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História Pseudorreciprocidade - Capítulo 1


Escrita por: Victra

Capítulo 1 - Único


Jeon, me desculpe pelo que irei o dizer agora.

Eu sei. Começar isto com um pedido de desculpas não é o ideal. Mas é algo que vale ser adiantado.

Jeon, eu o amo. De verdade. Meu coração bate mais rápido a cada vez que vejo uma foto sua. Meu peito se aquece quando você sorri e minhas mãos transpiram quando você sobe ao palco.

Você arranca de mim os mais diversos sentimentos e sensações. O mero ato de observá-lo e aguardar para que diga algo em uma entrevista me enche de expectativas. Gosto de ouvir sua voz. Quero que a use para me contar seus maiores medos e segredos, assim como eu o conto os meus, em meus sonhos despertos.

Sempre tive facilidade em criar situações imaginárias; livros inteiros e cenas soltas são digitadas por meus neurônios diariamente. Faço de cada uma das milhares de ramificações de meu ser um personagem diferente. E, quando quero dizer algo o qual ninguém estaria disposto a escutar, compartilho-o com tais criações.

E você sempre está lá.

Jeon, você é o herói em meus contos mais mirabolantes, é o fetiche em meus textos mais sujos ou até mesmo o amigo que está lá para me escutar nos momentos em que a solidão circula-me com seus braços frios e impiedosos.

E não sou tão egoísta. Não o uso apenas para me escutar. Desejo ouví-lo. Você sempre foi uma incógnita para mim. Possuo a mente de um detetive e fiz de você o meu mais intrigante caso. Investigo o seu olhar vago e seus ouvidos atentos, averiguo o seu jeito reservado e a sua falta de gosto para situações sociais e rio comigo mesma a cada vez em que percebo o quão popular você é, ainda que prefira uma madrugada silenciosa gasta em frente a um computador ou em uma caminhada pelo centro da cidade.

Você nunca precisou de esforço para ser querido, Jeon. Falar sobre sentimentos não é fácil para você. Mas, quando é preciso fazê-lo, você é sincero.

Jeon, eu não o vejo falar muito. Mas tenho certeza de que seu interior é um lugar barulhento. Você pensa demais.

Eu gostaria de ouví-lo falar, seja sobre sua infância ou como se sente a cada vez em que o enaltecem — e, eu sei, são muitas. 

Você é jovem. Um irmão caçula que carrega toneladas e toneladas de gritos jubilosos, tão pesados quanto a tamanha responsabilidade e os pedidos de socorro que o são enviados diariamente. Mas você agradece por eles; você os olha com o rostinho pendido para o lado e os oferece a mão. Você os ama.

Você derramou sangue para chegar ao topo. E eu não posso dizer com convicção o que você sente ao olhar para baixo, afinal, você nunca disse.

Novamente, peço desculpas, Jeon. Mas eu gostaria de ouví-lo dizer.

Você diz que os ama, Jeon. Diz que é grato a eles. E eu acredito. Seus ombros se levantam quando você os vê; seus olhos se perdem quando miram cartazes com seu nome. Seu sorriso é verdadeiro, mesmo que, muitas vezes, nervoso.

É você e eles, Jeon. E você os ama.

E eu o amo.

Mas há diferenças nítidas em nosso amor: a cada vez o olho, só vejo você, enquanto você, muito provavelmente, sequer chegará a me fitar algum dia.

É você e eles. É um coletivo. Mas, Jeon, a cada vez que o vejo, penso em singularidade.

E é irônico. Sei que se algo acontecesse a você, eu pensaria nisso por semanas, meses. Mas você nem saberia caso o mesmo ocorresse comigo. Seria um acontecimento totalmente alheio a você.

Você diz que me ama, Jeon. Mas você não me conhece, tampouco irá fazê-lo. E tudo bem. Para você, isso não fará diferença, uma vez que minha existência não é um fato de seu conhecimento. Mas eu conheço a sua. E ela é tão importante para mim.

Todavia, eu também não conheço você. Conheço aquele que solta sinais e palavras soltas em frente à câmera, porém não tenho ideia de quem é o garoto por trás dela. Contento-me em imaginá-lo; dá-lo uma personalidade única a cada história que crio.

Continuo a observá-lo no pedestal em que o coloquei. Posso vê-lo mesmo quando as minhas luzes estão apagadas. E você nunca me verá, ainda que todas as suas estejam acesas.

E, desculpe-me, Jeon. Eu o amo. Fiz de você um objeto desejoso; transformei-o em amante e amigo próximo. Mas você é um ídolo. E ídolos somente podem nos oferecer uma pseudorreciprocidade.


Notas Finais


eu sou trouxa por jeon jungkook e vcs

xx, Lis-ah :')


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