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História Pure Blood - Capítulo 45


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Notas do Autor


Olá seres desse planeta ou de outro! Tudo bem com vocês? Espero que sim, apesar do momento terrível que vivemos, principalmente no Brasil. Espero poder distrair vocês de tudo um pouco hoje.
Já aviso: talvez vocês me odeiem, talvez vocês não me odeiem, talvez se decepcionem. ENFIM, esse capítulo pode ser um misto de emoções. Eu fiquei extremamente animada escrevendo esse capítulo, talvez porque eu tenha uma queda por personagens doidos.
Vamos ao capítulo, e nos vemos LÁ EMBAIXO! Não deixem de ler as notas finais!
P.S: Qualquer erro na gramática, me avisem, eu revisei duas vezes, mas estava tão ansiosa para postar que posso ter deixado algo passar.
Música: Bad Liar, Imagine Dragons.

Capítulo 45 - XLV - Bad Liar


A chuva não dera uma pausa sequer desde o começo da semana, e nesse dia em especial não seria diferente. O frio implacável belisca a pele por debaixo do mais grosso casaco, não há uma meia que esteja seca fora de casa. A cidade parece afogada.

As rodas dos carros que andam próximos um ao outro, espirram lama para todos os lados, esmagam lixos levados para a rua através da água suja. Dentro de um dos carros, envolvida pelo ar quente e com uma mão fria apoiada em seu joelho, Moonbyul observa a paisagem borrada vista através do vidro coberto de água e vapor do carro. Ela não tira os olhos dali, mas pode sentir YongSun tensa ao seu lado. Nos bancos da frente, Wheein dirige com Hyejin no banco do passageiro. Ambas com o olhar preso na rua á frente. Ninguém diz nada.

Moonbyul finalmente decide desviar o olhar da janela, e é capturada pelos olhos da amiga no retrovisor. Seus olhos estão preocupados e ao mesmo tempo questionadores, uma duvida profunda dançando sob suras íris escuras, tão forte que causa um arrepio pelo corpo da modelo. O que ela quer dizer com aquele olhar?
- Isso não vai ser fácil – Hwasa se pronuncia, fazendo com que Wheein leve sua atenção novamente para o caminho.

- De fato – a motorista concorda – Mas em todas as organizações, há sempre um grande traidor, e é o dever do líder tomar uma decisão sobre isso, não importa o quão difícil seja – a voz da mulher é sombria e cansada ao mesmo tempo, como se seus pensamentos estivessem longe.

Os pensamentos ficam presos naquele tom, conhece a amiga o suficiente para que apenas aquele tom de voz, o olhar, a preocupe, e faça com que sua pele se arrepie. Segura a perna de mexer freneticamente, precisa conversar a sós com Wheein urgentemente.

- Estamos aqui – Hwasa anuncia após um alto suspiro. Se ela não o tivesse feito, Moonbyul sequer iria perceber que o carro parou e que estão na entrada da Sundo, talvez sequer tivesse piscado.

Antes que possam descer do carro, a porta da empresa se abre dando passagem para quatro funcionários carregando guarda-chuvas pretos. Cada um abre uma porta do carro e recebe as mulheres com um sorriso e uma mão estendida. Moonbyul se obriga a sorrir de volta e aceita a mão firme do rapaz de terno.

O caminho pelo corredor escuro é acompanhado pelo som molhado que os sapatos fazem no chão encerado, além disso, não há nenhum outro som. Durante a breve caminhada, Byul sente Wheein se aproximar, suas mãos se tocam levemente e ela sorri fraco para a amiga no escuro, mesmo sabendo que a mesma não pode enxergar.

Ao invés de entrarem pela porta que leva ao hall principal, elas viram à direita no corredor e seguem em frente por mais alguns segundos, chegando a uma porta dupla de madeira branca que se abre quase que instantaneamente.

Moonbyul se depara com uma escada de gesso branco que se estende até sumir de vista. Apesar de ser um pouco estreita, é possível que se suba em duplas. A iluminação dos degraus se dá por luzes de LED quase amarelas colocadas no fim das paredes que circundam a escada. YongSun vai na frente com Hyejin ao seu lado.

A porta se fecha assim que as duas amigas sobem o primeiro degrau. A modelo respira fundo antes de começar a subir, mas para seu movimento assim que sente a mão pesada de Wheein em seu ombro.

