História Psycho - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Girls' Generation
Personagens Jessica, Seohyun, Sunny, Taeyeon, Tiffany
Tags Taengsic, Taeny
Visualizações 528
Palavras 12.052
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Esse capítulo está um tanto... Musical hoje hehehe Eu quero dizer que a música Against All Odds, do Phil Collins, é muito a música do Taengsic dessa Fic gente, sério, são elas todinhas kkkkk

Perdão pela quantidade de palavras, mas eu não queria cortar ele no meio, meu TOC e meu lado virginiana não deixam, agonia rs

Boa leitura.

Capítulo 12 - Ice Psycho


Fanfic / Fanfiction Psycho - Capítulo 12 - Ice Psycho

Hide your eyes and count to ten,

(Feche seus olhos e conte até dez),

Ready or not?! I'm gonna find you again.

(Pronta ou não?! Eu vou encontrá-la de novo).

Hide your eyes and count to ten,

(Feche seus olhos e conte até dez),

Ready or not?! I'm gonna find you again,

(Pronta ou não?! Eu vou encontrá-la de novo),

And again and again and again.

(E de novo, e de novo, e de novo).

 

I will jump and hide from you,

(Eu vou pular e me esconder de você),

I will chase you round and round,

(Eu vou persegui-la dando voltas por aí),

Skip in time, play peek a boo,

(Escape a tempo, brinque de esconde-esconde),

Ready or not, you're found!

(Pronta ou não, te achei!)

 

I will chase you here and there,

(Eu vou persegui-la aqui e ali),

I will chase you everywhere,

(Eu vou persegui-la em todos os lugares),

Inside, outside, up and down,

(Dentro, fora, em cima e embaixo),

Catch me if you can!

(Pegue-me se puder!).

 

Catch me, catch me

(Pegue-me, pegue-me)

Catch me if you can

(Pegue-me se puder)

Catch me, catch me

(Pegue-me, pegue-me)

Catch me if you can!

(Pegue-me se puder!)

 

Flashback e presságio.

 

 

– É sério, Tae, temos que acordar cedo amanhã. – Tiffany dizia, com a voz rouca, enquanto estávamos sentadas no sofá da sacada, comigo desbravando a pele de seu pescoço, sentindo o perfume de seu creme corporal em minha boca. Ela me dizia pra parar, mas suas mãos apertavam meus ombros e ela tinha a cabeça tombada para trás, completamente entregue aos meus toques e permitindo que eu explorasse seu pescoço com mais afinco.

– Você diz isso, mas continua em meu colo. – Retruquei, afastando meus lábios de si e recebendo um olhar divertido dela.

– É difícil sair com você me tocando desse jeito. – Declarou, levando seus lábios até os meus, primeiro deixando um selo demorado e molhado em minha boca, mas não tardou em adentrar-me, passando a brincar com minha língua com os lábios entreabertos.

Trocávamos aquele contato de olhos abertos, penetrando uma à outra com o olhar enquanto nossas línguas se movimentavam de forma erótica e molhada. Sentir seu olhar intenso sobre mim me fez apertar sua cintura entre minhas mãos, sentindo o desconforto entre minhas pernas ao apalpar a carne de sua cintura de forma firme. Ela quebrou o contato, fazendo um filete de saliva surgir de nossas línguas, arfando com meu afago em sua cintura.

– Céus, Taeyeon… – Ela respirava com dificuldade, molhando os lábios antes de continuar. – Se você continuar me apalpando assim, eu vou gozar só de roçar em você. – Exalou, com a voz entrecortada, procurando meu olhar. Estremeci com sua fala, me dando conta de que acabaríamos indo longe demais se continuássemos nos beijando daquele jeito. Mas era tão gostoso tocá-la finalmente, que meu corpo simplesmente não obedecia meu cérebro.

– Certo. – Suspirei, tirando minhas mãos, a contragosto, de sua cintura. – É melhor descermos, antes que façamos alguma besteira. – Declarei, fazendo menção de afastá-la, porém ela pesava seu corpo contra o meu, fazendo-me olhá-la, confusa.

– Isso é difícil. – Suspirou, olhando-me com um biquinho nos lábios. Ri de seu jeito bobo, deixando um selinho rápido em sua boca.

– Vamos logo, podemos continuar lá embaixo. – Assegurei-a, vendo ela abrir um sorriso animado em minha direção. Não pude deixar de sorrir junto.

– Você promete? – Perguntou, de forma insegura. Eu entendia o seu receio em me deixar ir, mas, àquela altura, eu não conseguiria mais me afastar. Eu sentia que não conseguiria ficar mais sem seus beijos daqui pra frente e eu estava tentando não pensar muito nisso agora. Eu lidaria com as consequências depois.

– Sim, Tiffany. Vamos. – Falei, levantando-me com ela no colo e segurando suas coxas, fazendo ela se agarrar a meu pescoço como se sua vida dependesse disso e soltar uma gargalhada nervosa.

– Tae, eu vou cair! – Exclamou, com a voz esganiçada, fazendo-me rir de seu medo bobo. Levei-a até o guarda-corpo de vidro, prensando-a nele e fazendo-a arquejar, tentando não olhar para trás e avistar a altura que estávamos naquele momento. – Taeyeon, eu vou te matar! – Dizia, com o semblante assustado e o tom de voz exaltado, fazendo-me rir mais ainda. – Não ria, sua louca!

– Agora eu sou a louca? – Questionei, levando um tapa leve em meu ombro, observando sua feição medrosa e ao mesmo tempo, tentando não demonstrar sua diversão com isso.

Não resisti em beijá-la naquele momento, fazendo seu semblante relaxar e ela percorrer suas mãos por meus cabelos, tornando o beijo mais intenso ao ter sua boca se chocando contra a minha com sofreguidão. Sua boca funcionava como uma espécie de ímã para a minha, a atração que eu sentia em ter aqueles lábios macios nos meus me deixava mais extasiada a cada beijo. Afastei-me por um momento, observando sua boca vermelha e inchada de forma encantada. Ela também observava a minha, que não deveria estar diferente da sua. Ela levou suas mãos até minha face, acariciando-a, olhando cada traço de meu rosto de forma admirada.

– Você é linda demais, Tae. – Declarou, olhando-me de forma intensa. Senti-me ruborizar com sua declaração. – Eu me sinto tão feliz.

Eu não podia negar que eu compartilhava do mesmo êxtase que ela sentia naquele momento. Era algo avassalador, um impulso irresistível de tocá-la, de senti-la, eu sentia meu coração pulsar inquieto sempre que eu sentia seu toque em minha pele. Foi como se uma avalanche de sentimentos tivesse tomado conta de mim. Era intenso e involuntário, eu nunca tinha sentido uma atração tão forte por alguém. Nem mesmo por Jessica. Com Jessica, tudo era tranquilo, terno, delicado e afetuoso. Era um sentimento domado há tempos pelo meu coração, algo que me era confortável e doce. Era puramente amor. Com Tiffany, era diferente. Era desenfreado, desesperado, intenso, era físico. Eu sentia queimar sempre que meu corpo estava em contato com o dela. Era puramente passional.

Eu sabia que quando meu corpo esfriasse de toda essa agitação, meus pensamentos me consumiriam e me oprimiriam pelo resto de meus dias. Mas não era mais algo controlável. Eu já estava a mercê das ordens de Tiffany; agora, meu corpo também parecia querer obedecer a ela, e de bom grado.

Suspirei, soltando as pernas de Tiffany delicadamente de minhas mãos, para que ela não desequilibrasse. Ela me olhou, parecendo confusa, enquanto suas mãos ainda seguravam meu rosto.

– Você está bem? – Ela questionou, com o semblante preocupado. Tudo aquilo havia começado comigo a questionando se ela estava bem e, agora, ela direcionava aquela pergunta a mim. Eu me sentia bem, muito bem aliás, eu só não sabia se esse sentimento duraria muito tempo.

– Não se preocupe. – Assegurei-a, me aproximando e deixando um selo em sua bochecha. Eu sabia que meus olhos deviam denunciar o início de todo um conflito se formando dentro de mim, mas não havia nada que Tiffany pudesse fazer quanto a isso. A não ser me deixar ir, claro, algo que ela não faria. Soltei o ar pesadamente, tentando afastar aqueles pensamentos de minha mente, pelo menos, por enquanto.

– Vamos, então. – Sugeriu, se desvencilhando suavemente de mim, indo até onde estavam a caixa de pizza e a garrafa de Coca, levando-os até uma lixeira próxima e em seguida vindo até mim e me puxando pela mão em direção a escada.

Descemos em silêncio, com seu polegar acariciando minha mão. O fato de Tiffany estar sendo tão carinhosa me cativava ainda mais e me fazia suspirar constantemente por ela.

Cruzamos o corredor e chamamos o elevador, que não demorou para chegar até o último andar, e o adentramos, com Tiffany me abraçando por trás. O calor de seu corpo me fazia sentir aquecida por dentro. Olhávamos para nós duas abraçadas pela porta espelhada do elevador, com Tiffany roçando seus lábios pela minha orelha, observando-me estremecer pelo reflexo no espelho.

– Você é tão pequena, Tae. Olha como o meu corpo te cobre toda. – Ela me deu um abraço de urso, curvando seu corpo sobre o meu e enterrando minha cabeça entre seu pescoço e maxilar, deixando seus cabelos cobrirem o meu rosto e seus braços espremiam-me entre seu corpo, fazendo-me gargalhar de forma abafada em seu pescoço.

– Você também é pequena, Tiffany. – Falei, observando ela relaxar o abraço um pouco para que eu pudesse me movimentar e levantando a cabeça, libertando meu rosto de seus cabelos perfumados.

