História Psychodelic Heroine - Capítulo 20


Escrita por: e M83_

Postado
Categorias Alice Nine, The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Reita, Ruki, Saga, Uruha
Tags Assalto, Crime, Drogas, Políamor, Reituki, Saga, Sakamoto Takashi, Softness And Insanity
Visualizações 38
Palavras 9.594
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Lemon, Policial, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi é a Psy, chegamos ao capítulo que eu pelo menos estava esperando muito.
Boa leitura, hehehe.

Capítulo 20 - Último grão da ampulheta.


Fanfic / Fanfiction Psychodelic Heroine - Capítulo 20 - Último grão da ampulheta.

Frio. Dias cinzentos e a aproximação do aniversário de Takanori no mês seguinte em uma metrópole onde tudo parecia gelar a espinha. O jatinho pousou as 20h na pista de pouso particular em Osaka e depois do percurso até a casa em que viviam, agora novamente as paredes e lustres e todos os empregados de sempre. Toshyia parecia bem, o rosto não tão pálido e Akira soube que sua melhora se devia a sua ausência. Sorriu de canto, amargo, pois em Tokyo havia novamente espaço para sorrisos amargos, casacos muito grossos, tensão e uma estúpida subida desesperada a um topo que não havia mais onde subir.

Sorriu amargo porque até mesmo a mais servil cozinheira da casa parecia recuperada como se ela quem acabasse de voltar de Veneza.

Akira sabia que os apavorava e já não sabia se gostava tanto disso.

"Estou ficando velho", reclamou mais cedo no avião sobre o voo, para piadas de Saga, mas o que queria dizer era que estava cansado.

Cansado das drogas, cansado do topo, cansado até mesmo das luzes de neon e cansado de ser um rei porém escravo de substâncias químicas.

Gostaria de ter batido o pé, não se deixado levar por um plano suicida, juntado todas as coisas quando havia tempo e parado junto dos dois, mas era tarde, tão tarde que sua maturidade precoce soava cruel e irônica.

Sua rainha, inteligente, tão, tão inteligente e com conteúdo que não se limitava a sexo, confiável e determinado embora não passasse de uma criança, desfilava ao seu lado no palácio comprado com adrenalina, sangue e suor.

Do outro lado, seu rei; altruísta, fiel, com uma personalidade de bandido e uma alma de menino, tão digno de ser admirado vinha acompanhando para o interior da casa.

Akira passou pelos empregados com curtas mesuras.

- Enfim lar doce lar. - Akira disse respirando fundo.

O frio seco e cortante de Tokyo novamente ardia na pálida face da rainha de diamantes, fazendo com que seus cabelos louros ricocheteassem entre as bochechas. Os olhos verdes devido as lentes de contato olhavam sem uma mínima emoção para o grande palácio onde habitavam. O tigre branco, bem alimentado e genuinamente poderoso estava solto na sala, soltou um rosnado ao vê-los e partiu em direção a Takanori chocando a grande cabeça em sua barriga.

Naquelas horas parecia apenas um gato enorme.

Takanori não estava feliz por ter voltado, a verdade era que se pudesse, passaria o resto de seus dias lá em Veneza tendo a companhia de seus reis num quarto feito para realeza.

De súbito, o desejo pelo reconhecimento já não era tão voraz, algo em seu peito lhe dizia que tudo bastava agora era a calmaria.

"Nós nos bastamos."

As mãos pequenas se perderam na pelagem macia do grande tigre.

- Estou cansado. - murmurou ele.

Saga o olhou, compreensivo. Estava cansado também, não da viagem, de tudo, mas quando encarava Akira, havia uma indecisão. Como se não houvesse mais esperança.

Aquilo tinha que mudar.

- Vamos dormir um pouco...

- Não posso. - Akira disse subindo as escadas. - O material chegou.

Takanori passou as mãos cheias de anéis e unhas perfeitas pelos olhos e suspirou cansado.

- Eu vou pra sala de computadores, dar os toques finais no plano. - disse, também subindo as escadas e indo ao lado oposto de Akira.

Voltaram ao frio de Tokyo.

Saga parou no meio do corredor e estralou os lábios frustrado.

- Que saco. Porque hoje? Chegamos agora... Amanhã os dois fazem essa porra!

Akira se virou a ele e suspirou fitando Takanori.

- Quer deixar pra amanhã?

Takanori parou no meio do corredor, de costas para os dois e concordou com um aceno de cabeça.

- Quero dormir. - murmurou.

Akira apressou o passo e abraçou Takanori pelas costas depositando o queixo em seu ombro.

- Podemos ser os mesmos lá de Veneza, não fiquem assim...

Saga respirou fundo e enfim disse o que estava entalado.

- Podemos parar.

Takanori se voltou a Saga, os olhos já vermelhos brotavam pequena lágrimas cujo ameaçavam correr pela pele leitosa, borrando a maquiagem.

- Somos um trem desgovernado indo em direção a um abismo. Não dá pra parar.

Saga respirou profundamente, Akira compactuava com aquilo agora, fingindo que estava tudo bem. Passou pelos dois em silêncio e abriu as portas duplas do quarto.

- Vocês me ensinaram que nada é impossível. - gemeu tirando a roupa e indo em direção ao banheiro. - A gente pode qualquer coisa, até parar.

Akira respirou fundo e olhou para o teto.

- Vai pro banho, vem dormir, amanhã você tá bem.

Takanori observou Saga entrar no banheiro, deixando a porta entreaberta onde era possível vê-lo tirar as roupas.

Se sentou na cama, tirou o casaco e passou a tirar as botas de salto alto.

Xeque.

Respirou fundo e fechou os olhos, sentindo uma estranha onda de frio tomar seu corpo.

Saga caído no chão ensanguentado.

Xeque.

O estômago embrulhou, o corpo gelado de Akira caído em qualquer lugar, o nariz sangrando e de sua boca vômito fresco.

Xeque mate.

A rainha capturada.

Acabou.

A ampulheta estava chegando ao fim.

Takanori puxou as mãos de Akira com força, chamando sua atenção e o olho de forma quase suplicante.

- Me da um baque.

Akira tocou seu rosto e beijou seus lábios. Foi até a gaveta das drogas, tirando a colher, o pó e após dissolver o líquido procurou a veia do braço alvo de Takanori.

Injetou ali enquanto beijava sua outra mão.

- Deita um pouquinho, amor. Eu já volto, tá? Vou tomar um baque com você quando voltar.

Takanori acenou e se deitou de lado, com os braços para fora da cama, já sentindo o corpo inteiro amolecer.

Fechou os olhos.

Saga estava com as duas mãos contra a parede e a cabeça em baixo da água.

Pense.

Pense.

Precisava salva-los, precisava salva-los deles mesmos.

Nós somos vítimas de nós mesmos no final de tudo.

Akira cobriu Takanori e deixou um beijo em seu rosto. Se ergueu suspirando rumo ao banheiro onde entrou jogando a agulha fora. Tirou a camisa e a calça e entrou no box com Saga o olhando fixamente.

- Está assustando ele com esse papo chato de parar.

Saga tirou a cabeça do chuveiro e encarou Akira.

- Eu não estou assustando, é uma realidade Akira. Você quer morrer? Eu não quero, o Taka também não quer. Nós podemos parar sim!

- Engraçado, quando eu não queria e você foi o primeiro a vir com "vamos aproveitar, que se foda amanhã" aí quando eu aceito, começa com essa putice. - desviou o olhar dele com desdém e entrou nos jatos do chuveiro da parede oposta.

