História Propício ao Erro - Capítulo 19


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Boner Test, Bottom!jimin, Jikook, Jimin Bottom, Jimin Uke, Jungkook Seme, Jungkook Top, Kookmin, Teste De Tesão, Top!jungkook, Universidade
Visualizações 5.082
Palavras 4.885
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


SHE SAID "DO YOU LOVE ME?" I TELL HER "ONLY PARTLY, I ONLY LOVE MY BED AND LEITORES DE PAE, I'M SORRY!"

Boa noite só pra quem faz parte de 2.934 leitores e MIL COMENTÁRIOS, BROTHER. VOCÊS NÃO EXISTEM NA MINHA VIDA EU SINTO VONTADE DE CHORAR EXPLODIR E ENCHER TODO MUNDO DE BEIJO!!!!!!!!!!
Sério, muito obrigada por isso, eu me sinto muito amada e isso é surreal! Por isso eu voltei com o capítulo mais cedo (mais cedo que as 10h30, pq sei que muita gente só vai poder ler amanhã). Espero que vocês gostem e me perdoem a demora, mas tá foda por aqui! Mente aberta porque meu jikook VAI INTERAGIR INFERNO!

Durmam bem, nenês, boa leitura!

Capítulo 19 - É só um segredo nosso.


Fanfic / Fanfiction Propício ao Erro - Capítulo 19 - É só um segredo nosso.

O silêncio nem sempre era constrangedor.

Naquele caso, Jungkook preferia ficar em silêncio e ouvir tudo o que os outros rapazes diziam, sentados naquela mesa redonda em um dos bares universitários próximo ao campus. Estava atento, apesar de bebericar vez ou outra sua cerveja e mexer no celular, vendo suas notificações, relaxado.

Querendo ou não, havia tirado um peso enorme das costas e sentia-se mais leve por isso. Conseguia… Sei lá, apenas sentar, beber e rir. Em sua mente não se passavam muitas coisas, sem muitos medos ou arrependimentos. Quer dizer, pensava um pouco em seu pai, pensava no que seria da sua vida dali pra frente e, principalmente, pensava em Jimin.

Ele estava bem ali, na sua frente, rindo e bebendo tanto quanto Jeongguk.

Contudo, Jeon agora via-se curioso sobre ele. Sobre o que ambos significavam um para o outro após aquela noite. Isto é, ainda seriam inimigos? Jungkook ainda seria Presidente do Conselho? Jimin ainda seria apenas o Representante das Minorias?

Observava os fios rosados e as risadas que Jimin dava enquanto conversava com Taehyung, seu estômago gelava mas não sabia o que pensar. Bem, era um pouco estranho pensar nisso, visando que não sabia o que seu pai faria depois da Apresentação Anual. Tudo era possível, principalmente porque havia mexido com o dinheiro dele e, ah, isso era sério. Mais sério do que imaginava no início.

— Ei, Kook. — ouviu a voz de Hoseok, virando-se para fitar o amigo que bateu de leve o copo no seu. Jung estava feliz por estar saindo com seu melhor amigo após tanto tempo. — Relaxe. Sei que é difícil, mas tire esse tempo para fazer tudo menos pensar no que rolou.

— É! Você foi incrível hoje, cara, não pense nisso! — Taehyung completou, sorrindo. — Apenas comemore.

Fitou-os e acabou sorrindo, bebendo outro gole. Taehyung e Yoongi estavam lado a lado, risonhos enquanto Namjoon apenas caçoava da situação de ambos meio bêbados. E, bem, Jimin estava ao lado de Yoongi, bem em sua frente, fitando-os à medida que parecia pensar em algo.

E Jeon não sabia, mas Park estava pensando nele.

— Relaxe, Presidente. — o rosado disse, por fim, sem fitá-lo. — Deixe para resolver tudo amanhã.

Claro, Jimin também não sabia como tudo seria após aquela noite e, sim, ele estava tão preocupado quanto Jeongguk. Contudo, era um fato que não adiantaria estressar-se, afinal, o que tinha de acontecer, aconteceu. Deveriam arcar com as consequências e seguir em frente.

Na teoria era fácil.

— Obrigado por me convidar. — Jeongguk disse meio baixo, tímido.

Na prática… Impossível.

