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História Pumpkin' Heart - Capítulo 13


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Notas do Autor


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Capítulo 13 - Quebrando o Silêncio


Fanfic / Fanfiction Pumpkin' Heart - Capítulo 13 - Quebrando o Silêncio

— M-Michael... - murmurrei, atônita, quase gaguejando seu nome todo.

Ele estava com uma barba por fazer, e seu rosto e sua expressão eram difíceis de decifrar, afinal ele me olhava de uma forma intensa e examinadora, e estava um pouco desconcertada. Seu rosto era intimidador, no entanto, ao mesmo tempo era belo, era perigoso e impressionante de ser observado tão de perto. Olhar em seus olhos por tanto tempo era hipnotizante.... E, como ele aparentava ser apenas um rapaz, com um mero olhar psicopata, que podia me fazer ter medo dele se quisesse. Era.... Diferente...

Em meu corpo todo senti percorrer uma sensação de susto, surpresa e vergonha, e por esse motivo eu corei muito forte, e desviei o olhar rapidamente do seu mirando o chão de ladrilhos cor gelo da minha cozinha. Michael se aproximou muito de mim, parou, e apanhou o prato em minhas mãos, e eu corei, de leve. Pela sua altura, pude sentir seu suspiro atingir uma mecha do meu cabelo, e olhei para ele, dessa vez o encarando de verdade. Mesmo muito envergonhada, pude notar sua semelhança comigo, ao que eu já notei, e além disso, como ele é belo, seus traços mesmo que bruscos eram desenhados, e apesar de seus cabelos estarem emaranhados, a barba por fazer e o tom loiro meio queimado de ambos lhe davam um charme um tanto ermitão. Sem contar nos seus olhos....

Descrevê-los e presenciá-los é sentir um arrepio na espinha, pois eles carregavam seu extenso histórico de tragédias e assassinatos, e talvez quando me olha, um pequeno traço de que há algo humano em meio ao selvagem.... Talvez até amor possa ser visto, pois era incomum como ele estava me tratando e lidando comigo com tanto carinho. Eu ainda sentia muito ressentimento pelo passado, mas estava disposta a driblar isso pela morte dos meus pais, que havia se tornado um grande fardo, pois eu não descansaria até encontrar o responsável por isso.

Michael tomou o prato da minha mão, e o levou para a pia, e começou a lavá-lo. Era inacreditável como ele estava desinibido e não sentia receio de se mostrar para mim, tal como agir naturalmente, enquanto eu fazia o papel de boba ao observá-lo. Acho que aos poucos estávamos começando a nos entendermos e ele se sentia à vontade comigo, finalmente.

— Eu... — contive minha fala, e suspirei, decidindo não forçar muito. Comecei a tirar a mesa guardar o bacon, os ovos, o suco que sobrou.... Enquanto ele permanecia em seus movimentos mecânicos da louça, eu me aproximei da pia para pegar meu pano e limpar a mesa, e esbarrei de leve nele, e Michael virou o rosto para me encarar. Dessa vez seu semblante era de despreocupação, apático e inexpressivo quanto a esboços de sentimentos na sua face. Nos seus olhos, notava-se uma estranha melancolia, diferente daquela crosta psicopática que ele costumeiramente demonstrava. Engoli o seco, e decidi que precisava parar de analisar tudo que seu rosto tinha a dizer. Suspirei fundo e peguei o pano da cozinha e fui direto a mesa, sem dizer qualquer palavra.

A cozinha estava silenciosa, apenas o tic tac do relógio pairava no ar dando uma certa sensação de ansiedade e desconforto. Depois que terminei de limpar, me recordei da missão que tinha para fazer aquela manhã: procurar meu cachorro, ao que pedi ajuda do Michael para isso. Mas como eu faria sem que notassem ele? Ele estava foragido do asilo para doentes e se me vissem com ele, bem capaz d’eu ter uma vaga garantida para mim lá.... Encostei na mesa, matutando como resolveria essa situação, quando senti uma mão em meu ombro, e tomei um baita susto que quase gritei, de tão imersa que fiquei nos meus pensamentos. Michael arregalou os olhos, e foi engraçado porque ele se assustou com meu susto, e não pude deixar de ocultar um riso, que escapou dos meus lábios. Ele ficou sem jeito, e pôs a mão atrás da cabeça, num gesto sem graça bem típico de animes que assisto. Eu sorri, sem graça.

— Eu quase te matei de susto, foi engraçado ver sua cara. - falei, risonha.

Michael corou de leve, e pareceu muito desconcertado por isso, e se virou, pegando o pano de prato e começando a secar a louça, rapidamente. Fiquei muito animada com suas novas demonstrações de emoções, afinal, indicava que eu não precisava ter tanto medo assim. Até que ele parou, ainda de costas para mim, enquanto eu ainda guardava a louça que ele secava rapidamente.




— Lisa….





