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História Prostitute. - Capítulo 12


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Notas do Autor


Nome do cap inspirado em every breath you take uma das trilhas sonoras dessa fic pq vai fazer sentido

O CAP 20 FOI POSTADO HOJE NO WATTPAD, LINK NAS NOTAS FINAIS!!!!!


boa leitura anjos.

Capítulo 12 - A cada suspiro seu.


Lembro-me de já subir aqui no andar de cima e nunca entender para que servia todos os quartos, e também questionava-me qual a necessidade do palco, já que possuímos um lá em baixo, ao lado do bar, mas agora eu sei qual a finalidade de tudo isso. Não sei ao certo no que focar, são muitas coisas acontecendo em um momento só e meus olhos estão quase saltando para fora. Não tenho certeza se foco nos homens jogando baralho nas mesas no final do corredor como se estivessem apostando ou se presto atenção nas garotas  que dançam quase nuas em cima de pessoas que eu nunca vi antes aqui no bordel. Todos esses indivíduos se vestem de maneira diferente, com peças obviamente caras e jóias brilhantes. 

 

Vejo também Hoseok, que está ao lado de um homem indo em direção a um dos quarto. Ambos com roupas esquisitas de couro e... Isso é uma coleira em seu pescoço?

 

 Dentre todas essas coisas, de longe o que mais chama minha atenção é o que ocorre uma sala toda avermelhada. Quando Jennie disse que sexo a quatro era possível, eu fiquei abismada, mas agora, vendo ao vivo e em mais quantidade, parece mais real que nunca.

 

Taehyung, outro rapaz e outras três garotas da boate, cujo não sei o nome, se relacionam no meio, exatamente no meio de um palco como se estivessem em um quarto e isso fosse a coisa mais comum do mundo. Minha vista se mantém esbugalhada e meu queixo falta pouco para colar no chão. Como as pessoas envolta ficam tão alheios com isso? Provavelmente, estão todos acostumados. Isso deve ser bem frequente por aqui.

 

Assustada com o que estão fazendo no palco, passo os olhos pelo resto do local, e eu estava enganada. A coisa que mais chama minha atenção dentre todas, é Jimin, esse que está apenas sentado em uma cadeira observando toda a movimentação do palco com toda naturalidade do mundo. Muitas pessoas assistem a cena de sexo, mas Jimin é o que está mais a parte de tudo isso.

 

Todavia... quem diabos assiste esse tipo de coisa como se estivesse assistindo a um jornal? Com a maior normalidade?

 

Um copo, que julgo ser conhaque por conta da minha experiência no bar em uma mão e um cigarro na outra, não desviando o olhar nem por um segundo. Totalmente disperso em tudo á sua volta, apenas de olho na cena explícita de sexo em sua frente.

 

Oh, era isso que ele não queria que eu visse, então? Que essa hora, à Cherry Lips se torna um lugar muito, mais muito sujo do que o cotidiano?

Claro que casa de prostituição é um crime e que essa é facilmente disfarçada como boate, mas eu jamais iria pensar que aqui as drogas sairiam soltas assim, e nem que teria esses jogos de aposta.

 

Na verdade, eu não estou entendendo mais nada.

 

 Por que Jimin não queria que eu visse isso? Eu não consigo pensar um motivo para eu não poder ver tudo isso, já que todos veem.

 

O que me torna diferente do resto? Será que ele pensou que eu não poderia lidar com essa situação? Porque se foi isso, ele está realmente certo.

 

Ainda vidrada em Jimin e em suas reações, tento entender como não escutei os gemidos antes, já que são tão audíveis quanto a mulher rindo  mais ao fundo do corredor, onde é uma especie de segundo bar.

 

— Ei, anjo, pode vir aqui? - A mulher se aproxima da sala onde Jimin se encontra. Ela o chama e quase me engasgo com o apelido.

 

Anjo? 

 

O loiro coloca o copo na mesa de maneira impaciente. É perceptível uma marca roxa como uva em seu pescoço. Assim que ele se levanta e olha em direção a loira, seus olhos desviam e grudam em mim.

 

Essa não.

 

Ele está olhando para mim.

 

Meu corpo está gelado e meus olhos arregalados, e eu só quero entrar em pânico. Sua expressão é de surpresa, provavelmente  por eu estar aqui. Ele caminha até a loira alta, sem desviar os olhos pequenos dos meus e isso só coopera para meu medo aumentar assim como a adrenalina.

 

Eu quero fugir, correr para fora, mas não consigo. Algo me prende. É como se meus pés estivessem grudados no chão e minha cabeça insistisse que, se eu ficar aqui, vou descobrir o que está acontecendo e o porquê disso tudo.

 

Não sei o que diabos ele diz para a mulher que o chamou, porém é como se dissesse que vai fazer algo ou alguma outra desculpa, e logo em seguida vem andando em minha direção, na ponta da escada, fuzilando-me com os olhos castanhos e pequenos. Seu rosto está todo vermelho, provavelmente de raiva em me ver aqui, espiando, quando ele mesmo me falou que não poderia ver o que acontece aqui.

 

Conforme ele se aproxima, dou passos para trás, descendo as escadas. Sim, eu vou fugir dele. Essa foi uma péssima ideia. Matei minha curiosidade, entretanto possivelmente serei morta pelo meu chefe.

 

Ele finalmente chega na escada onde estou, sequer tive tempo de terminar de desce-las. Ele não pensa duas vezes antes de correr em minha direção e me segurar pelo braço, fazendo-me colar na parede e soltar um grunhido pela força investida.

 

— Mas que porra você tá fazendo aqui? Meu Deus do céu, Audree! Você tem noção da merda que está fazendo? — Sua voz é baixa, porém grossa e grave. Ele está bravo, isso é mais do que óbvio, já que seu aperto em meu braço se torna mais intenso. Mordo o lábio inferior. — O que pensa que está fazendo aqui? — brada mais uma vez, completamente enfurecido, mal me dando a chance de responder.

 

— E-Eu... — O olho assustada, bem em seus olhos raivosos. Não sei se essa é sua intenção, mas ele me deixa com medo só de me encarar assim. A última vez que o vi alterado assim, foi quando ele soube o que Kris fez comigo. Com as costas grudadas na parede vermelha, eu o encaro com temor, totalmente acanhada, sem saber o que falar. — Eu acabei perdendo o horário.

 

— Perdendo o horário? Como isso aconteceu? Você é liberada duas da manhã! - Urra mais uma vez, bem mais raivoso que antes.

 

— Eu acabei... — Fico em silêncio. O loiro continua me encarando de perto, aguardando minha resposta e então eu decido responder com a verdade, obviamente para deixá-lo um pouco culpado. — Eu passei mal e acabei desmaiando. O mesmo que aconteceu em minha sessão com Jungkook...

 

— Ah... — E em questão de segundos, como se eu tivesse apertado um botão para acabar com toda sua raiva, o aperto em meu braço diminui quase que cem por cento, mas ele ainda mantém o contato. Sua expressão suaviza, contudo nem tanto, e então... Ele parece arrependido. — E você está melhor? Ficou desmaiada por tanto tempo assim?

 

É engraçada sua mudança tão brusca, mas eu não penso em dar risada num momento como este. Não mesmo.

 

— Eu acho que melhorei, só estou um pouco tonta. — digo, agora desviando o olhar para a parede e não para seu rosto. — Eu acabei de acordar, não sei o que aconteceu. Acho que foram as nove sessões... — falo, talvez um pouco ácida no final da fala. Quando penso que sua expressão não podia murchar mais, sou surpreendida.

 

— Você teve as nove sessões?

 

— Teria dez, se não tivesse desmaiado.

