1. Spirit Fanfics >
  2. Pure Blood >
  3. Capítulo Um

História Pure Blood - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Oi gente, voltei!

Bom, espero que apreciem a história. Estou ansiosa com ela e pretendo postar mais.

Capítulo 2 - Capítulo Um


Fanfic / Fanfiction Pure Blood - Capítulo 2 - Capítulo Um

Ela desabrochava lentamente e de forma preguiçosa aos olhos do homem, lembrando-o das rosas que a mãe cultivava com carinho em casa e que, diariamente, lhe exigiam cuidados e, consecutivamente, faziam-na sorrir tranquilamente. E, como a mãe, ele também viu-se tranquilo em sua presença...

 

O trem rumava ruidosamente pelos trilhos, vez ou outra balançando os compartimentos abarrotados de alunos que retornavam a rotina da escola carregados de vívidas lembranças de férias compartilhadas vez ou outra aos berros e, naquele mesmo ambiente festivo, ouvia-se o som de risos da garota loira e do garoto ruivo.

Explicações triviais foram trocadas entre eles; Carlos explicou-lhe, após ter sido questionado pelo motivo de manter-se afastado dos demais familiares, o significado de ser um monitor, explicação suficiente para que a jovem resumisse sua responsabilidade como a de ser dedo-duro dos atos dos alunos.

Embora nada atraente fosse o sinônimo, o ruivo viu-se em instantes de silêncio antes de permitir que uma risada gutural escapasse por entre seus lábios em resposta a espontaneidade do comentário alheio; contrário a forma irônico que os irmãos empregavam a aquele sinônimo, este escorreu por aqueles lábios como uma brincadeira entre dois velhos conhecidos, asseverando uma inocência a garota Malfoy que ele admirou de imediato.

Temeroso de que o silêncio entre eles se instaurasse, Carlos ocupou-se em contar-lhe sobre o quadribol e, de forma a se vangloriar, de lhe contar sobre suas próprias façanhas, as quais ela não dirigiu muito interesse próprio, contrário ao que comumente ocorria com as demais garotas. Verdade seja dita, ela esboçara surpresa pela jogatina, relatando que na antiga escola, tais esportividades não ocorriam. Não somente a surpresa transpareceu em seu rosto de porcelana, como também a ansiedade, revelando-lhe que adoraria assisti-lo e torcer por ele, o que novamente o fez rir e explicar-lhe a rivalidade de suas casas – afinal, nenhum Malfoy havia pertencido a uma casa distinta da Sonserina, lugar que sabia que ela seria designada tal qual os demais descendentes.

Anguis, por sua vez, demonstrou-se desgostosa com a ideia de rivalidade entre casas de uma mesma escola e, jogando a cabeça para trás a fim de afastar os fios de cabelos longos de sua fronte – os quais exalavam aroma floral que ele aprendeu a inspirar cautelosamente e inebriar-se com ele – asseverou-lhe que “era tolice disputas entre bruxos de mesma classe” – ele havia enrubescido, mas achara gratificante sua ingenuidade inicial, temendo que, com o tempo, ela fosse poluída pela escola.

E dessa forma, o livro velho que acompanhava Carlos nestas viagens de ida e volta da escola acabou por ser esquecido no lugar vago ao seu lado, visto que suas explicações e comentários eram bem recebidos aos ouvidos da empolgada ouvinte, sendo ele brindado com suspiros de admiração e fascinação, reações diversas, reprisa-se, das que comumente percebia de seus irmãos mais novos, tais como bocejos, revirar de olhos e até mesmo leves risadas zombeteiras.

— Mas eu ainda tenho que sentar em uma cadeira e um chapéu velho irá me designar uma casa, com a qual eu irei manter do início ao fim de minha estadia. Então, quer dizer que o diretor da casa, da minha possível casa...

 Ela se corrigiu imediatamente quando Carlos arqueou a sobrancelha – haviam dialogado longamente sobre como ela deveria se inteirar com aquela nova realidade e, portanto, incluir-se. O som cristalino de suas palavras inundavam a cabine, sendo perceptível a forma como sua pronuncia destacava a região de estudos antiga.

