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História Ps: Deixa acontecer - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Três


Fanfic / Fanfiction Ps: Deixa acontecer - Capítulo 3 - Três

Point Of View — Vanessa Anne Dewan


Não costumo me envolver na vida dos meus alunos, mas com Amélie foi diferente, apesar de eu ser bem mais velha que ela, nos tornamos muito amigas, passamos muitas horas do dia juntas ensaiando, daqui há quinze dias ela terá uma apresentação muito importante, que poderá garantir sua vaga em uma das melhores escolas de dança do mundo, Paris Ópera Ballet School, é a mesma que eu estudei e ela sonha em conseguir uma vaga lá também. Saí dos Estados Unidos para estudar na França e, foi melhor decisão que já tomei na minha vida, passei por muitas coisas boas e também ruins nesses doze anos morando na Europa, me mudo com muita frequência, sou meio nômade e não me prendo a lugar nenhum e nem a ninguém, já morei na Itália, França, Portugal, Irlanda e agora estou na Espanha há três anos. 

Nasci no Rio de Janeiro, no Brasil, mas não passou disso, com um quinze dias de vida nos mudamos para Salinas, na Califórnia, meu pai é americano e minha mãe é brasileira, o pai dela é mexicano e sua mãe brasileira, somos uma mistura de povos e eu amo minha família, não nasci em berço de ouro e nunca fui rica, meu pai era professor universitário e minha mãe enfermeira, hoje são dois aposentados vivendo na Flórida. Tiveram que se mudar para ficar mais perto da minha irmã, são vizinhos de porta, e ela consegue dá uma atenção maior a eles, afinal, já estão na terceira idade, apesar de serem muito ativos e de uma alma jovem. 

Sai de um relacionamento abusivo e regrado a muita violência, desde que me livrei daquele traste, não consegui mais confiar em nenhum homem, meus relacionamentos não passam de uma noite e eu gosto muito disso, me sinto livre, empoderada e dona de mim, coisa que nunca me senti quando estava casada com o Bruno, passei meses me escondendo dele, mas o desgraçado me encontrou aqui em Madri, e desde então vive me pedindo para reatar o casamento e me promete o impossível se eu voltar a morar com ele, mas não nasci ontem, tenho trinta anos e já vivi o suficiente para não acreditar em um agressor de merda que deveria está preso. 

— Seu irmão me chamou pra sair. — Comentei tomando um gole da cerveja e Amélie me olhou surpresa e riu. 

— Mas já? O Lucas não perde tempo. 

— Sim, também achei ousado, mas eu gosto de homens com atitude, você sabe. — Dei de ombros e ri.

— Eu sei. Tem o meu aval para ficar com meu irmão, ele é o homem certo pra você. — Ela sorriu e tomou um pouco de sua bebida azul e eu mordi o lábio inferior. — Vocês combinam. 

— E como é o relacionamento dele com a ex? Eles tem quatro filhas, né? — Perguntei curiosa e ela ficou séria. 

— Sim, aquelas princesinhas ali dançando na pista. — Disse apontando para a pista de dança e sorri ao vê-las dançando juntas. — Alba ainda gosta dele, mas só percebeu quando se divorciaram, sabe? Mas ele não quer mais nada com ela. 

— Então ainda é amarrado na ex-esposa. Não me ânimo em transar com esse tipo de cara, sabe? — Revirei o olho e ela riu. 

— Ah, mas ele é tão bonito, acho que vale a pena. — Comentou com tom de brincadeira e nós rimos. 

— Sim, ele é muito bonito, até mais do que por fotos. Meu ex-marido era fã dele, na época que ele lutava. — Sorri e ela assentiu. 

— Ele deixou de ser lutador por causa da Alba. — Ela suspirou com pesar e eu a encarei incrédula. — Lucas amava lutar. 

— Por que? — Perguntei curiosa e ela mordeu o lábio.

— Ela tinha medo dele morrer lutando, e de tanto insistir pra ele abandonar o esporte, ele acabou se aposentando e trabalha na empresa da família. — Ela revirou os olhos e eu assenti. 