Takashi puxou seu braço, fazendo-o com que o olhasse.

- Eu não quero mais perder vocês! Porra, da pra entender?

Estralou os lábios e concordou indo em sua direção e se inclinando em busca de seu queixo onde beijou.

- Me escuta, olha aqui... - disse suavemente distribuindo beijos por seu rosto. - Vamos fazer esse e acabou, o que acha? Acabou... Vamos parar com essa loucura toda, só nós três... Quer isso? O Taka pra sempre com nós dois...

- Com nós dois... - Saga concordou, apertando seus braços. - Nós três aqui e acabou tudo.

Sorriu minimamente acenando a cabeça.

- Vamos os dois cuidar do Taka e eu vou cuidar de você também. Vai ser tudo diferente, você pode ver? - riu baixinho. - Caretice, a gente chegando aos trinta.

- Você quer isso, amor? - segurou seu rosto com as duas mãos e beijou seu queixo.

- Eu quero. - contornou o corpo de Saga com o braço e o abraçou com carinho. - Eu quero muito. Você quer? Passar dos 23?

- Pra quem achava que não ia chegar nos 20, isso tá perfeito.

Riu e beijou seu rosto de modo estralado.

- Vamos convencer o Taka. - puxou a toalha e desligou o chuveiro. - Vamos fazer aquele nanico se cuidar, não vamos?

Saga riu e assim que entrou na quarto suspirou.

- Deu um baque nele?

- Ele pediu... - disse sem graça e apertou os dentes em uma expressão de quem fez algo errado. - Eu prometi tomar uma também... Até o assalto não tem problema, né?

- Não tem. - negou. - eu quero um também. Acho que minha cabeça vai explodir se continuar são assim.

Suspirou e olhou aquele montinho enrolado nas cobertas. Parecia tão inofensivo.

- Notou que... A gente quase não precisou de droga em Veneza?

Akira vestia a cueca olhando para Takanori dormindo e acenou a cabeça, indo até a cômoda e tirando uma seringa.

- Acho que a gente tava feliz... Eu fiquei até duro. - o olhou. - Se importa de dividir a seringa?

- A gente podia morar lá né... Quando acaba isso tudo. - sentou-se na cama, assentindo sobre dividir a seringa. - Aquele lugar me trás uma nostalgia gostosa...

- É bacana, né? - sorriu e puxou seu braço. - Vamos aprender a falar italiano. A gente vai transar o dia todo!

Riu com a ideia e achou sua veia com um sorriso sonhador, colocando a agulha ali e puxando o sangue, logo injetando.

- Não é engraçado como a vida tirou com a cara da gente? Primeiro a gente tava no meio da lama, afundado, sem perspectiva de nada... E agora a gente tá aqui... Nós temos tudo, tudo ao nosso alcance... E acho desesperador porque... Não era legal quando a gente só sonhava e tinha um limite? Agora não tem mais... E tudo perde a graça. - levantou os olhos e fitou Akira. - tô com saudade de sentir o frio na barriga por ansiedade de algo.

Akira sabia sobre o que ele falava. Ele queria estar vivo novamente, queria sentir, queria ter algo para esperar.

- Eu sei, amor. - retirou a seringa de seu braço e bateu no próprio braço, preparou uma dose pra si e colocou a agulha com precisão na veia. - Eu vou fazer vocês sentirem vivos de novo, tá bom? A gente não vai mais sentir essa merda, toda vez que vem frustração usamos droga ou... - fechou os olhos com o prazer da droga, gemendo baixo. - A gente vai ficar limpo...

Arrancou a seringa e se deixou afundar na cama macia, puxando Takanori contra si. - Vem amor, vem cá...

Saga se deitou, procurando as costas de Akira e se encolheu ali.

Era isso. Ficar limpo e voltar a sentir as sensações, sentir os sabores, os aromas.

Sentir a vida penetrando seu corpo.

***

Era o grande dia. O último dia, o dia especial de despedida daquela vida e para se despedir Akira usou o máximo de cocaína que podia, ficando completamente atento.

Usava máscara de couro preta, os olhos com lentes claras contrastando com a maquiagem preta nos olhos.

Os cabelos louros se projetando armados para frente enquanto vestia camisa branca, impecável e fraque preto, com gravata da mesma cor, de cetim.

O carro tinha uma tensão, como principiantes mas agora havia uma razão; medo.

Medo da morte pois a vida estava bem ali, diante eles.

Akira fungou e sorriu.

- Eu tô animado de mais.

Takanori estava com os cabelos soltos. O terno preto contrastava com a camisa branca e a gravata fina. Estava usando botas discretas de salto médio e uma calça justa. Sentou no banco de trás, para ter mais espaço com seus computadores.

Takashi estava no banco da frente e preparava a terceira carreira de cocaína.

Estava com o corpo inteiro tenso. Tal como ambos, usava terno e gravata também.

- Parece que estamos indo pra porra de um enterro. - Gemeu baixo, após jogar a cabeça para trás e soltar um suspiro pela droga.

Akira sentiu um arrepio pelo corpo todo ao ouvir aquilo e acelerou o carro. Não queria ter ficado tenso, mas ficou.

Arrumou a gravata e respirou fundo.

- E vamos pra um enterro, mas tudo o que vamos enterrar é essa vida.

- Ta tudo pronto. Já desativei a segurança de lá, agora só chegar e entrar. - Takanori disse, enquanto abria uma barrinha de cereal. - Poderia rolar uma troca de tiros. Quero adrenalina!

- Se você quiser a gente mata todo mundo da polícia, amor. - Akira disse se inclinando e aspirando a cocaína nas costas da mão de Saga. - A gente faz tudo que você quiser pra se despedir.

Takanori riu e mordeu os lábios. Se inclinou para aspirar uma carreira que Saga também lhe ofereceu. Limpou o nariz em seguida, respirando fundo e fungando.

- Vai ser a melhor despedida.

Akira se concentrou no volante enquanto apertava até seus dedos perderem toda a cor, trincou os dentes olhando pelo retrovisor a van preta que os seguia com os homens armados.

O banco já estava a sua frente e quando parou os pneus cantaram.

Respirou fundo três vezes e olhou para os dois.

- Vamos acabar com isso.

Takanori terminou de engolir a barrinha de cereal e puxou a Glock do coldre.

Xeque.

Respirou fundo. Era isso. Iam acabar com os peões e parar de vez.

Saga pegou a Ak 47 e engatilhou, passando as mãos pelos cabelos e suspirando fundo.

- Vamos logo.

Abriu a porta do carro e colocou os pés para fora, tendo Takanori feito o mesmo.

Akira saiu por último empunhando o Rifle de Assalto Heckler and Koch HK416. Andaram rapidamente até a entrada onde juntos abriram as portas.

Um dos guardas tateou o coldre mas recebeu a coronha de Saga no queixo enquanto Akira andava calmamente pelo amplo salão.

Takanori atirou nas três câmeras de segurança. Caminhou ao lado de Akira com o celular na mão onde havia o mapa.

- O cofre fica no final do corredor. Tem leitor de retina. Precisamos do gerente. Na verdade só do olho dele. - abriu um sorriso cruel.

Do outro lado da rua, Kouyou estava apaisana apenas observando a movimentação e quando viu o Porsche preto parando na frente do banco de Hiroshima foi a sua deixa. Chamou reforços e eles já cercavam metade da rua.

