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História Qual era mesmo o acordo? - Capítulo 23


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Notas do Autor


Oie!!! Desculpem a demora e obrigada por lerem até aqui! Esse capítulo da história serve basicamente para mostrar que a Rin também pode ser tão idiota quanto o Sesshoumaru.

EXPLICAÇÃO: Vocês vão ver que duas pessoas mencionam interrupção da gravidez neste capítulo, isso acontece porque no Japão isso está totalmente dentro da lei desde 1948, no entanto, nossa Rin é que não quis abrir mão de seus babies.

Capítulo 23 - Quer morar comigo?


Sesshoumaru POV:

Rin estava terminando o primeiro trimestre da gravidez e teve mais uma consulta com a Dra. Serizawa. Dessa vez, eu pude acompanhá-la sem problemas. Estranhamente, Chiharu havia ficado quieta depois daquela tarde em meu escritório. Desde então, tínhamos nos visto em três ocasiões diferentes, todas a trabalho, e ela no máximo havia me tratado com uma aparente indiferença, arruinada por aquele olhar de quem na verdade estava pronta para montar em mim. Um comportamento até muito normal da parte dela. Portanto, Rin e eu estávamos vivendo alguns dias de paz.

Nós dois paramos para um café - descafeinado para Rin - e conversávamos sobre a consulta daquela tarde.

- Então, a Dra. Serizawa disse que as náuseas devem diminuir bastante nesse estágio da gravidez. – comentei

- Ainda bem! Não aguento mais me sentir tão fraca e está atrapalhando os meus estudos e o meu trabalho, não consigo fazer nada!

- Talvez seja um bom momento da gravidez para organizar sua mudança. Quando se sentir mais disposta, é claro. - disse eu

- Como é? - ela rebateu imediatamente

- Não é óbvio? Você não pode morar no seu quarto com os bebês, é melhor você se mudar para minha casa o quanto antes. 

- Não, obrigada. - ela interrompeu

- "Não, obrigada"? É só isso que tem pra dizer?

- O que mais você quer que eu diga? - perguntou, franzindo as sobrancelhas -  Por enquanto eu estou bem onde estou. Além do mais, não sei se quero ir morar com você.

- Por que não moraria? Odeia tanto assim a ideia de viver comigo? - eu estava sem entender porque tanta resistência.

- Nós estamos namorando, Sesshoumaru, claro que eu gosto de você, mas está muito no começo da nossa relação... eu não quero dar esse tipo de passo só porque estou grávida. - disse ela, como se a ideia fosse algo absurdamente ofensivo.

- E qual o seu plano exatamente? - perguntei, erguendo as sobrancelhas.

- Eu não sei, a Kagome está pensando em ir morar com o Inuyasha, então eu poderia ficar no apartamento. Quem sabe?

Eu estava começando a ficar irritado.

- Você percebe que está sendo ridícula e despreparada? Quer que eu apenas visite você e nossos filhos? 

- Não sou ridícula, só tenho o direito de não dar um passo importante em um relacionamento apenas por estar grávida. Eu ainda sou eu e não um invólucro ambulante de bebês.

- Você realmente acha que seria apenas por isso? - perguntei exasperado.

- Não é óbvio? Você mesmo disse que era por causa das crianças.

- Você não está entendendo. - disse eu, balançando a cabeça com um suspiro. - Eu estava pensando que isso é parte de ser uma família… 

- Nós somos a família desses bebês - disse ela e eu reparei que não dizia que nós dois éramos uma família também - Eu só não quero apressar o resto.

- Certo, não se preocupe. Faremos como você quiser. - disse eu tentando convencer com um sorriso fraco. 

Rin não pareceu se abalar com a minha expressão de desapontamento. No carro ela foi falando sobre outras coisas da consulta, mas me limitei a apenas assentir ou responder monossilabicamente. Deixei-a em casa porque ela tinha um trabalho da faculdade para terminar e combinamos que ela iria dormir comigo no dia seguinte.

Aquilo era ridículo. Rin ficava indo e voltando da minha casa a semana toda, não seria uma ideia absurda se ela morasse lá. Além do mais, a reação dela tinha sido tão veemente que eu não pude evitar de me ofender um pouco. Ela fazia parecer que morar comigo era um castigo por estar grávida e eu não entendia porque ela tinha que agir assim.

Fui para casa e me senti incomodado o resto da tarde. No começo da noite, recebi uma mensagem do meu pai.

