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História Protegida - Livro 1 da Série Mafiosos - Capítulo 11


Escrita por: MiaRomano188

Notas do Autor


Adivinha quem apareceu? Sim, o Chapolin Colorado!

Estou tentando voltar com os dias para escrever, mas não esperem muito.

Capítulo 11 - Décimo Primeiro Dia: Encarar A Verdade


WILL

– Enzo, vou precisar que me dê as chaves do seu carro. – Ouço Luke dizer ao seu primo e observo os dois.

– Por que do meu? – Enzo tira a atenção do celular e olha para Luke, que estende a mão, esperando pela chave.

– Só estou com a minha moto, e não é a melhor decisão do mundo dar carona a uma pessoa que levou um tiro de moto. – Me aproximo, tendo toda a minha atenção na conversa.

– Como assim? – Digo, me intrometendo na conversa. – Não vai levar minha filha ferida daqui. É sua casa.

– Mas ela não quer ficar aqui. E ela não é sua filha, ou não é isso que diz a si mesmo? – Cruza os braços e muda a atenção para mim. Levanto uma sobrancelha, olhando Luke com cinismo.

– E ela quer sua ajuda?

– Sim, ela quer minha ajuda. Isso te deixa puto? – Debocha na minha cara e sinto vontade de soca-lo novamente.

– Pare com isso, Luke. – Enzo o repreende. – Tome, pegue logo essa chave. – Enzo lhe entrega as chaves e Luke segue o caminho até a garagem, não sem antes de me dar um sorriso debochado.

– Tem momentos que odeio o seu primo. – Digo, não tirando meus olhos dele enquanto se afasta.

– Você se acostuma com esse sentimento. – Diz Enzo e dá de ombros.

– Pelo menos, não tenho nenhum laço sanguíneo com ele. – Rio, e Enzo me olha.

– Touché. Quer que eu mantenha um olho? – Oferece e sorrio pequeno. Me conhece tão bem. Anos de convivência trazem isso.

– Com certeza. Não confio Luke sozinho com ela. – Acena, e se afasta, fazendo algumas ligações.

   Respirando fundo, faço o caminho até meu escritório. Trabalhar vai me distrair e preciso disso nesse momento. O pior momento do mundo para que isso aconteça. Não sei como vou lidar com isso amanhã e ainda é quatro horas da manhã. Bom, não sei como vou lidar com isso hoje.

 

*

  

   Ás seis e meia da manhã, recebo uma mensagem de Enzo.

 

Ela está voltando.

Enzo.

 

   Ok, relaxe e não fale merda. Ou fale qualquer coisa que possa assusta-la e faze-la voltar para os braços daquele idiota.

   Se acalme, por que está ficando estressado?

   Saio do escritório, querendo esperar Kate na entrada. Encontro Daniel no caminho e assim que ele me vê, reviro os olhos. Fugi dele durante a madrugada, mas parece que isso não vai ser tão possível.

– Finalmente peguei o coelhinho fujão. – Brinca e reviro os olhos, parando na entrada.

– Vai se fuder. O que quer? – Olho ansioso para a entrada, esperando que ela chegue.

– Temos que conversar. E já que sua herdeira descobriu, é o melhor momento possível para falar sobre a reunião. – Rio, debochando.

– Não vou entrar nesse assunto com Kate logo agora. Ela acabou de descobrir, e não é o melhor momento do mundo para falar sobre isso. – Daniel cruza os braços, me observando.

   Esfrego minha testa, sentindo o cansaço. Esse trabalho acaba comigo.

   Ouço o barulho de um carro estacionando e volto minha atenção para a entrada, vendo o BMW de Enzo estacionar. Luke sai do lado do motorista e vai até o passageiro. Ele pega Kate no colo, e vem até a casa. Ele ri assim que me vê observando tudo.

– Não conseguiu esperar, não é? – Debocha assim que chega mais perto.

– Cale a boca e me dê ela. – Estendo os braços e ele ri.

   Kate, que está acordada em seus braços, diz: – Luke, pode me levar para meu quarto?

– Eu adoraria, ruiva. Se me der licença, Mason. – Passa por mim sorrindo, e tenho vontade de quebrar seus dentes.