Depois de muito implorar, o gerente agora chorava sendo arrastado pela gola pelo corredor.

- Seu dia de sorte, 'paisano'. - Akira disse rindo - É assim que se chama lá em Veneza. Vai ficar com seus dois malditos olhos.

Saga ficou para trás, empunhando a arma e olhando a movimentação dos reféns.

Takanori foi com Akira até o cofre principal juntamente com mais três de seus homens.

O gerente liberou o cofre e Takanori foi direto aos compartimentos de joias, ao mesmo tempo em que os homens colocavam o dinheiro nos sacos.

Saga agrupou todos os reféns junto ao balcão, os outros homens circulavam entre eles, mas quando ouviu aquele som, o som da morte que soava como uma sirene, gelou por dentro e abriu os lábios.

- Aí meu caralho... Não... - gemeu.

Os outros homens o olharam rápidos, esperando ordens e Saga acendeu um cigarro.

Aspirou calmamente.

Xeque.

Expirou.

Xeque.

- Vocês estão cercados! Sabemos que tem reféns! Se rendam e prometemos não haver violência. - disse a voz pelo megafone.

Saga sentiu o corpo banhado das luzes azuis e vermelhas dos carros policiais e fez um gesto.

Xeque.

- Abortar. - gemeu e pegou o walktalk - Garotos...

— O alvo é o lourinho! – Kouyou gritou para os três homens cujo mantinham as armas apontadas para a porta. – Vão atirar sem piedade!

Takanori estava com o fone de ouvido quando ouviu a voz de Saga, parou de pegar o dinheiro e encarou Akira, engolindo em seco.

— Reita... –uma poderosa onda de medo o acertou violentamente. – Abortar.

O olhou rapidamente e deixou a mala de dinheiro que carregava no chão. Pegou a mão de Takanori e correu em direção a entrada.

- Vamos pegar o Saga...

Os primeiros tiros foram escutados e Akira apertou com força a mão de Takanori, ouviu seus ossos estralando, mas o pavor se apoderou dele.

- Meu Deus, ele ta lá! - ergueu a arma e correu para onde vinham os tiros.

Os homens invadiram, era uma operação descabida, não visavam os reféns, sequer negociaram apenas invadiram.

Saga estava trocando o pente da arma atrás do pilar, o coração aos pulos. Arfou e cerrou os olhos enquanto a polícia atirava, esperando uma deixa para retribuir.

Takanori entrou no grande salão atirando, acertou o braço de um policial que caiu no chão gemendo. Viu Kouyou correndo entre um pilar e outro e assim que seus olhos cruzaram com os de Takanori, um sorriso macabro nasceu ali.

Era ele. Era aquela coisinha minúscula que era o cérebro, sem ele os dois eram apenas palermas. O policial correu até um dos pilares, trocou o pente da 9mm e apontou para Takanori.

Saga sentiu o suor correr quente pela testa, pelo pescoço e por dentro da camisa. Droga, aquilo tudo estava muito errado. Tombou a cabeça para o lado e avistou Akira com as costas grudadas contra um pilar trocando tiros com um policial. Foi então que viu Takanori também entre um pilar e arma de Kouyou apontada diretamente a ele.

Não.

Saiu correndo, sem medir os passos, sem medir o barulho que fazia e como em câmera lenta se jogou na frente de Ruki, recebendo no peito o tiro que atingiria a cabeça de Takanori. De repente todos os sons desapareceram, não havia mais os baques surdos das armas, nem mesmo os passos apressados contra o chão liso.

Takashi ficou de pé e tombou a cabeça para frente, puxando uma longa e profunda respiração ao sentir a bala ardendo em sua carne, não era exatamente, dor, era uma forte ardência. Logo os primeiros pingos de sangue caíram no chão.

Takanori gritou o nome de Saga e depois sentiu a visão turvar.

Akira virou-se e ouviu Takanori. Seu coração parou. Ergueu a arma na altura dos ombros e atirou. Avançou cegamente entre os estilhaços e viu Kouyou correndo para a saída, trocando tiros com os outros.

Estavam matando os reféns, devido a isso recuaram um pouco.

Akira se atirou no chão atrás do pilar e viu aquela cena que o fez sentir a respiração falhando.

Saga estava pálido, um sorrisinho brando em seus lábios enquanto olhava o sangue lavando a camisa branca.

Takanori estava agarrado a ele, em choque.

- Não... Não, não, não, não! - gemeu comprimindo o buraco da bala. - Cadê seu colete? Cadê seu colete? Cadê... Cadê... Taka!

As mãos de Takanori estavam sujas de sangue.

Xeque.

Apertou junto com Akira o buraco daquela bala idiota, então, sentia as lágrimas embaçando seus olhos.

— Vão embora... – Saga suspirou fraco. – Sumam da aqui...

— A gente não vai te deixar aqui! – Takanori balbuciou, ainda tentando estancar o sangue e encarou perdido.

Foi quando veio uma saraivada balas sabe-se-lá de onde, fazendo com que ambos, se abaixassem.

— Vão agora! – Saga gritou.

O último grão de areia atravessou a ampulheta.

Acabou o tempo.

Akira sentiu novamente como era ser um garoto sozinho a noite, todas as mentiras que contou, todas sendo lavadas. Não era um menino cheio de marra dormindo em um prédio abandonado, mas uma criança faminta, que chorava todas as noites agarrado nas pernas, onze anos e segurando uma arma. As luzes neon não eram mais símbolo de poder como contava, mas símbolo da área onde garotos mais velhos podiam o matar e roubar a droga que transportava.

Sentiu às lágrimas correndo finalmente em meio a soluços.

- A gente vai te levar junto... - encolheu-se quando sentiu uma bala de raspão atingir seu braço. - Vem, vamos sair juntos...

Xeque.

Takanori se levantou e naquele mesmo instante uma bala acertou sua bota, perfurando ali e o fazendo cair no chão.

- Caralho da pra vocês se salvarem?! - Saga gritou, apertando o buraco em seu peito. - Sumam daqui, sumam logo! Se salvem, porra! - arfou usando todo o resto de força que tinha. – Você prometeu, Akira!

Akira encarou Takanori e fungou, havia prometido a Saga. Naquele banheiro de casa, os três juntos na névoa de horror que os sufocava, abraçados, prometeu.

Se desse errado devia o deixar.

Segurou a roupa de Saga e inclinou-se colando os lábios aos dele.

- Eu vou salvar o Taka... - gemeu e encostou a testa a dele. - Eu te amo, Coala-san...

- Eu amo vocês dois. - Saga gemeu e apertou a mão de Takanori. - eu amo vocês dois. - repetiu.

Takanori não queria olhar, não queria. Apertou os olhos com força, o coração não havia sido atingido por uma bala mas sangrava como tal. A mão de Saga estava fria, sem dizer nada, sem dizer absolutamente nada, Takanori puxou sua mão da de Akira e se arrastou para perto de Saga.

- Eu te amo Saga-chi. - disse baixo. Desejava que ele tivesse ouvido.

Akira o puxou, doía Takanori não o soltar, doía a ponto de não saber sequer mais como respirar. Arrancou as mãos dele de Saga e rastejou puxando Takanori consigo para trás do balcão.

- Chefe! Os fundos! - alguém gritou.

Não estava mais no mundo real, mas não era a droga, era horror. Horror que sequer o entorpecente podia amenizar.

Saíram para a segurança do corredor.