— Olá garotas, vocês já comeram? Ou estão só bebendo? — Luiza perguntou sorrindo se sentando numa cadeira vazia ao lado da Amélie e nós sorrimos. 

— Comemos sim, dona Luiza. — Amélie mentiu descaradamente e eu assenti. — A Vanessa será sua nova nora, mãe. — Disse com tom de brincadeira e a Luiza ficou séria me encarando, não deve ter gostado muito do que ouviu. 

— Você já conhece o Lucas? — Ela perguntou séria e eu neguei com a cabeça.

— Não. 

— Ele chamou a Van pra sair, já está com segundas intenções. — Amélie estava um pouco alterada e a fuzilei com o olhar e ela entendeu que deveria parar. 

— Vocês vão sair? — Perguntou curiosa sorrindo amarelo e eu neguei com a cabeça. 

— Não, eu não sei. — Confessei sem graça e ela assentiu. Olhei para o relógio no meu pulso e já eram meia noite, tenho outra festa pra ir, minhas sextas à noite eu sempre marco de sair para dançar com meus amigos, nós alugamos um espaço legal e fazemos nossa comemoração pela vida, amizade, amor e gratidão por sermos tão unidos e sempre levamos alguém para juntar ao nosso grupo. — Preciso ir. A festa está linda, a comida maravilhosa e muito obrigada pelo convite. — Falei me levantando e Amélie também se levantou e nos abraçamos e eu beijei sua bochecha e ela retribuiu o carinho e nos soltamos. 

— Ainda está cedo querida, fique. — Luiza disse ficando em pé do nosso lado e eu neguei com a cabeça sorrindo e abracei-a. 

— Obrigada Lu, mas preciso mesmo ir, tenho outro compromisso. — Sorri e ela assentiu. Senti umas mãos em minha cintura e me virei rapidamente para ver quem era. — Lucas. — Falei sem graça e ele sorriu. 

— Já vai? — Perguntou me soltando e eu assenti. 

— Sim, tenho outro compromisso. — Pisquei o olho pra ele e mordi o lábio. 

— Vou te deixar no portão. — Disse educadamente e eu sorri. 

— Você vai voltar filho? — Luiza perguntou séria e ele assentiu. 

— Claro, só vou deixar ela no portão. — Disse saindo em direção a saída da casa e eu assenti e o segui em silêncio, fomos caminhando rápido por todo o jardim da casa e avistei meu carro do lado de fora da casa estacionado onde deixei e respirei fundo. Ele abriu o portão pra mim e eu saí. 

— Ei, vou com você. — Ele disse vindo atrás de mim e eu assenti. Entramos no meu carro em silêncio e ele ligou o som numa rádio qualquer. 

— Você ainda faz o que sua família quer. — Comentei atenta ao volante e ele riu. 

— Não, só não quero criar caso com minha mãe. Ela é controladora.

— Ou seja, faz o que ela quer. — Dei de ombros e o olhei, ele negou com a cabeça e sorriu. 

— Se eu fizesse o que ela quer, não estaria aqui com você. Ela ama minha ex. — Deu de ombros e eu sorri. 

— Então você é o filho rebelde. 

— Não, eu sou dono do meu nariz, Vanessa, moro sozinho, trabalho para me sustentar e faço o que eu quero. — Ele tocou em minha coxa e eu afastei sua mão. 

— Somos bem parecidos, então. — Comentei sorrindo e parei no semáforo, ficamos nos encarando em silêncio e ele sorriu e tirou sua jaqueta jeans e a jogou no banco de trás do carro, estava usando uma camiseta na cor preta que deixava seus braços musculosos e cobertos por tatuagens a mostra. 


A cabana estava lotada, mas eu conhecia quase todos, o caminho de madeira até o lago estava todo iluminado por pequenas luzes no chão, o que o deixava ainda mais lindo. Entramos na cabana e o palco já estava montado, o namorado da Lucy tem uma banda, e sempre que pode, ele vem cantar com o pessoal dele e ela também sempre canta. 

— Até que enfim você chegou! — Lucy exclamou empolgada e nos abraçamos. — Quem é esse bonitão? — Ela sussurrou no meu ouvido e eu gargalhei. 