—... É alguém estranho, de cabelos sebosos, que eu devo me preocupar? Isso não faz muito sentido, afinal eu e ele estaríamos do mesmo lado. Se eu ganhar pontos, a casa dele ganha pontos!

A jovem cruzou os braços ao centro do peito, uma expressão consternada modelando-se a sua face. Em contrário a isso, Carlos permitiu que um sorriso pequeno se formasse aos lábios – ok, ele havia deixado subentendido que não apreciava muito os métodos de Snape, mas ele ainda era monitor e como tal, era seu dever manter a ordem, não depreciar o professor. Mesmo que este merecesse por tornar a vida dele mais difícil.

Embora o sorriso de Carlos iluminasse suas feições e o tornasse ainda mais belo do que o normal, a garota viu-se mordiscando o lábio inferior, temendo ter soado tola com aquela dedução sucinta de suas palavras – exatamente por ele ter se mostrado gentil com ela, ela ansiava por sua aceitação e até mesmo desejou que aquele velho e bobo chapéu lhe designasse a mesma casa que a dele.

—  Bom, de uma forma resumida e clara, é isso mesmo. Snape não é alguém que prejudica a própria casa, então creio que não há problemas com isso. Mas quando o assunto são as demais casas...Ele tem a tendência de ser um homem rigoroso.

“Para não dizer cruel”, ponderou ele.

A Malfoy dera de ombros, abanando a mão direita como se aquilo não fosse tão importante.

— Ora, e exatamente porque não há...

A porta escancarou-se, sobressaltando Carlos enquanto o rosto de garotos ruivos e idênticos era revelado.

—... Reclamações?

A garota finalizou a meio fio de voz, resignada pela aparição.

O rosto dos dois ruivos iluminou-se ao olhar de Anguis a Carlos e, novamente, de Carlos a Anguis, em evidente zombaria. O ruivo prostrado a direita encarou-a antes de permitir que um riso escapasse por entre seus lábios, risada esta que foi acompanhada prontamente pelo da esquerda em um momento íntimo que somente gêmeos podiam compartilhar enquanto o resto do mundo se sentia isolado.

Em contrapartida, a loira, atraída pela versão idêntica a frente de seus olhos, arqueou a sobrancelha temendo ser a única a não compreender a diversão compartilhada entre eles e, portanto, aguardava pacientemente alguma explicação ou reação; Carlos, por sua vez, assistia a tudo horrorizado, esforçando-se para não gritar a plenos pulmões com os irmãos para que saíssem. Seu rosto aqueceu-se e sabia que estava ruborizando - aquele mesmo olhar na face dos irmãos era de seu conhecimento e ele sabia quando um plano maquiavélico estava sendo formulado por eles e, em sua grande maioria, envolvia envergonhá-lo.

— Carlinhos 'tá namorando, Carlinhos 'tá namorando...

O coro de vozes explodiu assim que ruivo entreabriu os lábios para proferir qualquer comentário que fosse para impedi-los. Os mais novos riram debochadamente assim que o rapaz, envergonhado, pusera-se de pé do assento do trem, decidido à expulsa-los do ambiente até então reservado.

Em meio a sua ânsia de alcança-los no curto corredor que o separava deles, desajeitadamente, o ruivo pisou sobre o pé direito de Anguis que exclamou um sonoro “ai” antes de recolher ambas as pernas por sobre o banco, protegendo-as dele.

— Desculpe... Eles... ignore-os. São uns idiotas.

Nervoso, murmurou Carlos em direção a Anguis. Sua mão destra encontrou a cabeça de um dos gêmeos e, imprimindo força a ela, tratou de afastá-lo, ou tentar afastar, pela abertura da porta.

Enquanto Carlos lutava com ambos os gêmeos que, travessos, voltavam a abertura e empenhavam-se em constranger o mais velho com uma cantoria desafinada, porém gritada, uma gargalhada preencheu o ambiente.

