História Promise - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Tags Bono, Deficiencia, Drama, Ggukiechu Day, Jikook, Kookmin, Presente, Sadfic
Visualizações 98
Palavras 7.885
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Não betado 💔

Boa Leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Promise - Capítulo 1 - Capítulo Único

Tudo começou em Busan quando Park Jimin tinha acabado de completar seus seis aninhos, época em que Jeon Jeongguk se mudou com seus pais para a casa ao lado. No início os pais de ambas crianças fizeram amizade facilmente, ainda mais as duas mulheres que tinham muito em comum e vire mexe a sra. Jeon precisava deixar Jeongguk na casa dos Parks, já que por ser médica tinha que atender as chamadas às pressas e o sr. Jeon trabalhava o dia todo no mesmo lugar que o sr. Park, porém em setores diferentes. As duas crianças tiveram um pouco de dificuldade para criar amizade, mas só foi a sra. Park falar em fazer torta de limão e Jeongguk comentar que não gostava, para que Jimin iniciasse um longo falatório sobre o quão bom era a torta de limão de sua mamãe. E, no final, Jeongguk comeu a torta e aprovou que, sim, a torta de limão da sra. Park era uma delícia.

Quatro anos se passaram e as duas crianças tinha uma amizade bem "não te largo por nada, amiguinho" que, por vezes deixava os pais enciumados pelos dois se darem tanta atenção e esquecer dos mais velhos. No aniversário de dez aninhos do Jimin, o pequeno Jeongguk queria presentear o melhor amigo com o melhor presente, porém sua mesada não seria suficiente para um presente, apenas dava para comprar dois pirulitos e uma barrinha de chocolate o que não lhe agradava nada, já que seu hyung merecia muito mais que dois pirulitos e um chocolate. Sua mãe percebendo que seu menino estava amuado pelos cantos, foi até o filho perguntando o que tinha acontecido.

— O Jimin hyung a festinha dele é hoje, mas eu não tenho dinheiro para comprar presente para ele, mamãe — disse o pequeno choroso voltando a esconder o rosto entre as pernas. A mulher sorrindo com com a sinceridade do filho afagou os fios escuros, dizendo em seguida;

— Lave o rosto, filho, pois nós iremos comprar o melhor presente para o Jimin — O pequeno levantou o olhar brilhoso em direção a mãe que sorria, não esperando por mais nada pulou abraçando a mais velha.

— Obrigado, mamãe!

O pequeno Jeon correu para ir lavar o rosto e colocar uma roupa bonita para comprar o presente de seu hyung, quando tinha ficado pronto sua mãe o aguardava ao lado do carro com um vestido florido e os cabelos presos num rabo de cavalo alto. Indo para o banco de trás tendo o cinto de segurança colocado, saíram em direção ao centro de Busan onde passaram por longas horas em busca do presente perfeito que, infelizmente não conseguiram achar. Sra. Jeon estava começando a ficar preocupada com o filho todo amuado, precisava pensar em algo e enquanto estava sentada ao lado do filho afagando-lhe as costas observando em volta, parou seu olhar em uma joalheria tendo uma ideia para o presente.

— Kook? — O pequeno levantou o olhar choroso em direção à sua progenitora. — Já sei o que você irá dar de presente ao Jimin.

[...]

Quando o horário da festinha do seu hyung chegou, Jeongguk estava muito ansioso e com medo de que Jimin não gostasse do presente dentro da pequena caixinha de laço azul, já que era a cor favorita do amigo. Sua mãe tinha acabado de se arrumar e seu papai os aguardava na sala, quando estavam os três juntos saíram de sua residência e em poucos passos estavam em frente a casa dos Parks. Jeongguk ainda estava com medo de seu presente não agradar o amigo e, por tal motivo guardou a caixinha no bolso de seu macacão indo na frente de todo mundo e sua mãe havia visto o gesto do filho e sabia que só no final da festinha que entregaria o presente.

A festinha estava bem divertida, para as crianças, já que os mais velhos ficavam indo de um lado para o outro assegurando que nada acontecesse durante as brincadeiras. Jeongguk e Jimin não se largaram um segundo sequer, era sempre os dois dando início a todas as brincadeiras e até mesmo na hora de cantar parabéns Jimin havia feito questão que seu amigo ficasse ao seu lado e quando fizera o pedido apagando as velinhas de dez aninhos, teve ajuda de sua mamãe para cortar o bolo e sendo a primeira fatia entregou ao Jeon que um tanto envergonhado pegou e agradeceu. Aquela noite tinha sido muito especial para as duas famílias e no final, quando todos foram embora e os pais do Jeon ficaram para ajudar na bagunça, os pequenos foram o quarto, mas, pararam próxima a porta quando ouviram os mais velhos conversarem.

— Se mudar? Mas, e as crianças? Jimin sabe disso? — Indagou a sra. Jeon para a amiga que colocando os pratos na pia suspirou.

— Sim, meu marido não pode negar a proposta e não contamos ao Jimin ainda. Iremos ir depois de amanhã, queríamos ter ido antes só que, Jimin estava ansioso com a festa e por ter Jeongguk ao lado dele no dia que, não tivemos coragem para estragar isso — murmurou, tendo a mão do marido em suas costas e o casal Jeon se entre olharam sabendo que aquilo não seria bom para as duas crianças, principalmente para Jeongguk, que era muito tímido e sofreria pela ausência do amigo.

Jimin e Jeongguk ao ouvir aquilo correram para o quarto, ficando ambos na cama não sabiam o que falar, já que era difícil para os pequenos saber que eles logo não teriam um ao outro mais e Jeongguk estaria outra vez sozinho, visto que dificilmente tinha habilidade para fazer novos amigos igual ao seu hyung. Sentindo algumas lágrimas e ouvindo o soluço vir do mais velho, pegou o que podia fazer nunca se esquecer de si. Tirando a caixinha do bolso do macacão cutucou seu hyung que lhe olhou tristonho.