- Precisamos conversar – ela diz séria, seus lábios em uma linha.

- Desconfiei.

- Vamos subir, na parte detrás do camarote tem um banheiro – explica, colocando a mão na base da coluna da garota e a empurrando levemente para que prossiga.

- Como sabe disso? – questiona, apesar de querer perguntar “porque vampiros precisam de banheiro?”

- Já estive em outras peças de teatro – responde sarcasticamente.

Obviamente, não há como interpretar aquela fala. Contudo, concorda com a mulher e sobe o restante dos degraus que a leva, de fato, a um camarote com duas cadeiras altas já ocupadas pelas donas da Sundo. O camarote é feito de pedra em estilo romano antigo, detalhada com desenhos entalhados em dourado. O local inteiro parece como uma grande Ópera, um teto abobadado e o formato arredondado seguindo a lógica de um coliseu.

Moonbyul não pode vê-los, mas pode senti-los. Centenas de vampiros cobertos pela escuridão sentados nos bancos da “plateia”. Os únicos lugares iluminados são três camarotes, um ocupado pelas mulheres e mais dois ocupados por uma dupla de homens que a modelo nunca vira antes, mas pode sentir a imposição que a presença deles passa.

As pessoas resmungam e cochicham, se movem desconfortáveis, algumas riem baixo, outras xingam tudo o que podem, mas quando Ahn-Hyejin ergue a mão direita, o silencio total se instaura instantaneamente. Após alguns segundos, ela e YongSun se levantam, dando alguns passos para se aproximar da barreira do camarote.

Quando elas começam a falar, Wheein segura Moonbyul pelo pulso e a arrasta para a escuridão detrás do camarote. Elas andam em um pequeno corredor com apenas duas portas e entram na mais próxima.

A primeira coisa que a mulher faz é ligar a luz e em seguida ligar a torneira da pia de mármore preto. Seus olhos demonstram urgência e ela abraça Moonbyul rapidamente, sem dar tempo de uma reação, ela se afasta a segurando pelos ombros.

- Precisamos ser breves, o discurso não vai durar muito. – ela respira fundo – Eu e Hyejin trabalhamos juntas na minha breve carreira de espionagem, o intuito obviamente era descobrir os planos da Lux e derruba-la facilmente, principalmente após os ataques mais recentes. Mas, além disso, Hwasa tinha outros planos, ela queria saber mais coisas, afirmar suspeitas já antigas que ela tinha – a mulher luta para não atropelar as palavras, o nervosismo claro – Nós não podemos permitir o julgamento da Roseanne.

 

 

As arquibancadas estão acesas, as pessoas estão de pé e gritando descontroladamente, umas com raiva e outras extremamente e assustadoramente animadas, sendo essas ultimas a esmagadora maioria. Moonbyul agradece essa comoção mentalmente, já que está uma pilha de nervos e seu coração poderia ser ouvido a quilômetros de distância.

- Fique perto de mim – Wheein murmura e Moonbyul precisa se controlar para não revirar os olhos, tecnicamente ela é bem mais forte que a amiga, e ainda assim ela a trata como uma criança.

As donas da Sundo estão voltando as cadeiras, as outras duas estão paradas ali, como se não tivessem saído. Hwasa dá um olhar rápido, mas significativo, para Wheein.

Enfim, com a visão da frente livre, a modelo dá apenas dois passos para frente antes de poder visualizar o centro da arena de terra batida. Duas vigas brancas em estilo romano estão postas paralelamente uma á outra, entre elas, está uma mulher ajoelhada, os braços suspensos por correntes grossas sustentadas na altura pelas vigas. O vestido branco da mulher está em farrapos e encardido pela terra, a cabeça baixa, os cabelos encobrindo qualquer visão que se possa ter de um centímetro de pele sequer do seu rosto. Ao seu lado está outra mulher, vestida de preto, o rosto escondido por uma máscara dourada. O estômago de Moonbyul embrulha.

- Levante-a – a voz de YongSun ecoa e envia um arrepio para a coluna da modelo que assiste a cena atentamente.

