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História PUPPE(t) - Capítulo 12


Escrita por: e Wurgennacht


Notas do Autor


Dedico ao meu amado Krabinfarkt. Espero que aprecie, Mein Kind.

Capítulo 12 - Capítulo XI - Requiem für die Familie


Fanfic / Fanfiction PUPPE(t) - Capítulo 12 - Capítulo XI - Requiem für die Familie

Bátega de carnífices mausoléus de parentescos. 

O festivo desenlace será o mais apetitoso dentre os mais grotescos.

Regurgitar aquoso lavava a notívaga caçada. O recitar funesto da tempestade noturna era atenuado pela melodia de Antonio Vilvaldi: “Cessate, omai cessate”. A inclemente Dorilla consagrou o tormento a Vivaldi, que o eternizou em primaz composição. Nesta versão entonada pelas cordas vocais de Sara Mingardo, observei pérfido em selvageria cavalheiresca meus ímpios convidados. Em minha necrópole, eternizaria o quadro de agonia parental a ser pintado. O pincel era meu e a mais bela tonalidade era um exótico carmim fenecido e em seu rótulo lia-se “Itachi”.


 

-Suas funções motoras são ínfimas. A apatia crônica bem como a redução de atividade física são decorrentes de sua condição. Itachi possui Síndrome de Cotard.  Por sua falha neural na amígdala cerebelosa e no giro fusiforme, mal reconhece-me. Confessou-me que você e Mikoto estão mortos.

 

Meu ignóbil irmão fitava-me com a boca contorcida e seca devido a sua constante desidratação e diligente consumo de álcool. Suas falanges tremelavam involuntariamente. Frios calafrios da abstinência. 

Estava sem beber há duas horas.

 

-Meu Itachi pode se curar disso? Por favor. Diga que ele pode, Madara.

 

Mikoto sibilou a súplica em tom ameno e submisso, temerosa de que o timbre de sua voz, caso elevado, ofendesse seu marido. O homem deveria falar mais alto, acordando com suas crenças pífias. 

 

-Sim, Mikoto. É perfeitamente cabível. Afinal, Fugaku não suportaria ter um filho enfermo pelo resto da vida. Considerando que meu irmão é demasiado frágil para lidar com tragédias… É impressionante que tenha conseguido um distintivo. - proferi ao tragar o cigarro, sentado à poltrona da sala de estar severamente decorada com um tom creme decadente. Expeli a nicotina pelas narinas ao observar com esgar o estado quase pós traumático de Fugaku. 

 

Seu  anacronismo refletido nos orbes estrangulados em vermelhidão confirmava que suas sinapses estavam em curto circuito no seu esterco cerebral por tempo indeterminado. Meu patético irmão não ouvira nada do que eu falara. Mikoto torceu as falanges em nervosismo esfarelado. Traguei o cigarro novamente, exibindo meus caninos ao analisá-los.

 

-Preciso que assines uma reles formalidade para que eu inicie o tratamento. - comuniquei, erguendo-me após apagar o cigarro no cinzeiro. Retirei de minha maleta o Informativo de Consentimento, grampeado ao Termo de Responsabilidade e repousei o documento entre as mãos de minha tola cunhada. 

 

Mikoto folheou o documento e olhou de soslaio para um inútil e despreparado Fugaku. Um deplorável progenitor, inerte em sua demência. Passou as mãos fétidas de Whisky barato pelos cabelos, espalhando o odor acre e rançoso devido ao suor que escorria por suas têmporas. Minhas narinas se dilataram com o aspirar septal ao distinguir a proveniência da bebida. Se tratava de um Blend’s: Whisky escocês da pior linha. Um ínfimo sorriso curvou meus lábios. Novamente, meu irmão exalava seu dom de escolha por produtos de execrável qualidade: tal como sua esposa. 

Estendi a caneta para a mulher estúpida.

 

-Assine, cara cunhada. Itachi estará indubitavelmente seguro em minhas mãos. Não temos mais tempo para a desidiosa apatia de seu marido alcoólatra.

 

Seus lábios tremeram e ela consentiu. Entregou-me o documento assinado e devolvi-lhe uma via da burocracia.


 

Minha língua comprimiu-se contra minha arcada dentária em um degustar sorrateiro ao vislumbrar a assinatura.  O pacto selado comigo pulsava em um sanguíneo murmúrio quente contra meu lóbulo auricular: Seu estado mental patológico agora me pertencia.

 

Convencidos da enfermidade de sua pequena prole, permitiram-me conduzir meu sobrinho ao tratamento. Tomei a minúscula mão pálida e óssea entre minhas falanges e o conduzi pelas escadas em direção ao porão. O olhar mortiço era delineado pelos cílios pesados de um exíguo menino que parecia uma boneca. 

 

Minha boneca nunca teve Síndrome de Cotard.

            O diabo era mais embaixo.

