História Quando a ficção se torna realidade - Capítulo 102


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Categorias Grey's Anatomy, Jessica Capshaw
Tags Calzona, Capmirez, Grey's Anatomy
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Palavras 6.884
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Hentai, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Capítulo quentinho saindo do forno!

Capítulo 102 - Who is "she"?


Sara:

– ...não, está tudo bem, mamãe. Eu sei que você só queria ajudar, mas sabe de uma coisa? Foi até bom! – Eu levanto do sofá e dou um laço no cordãozinho do cós da calça do meu pijama. – No fundo eu ainda tinha alguma esperança de que ele tivesse jeito, mas aquele “aturar” de hoje me provou que não. Agora é só colocar uma pedra nisso e seguir em frente. – Eu forço um sorriso para a mulher que continua sentada no sofá me observando atenta, e então ela abaixa a cabeça, acenando-a positivamente de modo sutil.

– Eu só lamento que seu relacionamento com seu pai tenha terminado assim...

– Bom, não lamente! Eu tenho você, não tenho? – Me inclino para ficar na altura dela e pouso as mãos sobre seus joelhos. Luisa ergue a vista e me olha nos olhos com um sorriso pequeno. – E é mais que o suficiente pra mim! A senhora vale por dois! – Lhe salpico um beijo na bochecha e dou a volta no sofá, fazendo alusão a voltar para o quarto.

 – Espera, mas não era só sobre isso que eu queria falar! – Eu freio os passos e olho para ela por cima do ombro.

– Não? – Ela nega com a cabeça e verbalmente:

– Não. Eu quero falar também sobre o seu vestido de noiva! Afinal, a data do casamento já está até marcada, né? – Eu imediatamente abro um grande sorriso e concordo. Sim! Sim! Dia 16! Dia 16 de julho ficou marcado para ser o melhor dia da minha vida, mãe!

– Mas já está tarde, dona Luisa Vargas... a gente pode conversar sobre isso amanhã.

– Você já tem uma noção de como ele vai ser? – Eu dou de ombros.

– Na verdade, não. Eu...

– Então eu ficarei aqui em Santa Monica o tempo que precisar pra te ajudar a escolher! – Ela salta do sofá com um sorriso empolgadíssimo e eu involuntariamente arregalo os olhos.

– A-a-aqui? – Aponto para o chão com se dissesse “nessa casa?” e ela confirma.

– Sim! A menos que você não...

– Oh não! Não, não, não! – Me adianto, dizendo “não” também com as mãos. – Vai ser ótimo lhe ter aqui, mamãe... – Mais uma vez forço um sorriso e volto a me aproximar dela. – E vai ser muito bom ter a sua ajuda nesse quesito. Eu iria ficar completamente perdida, confesso. – Ela sorri orgulhosa e permite ter o rosto segurado pelas minhas duas mãos. – Amanhã a gente fala mais sobre isso, ok? – Beijo-lhe a testa. – Boa noite, dona Luisa. – E me afasto dela a rápidos passos.

– Boa noite, dona Sara. – Ironiza, me fazendo dar um pequeno sorriso ainda que de costas.

Ao chegar no quarto, eu abro a porta, entro e volto a fecha-la sem olhar na direção da cama. Minha cabeça está no fato de que minha mãe vai ficar nesta casa por tempo indeterminado, já que eu realmente não sei como quero o vestido de noiva. Não que isso seja necessariamente um problema, é que...

Ah, a quem estou tentando enganar? É claro que é um problema! Minha mãe é a maior empata foda que eu conheço! Deu para ver pela interrupção de minutos atrás. Não se deixe enganar pelo ar de calma, sensatez e doce maternidade, ela sabe ser o demônio e sacana quando quer!

– Jessica... – Digo, encostando a cabeça na porta e fechando os olhos. – É com muito pesar que eu informo que ficaremos sem sexo por tempo indetermi... – Vou virando na direção da cama, exagerando no drama tanto na voz quanto na expressão. – ...na... – Minha expressão congela. – ...do.

Eu morri? Morri e tô no céu, é isso?

– Ah... sério...? – Ela faz bico e eu engulo em seco diante da imagem à minha frente. – Então todo o trabalho que eu tive em tirar a roupa pra te deixar fazer o que quiser comigo por ter rido da sua cara, foi em vão? – A loira que estava deitada de lado, completamente nua, agora ergue-se e fica de joelhos na cama. – Que pena... – E ainda afasta as pernas, a miserável!

Acho que eu caibo ali entre elas direitinho...

Pisco os olhos rapidamente algumas vezes e balanço a cabeça curtamente, tentando não me deixar levar pela nudez da mulher. Foco, Sara, foco! Não dá pra lamber cada pedacinho desse corpo com a sua mãe aqui... e essa loira também não está merecendo!

– Você pega muito pesado, sabia? – Murmuro, me aproximando dela a passos lentos, apreciando e ao mesmo tempo tentando resistir à vista. Jessica sorri de maneira maliciosa e morde o lábio inferior. – Eu já falei... com a minha mãe aqui, não dá. E agora ela vai ficar mais tempo que o previsto porque resolveu me ajudar com o vestido de noiva.

– Por que a presença da sua mãe nessa casa nos impede de ter orgasmos? Eu não estou... – Jessica fala uns dois tons acima e imediatamente eu coloco a mão na sua boca, impedindo-a de continuar.