— Hyung, esse é meu presente — o entregou, Jimin secou as lágrimas com a manga da blusa e abriu a caixinha de laço azul ficando surpreso por ver o que tinha ali dentro: uma correntinha junto de uma pulseira de prata com um pingente de lua. Levando seu olhar ao amigo viu puxar de dentro de sua camisa listrada uma correntinha igual a sua, mas com um pingente diferente: um sol. — Mamãe disse que eu pareço como a Lua que é tímida e só de noite aparece iluminando a escuridão da noite, já o hyung se parece com o Sol que ilumina sem medo algum o dia e todos o amam por conta do seu brilho e a sensação de calor que transmite.

— Eu sou o seu Sol e você…

— A sua Lua, hyung — sorriu tímido, tendo sua bochecha capturada pelos dedos gordinhos do amigo que pediu num gesto mudo que o ajudasse a colocar a correntinha em si. Jeongguk o ajudou e sorriu com seu sorriso de coelho ao ver que, o pingente de lua tinha combinado bem com seu hyung que o surpreendeu com um forte abraço. — Hyung, promete não me esquecer e quando eu for adulto irei te procurar, mas se algo acontecer o hyung tem que prometer que irá me procurar, promete? — Indagou o pequeno Jeon, e Park que era um aninho mais velho, estendeu seu dedo mindinho ao amigo.

— Eu prometo te procurar mesmo que sejamos dois velhinhos, Kook-ssi.

Os pequenos não sabiam, mas seus pais estavam vendo toda a cena entre os dois e se sentiam culpados por aquilo, porém não podia voltar para trás sendo que, era uma oportunidade e não podiam deixar a sorte passar. Num futuro próximo poderiam voltar para Busan.

Dois dias haviam se passado e numa tarde de agosto no ano de 2006 a família Park se despediu dos Jeon's, ouvindo muitos choros vir dos pequenos que novamente se lembraram de não esquecer a promessa feita de dedinho. Promessa de dedinho era séria e não podia ser esquecida de forma alguma. Quando o carro dos Park's passou a se movimentar distanciando de seu antigo lar, Jeongguk se desvencilhou do aperto da mão de seu pai e correu atrás do carro dos Park's onde Jimin estava chorando na mesma intensidade que o Jeon. O carro se afastava cada vez mais e numa última visão do carro Jeongguk segurou ambos dedinhos mostrando que a promessa seria cumprida Jimin repetiu o ato e ambos sorriram logo perdendo a visão do carro e da rua.

Aquela foi a última que Jeongguk viu seu hyung, meses se passaram e ele ainda mantinha a promessa que fizera sobre ir atrás de Jimin, mas talvez não fosse possível, pois conforme os meses foram passando Jeongguk começava a ter uma complicação com sua visão que hora ou outra embasava o dificultando de fazer as coisas comuns para sua idade e até mesmo esbarrava em móveis que sempre estiveram no mesmo lugar. Sua mãe não entendia o que acontecia ao filho e foi atrás de um especialista que explicou o que o pequeno Jeon tinha: glaucoma. E estava em estágio avançado e até poderiam fazer uma cirurgia, mas não dava certeza que isso ajudaria sendo que não havia um tratamento específico para tal. Jeongguk fez a cirurgia, conseguindo levar uma vida mais ou menos boa tendo que aprender onde tava cada móvel e objetos pessoais. Mas, ao completar seus dezoito anos teve sua visão perdida de uma vez. E, quando isso aconteceu o mundo de Jeongguk desmoronou e tudo que tinha esperança, os sonhos e a promessa que fez as guardou no fundo de sua gaveta, já que nunca mais teve contato algum com Jimin e qualquer pessoa da família Park. Os pais de Jeongguk tentaram ajudar o filho que, a cada dia que se passava se tornava distante e frio com os mais velhos entrando num caminho que para o casal seria impossível ter volta. Jeongguk bebia e havia feito amizade com pessoas que pouco se importavam com a vida, tinha tantas tatuagens no corpo que seus pais não conseguiam acreditar que aquele garotinho que não conseguia dar um passo sem ter os pais como sua proteção havia se tornado num jovem de vinte e dois anos frio, sem amor algum pela vida e pelos próprios pais. Sra. Jeon se lembrava bem de uma vez quando viu a primeira tatuagem no corpo do filho, sendo esse que chegara fedendo cerveja e cigarro nessa época tinha recém feito seus vinte anos.

— Jeongguk, o que é isso?! Sabe quantas vezes eu te liguei hoje? Seu pai saiu pela terceira vez para te procurar! — A mulher gritava aos quatro ventos se aproximando do filho que tateava a parede em busca da porta do quarto.

— A senhora que enxerga me pergunta o que é isso? Desde quando começou a fazer stand up? — riu sem humor levando o olhar opaco coberto pelos óculos escuros em direção a voz de sua mãe. — Eu perdi meu celular e não me importa a preocupação de vocês!

A mulher tentou segurar as lágrimas, mas fora em vão e Jeongguk por ter ficado com a audição mais aguçada, conseguiu ouvir que sua mãe chorava baixo.

— E-eu não consigo acreditar que aquele garotinho que sempre corria para me mostrar um desenho novo, se tornou alguém tão frio com os próprios pais — soluçou. — Jimin não iria gostar de saber que o amigo dele está nessa vida.

— Então, mamãe eu não sou mais aquele garotinho que podia ver, sabe muito bem da minha condição e foda-se a opinião do Jimin e aquela promessa besta que fizemos! — gritou e num ato de ira, levou a mão a correntinha que usava desde aquele dia puxando com força de seu pescoço jogando-a no pé de sua mãe, esta que, num reflexo deu um passo até o filho o acertando com um tapa no rosto logo se arrependendo, pois com o gesto que fizera com que o rosto do filho virasse o seu óculos caiu próximo a parede.

— Jeongguk, eu… — tentou se aproximar, porém fora afastada com um grito do filho.

— Me deixa em paz! — Gritou se abaixando e tateando o chão em busca dos óculos.