– Mas eu tenho corpo, diferente de você. Você é pequena por inteira. Parece uma fada. – Comentou, adornando as laterais de meu corpo com suas mãos, como se quisesse provar seu argumento sobre eu ser pequena. – É tão linda. Simplesmente irresistível… – Disse, subindo suas mãos de minha cintura perigosamente, até chegar abaixo de meus seios, o tocando levemente com a ponta dos dedos, fazendo-me arquejar com a excitação que isso me causou.

– Tiffany… – Falei, de forma entrecortada, tentando segurar o impulso que eu sentia de me virar em sua direção e atacá-la. Ela suspirou, cessando seus toques em meu corpo.

– Certo. Eu serei paciente. – Declarou, deixando um beijo casto em meu pescoço. Fiquei surpresa de ouvir disso dela, ela parecia tanto ou até mais desejosa do que eu naquele momento.

O elevador chegou em nosso andar, fazendo Tiffany largar minha cintura para pegar minha mão e me puxar para fora dele. Chegamos ao apartamento, o relógio no painel anunciava que passavam das 22h. Eu precisava de um banho, o dia havia sido cheio e eu me sentia pesada com tudo o que tinha acontecido, desde os relatos da prima de Sunny, até os relatos sobre a mãe de Tiffany. O beijo então, ou melhor, os beijos que eu troquei com Tiffany, nem se falam. Eu sinto meu emocional prestes a explodir, eu precisava de uma boa noite de sono, ou eu transbordaria.

– Vou tomar banho. – Anunciei à Tiffany, com a voz cansada. Ela olhou-me, pegando meu rosto em suas mãos e deixando um beijo em minha testa, de forma terna.

– Não demore, estou cansada e não quero dormir sem você. – Declarou, soltando-me e indo em direção ao seu quarto.

Respirei fundo, antes de ir para o meu quarto, pegar meu pijama. Fui para o banheiro, finalmente realizando o meu desejo de entrar no chuveiro. Eu esperava que a água pudesse levar um pouco de todo o conflito que havia dentro de mim, porém a única coisa que ela fez por mim foi relaxar-me e esfriar o meu corpo de toda a agitação que eu tive naquele dia. Eu me sentia tão esgotada que eu poderia dormir lá mesmo, com aquela água quentinha relaxando os meus músculos. Saí assim que me limpei por inteira, eu não queria me deixar levar pela preguiça e enrolar ali, pois, certeza que eu deixaria pensamentos negativos fluírem dentro de mim e aquele não era o momento. Era melhor que eu tivesse uma boa noite de sono, para que eu pudesse pensar racionalmente sobre aquele dia.

Saí do banheiro já vestida com meu pijama e fui para o quarto de Tiffany. Assim que a avistei, deixei um sorriso escapar ao ver que ela já estava adormecida em sua cama, com uma camisola delicada de ursinhos. Tão diferente da Tiffany provocante. Suspirei, indo até seu banheiro escovar os dentes, encontrando minha escova ao lado da dela. Azul e rosa, dois extremos, assim como nós duas éramos. Tiffany com toda sua intensidade e brusquidão, movida por seus impulsos e lapsos de insanidade, eu com toda a minha impassividade e calmaria diante dela. Basta saber até quando eu não deixaria me levar pela loucura e acabasse tendo minha personalidade maculada pela dela.

Terminei de escovar os dentes, devolvendo minha escova ao lado da de Tiffany e fui me deitar, junto a ela.

Assim que me acomodei ao confortável cobertor quentinho, Tiffany se mexeu, abraçando-me por trás e se aninhando a mim. Eu já estava me acostumando a dormir com seu calor me aconchegando, era agradável adormecer em seus braços. Mesmo que meu cérebro lute para contra-argumentar todo esse meu encantamento com ela, não havia nada que eu pudesse fazer quanto as sensações que ela despertava em meu corpo. Virei-me para ela, abraçando sua cintura e acomodando minha cabeça em seu pescoço, entorpecendo-me com seu cheirinho doce.

 

 

(…)

 

 

Despertei com o cheirinho de café me embevecendo, abri os olhos lentamente e dei de cara com Tiffany sentada ao meu lado, com uma bandeja em seu colo, contendo nosso café da manhã. Sentei-me na cama, acomodando minhas costas contra a cabeceira da cama, coçando os olhos devido ao sono. Ela ainda estava de camisola e me olhava com o semblante decepcionado, seus lábios formando um biquinho.

– Eu queria ter te acordado com beijinhos, mas você tem um sono frágil. – Exclamou, desapontada. Ri de leve, achando graça de seu semblante emburrado e me aproximei, deixando um beijo em sua bochecha.

– Me trazendo o café na cama? – Comentei, de forma divertida, sentindo-me faminta ao observar aquelas torradas já cobertas de geleia na bandeja. Ela sorriu-me, de forma tímida. – Tiffany Hwang, uma mulher romântica…

– Para! – Ela se encolheu, abaixando a cabeça, suas bochechas adquirindo uma coloração rosada devido a sua timidez. Sorri de forma boba ao vê-la sem jeito daquela forma. – Aproveite a minha boa vontade, porque você é a única privilegiada em ter o café trazido à cama por mim.

Era evidente que Tiffany estava se esforçando para me agradar e isso me deixava feliz e confortável de permitir sua aproximação. Mas algo dentro de mim me dizia para não abaixar a guarda por completo, Tiffany era instável e mudava de humor muito rápido. Ela fazia tudo aquilo para me agradar, mas se algo não saísse como ela queria, ela se transformaria em outra pessoa. Suas várias facetas me faziam temer o amanhã, o não saber como ela reagiria ou estaria se comportando no futuro.

Suspirei, levando minha mão até seu rosto e colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. Isso a fez levantar a cabeça para me olhar de forma terna. Limpei a garganta, decidindo pegar uma torrada da bandeja. Isso pareceu a despertar, pois ela arrumou a postura e pegou o açucareiro e a colher ao lado, olhando-me com expectativa. Ela depositou o açúcar aos poucos em minha xícara, fazendo-me sinalizar a quantidade que eu queria no café. Quando terminou de mexer, eu peguei a xícara, degustando daquele líquido quente e despertando mais, devido a cafeína sendo absorvida.

Terminamos o café entre trocas de olhares tímidos e sorrisos singelos. Tiffany levantou com a bandeja, parando na soleira da porta do quarto para me dirigir a palavra.

– Sairemos depois da aula. Ponha um casaco. – Decretou, saindo do quarto logo em seguida. Olhei, atônita, para o lugar em que ela estivera segundos antes, tentando imaginar o que se passava por sua cabeça. Como sempre, ela e esse jeitinho de fazer planos comigo sem me consultar antes.

Suspirei, saindo da cama e indo escovar os dentes, sentindo a realidade pesar, aos poucos, sobre mim.

Eu havia beijado Tiffany, por minha livre e espontânea vontade. Ela não havia forçado nada, eu havia iniciado aquele beijo e muitos outros que vieram em seguida. Dizer que foram apenas beijos seria puro eufemismo de minha parte, pois foram senhores amassos. Não haviam desculpas, não haviam escapatórias. Eu havia beijado Tiffany mesmo sendo comprometida. Eu havia me deixado levar pelo desejo bruto que eu sentia por ela e havia sido desleal a Jessica. Daquela vez, era muito pior, pois se antes eu já me sentia suja por ter sido tocada por Tiffany, agora eu quem havia iniciado o contato, eu quis aquilo e confesso que eu havia adorado. Acima da minha infidelidade à Jessica, eu sentia que havia traído a mim mesma. Eu havia traído o meu lado racional me dizendo para se afastar, para não permitir que aquele sentimento se instalasse dentro de mim. E me sentia mais traída ainda por ter gostado e por não conseguir deixar de continuar desejando-a, apesar de estar me sentindo um lixo.

Terminei de escovar os dentes, indo me trocar em meu quarto, entre devaneios destrutivos de minha parte. A melhor coisa que havia acontecido em minha vida, foi a entrada e permanência de Jessica nela. Nós já havíamos passado por tanta coisa juntas, assim como minha mãe sempre me dizia, Jessica era o motivo de meus sorrisos. Mesmo quando eu me deixava levar pela melancolia, Jessica tentava dividir aquele peso comigo e me fazia sentir bem, assim como eu sempre tentava arrancar sorrisos dela, nós nos moldávamos uma outra em cada momento de dificuldade em nossa relação e a cada momento de alegria, eu me sentia mais completa ao seu lado.

Eu tinha absoluta certeza de que eu passaria o resto de minha vida ao lado de Jessica, mas, de súbito, surge Tiffany, como um furacão, me fazendo crer que eu não tinha certeza de nada mais. Minha cabeça estava uma bagunça, pois, apesar de me sentir atraída por Tiffany, eu ainda amava Jessica. Saber que eu havia traído sua confiança fazia o desespero tomar conta de mim e lágrimas virem aos meus olhos. Eu sentia que eu não poderia viver sem Jessica. Eu a amava demais. Mas eu não podia mais a ter, pois naquele momento eu não era mais inteiramente dela, então não poderia mais me doar por inteira para aquele relacionamento. Eu me sentia quebrada por dentro, pois eu teria que tomar uma decisão difícil daqui pra frente. Eu e Jessica não tínhamos segredos, eu não conseguiria esconder aquilo dela por muito tempo. Ela, acima de tudo, era muito mais que uma companheira, era uma amiga. Minha melhor amiga. Alguém de suma importância em minha vida que eu perderia, assim que eu revelasse a ela o que havia acontecido. Se eu ao menos tivesse sido sincera com ela desde o começo sobre me sentir atraída por Tiffany. Mas eu não poderia ter feito aquilo, pois ela me intimaria a me mudar do apartamento de Tiffany e isso eu não poderia fazer. Era a integridade de minha mãe que estava em jogo.