– Shiiii!! Fala baixo! Tá querendo que ela te escute? Minha mãe tem a mania, não é acidental, é mania de aparecer quando eu tô no meio de uma... – Meu pensamento é interrompido pelo toque úmido que sinto na mão que ainda cobre a boca da mulher. – Jessica, por favor... – Limpo a mão na calça e Capshaw sorri marotamente. – Minha mão não é picolé, escuta: – Seguro seus braços e ela só inclina a cabeça para o lado, fingindo prestar atenção no que tenho a dizer. – ...durante os meus vinte, eu consegui aceitar o fato da minha mãe me ver nua em cima ou embaixo de outra pessoa nua, afinal eu morava com ela e não era muito sensato transar no sofá, no banheiro comum da casa ou na cozinha, mas...

– Como é? – Ela arqueia uma sobrancelha.

– ...mas passar por isso depois dos quarenta, é um pouco demais, você não acha? – Ignoro o que poderia vir a ser alguma crise de ciúmes do meu passado e a loira ri.

– Bom... – Ela pega minha mão e leva ao pescoço. Sua pele está quente, muito quente. – ...a gente não está no sofá... – Desliza-a pelo seu colo e pelo vão entre os seios. Controle-se, Sara! – ...nem no banheiro comum e... – E pela barriga também. – ...muito menos na cozinha. – A loira sorri de modo safado, provavelmente notando o quanto está me afetando. – Então está liberado, não está...? – E então a mão dela já está comprimindo a minha contra o meio de suas pernas, fazendo-a respirar um pouco mais pesado.

– Mas ela está presente, e mesmo que não veja, ela pode... – Jessica movimenta os quadris, fazendo meus dedos deslizarem por seu sexo já umedecido, o que lhe arranca um gemido e um engolir em seco meu. – Capshaw... eu já pedi, não faz isso... – Os olhos azuis fixam nos meus, e não dando a mínima para o que eu falo, ela mantém minha mão sob sua posse e volta a movimentar os quadris, gemendo novamente. – Jess... – Os movimentos se tornam repetitivos. A loira tomba com a cabeça para trás e sua mão livre agarra-lhe o próprio seio. Puta que pariu... isso já é demais pra mim... – Jessica, isso não vai dar certo...

– Sabe, eu ainda estou esperando pra saber o que significou aquele “você vai se ver comigo”... – Ela volta a me olhar e seu dedo puxa a parte da frente do cós da minha calça quando ela fala: – Tem alguma coisa a ver com minha boca aí? – E faz um movimento com a cabeça, indicando o interior da calça.

“Ok, já deu pra mim!” Diria minha sanidade se ela falasse.

Sem deixa-la provocar mais, seguro-lhe os cabelos da nuca e mergulho os lábios nos dela. A loira grunhe contra minha boca, um grunhido de satisfação por finalmente me fazer ceder, e eu a beijo com voracidade, com fome eu diria!

Ela volta a gemer, mas agora por sentir que não é preciso mais segurar meu pulso para que minha mão se mantenha entre suas pernas, e apesar de também não precisar mais movimentar os quadris para que meus dedos deslizem sobre seu sexo, ela insiste em fazer isso, de uma maneira calma, me fazendo tocá-la com precisão e profundidade.

Termino nosso beijo com os dentes agarrados ao lábio inferior da loira e um leve puxão de cabelo nela, que a faz gemer novamente.

– Não... – Respondo ao que ela dizia antes. – Tem alguma coisa a ver com a minha boca... aqui! – Meus dedos a invadem inesperadamente e Jessica prende a respiração, no susto, mas logo sorri.

Empurro-a, fazendo-a cair deitada na cama às gargalhadas, tiro a blusa e a calça, ficando agora apenas de calcinha, seguro a loira pelas pernas e a arrasto até a ponta da cama, encaixando meu corpo entre as pernas dela. Ah, Capshaw... você não sabe o quanto eu pretendo te fazer implorar por um orgasmo...

– Agora você vai ter que ficar calada, porque eu não tô afim de ouvir gracinha da dona Luisa durante o café da manhã, ok?

– Por que você não para de falar e faz um uso bem melhor dessa boca? – Ela pergunta, apoiando-se nos cotovelos. Em resposta a ousadia da loira eu sorrio de canto e me ajoelho ao pé da cama, afastando-lhe mais as pernas com autoridade. Ela só sorri.

– Calada, hein? – Advirto ainda, deslizando as mãos por suas coxas. Aperto-as, arranho-as, dando ainda mais expectativa a ela. Até segurar em sua cintura e deixar meus lábios tocarem-lhe o púbis com calma, como se eu fosse dar uma de carinhosa para deixa-la ansiosa.

– Eu não vou dizer uma só... – Mergulho a língua no centro de suas pernas de repente. – OH, MERDA! – Jessica de deitada, fica sentada, tamanho o solavanco que seu corpo deu.

Algum problema aí, meninas? – Vem a pergunta lá de fora, após o grito da loira, e dividida entre satisfação, constrangimento e frustração, se é que é possível misturar as três coisas, viro o rosto na direção da porta e respondo em alto e bom som:

– Não foi nada, mamãe! A Jess que derrubou uma coisa no chão! – E me dirijo repreensiva à minha noiva: – Tá vendo?! Eu disse pra ficar calada! Se continuar assim eu vou ter que parar!

– Foi você que...