A mulher mascarada se aproxima de Roseanne, afasta seus cabelos com brutalidade e segura em seu queixo, forçando a cabeça para cima causando um estalo do pescoço que pode ser ouvido por todos os vampiros presentes. Os olhos semiabertos da ré pousam no camarote, Moonbyul poderia jurar que ela está olhando para ela. A mulher mascarada mantém a mão no queixo da mulher, como se estivesse expondo o rosto dela para os telespectadores que começam a gritar em excitação.

Pelo quanto do olho, sem se atrever a encara-la de fato, Moonbyul pode ver YongSun sorrir abertamente. Ela levanta a mão levemente, e a mulher puxa Rosé com força, obrigando-a a se levantar, seu rosto antes neutro se contorce em uma careta de dor. É possível ver seus joelhos tremendo. O público grita mais alto, batem palma, xingam e batem os pés.

- Somos uma família! E isso é o que traidores da família recebem! – Solar grita, e como se já não fosse impossível, os vampiros gritam mais alto ainda – E como uma família, decidiremos o destino desse verme – ela cospe as ultimas palavras, sem tirar os olhos da ré.

Hyejin não diz nada, se mantém sentada, o queixo apoiado na mão direita e a mão esquerda batendo levemente contra a madeira da cadeira, seus olhos escuros presos na sócia que discursa, mas seu olhar não está ali. Ela parece incerta e pela primeira vez Moonbyul sente insegurança na mulher, não tanto, uma gota. Mas mesmo uma gota já é mais do que ela esperava ver em toda sua vida.

- Senhores – YongSun aponta para os outros dois camarotes e um homem de cada um se levantam e o público se cala.

- Queimem-na, como uma vampira – um deles diz, sua voz grossa reverberando.

Com um sorriso mínimo, YongSun se volta para o outro vampiro que apenas acena com a cabeça. Os olhando dali tão imponentes e poderosos, Moonbyul pode concluir que são da alta cúpula dos vampiros, de outro clã, mas ainda assim importantes. Como juízes do submundo vampírico. Decisões como aquela não poderiam ser tomadas sem a presença dos homens.

- Que assim seja.

Os gritos retornam, aos risos, a mascarada se aproxima, pegando a mulher pelos cabelos. Pela primeira vez, Roseanne demonstra medo. Ela puxa as correntes e o tilintar é como facas nos ouvidos da modelo, os nós dos seus dedos embranquecem pelo aperto que ela dá na barreira de pedra, a ansiedade brotando por cada poro da sua pele, aquilo não poderia acontecer. Apesar de não compreender os motivos de Roseanne em ter participado daquilo, não aceitaria tamanha injustiça, sua “traição” não é nada comparada a verdade. Seu peito dói.

- Deus... – murmura sob a respiração falha.

Atrás de si ela escuta uma breve comoção, o farfalhar de tecido e um murmúrio baixo que pode ser reconhecido pela sua audição aguçada como a voz de Jung Wheein. Moonbyul se atreve a olhar para YongSun quase ao seu lado, buscando alguma percepção em sua expressão, mas ela está tão absorta no show que ela própria produziu que não nota nada.

- Como foi dito – a voz de Ahn-Hyejin corta a comoção, todos param instantaneamente para olha-la, até YongSun parece surpresa – Somos uma família, e os traidores dessa família merecem ser punidos – ela faz uma pausa, ninguém ousa sequer se mexer, as sobrancelhas da sua sócia estão juntas agora e a modelo parada a poucos metros pode ver suas juntas brancas sob a barreira, assim como as suas estavam segundos atrás. Wheein se aproxima, ficando atrás da mulher que agora fala em alto e bom som – Por isso, hoje o julgamento não será o de Roseanne Park – Moonbyul já sabe o que fazer, por mais que seja desagradável. Ela começa a se aproximar de YongSun discretamente – O julgamento que presenciaremos hoje é de Kim YongSun.

A plateia irrompe em um burburinho incontrolável, todos chocados demais com a afirmação para sequer gritarem como gladiadores assistindo a uma chacina. Os homens nos outros camarotes se levantam, chegando o mais perto que podem da beirada, apesar de não demonstrarem um sentimento sequer é obvio que estão tão surpresos quanto a sócia, agora ré.

- Do que você está falando, Hyejin? – ralha entredentes, dando um passo para trás. Próxima demais da escada...

- Isso mesmo! – Moonbyul se pronuncia, se aproximando rapidamente da vampira – Que merda é essa? – ela enlaça o braço no da mulher de uma maneira protetora.

