comecei a sair escondido a noite para aprender coisas com os betas e os ômegas da minha idade, na época eu tinha uns treze anos. Acabei aprendendo muitas coisas com eles. Como lutar, caçar, fugir de enrascadas, ofuscar meu cheiro, se esconder, como atacar, o que fazer quando a lua cheia estivesse brilhando no céu e a ameaça dos puros transformados virem nós caçar, e mesmo que fosse completamente errado, eu aprendi a roubar também. Conheci pessoas maravilhosas e fiz grandes amizades, mas apenas confio no Taehyung - que é ômega assim como eu.

Minha sorte, é que consegui arrumar um emprego quando eu tinha uns quartorze anos, como pianista de um bar nortuno que tinha no centro. O salário não era muito alto, mas o suficiente para eu juntar durante seis anos, para conseguir sair de casa e começar uma vida sozinho, bem longe das regras e proibições de meus tios. Eles nunca desconfiaram que eu saia à noite para o trabalho, e isso era ótimo. Provavelmente eles farão algum jantar para mim hoje, e me darão parabéns e tudo mais, e claro, eu os contarei que irei embora na outra manhã ou hoje a noite. Ontem à noite não fui trabalhar, pois pedi um dia de folga - eu nunca tirava folgas ou férias, porque eu realmente precisava do dinheiro - e aproveitei para organizar minhas poucas coisas numa mochila. Eu não tinha muitas coisas para levar, apenas algumas mudas de roupas, uns livros que meus amigos me deram de presente de aniversário e o meu diário. Meu dinheiro eu havia guardado numa conta privada em um banco - feito apenas para mestiços -, era um lugar extremamente seguro apesar dos problemas com crimes que tinham por todos os lados no nosso grande vilarejo. Mas o que poderíamos fazer, se os governantes dos puros não nós davam boas oportunidades? Apesar da nossa educação escolar ser ótima.

Mas sobre a minha atual situação, meu sonho mesmo era comprar uma cabana longe de tudo isso, onde eu poderia plantar a minha comida ou caçá-la, sem depender de ninguém e degustar dos meus livros em paz. Talvez eu encontre um grande amor, e possa ter filhotes, mas no mundo em que vivo isso não é algo que acontece muito. As pessoas se tornaram ariscas e infiéis pelas as más condições em que vivem, então não se podi confiar em qualquer um, ou dar sua vida por alguém que sequer te ama.

Agora...

Mudando de assunto, não faço ideia de quem é aquele puro a qual me encarava nesta madrugada. Ele parecia me analisar, cada mínino pedaço, e aquilo me deixou um pouco alarmado. Era completamente estranho um deles aparecer assim, sem estar em época de lua cheia, ainda me analisando daquela forma. Senti um pouco de receio, pois eu sei que daqui para frente vou parecer mais atrativo aos olhos dos puros, assim como os alfas e betas mestiços. Nesta noite, até eu me senti um pouco incomodado com o meu cheiro doce, e isso é algo que devo controlar.

E só de pensar que eles ficarão me rondando como leões prestes a devorar sua presa, eu já me sinto completamente assustado. E pelo o que minha tia me disse, todo mestiço ômega após completar a idade da fertilidade - que no caso são os vinte anos - teria o seu primeiro cio. Seu corpo ficaria completamente a disposição de um bom alfa, para poder engravidar e gerar um filhote. E vamos dizer que fiquei um pouco impactado com tamanha informação, mas acabei me lembrando de que sempre quando ela estava no cio ou o meu tio, ambos me faziam uma pequena mala e me deixavam passar uns dias na casa do Tae. Eu nunca achei ruim, mas pensando bem... Eu não fazia a menor ideia do que fazer quando o meu cio chegasse. Meu tio disse que para um ômega, doía muito o corpo inteiro, principalmente na região do pé da barriga. E que eu exalaria um cheiro completamente intenso e atrativo a qualquer alfa, e só me sentiria bem se me deitasse com alguém e sentisse ao menos o calor de um alfa para fazer a dor diminuir.

Pelo os meus cálculos, eu ficarei no cio na próxima lua cheia, que será daqui a um mês. Eu ainda estou ponderando entre passar o meu cio com alguém ou sofrer com dores intensas durante três longos dias. Mas vou arrumar um jeito de ficar bem...

Ah...