– Cala a boca! – Avanço com o corpo por cima do dela, fazendo-a voltar a deitar. – Você não queria saber o que o “você vai se ver comigo” significava? – Falo num sussurro, com a boca quase encostando na dela. – Você vai acabar se arrependendo por querer isso, mas eu vou te mostrar... só que eu quero você deitada e calada. Entendido? – Ela não responde, só engole em seco e me olha nos olhos. Abocanho-lhe um dos seios e lhe mordisco o mamilo, fazendo Jessica gemer baixinho e jogar a cabeça para trás, arqueando as costas. – Entendido? – Volto a perguntar.

– Y-yes, ma’am... – Responde trêmula.

– Ótimo. – Digo ao mesmo tempo que permito que meus dedos caminhem para dentro dela. A loira comprime os lábios e fecha os olhos.

Então eu volto a levar a boca aos seus seios, dando-lhes a atenção que merecem, saboreando-os como a uma sobremesa, e os dedos começam a entrar e sair em seu posto, fazendo a loira morder o lábio para evitar soltar qualquer som além do da sua respiração acelerada. Capshaw leva as mãos à minha nuca e arqueia as costas, buscando por mais contato de minha língua em sua pele. Seu quadril começa a desenhar círculos com meus dedos entre suas pernas e as unhas dela agora começam a se cravarem na minha nuca.

– A-assim... i-isso... – Ela não consegue ficar calada.

– Psiu! – Volto a ficar com os lábios próximos aos dela e tapo sua boca com a mão livre. – Silêncio. – A mulher só concorda com um aceno.

Então eu lhe beijo os lábios, o queixo, o pescoço, o colo, lhe circundo os mamilos com a língua, até passar a beijar-lhe agora o abdômen que logo se contrai. Eu saio de cima dela, fico ao lado, e ao mesmo tempo, incluo um terceiro dedo ao meu trabalho entre suas pernas, sem a delicadeza de inserir lentamente.

– AH! – Seu corpo volta a tentar se levantar, mas com a mão no centro de seu peito, a impeço, e não a repreendo pelo gemido dessa vez, apenas tiro a mão de seu peito e coloco-a sobre sua boca, me ajeitando ao lado do corpo quente da mulher.

Ela se movimenta sempre querendo mais do que os meus dedos a proporcionam e respira tão aceleradamente, que seu peito salta. Os gemidos saem abafados pela minha mão e ela mantém os olhos fechados e o cenho franzido enquanto uma de suas mãos agarra o lençol da cama e a outra crava suas unhas na minha coxa.

Está quase na hora, Capshaw, está quase na hora de você se ver comigo...

Então, para acelerar o que quero, passo uma perna para o outro lado do corpo da loira, mas de um modo a ficar com o rosto na altura do quadril dela. Meus movimentos com os dedos se intensificam e a língua também aparece para buscar enlouquecer a loira mais depressa. Coisa que parece funcionar, porque a reação dela é arquear ainda mais as costas e agarrar minhas coxas, firme, talvez para não gritar. Seu corpo está inquieto e a cada nova investida minha, ele se inquieta ainda mais. É como se ela estivesse em brasa, ou só à beira de um orgasmo mesmo.

Jessica me arranha e chega a morder para se controlar, e isso acaba surtindo algum efeito em mim, porque não sou de ferro! E quando sinto seus dedos ameaçarem puxar minha calcinha que, um arrepio me percorre toda a espinha. Minha vontade é de deixar ela tirar, mas eu não posso deixar que isso aconteça. Não posso deixar que ela me amoleça quando o meu plano é de fazer ela se arrepender por querer saber o que eu quis dizer antes.

Então eu intensifico meu trabalho e isso faz um som rasgado sair da garganta da loira, um ciclo de respiração sua não dura meio segundo e seu corpo inteiro se tenciona. Ok, agora é a hora!

Usando de uma força de vontade gigantesca eu paro tudo o que estou fazendo e saio de cima dela. Dói? Doi! Mas eu tenho que cumprir o que tinha planejado em primeiro lugar.

– Hey! – Jessica protesta atordoada, ao me ver sair de cima dela e da cama. – O que você tá fazendo?

– Era isso o que eu quis dizer com “você vai se ver comigo”... – Ela franze o cenho e eu sorrio, caminhando para me afastar da cama. – Nada de orgasmos pra você, Capshaw. Agora trata de se vestir que eu quero dor... – Como ela levantou tão rápido e sem eu perceber, eu não sei, só sei que a mão da loira agarra meu pulso e eu mal tenho tempo de olhá-la, que ela já me empurrar para cima da cama de novo. – O que é isso? Tá doida? – Eu não consigo não dar risada e tento voltar a me levantar, mas ela é mais rápida, já está em cima de mim.

– Você não vai fazer isso comigo. – Jessica segura meus pulsos contra o colchão. Eu comprimo os lábios para não rir.

– Não vou?

– Não. – Nega também com a cabeça e começa a se movimentar em cima de mim, roçando os seios nos meus. Minha respiração já falha daí. – Porque você pode até pensar que é resistente a mim, mas não é. – E ela ergue o tronco, me deixando ter visão de seu corpo inteiro. Eu definitivamente não sou resistente a isso. – E você tá doida pra terminar o que começou... não tá? – Capshaw leva minhas mãos às suas coxas e começa a conduzi-las pelas laterais de seu corpo. Não, não, não! Resiste! – Você quer me ouvi gritar seu nome... – Não, não quero não... mentira, quero! Quero sim! Ela leva minhas mãos agora aos seios e as comprime, me fazendo apertar-lhe os seios involuntariamente, e geme com isso. Não só ela, eu também em excitação, e Jessica percebe. Ela sorri mordendo o lábio e começa a fazer movimentos para frente e para trás, roçando o sexo contra minha calcinha.

