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História Prostitute - Capítulo 1


Escrita por: e Jung_Hannea


Notas do Autor


Oi gente!! Não se assustem! Estamos reescrevendo e repostando a fanfic para concertar e mudar algumas coisas na história, por exemplo> A idade dela será de 19 anos, sem contar que o prólogo será a junção dos quatro primeiros capítulos da história.


Só isso mesmo, se leram até aqui comentem com um ''Up'', se puderem por favor leiam essa atualização, arrumamos bastante coisas!!!


OBS> Iremos adicionar os outros capítulos rapidamente.

Capítulo 1 - Cherry Lips - Prólogo.


Fanfic / Fanfiction Prostitute - Capítulo 1 - Cherry Lips - Prólogo.

Dez de Fevereiro, Segunda-Feira. Cinco e meia da manhã.

Desperto sentindo meu corpo todo dolorido, e assim que me levanto ouço um estalo feito por minha coluna. Nada de especial, isso acontece todo santo dia como consequência  por dormir em um colchão fino no chão. Me pergunto por que meu corpo não se acostuma em dormir em algo duro. 

Me levanto do colchão em um pulo, me espreguiçando junto a um longo bocejo alto. Caminho com os pés descalços pelo chão de pedra que já foi responsável por muitos machucados em minhas pernas. Vou até a “cozinha”, que não é nada mais e nada menos que uma área com um fogão, geladeira, dois armários e algumas cadeiras em volta de um balcão rachado, mas é assim que se caracteriza, uma cozinha.

Suspiro ao ver o cereal que minha irmã tanto ama no fim. Me lembro que foi duro conseguir comprá-lo já que meu salário não é lá essas coisas. Unji ficou feliz quando comprei... Pego o que tinha dentro dos armários para preparar um café para meu pai, separando algumas bolachas para Unji. Sinto minha barriga roncar, mas não há nada que eu possa fazer. Não tem o suficiente para mim, todavia não me importo, não é como se eu não estivesse acostumada a ficar um dia ou mais sem ingerir nada.

 — Unnie! - A voz cheia de vida que tanto conheço me chama, e eu direciono minha atenção do balcão para a  figura baixinha que caminha lentamente até mim. Sorri quando sou abraçada.  — Já está na hora da escolinha? 

Minha irmã mais nova acabou de completar cinco anos, e quando tinha três e eu dezessete, passamos por algumas dificuldades. Nosso padrasto viciado, David, que conseguiu não sei como nossa guarda depois que mamãe se foi, decidiu que era conveniente nos abandonar no meio da estrada sem mais nem menos, sequer se importando que sua filha ainda tinha três anos. Lembro-me bem de que ele batia e gritava com nossa mãe quando ela ainda era viva e após falecer todo esse ódio gratuito foi transferido para mim e Unji, nós duas fomos deixadas na rua e adotadas por um senhor de idade e de pouca renda do qual agora chamamos de pai. Hoje trabalho de manhã em uma cafeteria no centro a fim de ajudar em casa. O salário é baixo, mas com muito esforço consegui colocar Unji em uma escolinha, e hoje é seu primeiro dia. 

 — Está muito cedo ainda, 'saeng. - Miro o relógio na parede, que consta seis da manhã. — Daqui uma meia hora você vai. Está ansiosa? 

 — Muito! - confessa sorrindo de orelha a orelha, e saber que ela está feliz é o bastante para eu ficar bem.

Mesmo com dezenove anos sou mais madura que a maioria dos adolescentes já que fui praticamente obrigada a crescer rápido, principalmente em relação ao que aconteceu com nós duas. Até mesmo quando mamãe ainda era viva tive que parar com os meus estudos para trabalhar e ajudar em casa, e depois de perdê-la e ser abandonada sinto que devo dar tudo o que não consegui ter para Unji, inclusive educação.

 O primeiro passo executado foi matriculá-la em uma escola da região. A matrícula foi um pouco  salgada, mas não a nada que eu não faria por ela.  É muito cedo já sonhar em ver minha irmã na faculdade?

 

— Vai acordar o papai agora? 

— Deixa ele dormir mais um pouco, deve estar cansado. - Me referindo ao dia de ontem em que  appa trabalhou tanto na floricultura que acabou passando mal de exaustão. Nós dois somos os únicos que sustentamos a casa e mesmo assim a renda é pouca. Suponho que em pouco tempo eu seja a única a trabalhar, já que o mais velho está adoecendo cada vez mais por conta do trabalho que por mais simples que pareça o faz mal, e assim prefiro. Mesmo que nossa situação piore eu prefiro achar outro emprego a ver Jiyeong piorar cada vez mais. — Unji, vá tomar banho e se preparar para a escola.

 

— Aish, unnie. Não quero! Odeio água gelada! - Resmunga, com um bico nos lábios. Unji ainda é pequena e não entende muito bem  nossa situação. — E eu já tomei ontem! 

— Bom, assim economizamos água! - Digo bem humorada e a mais nova ri. Dou uma fungada em seus cabelos para ver se ela realmente está limpinha. — Vou tomar um banho, então trate de tomar seu café enquanto isso, viu? 

— Está bem, Unnie! — Unji selou minha bochecha e coloco a menor no chão, observando a mesma correr até a mesa e comer algumas bolachas.

 Caminho em passos preguiçosos até o único banheiro da casa,assim que abro a porta e adentro o pequeno cubículo úmido  livro-me de meu moletom antigo, em seguida do resto das minhas peças. Ligo o chuveiro, arfando em sequência ao sentir a água gélida batendo nas minhas costas, por isso trato de terminar o banho rapidamente.