— Relaxe, hoje é um dia especial, então… Sei que todos também queriam comemorar com você. — respondeu, bebendo da própria cerveja e fitando o rapaz na sua frente rapidamente.

Querendo ou não, Jungkook estava lindo. Maldita roupa despojada que enfiaram nele, era um rapaz tão bonito. Umedeceu os lábios com a língua e fitou-o por mais algum tempo, desviando o olhar assim que ele voltou a fitá-lo.

Jimin não queria admitir, mas ver que Jeon estava melhorando (mesmo que percebesse isso de forma extremamente lenta) o deixava aliviado. Talvez porque a atração que sentia por ele ainda estivesse ali, talvez porque tinha esperanças de que poderia se interessar por Jeongguk sem maiores problemas, talvez porque via que não, não havia feito tudo aquilo em vão.

Porque, no fundo, Jimin sempre quis que Jeongguk mudasse.

— Espero que vocês se acertem hoje. — Yoongi disse, sendo sincero. Não aguentaria mais brigas e discussões vindas daqueles dois.

— Acho difícil, Gi, são duas crianças. — Taehyung foi sincero, já recebendo um olhar reprovador de Jimin.

O rosado cruzou os braços, fitando-o bravo.

— Não sejam assim. Foi difícil entender que ele estava realmente mudando. — disse meio baixo, voltando a bebericar de sua cerveja, desviando o olhar. — Principalmente por causa do jantar, entendem? A culpa não é minha.

Contudo, Jungkook viu-se no direito de se defender.

— Tudo bem, mas… Eu não fiz por mal. Digo, eu não fiz porque eu não podia fazer. O que meu pai diria? Eu estaria ferrado. — respirou fundo, fitando Hoseok. Sabia que havia errado, mas podia justificar-se, certo? — E confesso que não tinha pensado em participar da apresentação ainda, porém era a melhor saída. Meu pai nunca concordaria com a doação que eu fiz.

A mesa então ficou em silêncio. Não só os dois como o resto pareceu pensar no que havia sido dito. Jungkook não estava mentindo, mas era algo complicado. Isto é, era difícil fazer Jimin entender o lado dele, mesmo que eles entendessem que sim, estar na pele dele deveria ser complicado.

— O jantar realmente não foi uma boa ideia. — Jimin concluiu, encolhendo os ombros. — Tanto para mim quanto para você.

— É…

Jeon coçou os fios da nuca, fitando qualquer coisa ao redor deles apenas para poder desviar o olhar.

— Jantares deveriam ser proibidos na nossa faculdade. — Namjoon concluiu, terminando de virar a cerveja que possuía no copo.

Fitou os amigos, vendo Yoongi concordar em silêncio. Querendo ou não, eles estavam ali para quebrar qualquer gelo que começasse a aparecer entre Jimin e Jeongguk. Só não esperavam que surgisse um iceberg naquela mesa de bar.

— Sinto muito por isso. Eu agi sem pensar quando te convidei. — Jungkook disse baixinho, sendo sincero. Era difícil pedir desculpas à Jimin porque sentia que ele havia errado tanto quanto, mas estava tentando.

Céus, como estava.

— E eu quando fui. — Jimin respondeu, dando de ombros de leve.

Jimin entendia que havia errado sobre aquilo, mas… Ah. No momento pareceu uma boa ideia. E ele e Jungkook estavam tão bem no terraço do Belas Artes. Realmente achou que tudo daria certo.

E, com sinceridade? Jeongguk também.

Quando convidou Park, Jungkook estava sob efeito de álcool e entre os braços do mais velho, mas sabia que sentia mesmo vontade de que ele aparecesse no jantar. Primeiro porque fora ele que ensinou certas coisas à Jeon, mostrou-o o outro lado da moeda como ninguém conseguiu antes e aquilo, para ele, era incrível.

Queria que as outras pessoas entendessem como ele entendeu.

Porém, fora bobo em pensar que não haveria nenhuma mente maldosa no local. Tirando seu pai, acreditava que todo o resto seria tranquilo, mas errou. Seokjin era tão mente fechada quanto Junmi e isso não deveria ser uma surpresa para ninguém. Principalmente para Jeongguk...