Como eu poderia esquecer. Nessa lua, eu também serei  presenteado com a minha transformação. Não é igual a dos puros, as quais se transformam em grandes lobos, mas nós os mestiços, também ficamos atraídos pela a lua e temos pequenas mutações no corpo. Como as orelhas que ficam pontiagudas e felpudas - da cor do nosso lobo -, nossas sobrancelhas também ficam cheia de pelos grossos, a boca e o nariz mudam um pouco, aparecem bigodes a cima de nossos lábios, nossos olhos mudam de cor - no caso, os meus ficarão azuis por eu ser um ômega -, aparecem garras nos dedos das mãos e dos pés - não muito grandes -, aparecem pelos nas costas que vão do pescoço até o final do espinhaço terminando em uma linda calda felpuda, nossos braços nascem pequenos pelos - mas não tanto como as outras partes do corpo. Mas por ser um ômega, meu corpo exala um cheiro atrativo e suave, para que os alfas e betas não me ataquem ou achem que sou uma ameaça. Sei dessas coisas, por que eu amava as aulas sobre os mestiços ou chamados pelos os humanos - os que restaram - de lobisomens.

É realmente um sonho para mim, poder pegar nas minhas orelhas peludas e ver a cor dos pêlos da minha metade lupina, mas tenho medo dessa lua pelo o simples fato dessas duas ocasiões acontecerem juntas - tanto a transformação quanto o cio.

Ficarei atrativo demais para um alfa de sangue puro.

Porém, espero do fundo do meu coração que nenhum deles apareça por perto quando eu estiver nessa situação.

Por hoje é só. Amanhã voltarei com mais novidades."

O garoto fechou seu diário e o guardou na primeira gaveta da cômoda, junto ao frasco de tinta e a pena. Depois fez um mantra em sua mente, para não esquecer de pegá-los e  guardá-los na sua mochila. Observou em silêncio, o céu azul se tornar alaranjado com o nascer do sol, que para ele era incrivelmente magnífico junto as bonitas árvores formosas e grandes. Levantou-se da cama, e caminhou até seu guarda roupa, pegando um casaco cinza de linho, calçando suas botas marrons que estava do lado do móvel - sem esquecer de por suas meias azuis claro - ficando vestido com sua calça moletom. Caminhou até o banheiro e lavou o rosto bem lavado, escovando os dentes com a pasta de dente que havia comprado com o dinheiro de seu salário, já que seus tios não ligavam muito para tal coisa, o que era extremamente nojento. Mas logo o Park não estaria ali, para dizer o que achava ou não daquela casa, ou dos costumes dos tios.

Jimin pegou sua bolsa de lado marrom, e saiu do quarto com certa rapidez, na intensão de não topar com nenhum dos Park logo pela manhã, porém sentiu o cheiro dos mesmos vindo da cozinha e logo resmungou mentalmente indo em direção ao cômodo.

_ Bom dia, querido! - Disse a senhora Park Minli, com o seu costumeiro sorriso falso enquanto fritava vários pedaços de bacon numa grande frigideira.

Os tios do Jimin amavam um belo pedaço de carne ou algo do tipo. Segundo eles, as proteínas das mesmas os faziam mais fortes e resistentes, o que de certa forma alimentava o lado felino deles. O ômega também comia como eles, mas nunca dispensou umas verduras ou folhas, pois sabia o quão perigoso era os hábitos de um lobo, e que isso poderia tornar a pessoa cada vez mais selvagem. Então na maioria das vezes, quem conzinhava era o garoto e a Park apenas limpava a casa.

_ Bom dia. - Respondeu o garoto se sentando em sua cadeira, enquanto observava sua tia cantarolar algo, bem animada. O que era extremamente estranho para a sua personalidade tão silenciosa.

_ Bom dia, ômegas. - Disse o tio do Jimin com um sorriso calmo, entrando pela a porta dos fundos com um pedaços de lenha em mãos, os colocando perto da porta.

Jimin se manteve em silêncio, achando aquela felicidade muito duvidosa. Seu tio caminhou até a ômega e lhe deu um beijo na bochecha, sussurrando:. "Eu vou tomar um banho e depois eu desço para o café, e você aproveita e conversa com ele.", e a ômega apenas confirmou enquanto o outro caminhava até o Jimin. Agachou perto do garoto, e tirou do bolso da camisa uma pequena embalagem de presente com um laço na ponta e colocou na frente do menino, sobre a mesa.