 

Vou até meu quarto que divido com minha irmã e vasculho o baú de roupas, pegando a típica calça preta que sempre uso e uma camisa branca lisa, com um suéter cinza que era de mamãe. Visto uma sapatilha e me permito sentir a blusa de minha progenitora que incrivelmente ainda exala seu cheiro. Antes de voltar para a cozinha, dou uma passada no quarto em que Jiyeon dorme profundamente.

 

Suspiro. Esse velhinho é a melhor coisa que me aconteceu. Quando ninguém deu abrigo ou ajuda para mim e Unji ele veio até nós de braços abertos mesmo sem ter nada. Mas ele parece não se importar com a situação financeira, pois sempre mantém seu otimismo no rosto. Choi Jiyeon é a pessoa mais boa deste mundo. 

 Esperei até que Jiyeon acordasse e que Unji fosse para a escola e assim, vou para meu trabalho. Despeço-me de meu pai e vou para fora de casa, caminhando pelas ruas perigosas do bairro e sentindo o vento forte da manhã bater em mim. Ando em passos longos por toda a região barra pesada de Gangnam, parando em frente à cafeteria em que trabalho alguns minutos depois.

O local parece estar vazio, o que é estranho já que nesse horário o pessoal costuma vir aqui para tomar café. Acho esquisito também o caminhão em frente a cafeteria. Adentro a cafeteria e minha confusão só aumenta, porque não vejo nenhum cliente, apenas todos os funcionários reunidos. Será que…? Meu coração se aperta com a suposição que minha mente cria.

 — Audree! - Nayeon me chama assim que percebe que entrei no estabelecimento.. Viro-me para a mais velha que tinha carrega uma expressão preocupada. — A cafeteria fechou! 

 Sinto um aperto em meu peito. Minha chefe dizia estar tendo problemas para pagar o aluguel do café, mas achei que as coisas estavam melhorando já que Sra Mayumi nunca mais falou sobre isso. Porém, agora presenciando o estabelecimento vazio e os funcionários deslocados, a realidade me atinge. Eu estou sem emprego. 

 

Isso não pode estar acontecendo...

 — Audree? Diz alguma coisa! — Nayeon me encara preocupada, entretanto, permaneço sem reação, sentindo meus olhos ardendo a cada segundo que passa.. 

 — J-Já volto. — digo com a voz embargada, correndo até um dos banheiros. Sozinha respiro fundo, tentando me controlar para não ter uma crise e me desesperar.

 Droga! Mil vezes, droga! O que eu vou fazer agora?Logo hoje que Unji entrou na escola, e...Por Deus! Jiyeong está doente e logo vai parar de trabalhar. Não posso deixá-los morrerem de fome. 

Fungo e tento limpar as lágrimas grossas que rolam sobre meu rosto. Minha cabeça dói por conta do choro, mas estou preocupada demais para ligar para a dor. O pior é que esse foi o único emprego que me admitiu, afinal, sou estrangeira e não completei a escola. Que trabalho admitiria uma inútil como eu?

Limpo o rosto e tento disfarçar que chorei um rio segundos atrás. Saio do banheiro me direcionando a sala que era a dos funcionários e percebo que a dona dizia algumas palavras para os ex-funcionários que se encontravam ali.

 Minha ex-chefe explicou a situação do fechamento da cafeteria e nos desejou boa sorte para outro emprego. Boa sorte... Como se fosse fácil conseguir um emprego nessa cidade e com as poucas experiências que tenho. Mas não irei deixar-me abalar por isso, hoje mesmo vou conseguir um emprego novo, e espero que Deus me ajude. Me despedi de alguns funcionários e fui rumo à rua com o objetivo de achar um emprego. 

Droga, estou desesperada. Não posso deixar Unji passar fome novamente. Eu posso até passar, mas ela não. Avisto um restaurante e entro no mesmo para ver se estão contratando funcionários. Porém, não estão. Passo por uma loja de conveniência e dou uma palavra com o gerente. Novamente, não precisa de funcionários. Ainda está cedo e já estou completamente desesperada, parece que nenhum lugar está precisando de funcionários. Deus, me ajude! Não posso ficar sem emprego. Está quase escurecendo. Provavelmente Jiyeon já pegou Unji na escola e os dois devem estar morrendo de fome. Passei em milhares de comércios e nenhum precisa de funcionários. Droga. 

 Enquanto ando pelas ruas de Gangnam, já escuras e desertas, avisto uma pequena movimentação perto da rodoviária e percebo as garotas de programa. Mulheres bonitas com roupas curtas chamando a atenção de quem passa em volta. Um trabalho que ganha bem e não exige muita coisa… Não. Nunca. Jamais vou me tornar uma prostituta. Tenho apenas dezenove anos e sou virgem. Com certeza arrumo um emprego melhor que esse. Mas por outro lado, me parece fácil. Quer dizer... é apenas transar em troca de dinheiro, certo?

Engulo o choro pois as lágrimas querem voltar novamente, contudo me seguro. Depois de chegar em casa como se nada tivesse acontecido e visto que a situação de Jiyeong piorou, vi que era de extrema urgência arranjar um novo emprego o mais rápido possível. No dia seguinte andei por toda Gangnam. Imprimi meu currículo numa gráfica por perto e se entregando em todos os lugares que encontrei, até andei um pouco de metro para isso, mas no final, ninguém precisava, exatamente nenhum lugar procurava novos funcionários no meu perfil.