— E Jieun? — Jimin perguntou quando o resto dos rapazes já estava entretido em outra conversa sem sentido.

— O que tem ela? — questionou, um pouco confuso. Por que ele queria saber de sua ex namorada?

— Fiquei sabendo que vocês terminaram… — balançou o copo, fitando o líquido mexer-se de um lado para o outro.

Jungkook sentia-se tímido para falar sobre aquilo, mas precisava entender que era apenas uma conversa pacífica com Jimin. Eles não estavam discutindo ou a ponto de brigar, então… Tudo ficaria bem.

— Sim. Bom, depois que nós discutimos no seu quarto ela… Ela e Hoseok me viram. — coçou outra vez seus fios de cabelo, desviando o olhar. Esperava que Jimin entendesse o que ele queria dizer com aquilo, pois estava falando das marcas em seu pescoço. — E eles meio que perceberam que eu estava com alguém.

— Não foi difícil perceber, parecia que tinha apanhado… — Hoseok comentou, causando risadas em Yoongi e Namjoon.

Jungkook apenas revirou os olhos e voltou a falar:

— Eu não ia dizer seu nome, mas ela insistiu tanto que eu meio que contei tudo…

E Jimin, que estava encarando a mesa, ergueu seu olhar rapidamente.

— Tudo? — perguntou, já sentindo-se ansioso.

— Vamos combinar que vocês não estavam sendo nem um pouco discretos. — Yoongi alfinetou, sentindo Taehyung apoiar a cabeça na curva entre seu pescoço e ombro. Ele já estava bêbado?

Jungkook não queria admitir que contou tudo, mas era necessário. Só tinha medo de que Jimin ficasse nervoso outra vez e não o deixasse se explicar. Queria muito finalmente se justificar.

— Sim, até o teste durante a festa. — disse rápido.

— Nossa, aquela festa foi louca. — Taehyung comentou, lembrando-se de jogar um homem na piscina e quase apanhar depois.

Eles possuíam as melhores fugas durante festas.

Então, Jungkook se surpreendeu com o fato de Jimin não ficar bravo. Na verdade, estava até surpreso por Jeon contar tudo à Jieun. Era um pouco embaraçoso porque a garota sabia de coisas que ele fez com o ex namorado dela enquanto ambos namoravam. Era um pouco vergonhoso e… Estranho. Porém, ele havia aberto a boca também, não poderia julgá-lo.

— Eu contei a Taemin também. — respondeu baixinho. — Quando fui explicar sobre as nossas brigas e… É.

— Estamos quites então. Ele sabia esse tempo todo?

Jungkook se sente babaca por sentir ciúmes.

— Não, eu contei quando encontrei você com os garotos na sala de produção. Achei que realmente tinha perdido meus amigos. — encolheu os ombros, ouvindo Namjoon soltar um “awn” antes de abraçá-lo, rindo.

— Não seja idiota. — Jungkook, por sua vez, revirou os olhos. — Eles amam e se preocupam com você.

— Exatamente, Jimin! Você é tão burro às vezes. — Taehyung confirmou, falando alto.

Jimin apenas riu, coçando os fios da nuca e sentindo o rosto esquentar, estava envergonhado.

— É…

— Mas eu também sou. — deu de ombros, virando o copo grande de cerveja contra os lábios. — Poderia ter poupado muitas dores de cabeça se tivesse percebido tudo antes.

O rosado o fitou, um pouco confuso e desconfiado.

— Percebido o que?

— Que eu não sou como o meu pai. Eu sou… Eu. É, só isso. — dizer aquilo era estranho, mas muito libertador. Era como poder andar sozinho, sem ser lembrado o tempo todo que era filho de Jeon Junmi e que deveria mantê-lo orgulhoso.

— Ah, mas você foi criado por ele, Jungkook. — começou a gesticular. Realmente não achava que aquilo era culpa de Jungkook. — Além de que era como uma cópia dele, assim como seu primo é e...

— Tudo bem, Jimin, eu sei. — interrompeu-o, estava começando a descobrir que falar sobre seu pai o deixava irritado. Bem, bastante irritado.

E os outros rapazes na mesa apenas assistiam, Hoseok principalmente. Era muito fascinante ver a forma como ambos lidavam com interações sem que saíssem aos socos ou gritos. Pareciam civilizados e, de longe, ao menos dava para perceber o quanto já haviam se odiado.