T: whisky e um cigarro na varanda? Você tem me evitado e eu sei porquê.

Era verdade, eu estava evitando o meu pai também. Não que ele fosse fazer um escândalo, eu só não estava acostumado a dar explicações da minha vida para outras pessoas. No entanto, em algum momento eu teria que falar com ele a respeito, ainda mais porque sendo o herdeiro de um clã de yokais meus relacionamentos e seus frutos eram mesmo algo a ser discutido.

S: Certo.

T: Chego em 10 minutos.

Claramente o desgraçado estava me mandando mensagens já a caminho da minha casa. Por que eu não estava surpreso? Em menos do que os prometidos 10 minutos Toga estava na porta do meu apartamento.

- Pra que você perguntou se ia vir de qualquer jeito? – perguntei revirando os olhos e deixando ele entrar.

- Apenas boa educação. – respondeu ele com um sorrisinho que poderia fazer um desavisado esquecer que meu pai era uma das criaturas mais mortais do mundo.

Me dirigi ao bar e servi dois copos de whisky em silêncio, empurrando um na direção dele. Meu pai deu um longo gole e eu comecei meu caminho para a varanda do andar de cima.

- Espera. – disse ele – acho melhor levar a garrafa. – pelo visto ele não pretendia ir embora nem tão cedo.

Estava uma noite agradável e ao nos sentarmos na varanda, meu pai acendeu um cigarro e estendeu o maço para mim, que fiz o mesmo.

- Então você fez um filho na mini Higurashi. – disse ele enquanto eu acendia o cigarro

- Dois. Você não sabia? Achei que seu filho preferido tivesse te contado. – Desdenhei

- Uau, você é bom nisso! – disse ele rindo – E você sabe que eu não tenho um preferido.

- Que seja. – disse eu, dando uma tragada seguida de um meio sorriso – O que você quer saber? Não veio aqui à toa. É sobre assumi-la perante o clã?

- Sesshoumaru, nem tudo são negócios. Eu vim porque isso é algo tão incomum vindo de você, realmente quero saber como está lidando com tudo isso.

- Mal. – respondi. E era verdade, naquele dia eu sentia que estava fazendo tudo errado mesmo.

- Está tão infeliz assim? – perguntou ele, com um semblante de estranhamento.

- Eu não, mas Rin... não tenho certeza.

- Sério? Eu achei que ela quisesse essa gravidez, se não quisesse poderia ter interrompido, certo?

- Ela está feliz com os bebês, acho que é comigo que não. – eu fiz uma pausa, observando a vista do apartamento na cobertura, não estava acostumado a falar de problemas pessoais. – Hoje eu a convidei para morar comigo e ela recusou. - dei um suspiro de descontentamento - E eu não entendo, porque é tão óbvio! Como ela pode querer que eu não more com nossos filhos? Que não a veja todos os dias quando chegar do trabalho? Que não esteja do lado dela a qualquer acontecimento diferente? Ela disse que não está pronta para um passo tão grande, mas é injusto comigo como pai e como homem é... eu nem sei a palavra para esse sentimento, sinceramente. – eu agora soava indignado

Meu pai ouvia tudo atentamente e deu um sorriso quando acabei de falar.

- Você quer dizer que se sente rejeitado? Eu entendo que não conheça a palavra, não sei se alguma mulher já fez isso com você antes. – disse ele, rindo

- Teve uma em 1972. – Observei.

- É tão raro que você lembra até o ano. – Ele ainda ria, mas agora estava tornando a ficar sério – Escute, eu acho que você tem razão. Mini Higurashi está pensando só nela mesma, mas não sei se isso significa que não gosta o suficiente de você. Quando eu a encontrei no hall e ela me disse que estava grávida e você era o pai, só havia orgulho naquela voz, mesmo que ela estivesse chorando por sua causa minutos antes. Acho que vai ter que deixá-la perceber sozinha. E não vai demorar tanto, ela só tem o que, uns seis meses até os bebês nascerem? – ele deu de ombros

Refleti por um segundo e vi que ele tinha razão.

- É um plano a se pensar.

- Claro que é, eu sei de tudo. – disse ele, acendendo outro cigarro – Agora, gêmeos? Caramba, Sesshoumaru, você não faz nada que seja minimamente normal mesmo. Um milênio sendo solteiro e odiando humanos, do nada acorda e faz dois filhos em uma humana, posta foto dela no Instagram, chama para morar com você...