 

— Aish,você me... Olha, Audree, podemos falar sobre isso outra hora? Aqui não é lugar para isso. — Solta finalmente meu braço já acostumado com seu toque. Conforme o loiro se afasta sutilmente, eu me aproveito de que agora ele está mais calmo para finalmente poder indagar:

 

— Jimin, o que é toda essa coisa? Por que não queria que eu visse isso? O que está acontecendo? — Solto tudo de uma vez, em mente que agora vou matar a minha dúvida do porquê essas coisas acontecem. Meu chefe olha envolta, passando a mão cheia de anéis pelo rosto.

 

— Olha, aqui realmente não é lugar para isso, ok? Já está muito tarde, eu posso te levar até sua casa. Eu te explico lá no c...

 

— Ah, então esse é o motivo da sua demora... — A voz feminina da mesma mulher que chamou por Jimin soa ao nosso lado, o que me faz pular de surpresa na hora. 

 

 

Céus, que susto! 

 

A observando mais de perto, mesmo no corredor escuro e no topo da escada, consigo perceber que é mais velha, não só pela voz ou pelos traços. Os olhos puxados estão com um delineado grosso e a boca em um vermelho vivíssimo. Sem contar o enorme cabelo loiro e as roupas apertadas. 

 

 

Ela é deslumbrante e intimidadora. 

 

 

— Quem é você? — Se direciona a mim, descendo os degraus com elegância, se aproximando. Deixando a surpresa de lado, opino por respondê-la.

 

— Meu nome é Au...

 

— Ela não é ninguém importante. Vamos! — Ele diz para a mulher e segura meu braço novamente como se quisesse me levar em algum lugar. Ignoro o efeito que sua frase me deu. De fato, não sou alguém importante na visão de Jimin.

 

— Ei, Ei, nada disso. Solte ela agora, Jimin. Não é você quem manda aqui! - A mulher brada e em questão de segundos, como se fosse um cachorrinho obediente, o Park me solta e se afasta, deixando-me próxima da mais velha.

 

Espera...

 

Então essa é minha verdadeira "chefe"?

 

— Bem, pode falar. — diz outra vez, se encostando na parede e cruzando os braços, esquisitamente próxima de mim, aguardando minha resposta.

 

— Audreey... - Gaguejei, e quero me matar por isso, mas é inevitável. Essa mulher me intimida tanto quanto Jimin, talvez até mais. Sua áurea é sarcástica.

 

— Por que eu nunca te vi por aqui? ______... - Brinca com meu nome em seus lábios avermelhados, e por reflexo, desvio o olhar para Jimin, que está encostado na outra parede, observando nossa conversa com certa apreensão. Quando abro a boca para responder, meu celular começa a vibrar em meu bolso traseiro. Penso em dizer que preciso atender, mas sou cortada. — Pode atender.

 

— Obrigada. Com licença...

 

— Aqui.- É tudo o que ela diz, e como se fosse um bichinho adestrado, eu atendo seu pedido sem questionar. Eu mal a conheço e já tenho medo, não quero aborrecê-la.

 

— Ok... - Respondo, removendo o aparelho e lendo o nome "casa" na chamada. Provavelmente é Jiyeong muito preocupado. Suspiro antes de atender. Como vou fazer isso na presença desses dois? Atendo a chamada. — Alô?

 

Alô? Audree? Graças à Deus, minha filha. Eu estou tão preocupado! Onde você está? — pergunta e por mais que não esteja pelo viva voz, sua voz saí alta o suficiente para Jimin e a mulher em minha frente poderem escutar. Fecho os olhos, me sentindo péssima por ter deixado meu pai preocupado.

 

— Pai, me desculpe. Eu não queria te deixar preocupado... — olho para meu chefe, e em seguida para minha outra chefe, ambos estão com os olhos fixos em mim e em minha conversa. Mordo o lábio em apreensão, antes de mentir: — Eu acabei ficando atolada de coisas aqui no trabalho, appa, acredito que vou chegar tarde mesmo assim, mas não se preocupe, tudo bem? Unji já está na cama?

 

Oh, eu me esqueci que a empresa é vinte e quatro horas! Mas tente terminar tudo bem rapidinho, não quero ver você cansada! — diz, e enquanto ouço sua resposta, a loira na minha frente dá uma risada baixinha de deboche, e isso me assusta demais, tanto que me encolho mais, apertando o celular contra o ouvido e rezando aos céus para que Jiyeon não esteja ouvindo os gemidos de fundo. — Sim, ela acabou dormindo de tanto querer te ver chegar. Até ela ficou preocupada.

 

— Me desculpe mesmo, appa. Juro que da próxima vez eu aviso, tá bom? Agora eu realmente preciso desligar. Te amo! — digo, sentindo vergonha com a atenção dos dois voltada a mim, mas consigo finalizar minha conversa. Fico aliviada que Jiyeong tenha acreditado, mas mesmo assim, ainda me sinto péssima por isso.

 

— Então quer dizer que seu pai não sabe que trabalha como prostituta? — ela diz assim que encerro a ligação, e eu realmente fico surpresa com sua fala. Ora, isso não é coisa pra se dizer! Minhas bochechas ficam rubras conforme ouço sua risada. — Me diz Audree, quantos anos você tem?

 

— Eu tenho dezenove... completo vinte no começo de Junho. - Digo, por mais que minha vontade seja de dar as costas, mas não posso, simplesmente não posso. Se já me dou mal por ter uma relação ruim com Jimin, imagine com ela?

 

— Praticamente uma criança...— Volta a falar, dessa vez rindo baixinho e se aproximando mais. Assusto com o toque de seus dedos em meus fios, com as unhas grandes pretas batendo em minha pele, ela acaricia minha bochecha sem desviar o olhar e, por céus! isso é tão esquisito. Prendo a respiração, completamente nervosa. Consigo sentir minha boca ficando seca. Seus dedos passam de minha bochecha para meu pescoço, isso arrepia. Logo ela para com os dígitos em meu colar. — Hum...Diamante Negro? Não se parece com aquele colar que vimos na Tiffany , Minnie? — indaga, e o loiro quase engasga.

 

— É, parece mesmo... — responde, obviamente inquieto e nervoso. Espera...quando ele disse que viu na loja e lembrou de mim, ele estava com ela? Não sei se essa tal de "Tiffany" é mais uma joalheria cara, e também não faço ideia do preço de um diamante negro, mas o colar parece caro. Se for comparar com o preço do saltos que ganhei e do celular, eu não duvido nada.

 

Jimin está inquieto, muito, e algo me diz que ele não quer que ela saiba que foi o Park quem me presenteou com o acessório.

 

— Era da minha mãe, ela usava muito esse colar... — tomo a fala, antes que Jimin se complique mais. Não sei ao certo porque ou do que estou o livrando, mas de certa forma, eu devo isso a ele. O loiro relaxa quando ouve a minha resposta, porém a mais velha não parece se convencer.

 

— Bem, Audree...Eu não venho muito até a boate, mas em todas as vezes que vim, nesse horário, você não estava. Posso saber porque? A quanto tempo trabalha aqui? — me pergunta, agora com as mãos de volta na jaqueta de couro. Tento ignorar seu decote absurdo. É impressão minha ou nesse horário todo mundo usa couro ou látex? Bem, não importa, mas para uma "chefe", ela não conhece muito bem sua boate.

 

— Faz três meses, quase quatro... — começo, brincando com meus dedos para descontar o nervosismo e não olhando diretamente em seus olhos. O Park mantém-se quieto e acanhado. — Jimin nunca me deixou ficar até esse horário... — digo, um pouco pensativa em relação a isso.