— Não acredito que vocês estão realmente se resolvendo. — Jung comentou, estava realmente chocado.

— Cara… Isso é um milagre. — Namjoon entrou de comentarista também.

— Acho que falta o Jimin se desculpar pelas burradas que ele fez. — Yoongi comentou, vendo o amigo logo fitá-lo como quem repreende. — Quê?! Vai dizer que não se arrepende de nenhuma bosta que falou, Park Jimin?

Bom, Jimin se arrependia, mas não gostava da ideia de ele e Jeon possuírem uma plateia. Era inclusive amedrontador, porque queria conversar com ele e não conseguia se focar genuinamente com os outros quatro comentando.

— Podemos… Conversar em outro lugar?

 

...

 

Era estranho conversarem sem alfinetadas, sem discussões ou todo o egoísmo que possuíam de fazer o outro entenderem seu lado. Mas, no geral, era uma sensação até que boa.

Jimin sentia-se um pouco babaca por ter suas leves desconfianças quando Jungkook estava ali, sendo sincero e ainda se desculpando, agradecendo. Mas era nítido que estava difícil para ele entender as coisas e, ah, estava tentando.

Bem, Jungkook sentia-se bem porque agora fazia tudo por si mesmo. Sabia que não o levaria a nada ficar com rancor de Jimin, até porque ele havia o ajudado querendo ou não. Então só queria resolver-se com ele para que não se estranhassem mais. Gostava muito da companhia dos rapazes e não queria que aquilo atrapalhasse as novas amizades que desejava fazer.

— Olha, Jungkook, eu… Eu tô tentando entender. Eu preciso de tempo.

— Tudo bem. A minha parte eu já fiz, Jimin, eu estou tentando ajudar.

Jeon sentia-se animado com a ideia de Jimin tentar entender seu lado, mas, querendo ou não, não era seu foco. Seria ótimo que ele entendesse tudo, porém Jungkook estava sentindo-se pleno consigo mesmo e isso era o importante.

Pelo menos naquele momento.

E Jimin percebeu isso. Jeongguk estava mesmo trabalhando em seu interior e, sei lá, era incrível. Agora, com a guarda baixa, conseguia ver os pequenos detalhes que seus amigos tentaram o mostrar. Sentia-se um pouco bobo por ter demorado tanto, porém entendia seu próprio lado por ter ficado com um pé atrás. Confiou em Jungkook rápido demais e acabou se arrependendo. Logo, não cometeria o mesmo erro outra vez.

Entraram no banheiro extenso do bar e Jimin lavou as mãos, fitando seu próprio reflexo. Estava nervoso, não mentiria.

— Só espero que você não faça nenhuma merda. — disse meio baixo, mas Jungkook ouviu. Sempre ficava um pouco mais estúpido quando estava ansioso.

— Eu digo o mesmo. — arqueou uma das sobrancelhas na direção dele, vendo-o colocar as mãos no bolso. — Sabe como é, você também errou muitas vezes.

— Como assim?

Viu Jeon puxar os fios para trás, respirando fundo e colocando as mãos no bolso outra vez.

— Ah, Park… Seus amigos tentaram falar, mas você não escutava. Eu tentei conversar também. Sei que errei, mas a culpa não é só minha, entende? Às vezes seu orgulho fala alto demais…

Jimin interrompeu-o, começando a ficar nervoso outra vez:

— Não diga como se a culpa fosse minha.

— Mas… Jimin… A culpa é nossa.

E ele sabia que o mais novo estava certo, contudo não queria dar o braço a torcer. Não queria ser visto como errado da história sendo que sofreu muito no decorrer dela. Havia sofrido assédio, oras! Jin e os amigos jogaram champagne nele, além de tudo o que já teve de escutar por entre os corredores do campus. Não era fácil, não mesmo.

— Não, Jungkook! A culpa não é minha se você não entendia o que sentia e se não tinha personalidade própria. — respondeu alto, bufando.

Mas Jungkook havia sofrido também. Não do mesmo modo, mas havia. Seu pai o forçava a fazer coisas, dizer coisas, ser quem era. Jungkook, em todos os anos que estava vivo, via-se fazendo o que bem entendia e queria (sem ser incentivado por ninguém) pela primeira vez naquela época. Naquela apresentação.