Saga estava morto.

Xeque.

A ampulheta havia acabado, apenas dois grãos de areia restavam.

- Meu Deus... - seus lábios arfavam sem parar. - Meu Deus, não...

Não via nada, apenas a culpa, o corredor, o corredor, um labirinto, mãos que o guiavam para dentro de uma van.

Estava em choque, era um covarde, sabia que era.

- Eu deixei ele pra morrer. - disse seriamente. - Eu prometi deixar... Deixei.

Takanori não ouvia nada. Apenas a própria respiração. Respire, expire, respire. Expire.

Xeque.

Aquele silêncio é o fôlego que se toma antes de mergulho.

Entrou no banco de trás do carro, mas não sentiu quem o jogou ali dentro. Pois não parava de olhar para o banco. Onde deixou o corpo ali.

O corpo de Saga.

Ele nem teria um enterro descente.

Não. Não.

- Akira... - Takanori abriu a boca e engoliu em seco. - O que a gente fez...? - uma lágrima solitária rolou pela face.

Akira abanou a cabeça olhando as mãos trêmulas, cobertas de sangue. O sangue de Saga.

Seus olhos se abriram e arrancou a máscara, abriu a camisa em busca por ar enquanto a van corria pela avenida.

O sangue, o sangue de Saga.

Saga nunca mais iria voltar, nunca mais.

"Para de viadagem"

Cobriu o rosto com as mãos ensanguentadas.

"Eu vou com vocês até o fim"

Respirou cada vez mais acelerado.

"Eu te amo pra caralho"

- A gente... Cumpriu a promessa...

Coala-san.

Takanori ofegou, sentindo o corpo fraquejar e a visão tornou-se turva. Não era hora de sua doença querer fazer gracinha.

Deitou a cabeça no ombro de Akira. E sentiu um vazio horrível. Mais lágrimas ganharam sua face.

"Eu tô com vocês."

- A gente... - disse falho. - deixou ele lá...

Akira o apertou contra si, trêmulo, aquilo tinha que ser um pesadelo.

Um horrível pesadelo que o faria acordar e cancelar aquela maldita operação, ir pra Veneza com eles e nunca mais ser vistos.

Era sua culpa, ele insistiu. Akira tinha ciência disso.

- Eu queria te salvar... Eu prometi... - soluçou contra seu ombro. - Eu não aguento, Taka... Achei que ia aguentar, mas eu não aguento!

Takanori fechou os olhos.

Deixaram ele lá. Deixaram ele lá no sozinho. Largaram o coala-san-cara-de-kinguio-john.

Largaram o Takashi.

Apertou os olhos e a barra da blusa de Akira.

- eu tô me sentindo mal...

Akira pegou seu rosto entre as mãos, o encarando com desespero.

- Taka! Taka, não me deixa sozinho! - abraçou-o desesperadamente. - Por favor... O que eu faço com você? O que?

Viu sangue, mas era de seu próprio braço. O tateou a procura de buracos de bala, mas seus olhos o enganavam.

- O que eu faço? - levou as mãos aos cabelos.

Takanori apenas negou, deitando a cabeça em seu peito.

- Vamos pra casa Rei-chan... Eu quero um baque.

Assentiu, olhando pela janela as ruas ficando para trás e fungou.

- Pra mim chega de roubos, de topo, dessa merda toda... Eu só quero me drogar... - disse sem emoções.

A van entrou em silêncio sepulcral.

"Parece que estamos indo pra porra de um enterro".

Fechou os olhos com força.

A van chacoalhava, mas Takanori já não sentia nada. E assim que ela parou dentro da garagem da mansão, Takanori se arrastou pelas paredes a procura do quarto. Uma bala havia acertado seu pé de raspão, agora aquela merda nunca mais ia parar de sangrar.

Akira ouvia os cochichos dos homens consigo. Deixou Takanori enquanto olhava a forma que Toshyia parecia a qualquer minuto desabar, sabia que Die não estava na van e imaginou que era por tal razão.

Akira andou trêmulo pelo estacionamento e criou coragem para falar.

- Mandem achar o Kouyou. Eu quero ele morto, quero ele morto até amanhã. - disse sem emoções e trambalhou pela casa até o quarto.

Não tinha coragem de olhar para Takanori, não queria o olhar.

Se atirou no chão sentado e em seguida se deitou ali enquanto preparava de bruços uma dose de heroína.

- Meu primeiro baque ele quem me deu... - sussurrou. - Eu deitei a cabeça no ombro dele... O perfume era bom.

Takanori olhava para a seringa com heroína e a seringa com insulina. Qual delas valia a pena? Se jogou no chão, com o rosto enfiado no tapete.

Não queria mais nada, não queria mais absolutamente nada.

Akira o encarou e sentiu soluços saltando de seus lábios.

Estavam incompletos agora.

- Me perdoa...

Ruki o olhou sem demonstrar emoções e procurou se aninhar ao seu lado.

- Eu não quero mais Rei-chan...

Akira respirou fundo e concordou.

- É o fim, Taka. O próximo vai ser você. - disse tocando seu braço com carinho. - Eu sei que vai... Você vai morrer em breve, não vai nem doer. Nada mais vai doer porque no topo não há mais dor. Não há mais nada. - fungou enfiando a agulha em sua veia. - Eu vou depois.

Abriu a boca e gemeu baixo pela droga entrando em suas veias.

Não tinha mais prazer.

- Eu não quero mais morrer.

— Oque? — sua respiração passou a se acelerar, aquele choro patético que ocultou por anos retornando, abanou a cabeça. — Eu não posso mais, Takanori... Eu não consigo, eu não sou forte quanto imaginava... O que eu vou fazer agora?

- eu não sei o que a gente pode fazer agora... Não sei mais de nada. - jogou o corpo para o lado fechou os olhos.

Não sabia mais de nada. Apenas que não queria ficar mais naquele mundo. Não queria mais casaco de peles, não queria topo, não era mais nada.

Queria o Akira e o Takashi de novo.

Akira se arrastou para longe de Takanori e encolheu-se junto a parede. Antes, imaginava que teria forças para aquilo, mas não tinha. Era apenas um moleque medroso, apenas um maldito moleque sem nada que agora perdia algo muito mais importante que tudo que conquistou. Quando foi que não percebeu que toda a euforia do topo não era o dinheiro, mas sim a relação dos três que crescia diariamente? Agora sentado no chão, absorvendo um pouco mais da dor, pois era merecedor dela, não deveria ainda se jogar em dormência como Takanori, pois ele quem os havia guiado para aquilo. Ele era o culpado. Ninguém mais. Arfou pesado e fechou os olhos sentindo o rosto encharcado de lágrimas. Os telefones não paravam de tocar, não queria atender nenhum, não queria ter de olhar para no wallpaper o rosto sorridente e espontâneo das duas pessoas que amava e que viu dirigirem para a ruina e ele nada fez. Podia ter feito, podia ter deixado tudo para trás há muito tempo e ainda estariam bem, mas agora... Agora a morte de Takashi ficaria gravada em sua alma como uma tatuagem maldita de sua incompetência, sua fraqueza e sobretudo, de covardia. Sorriu, pois nada mais o impedia de sorrir em meio ás lagrimas. Acabou, se Takanori queria viver, poderia, gostaria que vivesse, mas Akira sabia que agora estava finalmente se entregando totalmente á sua quarta amante. Sua nova e única amante e ela iria dar o que ele merecia, uma morte lenta, suave, prazerosa e fria. Injetou com ódio, puxando o sangue, ele se mesclando á heroína, sendo sugado pelo seu organismo novamente e então, o entorpecimento. Apenas o entorpecimento. Jogou-se no tapete e encarou o lustre no teto. Não precisava de lustres, nem de neon, agora era novamente ele sozinho dentro de si, sem Takanori, sem Saga, sem ninguém mais. Estava entregue a droga, casado com ela, ela que fizesse bom proveito. Ela o tinha.