E aqui estou eu mais uma vez, no meio do frio e na rua escura observando atentamente as mulheres na calçada. Me vi perdida ao mesmo tempo em que caminhava em direção a morena de corpo magro e peitos enormes. “Tudo por Unji e Jiyeon”, eu reforçava esse mantra em  minha cabeça. Deus, onde estou me metendo? Só peço que me ajude, independente da situação.

 — Olá, criança. - A morena pronunciou assim que me aproximei dela. Seu cheiro é de cigarro e a voz levemente rouca me arrepia. Demoro um pouco para respondê-la, e afim de puxar assunto ela continua a falar. — Me chamo, Hyang 

 — O-Oi. — timidamente eu digo, tomando forças para dizer o que quero. — Poderia... me ajudar? 

 — Claro. Alguma dúvida? —  indagou. Suspiro, buscando forças. 

Então é isto, estou prestes a me tornar uma garota de programa. Não posso evitar sentir meus olhos marejando com a situação. Estou prestes a começar a vender meu corpo para alimentar minha família. E pensar, que vou ter que agir exatamente como  Hyang que fica com peças pesadas no meio de uma rua escura e deserta... 

Uma frase agora martela minha cabeça: Não é onde você começa que importa, é onde você termina. 

 Só espero terminar bem. 

 — Como faço para me tornar uma... prostituta? — pergunto por fim, em tom firme e consigo observar a morena sorrir de forma maligna e um pouco curiosa.

— Me siga.   

(...) 

Hyang, me trouxe até uma boate que fica em uma parte isolada de Gangnam. Me pergunto como nunca estive aqui antes, já que o estabelecimento demonstra ser bastante conhecido, deixando claro esse fato pelo simples motivo de estar lotado por homens bêbados e mulheres seminuas, contudo ainda me parece apenas uma boate normal, e não uma casa de prostituição. A mulher, que até agora sei apenas o nome, me guia para uma parte do local que aparenta ser uma espécie de área privada depois de passarmos por um segurança, enquanto fazia-me perguntas das quais me tremo dos pés até a cabeça em lhe responder.

 

— Não fazemos esse tipo de pergunta por aqui e lhe garanto que o chefinho não vai perguntar. Mas por que quer virar garota de programa sendo tão nova? Não é da polícia né? - A morena pergunta, no mesmo momento em que caminhávamos por um extenso corredor escuro e de tons avermelhados.

  

E novamente, sinto um nó se formar em minha garganta e meus olhos começarem a lacrimejar. Não tenho hábito de sair espalhando minha situação pessoal, não quero um olhar digno de pena sobre mim e menos ainda ser motivo para zombaria. Entretanto, pretendo deixar claro que minha intenção não é sentir prazer ao vender meu corpo, e sim conseguir dinheiro para melhorar o contratempo ao qual me encontro. Mesmo que isso custe me prostituir. 

 

 — Não sou da polícia, e... Só por causa de dinheiro, e o lugar onde trabalhava fechou. - Digo, disfarçando voz embargada e a mulher ri anasalado. 

 

 

 — Por que diabos uma virgem iria decidir se prostituir? Você consegue um emprego quando quiser, mas não vou me intrometer na sua vida. - Diz, e logo após arqueio minhas sobrancelhas.

 

 

 — Como sabe que sou virgem? — Fico assustada com sua constatação sem ao menos lhe falar nada sobre.

 

 

 — Flor, você exala virgindade. - Ela ri. — Tão delicada e infantil... praticamente está estampado em sua cara. Mas não se preocupe, as mais novas são as mais cobiçadas por aqui.

 

Depois de sua explicação, não sabia ao certo se sinto-me bem ou mal por isso. Ser cobiçada significava mais dinheiro. Contudo, em apenas cogitar em inúmeros homens repugnantes tocarem o meu corpo aquela vontade imensa de derramar todas as lágrimas que tenho segurado por me encontrar nesta situação apodera-se de mim. 

 

Por fim, chegamos em uma sala no fim do corredor. A morena bate na porta escura e ouvimos um “pode entrar” rouco a ponto de fazer-me estremecer. Hyang abriu a porta e gritou antes de me jogar para dentro sem se despedir:

 

 

 — Trouxe uma virgem, chefinho! -  Anunciou, me empurrando de uma vez. 

 

 

 — Bom trabalho, Hyang. Feche a porta. - A voz rouca novamente se pronunciou, porém, apenas permaneci olhando para os meus pés, admirando os tênis velhos e sujos que calcei de manhã pois sabia que iria andar muito hoje, só não imaginei essa situação.

 

Escuto o ranger da porta, indicando que ela acabou de ser fechada e um breve "até logo” sendo dito pela pessoa que me trouxe até aqui.

 

 

— Venha até aqui. Me chamo Park Jimin, qual seu nome?

 

 

 Levanto meu rosto na direção de onde o timbre arrastado vinha e, assim que o vi, senti algo dentro de mim. O homem que chama-se por Park Jimin e que agora seria meu chefe é um homem muito bonito, e talvez, jovem demais para ser cafetão. Seus olhos pequenos e cabelos loiros lhe dão um ar um tanto fofo. Um sorriso de canto é desenhado em seus lábios e eu, timidamente, sentei-me na cadeira aveludada em frente sua mesa cheia de cigarros.