E, querendo ou não, Park Jimin precisava entender isso.

— Mas a culpa foi sua de se envolver comigo! A culpa foi sua de ter ido ao jantar e ainda de ter ficado bravo comigo quando não pude fazer nada… — desabafou, respirando fundo.

— Como a culpa pode ser minha se quem me chamou foi você? — Jimin perguntou.

— Tudo bem, tudo bem! Eu não quero discutir, não de novo. Se você acha isso, tudo bem, é! O problema é seu. A minha parte eu fiz. Agora… Vou voltar pra lá. Só acho que deveríamos parar com as brigas, de verdade. Eu realmente gosto deles, sabe? Yoongi, Taehyung e Namjoon. Gostaria de ser amigo deles, começar do zero, refazer a minha vida. E eu não quero que nossas discussões atrapalhem isso.

Bufou, fitando qualquer coisa que não fosse Jimin.

Talvez fosse utopia demais imaginar que ambos poderiam conviver em paz. Jungkook sentia-se muito inocente após aquela conversa e, céus, deveria apenas ir embora.

Contudo, assim que deu um passo, Jimin o interrompeu:

— Ok! Foi mal. Só… Sei lá, me dê algum tempo. Você muda da água para o vinho e espera que eu aceite como um milagre?

— Tipo isso.

Riram juntos, mas Jimin revirou os olhos.

— Não seja otário… — disse, seu tom de voz levemente menos agressivo.

— Deixa esse seu orgulho de lado, Jimin… — Jungkook pediu, queria mesmo que pudessem se acertar.

— Eu ainda preciso processar. — foi tudo o que recebeu de resposta, vendo o Park fitar-se pelo espelho mais uma vez.

— Tudo bem.

E o silêncio voltou a reinar ali, o que era péssimo. Afinal, Jeon parecia estar apenas regredindo em relação ao Representante das Minorias.

— Vou voltar para a mesa, ok?

Fora a vez de Jeon interromper Jimin, segurando-o de leve pelo braço antes de começar a falar:

— Só... não fique bravo. Eu não estou tentando te atacar, não mais. Eu realmente mudei, Jimin. De verdade.

Jimin deu um passo em sua direção, mas Jeon ainda segurava seu braço. Eles se encaravam e era um clima tão calmo e… Ambos não queriam brigar, muito pelo contrário. Queriam entender-se, mas era difícil.

— Preciso de provas, Jungkook…

Muito difícil.

— Mais do que eu te mostrei hoje? — questionou, calmo e quase manhoso. Quase.

Porém, Jimin apenas o fitou sério, descendo o olhar para a boca dele antes de encará-lo outra vez.

— Me prove.

E, bem, Jungkook queria provar seu valor. Contudo, a tensão que começava a crescer entre eles sempre dificultava as coisas. Principalmente porque, sem ao menos pensar, o presidente pressionou seus lábios nos dele com força.

Quando percebeu, a merda já estava feita.

Jimin não se afastou, apenas ergueu as mãos na direção de seus ombros e ficou de olhos fechados mais do que o necessário.

Por sua vez, Jungkook subiu as mãos até o rosto de Jimin, esfregou os polegares lentamente nas bochechas dele antes de encaixar as palmas no maxilar bonito, puxando-o para um beijo inocente. Colaram os lábios, os olhos se fechando à medida que se aproximavam para sentirem um ao outro depois de tanto tempo.

Era estranho demais estarem naquela situação após tanto tempo. Principalmente porque não estavam brigando, nem descontando a tensão que causavam um no outro. Era um selar e um certo silêncio. Era bom.

Mas não durou muito tempo porque, querendo ou não, precisavam de algo a mais.

Prensar Jungkook contra a parede não estava em seus planos, mas Jimin não conseguia conter-se com o álcool no sangue e aqueles olhos negros mirando em sua direção.

Porque mesmo antes de tudo, Park já desejava Jeon. Desde o primeiro contato, naquela festa. Desde que se beijaram e prometeram não ser nada demais. Estava cansado de negar para si mesmo o quanto queria ter Jungkook o beijando mais uma vez.