- Creio que Kim YongSun sabe muito bem do que estou falando – Hwasa sorri e aponta para a sócia – Te passo a palavra, minha querida.

A mulher respira fundo, a modelo firma seu aperto no braço fino e gelado. E, inesperadamente, uma risada retumba do peito da mulher e reverbera pela arena silenciosa. Todos a encaram perplexos.

- Levou a você tempo suficiente – diz, por fim, fingindo recuperar o folego – Eu gostaria de dizer que sinto muito, Hwasa, mas eu estaria mentindo.

- Foi tudo culpa dela! – Wheein se coloca sob o holofote, causando uma onda de arquejos – Tudo o que aconteceu, toda a chacina, toda a ... decadência de Roseanne. Foi tudo arquitetado por essa mulher! – ela aponta firmemente para YongSun que rosna e dá um passo para frente, mas é bloqueada por Ahn-Hyejin que se coloca protetora na frente da humana – Ela matou o Bispo, líder da Lux, assumiu o lugar e colocou Roseanne como um bode expiatório, que aceitou pelo simples fato de ser uma serva devota de Kim YongSun. Ela sofreu uma lavagem cerebral, pressão psicológica, dependência emocional, seja o que for, ela não tem culpa de ter estado naquela posição! – ela espera um tempo, para que possam assimilar a informação tão chocante. Moonbyul sente os músculos da vampira se tensionarem ao seu lado - É por isso que a Lux derrubou tantos clãs, sempre sabiam onde estavam, sabiam como agir, porque ela sabia!

A descoberta paira no ar como uma nuvem pesada. Ninguém tem coragem de dizer qualquer outra coisa, apesar de uma humana ter revelado aquilo, eles sentem o apoio de Hwasa ao lado dela. Não ousam questionar, portanto, esperam. Um dos homens encara Hyejin, que apenas acena com a cabeça.

- Cortem-na cabeça – ele não grita, não mostra emoção em sua voz. Mas parece crer firmemente, sua voz transmite certeza e poder. Os outros concordam prontamente.

- Façam-no agora – diz outro, no outro camarote.

Eles já deviam estar desconfiados de algo do tipo. Moonbyul se sente tola, patética, inútil. Não sabe como reagir. Apesar de ter concordado com Wheein sobre deter a mulher e ter acreditado e compreendido cada palavra que lhe foi exposta, ela não pode controlar seu coração. Não pode parar de sentir o que sente por aquela vampira, seja ela a traidora que for. Então, o que deve fazer? Seguir a razão ou o coração? Porque ela tinha que ser posta naquela posição? Se não se importasse com aquelas pessoas presentes ali, provavelmente teria partido, e deixado as coisas se resolverem sem estar envolvida. Mas não pode. Não pode deixar para trás as pessoas que estão ali, sua amiga e Hwasa. Não pode deixar para trás Gupta.

O caos se instaura no momento em que YongSun dá seu primeiro passo, não em direção a escada, ela sabe que não poderia fugir por ali, mas na direção da sua amiga. E de Wheein.

Algumas pessoas tentam escalar o camarote, berrando, mas eram bloqueadas por outras pessoas que, aparentemente, não acreditavam na história contada. No camarote, os movimentos foram rápidos, YongSun se soltou do aperto de Moonbyul se pulou contra Hwasa que empurrou Wheein para longe, fazendo com que ela caísse sob as cadeiras, a tempo de bloquear o soco que seria certeiro em seu rosto. Contudo, a vampira tinha outros planos, com a mão livre pegou o outro braço da ex-sócia rapidamente e o torceu em ângulos alarmantes, fazendo com que o punho tocasse lugares que não deveria. Moonbyul estremece ao ouvir os ossos se partindo, mas a vítima segue inabalável, derrubando a outra com uma rasteira, o braço esquerdo inutilizável pendendo ao lado do próprio corpo.

A luta continua, após o momento de letargia de Moonbyul, ela corre até a amiga caída sobre as cadeiras agora quebradas.

- Wheein – arqueja, ajoelhando-se ao lado da amiga e colocando as mãos no rosto dela – Você está bem?

- Sim... – ela responde com uma careta, sangue pingando da testa agora cortada – Precisamos fazer alguma coisa.

- Você tá’ doida? – ela ajuda Wheein a se levantar – Olha pra elas.

