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História Punishment - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Hate


Era tão frio e escuro, uma madrugada de um sábado entediante e que mais uma vez, Poe ia passar longe de sua casa. Mas lá estava ele na mesa de um bar, olhando fixamente para Ranpo que estava a alguns metros de distância. Edgar estava ofegante, empolgado e talvez até excitado de estar vendo o quão Edogawa se embebedava e ria com seu grupo de amigos.

Tirava fotos de todas as partes do corpo do outro, tinha uma pasta em seu celular unicamente para isso mas sempre perdia aquelas fotos ou melhor perdia o celular, já que seu marido o quebrava sempre que via aquele tipo de conteúdo, mas na manhã seguinte entregava um novo em folha para si, se lamentando para que Poe o perdoasse.

Poe não o perdoava, cuspia em si o agredia de todas as formas possíveis e no fim da noite a única coisa que queria era dormir abraçado com o russo. Essa rotina havia começado quando os dois se mudaram juntos e Poe entrou numa empresa de detetives, e foi nessa empresa onde conheceu Ranpo.

O japonês não parecia perceber o olhar fixo que Edgar tinha sobre si, o sorriso doentio e ofegante no rosto do americano, nunca percebeu e não seria nesse bar que descobriria. Não estava lotado, a atmosfera lá dentro era escura com apenas luzes roxas iluminando, e aquilo deixava mais prazeroso ainda para Poe.

O americano ria, gargalhava, seu membro duro já estava doendo dentro sua calça mas por hora não estava se incomodando com aquilo já que saberia que chegaria em sua casa e faria tudo que quer fazer com Ranpo, mas com o corpo de Fyodor, isso se o russo não descobrisse que Allan não estava "trabalhando até mais tarde".

E não aconteceu, a porta do bar foi aberta e uma figura alta, com um sobretudo preto jogado em cima da roupa amassada que vestia, olhos roxos e furiosos. Foi em direção a Poe andando com pressa mostrando todo o nervosismo que tinha dentro de si, todos que estavam dentro do bar pararam para olhar pra os dois.

— QUAL A PORRA DO SEU PROBLEMA? — Fyodor fez Edgar se levantar agarrando a gola de sua camiseta.

— Nenhum querido. — Falou num tom sarcástico, sem tirar seu riso do rosto.

— A gente resolve essa merda em casa Edgar. — Segurou com toda sua força o punho do outro basicamente o arrastando pra fora daquele bar e o jogando dentro de seu carro. — PORQUE VOCÊ É ASSIM? — Gritava Fyodor enquanto dirigia.

—... — Poe se mantia em silêncio, o riso em seu rosto desapareceu no exato momento que ele entrou naquele carro.

— SE VAI CONTINUAR ASSIM PORQUE NÃO SOME? PORQUE NÃO ME DEIXA EM PAZ? — Quase bateu o carro, e não foi a única vez naquele percurso.

— Porque eu te amo. — Falava seriamente, sabia exatamente o que falar para manipular Dostoyevsky, mas não sabia que o russo também sabia exatamente como o manipular.

— VOCÊ ME AMA QUANDO GOSPE NA MINHA CARA? VOCÊ ME AMA QUANDO MENTE PRA MIM? VOCÊ ME AMA QUANDO PERSEGUE UM CARA QUE NÃO DA A MÍNIMA PRA VOCÊ? OU VOCÊ ME AMA QUANDO NOS TRANSAMOS? QUE É O ÚNICO MOMENTO QUE VOCÊ PODE ME BATER E EU NAO VOU RECLAMAR. — Dostoyevsky quase bateu o carro novamente, gritava com os olhos fixos na estrada.

— Eu te amo em todos esses momentos. — Poe tinha uma sensibilidade auditiva absurda, queria chorar de tanta dor que sentia ouvindo o outro gritar daquele jeito. Fyodor sabia disso, mas naquele momento não se importava com nada.

— VOCÊ MANDOU EM ME MATAR ONTEM EDGAR, ONTEM. — Foi o único momento que virou seus olhos para o americano ao seu lado. — TERMINE NOSSO CASAMENTO LOGO, VA LOGO PARA AQUELE RAPAZ ESTRANHO, TRATE ELE DA MESMA FORMA QUE ME TRATA, AFINAL, NÃO COMEÇAMOS QUANDO EU PEGUEI VOCÊ TIRANDO FOTOS ESCONDIDAS MINHAS?

— Para de gritar... por favor... — Edgar perdeu a compostura seria, começou a chorar enquanto tampava seus ouvidos, não estava chorando pela situação, mas sim para fazer Fyodor ter pena de si e parar de brigar com ele. Sabia que seu marido não estava errado no que falava, Poe o amava sim, mas o amava da pior forma possível.

Via amor em Fyodor sofrendo, amor quando batia nele, amor quando o humilhava, amor quando o via se desculpar mesmo quando não estava errado, amor quando via ele tendo uma das inúmeras crises de Pânico que tinha. Poe amava Fyodor, amava ver o quão mal o tratava.

Dostoyevsky não se tornou uma pessoa ruim, controladora, possessiva e ciumenta do nada. Edgar tinha acabado com sua mente, após uma noite onde o russo se mostrou mais frágil e deprimido o amor saudável deles se acabou por completo, Poe adorava se sentir superior em relação a ele. Um amor que foi tão lindo e puro na época da faculdade, agora era o mais puro horror possível.

— Desculpa Eddie... — Uma culpa em ver ele chorando sempre assombrava seu coração deprimido, colocou uma mão na coxa de Poe acariciando a mesma.