Tentei manter em mente que aquilo aconteceria de uma forma, ou de outra. Assim que eu me deixei levar pela chantagem de Tiffany, eu sabia que meu relacionamento teria prazo de validade, pois Tiffany sempre demonstrou seu interesse em mim e deixava claro que não gostava de Jessica. Uma hora, as coisas desmoronariam. E elas estavam desmoronando nesse momento, porém eu havia dado o empurrão para que isso acontecesse. Eu havia cedido. Eu havia jogado tudo pro ar e havia me entregado de vez a Tiffany.

Respirei fundo, tentando segurar as lágrimas, enquanto terminava de me vestir e colocava um cardigan vermelho por cima de minha blusa cinza, conforme Tiffany havia solicitado. Eu precisava pensar com calma, sobre qual seria o meu próximo movimento. Eu não poderia permitir que esse envolvimento com Tiffany acontecesse e continuar namorando Jessica. Mas eu não queria terminar com Jessica. Eu a amo. Mas Tiffany jamais permitiria que eu passasse uma borracha nesse episódio, sem falar que eu não conseguiria resistir a ela, mesmo que eu tentasse superar o que aconteceu. Eu sinto também que se eu passasse a ignorar Tiffany e barrasse sua aproximação, ela ficaria com raiva e isso poderia gerar consequências a mim. Ela poderia, até mesmo, se revoltar a revelar nosso envolvimento a Jessica. Eu não posso permitir que chegue a esse ponto.

Eu me sentia num verdadeiro impasse, mas eu já havia machucado Jessica demais, mesmo que ela não soubesse, era melhor que eu passasse a me afastar dela aos poucos. Eu sinto que não conseguiria me afastar de súbito dela. Só de pensar em me afastar, eu me sentia desolada. Eu não a queria longe. Eu a queria junto comigo, eu queria que nada disso tivesse acontecido e que ainda pudéssemos seguir o curso de nossas vidas, com nosso namoro que antes, parecia tão inabalável.

Peguei minha mochila, de repente o colar da mãe de Tiffany me chamou a atenção, em cima do criado-mudo. Decidi, por fim, colocá-lo em meu pescoço, em seguida indo esperar Tiffany na sala, como sempre. Ela não demorou dessa vez, parece que meus devaneios fizeram eu me trocar mais devagar, terminando quase ao mesmo tempo que Tiffany. Ela se vestia de forma simples, com um suéter branco de cashmere, calça jeans escura e tênis nos pés. Seus cabelos estavam presos em um coque frouxo, revelando mais de seu rosto alvo. Fui em sua direção, com ela olhando fixamente para o colar em meu pescoço. Assim que me pus a sua frente, ela me direcionou um sorriso doce, pegando meu rosto em suas mãos e deixando um beijo em minha bochecha. Suspirei com aquele contato.

– Vamos? – Declarou, puxando-me em direção à porta. Acompanhei-a, vendo ela trancar a porta e enlaçar seu braço ao meu em direção ao elevador.

Assim que o adentramos, Tiffany me abraçou de lado, se aninhando a mim. O fato de seu suéter ser tão macio me fez abraçá-la um pouco mais apertado, encostando minha cabeça em seu ombro. Eu tinha uma queda por suéteres fofinhos. Talvez pela dona do suéter também.

– Eu gostei do seu cardigan. Você vai ter que me emprestar ele depois. – Declarou, fungando em meus cabelos e observando minhas vestimentas pela parede espelhada do elevador.

– Estamos nesse nível de usar a roupa uma da outra? – Falei, de forma brincalhona, tentando afastar todos os pensamentos negativos de minha mente. Ela revirou os olhos, olhando-me de forma divertida.

– Eu quem estabeleço em que nível estamos. Na minha cabeça, nós já estamos casadas há muito tempo. – Decretou, fazendo-me olhar espantada para ela, através do espelho. Ela riu de minha reação. – Apenas aceite Taeyeon. Nós somos esposas e não adianta pedir divórcio. – Ela piscou para mim, de forma descontraída, me deixando na dúvida se ela estava levando isso a sério ou não.

– Se uma psicopata diz, quem sou eu para argumentar. – Comentei, balançando a cabeça em negação, recebendo um beijo em minha cabeça em seguida.

Saímos do elevador e eu estava prestes a ir até meu carro, quando ela me parou.

– Vamos no meu hoje, já que eu vou te levar a um lugar depois daqui. – Decretou, fazendo-me assentir a ela, mas me lembrei, de súbito, que o trabalho que eu havia feito ontem com meu grupo estava em meu carro, então soltei-me de seu contato suavemente, fazendo ela me olhar de forma confusa.

– Vá indo lá, vou pegar meu trabalho que deixei no carro. – Notifiquei-a, vendo ela assentir e ir em direção ao seu carro.

Fui até o meu, abrindo o porta-malas e retirando a pasta A4 com nossa análise dentro, a visão dos livros de minha mãe me fazendo relembrar que eu deveria ir até lá investigar se Tiffany já havia citado Bora em seus prontuários. Eu não sabia quando poderia voltar lá, mas eu não poderia me esquecer jamais sobre tentar descobrir um pouco mais sobre quem havia sido Bora pós Tiffany. Será que a Bora, seja aonde ela estiver nesse momento, estaria vendo tudo o que eu estava passando? Clamei aos céus, naquele momento, para que, se Bora estivesse me vendo, me desse uma luz sobre algo que pudesse me ajudar a revelar o que, de fato, havia sido a causa de sua morte. Eu acredito que ela queira que seus familiares saibam a verdade de sua morte prematura. Se os Céus pudessem me dar uma ajudinha quanto ao meu caso também, eu não reclamaria. Afinal, Bora já havia se entregado a escuridão, mas eu ainda lutava contra ela. Se eu sairia viva, eu não sabia. Eu espero que eu possa ter a força que Bora não conseguiu manter dentro de si, pra enfrentar todas as adversidades que eu teria em meu caminho daqui pra frente.

Suspirei, fechando o porta-malas e indo em direção ao carro de Tiffany. Ela apenas me esperava, com o motor ligado. Assim que eu entrei no carro, ela deu partida, saindo do estacionamento rapidamente.

– Pode me dizer aonde vamos depois da aula? – Questionei-a, assim que ela parou num semáforo. Ela olhou-me, parecendo insegura. Estranhei sua reação.

– Na verdade, eu queria sua ajuda. Por isso estou te levando nesse lugar. – Ela comentou, soltando o ar pesadamente em seguida. Estranhei seu comentário, como eu poderia lhe ajudar em algo?

– Ainda estou no escuro. – Retruquei, observando o sinal abrir e ela arrancar com o carro.

– Não seja curiosa, você verá depois da aula. – Ela piscou-me, tirando o olhar da direção por alguns segundos, pegando minha mão livre em cima de minha coxa e entrelaçando a sua, antes de voltar a se concentrar no caminho.

Respirei fundo, tentando afastar a curiosidade de minha mente. Eu tinha coisas mais importantes com que ocupar minha mente nesse momento, mas ela insistia em querer não pensar no possível desfecho de toda essa confusão que se tornou minha vida.

 

 

(…)

 

 

– Eu me sinto completamente bugada com essa pergunta. – Yoona exclamou, olhando para um ponto fixo à sua frente, parecendo ter sua mente entrando em colapso naquele exato momento.

Estávamos na aula de Etologia e o professor havia pedido que fizéssemos uma análise em grupo e em um papel avulso sobre como surgiu o comportamento de mamar em humanos, em uma perspectiva etológica. Essa era uma disciplina que sempre saíamos com mais dúvidas do que respostas a respeito do comportamento humano. Durante as aulas, várias questões eram levantadas, questões essas que faziam nossos cérebros fritarem, por mais que parecessem simples, eram questões que sempre levantavam contra-argumentos, o que fazia a sala entrar em um debate acirrado sempre que as aulas aconteciam.

– Isso é tão… bugante. Como diabos um bebê se tocou que ele conseguiria alimento se colocasse o peito da mãe na boca? Ou foi a mãe que não sabia alimentar ele, viu uma vaca dando a teta pra vaquinha e decidiu fazer o mesmo? – Sooyoung questionou, em devaneios, fazendo-me rir de sua indagação criativa.

– Sabe o que eu me dei conta, gente? – Baekhyun pronunciou, fazendo todas se aproximarem dele para ouvir o que ele tinha a dizer. – Como diabos os seres humanos descobriram como era que se reproduzia? Como o homem sabia que tinha que enfiar o peruzinho dele dentro de um buraco hiper escondido dentro da vagina da mulher? Será que ele sabia que com isso iria surgir um bebezinho? Ou foi um impulso sexual? E se ele tivesse errado o buraco, e só descobrisse anos depois que era no outro buraco…?

– Você está sugerindo que um casal de seres humanos surgiu, do nada, como Adão e Eva, desbravando sobre suas existências? – Questionei, tentando segurar o riso diante das dúvidas de Baekhyun.

– Eu sei lá, Taeyeon. Essas aulas fritam o meu cérebro. Eu não sei mais porque eu faço o que eu faço. Eu não sei nem se esse mundo existe. Se existe, graças a Deus, por que existe? – Declarou, com o semblante confuso, fazendo as meninas rirem por ele conseguir fazer piada com aquela aula tão desconcertante.

– Só você mesmo pra achar que o cara, lá nos primórdios, confundiria uma vagina com um cu, sendo que sai cocô dele. Você tá dando muito por trás Baek, pra pensar tão longe. – Yoona debochou, com um sorriso zombeteiro, fazendo Baekhyun semicerrar os olhos em sua direção.