– Jessica... – Sussurro sem muita força. Parece que o feitiço se voltou contra mim...

– Você vai terminar o que começou! – Volta a se inclinar sobre mim, apoiando as mãos no colchão e sorrindo marotamente ao reparar que meus olhos tentam focar naquele ponto entre suas pernas, que costuma ser por onde eu a faço se contorcer. Mas, embora inutilmente, tento parecer não me afeta com nada que ela faz ou diz.

– Não vou. Já disse, nada de or... – Ela me beija, me impedindo de falar. Sinto a mão de Capshaw percorrer meu corpo e parar no meio das minhas pernas, dentro da calcinha, e isso me faz soltar um grunhido. Ela sorri, encerrando o beijo, já sabe que isso foi o suficiente para aniquilar qualquer força que eu ainda pensava ter. Eu simplesmente não a resisto. – Vem cá, vem... – As mãos vão para as nádegas da mulher que arde em cima de mim, e aperta-as, fazendo-a se erguer e ficar de joelhos, para então se arrastar mais para cima. Isso a faz sorrir novamente, vitoriosa.

– Eu sabia...você não ia...

– Cala a boca.

– OH! – Pego-a de surpresa e suas mãos vão imediatamente pra a cabeceira da cama. – FILHA DA...

...Mãe! – Jessica salta de cima de mim e se joga ao meu lado na cama ao ouvir a voz que vem lá de fora. – Que inclusive, está aqui! – E eu, apesar de constrangida, claro, coloco as mãos na boca para não cair na gargalhada como ela fizera mais cedo. – E eu acho melhor vocês duas apagarem logo esse fogo e essa luz e irem dormir, porque eu não despenquei de San Diego até aqui pra ouvir minha filha transar! – Capshaw esconde o rosto atrás das mãos. – Já aturei demais isso quando ela era mais jovem... – E quanto mais eu comprimo as mãos contra a boca, mais vontade sinto de rir. – Tomem vergonha na cara!

Mamãe para de falar, provavelmente foi pro quarto, e após uns 5 segundos a loira passa a cobrir apenas a boca e o nariz, e ao notar o quão vermelha ela está, eu não aguento. Simplesmente libero a gargalhada sem me preocupar em ser ouvida até pelos vizinhos.

– Shiii, shiii, shiii!! – Ela volta para cima de mim apenas para cobrir meu rosto com um travesseiro. – Cala essa boca! Se ela foi embora, e capaz de voltar! – Rosna e sem muito esforço, tiro o travesseiro da cara, ainda rindo.

– Ué, pensei que não se importasse dela nos ouvir... – Debocho.

– Quando ela ouvir era só uma possibilidade! Mas agora eu sei que ela ouviu! E ainda fez questão de informar! E de nos mandar toma vergonha na cara, onde já se viu?! – Eu volto a dar risada imediatamente.

– Eu te disse... eu te disse que ela tem a mania de atrapalhar! É de propósito! E agora a gente vai precisar de um banho pra esfriar, porque... doa Luisa realmente não vai nos deixar fazer nada. – Ela põe cara de choro fingido e se joga ao meu lado uma segunda vez, esmurrando o colchão.

– Grrrrr... inferno!

***

 

– Hmm... que cheirinho maravilhoso... – Concentrada no bacon que estou fritando, ouço a voz sonolenta da minha noiva no meu ouvido e logo os braços dela estão em volta do meu corpo e seu rosto aconchegado nas minhas costas.

– Bom dia, cariño... – Beijo-lhe a bochecha quando ela apoia o queixo no meu ombro. – Ainda é cedo, caiu da cama?

– Você caiu? – Me pergunta em resposta. – Porque levantou antes de mim... – Eu sorrio de canto e desligo o fogo, me virando para ela.

– Digamos que... eu não consegui dormir muito bem a noite passada. – Jessica solta um suspiro e junta o cabelo num rabo de cavalo para depois fazer um coque.

– Nem me fale! Foi uma tortura pra mim também. Você sabe, o banho não adiantou de muita coisa, eu passei a noite inteira ardendo... – Eu rio.

– Bem, não era bem isso que eu... – Ela me interrompe tentando encurtar o espaço entre nós duas:

– Você acha que hoje a gente pode arrumar um jeito de... – E é interrompida:

– Bom dia, meninas! – Levo minha atenção à entrada da cozinha e lá está Luisa Vargas, sorridente. Empatar fodas a deixa feliz. – Vocês saberiam me dizer que data é hoje... – Eu solto uma lufada de ar e me afasto da loira para fazer o café. Gracinhas da mamãe iniciando em três...

– 23. – Jessica responde.

– De que mês? – Dois...

– Abril, por que?

– Por nada, é só que... – Um! – Se ainda é 23 de abril e vocês só vão casar em 16 de julho, por que já acham que estão em lua de mel?

– Mamãe, não começa ou eu te deixo sem café da manhã!

– Wow! Você sempre fica mal-humorada quando não consegue...

– Mamãe!

– Ok! Tá bom! Parei! – Olho-a de relance e a vejo erguer as mãos em redenção. Jessica reveza o olhar entre nós duas atônita.

– Se acostuma baby! Sabe aquela Luisa que você conheceu? Esquece! Foi só pra causar boa impressão! Essa é a verdadeira. E só piora!