A gargalhada era deliciosa aos ouvidos, quase contagiante, e foi suficiente para que os garotos travessos cessassem a cantoria e encarassem, duvidosos, a figura loira que apoiava ambas as mãos ao centro do abdômen, pendendo a cabeça para trás. Os olhos cerrados da garota e a forma como ria fez com que o vermelhão que assolara as feições de Carlos se intensificassem.

—  Qual é o problema dela?

— O que você fez com ela, Carlinhos?

— Mamãe vai ficar furiosa!

Intercalaram os gêmeos simultaneamente, ambos esforçando-se, na ponta dos pés, para visualizar a jovem por sobre o ombro do irmãos mais velho e musculoso, este que esforçava-se para mantê-los afastados da cabine.

— Talvez ela seja alguma espécie nova de transmorfo ou tenha algum distúrbio mental...

Carlos cambaleou ante a possibilidade da mãe vir a descobrir que (1) ele poderia, mas não estava, namorando e (2) de que a possível garota fosse descendente da linhagem Malfoy, da qual a família sofria represália por vezes – não sabia-se se seu cambalear se dera por esta constatação ou pela insistência dos gêmeos em empurrá-lo para continuar o interrogatório maléfico com a garota que havia lhes capturado a atenção.

Por fim, esgotado pelas tentativas infrutíferas de conter os irmãos mais novos, Carlos sentou-se ao banco nada macio do trem, estatelado ao elevar a mão destra a face, tentando, desajeitadamente, cobri-la apenas para não deixar a vista a própria vergonha pelos atos quase hediondos dos rapazes.

Já os gêmeos, tornaram a adentrar ao compartimento, tendo o da direita observando o da esquerda com um ar zombeteiro a face.

— Andou prestando atenção nas aulas? Desde quando?

— Algumas coisas são interessantes e até pode ser úteis nos nossos futuros negócios. Confie em mim.

E enquanto a discussão entre eles sobre a necessidade das aulas prosseguia, Carlos elevou a mão que antes servia de âncora para ocultar sua vergonha aos fios avermelhados, empurrando para trás uma mecha solitária do cabelo que, naquela confusão, desprendera-se do rabo de cavalo anteriormente bem arrumado a seu gosto.

— São seus irmãos, pelo visto.

Anguis constatou, conquistando a atenção de Carlos. Contrário ao que ele esperava, a jovem pendeu a cabeça para o lado enquanto os analisava, um sorriso aos lábios incontido iluminou suas feições pálidas e delicadas – certamente, ela lembrou-se, aqueles eram os garotos do embarque dos quais ela logo de cara, sem haver a necessidade de uma troca de palavras, havia simpatizado pela simplicidade que contrastava com a imponência da própria família em causar impacto por onde passava. Era o ônus de se conviver com Lúcius Malfoy.

E, com a constatação óbvia de que a amizade com eles podia causar espanto ao pai assim como o aborreceria, ele pusera-se de pé, caminhando em direção aos ruivos que ainda ocupavam-se com um diálogo que havia evoluído para a simplicidade de poções e a necessidade de novas pesquisas na biblioteca, em especial sobre os livros “que não deveriam ser pegos”.

O ruivo da direita, percebendo a aproximação da loira, não ocultou uma exclamação de surpresa, dedicando ao irmão tagarela da esquerda uma cotovelada certeira que lhe atingiu o centro do estômago e, por consequência, após um impropério alto, o fez cessar as palavras rudes sobre professores pirados e insensatez no ensino.

— Tecnicamente, ele tem muita sorte de nos ter como irmãos. Fred e Jorge, Jorge e Fred. Weasley.

— As pessoas mais interessantes que irá conhecer por aqui, sem sombra de dúvidas.

— E garantimos que não há nada que não possamos conseguir para você.

O ruivo da direita que assinalou se tratar de Fred elevou o braço esquerdo ao pescoço do irmão da esquerda, Jorge, puxando-o em sua direção.