 

— Oh, e por que nunca a deixou participar da festinha, Jimin? — sua voz sai repleta de sarcasmo. A loira olha para meu chefe de maneira acusatória, e eu tenho certeza de que fiz besteira. Oh, eu deveria ter mentido sobre isso também. O Park não responde, apenas dá mais uma fungada com o nariz e olha envolta. — Bem, por hora, isso não importa. Vem, Audree, vou te mostrar tudo.

 

— Ah, eu acho melhor não. Eu realmente preciso ir embora. Está tarde para mim...— desconverso, com medo do que ela quer me apresentar nessa "festinha". Sinto que já vi demais tudo isso, e não quero me aprofundar.

 

— Oh, mas eu não estou perguntando! — responda-me com naturalidade, sem tirar o sorriso cínico do rosto. Essa mulher é tão estranha. Olho para Jimin, como se fosse um pedido de ajuda, mas ele apenas acena, como alguém que incentiva a fazer o que a loira alta diz. — Vem. 

 

A loira cujo eu não sei o nome, segura meu pulso de maneira firme e começa a me guiar em direção à uma mesa onde alguns homens estão jogando cartas, assim que eles nos percebem, sinto meu corpo gelar com o olhar que me é direcionado. Eles têm olhares sujos, e eu não quero ter que me aproximar deles. Oh, céus! E se ela quiser que eu tenha alguma sessão com algum desses homem? E se ela me quiser em cima desse palco? Eu não quero nem pensar.

 

Ainda me segurando, a loira parou em frente a mesa, e então toma a fala:

 

— Senhores, essa aqui é a Audree —me apresenta, e eu não sei o propósito disso. Percebo que agora Jimin está mais ao nosso lado, e sua expressão é de aflição. Os mais velhos me cumprimentam, e eu só consigo sentir vontade de vomitar com o olhar de cada um deles. Todos estão vestidos com ternos de aparência cara, sem contar os relógios, anéis, e correntes. Percebendo que não vou responde-los, minha chefe volta a falar: — Seja uma garotinha educada, Audreey

 

— O-olá. - Respondo, sendo praticamente obrigada e gaguejando pelo nervosismo. Em meu estado normal, eu apenas os ignoraria, mas não posso, já que tem alguém segurando meu pulso e me pressionando a responder. Os cinco caras na mesa sorriem para mim, e isso me enoja pelo simples fato de os sorrisos estarem carregados de malícia.

 

— Boa garota... - A voz sedutora da loira soa no meu ouvido esquerdo, e logo em seguida sinto um selar atrás da orelha, que me faz arrepiar por inteira, mas não no bom sentido. Eu deveria ter obedecido Jimin e ter ficado longe de toda essa confusão.

 

— Ela é nova por aqui? Nunca a vi antes... — um dos caras, o com dentes de ouro, diz, me analisando enquanto bebe um copo de licor. Não penso em responder, e (in)felizmente, a moça segurando meu braço responde por mim.

 

— Na verdade, Audree está na Cherry Lips a quase quatro meses, não é? - pergunta retoricamente para mim, porém ainda assim maneio levemente com a cabeça. — Vocês nunca a viram pois por algum motivo Jimin não a deixava participar das festinhas...- seu tom é ácido, e eu tenho medo por Jimin, não sei o que tem de tão grave nisso, mas sinto que ele irá receber uma bronca por isso. — Mas não fiquem tristes, senhores, a partir de hoje Audreey irá  ficar todos os dias após as duas e quarenta.

 

Meus olhos se arregalam no mesmo segundo, e não consigo me segurar quando indago:

 

— Como?

 

— O quê?

 

Encaro Jimin, que ao nosso lado, indagou ao mesmo tempo que eu, e ele parece tão assustado quanto.

 

Todo dia eu participar dessa bagunça? Não, não, não. Mil vezes não! Eu não posso concordar com isso, de jeito nenhum. Esses homens me dão medo, o horário é muito tarde e eu não sei como reagir com essa cena de sexo explícito no palco.

 

— É, exatamente isso. - A loira responde, com um sorriso falso. — Algum problema, Audree? Pois se tiver, podemos ir até minha sala para conversar sobre... - Atrás dela, Jimin move a cabeça inúmeras vezes em negação, e então eu sei que resposta dar:

 

— N-não, não...sem problemas. — nego com a cabeça. Por mais que esteja morrendo de vontade de debater sobre isso, fico com medo de sua reação. Novamente a mulher com roupas coladas abre seu sorriso esquisito.

 

— Ótimo. — é seca, e apenas responde isso, logo em seguida começando a andar. — Com licença, rapazes, vou mostrar o resto do show para ela.

 

Sua fala me arrepia, e eu tento não grunhir com o incômodo que é sua unha em meu pulso sensível. Conforme ela me arrasta, Jimin nos segue, como se estivesse com medo de algo ou tentando evitar alguma coisa.

 

— Bem, está vendo aquele pessoal transando no palco? - Me indaga, levando-me até a sala vermelha em que Jimin festava assistindo tudo,e é impossível não ver ou ouvir tudo aquilo. Apenas concordo, sem olhar diretamente para a área citada. — Olhe para lá, Audree.

 

Para evitar qualquer outra fala da mais velha, apenas me viro para o palco, vendo a cena de meu amigo transando com nossos colegas. Engulo em seco, e tento não demonstrar nervosismo com a cena.

 

— Legal, não acha? - Questiona e eu não respondo. — Sabe porquê temos isso aqui? Nesse horário? - me pergunta, e sinto que já posso desviar o olhar da ação que acontece em nossa frente. Volto a encará la, me sentindo nervosa com tudo isso. Não respondo, novamente. — Sabe o que é Voyeurismo?

 

— Não... — Nego ego com a cabeça. Essa palavra é estranha, e não sei o que ela significa. Jimin, um pouco atrás, nos observa com curiosidade, mas ela apenas o mira por alguns segundos, para depois não dizer mais nada.

 

— Enfim... - Deixa no ar, sem me dar explicações. Ainda fico me perguntando porque Jimin estava sentado assistindo tudo isso como se estivesse vendo seu filme favorito. — Não vou te explicar o que acontece aqui na sala vermelha, pois já é fácil de entender; Pessoas com o fetiche de assistirem outras transando. E ali, no bar mais ao fundo, ocorrem apostas, sexo, drogas e blá blá blá. — Tem um tom de deboche presente em sua fala que ela encerra com uma gargalhada. A mulher  começa a me na direção onde Hoseok entrou acompanhado. — Mas é aqui em cima que acontece a atração principal...

 

Uma avalanche de curiosidade me atinge. Sem pensar, eu questiono: — O quê é?

 

— Oh, está se interessado? — ri maliciosa, olhando para trás, percebendo que Jimin ainda está em nosso encalço. — Pode ir, Jimin. Nada aqui te interessa.

 

— Haneul...— ele diz o que julgo ser o nome da minha chefe, com a voz severa ele parece implorar por algo. — Por favor...

 

— Jimin. — sua voz sai rígida, tanto que eu me assusto com o tom usado. — Volte a apreciar seu show, okay? Ou se não vou ter que te punir por ficar enchendo meu saco.

 

Como se estivesse obedecendo um comando, ele apenas vaga os olhos por meu rosto, para depois ir de cabeça baixa até sua mesa, de frente para o palco novamente.

 

Eu nunca vi Jimin agindo assim, e presenciar isso é... esquisito. Ele é cheio de arrogância, ninguém nunca o desobedece ou levanta a voz para ele, e é tão estranho vê-lo acanhado obedecendo cada palavra de Hanel sem hesitar.

 

Acho que por ele ser tão submisso a ela, eu também deveria. Quer dizer, se até Jimin não bate de frente com ela, eu muito menos devo fazer isso. O melhor é não discordar para não aborrecê-la, tenho medo de Haneul e acabei de a conhecer.