Filho

— Não interfira mais em minha, senhora Jeon — ditou firme ao encontrar os óculos. — E não me venha com discurso de auto ajuda, ou seja lá o que for — dizia Jeon ao se colocar de pé ajustando os óculos ao rosto —, pois não me interessa a preocupações de vocês, passar bem.

Aquela foi a última vez que a Jeon brigou com o filho, pois depois daquilo de ter batido no próprio filho não conseguia se perdoar mesmo que o marido insistisse que não era sua culpa agir daquela forma e nem mesmo do mais novo, ela não conseguia mais olhar para o filho sem se lembrar do tapa e dos olhos opacos de Jeongguk.

[...]

No atual momento o despertador tocava alto irritando o jovem que até poucos minutos dormia tranquilamente, tateando a mão em busca do aparelho o encontrou próximo a cair da cômoda tendo que apenas pressionar o dedo na tela para desligar o despertador. Era mais um dia que se iniciava para Jeongguk, ele não tinha que fazer faculdade alguma e nem mesmo trabalhava, pois vivia às custas de seus pais mesmo depois de tanto brigarem. O olhar opaco se direcionou em direção a janela, sabia que seria um longo dia fazendo vários nadas na vida como sempre fazia. Por conhecer o quarto tão bem, se levantou indo direto ao banheiro sem tropeçar, ou esbarrar em algo quando fazia no início de sua total cegueira. Durante o banho demorou um pouco mais que o comum, visto que acabou tendo seus pensamentos na época que conhecera Park Jimin a pessoa que, mesmo sendo apenas um garotinho, era apaixonado pelo mais velho e nunca havia contado aquilo para ninguém, nem seus pais sabiam daquele sentimento seu guardado de tudo e de todos. Quando finalizou seu banho e pôs a toalha em volta a sua cintura depois de ter se secado, seguiu até o guarda-roupa que sabia onde cada peça de roupa estava sem precisar de ajuda.

Quando deixou a toalha cair no chão, suas tatuagens ficaram totalmente à mostra em cada parte de seu corpo havia uma "arte" e, a que mais se destacava era de serpente se iniciando na panturrilha, tendo o corpo entorno do tronco e finalizando com a cabeça nas costas próximo ao ombro e pescoço, mas o que se destacava na tatuagem ali era que, a mandíbula da serpente estava aberta deixando bem à mostra os dentes pontiagudos com um pequeno detalhe de uma gota do veneno. Todas as tatuagens haviam sido feitas por seu amigo tatuador, Min Yoongi que já estava num relacionamento duradouro com Kim TaeHyung e Jung Hoseok. Terminando de vestir a camisa preta e abotoar o cinto de sua calça jeans com vários rasgos, desceu a mão até a parte de baixo pegando as botas preta cheias de detalhes em prata. Jeongguk sabia que não podia mais ver, mas não seria por aquilo que andaria na rua de qualquer jeito, ele era vaidoso e perfeccionista demais para ser simples. Quando vestiu a jaqueta de couro sintético e os óculos escuros, bagunçou os fios escuros deixando o quarto logo em seguida sentindo o cheiro de café feito por sua mãe invadir o corredor, entretanto Jeongguk não tomava café da manhã com os pais há muito tempo e sua mãe ainda tinha esperança de que aquele garoto amável voltasse.

[...]

Jeongguk deslizava sua bengala de um lado para o outro na calçada de Busan, procurando imperfeições e até mesmo pequenos buracos que poderia lhe causar uma queda. A cada passo que dava sentia que as pessoas lhe olhavam com pena, coisa que o incomodava muito, sendo que odiava que sentissem pena de si até mesmo parecia ter se tornado um inválido: ele tinha mesmo se tornado um inválido. Por conhecer bem o caminho, não demorou a chegar ao estúdio de tatuagem do amigo Yoongi sendo recebido calorosamente por Hoseok que também era tatuador.

— Jeongguk! — Jung gritou indo de encontro ao mais novo que, nem mesmo teve tempo de fugir dos abraços apertados do mais velho. — Como está? Pedi para o TaeHyung fazer o café da manhã!

Perguntava o mais velho guiando o Jeon até o andar de cima onde ficava a casa do casal à três. Jeongguk gostava muito de seus hyungs que, desde a primeira vez que se conheceram nunca o trataram como um deficiente incapaz de fazer as coisas. Yoongi era o que mais incentivava o mais novo a lutar sempre para mostrar sua capacidade, mesmo que não tivesse mais aquela mente sonhadora e a esperança de que tudo ficaria bem, ou melhoria.

— Estou do mesmo jeito de sempre, hyung e desde quando TaeHyung cozinha? — Indagou ao apoiar a mão no corrimão subindo um degrau de cada vez.

— Bom, acho que desde hoje — riu alto. — Pelo cheiro que vem da cozinha, tenho certeza que ele acertou de primeira.

Como todo o ambiente novo Jeongguk tinha dificuldade de encontrar as coisas, Jung sabendo que aquilo sempre seria um empecilho ao amigo apoiou sua mão na cintura do mais novo e o guiou até a cadeira indicando onde deveria sentar.

— Kook, como está? — Perguntou o hiperativo TaeHyung que colocava os pratos sobre a mesa.

— Como sempre. — respondeu, sendo no segundo seguinte compreendido pelo Kim.

Jung que estava ao lado balançou a cabeça em negação, queria ter conhecido o mais novo antes de tudo isso ter acontecido a ele, pois sentia que aquele não era o verdadeiro Jeongguk.

— Que música é essa, Tae? — Indagou ao namorado e TaeHyung rapidamente pegou o celular mostrando a capa da música e a foto do cantor.

— É Lie de Park Jimin, ou como todos os conhece: Jimin. Ele é tão lindo e fofo, hyung! — Jeongguk tinha acabado de guardar sua bengala dobrável no bolso da jaqueta, quando ouviu TaeHyung citar o nome que há muito tempo não ouvia.

— Uau, mas eu sou mais lindo que ele, certo? — Indagou Hoseok, puxando o namorado pela cintura colando seu peito ao dele.