- O que eu posso fazer? Foi ela quem demorou muito a nascer, eu só fiz o que tinha que fazer.

- É, você tinha. Já era hora de você ter alguém para proteger. Eu estou mais feliz por isso que por qualquer batalha ou contrato que você já tenha vencido, sinceramente.

No geral, eu estava feliz também. Ficamos ali alternando entre conversas e períodos de silêncio até que toda a garrafa fosse embora.

Rin POV

No fim de semana eu fui para a casa do Sesshoumaru. Sábado fomos dar uma volta no parque perto da casa dele e na volta paramos em um café da Sanrio, onde eu tirei umas cinquenta fotos mesmo já tendo ido lá outras vezes.

Sesshoumaru tinha ficado um pouco estranho depois da conversa que tivemos no dia da consulta, mas agora estava normal de novo e, como sempre, era meu fotógrafo oficial. No meio de todas aquelas fotos, eu mesma tirei uma foto dele, sua figura imponente e séria contrastando com toda aquela fofura cor de rosa. No final, acabei postando apenas fotos dos nossos cafés e da minha panqueca doce em formato de Hello Kitty.

Fomos para casa a pé, tranquilos e conversando. Sesshoumaru contava de um acionista insuportável da empresa e eu sobre meu trabalho de Macro Economia que o professor tinha mandado a sala inteira refazer.

Chegamos à casa dele na metade da tarde e uma surpresa nada agradável esperava no sofá.

- Ora, isso explica muita coisa. – disse a mulher de longos cabelos brancos, apontando para mim.

- Inukimi. – disse Sesshoumaru inexpressivamente

- Isso é jeito de apresentar a sua mãe?! – disse ela.

- Tem razão, não é. – Ele agora voltava-se para mim. – Rin, esta é a minha mãe e pelo visto seu novo hábito é invadir a casa dos outros.

Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ela continuou.

- Ah, o que é isso? A Naoko me deixou entrar. Eu tinha que vir confirmar se você realmente tinha enlouquecido tanto assim. – ela novamente apontava na minha direção.

- Rin, espere no quarto. – disse ele em voz baixa. – Você não precisa ouvir isso.

- Tem toda razão. – disse eu – Mas se ela veio falar de mim, vai falar na minha cara. Eu não tenho motivo para me esconder.

- Olha, sua pet tem a língua bem afiada. – desdenhou ela

- Depois você questiona por que foi deixada de fora disso. – disse ele com sarcasmo – Não venha aqui ofender a minha mulher ou da próxima vez eu não vou levar em consideração que é minha mãe. - ele falava calmamente.

- Escute, querida, meu filho claramente está fora de si, então devemos resolver só nós duas: quanto quer para sumir? Acho até que ainda dá tempo de tirar esse bebê, hoje em dia não precisa ser mãe para garantir sua vida, sabe?

Sesshoumaru se remexeu ao meu lado e vi que seus olhos ficaram vermelhos por um breve momento.

- Bebês. São bebês. – falei e ela arregalou os olhos - Eu estou grávida de gêmeos e estou aqui porque gosto do Sesshoumaru, se isso não é suficiente para você, já não é problema meu.

- Claro que não é suficiente. Meu ex-marido já fez o favor de manchar a linhagem com um hanyo, agora o único herdeiro yokai completo resolve brincar de casinha com uma humana e ter mais dois? Você é uma ameaça à nossa soberania no clã dos yokais cães, seu afeto, se é que tem, nunca vai ser o bastante. – disse Inukimi com desprezo.

- Basta! – Sesshoumaru parecia tomado por uma raiva que eu nunca vira. – Sua sorte é que aqui não tem espaço o suficiente para eu acabar com você, sendo minha mãe ou não. Saia e não pense e voltar, a partir de hoje os empregados estão proibidos de te receber. – ele agora estava muito perto dela e parecia se controlar para não agredi-la. - Não importa quem você é, eu não vou tolerar ofensas à Rin ou aos nossos filhos, você entendeu bem?

- Não precisa se preocupar. Uma parte da Taisho ainda é minha, então não pode evitar de me ver. Quanto a vir aqui, o meu recado já está dado. – ela olhava para mim – Eu já deixei bem claro o meu desprezo pela situação. Se a coisinha for esperta, vai aceitar minha proposta.