— Pode contar conosco para o que precisar e acredite, não há necessidade de nos contar seus planos, sigilo é a alma do negócio.

Jorge elevou o dedo indicador, interrompendo o irmão.

— A não ser que tenha problema com professores. Acredite, nós gostamos de saber até mesmo para saber se concordaremos com você, ai colocamos a nossa alma no trabalho...

Carlos estufou o peito ante os comentários, demonstrando preocupação pelas palavras sopradas dos irmãos – ele era monitor, e como tal era seu dever zelar pelo bem estar da própria casa, e isso incluía não permitir que as pessoas acreditassem que os irmãos mais novos, recém-chegados a escola, viessem a derrubar o patrimônio que havia sobrevivido por gerações. Aliás, ele próprio não parecia se interessar em ter seu nome ligado ao dos arruaceiros então tratou de caminhar até a porta da cabine, puxando sua porta a fim de trancafiá-los naquele espaço reservado.

— Eu... Eu não sei se quero ter problemas com professores.

Anguis fez uma careta com a ideia de precisar “eliminar” professores de sua lista ou coloca-los em uma lista negra. A antiga escola era rígida no quesito de que as alunas deveriam ser modeladas para serem damas na sociedade bruxa, portanto o ódio não deveria ser fomentado – embora ela própria já tenha tido inúmeros problemas com Mary, uma garota mais velha e arrogante que adorava irritá-la pelos motivos mais toscos, inclusive agregar-lhe relacionamentos imaginários com zeladores.

— Eles não estavam falando sério, fique tranquila.

Murmurou Carlos, cruzando os braços ao centro do peito largo.

— Na verdade sim.

— Estamos sim. Também podemos auxiliar você com idas a Hogsmeade.

Anguis arqueou a sobrancelha.

— Hogs... O que? Por que exatamente eu preciso de ajuda para ir a esse lugar?

Agora foi a vez da garota Malfoy cruzar os braços ao centro do peito, contrariada.

— Porque nem todos os pais são adeptos as idas.

— Você sabe, algumas pessoas jamais volta-

— Certo, garotos. Isso não é real. Anguis, relaxa, isso... Isso não é real.

Carlos descruzou os braços, batendo ambas as mãos de dedos longos às coxas, por sobre a calça negras. Era evidente que aquela situação somente havia sido criado de modo a impressionar a garota, porém ele não pactuaria com as mentiras para tanto – embora soubesse que ela não era aquele tipo de garota.

— Uhhhh.... Pode ficar tranquila, ele irá proteger você.

— Carlinhos, o protetor.

E então o riso zombeteiro novamente preencheu o espaço, acentuando a cor avermelhada as faces do mais velho. Inabalada por aqueles comentários, a garota apenas abriu aos lábios um sorriso, pendendo a face para o lado. Será que Draco seria tão enérgico assim quando mais velho? Ela se viu ponderando sonhadoramente, porém honestamente tentava não encarar o ruivo mais velho, afinal... Aquele momento era deveras embaraçoso.

Jorge, após conquistar um olhar mal-humorado de Carlos, sentou-se pesadamente a poltrona acolchoada, cruzando as pernas na altura dos tornozelos. Ambas as mãos descansaram a barriga.

— Infelizmente não sabemos curar ossos, ou não temos solução permanente para a morte...Mas somos muito uteis.

— Essa pode ser nossa primeira cliente.

— Tenho certeza que será satisfeita, afinal será da família.

Continuaram eles. Carlos, sem êxito em sua tentativa de acertar a canela de Fred, franziu o cenho quando o rapaz piscou-lhe o olho esquerdo, porém a garota Malfoy apenas mordiscou o lábio inferior, tentando concentrar-se em qualquer coisa que não fosse o fato de acabar de ser lhe agregado um relacionamento. Ela nunca havia namorado antes.

— Na verdade, acho que se tiverem a solução para a morte... Bom, seria bem interessante. Estou lisonjeada de ser... A primeira cliente. Acho.