***

Talvez aquele fosse o terceiro dia. Ou quem sabe o quinto mês, oitavo ano. Não sabia mais. Não sabia mais em que dia estavam, apenas sabia que o lugar onde estava deitado fedia a vômito. O corpo fedia a vômito, se levantou cambaleante e suas pernas vacilaram quando tropeçou contra um amontoado de roupas, na vão tentativa de se dirigir até o banheiro. O quarto estava uma bagunça. Não via um só item que poderia estar em ordem.

Quando finalmente chegou ao local desejado, assustou-se com a própria imagem. estava amarela, os lábios sem cor, os olhos fundos, maquiagem completamente borrada.

Envelheceu 10 anos em alguns dias.

Mas não queria mais viver. Se envelhecesse em pouco tempo ou não, sequer fazia diferença, quando se está fadado a morrer, aqueles são simples detalhes. Bateu a mão em cima da pia cegamente a procura de seus calmantes.

Diazepam, clonazepam, amitriptilina, Lexotan, sertralina, Lorazepam. Dois de cada um foram parar na palma seca e pálida de sua mão. Virou todos na boca e tomou alguns goles da água da torneira antes de cair no chão novamente.

Que se fodessem os remédios da diabetes. Não precisava mais deles.

Toshyia subiu os degraus da mansão. Era a única pessoa que ainda não havia ido embora da casa, não por falta que lhe mandassem embora, Akira certo dia disse que iria atirar nele com a arma que andava carregando de um lado ao outro, "se overdose for muito ruim, bang, bang, Totchy" lhe disse com aquele olhar soturno e assustador por baixo dos cabelos louros agora sem formato algum. Fazia alguns dias que não trocava de roupa, ainda aquele fraque sujo de sangue, as vezes apenas a camisa, mas era a mesma roupa, tinha certeza. O pediu para comer e alimentar Takanori, mas ele era irredutível. "A heroina me tira a fome, babaca imbecil" e iniciava uma série de xingamentos que iniciavam nos brandos, "babaca, idiota, imbecil" e iam piorando, piorando, até ele pensar que falava com outra pessoa, com Kouyou. As vezes no meio da noite não era incomum que estivesse atirando em um Kouyou imaginário lá fora, caçando-o com Koron que parecia tão desnorteado quanto ele. Toshyia o buscou certa noite congelando no meio das árvores, mas ele disse não sentir nada e as ofensas continuaram. Toshyia os tinha mais que chefes, ao seu modo gostava dos dois e quando Saga morreu sentiu-se tão profundamente abalado quanto os outros, mas Akira era o mais difícil de lidar. Ele se tornava insuportável, queria infligir sua dor a todos, as vezes a Takanori, lhe contando coisas a seu próprio respeito, a visão que tinha sobre si mesmo como uma tortura. O baixinho, porem, nem sequer parecia reagir, mal parecia estar vivo. Pé ante pé, Toshyia foi para o ritual de todas as manhãs; ver se algum deles havia morrido na noite anterior. Andou cuidadosamente em meio ao quarto depredado — Akira havia colocado fogo em alguma coisa, roupas talvez, pois o cheiro de queimado e as paredes escuras era insuportável misto com cheiro de vomito e álcool. O rapaz tropicou em algumas roupas e ouviu um gemido surdo quando caiu sobre o lixo, descobrindo em seguida que o lixo era Akira sob uma pilha de roupas de Saga que como um ninho ele estava dormindo. Assim que abriu os olhos, Akira passou a mão pelo rosto sentindo vomito seco nas laterais das bochechas.

— Vai pisar na puta que te pariu, sai do meu quarto. — reclamou se erguendo. — Não sei por que ainda não foi embora...

O sangue escorria das narinas de Takanori, ainda estava sentado no chão do banheiro.

- Reita...? - gemeu, encarando aquele monte de teias de aranha no teto. Haviam aranhas enormes descendo ali. - Rei-chan...

No quarto, Toshyia abanou a cabeça e suspirou quando Akira se virou e rumou pelos escombros de lixos pelo quarto em direção ao banheiro. Abriu a porta e viu Takanori com o sangue manchando seu rosto. Ainda tão debilitado havia uma beleza nele que apenas Akira poderia ver, pois o encarou de modo triste, terno. Aproximou-se da pia e molhou uma toalha a levando de encontro ao rosto dele e limpando o sangue.

— Oi amor... — sussurrou.

- Tira as aranhas daqui. - gemeu, apertando os olhos. - Elas vão me comer vivo... Eu tô ouvindo elas falarem!

Akira olhou ao redor, surpreso que elas falassem com Takanori e estendeu a mão, arrancando as teias de onde alcançava.

— O que elas disseram pra você? — questionou interessado, temendo que contassem algum dos seus novos segredos que tinha mantidos somente entre ele e sua nova amante.

- Elas estão dizendo que vão me comer vivo... Vão me comer vivo Rei-chan... E o Saga disse também.. ele disse... Ele tá bravo porque a gente deixou ele lá. - apertou os olhos.

Akira se afastou de Takanori. Odiava quando tocava naquele nome. O pegou pelos ombros e sacudiu.

— O Saga está morto! — gritou o empurrando com raiva, mesmo que tenha apenas cambaleado para trás. Colocou as mãos na cabeça e se olhou no espelho, estava irreconhecível, havia uma barba rala escura em seu rosto sobre a pele pálida, os olhos com olheiras pareciam cruéis, os cabelos louros possuíam partes onde o escuro natural aparecia de modo estranho. Apoiou-se na pia arrumando uma camada de pó que pegou da gaveta ali mesmo e a inalou. — O Saga morreu, ele me odeia e tudo, tudo tudo, tudo que você faz e me lembrar disso, dia após dia, dia após dia aposto que queria que fosse eu no lugar dele, aposto que... Calou-se levando as mãos no rosto. Por que sempre o magoava? Por que queria tanto ferir Takanori e acabava por ferindo a si mesmo? Era a droga, a amante nova. Ela o queria inteiramente para si.

Takanori levou as mãos aos ouvidos e se encolheu ali, movendo-se para frente e para trás. Não queria ouvir aquilo, Saga não estava morto, aquilo era um pesadelo.

O Akira não queria feri-lo.

- Para, para, tá doendo! Para! - gemia, choramingando baixinho.

Deixou-se cair na banheira e ergueu o olhar para as aranhas. Takanori tinha razão. Elas falavam. Abaixou o olhar lentamente a ele e o manteve ali, olhando.

— Elas me disseram uma coisa, as aranhas. Essa merda de doença que você tem não vai te matar agora, não ainda... Um ou dois meses, talvez. Eu não suporto mais viver um ou dois meses. — saiu da banheira e rastejou pelo chão colocando a cabeça nas pernas de Takanori. — Eu não aguento mais não sentir nada e sentir essa... essa coisa... Eu já to morto, Taka, eu não aguento mais... As aranhas me disseram pra gente tomar um baque, um baque bem forte e se deitar juntos, eu posso até te abraçar se você quiser... Vamos terminar com isso, Taka...