 

 — Audree. — respondo em tom baixo, quase inaudível por estar trêmula de ansiedade e nervosismo. Mas ele nada diz, apenas me encara sem expressão alguma, e esse ato foi um impulso para que eu pudesse voltar a repetir, só que agora, mais alto. — Audree!  

 

 

— Hum... Audree. — repete, e sua mão em seu queixo e sua sobrancelha arqueada me deixa nervosa. 

 

Meus batimentos cardíacos ficam fora do comum quando o loiro sai de sua cadeira e começa  a caminhar pela sala. Esse homem me dá calafrios. 

 

— Então, quer ser uma das minhas garotas?

 

— Uma p-prostituta? - Pergunto, confusa com sua fala e gaguejando levemente. Jimin ri.

 

 — Não me refiro as minhas garotas dessa forma. - informou, estalando sua língua no céu da boca. — Prostituta não é um termo muito bonito.

 

 

 — S-Sim…- Suspiro, fechando meus olhos a fim de me acalmar. — Quero ser uma de suas garotas.

 

 

 — Audree?  - sua fala faz com que eu o olhasse. E seus olhos me encararam com... empatia? — Você quer mesmo ser ou está sendo obrigada? Não pense que estou me preocupando, mas não é todo dia que uma virgem como você aparece aqui querendo se prostituir. E a também você não me aparenta estar a vontade com a situação.

 

 

 Após o escutar, sinto cada vez mais lágrimas se formarem em meus olhos, mas não vou permitir-me chorar, não em sua frente. Park Jimin não pode saber o porquê quero entrar para este ramo, segundo ele, uma de suas garotas. Respiro fundo, tentando controlar as lágrimas para não cederem de uma só vez e tento ser o mais convincente possível. 

 

 

— Eu quero isso! - respondo rapidamente, tentando soar firme. E consequentemente,  assustando meu futuro – assim espero – chefe, com o meu tom de voz elevado e repentino. — Estou ciente que o salário é bom, então, eu quero. - falei, por fim. 

 

 

O mais velho não aparentou se convencer muito, mas como Hyang disse anteriormente, ninguém iria me perguntar os motivos para as minhas ações, principalmente o indivíduo que está na mesma sala que eu nesse momento.

 

 

 — Então, Audree... — fala enquanto anda de um lado para o outro, parando atrás de mim e tocando meus ombros em seguida. Não consigo vê-lo, mas sinto um choque percorrer todo o meu corpo ao sentir suas mãos tocarem em meus ombros. Estou tensa e ele sabe. - Me mostre o que sabe…

 

 

 — C-Como? - Sem conseguir compreender o que o mesmo disse, pergunto, com a voz falha. 

 

 

 — Me mostre seu corpo. - Diz, se afastando e voltando até sua cadeira. — Faço isso com todas minhas garotas, sempre tenho uma sessão com elas antes de começarem o trabalho para valer, sabe, para avaliar.

 

 

 — Sessão? Nós, vamos…? - Pergunto, sentindo meu coração acelerando e uma vontade imensa de correr. 

 

 

Eu vou ter que fazer sexo com ele?

 

 

 — Não é qualquer um que trabalha em um prostíbulo, por incrível que pareça. Esse é um trabalho como qualquer outro, precisa ser qualificada. - Ele explica, e após isso levantou-se, circulando a mesa e sentando em cima da dela, em minha frente, não desviando seus olhos escuros dos meus. — E além do mais, você parece ser muito inexperiente. - Me analisou. — Já pagou algum boquete?

 

 

 — N-Nunca. -  respondi, sentindo minhas bochechas se ruborizado. 

 

 

E nunca passou pela minha cabeça pagar um! 

 

 

 — Como suspeitei, é inexperiente. Não posso deixar você começar o trabalho sendo uma garotinha sem conhecimento algum. - disse Jimin, olhando-me no fundo dos olhos antes de morder o lábio inferior. Ato que foi acompanhado por mim. — A Cherry Lips é extremamente famosa por suas garotas, não vou deixar manchar nossa imagem. Agora, se quiser ser contratada, me mostre algo, garotinha.

 

 

 Então é isso, estou prestes a transar com meu futuro chefe só para ser admitida no emprego de garota de programa que exige mais do que imaginei. Sinto repulsa de mim mesma enquanto me levantava da cadeira, claramente constrangida. Permaneço de pé, frente ao homem a qual toda sua atenção está focado em cada gesto que faço, e que estou prestes entregar minha virgindade facilmente. 

 

Foco meus olhos nos olhos sem vida de Jimin, apenas o que vi neles foi um brilho obscuro. Deixo com que um suspiro prolongado saísse de mim, antes de levar meus dedos à barra do vestido que visto, prestes a tirar quaisquer vestimenta que se encontra em meu corpo na frente de um homem que conheci alguns minutos atrás, ainda por cima, cafetão e meu chefe no futuro próximo.

 

 

Tiro a peça, e agora me resta apenas minha roupa íntima. Meus dedos trêmulos vão até o fecho de meu sutiã, e antes que eu possa retirá-lo, sem ao menos perceber estou chorando. Jimin arregala os olhos minimamente, entretanto, mantém a postura e o semblante sério, antes de tomar a frente e falar:

 

 

 — Pode parar. Está mais do que óbvio que isso não é para você.  -  Riu, movendo a cabeça para os dois lados; demonstrando incredulidade por uma garota como eu, aparecer em sua boate e lhe pedir ajuda. — Não consegue sequer tirar a roupa sem tremer. Você é exatamente como imaginei: apenas uma garota. Vá embora, e procure outro trabalho que você servirá bem, com certeza conseguirá um rapidamente. 