— Nós fizemos as pazes. — Jungkook comentou assim que cortaram o beijo.

— Sim, e…

— Então nós podemos nos beijar. De novo. — disse, desviando o olhar. — Se você quiser…

Era fofo vê-lo acanhado, ao menos parecia o homem bruto que surgia quando se beijavam demais.

— Ah, é? — Jimin questionou, o sorriso malicioso já crescendo nos lábios. — Você quer me beijar, Jungkook? Porque eu quero beijar você.

E assim que deslizou sua mão da parede até o ombro do Presidente, os lábios se colaram em um selinho demorado e forte. O rosado fechou os olhos imediatamente, sentindo uma das mãos de Jungkook segurando sua cintura, por baixo da jaqueta e por cima da regata brilhante.

Não era segredo que se desejavam, e naquele momento, após Jungkook mostrar para todos quem estava se tornando e começar a fazer as coisas que queria e quando queria, tudo ficou diferente. Para Park, era diferente de vê-lo como alguém onde poderia somente descontar suas tensões, alguém que ele sabia que não se importava com nada. Agora, Jungkook se importava e, por isso, era diferente.

Era distinto de beijar Jimin e fingir que não sabia o que estava fazendo, muito desigual de agarrá-lo e depois fingir demência. Jungkook estava ciente (mesmo que bêbado) do que estava fazendo e não se arrependia.

Pela primeira vez, Jungkook tinha certeza de que queria beijar Jimin.

Mordeu de leve os lábios carnudos e logo envolveu a língua de Park com a sua, sentindo o ar faltar por conta da ansiedade que sentiam em estar ali, juntos, novamente. Claro que não era algo que admitiram caso fossem questionados, mas sim, sentiam a falta um do outro como se estivessem separados há tempos. Apertou o corpo alheio contra o seu e sentiu uma das mãos pequenas subir até sua nuca, apertando-a enquanto a outra deslizava até sua bunda. Queria rir, mas preferia continuar provando dos lábios que tanto gostava. Que tanto estava acostumado a beijar.

E o mesmo servia para Jimin: apertava a bunda de Jeon enquanto arranhava a nuca, inclinando a cabeça apenas para sentir o músculo molhado dele contra o seu próprio. Então, quando se separaram, sorriu ao sentir os lábios macios em seu pescoço, estava tão afobado quanto o próprio Jeongguk.

Fechou os olhos e prendeu os fios macios dele entre os dedos. Quase sorria, mas ainda não permitia-se dar esse prêmio ao seu antigo inimigo. Porém, droga, era impossível não respirar fundo sentindo os lábios macios marcando toda a sua pele exposta.

Jeongguk sempre soube como deixá-lo entregue.

Porém, antes que pudessem beijar-se outra vez, ouviram a porta do banheiro sendo aberta. Se afastaram o suficiente para que não fosse estranho e logo encararam o rapaz bêbado que entrava e caminhava diretamente para os mictórios.

Era um pouco estranho serem pegos outra vez (assim como sempre acontecia durante as festas). Mas, pelo menos, era um desconhecido que estava bêbado o suficiente para não entender o que acontecia ali.

E então ambos se fitaram. Jimin encarou e reparou em cada pedacinho de Jungkook que estava vermelho, bagunçado e tão sensual. Os lábios avermelhados o chamavam para mais beijos e, porra, não queria ter de se controlar.

Ergueu a mão e pegou a de Jeon, os dedos meio entrelaçados meio confusos com o que aquilo significava. Não era para menos, afinal, era a primeira vez que faziam algo daquele gênero.

Algo… Fofo? E natural também.

Óbvio, não durou muito tempo, mas Jungkook pensou nos dedos dos dois juntos enquanto era puxado para dentro da cabine mais próxima quando o mesmo rapaz bêbado saiu dali. Jimin o colocou sentado e logo sentou-se nas coxas malhadas, atacando os lábios tão bonitos. Jeon novamente não pensou muito, levando suas mãos para a cintura do mais velho e apertando ali apenas para ter certeza de que ele não se arrependeria do que estavam fazendo.

Mas ele deveria se arrepender, não?

Sentiu os dedinhos de Park erguendo sua camisa branca, sentindo cada centímetro de pele quente por baixo das roupas despojadas que o deixavam tão gostoso. Como era possível alguém tão lindo? Jimin odiava-se por desejar ele.