– Eu posso parafrasear Sócrates nessa análise? Aliás, em todas as questões levantadas por esse professor nessa aula, porque é uma pergunta mais estranha que a outra, Jesus. – Exclamou Sunny, de forma descrente, balançando a cabeça em negação.

Antes que pudéssemos colocar qualquer um de nossos pensamentos na folha, o sinal anunciando o intervalo tocou, fazendo o professor anunciar que queria que entregássemos aquela pergunta respondida na próxima aula, o que fez nós nos entreolharmos, aliviados.

– Freud não tem uma resposta pra isso, Tae? – Baek questionou, pegando sua mochila, antes de entrelaçar seu braço ao meu.

– Essa é a área de Darwin, e não do Freud, Baek. – Declarei, de forma divertida, vendo ele me olhar de forma confusa.

– Você me faz questionar o porquê de eu cursar Psicologia, Taeyeon. – Murmurou, de forma emburrada, me fazendo rir de seu jeito bobo, enquanto saíamos da sala, avistando Chanyeol logo a nossa frente.

– Por que quer desistir do curso, Baek? – Chanyeol questionou, passando um dos braços em torno dos ombros de Baekhyun.

– A Taeyeon tá me humilhando. – Falou, de forma amuada, logo em seguida me mostrando a língua e fazendo Chanyeol rir.

– Eu não fiz nada. – Levantei as mãos, em sinal de rendição, olhando para ele de forma indignada. Sunny apareceu ao meu lado, entrelaçando seu braço ao meu e olhando de forma reprovadora para Baekhyun.

– Pare de invejar a Tae, Baek, ela não tem culpa de ser tão inteligente. – Sunny brincou, enquanto descíamos as escadas até o térreo. Eu havia descoberto que tinham elevadores naquela unidade há meses atrás, mas eles lotavam tanto que valia a pena descermos e subirmos as escadas mesmo.

– Eu nem disse nada, poxa. – Comentei, de forma chorosa, vendo Baekhyun fechar a cara em minha direção.

Chegamos ao térreo, logo cruzando a entrada do prédio e eu me dei conta de que Yoona e Sooyoung não nos acompanhavam.

– Sun, cadê a Soo e a Yoon? – Questionei, olhando para todos os lados, sem conseguir avistá-las.

– Ah, elas disseram que tinham que ir na secretaria. Por quê? – Perguntou, olhando-me de forma curiosa. Baekhyun e Chanyeol estavam mais a frente, então decidi que aquela seria uma boa hora de revelar minhas descobertas.

– Venha comigo. – Pronunciei-me, assim que descemos as escadas da entrada, levando-a a um canto afastado de onde costumávamos passar o intervalo, para que ninguém pudesse nos ver.

– O que foi? – Ela indagou, assim que nos encostamos em um murinho que havia perto de uma das lanchonetes de lá.

– Tiffany mencionou Bora pra mim ontem. – Revelei, fazendo-a me olhar de forma perplexa.

– Você quer dizer que… – Ela se interrompeu, parecendo pasma com a situação.

– Foi só de relance. Eu perguntei pra ela em que ano ela havia conhecido Seohyun e ela me disse que a conheceu junto com uma amiga de Seohyun, chamada Bora. – Declarei, fazendo-a arfar diante de minha fala. É claro que eu não revelaria o contexto de minha pergunta, nem o que havia acontecido antes, ou depois dela. – Ela soltou isso sem querer e não falou mais nada sobre Bora, mas isso significa que sua prima não foi esquecida.

– O que diabos isso quer dizer? – Ela murmurou, parecendo perturbada. – Ela não esqueceu minha prima? Como ela ousa sequer pronunciar o nome dela? Ela não tem esse direito! – Exclamou, aborrecida. Peguei uma de suas mãos, preocupada com sua reação.

– Por favor, se acalme Sun. Isso não quer dizer muita coisa. Nós iremos vê-la agora, então tente agir de forma natural, ok? Vamos fazer isso da forma certa. – Aconselhei-a, vendo ela respirar fundo, antes de assentir em minha direção.

– Certo. Obrigada, Tae. É bom poder falar sobre isso com alguém e você está sendo de grande ajuda pra mim. – Disse, levando minha mão que segurava a sua até sua boca, deixando um beijo nela. Sorri-lhe, de forma afável.

– Disponha, Sun. Vamos. – Falei, puxando Sunny em direção onde os outros deveriam estar.

Assim que nos aproximamos de nossa costumeira árvore, avistamos Jessica, conversando com Seohyun e Tiffany, com Baekhyun e Chanyeol mais ao lado, conversando paralelamente. Jessica me direcionou um sorriso lindo, assim que me viu. Suspirei, eu não me sentia mais digna de seus sorrisos.

– Você já tem minha namorada o dia inteiro Sun, larga ela agora que ela é minha. – Jessica disse, desvencilhando o braço de Sunny do meu, fazendo-a rir do jeitinho de minha namorada.

– Calma, Jessi, ela é toda sua. – Sunny se pronunciou, indo em direção a Baekhyun e Chanyeol, com um sorriso divertido nos lábios. Observei, mais ao fundo, Tiffany observando nossa interação, com um olhar inexpressivo.

– Eu estou a fim de um café hoje, Tae, vem comigo? – Jessica pediu, com um biquinho nos lábios. Acabei sorrindo para o seu jeito manhoso, tentando me controlar para não deixar um beijo naqueles lábios tão convidativos.

– Tudo bem. – Assenti, indo com Jessica em direção à lanchonete. Ela entrelaçou sua mão a minha. Um contato natural entre namoradas, mas que me fazia sentir que aquilo era errado, dada a atual situação em minha vida.

– Você quer um café? – Jessica ofereceu, assim que chegamos a fila da lanchonete, abraçando a minha cintura, enquanto me olhava de forma carinhosa. Suspirei, observando os traços delicados de seu rosto, tentando evitar os seus olhos tão intensos em minha direção.

Eu me lembrava de quando passávamos horas olhando uma para outra, apenas mergulhando na imensidão de suas íris escuras, no calor de nossas cobertas e de nossos corpos entrelaçados. Jessica era sempre a primeira a desviar os olhos, devido ao seu acanhamento, mas eu não conseguia deixar de olhá-la e admirá-la, hipnotizada pelas sensações boas que aquela garota me trazia. Agora era eu quem desviava o olhar, mas não por um motivo bobo, como se sentir tímida, mas sim porque eu sentia que Jessica poderia me desvendar só de olhar em meus olhos. Nós nos conhecíamos há muito tempo e tínhamos uma conexão. Jessica sempre sabia que havia algo de errado, mesmo que não comentasse, como ela sempre preferia não comentar, ela sabia. Ela era o tipo de pessoa que não pressionava, que deixava que eu me sentisse apta a falar por mim mesma. Essa era uma das diferenças entre Jessica e minha mãe. Minha mãe tentava me fazer falar a todo custo, por vezes me deixando irritada com sua insistência, mas Jessica era paciente, ela me respeitava, e por conta disso, ela era a pessoa que mais sabia sobre mim, pois eu me sentia a vontade para conversar com ela sem pressões. Às vezes, o silêncio de Jessica me incomodava, pois eu sabia que ela estava a par quando algo estava errado comigo e simplesmente não questionava. Mas eu tinha que admitir que era uma característica sua que me agradava. Só não me agradava nesse momento, pois eu sentia que Jessica já havia se dado conta de que eu não estava bem, mas apenas me olhava, esperando que eu me pronunciasse.

– Tae? Você ouviu o que eu disse? – Jessica me olhava de forma preocupada, interrompendo meus devaneios sobre sua pessoa para me chamar a atenção.

– Desculpe. Eu já tomei café de manhã. – Esclareci, vendo ela assentir em minha direção, enquanto apertava-me entre seus braços e roçava seus lábios pela minha bochecha, fazendo-me ansiar por devolver-lhe o afeto.

– Um bolinho então? – Sondou, esfregando a ponta de seu nariz gelado em minha bochecha, fazendo-me rir soprado com sua forma meiga de agir.

– Estou bem, Jessica. – Garanti-a, vendo ela interromper o contato em minha bochecha para olhar-me de frente, de forma desconfiada.

– Por que me chamou de Jessica? Você nunca me chama assim. – Soltei o ar pesadamente, sentindo-me tola por aquele deslize em meu comportamento.

– Não é nada, amor, fique tranquila. – Corrigi-me, fazendo ela semicerrar os olhos em minha direção. Engoli em seco.

De súbito, observo Jessica descer seu olhar até meu pescoço e passar a analisá-lo.

– Esse colar é novo? – Ela questionou, fazendo-me lembrar da existência do colar da mãe de Tiffany em meu pescoço.

– Tiffany me deu de presente. – Fui sincera, mentir sobre um simples colar não estava nos meus planos, já era difícil ter que esconder algo de Jessica, eu não esconderia algo tão bobo.

– Um presente? – Indagou Jessica, com o olhar intrigado e o tom de voz cético em minha direção. Respirei fundo.

– Isso. – Declarei, simplesmente, observando que nossa vez já estava chegando, com alívio. – Vá retirar seu café, Jessica. – Decretei, com a cabeça baixa, tentando fugir de seus olhos me escaneando.

Ouvi Jessica suspirar, antes de ir até o balcão pedir por seu café. Fiquei esperando ela, ao lado de uma pilastra, sentindo-me nauseada por agir daquela forma com ela. Eu não queria a tratar assim, eu só queria poder voltar ao normal com ela, como éramos antes. Eu me sentia vazia e confusa sobre como eu deveria agir perto dela daqui pra frente. Eu sabia que o certo era acabar com tudo de uma vez, mas eu não poderia simplesmente deixá-la ir. Eu sinto que seria difícil respirar sem ela. Eu a amava. E tratá-la daquele jeito me machucava, muito. Eu podia sentir minha cabeça pesar com aquilo, mas eu precisava segurar firme. Aquele não era o momento de deixar a comporta de minha tristeza romper.