– Quando estiver pronta, passe no meu escritório para conversarmos sobre. Vai se sentir melhor. – Digo alto o suficiente para Kate ouvir, e mesmo tendo ouvido, ela não olha para trás.

   Suspiro fundo e ouço Daniel rir.

– Cala a boca. – Após eu dizer isso, ele ri ainda mais.

– Eu não disse nada. – Debocha e reviro os olhos.

– Mas eu sei que ia. – Conheço meu primo muito bem.

– É, você me conhece.

   Balançando a cabeça em negação, me afasto de Daniel e vou indo até a sala de jantar, indo tomar o café da manhã. Me mantive acordado durante essa madrugada e preciso de uma xícara de café.

   Entro na sala de jantar, vendo a mesa posta. Os gêmeos já estão comendo e Alice faz uma careta assim que me vê. É, não vai ser fácil com os gêmeos. Por que eu prometi a Stacy que iria tentar? Nem eu quero fazer isso. Os gêmeos – principalmente Alice – parecem ser complicados demais para lidar. Não quero esse tipo de problema, mas eu fiz a merda de uma promessa.

– Bom dia. – Digo em voz alta, e me sento no meu lugar. Alice apenas revira os olhos e Allan sorri. Clássico. Nada mudou com o passar dos anos. – Não vão abrir o bico?

– Se eu ‘’abrir meu bico’’ – Alice pausa, fazendo aspas com os dedos. – Pode ter certeza que você não vai gostar do que eu vou falar.

– Fica quieta então. – Digo, mordendo um pedaço de panqueca.

– Se acalme, Al. – Allan diz a sua irmã, apenas para ela, mas ainda consigo ouvir.

– É Al, se acalme. – Debocho e ela me olha com raiva.

– Não me chame de Al. Você não tem direito. – Reviro os olhos e bufo. Maldita irmã que eu tenho.

   Não perco tempo na mesa com os gêmeos. Alice, sempre que pode, me joga farpas dolorosas demais e por mais que eu queira revidar, tento ser superior. Nossa, pareço um adolescente. Como a Kate. Sem controle das próprias emoções e facilmente explode. Ela tenta, mas não consegue não segurar.

   Vou direto até meu escritório, tenho uma pilha de papéis e ligações para fazer. E mesmo não querendo admitir, só estou aqui por que espero que Kate apareça. Eu sou patético. No que eu me tornei?

– Eu conheço esse olhar. – Ouço a voz de Stacy. Ela entra no meu escritório sorrindo, se sentando no sofá. – No que está pensando?

– No que me tornei. Como me deixei chegar a esse ponto. Estou patético.

– Um pai. – Diz convicta.

– O que? – A olho confuso.

– Você se tornou pai, Will. – Stacy sorri dizendo e sorrio, não acreditando.

– Não conheço Kate o suficiente para isso. – Ela ri.

– Sério? Esse é o seu argumento?

– O que quer que eu diga?

– Quero que admita, Will.

– Bom, eu não vou admitir por que é mentira. – Dou de ombros. – E se não se importa, estou esperando por alguém.

– Sei por quem está esperando. Eu encontrei Kate no caminho e ela me mandou te avisar que está vindo aqui assim que tomar banho. – Mantenho o rosto sério. Então ela não vai fugir. Pelo menos não é covarde.

– E o que está fazendo aqui? Não ia trabalhar? – Quanto mais rápido Stacy for, mais rápido ficarei no silêncio. O silêncio que eu preciso.

– E vou. Mas preciso falar com Alice primeiro. Sabe onde ela está?

– Sala de jantar, tomando café da manhã. Ela parece estar de mal humor.

– Apenas com você. – Brinca e se levanta rindo, saindo do escritório.

– Já vai tarde.

– Não se preocupe, vou voltar.

– Não devia.

– Sempre quer ser o último a ter a palavra. – Diz sorrindo e fecha a porta.

   Pelo menos Stacy sempre foi mais fácil de lidar. Desde que éramos crianças, Stacy era a mais fácil e gentil de se lidar. Uma criança tagarela e sorridente, nunca chorava.

   Batidas na porta me fazem parar de divagar.

– Entre. – A porta se abre e Kate entra com passos lentos. – Você veio.