***

 

Duas semanas depois...

 

– ...não, Luke, eu... – Jessica tenta argumentar com o filho pelo telefone enquanto eu estaciono o carro em frente à casa da Mary. É aqui onde ela decidiu que faríamos a maquiagem sempre antes de ir gravar. E eu gostei, fica uma coisa bem informal. – ...a gente não vai lá hoje, Luke! Você tem que estar na escola em 30 minutos. – Puxo o freio de mão, tiro a chave da ignição. – A gente já começou a arrumar o seu quarto e o das suas irmãs! É só o que temos feito essas duas semanas que se passou! – Eu sorrio do quanto o garoto é insistente e saio do carro seguida pela loira. – A gente não vai se mudar pra lá agora, Hudson, dá pra parar de histeria? – Eu mesma abro a pequena grade que tem em frente da casa e nós não damos mais de quatro passos para começar a subir os seis degraus que dão na porta da cantora.

– Resolveu? – Pergunto à Capshaw antes de tocar a campainha e ela só suspira, negando com a cabeça. – Me dá aqui... – Peço o celular e ela não se opõe. – Oi, Luke, é a Sara, escuta... não dá pra gente ir hoje na nossa casa nova porque sua mãe veio me acompanhar no trabalho que eu tô fazendo, mas amanhã a gente vai, ok?

– Mas mom, eu queria...

– Eu sei porque você quer ir, querido. – O interrompo com um sorriso sugestivo no canto da boca e Jessica me observa intrigada. – Mas amanhã vai ser mais divertido. Você pode chamar ela pra nos ajudar a plantar as sementinhas que a gente comprou semana passada, o que você acha? – E se antes Capshaw estava intrigada, agora provavelmente se sente completamente alheia.

– É sério? Eu posso mesmo? – Ele pergunta agora empolgado.

– Absolutamente. – Respondo sorrindo. – Agora, querido, eu preciso desligar, tá? – Toco a campainha à minha frente. – Termine de se aprontar e boa aula pra você e suas irmãs.

– Nada de dar trabalho à Luisa, entendeu? – Capshaw fala ainda, quando estou prestes a tirar o celular do ouvido. O menino responde um “tá bom, tchau mama’s” e então eu encerro a ligação, devolvendo o celular à loira. Nesse mesmo instante a porta à nossa frente é aberta.

– Olha ela! Finalmente chegou! – A figura de uma loira com cabelo em coque bagunçado e pochete repleta de pincéis de maquiagem na cintura é que aparece na minha frente.

– Bom dia pra você também, Becca. – Abraço-a brevemente.

– Entra, vem! Tá todo mundo se maquiando já. – Me puxa para dentro, mas eu empaco, estendendo a mão para minha noiva.

– Calma, não viu que eu trago companhia? – A mulher só agora olha para a outra com cara de paisagem do lado de fora. – Vem, cariño... – Puxo-a para dentro também.

– Ah, olá! Desculpe, é que eu tô com tanta coisa na cabeça que... – Faz um movimento frenético com as mãos na altura da cabeça como se bagunçasse os cabelos. – Grrr!

– Tudo bem... olá. – Jessica responde com um pequeno sorriso.

– Mas já pode parar de surtar, que eu cheguei. – Viro a maquiadora de costas para mim e começo a empurra-la, sendo seguida por Jessica.

– De que “ela” você tava falando com o Luke, quando... – A loira tenta me sussurrar, mas é interrompida por gritos familiares para mim.

– Ela chegou! Ela chegou! Para tudo que ela chegou! – Jacob salta de sua cadeira, interrompendo o trabalho da maquiadora, para vir me abraçar.

– Sai daí, atirada! A Sara é toda minha... – É a vez de Hazel vir me cumprimentar e eu apenas dou risada da disputa das duas. Elas são trans que estão coadjuvando comigo e a Mary no clipe.

– Sinto informar a vocês, mas eu não pertenço a mais ninguém além de a essa coisa linda aqui. – Digo puxando Jessica para perto pela cintura, e lhe beijo o rosto. – Ela quer assistir as gravações hoje, se não for...

– Vai ser um prazer ter Jessica Capshaw no estúdio com a gente! – Mary, que eu ainda não tinha avistado, aparece dizendo e vem nos cumprimentar. – Seja bem-vinda, Jessica.

– Obrigada. – A loira sorri.

– Obrigada você, por fazer essa daí aceitar o meu convite! – E dirige-se a mim: – Agora solta, solta sua garota e vai com a Becca, ela precisa fazer sua maquiagem. Não esquece que o estúdio fica em Los Angeles. – E começa a me empurrar ao mesmo tempo que a maquiadora começa a me puxar.

– Que não dá nem 30 min de carro. – Rebato e ela só me mostra a língua. – Você vai ficar bem? – Pergunto a minha noiva e antes mesmo que ela possa responder, Jacob se adianta:

– É claro que ela vai ficar bem! Ela tá com a gente! – E começa a conduzir a mulher para uma poltrona. Becca acaba me arrastando para a escadaria, a fim de me levar para outro cômodo da casa, mas antes de me afastar significativamente, ainda ouço: – E aí, conta pra gente, a Sara é selvagem na cama?

***

– ...e foi assim, eu tive que pular a janela do quarto dela porque o...