Quer dizer, odiava um pouco menos agora que ele era tecnicamente menos babaca. Não podia controlar, ainda sentia medo do que Jungkook poderia fazer, apesar de estar ali, no colo dele, dentro de uma das cabines de um bar perto da faculdade.

Jimin tinha desconfiança, mas dignidade não tanto.

E Jungkook, bem, ele tinha frio na barriga.

Era como se estivesse beijando alguém pela primeira vez. Algo novo, tão novo quanto a sensação de não estar fazendo nada errado. Isto é, se queria beijar Jimin qual era o problema nisso?

Deixaria para pensar profundamente sobre o assunto depois. Pois estava bêbado e afobado para continuar com a boca ocupada no pescoço, rosto e lábios de Park Jimin. Sentir as mãos dele por baixo de sua camisa, o corpo se ondulando devagar acima do seu. Do mesmo jeitinho que ele fez da outra vez, naquela festa. Naquele teste.

Aperte a cintura de Jimin, arranhando ali com as unhas curtas  e se afastando somente porque ele tentava tirar sua jaqueta de couro. Após isso, jogaram a peça em um canto qualquer e voltaram aos beijos, o rosado se deliciando com os músculos de Jeon à medida que acariciava os braços do mesmo.

— Você não está com medo, Jungkook? — o rosado questionou assim que aproximou os lábios da orelha gelada. — Sabe, eu sou um homem.

Apesar de tudo, continuava debochado. O modo provocativo que Jeon conheceu durante a festa da república estava ali, em seu colo, descendo uma das mãos até o cós da sua calça.

— É diferente agora... Jimin. — disse, fitando cada mísero movimento dele. Deu de ombros, tão debochado quanto antes também. — E você?

— Eu o que? — perguntou com aquele sorriso brincalhão no rosto.

— Não tem medo? — Jungkook também sorriu, mordendo o lábio com seus dentes salientes. — Sabe, eu sou o presidente.

Teria de admitir, o mais novo estava aprendendo a jogar direito. Pensando nisso, sorriu e revirou os olhos antes de tocar o cinto dele, se prontificando em desafivelar.

— Não tenho medo de você, mas você deveria. — Jimin respondeu após abrir o cinto, tocando o botão da calça que logo seria aberta também. Voltou a aproximar os lábios da orelha e mordeu o lóbulo alheio, rindo depois. — Eu fico assustador de joelhos, sabia?

Após ouvir aquilo, Jungkook não pode controlar-se a lembrar do dia em que estavam no Belas Artes e Jimin estava de joelhos. Era uma cena e tanto, só de pensar nela se repetindo ele sentia a barriga gelar.

Ao contrário do pavor que esperava sentir, Jeon encontrava-se curioso sobre aquilo. Afinal, Jimin o provocava tanto que, se fosse preciso, ele pagaria para ver.

— Você não me assusta, Jimin-ah, nem se quisesse. — deu de ombros. — Se você se acha tão assustador… Ajoelhe e me mostre, então.

Era loucura, mas ambos não davam a mínima para isso.

Primeiro porque estavam embriagados demais para pensar nas consequências, segundo porque era algo que desejam muito para esperar outra oportunidade. Poderia não acontecer de novo e, sinceramente, eles não gostariam de esperar para ver.

Então Jimin deixou um último beijo nos lábios do outro antes de encarar a face avermelhada dele e sorrir, afinal, realmente o achava lindo. E, por ele, ficaria ali apenas observando pelo resto da noite, mas tinha algo melhor em mente. Logo, desceu de seu colo, se ajoelhando como o espaço pequeno permitia, mantendo seu olhar embaçado conectado com o de Jungkook. E, céus, olhá-lo de baixo, com as pernas torneadas e abertas era tão sensual que chegava a doer. Um pedaço a da camisa estava erguido e dava para ver o fim do tronco malhado dele, a calça meio aberta e uma leve ereção marcando no tecido escuro.

Chegava a salivar.

— Você tem certeza disso? — perguntou uma última vez, torcendo muito para que Jeon não voltasse atrás. — Não vai se arrepender?