 

 

Nada pronunciei, apenas o que saiu de mim foi um soluço, ecoando por todo o escritório particular de Jimin. Me arrependi profundamente por estar chorando na frente deste homem bizarro. Forço-me a parar de chorar, mas em apenas pensar que o pior dos empregos está me recusando, faz-me querer chorar tudo o que não me permitir antes. 

 

 

— Po-Por favor...  - Suplico, quase não conseguindo falar por conta dos meus soluços. Mas mesmo assim, consigo a atenção de Jimin. — Eu rondei Gangnam inteira e não consegui outro emprego. Por favor, essa é minha última opção. - Ddigo em meio as lágrimas salgadas que insistiam  em molhar minhas bochechas, fazendo com que o homem à minha frente pensasse melhor sobre o assunto. 

 

 

Encaro Jimin, e novamente, seus olhos me olhavam com indiferença. Não o conheço o suficiente para lhe julgar, mas qualquer homem que ganha dinheiro em cima de mulheres não merecem meu respeito. Mas mesmo assim ele está sendo bom demais em cogitar na ideia de deixar-me ser uma de suas garotas e não me descartar como os outros lugares fizeram.

 

 

 — Como eu falei, não precisa dizer seus motivos, não me importo com sua vida fora daqui. Mas você parece muito desesperada por um emprego.  Então, você venceu. Agora é uma de minhas garotas.

 

 

 — S-Sério? - Pergunto, custando a acreditar e um pouco confusa em relação ao misto de sentimentos que me atingiu; arrependimento e felicidade. É possível sentir os dois ao mesmo tempo? Jimin apenas confirma com a cabeça. 

 

 

Em meus pensamentos, imaginava que no final do dia estaria feliz com um novo emprego digno, pois havia conhecimento em relação a minha capacidade e sabia que conseguiria um trabalho até hoje e está hora; e quando chegou, me encontrava em um completo desespero. Entretanto, uma luz no fim do túnel obscuro apareceu, renovando minhas esperanças. 

 

 Mas, a que custo? 

 

 

Essa luz parece mais escura que o próprio fundo do poço. Eu tentei, mas simplesmente não consigo sentir felicidade ao saber que agora vou ser uma garota de programa, vender meu corpo em troca de dinheiro. Sinto-me tão... suja sendo que sequer algum homem chegou a tocar em mim ainda. Porém, Deus trouxe-me até aqui, só me pergunto se é isso o que ele realmente quer para mim...

Não, definitivamente não. Ele não iria querer que eu vendesse meu próprio corpo em troca de qualquer coisa que fosse. Estou aqui por vontade própria, por pura necessidade, somente. 

 

 

 — Mas fique ciente que não irei simplesmente sair lhe entregando para meus clientes.  - A voz séria de Jimin corta minha linha de pensamentos,  fazendo-me o olhar e fitar o mesmo acender um cigarro. — Você de longe é minha garota mais nova, e também a menos experiente. E antes de te enviar para os meus clientes, preciso ensiná-la algumas coisas.

 

 

 — Certo. - Concordo, e engulo em seco. Respiro fundo, sabendo perfeitamente tais coisas que ele vai me ensinar, mas limito-me a não pensar sobre isso, pelo menos por hora. 

 

 

— Venha amanhã, às sete horas. Vou te instruir para que você aprenda pelo menos o básico para satisfazer alguém. Na próxima semana já estará na ativa como uma de minhas garotas. - Sorriu de canto, tendo apenas o meu consentimento, demonstrando que entendi tudo o que falou. — Agora, diga-me, Audree... - O olhei atentamente. — Está realmente disposta a trabalhar para mim? 

 

 

— S-Sim, estou.  - Digo, ainda digerindo tudo o que acabou de acontecer. 

 

 

— Ótimo.  - Sorriu largo, causando-me um frio por todo o corpo. — Me passe seu número de celular para podermos conversar melhor.

 

 

 — Eu... não tenho. - informo em tom baixo, o vendo franzir as sobrancelhas. 

 

— Quem diabos não tem um celular?  - Pergunta alterado, me assustando pelo seu tom de voz. 

 

— Eu fui furtada. - Minto, prensando meus lábios. Sequer algum dia tive um aparelho eletrônico, porém, ele não precisa saber. 

 

 

— Ok... - Passa sua mão em seus fios, os bagunçando, frustrado. — Cuidaremos disso depois. Só venha aqui amanhã no horário estipulado, certo? - Assenti, me agachando para vestir o vestido que tinha lançado ao chão quando estava prestes a despir-me em sua frente, agora meu chefe. 

 

 

 Realizei uma breve reverência, girando meus calcanhares em direção a porta para sair de sua sala que exalava fumaça.

 

Já porta a fora, respiro fundo tentando segurar as lágrimas que teimam em descer. Logo me pus a correr para fora daquele lugar o mais rápido possível, mesmo sabendo que logo estaria de volta. Passo por homens embriagados e mulheres praticamente nuas enquanto dançavam. Não posso permitir-me a sentir repulsa, pois logo serei eu ali, junto a elas. Preciso me acostumar com tudo no ambiente se quero permanecer neste emprego.

 Quando saio da boate e já estou na rua escura não consigo mais segurar. Não sou forte o suficiente a este ponto. Desabo em lágrimas, recusando-me – mesmo que seja a minha atual realidade – a aceitar o ponto que estou. Todavia agora irei poder dar a vida que a minha família merece, para Unji e Jiyeon. 