 

Quero tanto fazer milhares de perguntas, como porque tudo isso acontece, qual o propósito de todas essas coisas. Indagar o porquê da cena de sexo no palco e quem são aqueles homens jogando baralho, mas definitivamente não é para ela quem vou questionar essas coisas: Vou perguntar para Jimin, e mesmo que ele me dê uma resposta ignorante que tão convém com ele, vou insistir, afinal, eu já descobri, não tem o que me esconder mais.

 

Oh céus, e está cada vez mais tarde...como vou voltar para casa nessa situação?

 

— Aqui no andar de cima, acontece as coisas mais... peculiares. - Ri maliciosa, e acaricia minha mão com seu polegar. Engulo em seco. Ela me intimida, mas também me acaricia e encara como se tivesse segundas intenções. — Nos dias normais da boate, são realizados os fetiches, envolvendo brinquedos e até o BDSM mais leve...

 

Concordo com o que ela diz, seguindo-a até a direção de uma porta no andar de cima. Jimin me ensinou sobre BDSM, e é claro que eu fiquei pasma. Como alguém tem fetiche e sente prazer em sofrer e agir como um escravo sexual? Óbvio que BDSM vai mais além disso, como o mesmo me ensinou, mas mesmo assim, eu não consigo entender. Por sorte, Jimin me disse que na Cherry Lips, é praticado de forma mais suave e menos agressiva, mas ainda com o uso dos objetos e brinquedos, e o que minha chefe diz só reforça o que Jimin me contou. Já tive uma sessão envolvendo isso, foi esquisita, mas nada muito anormal.

 

— Já teve uma sessão com alguma dessas coisas? - Me indaga, andando pelo corredor. Começo a ouvir sons de gemidos, porém ignoro.

 

— Já, já sim...- Respondo, com a voz baixa, porém ela continua me olhando, como se quisesse que eu prosseguisse. — Com os brinquedos, e também já tive uma envolvendo BDSM...

 

— Gostou? — volta a me perguntar, e sou sincera a negar com a cabeça. A loira ri baixinho. — De qualquer forma, Audree, as sessões que você teve não retrata nem de longe a verdadeira experiência do BDSM... — conta, conforme anda pelo corredor, ainda segurando minha mão. A mais velha nos faz parar em frente uma porta. — Depois das duas e quarenta, os clientes com os fetiches mais pesados vem até aqui, querida...Nesse horário, a verdadeira prática de bondage entra em ação.

 

Sinto meu corpo gelado na medida em que ouço um estalo seguido de um gemido do outro lado da porta, arregalo levemente os olhos. Tenciono em nervosismo. Se eu já achava essa prática sádica, imagine como é ela em sua essência? Eu não quero saber que fetiches são esses. Eu não quero ter que ficar aqui. Eu só quero ir embora.

 

Tenho medo que ela me force a algo.

 

— Aqui está. - Ela abre a porta, e por mais que eu não queira ver nada, é quase que inevitável não olhar em tudo que acontece no grande quarto.

 

É tudo escuro, e assim como nos quartos do andar de baixo, possui uma coloração vermelha. Vejo várias pessoas, umas cinco, todas com roupas de couro e látex, e entre elas; Hoseok, que está preso pelas mãos em um gancho enquanto recebe chicotadas e...

 

Deus do céu! Eu não posso acreditar no que estou vendo.

 

Parece uma verdadeira sala de tortura. A pessoas sendo enforcadas, algemadas, apanhando com chicotes e...tem até velas! Alguém realmente sente prazer com essas coisas? Eu nem sei onde olhar! São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que eu só fico mais confusa.

 

Existem chicotes pendurados, gargantilhas que se assemelham a coleiras. Há um par de coisas nessa sala, e eu não posso acreditar que isso realmente acontece esse horário.

 

É tão... esquisito.

 

Gemidos altos são audíveis, assim como o som dos estalos dos chicotes e das correntes das algemas. É tudo tão barulhento, e está cada um absorvido em seu "trabalho". Oh, céus, é muita coisa para digerir...

 

— Legal, não? — Haneul diz, encostada no batente da porta e assistindo tudo com um sorrisão. Engulo em seco enquanto vejo uma mulher colocando a coleira em outra. — Aqui em cima só temos sala de masoquismo, sadomasoquismo, BDSM...essas coisas. — ri baixinho, e finalmente solta minha mão. Não penso duas vezes antes de trazer minhas mãos contra meu corpo. — O que achou?

 

Não respondo, pois não tenho palavras para descrever. Estou surpresa, extremamente surpresa, e não consigo desviar da cena que é uma mulher vestindo uma cinta com um dildo no meio, enquanto se posiciona atrás de um cara.

 

— Até ficou sem palavras... — ri em deboche, finalmente fechando a porta. Só com a porta fechada que eu respiro fundo, mas a sensação desconfortável continua, ainda mais porque dá para se ouvir gemidos por todo o corredor, já que todas as salas estão ocupadas. Sinto suas mãos em meus ombros, e seu corpo colando com o meu. Apenas olho para cima por conta da diferença de altura, e tento manter a calma. — Quero você amanhã aqui, ouviu? Nesse horário. E não vou tolerar faltas... — cochicha a última parte no meu ouvido, e então, me deixa sozinha no corredor, descendo as escadas fazendo o barulho de seu salto ecoar assim como os gemidos.

 

Oh, ela quer eu aqui amanhã? 

 

 

Milhares de coisas se passam por minha cabeça, mais a principal, é que por algum motivo eu sinto que ela quer que eu participe dessas sessões de masoquismo, porém eu não quero isso, não mesmo. Mas se eu negar, provavelmente ela fará algo contra mim, pode até me demitir, e então, ficarei sem emprego.

 

Ai, Deus, onde eu fui me meter? Eu poderia ter ido embora no momento em que tive a oportunidade, mas minha curiosidade me pregou uma peça.

 

Eu não sei o que fazer, não mesmo.

 

Como a loira não me disse mais nada, apenas ofego baixinho, sentindo minha respiração começar a ficar descompassada. Eu preciso urgentemente sair desse lugar, ou vou acabar tendo uma crise de pânico com todas essas coisas acontecendo.

 

Sem mais esperar, desço as escadas praticamente correndo. Ela não me disse que devo ficar aqui, por isso não vou ficar nem mais um segundo aqui dentro.

 

Quando termino de descer as escadas, vejo a mulher sentada na mesa com os homens jogando baralho, quando me percebe, apenas lança uma piscadela maliciosa. Por Deus! 

 

Vou andando em direção ao corredor para sair pelas portas dos fundos. Jimin não me percebeu, assim como Hoseok ou Taehyung. Então apenas corro, pegando minhas coisas e saindo pela saída dos fundos, onde encontro um dos seguranças legais.

 

Apenas aceno para ele, que me devolve o gesto porém me encaro em confusão, talvez seja por minha expressão ou minha respiração ofegante. Não digo nada. Olho envolta, pensando como vou voltar para casa nessa situação.

 

Está absurdamente tarde e frio. Ouço todo dia uma notícia no rádio local de que Gangnam está absurdamente perigosa, ainda mais nesse horário e nessa região periférica.

 

Respiro fundo. 

 

Ok, Audree, quanto mais você demorar será pior. Faço uma rápida oração pedindo segurança, e logo começo a caminhar em direção à rua. Sentindo sempre uma rajada fria de vento na cara. Eu deveria ter vindo de blusa.

 

— Audreey, Espera! — meus olhos se arregalam quando ouço a voz de Jimin me chamando. Giro em meus calcanhares, abraçando a bolsa contra meu corpo e o assistindo vir em minha direção, com uma expressão aflita.