Jorge, mais afastado do irmão gêmeo, permitiu que um assobio escapasse por entre seus lábios quando, sem demonstrar um pingo de constrangimento – o qual encantou a jovem loira – voltara-se ao irmão mais velho, tratando de apontar o dedo indicador ao centro de seu peito.

— Onde arranjou ela? Porque eu acho que gosto dela também.

— É, nós gostamos dela!

— Definitivamente, estamos satisfeitos com sua escolha de mulher, Carlinhos. Muito melhor do que Allyson.

Os garotos, presos em um diálogo qualquer que não dizia respeito a Anguis, assentiram com um movimento de cabeça, fazendo com que a coloração anteriormente levemente avermelhada das feições do mais velho se intensificasse de tal maneira que combinassem com seus fios espessos de cabelo.

O mesmo ocorreu a garota que, constrangida, apertou os dedos delgados da mão destra a canhota. Confusa com todo aquele falatório e até mesmo tonta por conta dele, acostumada era ela ao silêncio, viu-se encarando os orbes escuros do homem mais velho, aclamando por auxílio naquele instante.

— Por que ela não está usando o uniforme da Grifinória?

Fred murmurou ao examinar com atenção redobrada a loira.

Jorge, impulsionado pelo comentário do irmão gêmeo, aproximou-se da garota, transpassando seu braço direito pelo pescoço dela – um abraço carinhoso, divertido e zombeteiro que foi suficiente para que a Malfoy arregalasse seus olhos, surpresa, arquejando ao ser forçada contra o peito do mais novo. Inspirou ela, naquele instante, o perfume forme do seu semelhante, inebriando-se por ele antes de finalmente conseguir espalmar ambas as mãos ao local, empurrando-o de forma delicada apenas o suficiente para que pudesse manter contato visual com Carlos, que os encarava com severidade.

— Você vai puni-la por desacatar suas ordens, irmão?

Zombou o garoto. Caso tivesse notado o desconforto da loira, sequer demonstrou incomodo.

— Na verdade...

Carlos começou, pigarreando ao cruzar os braços ao centro do peito, contrariado com a atitude dos irmãos.

— Eu... Eu não faço parte de uma casa, oras. Por isso não faço parte da sua irmandade!

Comentou ela, tomando a frente naquela explicação. Ambos os gêmeos arquearam a sobrancelha e Fred, que até então divertia-se com a ideia de “causar inveja” no mais velho, aproximou-se da loira, também lhe envolvendo pelo pescoço.

— Não será Sonserina.

Exclamou ele, por fim.

— Não, não pode ser Sonserina.

Jorge atalhou.

— Ela é simpática. Será Corvinal.

— Ou Lufa-Lufa!

— Também pode ser Grifinória. Acredite, você irá adorar a Grifinória, afinal estaremos lá.

— E Carlos também! Só que em hipótese alguma será Sonserina.

— Odiosos.

Fred elevou o dedo indicador ao centro da boca, ensaiando de forma desajeitada um vômito forçado que o irmão, Jorge, rir.

A loira tentou acompanhar o diálogo, dedicando seu olhar a um irmão e a outro logo em seguida, porém maneou negativamente ao final a cabeça. Carlos, que a analisar permanecia, prendeu a respiração naquele instante.

— ...Mijariam em nós se pudessem. Mas isso estragaria a roupa impecável deles...

Continuou Jorge antes que a garota, com certo esforço, se desvencilhasse dos braços deles.

— Isso.. Isso não é verdade. Sonserina é uma das casas de Hogwarts e todos os seus integrantes devem ser respeitados, e nós devemos isso a eles assim como eles devem a nós. É uma casa onde os estudantes levam a sério a honra, a reputação e acima de tudo a herança criada pelos seus familiar-

E Carlos teria continuado o sermão aos irmãos, agindo como o monitor que deveria ser, se o riso gutural de Fred não tivesse escapado de seus lábios, preenchendo de uma forma quase histérica o ambiente em que se encontravam. O ruivo, em uma tentativa banal, tentou conter o riso exagerado ao elevar a mão destra aos carnudos, porém naquele momento, Jorge o acompanhou, gargalhando de uma forma gostosa, que fez com que Anguis franzisse o cenho, porém não conseguisse conter um sorriso aos lábios.