 

Tudo por eles.

 

Onze de Fevereiro, Terça-Feira. Sete e trinta e cinco.

 

— Unnie! - Unji me gritou assim que abro a porta de casa, pulando em meu colo logo em seguida. — Você passou no mercado? Uau!

 — Passei sim, 'saeng. Comprei aquele cereal que você tanto ama. - Sorri para a menor, que continha um brilho em seus olhos enquanto admirava as sacolas que eu segurava. — Quer guardar as compras para mim? - a mais nova aceita.

 Entreguei as sacolas para minha irmã mais nova que com uma certa dificuldade levou todas até a área da cozinha. Olhei para a sala e vi que Jiyeon sentado no sofá olhava-me sorrindo. Fui até o mesmo beijando sua testa e sentando ao seu lado depois.

 — Oi, pai. 

 

 — Oi, querida. Recebeu um aumento ou ganhou na loteria de repente? - Perguntou bem humorado, soltando uma risada fraca, mas logo depois começou a tossir deixando-me preocupada. — Apenas engasguei, não precisa se preocupar. 

 — Sempre irei me preocupar com o senhor. - Sorri, minimamente para ele. — Eu pedi um adiantamento. - Minto, respondendo sua pergunta de forma irreal.

 

 — Sua chefe é realmente muito boa. - Comentou sorrindo e em seguida levantando-se do acolchoado  — Bom, vou ajudar Unji nas compras ou ela vai acabar destruindo tudo. Tome um banho e descanse, querida.

 — Certo. 

Quando entro no banheiro  me trancando em seguida, derramo todas as lágrimas que segurei em frente aos dois. Nunca, em toda a minha vida me senti tão humilhada. Odeio mentir para Unji e Jiyeong, mas eles não podem nem sonhar que agora vou estar trabalhando como uma garota de programa. Garota de programa... Como essa palavra soa horrível. Por mim, jamais seguiria esse emprego. Até ponderei em apenas fugir, nunca mais aparecer pela Cherry Lips e dar um jeito de arranjar outro trabalho. Porém, sei que nenhum lugar me pagaria melhor que este. Então, me vejo sem saída. Se preciso for, vendo até meu corpo para dar uma melhor condição de vida para Unji e meu pai; assim o farei, e estou fazendo. 

(...)

Se ainda houvesse inseguranças dentro de mim, que fazia-me repensar na ideia de continuar com essa história de garota de programa, ela foi completamente destruída no momento em que acordei e me deparei com Unji e Jiyeon cozinhando – o que imagino ser o café da manhã – ambos rindo.

 

Aparentemente foi uma boa ideia falar o último dinheiro que me restava fazendo comprar no mercado.

 

 — Unnie! - Unji grita, chamando-me assim que entro na cozinha e vejo seu rosto todo sujinho. — Bom dia. Eu e o appa preparamos o café da manhã.

 

 — Bom dia, Audree. - Jiyeon me desejou, entregando-me uma caneca quente e cheia de café. Meu estômago doeu, me fazendo lembrar que não me alimentei desde de ontem. — Preparemos um café da manhã reforçado para você. 

 

 — Não precisava, appa... - digo, sentando em uma das cadeiras e observo aquele balcão cheio de comida, me fazendo sorrir genuinamente. 

Fazia tanto tempo que não comíamos assim.

 — Você não come nada desde ontem.- Falou, me empurrando alguns bolinhos. — Fico preocupado com você. Tem se esforçado bastante no trabalho.

 — Eu preciso fazer isso para trazer comida para casa. - Justifico, dando de ombros e bebendo um pouco do café forte. Jiyeon ri nasalado.

 — Pequena... você ainda é jovem demais, não se preocupe tanto com trabalho. - Se senta na cadeira ao lado de Unji. — E hoje mesmo volto a trabalhar. Se quiser tirar uma folga, eu não vejo problemas. Sua chefe deixaria, né?

 — De forma alguma o senhor vai voltar a trabalhar! - Informe, um pouco exaltada. — Querendo ou não, seu trabalho é puxado e o senhor passou muito mal esses últimos dias. Não se preocupe com o trabalho. A partir de hoje o senhor fica em casa com Unji e eu trabalho.

— Eu sei que passei mal esses dias, mas lhe garanto que estou disposto. E não posso deixar tudo nas suas costas! Desde que eu encontrei vocês prometi que cuidaria das duas!

 — Você já cuidou demais de nós, pai. - Me levanto. — Está na hora de retribuir. Então peço para que fique em casa e eu tomo conta das coisas, ok?

 — Você é uma menina teimosa, Audreey. - Resmungou, me arrancando uma risada. — Já não está na hora do seu trabalho?

 Após sua fala, arregalei os olhos. Esqueci completamente que tenho que fingir que ainda trabalho na cafeteira.

 — Céus! Quase me esqueci. - Digo, saindo depressa da mesa com o bolo ainda na boca. — Vou me arrumar.

 Corri até meu quarto a procura de algo para vestir, pegando a mesma roupa de ontem que ainda esta limpa e cheirosa. Volto para sala e encontro Jiyeon quase saindo de casa com Unji.

 — Deixa que eu levo ela! - Disse antes que eles saíssem por completo.

 — Não vai se encrencar no trabalho? - Jiyeon pergunta, preocupado.

 — Deixa de ser careta, Jiyeon. - Falei, arrancando gargalhadas do mais velho e de Unji. — Só vou levá-la e corro para o trabalho. Não vou me meter em problemas.