— Claro! Você e o Yoonnie são meus namorados mais lindos desse mundo todinho — riu deixando um selar sobre os lábios só Jung.

TaeHyung se afastou e voltou para perto do fogão, onde as coisas do café se encontrava e Hoseok foi chamar Yoongi que estava terminando uma rascunho de uma tatuagem. Jeongguk que desde que entrara nada dissera, tamborilou os dedos sobre a mesa e pigarreou chamando a atenção de TaeHyung para si.

— Precisa de algo, Kook? — Jeongguk deu um longo suspiro e virou o rosto em direção ao mais velho, para fazer a pergunta.

— Esse Jimin, poderia me falar sobre ele? — TaeHyung tombou a cabeça para o lado estranhando aquela curiosidade do amigo, mas pouco se importou sendo que era difícil de que Jeongguk se interessasse em algo, ainda mais ele que só sabia ficar quieto e pouco falava.

— Posso! — TaeHyung falava sem parar deixando o Jeon com mais certeza de que, o tal Jimin cantor era o mesmo Jimin que fizera uma promessa para si aos seus nove anos e tinha simplesmente esquecido de si. — Ele foi lançado tem mais de um ano e olha, por ele ser um cantor solo tem a conta no Twitter com mais seguidores até agora — completou todo alegre e antes mesmo que Jeongguk pudesse dizer algo, isso se iria dizer, Hoseok e Yoongi entraram na cozinha iniciando uma conversa de tatuagens e piercings.

[...]

O avião havia acabado de aterrissar e os passageiros desciam aos poucos, ficando em segundos completamente vazio, ou quase. A aeromoça que estava na porta, foi até uma das poltronas onde um jovem estava dormindo tendo seu rosto coberto pelo capuz e a máscara preta, com cuidado tocou no ombro do jovem despertando de seu cochilo.

— Já estamos em Busan, moço! — avisou num sorriso pequeno para o jovem, que se espreguiçou agradecendo saiu do avião com sua mochila no ombro.

Estava de volta em Busan, esperava poder passar despercebido dos fotógrafos de plantão, pois estava ali com um intuito e esperava conseguir encontrá-los.

— É, estou em casa novamente, Jeongguk.

[...]

Sra. Jeon guardava as roupas do filho na cômoda com todo cuidado dobrando e deixando do jeito que ele sabia com encontrar cada peça, sentia seu peito se apertar toda vez que fazia aquilo e podia entrar no quarto do filho, local onde por muita das vezes entrava ali para contar alguma história ou até mesmo apenas para ficar velando o sono de seu filho. Colocando o último par de meia no lugar de sempre, teve seu olhar atraído por uma correntinha e quando a pegou sorriu ao ver que se tratava do presente de dez anos do Jimin que, Jeongguk havia ficado com medo de não agradar o amigo. Sentia falta de Jimin, ainda mais ele que tinha sido uma boa companhia para o filho.

— Se você estivesse aqui, Jimin acho que Jeongguk nunca teria deixado de ser aquele menino gentil — suspirou levando a correntinha com pingente de Sol ao peito ficando por alguns segundos perdida em seus pensamentos, até o momento da campainha ser tocada atraindo a atenção da mulher que, antes de ir atender a porta guardou a correntinha no mesmo lugar fechando a gaveta em seguida pegou a cesta de roupa vazia e saiu do quarto do Jeon, deixando a cesta de roupa no sofá para ir até a porta.

— Sra. Jeon? — Indagou o jovem para si ao que abriu a porta.

— Sim, sou eu mesma — respondeu, vendo o jovem retirar o capuz do moletom revelando seu rosto junto das madeixas azuis que mesmo se passando anos a Jeon reconheceria. — Jimin?! — disse surpresa e o azulado tombando a cabeça para o lado, sorriu assentindo.

Quanto tempo, não?

Já era a segunda xícara de chá que Jimin tomava junto da Jeon, que estava eufórica pelo retorno do Park que há tanto tempo havia partido.

— Então, os seus pais se divorciaram? — perguntou levando um dos biscoitos a boca.

— Sim, foi bem depois de eu ter completado os dezoito. Eles não queriam que ficasse com problemas de ter que escolher para mim com quem eu ficaria, preferiram me poupar dessa experiência e aguentaram até minha maioridade — suspirou. — Eles disseram que estavam nisso desde quando viemos para cá.

— Sua mãe nunca me disse nada.

— Ela era reservada e gostava de mostrar a imagem de família perfeita — sorriu sem graça. — Depois que eles fizeram isso, não quis ter de ficar vivendo um tempo na casa de cada um acabei preferindo criar um novo rumo na minha vida e foi aí que conheci o Kim NamJoon.

— Entendo, mas o que ele fez?

— Me ajudou a tornar realidade meu sonho. Lembra que eu ficava fingindo ser cantor e o Jeonggukie era meu fã? — a mulher assentiu se recordando de cada detalhe da cena com um sorriso nos lábios. — Eu fiz um teste na empresa dele, fui selecionado, passei alguns anos sendo trainee e quando fui lançado eu sabia que poderia voltar para falar ao Jeonggukie que consegui realizar meu sonho!

— Estou orgulhosa por saber que conseguiu o que tanto sonhava e, tenho certeza que seus pais também estão — sorriu.

— Obrigado, sra. Jeon — agradeceu com um breve curvamento. — Na verdade, eu queria ter feito isso com ele ao meu lado, mas com tanta coisa me acontecendo não quis arriscar. Mas, agora, sou famoso e posso ter meu tempo, não muito, mas posso ainda  se for para ele! Tenho tanto para falar, para mostrar e ainda quero desculpar por não ter comunicado com o Jeonggukie, mas a senhora sabia muito bem como era na época na parte de comunicações, certo? — Indagou, deixando seu corpo tombar para frente tendo um sorriso adornando seus lábios. A mulher assentiu no mesmo momento que uma lágrima desceu por sua bochecha atraindo a atenção do azulado para si. — Sra. Jeon?