_ Olha Jimin, eu sei que sou muito severo com você e tudo mais, e que as vezes te irrito, mas é pelo o seu próprio bem. - O alfa dizia sincero e com um pequeno sorriso triste no rosto.

_ Fico feliz que tenha se tornando um bom ômega, e por ter sido um bom filho e sobrinho nesses anos de convivência. Quero que sabia que estou muito orgulhoso de você. Enfim... Feliz aniversário! Espero que goste do presente. - Ele se levantou e deu leves batidinhas no ombro do garoto, que apenas ficou estático com as palavras bonitas do tio, que saiu da cozinha e subiu as escadas para tomar um banho e pensar na merda que tinha feito a uns anos atrás.

O Park observou a pequena caixinha embalada em papel de presente e a guardou na bolsa, com medo de abri-la. Viu sua tia ir para a mesa e colocar a frigideira cheia de pedaços de bacon na mesa, com um pedaço de pano em baixo. Mas também trouxe um vasilha cheia de frutas deliciosas e bem cortadas, para aquele último café da manhã com o seu sobrinho. Ela sorriu para o Jimin, e sentou-se à mesa colocando a mãos abertas sobre ela para que o Jimin as segurasse e assim fez o ômega. A Park nem ao menos tinha começado a falar, e seus olhos marejaram. Jimin achou aquilo, algo bastante genuíno já que seus tios não desmonstravam qualquer tipo de sentimento a ele ou algo semelhante. O cheiro da ômega mais velha denunciava que ela estava arrependida, mas também completamente feliz.

_ Olha meu filho. - Disse a ômega com a voz embargada,o chamando daquele jeito que sempre o chamou desde que o Jimin perguntara a muito tempo se ela seria a nova "mamãe" deles, desde que seus pais sumiram.

_ Eu quero dizer que estou muito orgulhosa de você e que tu se tornara um ômega maravilhoso. Você sempre foi um bom filhote para mim, mesmo sendo o filho da minha querida cunhada. Sei que eu não demonstro muitos sentimentos na sua frente, mas eu queria dizer que eu te amo muito, e é uma grande felicidade saber que você conseguiu chegar aos seu vinte anos, porque tu sabes o quanto é difícil ser um mestiço nesse mundo. Acho que não tenho mais nada a dizer, do que lhe dar parabéns ou um feliz aniversário. - Ela disse deixando as lágrimas cair e o Park sentiu seu coração se apertar, ficando um pouco feliz por seus tios terem orgulho de si.

_ Eu preparei um picado de frutas para você, já que não gostas de ficar comendo muita carne. - Ela mudou de assunto secando as lágrimas, fazendo Jimin sorri alegre se levantando da cadeira e abraçando a ômega que se assustou mas logo retribuiu o abraço de forma calorosa - mesmo não gostando muito de toques do tipo, ela se sentia arrependida por muitas coisas que fez com o seu sobrinho em silêncio, e até mesmo de não ter lhe dado carinho, mesmo sabendo que o garoto era ômega.

_ Obrigado por ter me criado, tia Minli. E pelo o café da manhã. - Sussurrou o Park, que logo se afastou e sentou em seu lugar começando a servisse com a comida.

A ômega apenas o observou em silêncio, e começou a servisse também, vendo seu marido descer as escadas e se juntar a mesa. Jimin sabia que algo ali não estava certo. Beleza que era seu aniversário de vinte anos e tudo mais, mas não precisava daquelas declarações todas. Tudo aquilo parecia muito uma despedida do que só um "feliz aniversário". Seu tio nunca o dava presentes, e sua tia nunca fazia um café da manhã diferenciado para o ômega em seu aniversário. Era estranho demais para o Jimin, e ele iria descobrir o que era tudo aquilo. O Park terminou de tomar seu café com certa rapidez e se levantou da mesa, indo lavar seu prato que havia sujado. Assim que terminou foi até onde seus tios estavam e soltou um leve suspiro.

_ Hoje vou demorar um pouco para voltar. Parece que o Sr. David vai dar uma aula extra hoje para finalizar nosso curso de piano. - Falou o garoto para os tios, mas estava mentindo, iria se encontrar com o Taehyung para passarem mais um belo dia juntos e conversarei sobre coisas importantes.

_ Querido, não pode ficar lá até às cinco da tarde. - Disse a tia do garoto um pouco seria.