Ficaram calados durante o percurso inteiro, Edgar colocou uma música no carro para aliviar a tensão que foi criada mas continuava a chorar. Sua cabeça era extremamente bipolar, podemos dizer até mesmo que ele havia uma dupla personalidade sádica, manipuladora, doentia, criada como defesa para acontecimentos passados.

Nunca surgiam do nada, essas doenças nunca surgiam do nada, Poe era tão gentil, carinhoso, bondoso, todos ao seu lado o adoravam e ainda adoram. Esse lado é mostrado as pessoas que trabalha ou convive pouco, e algumas vezes a Fyodor também. Edgar estava tão doente, tão tão tão doente, não tinha coragem de admitir aquilo, se procurasse ajuda acabaria internado em um hospício ou coisa parecida, então sempre permanecia afastando todos os pensamentos sobre sua saúde.

Sua vida era escura, manchada, nada possuía uma cor que não causasse enjoos em qualquer um. Sua rotina psicótica de anos e anos onde brigava com seu marido e o machucava, mas nas noites além de dormir abraçado com ele, chorava e implorava perdão, ficava assustado, com medo de si mesmo, e antes que pudesse falar em algo e bom som "eu preciso de ajuda" sua outra personalidade tomava conta de si.

Chegaram em casa, no minúsculo apartamento que viviam e assim que a porta se fechou, o inferno retornou. Poe empurrou Fyodor na parede e deixou um soco em seu estômago, o russo caiu no mesmo instante, seu corpo era tão doente e quebradisso que um abraço apertado era capaz de o ferir.

— Porque está me batendo? — Estava ofegante e com uma mão no lugar onde o soco foi disferido.

— Cale a boca. — Deu um chute no rosto alheio, tinha um sorriso tão sádico no rosto que assustaria qualquer pessoa que o visse.

Fyodor não tentou lutar, apesar de tudo nunca bateria em Poe, o máximo que havia feito era apertado seu pulso com toda sua força, mas que força? Fyodor não conseguia sequer andar direto, seu corpo estava destruído, nesse sábado em si a sua situação não era tão precária, havia tido pelo menos um café da manhã que fez ele ter forças para dirigir até o bar. Mas em suma, seus dias eram ficar deitado em sua cama olhando para o teto ou levantar e ir até o banheiro, onde forçava um vômito e cortava seu corpo inteiro com uma navalha.

Poe saiu da sala com seu sorriso, foi até o banheiro onde ligou o chuveiro quente e se despiu. Quando olhou para seu próprio sorriso no espelho, ficou extremamente apavorado, começou a chorar de imediato enquanto sentia seu coração arder e bater com tanta força que doía.

— Porque?... porque eu tô sorrindo?.... eu acabei de machucar... meu marido... — Falava pausadamente e em Pânico, se despiu completamente e entrou em baixo da água, bateu sua cabeça inúmeras vezes nas paredes daquele lugar, tantas vezes que caiu em prantos no chão, gritava tanto, tanto, todos do prédio ouviam, ele se perguntava o porquê, o porquê dele ter feito aquilo, o porquê dele ainda não ter ido procurar ajuda, o porquê dele machucar tanto a pessoa que salvou sua vida.

Se levantou cambaleando do chão e abriu uma das gavetas do banheiro, procurou a navalha mais afiada que tinha lá e a levou para baixo do chuveiro. Cortou toda parte do corpo que tinha direito, seu pescoço, seus pulsos, suas coxas, sua barriga e naquele momento sentia algo tão horrível, que pensou em tirar a pele do seu rosto inteirinha, mas foi impedido. Alguem entrou pela janela de seu apartamento, moravam no primeiro andar então qualquer animal conseguia ir até ali.

Era um guaxinim, um guaxinim que parecia estar preocupado com Poe, um guaxinim que literalmente o impediu de arrancar fora a pele do próprio rosto, e quem sabe o impediu de se matar ali mesmo naquele banheiro. O guaxinim andou até Poe, não se importou em molhar suas patinhas, só queria chegar perto do americano e assim que chegou, colocou uma de suas mãozinhas na canela do mesmo e fez um som.

O animal parecia estar com um sorriso carinhoso no rosto, aquilo fez Poe não desistir, odiava com todas as forças o lado ruim de sua personalidade, queria definitivamente a matar, mas ao olhar para aquele animalzinho inocente e puro, pensou que talvez seu lado ruim não iria voltar, e que tudo poderia ser concertado.

Jogou água em todos seus ferimentos, não paravam de sangrar visto que se cortou extremamente fundo, mas foi o suficiente para ele se levantar colocar uma toalha na cintura, segurar o guaxinim em seus braços e sair do banheiro.

Fyodor o esperava sentado na cama, o russo parecia estar mais decidido que tudo que aquele era o fim daquela relação tóxica, amava tanto seu Eddie, mas quando foi que seu amor se tornou aquela pessoa horrível que tanto temia? Dostoyevsky daria sua vida, sua vida para que Eddie voltasse a ser quem era antes.

— O que aconteceu? — Assim que viu seu marido completamente ensanguentado a ideia de acabar com seu casamento fugiu por completo de sua cabeça.

— Me desculpe Fedya... me desculpe por ter te batido... por tudo... me perdoe... — Foi caminhando até a cama e se sentou ao lado do outro.

— Tá tudo bem Eddie, eu vou pegar curativos.

E assim Fyodor deu pontos e enfaixou todos os machucados de Poe, sentia algo completamente estranho em seu coração, eram uma sensação de que ou que tudo se resolveria e os dois iriam conseguir lidar com seus problemas ou que tudo apenas pioraria daquele ponto em diante.

E é claro... a segunda opção iria se realizar.



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