— Jimin, tenho que dizer algumas coisas sobre Jeongguk — comentou num tom choroso deixando o jovem cantor preocupado.

— O que aconteceu com Jeonggukie? — perguntou, juntando suas mãos com as da mulher que apoiou sobre a mesa.

— Irei te contar, mas só peço que me escute e depois deixo que fale qualquer coisa, mas primeiro me escute, ok? — Park apenas assentiu ouvindo com atenção tudo o que a mulher explicava, cada detalhe do que havia acontecido ao filho desde sua partida com os pais.

A cada palavra que Jimin ouvia, sentia-se culpado por ter ficado aquele tempo todo longe do amigo não que fosse, realmente, sua culpa, mas Jeongguk teve de passar tudo aquilo sozinho sem ter apoio de alguém que não fosse apenas a própria família. Sabia muito bem que, sua presença na vida do amigo era importante. Mas, agora, sabendo que seu amigo havia mudado radicalmente por conta da deficiência tinha medo de que não o aceitasse depois de ter passado aquilo tudo. Levando o olhar brilhoso por conta das lágrimas em direção a Jeon, sorriu deixando formar seu tão amado eye smile.

— Sra. Jeon, poderia me dizer onde o Jeonggukie está? Irei conversar com ele, talvez não seja perdoado de primeira e receba muitas palavras de ódio, mas eu fiz uma promessa com ele e mesmo que tenha problemas irei cumprir o que prometemos — comentou sem deixar de sorrir, deixando a mulher um pouco mais esperançosa em ter seu filho de volta.

[...]

O azulado andava um pouco apressado, evitando passar muito tempo em meio ao público e ter problemas com os fotógrafos amadores, ou até mesmo com alguma fã. Seu olhar protegido pela lente dos óculos escuros, junto de todo o conjunto da máscara e o capuz da mesma cor, procurava pelo tal estúdio de tatuagem que a Jeon lhe passara o endereço fizera um longo caminho até o centro dali, já que fazia tanto tempo que não andava na cidade natal acabou tendo um pouco de dificuldade para chegar, ao menos, no centro. Quando conseguiu chegar em frente ao estúdio, ficou um tanto admirado com entrada do lugar que mais lembrava os estúdios da Califórnia quando teve que ir para lá estudar durante alguns meses. Tomando o fôlego necessário adentrou o local sendo recebido pela música de sua banda indie favorita The Neighbourhood, e olhando em volta viu alguns discos de vinil na parede e placas de motos no balcão, onde atrás estava um jovem ruivo de camisa preta com estampa de alguma banda de rock.

—  Olá? — anunciou sua chegada ao jovem que, tirando sua atenção do notebook lhe olhou com um pequeno sorriso nos lábios. — Estou à procura de Jeon Jeongguk. Me informaram que ele está sempre aqui — disse um pouco abafado por conta da máscara.

— Bom, o que você quer com ele? — rebateu o ruivo. — Porque, dependendo do que for tratar com ele terei que pedir que, educadamente deixe o estúdio — completou.

Jimin ficou um tanto temeroso em continuar, mas ele precisava conversar com Jeongguk e pedi seu perdão por tudo o que não pode estar ao lado do amigo.

— Sou um amigo dele, o primeiro amigo dele, preciso que me diga onde ele está para que eu possa conversar com ele, por favor.

— Quero seu nome.

— Eu posso até falar, mas, por favor, não diga meu nome alto, ok? — o ruivo apenas assentiu e com um suspiro o azulado abaixou sua máscara. — Meu nome é, Park Jimin — revelou-se e o ruivo arregalou os olhos ao ver de quem se tratava, tapando a boca para evitar um grito correu até a porta do estúdio e a trancou.

— Eu não acredito?! Jimin o cantor solo mais famoso da Coréia está aqui! — dizia sem parar de andar de um lado para o outro e Jimin vendo que aquilo só o atrasaria, segurou no ombro do ruivo que parou bem a sua frente. — Sou Jung Hoseok!

— Prazer, vai me dizer onde está o Jeongguk, Hoseok? — o ruivo apenas assentiu.

— Ele está na sala de Yoongi conversando, irei chamá-lo aqui, tudo bem?

— Sim, mas não diga meu nome para ele, ok? — Hoseok apenas assentiu e indicou para que, Jimin esperasse no sofá vermelho um tanto antigo para a atualidade.

Quando o ruivo sumiu pelo corredor e Jimin ficou sozinho na recepção, mil e um pensamentos passaram por sua cabeça o deixando atônito com medo da possível reação do mais novo. Não queria, de forma alguma, deixá-lo se entristecer por sua presença, ainda mais tanto tempo depois, o cantor esperava que, Jeongguk entendesse o seu lado. Entretido em seus pensamentos fora atraído sua atenção ao ouvir o som de passos e algo deslizando contra o piso de madeira laminado, seu olhar rapidamente foi até o corredor onde aos poucos via uma silhueta se aproximar e, quando viu de quem se tratava sentiu seu coração falhar uma batida junto da pequena falta de ar.

— Ele está no sofá vermelho, Kook! — gritou Hoseok do corredor e Jeongguk apenas deu de ombros se aproximando devagar do sofá.

Jimin estava surpreso e emocionado com a mudança física do mais novo, havia passado tanto tempo e Jeongguk mudara muito e nem mesmo parecia aquela garotinho de anos atrás. Jeongguk estava forte e havia muitas tatuagens em seu corpo que, Jimin tinha certeza que na parte onde as roupas estava escondia muitas outras obras de arte. Nunca dissera ao manager ou qualquer outra pessoa da empresa que, tinha duas tatuagens a única coisa que dissera fora sobre seu piercing no mamilo direito que ele fizera em seu aniversário de dezenove anos para mostrar aos amigos que era corajoso o suficiente: o que era uma grande mentira, já que na hora de ter o mamilo furado chorou feito criança e a moça que fizera o procedimento, quase chorou junto consigo.