— Lucas, essa é minha amiga irmã Lucy. Amiga, ele é meu novo amigo. — Falei me soltando dela e eles se cumprimentaram com dois beijos no rosto. 

— Prazer, Lucas. — Ele disse sorrindo e ela assentiu. 

— Lucy, sinta-se em casa Lucas! Estamos em família. — Disse simpaticamente e ele assentiu. 

— Obrigado. 

— Que horas começa seu show? — Perguntei empolgada prendendo os cabelos em um rabo-de-cavalo alto e ela sorriu. 

— Agora, já vou começar, se divirtam! — Disse sumindo no meio das pessoas e eu mordi o lábio. 

— Ela canta? — Lucas perguntou curioso e eu assenti. 

— E dança também. Trabalhamos na mesma escola. 

— Amiga! Finalmente! — Andie berrou correndo em nossa direção e me abraçou forte. — Pensei que não viria hoje. Quem é esse homem? 

— Claro que eu não faltaria hoje. — Falei me soltando dela e sorri. — É meu amigo, Lucas. 

Ela sorriu e eles se cumprimentaram, ficamos conversando sobre assuntos aleatórios e Miles também se juntou a nós, ele e Lucas até pareciam amigos, de tanto que conversaram sobre diversos assuntos. 

— Essa música é especialmente para minha amiga Vanessa! Vem aqui pra frente dançar! — Lucy anunciou no microfone e todos ficaram assobiando e fazendo a maior bagunça e eu ri.

 Segurei a mão do Lucas e o puxei para a frente do pequeno palco, ele estava totalmente perdido e eu ri. Ela começou a cantar e nós iniciamos os passos devidamente coreografados, ele me olhou confuso e eu segurei em sua mão incentivando-o a dançar comigo, no início ele ficou totalmente perdido nos olhando, mas foi aprendendo os passos e até me seguia fazendo igual. Ficamos dançando juntos até a música terminar, Lucy canta muito bem e sabe animar uma festa. 

— Você foi ótimo. — Comentei sorrindo e ele assentiu. 

— Fazia muito tempo que eu não saia assim. Nem me lembro a última vez. — Comentou sussurrando no meu ouvido e os todos meus pêlos se arrepiaram e eu o afastei. 

— Você deveria sair mais, já que é livre. — Respondi sorrindo e ele assentiu. 

— Vamos lá pro lago. — Miles nos chamou animado e eu assenti. 

— Vamos! — Lucas respondeu segurando minha mão e eu sorri. Caminhamos rapidamente até o lago e já haviam feito uma fogueira e o som estava ligado tocando músicas de rap, os rapazes adoram esse estilo de música. Nos sentamos no chão na areia e Miles nos entregou dois copos azuis de plástico com bebidas. Tomei um gole da bebida, era cerveja e Lucas também bebeu.

— Cara, você era lutador ou eu estou bêbado demais? — Miles perguntou confuso e ele riu assentindo. 

— Sim, cara, eu era lutador. — Lucas respondeu sorrindo. 

— Sua mãe foi goleira do Real Madrid, né? — Andie perguntou curiosa e ele assentiu. 

— Sim, ela foi goleira do Real há muito tempo atrás. 

— Ela foi a melhor goleira que o Real já teve. — Tyler comentou sorrindo e ele assentiu. 

— Concordo. Ela era muito boa. Sou professora das irmãs do Lucas. — Comentei bebendo minha cerveja e Tyler arregalou os olhos surpreso. Não costumo falar dos meus alunos pros meus amigos, só a Lucy e Andie sabem que dou aulas pra Amélie e Marina. 

— Você nunca nos contou isso Vanessa. — Tyler deu de ombros e eu assenti. 

— Eu sei. — Mordi o lábio e ele sorriu. 

— Nossa viagem está de pé? — Lucy perguntou se sentando do meu lado e nós assentimos. 

— Claro, já alugamos os chalés. — Miles respondeu sério e nós assentimos. — O babaca do seu namorado vai?

— Cala a boca Miles. — Lucy mostrou o dedo do meio pra ele e nós rimos. Os dois vivem brigando. 

 — Vocês brigam tanto, que coisa chata! — Tyler disse revirando os olhos e eles se calaram emburrados. 