Um “knock-knock-knock” interrompe o raciocínio da Becca, que por algum motivo resolveu me contar sobre suas aventuras sexuais enquanto me maquia. Olho na direção da porta do quarto da Mary, que foi para onde a loira me trouxe, e avisto a minha loira acompanhada pela Gabi, mas uma das pessoas com as quais contraceno.

– Tem alguém com saudades suas. – Diz a mulher de cabelos cacheados, cúmplice. – Pode entrar. – Fala para Capshaw.

– Vem cariño, senta aqui. – Aponto uma poltrona perto da cadeira onde estou. – A gente tá quase acabando.

– Sara, para de falar, senão eu não consigo... terminar. – Diz a maquiadora, tentando passar batom em mim.

– Estavam enchendo o saco? – Pergunto à minha noiva, não dando bola para a Becca. Ela ri e se aproxima, cruzando os braços.

– São todos muito divertidos, na verdade. – Eu sorrio. São mesmo! – Eu resolvi correr porque estavam começando a pesar nas perguntas. – Diz dentro de uma boa risada e eu ergo uma sobrancelha, curiosa.

– Pesar como?

– Perguntando se a gente usava... – Ela olha para a mulher na minha frente e se cala.

– Brinquedinhos sexuais? Vibrador... essas coisas? Você pode falar. Eu não estou nem aqui! – Diz a loira descabelada, erguendo as mãos como em redenção. – Na verdade, já tentei arrancar essa informação da Sarinha aqui, mas ela não abre o jogo.

– Rebecca! Menos tá? Muito menos... – Repreendo-a e ela “passa zíper” na boca, praticamente espanando meu rosto com um pincel agora.

– Deixa pra lá... – Jessica pigarreia.

– Pronto, terminei! Cadê o Antony pra fazer esse seu cabelo...? – Dou de ombros. – Eu vou atrás dele... ANTONY!! – Sai do quarto berrando e me deixando a sós com Capshaw. Eu sorrio, negando algo com a cabeça e Jessica caminha até a janela, olhando algo lá fora.

– Tá tudo bem, baby? Se arrependeu de ter vindo? – Pergunto levantando da cadeira e indo até ela. – Ainda dá tempo de voltar... – Abraço-a por trás e beijo-lhe o pescoço. – ...você vai com meu carro, eu peço uma carona a alguém quando...

– Ela tem um crush daqueles em você, né? – Solta, me interrompendo e eu a largo para olhá-la de frente.

– Quem? – Jessica tenciona um pouco a expressão. – Becca? – Questiono apontando o polegar para a porta do quarto e a expressão da loira relaxa quando ela confirma.

– E nem adianta dizer que é coisa da minha cabeça, porque o meu gaydar está mais ativo do que nunca! – Ela me aponta o indicador com expressão infantilizada e eu imediatamente sorrio, faço-a recolher o dedo pegando sua mão e deixando um beijo ali.

– Você tem ciência de que a finalidade do “gaydar” é reconhecer quem é da comunidade sem ter que perguntar, e não detectar ameaças, né?

– Cala a boca, você tá fugindo do assunto... – Ela desce o olhar para minha blusa e faz um pequeno bico.

– Não estou. – Abraço sua cintura e deixo um beijo na testa da loira. – Talvez você esteja certa, eu ando mesmo desconfiada... – Os olhos azuis voltam a olhar os meus e eu sorrio. – Mas ela já viu esse anel aqui... – Mostro-lhe a esmeralda solitária na minha mão direita. – ...e sabe que eu tenho dona. – Lhe deixo um selinho nos lábios. – Ok? – A loira abre um sorriso infantil e acena positivamente.

– Agora... será que dá pra me dizer de quem você estava falando com o Luke no tele...

– Deusa? – Minha atenção é voltada para a porta e então me deparo com a figura purpurinada do Antony, segurando uma lata de spray para cabelo na mão. – Será que eu posso começar a fazer minha mágica agora?

***

– Gente, por favor, não é tão difícil assim... – Erix, diretor, tenta nos explicar a cena pela quarta vez, e ele está rindo, e não é pouco. – Sara está aqui, em frente à máquina de fliperama, ela acaba de bater o record da Mary e tenta ir embora antes de ser descoberta. Ali na entrada, Gabi e Hazel impede ela de passar, fazendo um X com os sabres de luz. Trazem ela de volta pra cá, pra essa marcação, olha Sara, presta atenção. – Antony, que veio conosco assim como o resto da equipe de cabelo e maquiagem, para Laurel Canyon Blvd Studio City, para de remexer no topete que armou no meu cabelo, e eu olho para onde o diretor indica tentando me manter séria, mas a cara dele não me permite isso.

– Eu tô tentando prestar atenção, mas é você mesmo que não tá deixando! – E a minha risada e a dele já começa a contagiar o resto das pessoas.

– É sério, presta atenção. – Fala ainda divertido. – Você para aqui e a Mary se aproxima. Mary, pelas lentes dessas câmeras, seja mais gentil ao tirar o capuz dela, beleza? – Isso só faz a cantora dar uma gargalhada assim como a mim.

– É! Você já me fez arrumar esse cabelo três vezes! – Reclama Antony.

– Desculpa, eu queria parecer a dona do pedaço. – Defende-se ela.

– E é assim que tem que parecer mesmo, só... mais delicadeza. – Erix fala.

– Beleza. – Concorda ela.

– Sara, – Volta a falar comigo. – ...cara de marrenta, ok? – Confirmo. – Vocês armam uma batalha de olhares e depois você passa por ela e Mary só te segue! Não tem dificuldade nenhuma nisso.