Jeongguk estava à sua frente quando a bengala tocou sua bota lhe acordando de seus pensamentos, subindo o olhar ao mais novo que usava um óculos escuros que, Jimin julgou ser usado para esconder a forma que os olhos ficavam. Estava perdido e não sabia como iniciar a conversa com o amigo, havia se passado tanto tempo.

— Hoseok hyung disse que precisa conversar comigo, poderia me dizer seu nome pelo menos? — Jimin teve que segurar para não chorar ao ouvir a voz do Jeon depois de tanto tempo, estava mais máscula e rouca. — Moço?

Jimin se levantou sorrindo pequeno ao ver que, era alguns centímetros menor que o Jeon. Tomando fôlego necessário, se pronunciou;

— Me chamo Park Jimin — o azulado sabia que haveria uma certa mudança no ar, pois assim que se apresentou Jeongguk deu um passo para trás um tanto assustado e irritado com aquilo.

— Eu não gosto de brincadeiras! Quem é você?! — disse elevando um pouco a voz e Jimin teve que se controlar.

— Eu não estou brincando. Sou eu, Park Jimin o seu hyung, Jeonggukie — respondeu usando o apelido que dera ao mais novo.

— Você não é o meu hyung, já foi um dia e agora não é mais. Não sei o que veio fazer aqui, mas saiba que está perdendo seu tempo e nem tente consertar porque eu não vou aceitar perdão algum vindo de você, Park! — ditou firme sem falhar a voz, já Jimin tentava a todo custo se segurar, mas ouvindo as palavras duras e sem sentimento algum vir da boca da pessoa da qual sempre teve um carinho especial daquela forma lhe machucou.

— J-Jeongguk, por favor, me deixe explicar o que aconteceu — pediu num sussurro baixo e Jeon riu sem humor.

— Não tem que me explicar nada, você disse que voltaria em breve e eu, sendo aquele menino idiota acreditei em suas palavras piamente, mas só foi passar alguns meses e você se esqueceu de mim como todas as pessoas faziam — Jeongguk dizia firme encarando a face molhada do Park que, sabia que ele não poderia ver que chorava, mas mesmo assim sentia que ele sabia que ele chorava. — Fiquei sozinho como sempre, mas eu me agarrei até um certo ponto que você voltaria. Perdi minha visão e toda minha esperança e, foi naquele momento que sabia que você não voltaria mais e que estava sozinho.

— Jeongguk, me perdoa, mas você precisa me ouvir, por favor — Pediu tocando sutilmente o braço coberto por uma camiseta de manga longa de tecido fino e no mesmo momento Jeongguk se esquivou, fazendo com que Jimin caísse sentado no sofá com o movimento brusco do mais novo. — Jeongguk

— Não me toca! — Gritou dando dois passos para trás. — Hoseok! — chamou o nome de seu hyung que em poucos segundos estava ali ao lado do mais novo. — Eu não quero saber de mais nada de Park Jimin aqui e se ele estiver, por favor, pela consideração que vocês tem por mim, me avisem para que eu não tope com ele aqui.

— Mas, Kook… — O mais novo levantou a palma da mão impedindo qualquer conversa, se virou em direção à saída do estúdio.

— Espero não me encontrar com você novamente, Park — comentou Jeon ao sair dali deixando um terrível silêncio para trás.

Jimin estava de cabeça baixa na mesma posição que o mais novo lhe deixou ao ser empurrado, seu olhar estava perdido no piso e nem mesmo se dava conta de estar sendo observado pelo Hoseok que, vendo o silêncio do azulado, se aproximou pousando sua mão sobre o ombro lhe trazendo de volta.

— Acho melhor você me explicar o que aconteceu aqui, Park Jimin — ditou Jung firme ao ter a atenção do azulado para si que, assentiu devagar abaixando o olhar novamente.

[...]

Jimin estava numa praça onde, quando pequeno, brincava muito com Jeongguk de esconde-esconde e de quem achava mais pedrinhas diferentes. O vento fraco batia em seu rosto fazendo com que sua franja azul num tom claro, balançava conforme o vento batia. Seus pensamentos estavam perdidos em sua mente depois de ter conversado com o Jeon e ter explicado sobre Jeon e ele para o Jung e seus namorados que, para sua sorte, lhe entenderam, mas também o acusou por ter sido bobo em não avisar antes o que lhe ocorreu para o mais novo. Sabia que em tudo ali era o errado, também entendia bem a situação do Jeon e queria, de toda forma, que fosse ouvido para que ambos entendessem os lados. Suspirou cansado levando o olhar para o céu nublado, vendo as folhas secas se soltarem dos galhos conforme o vento fraco batia, acompanhando todo o trajeto da folha até que ela parasse no chão seu celular tocou: era NamJoon. Outro suspiro para que o cantor atendesse a ligação.

— NamJoon hyung?

[...]

Se passava da meia noite quando Jeongguk chegou à sua casa sendo recebido pela voz autoritária de seu pai, porém não se importou passou direto pela mais velho indo em direção ao próprio quarto, entretanto fôra barrado pela mão do mais velho em seu braço.

— Me solta — pediu o Jeon mais novo num tom baixo e autoritário.

— Onde estava? Sua mãe fiquei preocupada quando viu que se passava das dez e você não havia chegado — disse o Jeon mais velho. — Ela ficou até há alguns minutos chorando de preocupação contigo, mas fiz ela ir tomar o calmante para dormir só que prometi que lhe esperava e, agora quero saber: onde esteve?

— Não me importa a preocupação dela e nem seu ato de bom samaritano, sei que me cuidar e cheguei inteiro, não? Mas, se quer saber tanto onde que eu estava: fiquei com meus amigos. Precisava esfriar a cabeça depois de que sua mulher mandou o Park Jimin atrás de mim — riu sentindo a mão soltar seu braço.

— Jimin está em Busan? — o mais velho ficou surpreso com aquilo, pois sua esposa não havia comentado consigo.