 

— Jimin... — respondo em voz baixa conforme ele se aproxima. Continuo aquecendo meus braços esfregando minhas mãos na minha pele. O loiro se posiciona em minha frente, colocando as mãos dentro do bolso da jaqueta.

 

— Está tarde, eu vou te levar para casa. — diz casualmente, e noto sua respiração descompassada. Penso em negar, afinal, ele está dando uma de mandão novamente, porém eu preciso disso. 

 

Não posso voltar sozinha para casa e...é só uma carona.

 

 

É engraçado. Ele é um idiota comigo dizendo que nunca mais me dará privilégios e aqui está,me oferecendo uma carona.

 

Abro a boca para respondê-lo, porém uma pequena gota de água cai em meu rosto. Olho para cima e noto uma chuva iminente, e isso faz com que eu me encolha mais debaixo dos meus braços.

 

— Aish, você vai ficar doente. — resmunga. Olho em sua direção, e noto que agora ele remove sua jaqueta jeans escura, e isso me faz arregalar os olhos. 

 

 

Ele... vai me dar sua blusa? 

 

 

— Toma, veste aí. — estende em minha direção, praticamente a joga para mim, e eu a pego um pouco assustada.

 

Visto sua blusa rapidamente para me livrar do frio, e a mesma é bem maior que eu, sem contar que assim que a vesti, seu cheiro impregnou em mim e subiu até minhas narinas.

 

— Vamos, se não nós dois vamos ficar encharcados. - Ele reclama, e sai andando - correndo - em direção ao estacionamento da boate. 

 

 

Eu o sigo, mesmo odiando depender dele. Mesmo detestando essa atitude machista que ele sempre possuir, mas ignoro isso por hora.

 

Me questiono por que seu carro não está no estacionamento interno da Cherry Lips.

 

A sensação me traz uma nostalgia, porém é um pouco diferente da última vez que Jimin me levou até em casa. Na primeira vez ele estava todo rude, segurando meu pulso enquanto me levava até seu carro enquanto eu passava mal. 

 

Porém dessa vez, ele parece tão distante e meio...eu não sei explicar.

 

— Vem logo, garota. -

 

O vejo já ao lado do carro, o abrindo e entrando no automóvel. Apresso meus passos e entro dentro do mesmo, fechando a porta e respirando fundo.

 

Fico olhando para baixo conforme coloco o cinto. Minhas mãos são engolidas pelas mangas da jaqueta, e eu tento não demonstrar nervosismo...

 

Mas é impossível.

 

É exatamente como da última vez. Eu me sinto estranha, pequena e nervosa em seu lado, principalmente depois de tudo o que aconteceu lá dentro. Estou confusa e nervosa.

 

Tento respirar normalmente e ignorar o ótimo cheiro do seu carro e sua jaqueta. Sua respiração também me deixa nervosa, e o barulho da chuva batendo no vidro também coopera mais nesse clima desconfortável.

 

— Eu sei que você quer perguntar o que foi aquilo lá dentro... — me desperto dos meus pensamentos, e ao olhá-lo de lado, percebo que o mais velho nem ligou o carro ainda. Ele não me olha, apenas se mantém olhando pela janela.

 

Coço a garganta.

 

— Sim... — respondo, acanhada e sem olha-lo. — Você vai me explicar agora?

 

Tomo coragem. Entorto levemente o rosto, o encarando. Agora o mais velho levanta o olhar e me fita, mordendo levemente os lábios.

 

— Vou. O que você quer saber? 

 

É tão estranho que agora ele está disposto a responder minhas perguntas. Talvez seja porque já descobri o essencial, e não tem para que me esconder mais. Entretanto não deixa de ser bizarro vê-lo nessa posição tão...não sei.

 

— A Haneul é sua chefe? — indago, mesmo tendo a quase certeza de que sim, ela é sua chefe.

 

— Sim.

 

— Por que tudo isso acontece nesse horário? — volto a perguntar, me posicionando melhor no banco do carro e o olhando com mais atenção.

 

Essa marca no pescoço dele está me deixando desconfortável.

 

— Eu não sei. Eu nunca perguntei. Desde que eu trabalho aqui isso acontece. — responde, dando de ombros enquanto tira um pacote de cigarros do bolso.

 

— E há quanto tempo você trabalha na boate? — indago, agora já confortável de que ele está respondendo minhas perguntas.

 

— O que isso tem haver com o que aconteceu lá dentro? — brada, me olhando irritado. Aqui dentro, na luz do carro e dos postes, consigo ver seu rosto com tão mais clareza. A pontinha do nariz levemente vermelho, os olhos pequenos, a boca levemente inchada e vermelha e os fios bagunçados. Ele parece cansado.

 

— Ah... mal ai. — peço, sorrindo nervosa e brincando com meus dedos. — Quem eram aqueles homens jogando?

 

— Políticos. Empresários... Pessoas importantes e poderosas, Audree — responde, brincando com a caixinha em sua mão. Mordo o lábio inferior. Ele já havia me dito que esse tipo de pessoa frequenta a boate, e isso só prova que a esse horário, a presença desses pessoal é frequente. — O que mais quer saber?

 

Penso um pouco.

 

— Por que estava assistindo aquilo na sala vermelha? — fico apreensiva, com medo da sua resposta. Jimin me encara raivoso.

 

— Pare de fazer perguntas invasivas. Não quero que fique perguntando sobre mim. — sua resposta não é o que eu esperava, então apenas concordo com a cabeça, decidindo me calar. O olho novamente e o mesmo ainda brinca com o cigarro em mãos.

 

— Vai fumar aqui? — não sei o porquê, mas me sinto confortável para perguntar. O mais velho apenas ri fraco e nega com a cabeça.

 

— Não sou de fumar no carro...

 

Opino por ficar quieta. Talvez ele não queira me incomodar com a fumaça do cigarro.

 

Assim que o loiro dá partida no carro, sinto minha cabeça zonza mais uma vez. Eu não deveria ter ficado o dia inteiro sem comer e fazendo tanto esforço. É óbvio que tudo isso prejudica minha saúde.

 

Minha barriga começa a fazer pequenos barulhos, e de repente ela esta fazendo um ronco monstruoso. Eu preciso urgentemente esconder meu rosto. Pode ser até no porta luvas. Com certeza eu estou vermelha, já que o barulho foi tão estrondoso que se assemelha a um dos trovões no céu.

 

— O que foi isso? — a voz de meu chefe soa logo em seguida, e tenho certeza que escutei uma risadinha saindo junto a sua fala, porém não ouso abrir a boca. 

 

Ah, isso é constrangedor.

 

Não quero responder, vai ser extremamente vergonhoso se eu disser a ele que estou o dia todo sem comer e que estou faminta, tanto que posso comer um porco inteiro. Mas minha barriga responde por mim mais uma vez, fazendo um outro barulho alto e estranho.

 

— Vejo que está com fome. — o Park comenta, mas eu mantenho meus olhos presos na janela. Fico em silêncio, mas então o vejo indo para um caminho diferente do da minha casa.

 

— Jimin, para onde-

 

— Mcdonald's. Estou morrendo de fome e você também. — dá de ombros, e sou obrigada a olhar em sua direção, um pouco assustada. Mcdonald's? a quanto tempo eu não vou em um restaurante fast food? — Tem um vinte e quatro horas por aqui.

 

— Mas Jimin, eu não estou com dinheiro aqui, e também tá mui-

 

— Eu pago. — diz, sem olhar em minha direção. Ele está com os olhos fixos na rua, e parece extremamente sério enquanto dirige. Engulo em seco, e minha barriga faz barulho mas uma vez. — Você comeu hoje?

 

— Comi. — minto. Deixo de olhar para ele e volto a fitar meus dedos. — As sessões devem ter me deixado cansada.