_ É Jimin, hoje receberemos uma visita especial que participará do nosso jantar que iremos fazer para você, em comemoração ao seu aniversário. - Acrescentou o alfa, que agora parecia um pouco nervoso olhando para a ômega e depois para o Park.

_ E que horas mais ou menos vai ser esse jantar? - Perguntou o garoto tentando reorganizar uma tabela de horários em mente, para poder dizer aos tios que iria embora daquela casa, ainda naquela noite.

_ Será às sete, quero que fiques bem arrumado. Será um jantar importante para todos nós. - Disse a ômega com um sorriso estranho no rosto e o Park deu de ombros, fingindo está de boa com aquilo.

_ Claro. Estarei em casa antes das seis, não se preocupem. - Respondeu sincero e os Park confirmaram deixando que o garoto saísse de casa, rumo a sua aula de piano - que na verdade era a casa do Taehyung.

{...}

(Pov. Park Jimin)

_ Tô te falando! Foi muito estranho. - Respondi o ômega, enquanto estávamos subindo num pé de manga, de uma reserva privada que ficava próximo a casa do Kim.

_ Será que eles vão fazer você se casar com algum alfa rico daqui da região? - Disse o ômega, com medo de cair da galha enquanto cutucava uma manga com uma vareta.

_ Sai fora! Se for isso, eles não poderão fazer nada! Eu não vou me casar com ninguém! Eu vou é fugir mesmo, meus tios são malucos! - Falei aos cochichos, por causa do cheiro dos cães que estavam próximos dali, e eles poderiam nos achar.

_ Eu ajudo! - Disse o Tae, finalmente pegando duas mangas com a vareta e jogando uma para mim.

_ Não quero te meter em enrascada. Além do mais, vou embora hoje e todo esse sofrimento que venho sofrendo calado vai acabar. - Falei enquanto retirava as cascas da fruta, assim como o Kim que já estava começando a se lambuzar.

_ Hey Jimin, eu até fugiria com você, mas sabe que estou completamente apaixonado naquele barqueiro que trabalha nas docas da região. Eu quero muito que ele seja o meu alfa. - Falou todo apaixonado e eu ri baixinho com aquilo, sentindo uns fiapos de manga ficarem entre os meus dentes.

_ O Hoseok? Aquele gatinho de cabelos tão ruivos quanto os meus?

_ Exatamente. - Ele riu e eu sorri pela a felicidade do mesmo.

_ Taetae. - Chamei pensativo, e terminei de chupar a manga, jogando o caroço no chão.

_ Fala Chimchim, hum quero mais... - Sussurrou pegando outra manga no pé.

_ Hoje acordei de madrugada sentindo-me congelando.

_ Já sei, você teve um daqueles sonhos estranhos com um cara que parecia um demônio querendo partir seu corpo no meio e comer suas tripas? - Me interrompeu com uma cara de quem já entendia aquela história toda e eu fiz um bico, aproveitando para chupar os meus dedos melados de caldo.

_ Não seu bobo! Não era sonho. - Falei me enconstando numa galha e relaxando meu corpo sobre a mesma.

_ Hum... Agora eu interessei. - O ômega terminou de chupar o segundo fruto, e ficou chupando os dedos e lambendo os lábios, na tentativa de se limpar e não deixar nenhum vestígio do caldo amarelado e doce.

_ Eu fui até a janela para fechá-la, mas acabei ficando parado no lugar quando vi um lobo do lado de fora, me olhando com grandes olhos laranjas.

_ Como é? - O Kim parou de chupar os dedos e me encarou estranho.

_ Pois é, daí ele se transformou num homem e continuou lá me olhando, sussurrando "mestiço". Ele ia se aproximar mais, porém ouvimos um uivado alto que me arrepiou todinho, e ele se foi. - Terminei de falar e encarei o Kim, que estava espantado com os olhos arregalados me encarando.

_ Que foi Taehyung? Isso é muito ruim?! Por que tá me olhando assim? Cara, fala alguma coisa! - Falei começando a me desesperar com a falta de resposta do outro, e ele apenas balançou a cabeça para os lados, sorrindo.

_ Se acalma criatura! Só estou teorizando aqui, não é como se ele fosse te matar...

_ O quê?

_ Ashi! Olha Jimin, se você tivesse prestado mais atenção nas aulas sobre os puros, não estaria enlouquecendo agora. - Ele gargalhou alto, mas acabou chamando a atenção dos cães que começaram a latir e vir na nossa direção.