 — Está bem.  Juízo. - Aconselhou antes de minha pessoa sair com Unji para fora de casa.

Vou andando com Unji ao meu lado por toda Gangnam até chegar em uma área mais “nobre”, onde sua escola se instala, exatamente como fiz ontem. 

 — Está vendo aquela loirinha, unnie? -  Me diz quando chegamos em frente sua escola. Aponta com a cabeça para uma menininha que deveria ter sua idade, correndo para lá e pra cá na entrada da escola. — Ela é minha melhor amiga!

 — No primeiro dia de aula  já fez uma melhor amiga? -  Pergunto sorridente, e ela assente. Crianças têm uma facilidade enorme para fazer amizade. — Agora vai lá, pequena. Me conta tudo depois quando chegar!

 — Pode deixar, unnie. - Me deu um beijo na bochecha antes de correr até sua amiguinha.

 — Só saia se Jiyeon vier te buscar! - Grito, e a mesma assente no mesmo momento em que corre até sua mais nova colega. 

 Sorri orgulhosa de Unji que ri enquanto falava com sua amiga. Fico feliz de ter colocado ela aqui, ver a pequena se enturmar e conseguir amigos me deixa contente.

Como estava distraída não percebo que permanecia parada em frente a escola quando todos os alunos já haviam entrado, assim como seus pais que foram para embora.

 Suspirei, começando a caminhar pelas regiões chiques de Gangnam. Ainda está cedo, então o frio da manhã causa-me calafrios. Passei as mãos pelos braços, tentando me aquecer de alguma forma. Mas falhei.

Ok. Agora não há condições de voltar para casa, pois Jiyeon pensa que estou na cafeteria, então devo fazer exatamente como fiz ontem, ficar andando por aí. Por mais que me doa mentir para ele dessa forma, é a única opção que tenho. Enquanto caminhava pelas ruas, parei em frente a uma cafeteria qualquer. Entro e peço um café. 

 — Moça, vocês não teriam uma vaga de emprego disponível? — pergunto assim que a atendente entrega-me o café.E como sempre, a resposta é negativa.

 Saio do estabelecimento e caminho pelas ruas cheias de Gangnam, dando um gole no líquido quente. E pensar que a alguns ano atrás eu e Unji estávamos felizes com nossa mãe e vivíamos em boas condições. 

Nunca fomos de ostentar muito luxo, mas mamãe dava duro para criar nós duas. E quando acordei e deparei-me com o som da ambulância, percebi que aquilo seria o começo de um inferno. Meu inferno. David, ou melhor, o homem que destruiu minha vida, foi o homem que casou com minha mãe assim que meu pai faleceu. Não me lembro do mesmo, porém, sabia que era um homem bom, diferente de David, que gritava com minha mãe e batia nela. Até hoje não sei o motivo de sua morte, mas provavelmente esse maldito está envolvido. 

Já cheguei a ponderar em uma possível vingança. Mas além de minha pessoa não ser desse jeito, nem mesmo sei onde ele se enfiou.  

Quando olhei ao redor, percebi que me encontrava no bairro mais requisitado da região. Joguei o copo que antes abrigava meu café no lixo e passei a observar cada casa da região. Não, casas não, mansões.  As residências são enormes, uma mais linda que as outra. Pergunto-me se algum um dia ainda irei poder morar em uma dessas casas com minha irmã e, se Deus quiser, com Jiyeon. Mas não me importo com esse tipo de coisas. Não precisamos de realeza, apenas de uma boa condição de vida para podermos nos alimentar. Só isso, já considero um luxo. 

Paro quando percebo que já estou andando mais do que devia, e opto por ficar quieta em algum lugar até o horário estipulado para o meu encontro com Jimin. 

 Só o ser lá de cima sabe o nervosismo que estou sentindo. Sinto minhas mãos suarem, meu estômago se revira só em imaginar a cena de eu e Jimin... transando. Céus, apenas queria subir em cima de uma árvore e observar todos meus problemas afastando-se de mim.

 Contudo, o amor que sinto pela minha família é tão colossal que sou capaz de vender meu corpo, e essa é exatamente a minha nova profissão. Sinto nojo em saber que Jimin irá me tocar, mas não tenho escolha,  é isso, ou morrer de fome e desempregada.

 

Onze de Fevereiro, Terça-Feira. Seis e meia da tarde.

 

Seis e meia; quase sete horas.

O horário especulado em que vou encontrar-me com o diabo. Todo esse tempo reflito melhor sobre as minhas decisões, e estou mais convicta do que nunca em continuar com essa ideia estúpida de usar meu corpo. Mas vai valer apena, eu sei que vai.   

Solto um suspiro longo e demorado antes de adentrar o cabaré, que se encontrava mais lotado que outros dias. Acredito estar no inferno ao me deparar com música alta, fumaça pairando o ar, luzes coloridas, mulheres nuas enquanto dançavam e conversas fluindo entre os homens embriagados. Me sento encolhida em um canto e passo a observar as mulheres que dançam de forma excitante e provocativa. 

Por qual o motivo elas faziam isso? Seria parecido com o meu ou apenas gostam de sentir prazer em troca de dinheiro? Prazer... Duvido que irei sentir isso. Será que Jimin vai me por para dançar igual essas mulheres? Ou vai me deixar nas ruas como Hyang? Mas, existem outras funções? Céus! Estou interessada em como funciona a administração de um puteiro! 