- Eu tô com saudades de abraçar. - Takanori sussurrou como se confidenciasse a ele um crime hediondo. - Vamos... Vamos terminar logo com isso.

Notou que Toshiya ainda estava ali.

- Você... Você pode cuidar do koron? - perguntou sem encara-lo. - Ele é só um tigre...

Akira negou com a cabeça e puxou Takanori contra si. Ele cheirava a doença, bolor, remédios e morte e não mais aquele perfume e hidratantes importados que costumava cheirar, mas Akira não ligava.

— O Nico vai ficar com ele... Ele me prometeu. Mas... Mas esse babaca infernal, cretino idiota pode cuidar dele melhor.

Takanori concordou um tanto quanto perdido e apertou a blusa dele.

- Manda o cretino idiota preparar os baques.

***

A noite lá fora já não era tão fria, as janelas estavam abertas fazendo um vento morno entrar pela varanda do quarto.

Era uma noite especial, até mesmo um banho generoso foi tomado e agora estavam sentados no centro do quarto sujo, bebendo a champanhe de dois ou três mil dólares que nada tinha de tão especial ao paladar de Akira.

Ao seu lado, duas seringas cheias de morte, doses letais que não iria deixar nenhum dos dois vivos.

Olhou para Takanori e apertou os lábios em um sorriso.

- Você está lindo de mais, amor. - disse tristemente para o garoto que não lembrava sua rainha.

Estava sentado no chão, coberto por um lençol que um dia foi perfumado, agora cheirava a vomito e suor. Uma imundice cujo Takanori se perguntava – uma parte de si – se alguém poderia viver no meio disso. A resposta era muito simples: Poderia sim, porque os dois estavam vivendo, desde a partida de Saga, a imundice era sua melhor companhia.

Já não sabia mais que perfume tinha um Dior. Qual era o gosto do Lancôme em seus lábios. Contudo, nada mais daquilo importava, nada mais daquilo significava nada.

— Você também está amor. – respondeu brando, levantando a taça de champanhe a ele. – A nossa morte.

Xeque mate.

- A nossa morte. - retrucou bebericando aquele líquido com gosto de nada e tocou o rosto pálido de Takanori, contornando seus lábios com o polegar. - Você foi a melhor pessoa que tentou roubar a minha carteira.

Riu soprado ante aquela afirmação, lembrando-se da noite em que se encontraram. Não imaginava que chegariam tão longe, tão longe. Tão longe a ponto de perderem.

Fechou os olhos, sentindo a sutil caricia em seu lábio e arfou.

— Você foi a melhor pessoa com quem eu fui pra cama... – riu, manso.

Sexo já não significava nada naquele momento, mas o Akira que vivia dentro dele, gostou de saber daquilo.

Tirou cem dólares do bolso e o passou sobre a vela acessa entre os dois. A nota se incendiou e ele a levou a um cigarro que tragueou com propriedade.

- Você foi a melhor conquista que eu tive. - confessou.

Takanori observou a nota queimar e sorriu tristemente. O fogo amarelo clareou o rosto de Akira, fazendo Takanori ver as olheiras grandes, as rugas formadas pelo cansaço, os lábios descascados.

Fechou os olhos e tomou mais um gole do champanhe, não tinha gosto de nada. Era tão sem graça quanto tudo ao redor deles.

— Eu te amo. – sussurrou. Aquilo era o suficiente para ser dito.

Jogou a fumaça para o teto e pegou a mão dele onde apenas lascas de esmalte apareciam e entrelaçou os dedos.

- Eu te amo também. - respirou fundo. - Tá com medo, amor?

Negou com tristeza. Não sentia mais medo.

— Não, mas gostaria de estar sentindo, pelo menos um pouco de medo. Não sinta nada.

Concordou e olhou em direção as seringas.

- Se eu pudesse e se você ainda gostasse disso eu gostaria de transar antes de morrer, mas... - deu de ombros. - Já fizemos de mais. É isso.

Takanori o olhou com tanta tristeza que uma lágrima correu por seu rosto sem graça.

— Eu também queria transar com você Rei-chan... Mas não da mais...

Secou seu rosto e se inclinou o beijando, os lábios ressecados roçando um no outro.

- Tchau, amor. - sussurrou com a testa unida a dele.

Do lado de fora, haviam policiais chegando de todas as partes da entrada da floresta. Eles vinham armados, ferozmente, como predadores vorazes. Kouyou estava preparado, havia esperado tanto tempo por aquele dia que sequer conseguia conter a euforia. Passou as mãos pelos cabelos louros e arfou. O Yuu idiota achou que ele não seria capaz de derrubar o reinado daqueles dois imbecis. Mas Yuu era só mais a porra de um pau mandado, comprado. Riu soprado com aquele pensado e não conseguia conter a ansiedade de mostrar a cabeça dos dois para Yuu.

Fez sinal para seus policiais invadirem a mansão, cujo estranhamente continha todas as luzes apagadas sem nenhum sinal de vida. Contudo havia apenas a luz trêmula e fraca de uma vela, vinda do ultimo quarto.

Sorriu, cheiro de maldade.

Era o fim da realeza, de vez.

Na segunda van preta com emblema policial, os homens estavam compenetrados ao comando do sujeito trajado de preto das botas ao capacete por baixo da máscara que deixava apenas os olhos de fora.

A perna batia freneticamente, apoiado no fuzil.

Os sujeitos policiais que permitiam que ele estivesse ali comandando estavam muito satisfeitos, o que o dinheiro não compra?

Assim que a van chegou, a outra já estava lá. O sujeito alto saltou em busca do comandante, Takashima Kouyou.

- Quem te autorizou essa porra?

Kouyou virou-se vendo os colegas o olhando e cerrou os olhos.

- E você, qual sua identificação?

O homem alto sorriu por baixo da máscara.

- Um fantasma que veio puxar seu pé, filho da puta.

Akira sobressaltou-se ao ouvir o latido de uma metralhadora e puxou a agulha da veia de Takanori, sem injetar.

- Ah não, o que é isso agora?

Narita desceu da van preta e arrumou o colete a prova de balas, cuspiu o chiclete no chão e arrumou os óculos. De um modo um tanto entediado, passou pelos policiais que estavam com Kouyou e olhou para o grupo grande que saia de dentro da Van.

— Matem todos. – disse, sem nenhuma emoção. – Poupem o Takashima.

Puxou a lanterna do cinto e rumou em direção a mansão com o rapaz de mascara ao seu lado.

Takanori suspirou e deitou a cabeça no ombro de Akira.

— É a morte vindo buscar a gente amor...

Akira respirou fundo e negou.

- Não, não é não. - disse o abraçando, franziu o cenho e ouviu os tiros lá fora. - Só tem nos dois aqui. Estão atirando em quem?

Kouyou se prensou contra o carro olhando o mar de mortos que caiam ao seu redor, que diabo era aquilo? Cobriu os ouvidos com as mãos tentando em vão ignorar as metralhadoras e quando pararam ergueu os olhos para um dos policiais que andava de um jeito estranho, como um dos malditos marginais que prendia. O soco que veio em sua direção fez Kouyou cair no chão e apertar com força a grama.

O policial riu baixo e se dirigiu a casa abrindo as portas com uma propriedade.

- O tigre tá solto, fiquem aí fora.