_ Que merda!

_ Sujou! Vamos cai fora! - Gritou o ômega, começando a pular de uma galha para outra, para cai do lado de fora da cerca e eu segui da mesma forma.

A sorte era que a gente treinou parkour* com uns alfas ladrões , da baixada oeste da região. Custou umas costelas quebradas e dentes - por isso que um dos meus nasceu tortinho -, mas a gente aprendeu.

_ Essa foi por pouco.

_ Nem me fala. - Respondi e começamos a correr pela a rua em direção a casa do Taehyung.

Meu amigo morava sozinho, numa pequena casa feita de madeiras por ele mesmo. Desde que fora, literalmente, despachado do orfanato da região por roubar morangos na horta da governanta do local. Na época ele tinha uns quartorze anos, e acabou aprendendo sozinho muitas coisas e me ensinou todas elas.

_ Mi casa, es tu casa! - Ele disse brincando enquanto abria a porta para eu entrar, e assim eu fiz rindo com o humor do Kim.

Coloquei minha bolsa no sofá da sala, e fui ao banheiro para me lavar e retirar os fiapos de manga que ficaram nos meus dentes.

_ Aí. - Resmunguei sentindo umas dores na gengiva.

Não sei porque ainda vou comer manga com o Tae.

_ Que isso, hyung? - Disse o Kim, aparecendo na porta do banheiro com a caixinha de presente que meu tio me deu.

_ Não fica mexendo nas minhas coisas! - Briguei com ele, e tomei a caixinha de sua mão, dando uma última olhada no espelho para ver se ainda tinha algo no meu dente.

_ Ashi, você sabe que eu sou curioso! E a caixinha tinha rolado para o lado de fora da sua bolsa. - Ele respondeu tentando achar um motivo verídico para aquela situação.

_ Humrum... Sei. - Falei saindo dali, indo me sentar no sofá.

Antes que eu me sentasse, senti os braços do ômega em volta de mim, me abraçando tentando se aninhar ali, até que nos dois caíssemos sentados no sofá do mesmo.

_ Olha eu até deixo você ver, mas tem que me dizer o que estava teorizando sobre aquele lobo que vi. - Respondi, me desvencilhiando do abraço do mesmo, para virar de frente para ele e poder encarar o bico nos lábios do mesmo.

_ Odeio sua persuasão, hyung. - Ela falou bravo e eu sorri vitorioso.

_ E eu amo essa sua cara de bravo. - Respondi dando um beijo estalado na bochecha rosada de mesmo, vendo-o ficar envergonhado.

_ Se o Jung ver isso, ele te mata.

_ Você é meu e não dele, se eu quiser saio no tapa com ele por sua causa! - Falei fazendo cara de debochado, e ele gargalhou.

_ Oxi, não quero que ninguém te machuque! Sou lindo demais para me deparar com uma cena dessas, mas você sabe que sou do Hoseok e ele me acha um gato. - Ele falou todo sonhador, e eu subi no colo dele fazendo cócegas em sua barriga, vendo-o gargalhar.

_ E eu te acho um baita de um gostoso! - Fiz mais cócegas no mesmo e ele gargalhou alto, pedindo clemência.

_ Eu sei, enfim... - Ele gargalhou e se levantou pegando um livro que estava na estante, indo se sentar ao meu lado, quase de fundindo ao meu corpo.

_ Você disse que os olhos dele era laranja, então ele era um beta. Aqui! - Disse apontando para umas anotações que ele mesmo tinha feito.

Alfas tinham olhos roxos e ômegas tinham olhos verdes, mas isso era a designação dos puros.

_ Pelo o que sei, os betas e ômegas da espécies deles nunca andam sozinhos, sempre estão sobre proteção de um alfa e vão servi-lo para qualquer coisa, até fazer o que o mesmo pedir. - Ele disse calmo e eu até o momento não estava capitando nada.

_ Tenho certeza que aquele beta estava te observando a mando de alguém, já que ele sussurrou o nome de sua espécime. Sem contar que ainda pode ser pelo o fato de seus tios estarem estranhos consigo hoje, talvez eles queria te casar com um puro, que no caso é um alfa, que mandou um beta dele te observar. - Ele disse a teoria dele e eu ri espantando.