 

— Sobre isso... — toma a voz, e novamente olho em sua direção. — Yeji contou para a Haneul que eu estava te "privilegiando"...

 

— Como? — fico surpresa com a confissão. Eu sei que às vezes tenho privilégios, mas eu não gosto disso. E será que Jimin se meteu em problemas por causa daquilo?

 

— Yeji contou para ela, e minha chefe não ficou muito feliz. Ela sabia que o nome da garota que eu estava privilegiando era Audree, mas ela só te conheceu hoje-coça a nuca, mas logo volta a dirigir. Continuo o olhando. — Eu  sempre deixei você com poucas sessões pois...eu notei como você não estão tão boa da saúde ultimamente e programas são exaustivos, mas é por causa de ela ter descoberto que eu tive que te fazer ter a mesma quantidade de sessões que as outras meninas. Tive medo de ela contar para Haneul sobre você ter menos sessões...

 

Medo...

 

Uma pessoa não teria medo da outra, se não soubesse do que ela é capaz de fazer. Assim como Jimin, também tenho medo de qual decisão ela irá tomar se souber disso.

 

— Provavelmente eu vou me foder, já que você disse pra ela que eu não te deixava ir às duas e quarenta... — resmunga, com uma risada sarcástica.

 

— Jimin, desculpa. Eu não sabia que isso iria aborrecer ela ou te prejudicar. Mas também não tinha como eu adivinhar. 

 

— Sem problemas. Você não a conhece, não sabe como ela é...

 

— Mas...se você não poderia me dar mais privilégios, por que disse que eu poderia tirar o dia como garçonete hoje? — indago o que estava martelando em minha mente. O loiro fica em silêncio.

 

— Porque sim, ué.

 

Ok, isso não é resposta, porém não contesto.

 

— E por que não queria que eu fosse lá nesse horário? — volto a fazer meus questionamentos, me sentindo bem mais a vontade agora.

 

— Ainda pergunta? Aquele horário é um lugar sujo onde pessoas sujas vão. Sem contar que Haneul está lá, e eu não queria que vocês se conhecessem... — Mas você me desobedeceu, e agora vai ter que ficar todos os dias depois das duas e meia...

 

— Desculpa...Mas pôr que não queria eu? Eu vi várias pessoas por lá.

 

— Eu entendo como isso é um choque para quem chegou agora pouco, embora você esteja aqui a, sei lá, três meses. Agora não adianta mais. Ela te conhece, e agora quer te ver nesse horário todos os dias... — brada, mais para si mesmo do que para mim. — Capaz que ela queria ter uma sessão com você.

 

Junto a sua fala, um som de trovão se faz presente, então não entendo muito bem o que me foi dito.

 

— O que disse? - Eu pergunto, me arrumando dentro de sua jaqueta cheirosa. O Park começa a diminuir a velocidade, e percebo que chegamos no fast food.

 

— Disse que chegamos. - Solta o cinto e sai do carro, me deixando para trás.

 

Tenho quase certeza de que não foi isso o que escutei.

 

Assim que ele fecha a porta do carro, me apresso em tirar o cinto que me prende e abrir a porta, deixando minha bolsa lá. Pelas minhas experiências passadas, já sei que abrir a porta não é algo que ele faz, pelo menos não comigo.

 

Com a porta aberta sinto uma avalanche de vento me atingir junto com grossas gotículas de água da chuva, molhando uma pequena parte de meu rosto. Avisto meu chefe mais a frente, um pouco antes da entrada, fumando na área coberta.

 

Por que ele fuma tanto? Isso não é legal, faz mal.

 

Me lembra David...

 

Entretanto, não estou em posição de criticar tal ato. Ele pode simplesmente ser viciado e não consegue desapegar do cigarro. Ou talvez seja aquele tipo de pessoa que fuma quando está estressado - e ele sempre está. Só tenho receio de que isso o prejudique no futuro.

 

Me abraço com sua jaqueta enorme e corro em sua direção a fim de fugir dos pingos de chuva. O olhando assim, de longe, vendo sua expressão aflita então traga o tabaco.

 

Ele é jovem demais para um cafetão. Me pergunto o que aconteceu para ele virar um.

 

— Já vou entrar e fazer o pedido, só preciso me desestressar. — comenta enquanto solta a fumaça na direção oposta da qual estou. Concordo silenciosamente, só olhando a chuva cair e observando meu chefe se matando aos poucos.

 

Ele se mantém imerso em si e em sua nicotina que está sendo sugada e solta em forma de fumaça. Com uma mão no bolso da calça e da camisa preta deixando seu braço de fora. Me sinto mal, pois está frio e sua blusa está comigo, mas ele não parece incomodado com o frio. Nem parece que o está sentindo.

 

Conforme analiso mais seu pescoço com a marca firme roxa, percebo que existem arranhões por seu ombro, clavícula e nunca.

 

Provavelmente ele estava com alguma garota em uma sessão...

 

Ou garoto. Não tenho certeza.

 

Seus olhos pequenos sempre se fecham mais ainda quando ele solta a fumaça, assim como sua expressão sempre é de prazer e parece de acalmar aos poucos. O cigarro o acalma.

 

— Para de ficar me olhando. — joga o cigarro no cinzeiro ao lado do lixo reclinável. Prendo a respiração e fico nervosa. Sua voz não saí raivosa, foi mais como uma advertência, porém não deixo de me sentir pega no flagra.

 

O mais velho entra no estabelecimento vinte e quatro horas e eu o acompanho. Está vazio, provavelmente ninguém vem até aqui às quatro da manhã, somente nos dois. Jimin faz o pedido, e por eu não saber qual escolher peço o mesmo que o dele. Ele pede para viagem, e voltamos ao carro com os lanches em mãos.

 

Ele se senta no carro e não pensa duas vezes em abrir o saquinho e retirar o lanche, o comendo junto com as batatas enquanto beberica o refrigerante. Jimin parece faminto, e eu não estou diferente, tanto que minha barriga mais uma vez ronca alto.

 

— Come logo. — resmungou de boca cheia. 

 

Ele está com as bochechas gordinhas por conta do alimento, e isso deixa ele...fofo? Não sei ao certo. 

 

Concordo com a cabeça, pegando o lanche para comer, não por conta do que ele falou, mas sim por eu estar faminta.

 

Quando percebo, já estou terminando o lanche. Eu comi em uma rapidez absurda. Talvez seja porque eu estou morrendo de fome, ou por fazer anos que não como um hambúrguer e finalmente estou saciando meu desejo. De qualquer forma, estava delicioso.

 

O silêncio é extremamente constrangedor, afinal apenas comemos sem nos direcionarmos nenhuma palavra. Jimin provavelmente se incomodou também, já que ligou a rádio que narrava algum jogo de hóquei. Nem eu nem ele prestarmos atenção no rádio, mas tudo é melhor do que enfrentar o silêncio perturbador e o barulhinho da comida sendo mastigada.

 

Sinto-me levemente cheia depois do lanche e das batatas, mas ainda assim devo comer algo quando voltar para casa.

 

Com certeza eu vou desmaiar de sono logo em seguida.

 

— Está satisfeita? — O loiro é o primeiro a falar, e nem noto quando o mesmo estica a mão para pegar o saquinho com as embalagens do lanche e das batatas que comi. 

 

Ele definitivamente é muito limpo com seu carro, já que nunca vi sujeira aqui. 

 

Coço a garganta e coloco o cinto enquanto o vejo fazer o mesmo.

 

— Estou sim. — concordo. Ele ri quando termina de colocar o cinto e os lixos em um saquinho.

 

— Que bom, porque eu não estou. - Diz de forma descontraída, dirigindo para sair do estacionamento. — Por mim eu comeria dez desses.