Os dois subiram as escadas enquanto Narita tapava o nariz devido ao forte odor de fezes de animal.

— Deus amado, tem gente vivo aqui? – resmungou, tapando mais o nariz. – Isso ta parecendo um lixão.

O outro o olhou de soslaio enquanto subia de dois em dois degraus, preocupado.

- Caralho, precisa ter... Precisa ter.

Takanori se levantou, sentindo as pernas tremerem e se apoiou na cama.

— Rei-chan... Tem alguém vindo ai. – arfou – A morte que veio pegar a gente! – o olhou apavorado.

Akira pela primeira vez pareceu interessado em algo. Tateou em baixo da cama puxando a calibre doze e colocou Takanori para trás de si.

- Ninguém vai tocar em você, amor. A gente decidiu morrer assim, ninguém vai mudar isso. Deixa que...

- Rapazes! - uma voz gritou do corredor. - Está tudo bem já! É Narita-sama.

— Narita? – Takanori ergueu os cenhos e avançou de trás de Akira, de súbito, sentir uma onda de calor no corpo. – O que você quer aqui?

— Fiquem calmos rapazes, viemos busca-los. – Narita informou. – Está tudo bem.

A porta foi aberta e entrou Narita, a última vez que entrou ali o quarto era um luxo sem fim, mas agora parecia apenas o refúgio de dois viciados.

Akira olhou de soslaio para o policial que entrou e olhou para os dois com uma expressão corporal de choque.

- Não se assustem - Narita pediu de repente. - Pode ser um choque, mas vamos explic...

- Mas que caralhos vocês fizeram na casa? O que vocês fizeram com vocês mesmos, seus putos? - berrou o policial olhando de um ao outro e viu as duas doses de injeção no chão, erguendo os olhos aos dois, furioso. - Porra... Iam se matar?

Takanori ficou estático, arregalou os olhos e olhou para o policial. Conhecia aquela voz. Encarou Narita e piscou algumas vezes e depois encarou Akira.

— O que... diabos?

O policial estava com as duas mãos na cintura.

— Porra, eu sumo por uns dias e vocês fazem essa porra de estrago todo, meu Deus hein!

Akira apertou o braço de Takanori piscando para se adaptar a visão da boca que se revelou quando arrancou a máscara, os olhos pequenos e irritados, aquela expressão arrogante, os cabelos castanhos.

Era Saga.

Fechou os olhos com força e abanou a cabeça.

- Taka... Taka eu tô vendo o Saga.

Takanori continuou olhando para o homem que se dizia Saga mas não parecia ser ele, não podia ser ele, porque Saga estava morto, foi largado lá no banco central de Hiroshima.

— É o Saga..? – perguntou baixinho, se aproximando devagar para o homem.

Saga olhava de um para o outro, cada segundo compreendia mais o que estava havendo. E isso doía.

- Vocês iam se matar. - sussurrou perplexo. - Puta merda, Akira...

- Você tá morto! - Akira disse completamente sem compreender aquela situação.

Saga abriu os lábios e encarou Narita que apenas abaixou a cabeça e indicou que esperaria pelo lado de fora. Saga se voltou aos dois.

- Assim que vocês foram embora, o pessoal do Narita chegou e me tiraram de lá. Por pouco realmente eu não morri, mas fui tratado pela Yakuza, fiquei afastado até me recuperar... Todos precisavam pensar que eu morri, a gente chamou atenção de mais e...

Akira deu alguns passos e deixou um soco sobre o rosto de Saga, o encarando chocado.

Takanori levou as duas mãos ao rosto ao ver aquela cena de Akira desferindo um soco naquele que dizia ser Saga. Arfou pesado e se sentou no chão, passando as mãos pelos cabelos realmente perdido.

— O que diabos está acontecendo aqui...? Você tava morto... você tava morto e a gente ia morrer!

De repente, ouviram mais passos, passos apressados subindo as escadas em direção ao que seria o quarto. Takanori olhou para os dois ali presentes.

Foi então que a porta se rompeu e Kouyou atravessou ela, com uma arma apontada para três.

— Quantas vezes eu vou ter que te matar porra! — Kouyou arfou.

Akira tirou os olhos magoados de Saga e colocou em Kouyou como se ele não fosse mais uma surpresa, mas algo, muito, muito desagradável. Se antes não sentia nada, seu interior era um misto de sentimentos conflitantes.

- Eu passei esse tempo todo na pior situação da minha vida achando que meu namorado morreu, quase mato o outro e você... Você é o culpado. - Akira arfou para Kouyou e jogou-se sobre ele com toda a raiva que podia ser possível sentir. A arma caiu e assim que ambos rolaram no chão o punho de Akira subiu e desceu. Muitas, muitas vezes enquanto Kouyou tentava o tirar de cima de si.

Kouyou caiu no chão e sentiu a cabeça bater violentamente contra o piso de madeira. Soltou uma praga sonora e arfou pesado em seguida. Takanori ainda olhava para Saga boquiaberto e passou as mãos em seu rosto.

- Oi cara de coala... - sussurrou.

Saga parecia indeciso entre ajudar Akira ou correr até Takanori, mas visando que Akira sabia muito bem se cuidar e que estava mergulhado em confusão, correu até o baixinho e o abraçou, passando os braços ao redor de seu corpo que havia diminuído consideravelmente e o içou do chão.

Mesmo sem seu perfume, mesmo que parecesse frágil beijou seu rosto diversas vezes.

- Eu tô morrendo de saudade de você... Deus, Taka... O que vocês fizeram?

Akira arfava de ódio, os socos e arranhões que Kouyou distribuía em si sequer eram sentidos.

- a gente tava sentindo sua falta... - Takanori arfou, passando as mãos pelo rosto de Saga. - você tá muito lindo... Meu Deus.

- Eu tô limpo Taka... E eu vou limpar vocês também...

Akira rolou pelo chão com Kouyou enquanto os dois falavam e quando sua mão tocou a seringa, as duas seringas que continham sua morte e a de Takanori, não hesitou em pega-las com as duas mãos e enterrar no peito do policial abaixo de si, enterrando até a ultima gota da substancia. De imediato Kouyou o olhou com pavor e parou os movimentos que tentava fazer, tornando o aperto de suas mãos um débil aperto até nada restar a não ser os momentos finais que Akira não parou para prestar atenção enquanto mantinha os olhos em Saga. Passou a mão pelo rosto e fungou o encarando perplexo ainda. — Isso é uma segunda chance... Você está vivo, meu Deus, a gente precisou tanto de você... — rastejou para perto dos dois e se agarrou ás pernas do rapaz. — Precisamos tanto... Que merda, Saga, por que não avisou que estava vivo?

- Eu não podia. - Saga rapidamente segurou os ombros de Akira, num pedido mudo para que ele ficasse de pé. - A Yakuza disse que não era bom, que o mundo inteiro estava olhando pra gente, qualquer mínimo movimento nosso eles nos pegariam. A Interpol tá de olho na gente. - passou docemente a mão pelo rosto sujo de Akira, a barba rala mesclada ao rosto cujo continha resquício de vômito não parecia que era o mesmo rosto da realeza de Tokyo. Iria trazê-lo de volta. - Precisamos forjar a morte de vocês e sair daqui. A proposta de sumir e começar de novo ainda está de pé?

Tombou a cabeça para o lado e fitou Takanori, este, antes uma rainha de diamantes, agora apenas um garoto viciado concordou.

- O que podemos fazer?

