História Promises - Vmin(kook?) - Capítulo 15


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Notas do Autor


Heyyyyyy

As taekookas que lutem hj.

Capítulo 15 - O. - Tentando


O meu dia como espião finalmente acabara. Depois de me despedir do Jimin e tentar não enlouquecer por tudo que havia acontecido entre nós, me senti pronto para ir correndo de volta para o dormitório. 

Porém, algo me fez parar e prontamente mudar de ideia. Uma loja de fantasias para ser mais específico.

Hoje mesmo pensei em maneiras de como ajudar o Jungkook, e aquele lugar coincidentemente tinha exatamente o que eu procurava. Cheguei no quarto saltitante, e o mais novo estava lá, me esperando sentado na cama e concentrado no celular.

- Jungkookie-ah. Tenho um presente pra você. - falei balançando uma sacola.

- Presente? - ele ergueu a cabeça confuso. - Não precisava hyung... Mas então, como foi o cinema? Deu tudo certo?

- Depois eu te conto. Primeiro abre o presente. - insisti, entregando-o a embalagem.

Jeon a pegou, um pouco nervoso, e abriu, ficando confuso quando identificou o que era.

- O que é isso?

- É pra você vestir, né? Deixa eu te ajudar a colocar.

O presente era uma máscara branca. Daquelas que você pode personalizar e deixá-la do jeito que quisesse para combinar com uma fantasia de Halloween, por exemplo. Só que neste caso, eu queria que Jungkook a usasse no dia a dia, principalmente em lugares em que ninguém levaria um susto por ver uma pessoa vestida assim. Eu sei que poderia parecer um insulto a sua aparência, mas ao menos esconderia as suas expressões envergonhadas, o dando mais coragem de agir.

Era uma proposta arriscada de ser colocada em prática, mas mesmo assim quis tentar. Esta ideia me surgiu hoje quando conversávamos no shopping. Jeon parecia tão mais a vontade vestindo a sua máscara cirúrgica preta. E não era sempre que isso acontecia. Geralmente o moreno nem sequer conseguia manter contato visual comigo, tornando-se um problema grave de comunicação para mim. Era desconfortável conviver desse jeito com meu colega de quarto. E acho que ele sentia o mesmo. 

- Assim está bom? - perguntei ajoelhado atrás dele.

- Acho que sim. Mas hyung, pra que uma máscara? - ele questionou baixinho.

- Eu quero manter uma relação normal e aberta com você, Jungkookie. Sem nada te impedindo de falar comigo.

- Como assim? Não estou entendendo a sua lógica.

- Eu notei que você tem uma certa dificuldade em me encarar, então resolvi quebrar essa barreira com uma máscara. Ela te protege de suas reações indesejáveis, fazendo com que ninguém as veja. - falei pondo as mãos em seus ombros. - Isso é provisório, claro. Quando se sentir seguro o suficiente, é só tirar.

- Ah, obrigado por se importar tanto comigo.

- Apenas seja você mesmo Jungkook. É só isso que eu quero. - admiti enquanto massageava seus ombros tensos. - Agora abre a câmera do celular e me diz o que achou.

- Mas eu-

- Nada de mas. Vamos lá, o primeiro passo é ter confiança.

Dito isso, Jungkook abriu a câmera, revelando nós dois no ecrã. Eu sorri, vendo que máscara havia se encaixado quase perfeitamente no rosto dele. Até que não ficou tão estranho.

- Vai lá, tira uma selca de primeiro dia no meu tratamento. - incentivei, querendo aumentar sua autoestima.

Jungkook quase tremia de nervoso, mas felizmente conseguiu tirar uma boa foto. Eu, no último momento antes do click, aninhei meu queixo em seu ombro, querendo uma selca mais fofa.

Parece que tinha dado certo, porque depois de tirar a máscara para ver melhor o resultado, o mais novo não parava mais de sorrir.


____

 

No dia seguinte, depois de contar todo o meu encontro com Jimin (e por pura vergonha alheia excluir a parte do selinho), finalmente comecei a pôr em prática o que tanto pesquisei na internet nos últimos dias.

Sem mais nem menos, praticamente obriguei Jungkook a sentar a bunda na cadeira e responder as três perguntas que eu havia escrito na folha de papel.

- Mas hyung, eu já tentei isso e não deu certo.

- Não deu certo porque era outra pessoa fazendo. Dessa vez sou eu quem vai aplicar essa técnica. - falei extremamente convencido. 

Se eu não pôr confiança em mim mesmo, quem é que vai? 

- Tá bom. Eu faço.  - ele respondeu enquanto tirava a máscara para enxergar melhor o papel. - Mas só porque é você.