As duas observam a luta que se desenrola entre as duas mulheres. YongSun está se saindo melhor, pelo visto. Com Hwasa no chão, ela pega a mão do braço injuriado da mulher e o levanta, descendo o pé com toda força sob o cotovelo já deslocado, Hyejin se contorce de dor.

- Porra, nós não podemos... – Wheein começa e é interrompida pelo baque de YongSun caindo no chão, quase aos seus pés.

Hwasa se aproxima, andando com certa dificuldade, com seu braço bom ela levanta a mulher caída e a arrasta até a barragem do camarote, segura em seu pescoço e levanta a cabeça na altura certa antes de empurra-la contra a pedra branca romana. Várias e várias vezes, o sangue escuro jorrando, manchando todo o camarote. Ela só para quando a mulher, quase inconsciente, segura seu braço e de alguma forma a derruba contra a estrutura onde antes sua cabeça era esmagada. Um pedaço da estrutura se solta, despedaçando-se no chão de terra lá embaixo.

Caída no chão, Hwasa se vê o rosto ensanguentado da ex-sócia pairando sob sua visão embaçada. Não entende como aquela garota poderia ser tão jovem e tão forte, talvez seus sentimentos a estivessem bloqueando de liberar toda a sua fúria sob aquela pessoa que fora sua amiga. Que, ela se atreve a dizer, ela amou. Ainda ama, na verdade. Essas coisas não se vão fácil.

- Porque? – se pega questionando – Porque fez isso, Solar?

- Você não entenderia – ela cospe sangue no chão – Não entenderia o que eu sinto. Não entenderia como tudo se desmoronou dentro de mim e nunca mais foi reconstruído. Eu queria destruir tudo, fazer o lado de fora ser como o lado de dentro – ela bate no peito – E não me importava com quem eu derrubaria no caminho, não me importava em destruir todos vocês. Essa... família... que se foda. Eu queria poder, de todos os lados, e ter o caos em minhas mãos, Hwasa – as mãos sujas se esticam tremulas.

- Solar... o que aconteceu com você? – a dor em sua voz faz o coração de Moonbyul, que assiste tudo atentamente, estremecer.

- O que aconteceu comigo? O que aconteceu com você e toda sua busca por poder? Todas as suas promessas?

- Por Deus! Ouça a si mesma!

Wheein se tensiona ao lado da amiga, que sabe exatamente o que ela quer fazer. Ela quer proteger Hwasa, o que é, com todo respeito, ridículo. A força da mulher é mil vezes maior e mesmo assim ela está ali, no chão, imagine com uma simples humana como Wheein. Não. Moonbyul não a deixaria se arriscar dessa forma, ela se prepara para segurar a amiga caso seja necessário.

A parte da luta principal ali, na arena uma verdadeira batalha rolava solta. Vampiros contra vampiros, derrubando uns aos outros, gritando absurdos, se ferindo. Enquanto isso, Roseanne permanecia presa, de joelhos, cabeça baixa. A cena causou uma pontada no coração de Moonbyul, apesar de tudo.

Com a forte comoção lá embaixo, a estrutura estremece e pedaços da barragem do camarote, já em frangalhos pelos golpes das vampiras, começam a se desfazer, caindo com um estrondo lá embaixo.

- Já chega, Hwasa – YongSun se aproxima da mulher, se agacha e coloca as mãos dos dois lados da cabeça da mulher – Acabou.

O peito de Moonbyul dói e ela suprime um grito na garganta, foca sua atenção em Wheein que está prestes a saltar sobre a vampira, mas é impedida pela mão firme da modelo em seu abdômen.

Ao contrário do que se esperava, a Hwasa não se move, pelo contrário, ela suspira resignada e então solta um riso pelo nariz.

- Sabe de uma coisa, YongSun? Eu amo você. Mesmo agora.

A fala pega a todos de surpresa, inclusive Solar, que hesita. A mão de Moonbyul se afrouxa e tarde demais ela percebe que Jung Wheein não hesitou um segundo sequer. Ela corre com agilidade para cima da mulher.