São quase sete horas. É isso. Sinto meus olhos encherem-se de água no mesmo momento em que faço o trajeto que fiz ontem, com a morena prostituta. Minha vontade nesse instante é de gritar e explodir. Entretanto, apenas contento-me em morder meu lábio inferior como se minha vida dependesse desse ato. 

Tamanho é meu nervosismo quando paro em frente a porta de Jimin. Após murmurar “por Unji e Jiyeon” abro a porta, imensa e de cor escura. Depois de abri-la, arregalo meus olhos assim que vejo a cena de Jimin com os olhos fechados, boca entreaberta e gemidos arrastados sendo emitidos de seus lábios. Assistindo atordoada, vejo uma moça ajoelhada debaixo da sua mesa fazendo... Coisas que mulheres fazem quando estão ajoelhadas em frente a um homem nu.

 — Desculpe! - Grito exasperada, depois de ambos pararam com o ato ao perceberem que estava parada na porta. Fecho a porta, me encosto na parede do corredor, respirando fundo.

 Será que Jimin estava em umas de suas sessões das quais citou ontem? Fico imaginando o que se passa na cabeça daquela mulher para fazer tal coisa. Mas não posso criticá-la, tenho certeza que hoje farei a mesma coisa. Olho para a porta amadeirada quando ela é aberta, e de lá sai uma loira de corpo esbelto, limpando sua boca, olhando-me logo depois e dizendo:

— O chefinho está te esperando. - Avisou, com a voz embargada de malícia. Ela riu quando arregalei levemente os olhos, por medo da reação de Jimin. — Boa sorte.

 Abro a porta escura e observo Jimin de costas para mim, olhando para a janela que mostrava a escuridão das ruas enquanto fumava seu câncer. Ele se vira quando escuta a porta se fechando, e me encara. 

— Bate na porta da próxima vez. - Mandou, seco. Se senta em sua cadeira ainda fumando seu charuto. — Na próxima, faço você se ajoelhar na minha frente e me chupar, então não me interrompa. - Engulo em seco, assentindo. — Hoje não estou em um bom dia, tenho compromissos. Com isso, tenho uma proposta passageira. 

— Qual? - Pergunto fracamente, receosa. 

— Eu queria lhe treinar para ser uma boa garota. Você tem cara de quem vai me render bastante dinheiro. Mas hoje estou ocupado, então, proponho trabalhar temporariamente como uma das garçonetes. - Olhou-me sem expressão. — Porém, assim que me desocupar, eu treino você. Então não se apegue em ser uma garçonete. 

— Por que não posso apenas ser garçonete? - Perguntei, suplicante e chorosa. — Eu prefiro ser garçonete.

— Querida, até as garçonetes são garotas de programa. - Riu baixo ao explicar — Vocês intercalam entre garçonetes, garotas de programa e dançarinas. Enfim, só vou deixar você momentaneamente nesse cargo, mas logo será igual todas. 

— O-Ok. - Suspiro, triste e frustrada.

 — Olha, antes que eu vá resolver meus compromissos, aqui tem o uniforme que você terá que usar. - Sorriu ladino, indo em direção a uma gaveta e tirando de lá um montinho de roupas dobradas. — Aqui está. Se vista. 

Peguei as vestimentas em minhas mãos e olhei a peça que tratava-se de uma cropped pequeno e uma saia curta. Não sei que tipo de fetiche os homens tem com isso, mas sinto-me enjoada só em me imaginar vestindo essa roupa e servindo esses indivíduos bêbados. 

— Onde é... o banheiro? - Questiono  timidamente, dando-me por vencida. Jimin me olha rindo malicioso, e sinto meu sangue esfriar.

— Se troque em minha frente. - Falou simplista, sentando-se na mesa de seu escritório e olhando-me fixamente, mas especificamente, fitando o meu... corpo. Me assustei com sua fala e arregalei os olhos. Jimin riu alto. — Vamos logo garota, deixe de ser tímida. Você vai trabalhar transando e tem vergonha de se vestir na minha frente? 

Não tendo nada para usar como argumento, apenas inalo profundamente o ar e coloco meu novo e temporário uniforme em uma das cadeiras. Tomo fôlego, antes de novamente tirar o suéter em frente a esse homem pela segunda vez em menos de uma semana. Procuro olhar para baixo, as íris penetrantes de Jimin intimidam-me e me deixam em pânico. 

Com pressa, rapidamente tiro meus tênis e minha calça em uma fração de segundos. Ouço um baixo ranger vindo de Jimin, mas não o olho, apenas me mantenho olhando de maneira fixa para o chão e visto a pequena saia. A mesma velocidade em que usei para retirar os tênis e a calça, uso para remover minha camisa branca, expondo meu sutiã para o mais velho e pondo o top que completava o conjunto do uniforme. Quando me vi "devidamente vestida” com a vestimenta dada por Jimin, busco seus olhos profundos, que olhavam-me de cima a baixo com uma feição mais perversa que já vi em toda a minha vida.

— Você tem um belo corpo, Audree... - Diz, com a voz mais grave e lenta que o normal. — Sabe andar de saltos? 

— Não. - Respondo, desviando o olhar para meus pés e escutando Jimin bufar. Nunca tive saltos.

 — Está bem. - Bufa novamente. — Jiwoo vai te entregar um par de saltos e lhe ajudar depois. Mas por hoje você se vira assim mesmo.  - Concordo com a cabeça. 

Por mais que eu já esteja ciente de que vou perder a virgindade com ele e me prostituir, alivia-me um pouco saber que hoje serei apenas garçonete. Por enquanto... 

 



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