Achei que havia escutado uma voz masculina me chamar, mas pensei ser apenas uma alucinação, daquelas que você ouve seu nome e não tem ninguém te chamando na real. Eu ignorei, e guardei o copo no armário, franzindo a testa. De repente, assim que fecho o armário vejo Michael parado poucos metros de mim. Estranhei, e apanhei outro copo, e desviei o olhar do dele rapidamente dando um giro em meu corpo e erguendo o braço para alcançar a prateleira de vidros.



— Lisa....

Dessa vez, vi de relance Michael mexer os lábios, e deixei cair no chão o copo que segurava, e me afastei dos cacos, preocupada e assustada.

— Eu ajudo... — Michael, com todas as letras digo ele mesmo, MICHAEL, falou, num fio de voz fria e suave, e recolhei um por um dos cacos grandes, enquanto eu estava boquiaberta. Ele falou. Michael falou. Ele mexeu a boca, e não era alucinação minha, eu sabia.... Eu vi.

— Michael, você.... Disse uma coisa, para mim, é verdade? E-eu.... Não acredito que....

Ele se levantou, e pôs todos os cacos que eram grandes na lixeira, e me encarou.

— Eu disse, sim.

Arfei, estupefata, e o olhei, nos olhos. A mesma expressão apática de antes.

— Porque.... Nunca me disse nada antes, quer dizer, porque você nunca falou?

— Não havia nada relevante a se dizer.... Até agora. — ele disse, de uma forma suave porém moderada e mantida num tom ameno, Não havia muita emoção em sua fala, ele estava se esforçando para manter um tom despreocupado e calmo, visto que sua voz tinha um tom mais grave. Ele deveria ser muito temperamental....

— Isso é.... Incrível, ver você falando algo, sei lá, é surpreendente, e-eu não esperava. — falei ainda gaguejando um pouco, ele não havia se aberto assim por completo. Fechei o armário, um pouco tímida.

— Ninguém espera que alguém como eu fale assim do nada. — Sua expressão apática me atingiu, e impactou um pouco. Era um pouco amedrontadora, porque era um olhar melancólico sério misturado a um tom de despreocupação no seu rosto, que era um tanto sombrio. Usando máscara ou não ele podia ser assustador do mesmo jeito, apesar de ter uma aparência bela, bela e perturbada.

Senti um misto se tremor com ansiedade percorrer meu corpo e conti, eu precisava tentar ao menos sustentar uma naturalidade e estava falhando. Mesmo usando máscara ou não ele podia ser assustador do mesmo jeito, apesar de que pareceu ter notado algum medo em mim, porque tentou mudar aquilo para um tom pacífico, e suavizou sua expressão.

— Estou te assustando? — Frio e sutil. Seus lábios eram mais finos, porém desenhados, era um espetáculo vê-los se mecherem ao pronunciar as palavras. Ele me olhou com preocupação e confesso que derreti com isso, ficando ligeriramente nervosa e vermelha.

— Ah, não, quer dizer, sim.... Na verdade, um pouco. — Eu estava com muita vergonha.

Ele suspirou, secou as mãos, estendeu uma a mim esperando que eu a pegasse. Eu, um pouco em dúvida, o fiz, e Michael segurou ela, de um jeito cauteloso, pude sentir a palma da sua grande mão envolver a minha, e estremeci, ao me recordar das vezes que ele usou para me ferir. Ele notou e suspirou de leve, talvez escolhendo as palavras certas. Seus olhos azuis me encaravam com uma calma estranha.

— Não se assusta comigo, não precisa ter receio. Eu te prometo que jamais machucarei você de novo. Você é minha família, tudo que eu tenho no momento. E espero que meus atos agora redimam o mau que causei a você. – apesar de sentir um esforço dele para emular emoção na sua fala apática, senti que era sincero.

Meus olhos se encheram de lágrimas, meu coração acelerou e me esforcei para não ter uma crise ali, e tentei limpar, segurado um choro, mas falhando miseravelmente. Dessa vez ele estendeu o outro braço me puxando pelas costas carinhosamente, e eu parti em direção a ele para um abraço terno, e me senti muito protegida e bem ali dentro. Minha cabeça deitada em seu peito permitia ouvir sua respiração e batimentos do seu coração, e a minha se misturou a dele, como dois corações em um só, e me senti ficar enebriada e derretida, porque ele sabia como me domar e me deixar calma.... Suspirei, e solucei um pouco, aquilo acionou meus gatilhos emocionais de uma forma bem intensa.