As novas – nem mais tão novas assim – habilidades da recém-vampira permitem que a cena se torne uma grande câmera lenta digna de Matrix. Ela consegue ver até mesmo a poeira grudar e desgrudar dos pés da amiga que corre, não mais em alta velocidade. Mesmo podendo processar tudo aquilo no tempo que quisesse, ela não precisa pensar duas vezes, ela agacha e estica a mão, segura o tornozelo da amiga com força, puxando-a com certa brutalidade.

Pela segunda vez na noite, Jung Wheein está sendo jogada contra as mesmas cadeiras. Mas dessa vez, sua amiga não corre ao seu encontro. Moonbyul acelera seus movimentos para chegar até as duas mulheres antes que o pescoço de Hwasa seja estalado secamente. Ela sente seu corpo se mover mais rápido do que jamais se movera e em contrapartida, sua visão ainda desacelera toda a cena, dando-a uma vantagem.

Aproveitando o momento de hesitação de YongSun diante das palavras de Hyejin, a modelo aperta os braços da vampira e o afasta da ex-sócia no chão. Ela segura suas mãos para o alto e a faz ficar de pé, então se colocando cara-a-cara. O olhar da mulher sobre si é de pura fúria, ódio cego e ardente. O torpor é a única coisa que salva Moonbyul de uma reação imediata da mulher, e logo isso passa. Ela se solta do aperto da modelo como se seu toque fosse como ácido em sua pele.

- Eu não quero te matar, Moonbyul – ela rosna.

- E você não vai.

Seu olhar recai brevemente sobre as pedras partidas na arena de terra, o cérebro fazendo uma rápida associação a tudo o mais rápido possível. Ela se aproxima da vampira mais velha que tenta barrar sua aproximação com a mão em seu peito e ela usa toda a força que ainda existe em seu corpo para conseguir se aproximar, e consegue, quase esboça um sorriso ao sentir seu peito tocar o da outra.

Aquela é a única forma que pode fazer aquilo. Não se atreve a olhar em volta, a desviar os olhos do par de fúrias no rosto da outra.

O calor que sente ao enrolar os braços ao redor do corpo da outra quase a faz parar. Seus olhos lacrimejam. Ela realmente sente muitas coisas em relação aquela mulher, antes tinha certeza do que sentia, agora parece tudo tão confuso. Tão embaçado. Tão... doloroso.

Os músculos das pernas ardem com a pressão extrema coloca sobre eles. Moonbyul coloca o nariz na curva do pescoço da mulher e respira fundo, seus pés deixam o chão, o peso do seu corpo empurra ambas para a beira do camarote. Antes que qualquer pessoa possa reagir, ela sente os cabelos sendo levados com o vento, a expressão de confusão de YongSun é substituída por puro alívio. Moonbyul desvia o olhar por tempo o suficiente apenas para ver a ponta grande e afiada de pedra despontando do chão, onde cairão em breve.

- Filha da puta! – ela ouve a voz de Wheein, brava, desesperada, triste. O pânico dela quase entorpece seus sentidos, mas ela volta a si ao sentir YongSun corresponder ao seu abraço, pronta para o impacto.


Notas Finais


REVIRAVOLTAS! Novela mexicana com mais reviravoltas que Maria do Bairro.
Primeiramente: não quero que fiquem chateadas comigo! Eu sempre tive planos dessa fanfic ser uma coisa nada clichê, e eu queria uma "vilã" não óbvia, complexa, e que cada reviravolta surpreendesse os leitores, espero conseguir isso, apesar dos xingamentos que posso vir a arrancar de vocês. Espero que vocês compreendam toda a construção dos personagens e em como YongSun sempre foi uma personagem sombria, que apesar da aproximação da Moonbyul, nunca foi uma pessoa aberta de verdade e nunca soubemos como ela realmente se sentia. Mas não se deixem enganar: ela realmente tem sentimentos inimagináveis pela Moonbyul, nunca mentiu sobre isso.
Segundamente: esse não é o fim! Ainda teremos mais um capítulo, e terá muito Wheesa e resoluções finais. Será um final feliz? Depende do ponto de vista.
Eu já tenho o ultimo capítulo preparado, mas ainda estou disposta a ouvir os leitores! Caso vocês achem que eu fui muito cuzona em fazer um final, digamos, pouco ortodoxo para uma fanfic de casal, posso pensar em reajustar algumas coisas em relação a YongSun para nosso fechamento. Enfim, estou aberta a críticas e sugestões. Não me odeiem!

Até o próximo, que virá correndo!


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