– É essas máquinas aí! Eu esbarro nelas toda vez! – Digo.

– Não esbarre dessa vez! Vamos retomar a gravação. – Ele volta para o seu posto e eu aproveito o momento em que se acomoda em sua cadeira, para buscar com os olhos, minha futura mulher.

Ela está num canto, conversando com algumas pessoas que vão fazer figuração, mas mesmo falando com elas, não desvia os olhos de mim e nem tira um sorriso divertido da cara.

– Certo, vamos começar a gravar! – A voz do Erix ecoa no cenário e todo mundo se cala e começa a ir para o seu devido lugar. – Três! – Começa a contagem. – Dois! – Eu me concentro. – Três, gravando!

***

– Valeu! Valeu galera! – Diz o diretor, fazendo todo mundo se dispersar às palmas e gritos.

Se está pensando que acertamos daquela vez, se enganou. Tivemos que repetir mais duas vezes e depois partir pra outra cena, essa, comigo e a Mary numa batalha nerd, que levou um puta tempo pra gravar também. Mas enfim acabamos por hoje. Já é noite. 7:00 PM! Confesso que estou com pena da minha mãe que se ofereceu para cuidar das crianças enquanto eu e a loira estivéssemos fora. Porque como eu saí mais cedo que o usual, o plano era voltar mais cedo também, mas... a sorte é eles estudarem à tarde e não esgotaram tanto ela. Embora não fosse uma má ideia, se ela estivesse esgotada, dormiria como uma pedra e eu e a loira poderíamos aproveitar a noite depois que as crianças também dormissem.

– Ramírez, vem aqui! Quer que eu remova a maquiagem? – Becca me chama ao longe.

– Não, não, obrigada, Becca! Eu vou pra casa assim mesmo...

– Não vai com a gente no Seven Bar Lounge? – Pergunta Mary se desfazendo de parte do figurino. – A gente tá indo lá pra um happy hour! – Eu sorrio e vejo Jessica parar ao meu lado.

– Vou passar, Lambert... tem quatro projetos de gente esperando a gente em casa. – Digo, passando o braço pelos ombros da minha loira. – E minha mãe a tira colo! – A mulher sorri e concorda.

– Bom, até depois de amanhã então. – Vem até mim e se despede, assim como de Jessica.

Nos despedimos do resto do pessoal, eu tiro o figurino, voltando aos meus trajes calça jeans e blusa preta de alça, com estampa escrito “Slay”, e sem mais delongas, estamos na estrada de volta para Santa Monica.

– Foi bem divertido hoje... – A loira comenta, quebrando o silêncio dentro do carro. Eu alargo o sorriso que já mantinha nos lábios por algum motivo e lhe lanço um rápido olhar.

– Yeah. É esse mesmo clima desde que começou.

– Antes de aceitar fazer esse clipe, você não sentia falta disso? – Franzo o cenho levemente.

– Falta do que?

– Disso! Da diversão de atuar! Das brincadeiras dos bastidores de uma gravação, das câmeras... – Eu arqueio as sobrancelhas, finalmente entendendo, e confirmo.

– Eu sentia falta o tempo todo. E vou voltar a sentir quando acabar essas gravações.

– Então por que você não volta a atuar?

– Minhas férias ainda não acabaram. – Brinco, mas olho-a de relance e a loira não ri.

– Você está inativa desde o ano passado! Você bem que podia falar com a Shonda pra voltar pra série, né? Garanto que ela te encaixa na 14ª temporada num piscar de olhos!

– Apesar de sentir falta de atuar, eu ainda não me sinto pronta pra voltar, cariño. Deixa eu aproveitar a minha companhia sem ter uma câmera na minha cara a cada minuto... – Mantenho um tom descontraído, com um sorriso de canto. – Tô bem só com o clipe da Mary no momento. Aliás, obrigada por me forçar a aceitar. – E desviando o olhar da pista apenas por um instante, beijo-lhe a bochecha. Sei que ela pensa em protestar, em tentar me convencer a voltar para o show, então eu mudo de assunto imediatamente. – Ah! Você não estava querendo saber de quem eu falei com o Luke mais cedo?

– Yeah! – Ela deixa o novo assunto chegar. – Impressionante como em todas as vezes que eu te perguntei, alguém chegava pra atrapalhar... de quem vocês estavam falando? – Eu sorrio e começo a desacelerar o carro até pará-lo no sinal vermelho. Não demora a formar uma fila de outros carros atrás dele.

– De quem você acha que estávamos falando?

– Não faz mistério! – Dou uma curta risada.

– Eu não acredito que o seu filho está desenvolvendo um crush por alguém pela primeira vez e você ainda não reparou...

– Primeiro: eu já te falei que é “nosso” filho. Se brincar eles te consideram mais mãe deles do que eu! – Eu rio, negando com a cabeça. – E segundo: o quê?! – Ela tenta se virar para o meu lado, mas o cinto de segurança não lhe permite muito movimento. – Que história é essa de crush? O garoto só tem nove anos, Sara!

– Assim como a Eleanor, ué! – Ela fica em silêncio. Desvio os olhos do sinal que ainda não abriu para mirar seu rosto e acabo rasgando numa gargalhada ao ver os olhos azuis da loira arregalados e sua boca formando um “o”.

– Você só pode estar brincando...