_ Tá brincando Taetae? Esqueceu que eles são proibidos de se casar conosco? É quase uma injúria para a palhaçada deles de ficarem falando "Os puros nunca podem se misturar com od meio sangue e blá blá blá"! - Falei imitando uma voz enjoada e o ômega riu.

_ Eu sei, por isso descartei essas teoria. Os puros alfas e betas, podem se sentir atraídos por ômegas que acabou de atingir sua idade da fertilidade,  a qual é o momento onde a gente libera mais feromônios que o normal. Então, ele estava marcando território lá, para poder te ter quando a hora certa chegar. - Falou o ômega com um sorriso sacana e eu fiquei completamente envergonhado.

_ Credo menino! Suas teorias são péssimas!

O ômega gargalhou e fez sinal com a cabeça, para que eu abrisse o presente. Suspirei cansado, e olhei para a embalagem bem embrulhada começando a retirá-la dali. Abri a caixinha branca e dentro tinha um papel bem dobrado e pequeno com algo escrito dentro:

"Este cordão de prata era da sua mãe. Ela me deu quando estava grávida de você, e me disse para eu guardá-lo  e dá-lo a você quando completasse seus vinte anos. Por algum motivo, ela não me disse o porquê de ter feito isso... Até parecia que já sabia que algo aconteceria com ela. Mas enfim, espero que goste do presente.

Ass: Park Reili."

Li em voz alta e logo deixei o papel de lado, pegando o cordão de prata dentro da caixinha. Tinha uma meia lua de prata, bem desenhada e dentro da mesma havia um pérolado com um desenho da lua cheia junto a um lobo negro uivando. Era lindo e bem delicado. Olhei para o Tae sorrindo e fiz sinal para que ele colocasse em mim.

_ É tão lindo! - Encarei meu presente e me senti feliz por ter algo que pertencia a minha mãe.

_ É sim! - Disse o Kim observando o presente, mas logo notei certa tristeza em seu rosto.

_ Que foi Taetae?

_ Ah hyung... Você tem mesmo que ir embora? - Perguntou fazendo um bico, com os olhos marejados.

_ Eu tenho meu docinho de coco. Não precisa ficar triste por isso, eu vou vir te visitar, tá bem? Eu realmente preciso respirar ares diferentes. - Falei fazendo um carinho na bochecha do ômega, e ele logo me abraçou com força, e eu retribui o gesto.

_ Eu te amo, hyung.

_ Eu também amo você, meu anjo. - Respondi fazendo um carinho nos cabelos do outro que logo começou a ronronar em meus braços.

_ Me beija.

_ Que? - Afastei dele e o mesmo olhou para mim com um sorriso tarado, mas ainda podia notar a tristeza no olhar dele.

_ Uá... É meu presente para você, o seu primeiro beijo.

_ Está louco Tae? Isso é quase um incesto! - Falei espantado, mas com as bochechas pegando fogo.

Esse ômega é maluco!

_ Para Jimin! Você sempre quis me beijar, desde quando a gente se conheceu. Você era caidinho por mim e nem sabia disfarça! Acha que não notei? Agora para de marra e me beija! Eu nunca mais vou te ver mesmo... Quero uma lembrança marcante com você! - Ele disse me puxando para o colo dele, e abraçando minha cintura com firmeza para eu não fugi.

Tudo que ele tinha falado era verdade. O Kim foi minha primeira paixão na adolescência, mas acabou que a gente se tornou melhores amigos, mas o ômega era muito doido.

_ Não! Nem pensar!

_ Ah vai! Por favorzinho! Só um beijinho! Deixa eu senti o gostinho da sua boca, por favor! - Ele disse todo manhoso, e eu senti vontade de esmurrar a cara dele por ter aprendido a ser tão persuasivo como eu.

_ Tá bom! Só um... Mas eu não sei beijar!

_ Ótimo, vai aprender comigo.