Jessica voltou com o café e um bolinho, sinalizando com a cabeça para que eu a seguisse, já que suas mãos estavam ocupadas. Nos sentamos do outro lado do campus, fazendo-me sentir receosa, pois Jessica obviamente queria conversar a sós comigo, já que não havia retornado para a companhia de nossos amigos.

Nos sentamos uma de frente para outra, embaixo de uma árvore. Jessica parecia me analisar, enquanto mordiscava seu bolinho e bebericava de seu café. Por fim, suspirou, terminando seu bolinho.

– Nós poderíamos sair hoje, já que você me prometeu que teria tempo pra mim depois do seu trabalho na casa de Sunny. – Disse, de forma calma, observando minha reação. Eu me sentia muito idiota por ter esquecido que havia prometido isso a Jessica. Como eu conseguia negligenciá-la tanto? Eu havia aceitado, indiretamente, sair com Tiffany depois da aula. Não haviam desculpas para aquilo, a única coisa que eu poderia fazer, era ser honesta.

– Desculpe amor, mas eu já havia prometido sair com Tiffany depois da aula… – Mal terminei de falar, sendo interrompida por Jessica.

– Com Tiffany, hum? – Disse, de forma sarcástica, revirando os olhos. – Por que eu sinto que você mudou depois que essa garota entrou na sua vida? Você não é a mesma comigo. Agora, rompeu com uma promessa comigo para sair com ela. Percebe o quão ridículo isso soa? – Desabafou, sua voz saindo de forma abalada, fazendo com que meus olhos lacrimejassem.

– Jessica, não faz assim… – Murmurei, com a voz entrecortada. Eu sinto que não conseguiria dizer nada mais, sem que acabasse chorando ridiculamente na frente dela. Ela respirou fundo, largando seu café ao seu lado e me encarando de forma decepcionada, antes de prosseguir.

– Taeyeon, de dez coisas que eu penso durante o dia, nove são sobre você. Eu sinto que não posso nem respirar, sem que você me venha a mente. Você tem noção do quanto eu te amo? – Disse, de forma exaltada e oscilante, seus olhos brilhando por conta de suas lágrimas. Naquele momento não consegui segurar, deixando minhas lágrimas molharem meu rosto.

– Desculpe… – Disse, baixinho, enxugando minhas lágrimas com as costas de minha mão. Ela me olhava, de forma indignada, respirando com dificuldade enquanto suas lágrimas transbordavam.

– Desculpe? – Ela exalou, boquiaberta, franzindo o cenho em minha direção. Acabei por abaixar a cabeça, envergonhada por agir daquela forma diante da garota que eu amava. – Desculpe… É só isso que tem a me dizer, Taeyeon? Nada mais? Essa é a sua chance.

Jessica me colocava contra a parede naquele momento. Algo que ela nunca havia feito antes. Eu podia sentir que ela estava em seu limite, para me encurralar daquela forma. Apenas balancei a cabeça, chorando baixinho, não conseguindo olhar em seus olhos.

– Certo. – Disse, de forma contrariada e trêmula, respirando fundo em seguida e se levantando, me deixando ali sozinha, com minha dor, sem ela para me acudir.

Era isso. O início do fim em minha vida. Eu nunca havia brigado com Jessica daquela forma, as coisas haviam saído do controle. Mas aquilo não era nada perto do que eu sentia que viria pela frente. Eu só conseguia me sentir suja e indigna dela. Ela sempre deu tudo de si por mim, me amava com toda a sua capacidade, e eu estava jogando seu amor no lixo. A pior parte, é que eu também a amava, eu a amava tanto que eu sentia meu coração se contorcer de dor com minhas atitudes. Mas não havia nada que pudesse ser feito, não tinha mais volta. Nosso relacionamento estava fadado ao fim assim que Tiffany entrou em minha vida.

De súbito, sinto alguém sentar ao meu lado e me abraçar, pegando minha cabeça delicadamente e a levando ao próprio colo. Era Sunny me ninhando naquele momento, eu a reconhecia apenas pelo cheiro de canela de seus cabelos. Um cheiro que me era muito reconfortante.

– Jessica está chorando do outro lado do campus. Achei que você estivesse na mesma situação. Vejo que acertei. – Declarou, com a voz mansa, fazendo um leve cafuné em meus cabelos. Funguei em seu peito, ajeitando-me em seus braços.

– Sun, eu a amo. – Confessei, com a voz instável, soluçando em seguida devido à intensidade de meu choro.

– Jessica é insegura, Tae. Eu não sei o que aconteceu, mas acredito em você e no seu amor por ela. Apenas deixe a poeira abaixar. – Aconselhou-me, enquanto ainda acariciava meus cabelos. Infelizmente, a poeira ainda estava se levantando. Uma tempestade de vento estava prestes a levantar toda a poeira existente, destruindo tudo o que eu amava e me levando junto.

– Tae? – Ouvimos uma voz chamar acima de nós e levantamos a cabeça, dando de cara com Tiffany, olhando-me de forma preocupada. Eu sentia Sunny tensa ao meu lado.

Tiffany se agachou a nossa altura, se aproximando de mim e acariciando minha bochecha, limpando as lágrimas que a molhavam. Abaixei a cabeça, sentindo-me vazia e sozinha, apesar de ter companhia naquele momento.

– Ela está bem? – Tiffany questionou, direcionando-se a Sunny. Ouvi-a suspirar ao meu lado.

– Ela vai ficar. Ela não está sozinha, assim como Jessica não está. Tudo irá se resolver com o tempo. – Declarou, deixando um beijo em minha cabeça, parecendo ler meus pensamentos e minha solidão emocional.

O alarme anunciando o fim do intervalo soou, fazendo-me desvencilhar de Sunny. Tiffany me ajudou a levantar, pegando minha mão. Fomos para o nosso prédio, em silêncio, com dois extremos aninhados a mim de cada lado. Sunny, com sua bondade e gentileza ao tentar me consolar naquele momento tão desesperador de minha vida, e Tiffany, como a causadora de toda aquela catástrofe recente em meu namoro.

 

 

(…)

 

 

– Você vai ficar bem, Tae? – Sunny questionou, após o fim das aulas. Estávamos arrumando nossas bolsas para sairmos da sala, com meus amigos me olhando de forma preocupada. Suspirei, encontrando seu olhar.

– Não se preocupe, Sun. – Garanti-a, porém ela não relaxou sua expressão.

– Tae, você pode ir lá pra casa, você sabe, quando precisar ficar longe de confusão. – Era agradável o quanto eu e Sunny estávamos ficando íntimas, ela até mesmo falava nas entrelinhas comigo. Nossos amigos podiam ouvir e como aquele era um assunto só nosso, ela ocultou parte de sua fala para adaptá-la ao momento. Sorri de forma fraca para ela.

– Está tudo bem, Sun. Vou sobreviver. Irei te ligar se eu precisar de algo. – Assegurei-a, deixando um beijo em sua bochecha e entrelaçando meu braço ao dela.

– Ei, por que eu estou me sentindo excluído? Fui eu que te apresentei à Tae, ela é mais minha do que sua, Sunny. – Baekhyun reclamou, tentando desvencilhar o meu braço do de Sunny, sem sucesso, fazendo-nos rir de seu comentário.

– Você certamente vai querer ficar longe de papo de “mulherzinha”, como você sempre diz, Baek. – Sunny argumentou, revirando os olhos para nosso amigo, enquanto íamos em direção a porta da sala. Baekhyun nos direcionou um sorriso amarelo.

– Tem razão, Sun, eu confio em você pra cuidar do cérebro do nosso grupo. – Falou, bagunçando levemente os cabelos de Sunny, fazendo-a olhar-lhe mortalmente, antes de alcançar Yoona e entrelaçar seu braço ao dela.

Assim que passamos pela soleira da porta da sala, avistamos Tiffany, encostada a parede oposta do corredor. Ela veio em minha direção assim que me viu.

– Ela está melhor? – Tiffany se dirigiu a Sunny, fazendo-me estranhar o porquê de ela não perguntar diretamente a mim. Vi Sunny ficar surpresa ao meu lado, já era a segunda vez que Tiffany falava com ela.

– Você pode perguntar pra mim, sabia? – Murmurei, olhando-a com uma sobrancelha arqueada. Ela revirou os olhos, franzindo o cenho em minha direção.

– As únicas respostas que eu recebo são: “Não se preocupe”, ou, “Estou bem”. Sendo que você não está. – Repreendeu-me, fazendo Sunny rir soprado ao meu lado. Me surpreendi por aquela atitude dela, semicerrando os olhos para ela.

– Desculpe, mas ela tem razão, Tae. Você usou essas duas frases comigo há alguns minutos atrás, não negue. – Falou, fazendo-me sentir acuada por ter as duas contra mim naquele momento. Tiffany riu do comentário de Sunny. – Olha, ela poderia estar bem melhor. – Disse, olhando sério para Tiffany. Sunny deveria ser mais cuidadosa ao soltar indiretas para Tiffany, sua falta de entrosamento com ela já era mais que evidente. Mas, pelo menos, ouve uma interação. Suspirei, olhando para Tiffany. Para minha surpresa, ela não havia percebido nada. Ou se percebeu, soube disfarçar muito bem, pois sorria em minha direção.

– Irei me encarregar de animá-la hoje. – Disse, entrelaçando o meu outro braço ao seu, fazendo-nos andar em trio em direção as escadas. Ouvi Sunny bufar baixinho ao meu lado.