 

— Fazia tanto tempo que eu não comia um desses...- Comento da boca para fora, inclinando a cabeça e observando a chuva pela janela.

 

 

 

Quero agora questionar por que ele é tão esquisito, já que age diferente comigo a cada semana , mas  sou tomada por me atacam e deixam-me silenciosa.

 

Eu lembro bem qual foi a última vez que me empanturrei de batatinhas fritas e lanche. Foi quando mamãe ainda estava viva, e logo depois de voltar do trabalho, levou-me em um desses restaurantes fast foods. Oh céus, como isso me trás saudades. Eu nem mesmo lembro-me com o que ela trabalhava, mas sei que mesmo com pouco dinheiro, ela me levava para sair e me presenteava com o que podia comprar.

 

Eu sinto tanta falta dela que meu coração dói toda vez que penso em sua voz eu em seu sorriso. Eu daria tudo, tudinho mesmo para que ela voltasse. Eu seria capaz de trocar minha vida pela dela.

 

Me sinto tão mal. Ela morreu faz tempo, eu deveria ter superado, mas...é impossível. 

 

Acredito que nenhum filho supera a morte da mãe, principalmente quando ela era a única pessoa que me amava.

 

Fungo baixinho, me segurando para não chorar aqui, no carro de meu chefe e a caminho de casa.

 

Every Breath You Take, do The Police, toca na rádio nesse exato momento, e meu chefe cantarola baixinho. Esse é o único som presente, que faz trio com as batidas da chuva no vidro e o carro em movimento.

 

Essa música...eu me lembro da minha mãe sempre que a ouço.

 

(...)

 

— Audree...

 

Uma voz suave sussurra em meu ouvido, me fazendo sorrir. Me remexo na cama e me cubro mais com o grosso edredom. Sinto uma mão leve em meu ombro.

 

Ah isso é tão confortável...

 

— Audreey... — a voz continua a me chamar, mas o sono está tão gostoso que não ouso me mover. Continuo sentindo o toque em meu ombro.

 

Oh sim, isso é tudo tão confortável. E essa voz baixinha sussurrando enquanto me acaricia com ternura...

 

— Audreey! Acorda, já chegamos! — abro meus olhos e acordo totalmente assustada ao me deparar com meu chefe me chacoalhando enquanto estou sentada no banco de seu carro.

 

Ah, eu não estou em uma cama? Poxa, eu tive um sonho tão real...

 

Tenho que parar de ler contos de romance, estou até sonhando com essas coisas melosas.

 

— Desculp- - bocejo no meio da fala. — Me desculpe... — murmurei baixinho, já removendo o cinto .

 

— Sem problemas. — nega com a cabeça, sentado em seu banco e recolhendo a mão que me remexia. Mordo o lábio inferior antes de começar a remover sua jaqueta quentinha.

 

Aish, ele parou enfrente a mesma casa da última vez da qual ele acha que é onde eu moro. Vou ter que dar alguns passos até chegar em casa...

 

— Pode ficar.

 

— Como? — arregalo os olhos um pouco, e não disfarço minha  surpresa em minha voz.

 

— A jaqueta. Pode ficar. — continuo surpresa conforme ele diz. Ele está me dando sua jaqueta? Isso é tão...— Quer dizer, você me devolve amanhã. É que está chovendo e frio. Como você poderia fazer as sessões gripada?

 

Ah...

 

— Oh... okay. Obrigada. — agradeço, mesmo que eu ainda esteja um pouco afetada. Passo as mãos em meu rosto e recolho minha bolsa, abrindo a porta do carro. Mal abro e já sinto as rajadas de vento e as gotículas em meu rosto, porém antes de sair do carro correndo, viro o rosto e encontro o olhar de Park. — Obrigado pela carona... até amanhã. Boa noite.

 

— Bom dia, na verdade. Já são quase cinco horas. — diz naturalmente. Ah, cinco horas da manhã? Isso explica eu estar morta de sono. — Enfim, não foi nada. Até amanhã!

 

— Até... — sorrio sem os dentes e logo saio do carro, fechando a porta e com a bolsa sendo protegida pela blusa quentinha de Jimin.

 

Está frio demais, acho que faz tempo que não chove assim por aqui. Corro até a casa que Jimin acha que é minha e finjo procurar as chaves. Por sorte ele não é do tipo cavaleiro que me espera entrar para ir embora, então, assim que olho em direção à rua vejo que seu carro não está mais aqui.

 

Por sorte tem uma pequena cobertura aqui.

 

Vou correndo em passos rápidos para chegar logo em casa. Felizmente a jaqueta não me deixa sentir tanto frio assim e conforme ando, parece que o cheiro dele impregnado mais em mim.

 

Ele tem cheiro amadeirado, com uma pitada de rum com cigarro e... perfume feminino? Não sei.

 

A única coisa que sei é que hoje foi um dia extremamente confuso. Hoje eu tive que digerir tanta informação que não consigo nem pensar direito. Mas, vou tentar não pensar nisso. Estou morta de sono e dor de cabeça. Pensar nisso tudo só vai me fazer matutar mais ainda, e eu preciso urgentemente dormir.

 

Eu só rezo para que não tenha que fazer nada amanhã durante aquele horário...

 

Céus, logo a Unji acorda para ir para a escola.

 

Dezessete de Maio. Sexta-feira. Uma da manhã.

 

Fecho a porta do quarto, me despedindo de mais um cliente. Foram cinco até agora, e mesmo dizendo que se daria mal se me desse algum tipo de vantagem Jimin me enviou menos caras do que ontem, mesmo quando eu disse que não queria nenhum tipo de tratamento especial. Talvez ele se sentiu mal pelo jeito que fiquei ontem ou meu encontro nada agradável com Haenul, mas só sei que ele fez isso, e eu não entendo nada.

 

Jimin ainda é uma incógnita para mim. É o desafio mais difícil de vencer e a equação mais complicada de solucionar. Quando entrei aqui na boate ele era tão... grosso, frio, bruto, idiota e machista, e não que hoje em dia ele não seja tudo isso, mas parece que ele não demonstra tanto como antigamente...

 

Sem contar que, agora ele parece mais preocupado comigo e mais...eu não sei explicar, não mesmo. Eu não o entendo, ele muda da água para o vinho em segundos. Isso não pode ser normal.

 

E ele ainda me deu mais uma carona ontem de manhã...

 

E me pagou um lanche!

 

Suspiro, voltando até a cama e me jogando na mesma. Os lençóis bagunçados sujos de suor e sêmen, e minhas roupas íntimas jogadas pelo quarto. Porém não ligo, já estou me acostumado com esse ambiente.

 

Provavelmente daqui a pouco outra pessoa vai bater na porta de meu quarto para mais uma sessão, entretanto, mantenho-me jogada no colchão olhando para o teto iluminando com a luz vermelha.

 

O aniversário de Unji está chegando e eu não tenho ideia do que fazer.

 

Ontem eu cheguei tão tarde que apenas me joguei no colchão do qual durmo, mas logo pela manhã, acordei escutando ela falando com Jiyeong sobre seu aniversário e de como está ansiosa.

 

Eu queria tanto dar tudo pra ela. Fazer a maior e melhor festa de todas pois sei que ela merece isso e muito mais, mas não posso fazer isso. O dinheiro que eu tenho não pode ser usado para coisas como alugar um local para fazer a festa, isso sairia caro. Além do mais, há os gastos com decoração, alimentos e outras coisas...

 

Mas e também não posso deixar isso passar em branco. Não posso e nem devo.

 

Eu também poderia preparar um pequeno bolo só comemorar eu, ela e Jiyeong. Sei que não é a festa de princesas da qual ela tanto sonha, mas por conhecê-la, garanto que irá gostar mesmo assim.