— Por que... Não gostam da Sonseria?

— Não dê bola para eles. São completamente idiotas.

Censurou Carlos, por fim, ao guiar a mão destra aos fios de cabelo avermelhados, arrastando-os a fim de contê-los. Permitiu ele que um suspiro cansasse escapasse pelos modelados carnudos e não se abalou quando os gêmeos o imitaram no processo, fingindo, a suas costas, estarem ditando ordens entre si.

Anguis não teve como controlar o riso – gostava da energia que emanava dos gêmeos e da forma como aquilo parecia estar incomodando o mais velho que, embora demonstrasse seriedade, também esforçava-se para não sorrir com aquilo tudo.

— Papai tem muito orgulho de ter pertencido a Sonserina. Conheceu minha mãe em Hogwarts e, embora ele não fale muito a respeito da escola, sei que vivenciou coisas boas na época. Então, certamente também irei para a Sonserina.

Pouco a pouco, o riso dos gêmeos cessou e, compenetrada nos próprios pensamentos, a jovem não ouviu o praguejar de Carlos que, naquele momento, vislumbrou a curiosidade aparente dos irmãos e acreditava que saber que ela era uma Malfoy não ajudaria muito as coisas naquele momento.

— ... Sei que é por isso que ele ficou insistindo o tempo todo para que eu viesse para cá; certeza que fará o mesmo quando for a vez do meu irmãos.

Fred franziu o cenho.

— Seu pai era da Sonserina?

Embora soubesse a resposta, ele a questionou, conquistando uma olhadela da garota que, pendendo a cabeça para o lado, assentiu.

Carlos pusera-se de pé de imediato, abrindo a porta do compartimento.

— Angelina está atrás de vocês garotos. Chega de questionar a Anguis. Terão tempo para isso no deco-

— Quem é o seu pai Anguis?

Ignorando o irmão, Fred guiou a mão destra ao queixo, pensativo.

— É, nós conhecemos todos os bruxos.

Jorge estufou o peito, como se acabasse de demonstrar sua superioridade e importância ao grupo.

— Somos muito bem relacionados!

Anguis sorriu, elevando a mão destra a testa e levemente a estapeando, um indicativo de que havia esquecido de algo.

— É verdade, eu acabei não me apresentando a vocês!

Carlos cerrou os olhos. Droga, proferiu baixinho. Lúcius Malfoy não era um exemplo de bruxo, pelo contrário – desprezava os desafortunados e os de sangue não puro, e seus descendentes não eram os mais amorosos. O pai queixava-se diversas vezes em casa do homem loiro e rigoroso que sempre opinava sobre o trabalho desenvolvido e lhe dirigia olhares de escárnio vez ou outra – considerava-o inapropriado para o cargo ocupado, como um dia havia mencionado aos demais bruxos.

— Bom, eu sou Anguis Malfoy. É um prazer conhecer vocês, é claro!

Um silêncio permeou o ambiente enquanto ambos os gêmeos voltaram os olhos a Carlos que, de supetão, cerrou a porta da cabine, um sorriso forçado a lhe modelar os lábios.

— Algum problema? Eu... Eu falei algo errado, é isso?

Fred assobiou baixinho, maneando negativamente a cabeça. Jorge, por outro lado, elevou o polegar ao pescoço, riscando-o de forma lenta ao murmurar “espere mamãe saber”.

Em sincronia, os garotos afastaram-se alguns passos, em direção a porta de saída.

— Cara, Angelina irá nos matar se continuarmos aqui e não a encontrarmos!

Começou Jorge.

— É, ela é extremamente possessiva.

— Muito!

— Fora que no verão ela mandou cartas e mais cartas para nós.