Assim que passamos a descê-la, olhei de forma confusa para Tiffany. Ela apenas sorria de forma inocente em minha direção. O que será que ela planejava?

Assim que cruzamos o portão de entrada, tentei avistar Jessica, por mais que seu prédio ficasse um pouco afastado do meu, a esperança é a última que morre. Eu queria poder ver o seu rostinho, nem que fosse de relance, mas, para o meu azar, não vi nem sinal dela.

Me despedi de Sunny, com ela acenando em direção a Tiffany em sinal de despedida. Era melhor do que nada. Fomos para o estacionamento, eu praticamente me arrastava, por conta de meu cansaço mental. Eu só queria dormir para tentar esquecer um pouco de todo aquele desalento que parecia querer me sugar. Eu esperava que os planos de Tiffany não sugassem muito de minha energia, ou que, pelo menos, pudessem me distrair de todo aquele desânimo.

Entramos no carro, com Tiffany sorrindo de forma animada, enquanto girava a chave na ignição e partia com o carro para fora do estacionamento.

– O que acha de fast-food? Isso sempre me anima quando estou entediada. – Sugeriu, fazendo-me olhar de forma confusa para ela.

– Você consegue se animar com isso? – Era estranho ela dizer isso, pois dificilmente algo era capaz de empolgar alguém como ela. Ela maneou a cabeça.

– Se animar talvez seja uma locução muito forte. Mas eu gosto. É quase tão bom quanto sexo. – Comentou, piscando em minha direção. A ideia de animação dela era tão… mundana.

– Ter um psicológico intacto e um bom equilíbrio emocional é a minha ideia de diversão. – Declarei, de forma sarcástica, vendo ela me olhar, de forma inocente, como se não fosse a causa de toda essa confusão.

– Hoje teremos uma folga dessa sua mente conturbada então. – Decretou, de forma enigmática, sorrindo em minha direção.

Antes que eu pudesse questioná-la, entramos no drive-thru de uma lanchonete que ficava próxima de nossa faculdade. Me senti aliviada por ter a liberdade de comer no carro e poder esperar sentada, pois não estava a fim de esperar em uma fila enorme e comer em um estabelecimento lotado por ser horário de almoço.

– Hum, não sei o que peço. Você já sabe? – Indagou, observando o painel com as opções mais a frente.

– Eu sempre peço a mesma coisa. – Dei de ombros, fazendo ela me olhar de forma perplexa.

– Você é estranha. – Declarou, fazendo-me segurar o riso. Era ela a psicopata aqui e eu quem era estranha? – Eu sou muito indecisa. Sempre saio com um lanche diferente.

– Pois então escolha logo, já está chegando a nossa vez. – Pressionei-a, vendo ela me olhar de forma chorosa.

– É a minha lua em Libra. – Tentou esclarecer-me, porém eu ainda continuava no escuro. Eu não entendia nada daquela coisa de signos.

Chegou a nossa vez, comigo pedindo o mesmo de sempre e Tiffany optando por um novo lanche recomendado pela solícita atendente, ao ver a hesitação de Tiffany.

Tiffany optou por ligar o som enquanto esperávamos na fila nossos lanches ficarem prontos, sua playlist tocando aleatoriamente uma música que eu conhecia, porém era um cover feito por outra pessoa, que eu não identifiquei a voz. Era a música The Monster Inside Of Me, de Daniel Johnston. Eu gostava muito desse cantor quando era mais jovem, pois meu pai possuía fitas cassetes dele e suas músicas cheias de ruídos e de distorções me faziam sentir nostálgica. Não era o tipo de música que as pessoas apreciavam, devido à baixa qualidade de gravação. Eu já havia mostrado algumas músicas dele à Jessica, porém ela me achou esquisita por gostar daquilo. Algo que não tínhamos em comum, era o gosto musical. Eu sofri muita influência de meu pai quando era criança, por ele adorar escutar músicas antigas, desde underground até mainstream, mas até o mainstream daquela época não possuía a boa produção que existe hoje em dia. Esse tipo de música me atrai. Já Jessica, prefere músicas atuais e cheias de efeitos sonoros e muita produção. Algo muito comum entre as pessoas, principalmente os jovens. Por isso, olhei de forma confusa para Tiffany. Ela tinha o rosto virado em direção a janela, evitando o meu olhar. Seu semblante era inexpressivo.

Percebi que, aquela música em específico, se encaixava bem à situação de Tiffany.

 

Toda vez que você olha para mim,

Você vê o monstro em meu olhar,

Se você pudesse apenas me ajudar, garota,

Poderíamos estar no paraíso.

 

Seja feliz a cada após,

E não haverá mais lágrimas,

A paz eterna é o que eu quero,

Talvez você possa me ajudar a entender

O monstro dentro de mim.

 

Você sabe que eu quero você,

Você pode ver que eu preciso de você,

Mas você odeia o monstro.

Bem, querida, eu também.

 

Eu preciso do seu amor para me tirar

Fora da escuridão do poço,

Você sabe que eu me sinto como uma merda,

Talvez, menina, você poderia me ajudar a combater

O monstro dentro de mim.

 

Você inspira a força em meu interior,

E eu posso conquistá-la,

À medida que meu espírito se eleva acima de nós.

Talvez, garota, você poderia me ajudar a destruir

O monstro dentro de mim.

 

E nós podemos ser felizes.

 

Era uma música um tanto depressiva, assim como várias das músicas daquele cantor, mas parecia transmitir todas as palavras mudas de Tiffany. Por mais que ela se mostrasse sempre animada e sorridente, havia um monstro dentro dela, que ela tentava lutar contra, apesar do monstro dominá-la por vezes. Eu julgava que Tiffany era volátil, mas eu não conhecia o tamanho da força dela. Ela poderia estar lutando contra o monstro nesse exato momento, e não estar deixando transparecer. Eu tinha absoluta certeza que era uma luta diária sua. Talvez, tudo o que eu já tenha presenciado e sofrido não seja nem metade do que o monstro era capaz de fazer e Tiffany tentou tomar as rédeas do monstro, para que não houvessem mais estragos.

O que me assustava bastante, é que eu conhecia cada vez mais da personalidade de Tiffany, mas eu não conhecia o monstro. E não haviam distinções, por mais que ele agisse à parte da vontade de Tiffany, eram um só. Aquilo era Tiffany. O monstro era Tiffany e ela era responsável por seus atos.

O ruim de tudo isso, era que minha mente tentava distorcer as coisas e encará-los como seres distintos. Eu desejava Tiffany, mas não o monstro. O monstro era ruim. Mas era ela. Era difícil odiar o monstro, mas não odiar Tiffany. O correto, seria odiar os dois. Ou quem sabe, aprender a amar os dois. Mas nem Tiffany o amava, ela parecia apenas domá-lo, por vezes, deixando-o se mostrar, por deslizes causados por impulsos. Mas eu não sabia quem era o mais forte. Tiffany ou o monstro? Vez ou outra, eu via o monstro em seu olhar, quase com a mesma frequência que eu via a Tiffany que eu desejava. Mas e se não houver distinções e só possuir o monstro dentro dela? O monstro poderia estar tentando me seduzir nesse exato momento, para me arrastar junto para dentro de sua galáxia vazia. Ou, assim como diz a música, talvez exista uma Tiffany ali dentro, que precisava de alguém que a compreendesse e a ajudasse a combater o monstro. Mas há formas de combatê-lo? Ou essa era uma luta fadada ao fracasso?

Quando me dei conta, nossos lanches já haviam ficado prontos, e Tiffany o entregou a mim, retirando o seu em seguida, me tirando de meus devaneios e dirigindo até o estacionamento para comermos.

Já não tocava a mesma música, mas ainda era uma canção de Daniel Johnston, dessa vez, na voz do próprio cantor. True Love Will Find You In The End era uma música mais otimista dele, e uma das minhas preferidas também.

– Daniel Johnston, hum? – Decidi comentar, assim que Tiffany estacionou o carro e abriu a embalagem de seu lanche. Ela me olhou de forma surpresa, um sorriso ameaçando se formar em seus lábios.

– Eu descobri esse cantor pela trilha sonora do filme Medianeras e me apaixonei de cara. Assim como pelo filme. – Falou, suspirando em seguida e provando de sua batata frita.

– Eu também gosto desse filme, mas já conhecia o cantor. Desde pequena. – Esclareci, provando de meu sanduíche e vendo ela assentir em minha direção, olhando-me de forma admirada.

– Você deveria deixar de ser tão perfeita, sabia? – Declarou, sorrindo de forma doce em minha direção. Senti minhas bochechas ficarem quentes com sua declaração.

– Eu não sou perfeita. – Murmurei, terminando de mastigar meu sanduíche. – Você deveria me olhar como eu sou.

– Eu sei o que você é. Uma garota normal, claro. – Deu de ombros, dando um gole em seu refrigerante. Olhei de forma curiosa para ela. – Mas isso é o que te torna perfeita pra mim. Cada gesto natural seu, me encanta. A forma como você ama as coisas, me cativa. Confuso, não? – Indagou retoricamente, fazendo-me ficar confusa com sua fala. Como a minha forma de agir naturalmente poderia ter a cativado?

– Talvez só faça sentido para uma psicopata. – Brinquei com ela, recebendo um revirar de olhos, enquanto ela me sorria.

– É estranho como você sempre me chama assim e eu não consigo me sentir ofendida. Ouvir essa palavra saindo da sua boca de forma tão natural me faz sentir mais confortável dentro do meu próprio corpo. Ninguém nunca me chamou assim a não ser para me ofender, e pessoas próximas nunca pensariam em associar essa palavra a mim, por não me conhecerem bem, então é algo novo ouvir alguém dizer isso com outra conotação para mim. – Confidenciou, fazendo-me sentir pensativa sobre aquela palavrinha que tanto me intrigava, desde que eu havia posto minhas mãos em seus prontuários pela primeira vez.