– Quero saber mais, apenas por isso. – Diz e a analiso.

   Seus cabelos ruivos estão presos em um coque frouxo e ela veste outra roupa, deferente do pijama que chegou aqui. Seus passos estão de vagares, ela provavelmente ainda está sentindo dor. É melhor eu trazer o médico aqui novamente.

– Fale. – Direta. É melhor assim.

– Nesse mundo, o meu mundo... – Massageio as têmporas. – Como posso dizer?

– Pode começar com o que foi aquilo. – Ela se abraça, tomando cuidado na parte machucada.

– A verdade é que eu faço parte da máfia. – É melhor chutar o balde de uma vez.

– Máfia? Isso ainda existe? Tipo Al Capone? – Ela me olha descrente.

– Sim, e eu mando nela. Sou o Capo, o chefão, por assim se dizer.

– Que ótimo! Estou envolvida indiretamente com a máfia! – Diz para si mesma, enquanto ri.

– Diretamente, para falar a verdade. Você é minha herdeira, então no futuro, você cuidará de tudo. – As mentiras tem um gosto amargo quando saem e me forço a me manter sério.

– Você me adotou com esse propósito? – Ela começa a ficar vermelha e concordo, acenando.

– Sim.

– Isso é horrível! Você me trouxe para esse mundo com esse propósito imundo, me forçando a aceitar o que já está selado. – Grita, revoltada. Se levanta, exasperando com as mãos e me mantenho calmo, apenas a observando.

– Eu sinto muito.

– Não sinta, não quero suas desculpas de merda. Você nem está realmente arrependido, eu vejo isso nos seus olhos. – Abaixo o olhar e ela ri. – Eu vou sair daqui e me faça o favor de não me seguir.

   Respiro fundo, passando a mão pela minha cabeça raspada em estilo militar. Não me movo, dando o espaço que ela tanto quer para sair daqui. Sei que ela não irá sair da propriedade, Luke a impedirá. Por mais que eu não goste de admitir, ela vai ouvir ele. O por que, eu não sei.

 

*

 

KATE

   Saio em um rompante do escritório de Will, furiosa. Como ele pode? Como ele pode me envolver nisso? Meu lugar não é aqui. Nunca foi. Vou em direção as escadas, querendo sair dessa casa, mas esbarro em algo. Sou segurada por braços fortes e levanto o olhar, vendo Luke me segurar.

– Onde vai com tanta pressa, ruiva? – Pergunta assim que percebe a minha pressa.

– Me larga! – Digo e me debato em seus braços. Luke, vendo minha relutância, me abraça com mais força. – Me deixe ir!

– Nunca. Não vou te tirar dos meus braços, ruiva.

– Me deixa ir. – Fraca, desisto de me soltar dos seus braços.

– Eu já lhe disse que não, ruiva. Venha, vou te levar a seu quarto.

   Diz e passa um braço pela minha cintura.

– Eu posso andar sozinha.

– Eu sei. – Ele diz e não tira o braço da minha cintura.

   Paciente, Luke me acompanha até meu quarto, mesmo eu negando a sua ajuda. Assim que me coloca sentada na cama, ele me olha em pé na minha frente.

– Quer me dizer o que te deixou com tanta pressa? – Ele cruza os braços e bufo, cruzando os meus também.

– Quero ir embora dessa maldita casa.

– Tome uma respiração funda e fale. – Suspiro e evito olhar para ele.

– Estou brava com a arrogância e egoísmo de Will. Ele me envolveu nesse mundo sem nem pensar como eu me sentiria.

– Ele te falou sobre a máfia.

– É, ele falou! E o que me deixa com mais raiva é que todos a minha volta estão envolvidos com isso. Você também! E Lia! Chris! Minha melhor amiga mentiu para mim!

– Desabafou? – Diz sorrindo e bufo.

– Um pouco. – Admito baixo.

– Como te conheço o suficiente, sei que nem deixou ele terminar de falar.

– Pelos poucos dias, até que você me conhece bem.

– Eu presto atenção em você ruiva, até demais. – Reviro os olhos.

– Pode sair agora. Já me acalmei.

– Ainda não, eu vou te contar. – Ele se senta do meu lado e o olho, vendo que ele também mantém o olhar me mim. – Will é o Capo, e Daniel, o primo dele, é seu Consigliere, seu braço direito.