Sorri vitorioso e esperei. E enquanto isso, resolvi tirar pó dos móveis, indo 'pra lá e 'pra cá com pano meio úmido. Quando eu estava no criado-mudo de Jungkook, tirei tudo de cima para limpar e encontrei algo muito interessante. Um caderno de desenhos.

Eu adorava ver tudo que ele desenhava. Sério. Qualquer risco no papel que Jeon fazia, para mim era uma obra de arte digna de museu. E ter aulas particulares com aquele mestre era ainda melhor. Minha notas em Desenho de Moda feminina até tinham melhorado. 

E curioso como sempre fui, resolvi abrir e ver a que disciplina pertenciam tais rabiscos. O que eu não esperava era descobrir que aquele seria um caderno pessoal. Na primeira página, encontrei uma réplica extremamente realista de mim mesmo, dormindo serenamente enquanto abraçava minha almofadinha. Poderia ser um desenho apenas em preto e branco, porém era incrível. Lindo de se ver. Eu não estava querendo ser egocentrista em me achar um Deus grego, mas era que Jungkook desenhava maravilhosamente bem.

Será que ele memorizou mesmo todas as minhas feições ou simplesmente ficou me observando durante a noite?

Essa dúvida de repente surgiu em minha mente enquanto meus olhos brilhavam de fascinação. Qualquer que fosse a resposta, era algo surpreendente, e quem sabe um pouco assustador. Não fazia tanto tempo assim que nos conhecíamos. A facilidade dele em memorizar os detalhes me deixou surpreso, principalmente quando virei a página e vi o próximo desenho.

Era uma representação minha novamente, só que dessa vez desperto, com uma das mãos na bochecha fazendo uma pose quase que... Sedutora? Observar 'eu' me encarando dessa forma foi uma sensação estranha de se experimentar. Parecia que eu olhava para um irmão gêmeo. Os detalhes eram tantos que Jungkook havia até se dado o trabalho de reproduzir a minha pintinha no nariz. A mesma que Jimin gostava tanto de tocar e beijar quando éramos um pouquinho mais jovens. Infelizmente perdemos esse costume porque o loiro achou aquela uma atitude infantil demais. Puro 'blá blá blá' por parte dele. Mesmo assim, não pude evitar de exprimir um pequeno sorriso. 

Eu já estava fechando o caderno por puro respeito a sua privacidade quando vi algo escrito no verso da primeira folha. Fechei os olhos com força, não querendo ler os pensamentos mais profundos dele. Seria invasivo demais.

Continuei normalmente a limpeza básica até Jungkook timidamente me chamar e dizer que havia terminado de escrever. Rapidamente peguei o papel da mão dele e me deitei de bruços na cama, lendo cuidadosamente cada palavra escrita.

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Listinha de medos do Jungkook:

Quais seus maiores medos ao falar em público? O que você acha que as pessoas ao seu redor irão fazer?

- Ser ridicularizado por ficar envergonhado;

- Ser inferiorizado por não saber apresentar nem os trabalhos mais simples;

- Ser motivo de piada por gaguejar feito o idiota que eu sou;

- Ser julgado por cada ato que cometo;

- Ser humilhado pela minha sexualidade;

- Ser estigmatizado por ter todas essas qualidades negativas.

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Li aquilo com a coração na mão, me sentindo angustiado e triste, tudo ao mesmo tempo. Eu sabia que nunca iria sofrer nem um terço da dor e inseguranças que Jungkook, mas isso não impedia que minha empatia gritasse para ajudá-lo.

Continuei a ler o resto da lista quase que com lágrimas nos olhos.

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Faça um lista das coisas que você menos gosta.

- Pessoas (em geral);

- Dias quentes;

- Microondas... 

- Minha escola (felizmente essa fase já passou);

- Me sentir exposto, vulnerável e inseguro;

- Grande parte do que eu faço.

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Tirando o pequeno sorriso que dei quando li 'microondas', toda a lista me deixou mais deprimido ainda. Desde quando eu havia me apegado tanto ao Jungkook a ponto de querer protegê-lo dos seus próprios medos? Só queria abraçá-lo e dizer que enquanto eu estivesse ao seu lado, tudo iria ficar bem.

Ler o último item também me irritou um pouquinho. Nunca vi nada que Jungkook fizesse ser digno de ódio. Só queria entrar naquela cabecinha e gritar, fazendo-o se enxergar. Quem sabe trazer mais positividade para ela. Quantos traumas e más experiências esse garoto deve ter passado para ele ser assim. Tão... Pessimista. Sempre esperando pelo pior.