— Eu quem pergunto. Não vai se arrepender de ficar comigo outra vez?

Jimin apenas revirou os olhos, fitando o corpo deleitoso em sua frente antes de responder:

— É só um segredo nosso, Kook. — riu, lambendo os lábios em antecipação. — Deixe para resolver tudo amanhã.

Mesmo sem toda a cerveja, o tesão e as coisas que rondavam sua mente, Jungkook responderia a mesma coisa. Só existia uma opção em sua mente.

O mais novo nem ao menos tinha “não” como uma das alternativas. Ele sabia que desejava Jimin, tinha certeza apenas pelo modo como tudo nele o instigava. Desde o começo. Jimin o instigava a ser quem supostamente não era, a mudar e se tornar alguém melhor. Jimin o deixava propício à melhoras.

Contudo, mais barulhos vinham da entrada do banheiro. Não aguentariam a ideia de pararem outra vez por culpa dos outros? E estavam tão perto…

Jungkook queria tanto aquilo.

— De todas as opções que nós temos eu espero que eles tenham ido embora sem avisar. — ouviram a voz de Namjoon e rapidamente se afastaram. Jimin tentava levantar, mas estava bêbado demais e ele sabia que seus pés apareciam por debaixo da porta. — Não queria dizer, mas a opção “Jimin eu estou vendo seus pés na última cabine” acabou de surgir.

Os dois estavam tão vermelhos dentro da cabine que poderiam explodir de vergonha. Jungkook não queria pensar que estavam sendo expostos daquele jeito.

— Nós… Demoramos muito? — Park questionou, finalmente conseguindo levantar-se.

— Pra caralho, né. — Yoongi retrucou, respirando fundo. — Mas só passamos avisar que estamos indo.

— Saiam logo daí também. — Kim completou, rindo logo depois. — Se algum louco descobrir que vocês estão se comendo aí dentro… Pode dar merda.

— É arranjem um quarto.

Quando a porta bateu, Jimin pôs-se de pé e de coluna reta, ajeitando os fios rosados e suas roupas. Estava tonto, mas nada que fosse absurdo. Sabia bem do que estava fazendo e ao menos sentia vergonha por isso.

Contudo, Jungkook puxou-o pela jaqueta até que estivesse quase sentado em seu colo outra vez. Beijaram-se e Jeon sorriu, se erguendo e vendo Park sair do local tão apertado.

— Já vou indo. — puxou os fios suados para trás mais uma vez, fitando tudo ao redor.

Jeon então pensou em dizer para ele não ir. Talvez porque estarem próximos sem brigar ou xingar um ao outro fosse bom. Talvez porque estava excitado e queria, pela primeira vez, que ambos conseguissem terminar o que sempre começavam.

Sei lá, Jungkook só queria que ele não fosse embora.

Estava começando a gostar da companhia dele...

— Você… Quer ir comigo? — Jimin fitou-o enquanto perguntava, vendo o semblante confuso de Jeon perante sua pergunta.

É, Jimin era rápido e, aparentemente, não possuía vergonha alguma.

Dentre todas as escolhas difíceis que Jungkook fez durante a faculdade, aquela estava sendo a mais complicada.

Isto é, naquele momento sua mente não entendia o real tamanho do peso que aquela pergunta possuía. Sua cabeça só conseguia pensar em seguir Jimin para onde quer que ele fosse e, lá, fazer tudo o que bem entendesse. Tudo o que sempre teve tanta vontade de fazer e não pode, não quis, não entendeu.

Porém, era maior que isso. Jungkook não havia, em momento algum, sentido-se mal por beijar ele, pensar nele e o desejar com tanta força como fazia naquele banheiro. E, com aquela pergunta, Jeon ainda não se sentia estranho por pensar em sim, aceitar.

Aceitar e dar um passo irreversível que envolvia Jimin, ele e desejos mais intensos do que tivera anteriormente.

E, sinceramente? Jeongguk até que pensou em tudo isso. É, o pensamento passeou por entre sua massa cinzenta. De forma meio rápida e irresponsável, mas passeou. Todavia, respondeu com toda a coragem que o seu novo eu estava tentando ter.

Porque Jeon queria experimentar.

— Quero.

E Park estava pronto para ajudá-lo nisso.


Notas Finais




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