Akira se apoiou nas pernas de Saga e ficou em pé, constrangido por seu estado, pelo estado de Takanori. Saga estava tão bonito, seu cheiro era viciante.

Fitou Takanori e pegou sua mão, olhando para Saga.

- O que a gente faz, Saga? - quis saber e constatava com as vezes anteriores, onde sempre dava as ordens.

Saga sorriu compreensivo.

- Venham comigo, vamos sair desse lixo.

Narita estava no lado de fora, fumando um cigarro quando Saga abriu a porta.

- Vamos queimar aqui. - ele disse. - carbonizamos dois corpos parecidos com eles e a polícia pode constatar que se suicidaram.

Saga concordou e olhou para os dois.

- Os rapazes vão cuidar dos explosivos, vamos assistir juntos essa porra vir abaixo, igual lá na praia.

Akira concordou o seguindo sem tirar os olhos de como os cabelos dele pareciam macios.

- Você tá limpo mesmo? É possível? Doeu?

Saga tinha Takanori pela mão e concordou.

- Doeu. Mas valeu a pena.

Takanori olhou para Akira e suspirou. Sabia que o processo de desintoxicação não era fácil, mas agora havia um grande motivo para correr o risco.

- Você quer isso, Aki-chan?

Mordeu os lábios e ponderou rindo com um leve desespero.

- Eu quero, mas tem algo dentro de mim dizendo que não... Tem algo dizendo que não vou conseguir. Eu sempre fui o mais viciado de vocês...

Saga suspirou e olhou para o estado desesperançoso que ele falava. Era como se algo houvesse morrido em Akira. O ar arrogante, aquela segurança sobre humana, a liderança talvez.

- Eu não vou desistir de vocês. Em alguns momentos a coisa vai ficar uma merda, vocês vão me odiar, vão querer desistir. Não vou deixar.

Akira encarou Takanori, o que ele dissesse seria o que iria fazer.

- O que acha que as aranhas estão dizendo, Taka-chan? - questionou com um choramingo.

Takanori olhou em volta. Tudo que um dia foi o quarto de uma realeza de fato, agora estava perdido entre a sujeira, vômito, restos de tudo, escombros. Não havia mais nada ali para ele e nem para Akira.

Elevou os olhos para o teto, onde haviam as numerosas teias de aranhas e ali elas subiam e desciam como se fossem as verdadeiras donas daquela mansão.

Olhou fixamente, como se de fato esperasse dali algum sábio conselho.

Parte de si estava apavorada com a ideia de mudar. Se ele não resistisse? Fora a droga, ainda vinham os remédios de diabetes e os calmantes que tomava. Engoliu em seco.

Então uma aranha desceu, tecendo sua teia até o chão.

- Elas estão dizendo que é pra gente tentar. - sussurrou.

Saga quase deslizou para o chão e deixou vir a tona lágrimas, mas era sua hora de ser forte. Estavam falando com aranhas. O que poderia ser mais triste que aquilo?

Engoliu em seco e concordou.

- Amor... Vamos sair logo dessa porra de lugar.

Akira acenou a cabeça, respirando acelerado. Se soubesse que iria parar, teria tomado uma última dose.

Era apenas sua amante suja querendo ele de volta, mas Akira tinha muito mais a ganhar.

- Vamos sair daqui.

Desceram as escadas em silêncio, do lado de fora Koron era posto sedado em uma van e Akira sentiu inveja por ele ganhar um sedativo.

Os homens de Narita tiravam da casa alguns objetos de valor, quadros raros, os porta joias de Takanori e alguns livros também difíceis de encontrar. Embora naquele momento Takanori não fizesse questão daquelas coisas, mais tarde teria. Principalmente as joias. Cada joia era uma história.

Saga desceu as escadas e saiu para fora da mansão, olhando cada detalhe como se desejasse guardar tudo em sua memória. As botas pesadas colidiam com as pedrinhas do chão.

Procurou Akira com os olhos e segurou sua mão.

- Nós temos o controle da ampulheta. O tempo acabou, a areia toda escorreu... A gente só precisa virar a ampulheta e começar tudo de novo, mas diferente de antes. Começar do zero.

O encarou por um tempo, perplexo. Virar a ampulheta, então era isso. Só virar a ampulheta.

- Estou tão envergonhado que não pude cuidar do Taka, Saga... Era só virar a ampulheta, mas sem você... - abanou a cabeça.

- Você cuidou dele... Ele tá aqui, não está? - Saga puxou Akira pela nuca e colou as testas. - E eu voltei pra vocês dois. Agora pelo amor de Deus vocês estão fedendo a vômito velho. - riu fraco.

Desviou o olhar e riu soprado.

- Não era você que disse que não precisávamos tomar banho? - se permitiu brincar. - Vai tudo dar certo, né?

Takanori entrou na van recebendo uma coberta de um dos homens de Narita. Estava envergonhado, não parecia mais um membro temido da realeza. Não parecia com nada e tal fato deprimente, pois ao final de tudo, não sabia quem era.

Akira entrou ao seu lado e olhou em direção a casa em chamas. Sabia que mais que a casa estava queimando. Sua vaidade ilimitada, o orgulho que sempre o protegeu.

Não havia mais reinado ou reis e rainhas, não havia neons, não havia mais nada. Havia os três garotos cansados que no fim se amavam.

Olhou para ambos e fez uma mesura, pois agora seria o que sempre deveria ser. Apenas ele.

- Quero começar de novo. - manteve a mesura. - Prazer, sou Suzuki Akira.

Takanori que mantinha a cabeça encostada no vidro da janela olhou aquela atitude de Akira e sorriu. Sorriu com amargura, mas sorriu. Eles tinham a chance de começar de novo... Takanori contava com apenas 18 anos e achava que sua vida tinha terminado.

Não.

Agora que iria começar.

Fez uma mesura aos dois.

- Matsumoto Takanori. - suspirou, rouco.

Saga não cabia em si de tanta felicidade, havia conseguido salva-los mesmo que a pior parte ainda estivesse por vir, eles estavam ali.

- Muito prazer em conhecê-los. Sakamoto Takashi.

Suspiraram de modo aliviado, agora finalmente as coisas iam começar como deveria. Eram jovens, muito jovens, mas já haviam visto todos os lados do mundo, o miserável, o luxo sem limites, todos os prazeres das drogas, mas agora podiam apenas ser aquelas pessoas que dentro deles sempre foram, sem o personagem de chefe, de rainha, de rei. Apenas quem eram. Akira olhou para os dois e se perguntou quando foi que tiveram algum dia comum, sem haver drogas ou absurdos. Nunca. Agora haveria. A casa em chamas ficava para trás, estavam mortos, a mídia iria noticiar aquilo, mortos. Era o fim do reinado da realeza, mas inicia da vida de Takanori, Akira e Takashi. Era melhor que qualquer coroa de diamantes. Akira subitamente sorriu e abanou a cabeça.

— Vamos ver o nosso filme, afinal, estamos mortos. Hoje a noite aquele cara, o diretor, vai receber o pacote que deixei com Luka. — sorriu minimamente. — Vamos ver juntos.

Takashi balançou a cabeça animadamente.

- Eu tô ansioso pra caralho!

Takanori apenas sorriu, voltando a encostar a cabeça na janela. Agora teria que procurar um médico, cuidar da saúde. Tudo como deveria ser.


Notas Finais


E então, cogitaram mesmo que tudo teria acabado assim ? KKK o que acharam?


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