Eu preciso elogiá-lo mais vezes, é isso. Provar que seus pensamentos estão errados.

Meus sentimentos estavam tão aflorados e bagunçados no momento que me senti um idiota apaixonado, criando situações e conversas que nunca tinham acontecido. Não que eu já não estivesse acostumado com essa sensação.

Terminei de ler o bônus adicionado por mim esperando sorrir um pouco. Nem tudo seria dor e tristeza.

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Por último, faça uma lista das coisas que você mais adora e ama neste mundo.

- Desenhar (a única coisa que eu sei fazer bem nesta vida);

- Ouvir música;

- Receber um abraço sincero, aconchegante e quentinho;

- Ver alguém sorrir por minha causa (fenômeno raríssimo);

- Ver pequenas ações meio bobas melhorando o dia de outras pessoas;

- O céu, independente do clima;

- Você.

--

Senti minhas bochechas esquentarem e meu coração acelerar ao ler o último item.

Você...

Eu...

Jungkook precisava ser guardado em um potinho de tão precioso que era. Ele gostava tanto de mim que até me colocou na lista. Me senti tão importante e amado naquele momento que eu queria explodir.

Esse garoto ainda vai me matar de tanto amor.

Sério. Acho que nem meus pais me amavam tanto quanto Jimin e Jungkook.


____

 

Flashback

 

Respira, respira fundo. Faça como o psicólogo te mandou. Controle-se. 

Eu dizia a mim mesmo antes da apresentação. E como esperado, não deu certo. Consegui falar por um minuto antes de me embaralhar todo e começar o ciclo vicioso que era a minha vida de inseguranças.

Com o coração na garganta, falta de ar e quase cedendo a vontade de fugir daquela sala, voltei a minha carteira depois do professor me liberar do resto da apresentação.

Mal eu sabia que aquele dia infernal ainda não tinha acabado.

Quando fui me sentar, eu estava tão nervoso que nem percebi o sutil puxão na cadeira feito pelo aluno sentado atrás de mim. Não precisou de mais nada para eu escorrer da ponta e cair de bunda no chão.

Senti a dor. E não foi a da queda. As risadas e pequenos comentários encheram novamente meus ouvidos, quase que explodindo a minha cabeça como agulhas em meu cérebro. Até o professor não conseguiu segurar um pequeno riso. Cada célula minha gritava para eu fugir. Nem esconder o rosto ajudaria dessa vez. Mesmo estando embaixo da mesa, nada conseguiria esconder a minha vergonha e desespero por simplesmente existir.

Minha visão começou a embaçar devido as lágrimas que queriam cair, e eu não tive outra escolha senão sair correndo dali. Sem tropeçar uma vez sequer, cheguei até o banheiro, não ousando sequer olhar meu reflexo repugnante no espelho.

Tranquei-me em uma cabine qualquer e fiquei por lá pelo que pareceram ser horas. Chorei baixinho por algum tempo, tentando com todas as minhas forças não me odiar.

Por que eu não consigo sequer apresentar um trabalho sem estragar tudo?

Eu estava quase me estapeando de tanto ódio. Mais uma vez eu me desesperei lá na frente e falhei. Mais uma vez iriam facilitar comigo e me deixar passar naquela disciplina com uma nota boa. Mais uma vez eu fui um fracasso.

Por que meu rosto tem que ser assim?

Era tudo culpa dele. Às vezes eu tinha vontade de arrancá-lo e substitui-lo por outro. Seria como uma nova identidade. Bonita e confiante. Era disso que eu precisava. Só ela conseguiria resolver meu problema.

Em algum momento, ouvi o sinal tocar, me mandando sair do toalete e enfrentar os meus colegas novamente. Respirei fundo e fui.

Quando cheguei em casa, depois de mais um dia horrível e deplorável, minha mãe quase que imediatamente notou meu humor decaído e rosto miserável, me recebendo com o melhor abraço do mundo.

- Filho, deu tudo certo? Você conseg-

- Eu não quero falar sobre isso mãe. - pedi calmamente enquanto tentava não chorar por ter decepcionado a única pessoa que realmente me apoiava. - Não agora.

- Tudo bem querido. - ela respondeu compreensiva, acariciando meus cabelos. - Descansa um pouco e depois venha comer alguma coisa. Tenho uma surpresa pra você depois da janta.

Subi as escadas, cabisbaixo, quando ouvi a mesma voz dizer:

- Lembre-se que você não é um fracasso Jungkook. Eu te amo!

Acho que eu tenho a melhor mãe do mundo.


Notas Finais


O próximo capítulo vai explicar muita coisa.

E eu estou com medo rsrs


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