— A coruja já sabe o caminho da nossa casa sem precisar se esforçar.

Anguis franziu o cenho, novamente confusa com aquela reação. Os garotos, agora atrapalhados, bateram com as costas a porta cerrada da cabine, detendo-se alguns instantes a lançar olhadelas a loira e ao irmãos mais velho antes de finalmente, entreabri-la com um safanão desnecessário.

— Então é isso ai, nos vemos por ai Anguis!

Continuou Jorge, acenando com um movimento singelo de cabeça a loira.

— Pelos corredores, é claro!

— Certeza que vamos nos esbarrar.

Por fim e sem aguardar as palavras de despedida da loira, deram-lhe as costas, murmurando a Carlos frases desconexas das quais o ruivo apenas compreendeu: “Uma Malfoy?” e “Vai te transformar em um sapo!”.

Por óbvio, Carlos aguardou em silêncio a saída dos irmãos, envergonhado por aquela reação.

— Olha eu... Lamento...

Começou, porém assim que voltou seu olhar a Anguis, viu que a jovem sorria a ele, sequer se importando com a reação dos irmãos. Sentiu-se grato por aquela inocência.  

— Olha, vamos esquecer, hn? O caminho até a escola é bem longo. Por que não me conta um pouco sobre sua antiga escola?

O ruivo sentou-se frente a frente com a loira, encarando-a enquanto esta, por sua vez, permitia-se afundar a poltrona, relaxadamente.

E, enquanto a jovem discorria alegremente sobre uma escola diferente, Carlos, pela primeira vez, sentiu seu peito aquecer. Aquele certamente seria um ano diferente.

 

{Chapéu Seletor}

Hogwarts era uma escola diferente da antiga frequentada, não somente porque havia mescla de sexos, mas também porque os alunos eram diferenciados em casas, das quais ela só tinha conhecimento de uma: a tradicional de sua família.

Assim que o trem havia os deixado ao destino, ela foi guiada por um atencioso Carlos aos barcos em uma viagem agradável por águas plácidas a um castelo antigo e, diga-se de passagem, belo, que a deixou maravilhada. Fred e Jorge, embora não tivessem se aproximado da garota, andaram próximos a ela, analisando-a enquanto o irmão mais velho a todo custo os ignorava.

Mal chegara a escadaria gigantesca de acesso à escola, foram recepcionadas por uma mulher mais velha de feições rígidas cujo nome era Minerva McGonagall, vice-diretora. Suas vestes eram negras da cabeça aos pés e seus cabelos, embora levemente esbranquiçados, estavam amarrados de uma forma “fofa” a um coque ao centro da testa.

— Sem bem vindos novamente. Peço que formem uma fila para acessar a escola e cada casa será guiada pelos monitores. Senhorita Malfoy, Senhorita Malfoy?

Carlos, que até então havia se mantido ao seu lado, tocou lentamente seu braço, apertando-a diante do chamado da superiora, despertando-a de seu transe.

Sobressaltada, a jovem elevou a mão em meio à multidão que, curiosa, passou a analisar a jovem garota novata – era evidente a curiosidade e até mesmo a insatisfação de alguns alunos, assim como o sorriso de satisfação de alguns alunos de vestes verdes localizados em um canto distante do deles.

— Acompanhe-me. O diretor a aguarda em sua sala para a seleção de sua casa.

Ela engoliu em seco, não conseguindo disfarçar a apreensão ao encarar o ruivo ao seu lado. O garoto, por outro lado, maneou positivamente a cabeça, incentivando-a, embora ocultasse a própria insatisfação enquanto a loira se afastava a passos apressados para conseguir, definitivamente, alcançar a mulher mais velha. Murmurou um tardio “boa sorte”, mesmo sabendo que naquele momento ela não conseguiria ouvi-lo. Era óbvio que aquele era o último encontro de ambos, eis que futuramente estariam em casas rivais.

Ele inspirou antes de sentir o choque do encontro do ombro de um conhecido contra o seu, que lhe empurrou para o lado de forma grosseira.