P.O.V’s Michael Myers

Sentir seu abraço era como desvendá-la mais profundamente do que nunca senti. Eu não podia negar meus instintos de manter Lisa sob minha proteção estavam aumentando cada vez mais. A minha indecisão de amá-la, ou matá-la havia se extirpado para sempre, e apesar de não saber agora o que sentia de verdade por ela, eu não queria voltar a machucá-la de forma alguma. Lembrar que eu a fiz chorar e persegui-a sem piedade, deixando-a desesperada e possivelmente traumatizando a pobre menina quase me fazia sentir culpado, e sendo sincero não era bom vê-la chorar… Eu não gosto de admitir, mas isso me fazia sentir… Raiva… De mim mesmo. Eu me esforçaria para jamais repetir o que eu fiz no Halloween com ela. Sinto que sou tomado pelos meus instintos mais primitivos e a vontade de matar é imensa… Eu precisava me conter, por ela. Ao menos para que não sinta tanto medo de mim. Eu a amo, sim, embora não saiba ao certo o que significava a palavra amor, eu sabia senti-lo, e suponho que seja isso. Eu protegeria, cuidaria, zelaria pelo seu bem-estar e seria sua família, e ajudaria a pegar o culpado da morte de seus pais, se esse fosse o seu desejo….
Apertei aquele pequeno coelhinho assustado num abraço caloroso e agradável, até mesmo eu me sentia calmo e estranhamente passivo próximo a ela. Era surreal o poder e efeito que essa menina havia sobre mim. Mal ela sabia o seu poder.....


P.O.V's Lisa

Depois de suspirar feito uma manteiga derretida, e me soltei para olhá-lo. Ele estava com o semblante calmo e sereno, com o mesmo rosto apático de sempre.

- Hoje eu tenho uma consulta com Loomis. - falei, esperando sua reação.

Michael se espantou, e eu vi um traço de raiva e inquietação vindo dele, e temi aquilo, no entanto ele se conteve e assentiu levemente.

- Vai ser as duas da tarde, mas eu quero adiar para amanhã, não estou bem ainda. Pensando bem eu preciso dar um tempo para mim mesma, e.... Com você aqui, eu me sinto mais tranquila. Se não fosse você, eu pediria para ficar com Loomis....

Michael não se agradou nada do que eu disse, mas parecia estar se contendo para não me aborrecer.

- Humm.... Como você disse, tem a mim. Eu estou aqui e não vou embora a não ser que você peça para eu ir. - ele fez uma pausa, e olhou nos meus olhos. - E espero que não peça.

Eu fiz que não com a cabeça, e mordi o lábio superior, pensando.

- Não. Não quero que vá, Michael.... - abri um sorriso para ele, me sentindo bem e iluminada pelas suas palavras. Ele não parecia ser um assassino selvagem, do contrário, era inteligente e me entendia bem. Laços de família, talvez....

Mike estalou a lingua apertando minha bochecha direita, e eu franzi a testa, e ele se divertiu com minha reação e eu pus a mão na bochecha esfregando ela levemente, rindo dele. Pela primeira vez vi um esboço leve do seu sorriso, bem de leve. Michael ficava lindo quando tentava sorrir.... Se atrapalhava, e censurava-se a si mesmo, tentando não demonstrar seus sentimentos. Eu me peguei rindo dele, o achando muito fofo, e Michael não pareceu gostar disso.

- Qual a graça? - perguntou ele, fechando a cara.

- Nada, não quis parecer que estava debochando de você - arregalei os olhos, temendo uma interpretação má vinda dele, pois eu estava claramente externando meus pensamentos, e pus a mão na boca.

- Você é bem avoada, sabia? - disse ele mantendo seu tom frio, me dando um leve peteleco na testa, fazendo com que minha cabeça inclinasse levemente para trás. Ele sorriu de lado, se divertindo com minha reação irritadiça.

- Au! Isso doeu. Você é forte, sabe disso! - esfreguei minha testa, brava.

Ele soltou uma leve risada nasal e apanhou novamente o pano de prato e voltou a terminar seu trabalho, e eu revirei os olhos, e fui pegar uma pá e uma vassoura para retirar o excesso de caquinhos no chão. Terminei de fazer isso rápido, e logo voltei a guardar os copos e organizar a cozinha, olhando a geladeira em silêncio, que dessa vez não era desconfortável, e sim tranquilo.

De repente, vejo Michael olhando a caixa de fitas de rádio que estava numa gaveta escondida no armário de louças da cozinha, e observei o que ele faria. Em cima de outro armário de vasilhas mais baixo da cozinha, estava o velho rádio, e ele pôs essa fita, esperei o estalo da gaveta se fechando e a música rodar na fita. Reconheci ser uma das minhas fitas antigas do Nirvana, uma demo que comprei por 25 centavos de uma loja de usados. Sorri de lado, estava tocando Lounge Act, e distraída me balancei ao som da música e ele me encarou, fiquei vermelha na mesma hora, e ele me lançou um olhar divertido, parecendo gostar daquela música, e eu ri baixinho, vendo como ele se parecia com Kurt Cobain.

Michael balançou a cabeça levemente, apreciando a música e prestando atenção no rádio e na fita que rodava com a voz despreocupada e apática do kurt. Senti que cada vez mais me surpreenderia com ele, e uma esperança de dizia lá no fundo, que apesar da minha dor, tudo iria ficar bem....



Notas Finais


🎃Voltei...🧡


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