– A conotação é a mesma, se for parar pra pensar. Mas eu não tenho a intenção de ofender. É apenas um fato sobre você. Uma característica. Assim como uma pessoa ser gorda, ou magra. Loira, ou ruiva. Sã, ou psicopata. Não que os últimos sejam antônimos, claro. – Declarei, de forma divertida, vendo ela rir de leve, enquanto balançava a cabeça de forma descrente.

Terminamos nossos lanches, ao som de Daniel Johnston, deixando as embalagens descartáveis em uma lixeira próxima. Tiffany partiu com um carro, por um rumo desconhecido por mim.

– Esse lugar é muito longe? – Questionei-a, observando ela se afastar do centro.

– Não, fica mais ao norte da cidade. Acho que você vai gostar. – Disse-me, com um sorriso suave. Eu não conseguia deduzir aonde Tiffany me levaria, mas, de acordo com ela, deveria fazer o meu gosto.

– É um lugar que você gosta? – Indaguei-a, tentando ter mais pistas do local.

– Bom… Mais ou menos. – Exalou, suspirando em seguida. Se ela não gostava tanto assim do lugar, era curioso o fato de ela querer me levar lá.

– Se gosta mais ou menos, por que está me levando lá? – A questionei, franzindo o cenho em sua direção.

– Eu já te disse. Quero a sua ajuda com uma coisa. – O que diabos eu poderia fazer para ajudá-la?

– É com alguma coisa braçal? – Perguntei, observando Tiffany rir soprado, enquanto encostava a cabeça no volante.

– Se eu quisesse ajuda braçal, não levaria uma nanica. – Piscou para mim, de forma divertida, me fazendo olhar de forma indignada para ela. – É mais… por apoio moral. E chega de perguntas, pois já estamos chegando.

Ela realmente não estava brincando quando disse que já estávamos chegando, pois alguns minutos depois, estacionamos em uma rua que parecia um centro comercial. Haviam vários estabelecimentos à vista, então eu não podia ter uma pista de onde ela me levaria até o momento.

– Vamos? – Incentivou-me, com um sorriso nervoso. Estranhei sua reação, porém apenas dei de ombros, desafivelando o cinto e saindo do carro.

Caminhamos por alguns segundos, até Tiffany me guiar até um local que parecia ser uma casa de chá. “Ice Ice Baby” era o nome do lugar. O adentramos, era um estabelecimento pequeno e aconchegante, com piso de madeira e pequenas mesas redondas de dois lugares, todas com toalhas vermelhas e o ambiente era bem frequentado, principalmente por casais degustando de seus chás. Tiffany cumprimentou um dos atendentes por atrás do balcão que havia na entrada, como se fossem velhos conhecidos.

– O que vai ser hoje, Tiffany? Chá ou gelo? – Indagou, de forma divertida, arrancando um riso tímido de Tiffany. Que pergunta mais estranha. Franzi o cenho em direção ao atendente.

– Hoje será diferente. Eu trouxe companhia. – Disse, se direcionando a mim. O atendente me olhou da cabeça aos pés, boquiaberto.

– Ela é o seu incentivo então? – Questionou, com o tom de voz surpreso. Incentivo para quê? Experimentar um novo sabor de chá? Tiffany me olhou de lado, parecendo acanhada com a indagação do funcionário.

– Isso mesmo. Hoje eu vou querer duas fichas. – Declarou, fazendo o atendente assentir animado em sua direção.

– Duas horas ou mais? – Indagou, digitando algo em uma registradora.

– Duas horas. Vamos começar aos poucos. – Disse-lhe, rindo soprado, fazendo o cara rir junto. Eu já não tentava mais entender e apenas observava o diálogo entre eles, aguardando qual seria o meu destino e no que eu seria de ajuda para Tiffany.

– Prontinho. – Ele lhe entregou dois cartões magnéticos, fazendo Tiffany entregar um a mim. Observei o cartão, mas não havia nenhuma informação nele, apenas o nome do lugar. – Boa sorte, Tiffany. E boa sorte, incentivo da Tiffany. – Declarou, de forma brincalhona, fazendo Tiffany lhe mostrar a língua. Acabei sorrindo para a interação daqueles dois.

Tiffany me puxou em direção a uma porta de madeira ao fundo do estabelecimento, fazendo-me arfar, espantada, com o que havia atrás dela.

Eu nunca poderia imaginar que houvesse um ringue de patinação no gelo no meio daquela cidade, ainda mais a céu aberto. Aquela pista era enorme, parecia ter aproximadamente o tamanho de dois campos de futebol. Onde nós estávamos era um extenso corredor que cercava toda a lateral do ringue, ladeado pelas grades da pista, aonde várias pessoas se apoiavam, por não saberem patinar no gelo, isso incluindo várias crianças e alguns adultos. Nesse corredor, haviam prateleiras com vários itens para patinação, incluindo patins de diversos tamanhos, joelheiras, cotoveleiras, capacetes e luvas. Ao lado da porta que atravessamos, havia uma casinha onde havia sinalizado em uma placa que lá ficavam os armários. Tiffany me puxou em direção aos patins.

– Escolha um do seu tamanho. – Ordenou-me, indo escolher o próprio. Peguei o primeiro que vi do meu tamanho, aguardando Tiffany escolher o dela. Assim que o escolheu, fomos em direção a casinha. Haviam bancos de madeira lá dentro e armários que eram trancados e destrancados pelo cartão magnético que havia nos sido entregue. Nos sentamos em um dos bancos, com Tiffany desamarrando rapidamente seus cadarços para alocar os patins.

– Você me deve uma explicação, Tiffany. – Declarei, observando ela levantar a cabeça e me olhar, suspirando logo em seguida.

– Eu não vou em uma pista de patinação desde aquele dia que te contei, Taeyeon. – Confessou, me fazendo arquejar diante de sua declaração. Ela não entrava no gelo desde que sua mãe havia assassinado aqueles jovens e sido presa, algo que fez parte de sua infância se perdeu totalmente após aquele fatídico dia.

– E por que eu sou seu incentivo? – Questionei, sentindo-me confusa sobre como eu seria de ajuda em um trauma tão grande para ela.

– Você é a única que sabe disso. Me sinto mais confiante de entrar se for com você, pois, com certeza, isso irá me trazer memórias ruins, e você seria capaz de entender. Apesar do trauma, eu sinto muita vontade de voltar a patinar, era algo que me fazia muito feliz. – Desabafou, soltando o ar pesadamente em seguida. Não consegui deixar de me sensibilizar por aquele momento de Tiffany, eu com certeza a ajudaria, se ela precisasse de mim para trazê-la de volta ao mundo real caso seu passado a envolvesse.

– Ainda bem que eu trouxe o colar, então. – Comentei, vendo ela sorrir em minha direção, enquanto direcionava o se olhar ao colar em meu pescoço. Apesar de ele ter sido o pivô da briga que eu tive com Jessica, ele seria de serventia naquele caso, pois Tiffany disse que se sentia feliz ao ver sua mãe lhe observar patinar e, naquele momento, eu trajava o elo entre ela e sua mãe.

Colocamos os patins, guardando nossos tênis em seguida dentro de um dos armários. Me lembrei de um detalhe que, talvez, fosse primordial que ela soubesse.

– Tiffany, só tem uma coisa… – Murmurei, vendo ela olhar-me de forma curiosa. – Eu não sei patinar. Nunca fiz isso na vida. – Declarei, de forma envergonhada, em sua direção.

– Oh… Isso só torna as coisas mais interessantes, bebê. – Disse-me, de forma divertida, fazendo-me olhá-la com o semblante amedrontado. Ela acabou por rir de minha reação. – Não se preocupe, estarei ao seu lado. Se você cair, pode me levar junto, eu deixo.

– Fico feliz que não vou pagar mico sozinha. – Exalei, aliviada, vendo ela me sorrir enquanto balançava a cabeça, em descrença.

Voltamos ao ringue, era difícil de se equilibrar com aqueles patins até fora dele, imagine no gelo. Chegamos ao portão de aço, onde haviam algumas pessoas o atravessando também, observando Tiffany olhar-me, com receio.

– Você quer que eu vá primeiro? – Ofereci-me, apesar de não saber andar no gelo, isso seria algo interessante de se ver. Já prevejo vários hematomas e risadas da parte de Tiffany.

– Por favor… – Ela pediu, hesitante. Assenti, respirando fundo, adentrando o ringue de forma vacilante e me segurando nas grades de apoio.

Aquilo realmente era escorregadio. Eu mal conseguia ficar firme, tremulando pelo gelo, mesmo me apoiando na grade. Olhei, de forma risonha e assustada para Tiffany, arrancando uma risada divertida de si.

– Jesus… – Ri, de forma nervosa, observando Tiffany tomar coragem para entrar no ringue para me ajudar.

Ela adentrou, incerta, o ringue de patinação, sentindo o gelo sob suas lâminas e parando de forma equilibrada sobre ele. Eu tinha inveja de seu equilíbrio naquele momento. Quando se recuperou, respirando com dificuldade, veio até mim, com um sorriso fraco e pegou minhas duas mãos, fazendo os meus patins dançarem no gelo. Me agarrei ao seu pescoço, ficando completamente dura e reta, para não correr o risco de cair, enquanto ela se divertia as minhas custas.

– Você precisa aprender a ter postura no gelo. Você tem que manter a coluna reta e os joelhos semiflexionados. Acha que consegue ficar em pé, sozinha, para eu te mostrar? – Orientou-me, soltando levemente meus braços em torno de si, até que tivéssemos apenas o contato de uma de nossas mãos.