Inukimi saiu placidamente, com a mesma elegância que mantivera durante toda a sua sessão de ofensas. Sesshoumaru tremia de ódio e eu agora começava a sentir o peso das palavras dela. Ele foi até o bar e bebeu uma dose de whisky toda de uma vez, botando o copo no balcão com tanta força que achei que fosse quebrar. Eu não conseguia me mover, estava de pé no mesmo ponto da sala e agora que Sesshoumaru se virava para mim, percebia que eu chorava e tremia silenciosamente.

Ele caminhou até onde eu estava e me abraçou, tocando minha cabeça para que repousasse em seu peito, e eu chorei ainda mais. Consegui me segurar na hora, mas naquele momento eu só conseguia chorar de tanto nervosismo e meu estômago se revirava ao pensar naquelas ofensas.

- Eu sinto muito. – disse ele – Talvez eu devesse ter falado com ela antes.

- Não é culpa sua... eu já estava preparada para algo assim... é só que dói de qualquer forma... ela disse que eu ia te enfraquecer... – Respondi

- Escute, não pense nem por um momento em acreditar, ok? Isso não é verdade. – seu tom de voz era doce e seguro – E eu não vou hesitar em te proteger de seja lá quem for que queira te afetar, você sabe que é mais importante. Você três são. 

Assenti discretamente enxugando minhas lágrimas e Seshoumaru me deu um beijo breve e carinhoso. Ouvir aquelas palavras me deixava um pouco mais tranquila.

- Vamos lá para dentro, você nem pode se estressar assim. Eu vou pedir para Naoko fazer um chá, depois de ameaçar até a décima quarta geração dela ter permitido essa situação, claro. – Ele agora sorria e falava em tom de brincadeira.

Fiquei sozinha na cama por um momento e todas aquelas palavras não paravam de girar na minha cabeça. Espera, Sesshoumaru realmente tinha dito “minha mulher”? Olhando agora, até que eu me sentia uma pouco derretida. Mas um pros muitos sentimentos da lista que eu estava sentindo agora.

Bônus: Inukimi POV

Reunião com todos os acionistas da Taisho. Eu quase nunca ia à empresa, mas vez ou outra eu ainda tinha que comparecer e era sempre uma boa oportunidade de infernizar a vida do meu ex-marido, além de ouvir todas as fofocas mais recentes da boca das secretárias e usar isso a meu favor depois. Eu era uma socialite rica, famosa e muito bem informada.

Justamente por ser muito bem informada, eu já sabia que Chiharu estava em Tóquio e que tinha como um de seus objetivos ficar o mais perto possível de Sesshoumaru. Por enquanto, eu não tinha nenhum negócio em especial para resolver com ela, mas valia a pena observar. Era a herdeira que tinha acabado de assumir o ramo de Osaka do clã e uma yokai muito forte, certamente era uma opção melhor do que aquela coisinha humana.

Observei-a durante a reunião e o que eu já sabia se confirmou. Chiharu realmente queria Sesshoumaru, olhava-o com olhos de desejo durante todo o tempo, sem fazer a mínima questão de esconder. Eu decidi que falaria com ela depois, mas acabou que ela teve a mesma ideia.

Sesshoumaru se recusava a falar comigo desde aquele sábado e eu ainda teria outra reunião um pouco mais tarde. Como Toga havia saído para o almoço com uma de suas jovens companhias aleatórias, resolvi esperar na minha quase esquecida sala. Foi então que uma das secretárias telefonou perguntando se Chiharu podia entrar. Dei um sorriso de satisfação e permiti. Talvez fosse mais rápido se livrar da pet humana do que eu pensava.

- Chiharo Kaho – disse eu, quando ela entrou.

- Inukimi. – ela fez uma pequena reverência.

- Creio que sei o que faz aqui. – atalhei

- Sabe, porque certamente temos objetivos parecidos. Eu já vi os seus comentários no Instagram. – disse ela

- Quem sabe não podemos trabalhar juntas? Até agora o que eu vejo me agrada. – respondi, olhando bem para ela.

- Então acho que temos muito o que conversar. – disse Chiharu sorrindo. Um sorriso do inferno muito parecido com o meu.

- Sente-se, por favor. Temos que nos livrar discretamente de uma humana e um casamento para arranjar.

Chiharu soltou um suspiro.

- Saudades de quando era só atacar a vila deles e acabar com tudo, ninguém perguntava nada...

- Não é? Gostei de você, Chiharu. 



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