— Sim, para minha infelicidade — Jeongguk deu um passo em direção a porta do quarto sendo novamente impedido pela voz de seu pai.

— Seu braço está sangrando, filho — o mais novo deu de ombros e adentrou o quarto deixando o Jeon mais velho sozinho na sala. — Queria tanto aquele Jeongguk de volta — murmurou apagando a luz da sala e caminhando em direção ao seu quarto em seguida.

Jeongguk estava encostado na porta quando ouviu seu pai, mas não deixaria se abalar por nada e nem mesmo iria voltar ser aquele Jeongguk, pois aquele Jeongguk morrera quando perdera a visão. Ele era uma nova pessoa que se protegia dos sentimentos e de qualquer coisa que pudesse lhe tornar fraco e a sociedade voltasse a lhe humilhar. Jeongguk era mudado e forte por escolha, só que ele não sabia que esse seu jeito de ser seria derrubado em breve.

[...]

Durante uma semana Jimin, mesmo com as duras palavras de Jeongguk, tentou arrumar um jeito de se explicar, mas era sempre ignorado ou atingido com as palavras do Jeon que lhe atingia como a espada mais afiada do mundo: Katana. Jeongguk havia construído uma densa parede em torno de si tão resistente que, não havia modo para que se infiltrar nela e seus dias em Busan estavam acabando, pois no final daquele mês teria de retornar a Seul para gravar seu novo MV e só lhe faltava terminar de compor a nova música, porém, no momento conversar com o Jeon era mais importante que a música. Só que, ele teria de deixar para o próximo dia, pois estava com sua tentativa falhada outra vez.

Outra semana e nada de Jimin conseguir conversar com o Jeon, estava sendo mais difícil do que pensava e o mais novo não deixava que o azulado se aproximasse de forma alguma e sua preocupação por conta do tempo aumentava, pois em poucos dias estaria voltando a Seul e não poderia adiar, também devia focar os poucos dias e terminar a música que ficara travada no primeiro parágrafo. Ao passar pela porta de seu quarto tirou a roupa e fora direto ao banho, estava cansado fisicamente e emocionalmente. Ele podia simplesmente largar tudo e não perder mais tempo para concertar seu erro com o amigo, amigo, ah, como ele queria que não fosse aquele termo a ser usado e sim, outro. Desde pequeno ele sentia algo diferente pelo Jeon, mas como era uma criança não sabia o real significado daqueles sentimentos e só foi realmente entender quando era adulto no momento em que estava assistindo um dorama que no final o casal era feliz. Jimin achou que seria a mesma coisa na vida real quando fosse conversar com o Jeon, mas não imaginava que seria bombardeado com a notícia de que Jeongguk havia ficado cego tão novo não tendo uma vida normal como todos, se culpava por não estar ao seu lado e ter sido os olhos dele na época. Jimin queria ser os olhos do Jeon no presente e quem sabe no futuro, só que isso dependeria apenas de Jeon e de mais ninguém.

— Sempre tão difícil — sussurrou desligando o registro e saindo em seguida como uma toalha na cintura e outra nos cabelos.

Procurando por algo confortável em sua mochila, vestiu um conjunto de moletom preto e pegou a correntinha com pingente de lua de cima da cômoda. Aquele era o presente mais significativo que ganhara do Jeon, já que nesse dia que ganhou a correntinha fizeram uma promessa de dedinhos: o que jamais deveria ser quebrada.

Promessa — sussurrou segurando o pingente entre os dedos ao que um sorriso se formava em seus lábios, já tinha em mente como terminar sua música.

[...]

Era o penúltimo dia de Park em Busan, estava deixando o local hospedado para ir atrás do Jeon e ele não iria deixar se abalar pelas palavras do outro iria contar tudo e até mesmo falar sobre seu sentimento, poderia receber um grande não, mas nada o impediria de falar a verdade. Jung havia lhe ligado cedo dizendo que Jeongguk estava numa praça que de imediato Jimin soube onde era, caminhava apressado até o local que, para sua sorte não ficava tão longe do hotel. Quando estava a poucos metros da praça, pode ver que logo a frente no banco onde ficara no outro dia estava ocupado pelo Jeon. Olhou os dois lados da rua e atravessou correndo até o outro lado, foi devagar em direção ao outro e faltando pouco passos para ficar ao lado do banco, se assustou com a voz rouca dizendo seu nome.

— Ainda insiste, Park? — indagou para si, Jimin se aproximou por fim e, respondeu;

— Sim — murmurou baixo, vendo o Jeon se levantar para ir embora, porém Jimin fora mais rápido segurando nos ombros do amigo forçando a sentar no banco novamente. — Não pense em sair daqui sem antes me ouvir, fui bonzinho e aguentei a sua ignorância esses dias tudo, só que dessa vez vai ter que me ouvir você querendo ou não!

— Você não pode me obrigar, Park! — gritou tentando se levantar, sendo novamente segurado pelo Park. — Que merda! Me deixa ir embora, não quero ouvir nada que tenha de me falar, inferno!

— Deixa eu me explicar, Jeongguk, mas que droga! O que custa você ouvir a porra da minha explicação?! — se exaltou assustando um pouco o mais novo que nunca ouvira o mais velho falar um palavrão sequer, sendo que ele sempre era calmo e nunca se irritava fácil ainda mais quando se tratava de si. — Cacete! Eu não gosto de me irritar com você, Jeongguk, mas você não colabora comigo! Eu posso me explicar?!

Jeongguk ainda surpreso por aquilo, levou um tempo até responder o Park assentindo levemente e Jimin soltou um longo suspiro por conseguir a autorização do outro para se explicar. Jeongguk ouvia tudo com atenção, não deixando nada passar despercebido de si ele compreendia agora o lado do mais velho, mas nunca iria afirmar aquilo em voz alta.

Era orgulhoso demais para tal coisa.

— Jeongguk, eu não entendia muito bem os sentimentos quando pequeno e creio que você também não entendia — comentou, Jeongguk já sabia mais ou menos o que Park iria dizer. — Mas, agora entendo e não quero que se sinta pressionado ou sei lá o quê, mas o meu sentimentos que tenho por você é de amor e não amor de amigo e, sim de namorados.