Ficamos a madrugada toda conversando, bebendo e comendo, eu amo ficar com meus amigos assim, falando bobagens, comendo e bebendo, é como uma terapia para mim. Encostei a cabeça no ombro do Lucas e bocejei, o sono já estava me pegando. 

— Quer ir embora? — Ele perguntou colocando o braço ao redor da minha cintura e eu assenti.

— Sim, estou com muito sono. — Respondi me levantando e ele também se levantou do chão. — Foi ótimo estar com vocês, mas já vamos. — Falei sorrindo e eles assentiram. 

— Seja bem-vindo ao grupo Lucas, você foi aceito. — Miles disse sorrindo e ele assentiu. 

— Obrigado pessoal, espero encontrar vocês outras vezes. — Disse me olhando e eu sorri assentindo. 


Depois de muito discutimos, Lucas acabou me convencendo a dirigir o meu carro, eu realmente estava com muito sono para dirigir, a primeira parada foi no prédio dele. 

— Vamos, você não vai dirigindo assim pra casa. — Ele disse tirando o cinto de segurança e eu neguei com a cabeça. 

— Eu não vou dormir com você Lucas. — Protestei séria e ele riu. 

— Tem quarto de hóspedes no meu apartamento. — Disse revirando os olhos azuis e eu sorri. 

— Mas eu não vou dormir aqui, consigo dirigir até minha casa, é uns trinta minutos daqui. 

— Eu não vou deixar você ir. — Disse guardando a chave do meu carro no bolso de sua calça jeans e eu bufei irritada. Eu não tinha a intenção de dormir na casa dele. — Vamos! 

Saímos do carro em silêncio e entramos no prédio, o sol já estava começando a nascer, entramos no elevador e em segundos as portas se abriram no andar dele. Ele foi na frente e abriu a porta do apartamento e eu entrei totalmente sem graça. Era tudo tão chique e organizado, diferente do meu apartamento, não sou muito organizada com minhas coisas. Sua sala de estar era tão grande, deveria ser do tamanho do meu apartamento todo. 

— Sua sala é do tamanho do meu apartamento. — Comentei sorrindo e ele riu. 

— Então é muito pequeno. 

— Não, sua sala que é enorme. — Falei observando a parede de vidro que dava visão do pequeno escritório, as paredes eram de vidro, eu nunca vi isso antes. — A parede é de vidro? Uau. 

— Sim, achei melhor assim porque posso ver o que as meninas estão fazendo quando estou trabalhando em casa. 

— Interessante. — Sussurrei surpresa com a parede. 

— Vamos pro quarto. — Ele disse saindo em direção ao corredor que deve ser o dos quartos e eu o segui em silêncio, ele abriu uma porta branca e entrou e continue seguindo-o. A cama era enorme, tinha uma janela de vidro do teto ao chão coberta por uma cortina bege escuto muito sofisticada, a televisão na parede parecia um telão de cinema, era gigante, e o que mais me chamou atenção foi o lustre no teto, era perfeito, nunca vi algo assim antes. Nunca me senti tão pobre em toda minha existência, exceto, quando entrei pela primeira vez na casa dos pais dele, até campo de futebol tem naquela casa. — Quer comer antes de dormir? — Ele perguntou cruzando os braços encostado na porta e eu neguei com a cabeça. 

— Não, só quero dormir. — Respondi mordendo o lábio e ele sorriu e se aproximou de mim, colocou as mãos em minha cintura e ficamos nos encarando em silêncio. 

— Obrigado pela noite. — Disse encarando meus lábios e eu sorri. — Fazia tempo que eu não me divertia tanto. 

— Podemos sair outras vezes. — Respondi mordendo o lábio e ele assentiu. 

— Tô morrendo de vontade de beijar você. — Confessou sério e eu neguei com a cabeça, apesar de também querer, não vou ser tão fácil assim. 

— Melhor ir dormir Lucas. 

— É, tem razão. Boa noite! — Ele soltou minha cintura e saiu fechando a porta. Me joguei na cama e respirei fundo. Ele é mais interessante do que eu imaginava. 


Notas Finais


Bom dia!!!!
Continuo??? 🥰


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