– Quem é esse Daniel?

– Ele estava do lado de Will na entrada. Se lembra dele? – Não muito, não prestei atenção suficiente nele.

– Não me lembro. – Digo, me esforçando para lembrar do rosto desse cara.

– Isso não importa no momento. Abaixo de Will, vem os Capitães, eles cuidam de cada área, e eles também tem seus braços direitos.

– Cuidam de cada área?

– Por exemplo, Enzo cuida de New York.

– Lorenzo? Sério? – O olho surpresa.

– Não parece, não é? – Ri.

– Quem é o braço direito de Lorenzo?

– Eu. – Rio e ele também. – O que? Não acha que é verdade?

– Não te imagino em um cargo tão sério. Você tem idade para isso? – Luke apenas dá de ombros.

– Abaixo dos Capitães vem os Soldados, a classe mais baixa nessa hierarquia. Você manda e eles obedecem. – Ignora minha pergunta e reviro os olhos.

– Deve ser uma merda.

– É uma merda. Fui soldado por um tempo e era um inferno.

– Imagino. – Olho para Luke uma última vez. – Estou cansada. Pode sair?

– Claro, tenho assuntos a tratar com Will e Enzo. – Dá de ombros, falando. – Durma mais um pouco, ruiva, vai lhe fazer bem.

– Eu vou.

   Digo e ele sorri antes de se afastar. Abre a porta e me olha uma última vez.

– Tenha uma boa noite de sono, ruiva.

– Vou tentar. – Sorrio e me deito na cama, mais calma.

– Sonhe comigo. – Rio e ele também. Saindo do quarto, ele fecha a porta em um baque surdo.

   Fechando os olhos, perco o sorriso. Ele está certo. Eu vou sonhar com ele.

 

*

 

WILL

   Olho para a porta de madeira, esperando Luke sair do quarto dela.

– Como foi? – Digo assim que ele sai do quarto.

– Não se preocupe, eu cuidei disso. Ela já está mais acalmada. – Respiro fundo, sentindo o cansaço. – Devia dormir um pouco.

– Tenho muito trabalho a fazer. Ah, antes que eu me esqueça. – Dou meia volta, após ter começado a me afastar. – Se transar com ela, eu corto seu pau e faço você engoli-lo.

– Cruzes, Mason. Relaxa aí! Eu não vou transar com ela ainda e mesmo se fosse agora, não iria contar para você. – Eu ouvi direito? Acho que estou ficando surdo, por que não é possível.

– Ainda? – Cruzo os braços, voltando a ficar bravo. Luke sorri e me dá as costas, indo embora. Não é uma boa ideia me dar as costas, Luke. Um tiro e ninguém saberia.

– Tenha um bom dia Mason. – Suspiro. É cada coisa que tenho que lidar.

   Volto para meu escritório, encontrando Enzo e Daniel na porta.

– Preciso que cuidem de algo. – Falo, chamando a atenção deles.

– O que precisar, chefe. – Responde Enzo.

– A ‘’reunião’’ onde os Capitães querem conhecer Kate precisa ser adiada. Ela levou um tiro e não vai estar melhor em uma semana.

– Só isso? – Daniel, confuso, me olha.

– Exatamente. Como sei que eles ficarão bravos, vão tentar de tudo para me fazer mudar de ideia, para que essa reunião não seja adiada. Quero que cuidem disso. Nenhuma dor de cabeça eu terei. – Menos um trabalho para mim.

– Soa fácil. – Daniel dá de ombros e Enzo ri. Ele conhece muito bem cada um daqueles capitães.

– Mas não é. Aqueles homens sabem ser bem irritantes quando querem. – Diz Enzo e Daniel faz uma careta.

– Perfeito. – Resmunga e sorrio. Sem dor de cabeça para mim.

– Eu preciso trabalhar, então resolvam logo isso. – Ordeno e eles saem dali.

   Bufando, entro no escritório. O dia vai ser cheio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Espero que estejam gostando da história até agora e vou lembrar aqui que ela já está completa no Wattpad.

E se você tiver alguma recomendação de música pro capítulo, estou aberta a sugestões.


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