O silêncio pairou por ali, ninguém passava no momento e nem mesmo os sons dos poucos carros conseguia quebrar o silêncio. Jimin olhava esperançoso em direção ao Jeon, este que, tinha a cabeça baixa como se estivesse com vergonha de encarar o cantor sendo que, não enxergava e mesmo assim Jimin achava aquilo bonito.

— Sabe, Jeongguk? — disse atraindo a atenção do Jeon. — Eu não pude ser os seus olhos naquela época, mas gostaria de ser os seus olhos de agora em diante.

— É meio precipitado isso, não? — indagou Jeon com um ar de ironia fazendo com que Jimin se arrependesse do que dissera. — Mal conversou e praticamente se declarou para mim, bem idiota isso. Park, não acha que amor é uma perca de tempo ainda mais para uma pessoa da minha condição? Seria tolice de sua parte se apaixonar por mim sendo que terá que ser um babá para mim em tudo. Tenho certeza que quem está agindo assim por pena, não é?

— Eu não penso assim, sabe muito bem que não sou esse tipo de pessoa.

O mais novo riu ao se levantar do banco ficando a poucos centímetros do azulado, visto que desde que iniciou a conversa ficara na mesma posição: bem em frente ao Jeon.

— Eu não sei, Park, já não te conheço mais — disse baixo e Jimin conseguia se ver no reflexo dos óculos escuros do Jeon, queria tanto que aquele acessório não estivesse ali impedindo de ver os olhos do amigo.

— Jeongguk, eu não vou dizer mais nada, só… — abaixou o olhar para a calçada por alguns segundos e logo voltou olhar o rosto do maior. — Irei retornar a Seul amanhã para gravar meu MV...

— Não quer que eu te deseje boa sorte, pois se for isso: não vou dizer.

— Eu só queria que ouvisse pelo menos uma vez a minha música, escrevi ela durante a madrugada e enviei ela para a empresa antes de sair do hotel — riu baixo e Jeongguk quis perguntar ao seu hyung se em algum momento ele dormiu, conhecia bem o outro e sabia que quando iniciava algo só pararia para descansar quando terminasse. — Ela é importante para mim… — sussurrou e Jeongguk se afastou indo para o lado.

— Eu vou ouvir, prometo.

— Obrigado, Jeonggukie!

Depois de ter conversado com o mais velho, ficou andando pela cidade deixando apenas seus pensamentos trabalhar na conversa e no pedido do Park. E, foi tantas horas perdidos nos próprios pensamentos, que acabou chegando tarde em sua casa e mesmo não aceitando a ajuda ou preocupação de sua mãe, sua janta estava guardada no microondas. Comeu devagar e lavou a louça que sujou, já que a falta da visão não o impedia de fazer suas coisas, indo em seguida para seu quarto dormir, tentar na verdade. Era de madrugada quando Jeongguk sentou-se em sua cama irritado por não conseguir dormir, culpava Jimin que havia voltado para lhe atormentar e por sorte estava de partida logo de manhã para Seul teria de alguma forma sua vida "normal" de volta.

Era isso que ele pensava.

[...]

Duas semanas havia se passado e Jeongguk não sabia porquê de estar tão ansioso para o lançamento da música do Park, sendo que até uns dias atrás ele nem mesmo queria saber do nome ou qualquer coisa que tivesse a ver com o mais velho. TaeHyung e Hoseok estranharam o comportamento do mais novo, já sua mãe esperava que Jimin conseguisse trazer o seu filho de volta. Mais um dia se passou e TaeHyung tinha avisado para o Jeon sobre o MV postado naquela manhã, rapidamente ao ouvir a mensagem do amigo foi pesquisar pela plataforma de vídeo e ouviu com a atenção a música, ficava triste por não poder ver como estava o MV, mas pelo o que conhecia de seu hyung sabia que estava maravilhoso. Enquanto ouvia a letra da música, não conseguia mais controlar o choro sabendo que aquela música era para os dois. Quando ouviu Jeongguk recebeu uma outra mensagem de TaeHyung que lia uma matéria de Jimin explicando sobre a música.

"Promise foi escrita durante a madrugada pensando numa pessoa em especial."

A música havia sido realmente para si e mesmo sendo duro com os próprios sentimentos, não podia mais controlar precisava deixar aquilo sair de si. Só que era Jeongguk e dificilmente colocava para fora o que sentia, ou que estava dentro de si. A verdade nunca fora tão difícil de ser dita. Enquanto tinha o aparelho em mãos e a música tocava outra vez, já que deixara ligado o looping. Ele ria sabendo que era um idiota por achar que aquilo seria impossível acontecer: Jeongguk ter seu "forte" muro derrubado por uma simples música.

A cada parte que tocava mais densas ficavam suas lágrimas. Ele não era forte. Não podia guardar nada, não por muito tempo. Achava que poderia ser forte e aguentar tudo: pois fora exatamente isso que pensou quando perdeu a visão e criou um "novo" Jeongguk. Mas, como sempre ouvia de si mesmo era: estava errado. Ele sempre esteve errado, mas mesmo estando errado não poderia simplesmente ir atrás e dizer tudo o que sentia para Jimin, pois para si seria algo muito rápido e sem sentido. E, foi ouvindo a última parte da música que Jeongguk se decidiu: o tempo mostraria um novo caminho, o perdão e quem sabe um futuro diferente para que pudesse tomar um novo rumo em sua vida.


Notas Finais


Capa/banner por @lovejikooka obrigada, saeng 💕😍
Editado: tava morrendo de sono, mas toda vez que lembro dessa fic aqui fico rindo por ter enganado a unnie e ela ter acreditado direitinho kkkkk <3
Sim, é final aberto :')

Outro presente pra unnie, mas tu já tinha lido antes ehueheu 💕

Amo te mimar, aaaa 😔

Até a próxima 💕


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