 

Me sinto tão inútil por não conseguir fazer algo melhor.

 

E o tempo passa tão rápido, ontem mesmo eu estava com minha mãe pegando Unji no colo e sorrindo por ter uma irmã. Parece que foi ontem que eu estava chorando pela morte de minhas progenitora, assim como também pare e que foi ontem a primeira vez que David levantou a mão para mim, nos abandonou em um hotel. É como se ontem mesmo eu ainda fosse uma adolescente na rua com uma criança de um aninho, e também parece que ontem mesmo Jiyeong nos encontráva e nos resgata...

 

Céus, o tempo corre. Ele não para.

 

Checo o relógio e noto que já se passaram trinta minutos. Hm, era para alguém ter batido aqui na porta faz tempo...

 

Me levanto e logo começo a vestir minha roupa novamente. Vou sair desse quarto e ver o que está acontecendo, provavelmente é mais uma vez Jimin impedindo que eu tenha mais sessões.

 

Eu sei, é extremamente desgastante e frustrante ter várias sessões em um dia, mas não é ele quem tem que decidir por mim, afinal, todas essas sessões irão me render um bom dinheiro, e se Deus quiser, logo vou sair desse trabalho que só me traz dor de cabeça...

 

Mas ainda não sei se o criador está do meu lado.

 

Já trocada, começo a andar em direção a porta, sem me importar com o suor em minha nuca e no resto do meu corpo.

 

Conforme ando, sinto meu corpo exausto e minha intimidade doendo, mas isso já se tornou comum a muito tempo, só falta eu me acostumar com essa sensação.

 

Chego no corredor, e o barulho do gemido de Taehyung é audível daqui.

 

Céus, ele geme muito alto.

 

Assim que cheguei na boate às seis horas, fui de encontro com Taehyung, Hoseok, Lisa e Jiwoo para contar tudo o que ocorreu na madrugada de ontem. Todos ficaram preocupados quando contei que não comi o dia todo e que as nove sessões me fizeram desmaiar, e a preocupação aumentou bem mais quando relevei que Jimin me pegou espionando o que acontecia e que Haneul me apresentou a boate.

 

É, eu tenho motivos para temê-la.

 

Todos me disseram que ela não era uma boa pessoa, e que eu não fiz certo em desobedecer Jimin, mas eu não tinha ideia de que isso fosse acontecer.

 

Quando eu disse que no final de tudo Jimin me levou até em casa e comprou lanches para nós dois, os quatro quase gritaram de euforia, dizendo que com certeza Jimin sentia algo por mim...mas, eu sei que isso não é verdade. É impossível alguém sentir algo por mim, eu não tenho nada de especial!

 

Paramos o assunto quando Yeji entrou na sala, me encarando como se olhasse através de minha alma ou lesse todos meus pensamentos.

 

Ela não pode saber disso, não mesmo. Se Haneul descobre que Jimin foi tão bom assim comigo, pode fazer algo para ele ou contra mim...

 

Mas, qual o por que de tudo isso? Será que ela tem ciúmes dele?

 

Avisto Namjoon no começo do corredor, e não penso duas vezes em ir até ele.

 

— Namjoon-ah, tem algum cliente para mim? - Eu pergunto, cruzando os braços. O mais velho me encara de cima e nega com a cabeça.

 

— Não. Por enquanto você tá liberada. — da de ombros.

 

— Liberada?! - Questiono indescrente.

 

Ok, todos dizem que sou uma das garotas mais "desejadas" de toda boate, então como diabos não tem clientes para mim?

 

— É, liberada. Não tem mais clientes para você hoje.

 

Aish, que droga! É lógico que deve ter! Isso sem dúvida é coisa do Jimin.

 

Bufo raivosa, dando meia volta e indo até o final do corredor.

 

Se ele pensa que vai deixar poucos clientes para mim, ele vai ver só. Poxa, eu sei que não é nada agradável ter muitos em um dia só, mas eu quem decido isso. Sem contar que eu preciso muito de cada sessão. Eu preciso do dinheiro.

 

Aish, Jimin ainda pensa que sou fraca. Ou isso ou sei lá. Mas ele não tem que ter motivos de limitar minhas sessões.

 

Em passos firmes chego até sua porta, e bato três vezes com um pouco de força.

 

Ah, talvez tenha batido um certo arrependimento. Eu não sou muito boa em bater de frente com o Park. Entretanto, agora que estou aqui, só me resta falar tudo para ele.

 

Ok, já se passaram alguns segundos e nada. Ou ele está ocupado ou não está na sua sala.

 

Me viro para voltar até meu quarto.

 

— Audree? O que quer aqui?

 

Levo um susto ao escutar a porta se abrindo e logo em seguida a voz do meu chefe soar. Me viro para olhar em seu rosto.

 

— Hum? - Volta a dizer, porém me mantenho pensativa. Jimin não está muito diferente de ontem. Cabelo bagunçado, roupas escutar e etcetera. — Veio bater na porta para não falar nada? 

 

Ah, e aí está o Jimin que eu conheço.

 

— A-h, não, é que... - Tomo coragem — Por que só tive cinco sessões hoje?

 

— Ué, porque só cinco caras pagaram pelos seus serviços hoje. Não é óbvio? — debocha, dando de ombros. 

 

 

Aish, por que ele é assim?

 

— Você mesmo disse que eu era uma das garotas mais desejadas daqui, tenho certeza que você fez alguma coisa! — brado, realmente nervosa com essa atitude dele.

 

— O quê? Você acha que eu diminuí suas sessões de hoje? — pergunta em tom irônico, com uma sobrancelha arqueada. Bufo.

 

— Sim! Eu acho! — respondo de modo provocativo e, eu juro! Jimin está vermelho, provavelmente nervoso. Parece que ele vai explodir a qualquer momento.

 

— Como v-

 

— Ora, ora, o que temos aqui?

 

Meu corpo gela, e pela expressão de Jimin, ele também acaba de levar um susto dos grandes. Quando me viro para ver Haenul, encontro a loira em roupas coladas, me encarando com uma expressão maliciosa.

 

— Sobre o que vocês dois estão conversando? — cruza os braços, como se estivesse nos intimidando, e de fato é isso que ela está fazendo.

 

Droga!

 

— Eu estava pedindo para Jimin me liberar! — minto. Por mais que eu esteja nervosa com ele, se eu simplesmente contar a verdade de que estou aqui porque o Park diminuiu minhas sessões, isso trará problemas para nós dois.

 

— Oh, e por que você quer ser liberada? — indaga novamente, ainda com sua sobrancelha arqueada. É como se ela estivesse me desafiando.

 

— Estou... — penso um pouco. — Estou com cólica!

 

— Isso não é motivo para ser liberada! — diz, descruzando os braços e se aproximando aos poucos de mim e de Jimin. Droga! — É só tomar um remédio e pronto. Hoje você terá uma sessão importante, não pode sair.

 

Fico tensa de repente, e ao meu lado, Park também tenciona.

 

— Sessão importante? Com quem? - Faço uma expressão confusa, sem entender nada do que ela está falando. Eu não estou afim de ter uma sessão com nenhum dos homens que aparecem naquele horário.

 

— Não é óbvio? - Dá  risada. Mantenho-me confusa.

 

— Droga...- Park pesteja, de maneira baixa, e isso me faz ficar confusa.

 

— Você terá uma sessão comigo, é claro!  - Haenul explica de forma calma, e meus olhos ficam tão arregalados que sinto que vão sair de meu rosto. Meu peito gela, e tenho certeza que ela sabe que nesse momento eu estou em pânico.

 

Uma sessão com ela? Isso não poderia ficar pior!

 

 

 


Notas Finais


Sim a Audreey nao devolveu a jaqueta, e ta errada?

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