O Tae nem esperou eu falar mais nada, e logo me beijou com gosto. Só um tocar de lábios. Ele movimentou sua boca sobre a minha e eu segui tentando não pensar na estranheza daquilo. Suspirei entre o beijo. Ele apertou a minha cintura com carinho, e eu coloquei as mãos sobre as bochechas do mesmo fazendo um carinho gostoso ali. Ouvi ele soltar um gemidinho baixo, e eu o senti morder levemente o meu lábio inferior com carinho, o puxando e soltando devagar, e logo fiz o mesmo com ele, sentindo um gostinho de manga e aprendendo como beijar. Ele adentrou devagar sua língua na minha boca e eu logo acompanhei os seus movimentos, gostando daquele tipo de toque. Era novo para mim, e era bom, mas estranho em pensar que era o meu amigo ali, mas deixei isso de lado, e aproveitei para adentrar as mãos nos fios da nuca do ômega e fazer um carinho ali, me lembrando do sentimento antigo e já perdido, que sentia pelo o Kim a muito tempo. O ar já faltava para nós, e logo me separei do meu amigo, dando pequenos selinhos no ômega ouvindo sua risada baixa.

_ Para quem nunca beijou, você não foi nada mal. Pensei que tu ia bater seu dente no meu! - Ele disse rindo e eu dei um tapa no ombro do mesmo.

_ Seu bobo.

_ O que achou?

_ Foi bom, mas parecia que... - Pausei e ele tombou a cabeça para um lado. _ Estava beijando um irmão. - Ele falou junto comigo e nos dois rimos, fazendo um carinho um na orelha do outro.

_ Vamos fazer pipoca? - Disse o Tae todo animado e eu sorri.

_ Claro! Você lava as panelas dessa vez!

_ Ah não hyung! Não seja mal comigo! - Ele disse fazendo um bico e eu neguei com a cabeça.

_ Não caio mais nessa, manguinha azeda! - Pulei do colo dele e sai correndo para a cozinha, ouvindo-o brigar comigo por chamá-lo daquele jeito.

_ Olha que eu te beijo de novo! - Ele gritou e eu revirei os olhos, pegando o milho de pipoca no armário.

Vou senti falta do Tae.

{...}

Depois de ficar quase a tarde inteira na casa do Kim, eu voltei para casa para tomar um banho e me aprontar para o tal janta. Meus tios não paravam de andar para cá e para la, limpando e organizando tudo. Juro que nunca tinha visto a casa tão limpa como hoje. Minha tia não parava de falar um minuto para que eu me arrumasse bem e ficasse apresentável. Mas não dei muita bola para isso, e vesti uma blusa de linho branca, com capuz e mangas longas, deixando o meu colar a mostra, juntamente a uma calça de laica preta bem marcada para que fosse mais fácil para eu caminhar para bem longe da casa dos meus tios, e as minhas botas escuras e confortáveis. Então fiquei em meu quarto terminando de por as últimas coisas em minha bolsa para eu ir embora. Já estava tudo planejado, depois que o jantar acabasse e as visitas fossem embora, eu iria logo depois sem perder tempo.

_ Jimin, vem logo! Eles estão chegando, o cheiro está perto. - Ouvi minha tia gritar e logo deixei minha bolsa próximo a minha janela.

Observei minha cama, e só agora notei um pacote de presente na mesma. Peguei-o e o abri com cautela, vendo um papel dobrado dentro.

"Feliz aniversário! Espero que o moletom azul claro combine com a sua pele, meu doce ômega. Fiquei sabendo que tu és lindo, meu anjo.

Ass: J. K.'S. "

Olhei o moletom com cautela e observei os pequenos detalhes em dourado. Parecia a roupa de um príncipe, mas algo me diz que isso não tem nada haver com a realeza.

Quem será "J. K.'S." ?

Deixei o presente em cima da cama, quando ouvi minha tia berrar lá baixos, ao ouvirmos batidas na porta. Sai correndo do comendo e desci as escadas, indo até a porta. Quando ia colocar a mão na maçaneta, um pressentimento ruim tomou o meu interior, mas não dei bola e girei o trinco, abrindo a porta e dando o meu melhor sorriso, mas logo ele se murchou junto a minha cara de espantando quando senti aquele cheiro.

_ Você...

_ Boa noite, Jimin. - Respondeu o beta, com um sorriso extremamente prentencioso e bonito.


Notas Finais


Parkour*: A palavra é um jeito diferente de escrever parcours – “percurso” em francês. O objetivo do parkour é se deslocar de um ponto a outro (daí o nome) de modo rápido e direto, sem desviar de obstáculos como muros, vãos ou carros. Eles devem ser transpostos com manobras que envolvem saltos, escaladas e nenhum equipamento além do próprio corpo.

Colar do Jimin: https://pin.it/lpyiwxovo3773q


Espero que tenhas gostado! Kkk 🐍❤️

Nos vemos no próximo capítulo.


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