Itachi possui transtorno de personalidade dissocial, guiado para o infernal.

 

Das ist meine p u p p e t.



A mesa de carvalho comportava um antigo moedor de carne Alexanderwerk. Como praxe das boas maneiras, posicionei os putrefatos familiares em seus respectivos lugares enquanto desacordados. Faria uso de minha parafusadeira para iniciar a fixação de parafusos inoxidáveis  de dezesseis centímetros que atravessariam os pés de meus convidados. Uma cordialidade de minha parte para com vermes antes de despejá-los na vala. 

 

Delimitei o ângulo correto através de minha experiência ocular cirúrgica, estreitando as pálpebras ao iniciar a perfuração contra o músculo abdutor do hálux do pé direito de meu irmão. Seu urro inundou a sala de jantar e acordou os demais parentes. 

 

-Tentar correr será uma péssima ideia, irmãozinho. -O avisei e antes que se impulsionasse para fora da cadeira, bati com força a parafusadeira contra suas falanges, quebrando-as.  Aproveitei para parafusar devidamente seu pé esquerdo. Meu irmão tornara a urrar abatido como um porco antes de sua hora final. Ergui-me suado após meu empenho cirúrgico, encarando-o com desgosto. 

 

-Fugaku. Serei obrigado a parafusar sua língua contra seu forame infraorbital do maxilar caso continue atrapalhando meu trabalho. - o informei e parafusei sua mão canhota contra o braço da cadeira, através da perfuração carpal ruidosa.


 

Mikoto apoiava as mão trêmulas sobre os braços da cadeira. Seu tronco se erguia lento.

Lento demais.

 

Fechei as falanges ao redor de seus fios ao me aproximar por seu dorso e puxei-os para baixo, a forçando a sentar. 

 

-Madara, não…

 

-Nein. Das ist Mein Teil. -rosnei ao fitar seus orbes em selvageria, enfiando a parafusadeira contra o carpo esquerdo da matriarca em frangalhos. Sua boca abriu-se emitindo agonia muda esmiuçada. Perfurei o carpo da mão destra e dessa vez sua voz agourou a sala com um lamento agudo.

 

-Devo admitir que você possui mais colhões do que o merda do seu marido.


 

Causo o pranto, urdo o cancro e a  língua enfio na chaga mais enferma. Uma família fragmentada é alimento. Humanas réstias de moléstias para nutrir do gusano o excremento.


 

Mein Kind observava-me com a face apoiada no dorso da mão, tamborilando os dedos finórios sobre a mesa. Meu corvo despertara de seu sono com clorofórmio, vestido com minha camisa branca ensanguentada.

 

Uma sórdida ignição para meu apetite.


 

-Puppe. É hora de jantar. - Avisei-o. Itachi aproximava-se devagar, analisando com genuíno interesse as mãos de sua progenitora. Sasuke era um brinquedo esquecido e estragado que não serviria ao meu propósito naquela noite.

 

-Eu nunca havia tentado com parafusos, tio. -comentou com sua naturalidade familiar, isento de empatia como eu.

 

-PARE FILHO DA PUTA!

 

Fugaku chamou nossa atenção ao mexer-se bruscamente na cadeira. Grunhia em furor colérico e inútil. Sua fúria era desnecessária, mas eu compreendia que meu irmão necessitava fazer uma última tentativa para parecer com algo relativo a um homem com autonomia, embora não fosse e jamais o seria. 

 

-Eu lhe avisei, escória... Sobre a sua língua. Irei parafusá-la, Fugaku. Mas antes, você deveria saber que Itachi não só fez o parto de sua esposa, como também abençoou Sasuke com Paralisia cerebral devido a uma lesão no parietal mal formado de sua pequena praga recém nascida.

 

-Achei que seria o mais educado a ser fazer, tendo em vista que Sasuke era indesejado. -Admitiu meu pequeno corvo.


 

Meu consanguíneo sorriu e parou ao meu lado. Virei o moedor de carnes tendo a entrada virada para o braço direito de meu irmão. Segurei seu pulso com força e exibi os caninos em ferocidade carnífice.

-Gire a manivela, Mein Kind. -ordenei. -Gire, Puppet.

 

Com um pequeno esgar perfídio Itachi girou a manivela, saboreando a dor que engolfava sua estrutura em cada rotação maquiavélica.  As lâminas rotacionavam e recebiam as falanges frescas de meu irmão, absorto por uma dor contínua e lancinante enquanto sua carne era moída por seu filho e empurrada por mim.

Fugaku retomara os gritos e em uníssono Mikoto o acompanhara por um instante. Sua pobre estrutura desfalecera devido a queda de pressão ao ver a carne e ossos triturados de Fugaku sair pelo disco de furos como miolos frescos.

 

End of passion play, crumbling away

I'm your source of self-destruction

Veins that pump with fear, sucking darkest clear

Leading on your death's construction!

 

-Metallica, Master of Puppets.



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