– Faça isso rápido. – Decretei, soltando sua mão, com dúvida, enquanto observava ela dar leves risadinhas em minha direção. Não consegui deixar de rir também, eu me sentia ridícula.

– Certo, observe. – Ela ficou parada, com a postura para se andar no gelo e imediatamente tentei imitá-la. Me senti um pouco mais segura naquela posição, os patins pararam de tremular um pouco. – Mantenha-se assim sempre, ou a gravidade e o gelo escorregadio irão fazer o seu papel.

– Certo. – Obedeci, tentando me movimentar no gelo com aquela postura, mas ainda era difícil. Comecei a deslizar as lâminas de forma oscilante pela pista, me afastando levemente dela. Acabei por fazer uso de meus braços, balançando eles de forma desordenada, para recobrar o equilíbrio. Tiffany estava quase vindo até mim, mas consegui me firmar antes que ela me alcançasse.

– Sinto que terei minha dignidade ferida nesse gelo. – Retruquei, de forma emburrada, fazendo Tiffany rir soprado, enquanto vinha até mim e pegava uma de minhas mãos.

– Quando for patinar, tente jogar a parte de trás dos patins suavemente para frente, um pé de cada vez, como se estivesse varrendo alguma coisa para dentro do tapete, com a lateral dos pés para dentro, deslizando com os pés em um formato de triângulo. – Ela me mostrou os movimentos de seus patins, andando como uma espécie de marcha, puxando-me junto. Imitei sua forma de andar, realmente os patins deslizavam melhor dessa forma. – Viu? Já está conseguindo andar melhor. – Disse, soltando minha mão, fazendo-me sentir insegura pela falta de apoio.

Eu já conseguia me equilibrar melhor, mas eu ainda tremulava sobre o gelo. Acho que isso exigiria prática de minha parte. Pelo menos, eu não tinha caído até o momento.

– Tente andar até onde aquela criança está. – Ela apontou para uma criança que segurava a grade, enquanto tentava se equilibrar, à uns 15 metros afastada de nós. Assenti, hesitante, passando a me movimentar sobre o gelo.

Eu tentava sempre jogar os patins com a parte de trás da lâmina, mas, por vezes, eu acabava fazendo o movimento errado e meus patins dançavam, oscilantes. Era complicado manter a postura reta, pois eu frequentemente tinha o impulso de jogar a coluna para frente e para trás, tentando manter o equilíbrio de minha própria forma, mas eu já havia entendido que manter a coluna daquela forma era o melhor. Cheguei até o menino, entre tropeços, sentindo-me vitoriosa e sorrindo de forma animada para Tiffany. Ela retribuiu o sorriso, colocando as mãos na cintura.

– Agora, volte para mim. – Ordenou, fazendo-me assentir, enquanto tentava marchar até ela.

– Eu estou parecendo uma doida. – Reclamei, enquanto meu corpo parecia ter um acesso demoníaco naquele momento, de tanto que eu me debatia. Nesse momento, passou uma criança por mim, deslizando no gelo com maestria, enquanto encontrava sua mãe mais a frente. – Humilhação. – Exalei, emburrada, fazendo Tiffany gargalhar, enquanto observava o menino talentoso também.

– Finja que está fazendo uma coreografia. – Sugeriu, olhando-me de forma divertida. Levantei uma sobrancelha para ela.

– Que tal Bye Bye Bye? – Tentei imitar os movimentos de Justin Timberlake no gelo, de forma totalmente desengonçada, fazendo Tiffany gargalhar ainda mais.

– Tão charmosa quanto o Justin. – Debochou, dando leves palminhas para a minha dancinha desajeitada. Pelo menos, ela estava se divertindo. Confesso que eu estava também, apesar de ser extremamente cansativo ficar me debatendo desse jeito.

– Você ainda não me agraciou com uma performance sua. – Comentei, vendo ela me olhar, de forma surpresa. – Foi pra isso que viemos, certo? Para você redescobrir a patinação.

Ela respirou fundo, olhando para um ponto fixo no gelo, parecendo entrar em devaneios. Fui até ela, de forma oscilante, pegando em sua cintura, fazendo ela despertar de seus pensamentos e deixei um beijo em sua bochecha.

– Vá lá. Quero ver você deslizar por toda essa pista. – Incentivei, vendo ela assentir para mim, com receio.

– Mas depois você vem comigo. – Decretou, intimando-me. Dei um sorriso amarelo para ela.

– Se você não se importar em arrastar alguém ao seu lado sem nenhum senso de equilíbrio. – Dei de ombros, olhando para seus patins. – Mas eu quero ver o seu potencial sem eu para te atrapalhar.

– Ok… – Murmurou, incerta, se afastando de meu corpo e soltando nossas mãos.

Ela virou-se de costas, deslizando no gelo lentamente, como que para testar o terreno. Ela fazia isso com naturalidade, como se seus pés fizessem parte do gelo. Ela deveria ter sentido muita falta de deslizar sobre eles, pois, apesar de seu semblante pesaroso, eu podia enxergar em seus olhos a criança que pareca esfuziante em poder andar no gelo outra vez.

Passou a se movimentar de forma mais rápida, com passadas mais largas, demonstrando todo o seu potencial no gelo, seu desempenho chamou a atenção até de algumas crianças ao redor. Sua postura era a de uma patinadora profissional. Não era a toa que a mãe de Tiffany queria que ela participasse de olimpíadas. Observei-a desbravando toda a extensão da pista, seus patins deslizando com facilidade, em movimentos graciosos e elegantes. Em uma das curvas pela pista, ela testou um salto no gelo, apoiando seu corpo sobre o pé esquerdo e girando, com a ajuda da serrilha de seus patins e tomando o impulso para dar uma pirueta no ar, aterrissando de forma delicada e harmoniosa. Não consegui deixar de olhar de forma admirada para ela, era muito bonito de se ver.

Ela parecia genuinamente feliz após o salto, procurando o meu olhar à distância. Sorri de forma animada para ela, vendo ela vir em minha direção, com um sorriso enorme. Nesse momento, eu representava o papel de sua mãe no gelo, observando-a de longe.

Assim que se aproximou, ela se chocou contra mim, dando-me um abraço de urso e fazendo-me desequilibrar e cair, levando-a junto para o gelo. Não consegui deixar de gargalhar com aquilo, apesar da dor em meu bumbum. Tiffany caiu por cima de mim, rindo de minha risada e de minha careta de dor.

– Você é fofinha de se cair, Tae. – Declarou, de forma divertida, deixando um selinho demorado em meus lábios. Era agradável sentir o contato da boca de Tiffany na minha, ainda mais em um momento tão descontraído. Assim que se afastou, esfreguei a ponta de meu nariz por seu rosto, fazendo ela me olhar de forma emburrada e franzir o cenho, tentando se afastar de meu ataque.

– O seu nariz está gelado, Tae! – Reclamou, rindo de leve de meu ato bobo. Cessei meus ataques, deixando um beijo na ponta de seu nariz.

– Agora você vai ter que me ensinar a levantar no gelo, porque eu não faço ideia de como se faz isso. – Declarei, com um sorriso amarelo, enquanto observava ela balançar a cabeça em descrença, com um semblante divertido.

– Certo. – Ela se afastou de mim, ficando a minha frente. – É muito simples. Você vai usar um dos joelhos, se apoiando nele e apoiando uma das lâminas à sua frente. Use as duas mãos para se apoiar no joelho da lâmina que está apoiada no chão e dê impulso com a outra perna em que o joelho está no chão. – Ela demonstrou sua forma de se levantar e eu a imitei, sem nenhum problema em conseguir me manter em pé. Ainda bem que existia uma técnica eficaz e sem erro de se levantar no gelo.

Voltamos a patinar, dessa vez, eu fazia companhia a Tiffany, enquanto ela abraçava-me pela cintura e tentava me fazer deslizar de forma mais delicada sobre o gelo. Eu estava me divertindo de verdade ao seu lado e era ótimo conhecer mais uma das facetas de Tiffany: A Tiffany criança, que sente falta de sua infância interrompida por acontecimentos trágicos. Era ótimo ver a alegria em seu olhar e eu me sentia bem por ter sido o incentivo para que Tiffany voltasse a fazer algo que lhe trazia tanta felicidade quando criança.

Duas horas passaram-se rapidinho dentro daquele ringue, era uma atividade muito divertida de se fazer e eu esperava que Tiffany pudesse me levar mais vezes lá. E que jamais desistisse de seu sonho de abrir um ringue de patinação, pois ela seria verdadeiramente feliz administrando um, assim como sua mãe o fez.

Estávamos prestes a sair do ringue, quando ouço alguém chamar meu nome.

– Tae? – Virei-me para trás, ao som de meu nome, dando de cara com alguém que eu não esperava encontrar naquele ringue.

Era Krystal, acompanhada de uma de suas amigas que eu já tinha conhecido na casa de Jessica. A forma como ela me olhava era receosa, diversificando o olhar entre eu e Tiffany. Se ela estava ali há algum tempo, ela já teria me visto e provavelmente viu a minha interação com Tiffany, interação essa que incluía muito contato corporal e beijos roubados, já que não estávamos preocupadas em esconder nada de ninguém ali, por não esperarmos encontrar alguém conhecido.

Senti meu corpo gelar, mais do que ele já estava gelado devido ao ambiente frio, enquanto Tiffany me olhava de forma questionadora. Parecia ser o universo conspirando contra mim ao colocar a irmã de minha namorada no mesmo ambiente em que eu me divertia livremente com Tiffany. Respirei fundo, tentando pensar de forma coesa e procurando em minha mente algum argumento que eu pudesse usar com minha cunhada.

 

Ou, ex-cunhada…

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Vai uma psicopata fofinha no gelo aí? hehe


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