– Nop! – Nego também com a cabeça. – Você não reparou essas duas últimas semanas? – Volto a olhar para frente e finalmente o sinal fica verde, me fazendo voltar a acelerar.

– Não... tinha alguma coisa pra reparar?

– Meu amor, ele queria faltar à aula pra ir lá na nossa futura casa todos os dias!

– Eu achei que fosse empolgação com a decoração do quarto novo... – Rio com empolgação.

– Das vezes que ele pôde estar lá, quantas delas ele passou o tempo todo no quarto, dando pitaco sobre a decoração? – Ela para alguns segundos para pensar e seus olhos se arregalam ainda mais.

– Meu Deus...

– É, meu bem... ele passava o tempo inteiro no jardim, brincando com a mais nova vizinha. E além do mais, ele me confidenciou que gosta dela! Então você fique calada! Se o garoto souber que eu te contei, nunca mais vai me perdoar.

– Eu é que nunca vou perdoar aquele traíra por contar tudo pra você e nada pra mim! – Capshaw retruca e eu a olho rapidamente. A loira põe uma cara fofíssima de criança emburrada, escorrega o corpo um pouco mais no banco e cruza os braços abaixo do peito. É inevitável eu sorrir sonoramente mais uma vez.

– Deixa de birra, Jessica. Você tem 40 anos, não 4!

– Mas por quê que ele não me conta nada?! – Quer saber. Eu suspiro, giro o volante para a direita fazendo o carro entrar numa outra avenida, e respondo:

– Porque você é a policial má e eu sou a boa! – A boca em “o” volta a fazer parte de sua expressão, só que agora ela franze o cenho, como se tivesse acabado de ser ofendida.

– Eu nunca fui a policial má!

– Bom, isso era quando você era casada com o Christopher, porque esse posto era dele... mas as coisas mudaram, meu anjo! Eu sou bem mais legal que você!

– Ouch! Essa doeu... – Ela se endireita no banco, batendo com o dedo no centro do peito. – Doeu lá no fundo...

– Anw... não fica assim, minha criança...

– Eu vou chorar... – Jessica insiste no drama. – Meu filho se apaixonando pela primeira vez na vida e eu sou a última a saber...

– Se te serve de consolo, eu não ia me contar também não. Eu é que insisti.

– Não serve de consolo não. Não fala comigo. – Volta a cruzar os braços e vira o rosto para o lado da janela.

– Meu Deus do céu... eu vou casar com uma criança... – Zombo, mas não ouço-a retrucar. A loira fica em silêncio por alguns segundos e então funga. Imediatamente desvio meu olhar na direção dela. – Jessica? – Ela só funga de novo, não dá para ver seu rosto, o cabelo cobre-lhe o perfil e eu também preciso olhar a pista. – Jess, você não tá chorando mesmo não, né? – Ela descruza os braços, levando a mão ao rosto, como se enxugasse lágrimas e a ruga de preocupação no meio da minha testa, aparece. – Jessie... qual é...? Não é motivo pra tanto... – Tiro a mão direita do volante e acaricio os fios loiros dela, tentando ver seu rosto ao colocar uma mecha atrás de sua orelha. Mas antes disso vejo se o caminho continua livre à minha frente e esse é o tempo suficiente para um som grotesco rasgar a garganta da loira e ela imediatamente cair na gargalhada.

Ela ri, e ri, e ri mais. Ela realmente está chorando, mas agora está claríssimo que é puro teatro.

– Você caiu como um patinho! – Capshaw fala agudamente, no meio da gargalhada.

– Ora, sua... – Faço uma careta e com a mão que antes acariciava seu cabelo, dou-lhe um soco de leve no braço. – Idiota! Isso não se faz! – Ela não está nem aí. Abraça-se ao próprio corpo, esperneia, fica até sem ar. – Você me deixou preocupada! E culpada!

– Ótimo! Porque foi essa a intenção! – Fala com dificuldade enquanto enxuga os olhos.

– Ah é? Você é vingativa a esse ponto? – Jessica confirma com a cabeça veementemente, ainda rindo. – Pois eu não vou mais te dizer a ideia que eu tive pro aniversário da Josephine no mês que vem... e nem uma outra ideia que eu tive pro nosso casamento!

– Não... você não faria isso comigo. – A loira para de rir imediatamente. – Você sabe o quanto eu sou curiosa, não me torturaria assim!

– Não só torturaria, como torturarei! Não vou dizer absolutamente nada! – E passo os dedos em frente aos lábios, como se fechasse um zíper.

– Sara, não seja infantil, me fala o que é! – Eu sou a infantil? Sério? – Fala! – Permaneço calada, prestando atenção na estrada. – Sara, para com isso, fala de uma vez! – E eu preciso fazer uma super força para não rir. – Sara Elena Ramírez, se você não falar agora mesmo...

– Chegamos em casa, cariño. – Digo, parando o carro de repente. O corpo dela dá um curto solavanco para frente e a loira olha pela janela para conferir se é verdade. Aproveito isso para sair de dentro do veículo, rodando a chave no dedo e assobiando enquanto caminho na direção da porta de casa, e, consumida pela curiosidade e pela raiva que ser deixada curiosa lhe provoca, minha adorável noiva esbraveja:

– SARA!!


Notas Finais


Espero que tenham gostado :3
E gente, eu queria perguntar uma coisa hehe, esses capítulos gigantes incomodam? Vcs preferiam algo menor? Ou tá bom como tá? Me digam aí!
Beijinhos de luz '3'


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