— Weasley, Weasley. Ouvi dizer que sua mãe terá que vender algum dos seus irmãos para se manter, é verdade isso?

Não foi necessária uma olhadela para que ele soubesse quem era; Marcus Flint, um dos garotos novatos, cujo desempenho odioso era seguido pelos demais alunos da Sonserina que, ante a piada de mal gosto, não controlaram o risinho.

— Muito engraçadinho, Flint.

O garoto dera de ombros apenas antes de adentrar a escola, um sorriso aos lábios ainda.

Com uma última olhadela por sobre o ombro, apenas para certificar-se de que Anguis havia adentrado, Carlos guiou os demais alunos da mesma casa em direção ao salão principal, não permitindo-se cair nas provocações da Sonserina, muito menos na infelicidade que aparentemente lhe abateu.

— Rápido, rápido. O diretor quer estar presente no banquete!

Anguis apressou o passo, sentindo a respiração acelerar-se; a mulher, embora fosse mais velha, possuía ótimo condicionamento físico, invejável.

— Papai disse que a escolha era sempre feita em frente as outras casas. Porque será diferente?

Questionou a garota assim que a mulher finalmente parou em frente de uma porta de madeira pequena, voltando seus olhos escuros de encontro as dela, fazendo-a arrepender-se da questão que, naquele momento, se tornou estúpida.

— Tenho certeza que seu pai contou. Mas Dumbledore não acha sensato fazer sua apresentação solitariamente a toda a escola. Portanto, preferiu e achou que você poderia se sentir mais à vontade fazendo isso de forma reclusa, somente na nossa presença.

Atalhou ela e antes que Anguis pudesse concordar ou discordar, a mulher abriu a porta com um empurrão de seu próprio corpo, revelando o espaço mágico. O ambiente estava abarrotado de livros e uma mesa de madeira era uma das poucas mobílias que o preenchiam. Em pé, em frente a ela, estava um homem que aparentava ser o mais velho de todos naquele ambiente, cuja barba esbranquiçada e excessiva era longa o suficiente para que Anguis mantivesse seus olhos sobre ela.

— Então, tenho a honra de finalmente conhece-la, Anguis Malfoy. É um imenso prazer receber a escola os filhos de meus antigos alunos.

O homem, de voz bondosa e com um sorriso gentil aos lábios, comentou, incentivando-a a cruzar a soleira da porta. O homem estendeu a mão em direção a um pequeno banquinho onde repousava um chapéu velho e gasto.

— Temo que não tenhamos muito tempo para conversar, embora eu certamente gostaria de conversar com você em outra oportunidade. Como vai Lúcius?

Questionou-a enquanto Minerva, que até então prostrara-se as costas de Anguis, delicadamente colocou a mão a suas costas, conduzindo-a ao pequeno banquinho.

— Eh... Papai está bem. Ocupado. Como sempre.

Ela verdadeiramente não sabia o que comentar, afinal o pai era um homem de poucas palavras. O diretor, por outro lado, absorveu as palavras e, após alguns instantes de silêncio, novamente lhe sorriu, maneando a cabeça positivamente.

— Imagino que esteja. Enfim, tenho certeza que está ansiosa para descansar depois da longa viagem que a trouxe até aqui, bem como sei que está faminta. Os bolinhos da refeição são ótimos, sugiro que os experimente.

Comentou o senhor mais velho enquanto a jovem era conduzida pela vice-diretora e sentada ao banquinho. Com maestria, o homem tomou as mãos o chapéu antigo.

— Fique tranquila, é indolor. Eu confio profundamente em seu julgamento e posso asseverar que poderá confiar em mim também.

E, por fim, o chapéu velho recaiu sobre sua cabeça.

E o que deveria ter sido simples...

Não foi.


Notas Finais


Gente, aviso rápido. Sei que as idades não batem com a cronologia que estou criando, mas é isso mesmo. Estou pegando "emprestado" alguns personagens da obra para dar seguimento a história.
Espero que gostem.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...