História Quando Acontece. - Capítulo 19


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Garotas, Lesbicas, Romance
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Palavras 3.653
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Orange, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olha eu aquiiii!!!!

Cheguei com um presente de dia das crianças para vocês!!
"Mas autora, não somos mais crianças"
Pequeno gafanhoto, todos nós temos nosso lado criança, basta despertar ele de vez em quando!

Foto da nossa querida Katherine <3 <3

Desculpa a demora, e é por esse motivo que não vou enrolar, fiquem com o capítulo, até lá em baixo!

Capítulo 19 - Pedalando


Fanfic / Fanfiction Quando Acontece. - Capítulo 19 - Pedalando

 

POV – Lara.

 

- Flashback on -

 

– Filha? – minha mãe chamou tentando identificar quem entrou em casa.

– Eu. – respondi retirando a mochila das costas e me jogando no sofá.

Tudo que eu menos queria era uma outra discussão, mas aparentemente o tom de sua voz estava mais calmo.

– Como foi na escola? – ela perguntou e se sentou ao meu lado. – Fiz macarrão de forno, tá com fome?

Cheguei em um momento da vida que não estava entendendo mais nada. Horas antes ela estava praticamente querendo me vender para um grupo de mercantes e ali seu humor estava completamente mudado.

– Tô – respondi um pouco desconfiada.

– O financeiro está ruim, mas ainda assim dá para fazer agradinhos uma vez ou outra, não podemos culpar ninguém, certo? – falou um pouco receosa fazendo-me entendo o motivo da sua, repentina e inesperada, mudança de humor.

A dona Jaci, minha mãe, acabava falando por impulso coisas que não tinham necessidade de serem externadas no momento. Depois de repensar acabava voltando atrás e se arrependendo do que fez, então agia daquela maneira, tentando agradar a quem “magoou”.

– Verdade. – concordei com ela não tão animada.

Muitos poderiam usar daquele momento de “redenção” para se aproveitar, mas a situação só serviu para lembrar de todas as palavras ditas. Não seria com agrados que ela as fariam sumir da minha mente.

– A Laura ligou. – a mais velha falou animando-me, eu sabia exatamente o que aquilo significava. – Você precisa falar com ela para confirmar o horário da saída de vocês na quinta.

– Sério? – Meu sorriso abriu instantaneamente.

– Só tentem voltar antes de anoitecer e lembre de falar com sua tia antes de aparecer por lá, você precisa da permissão dela para o vigia liberar a sua entrada e a de seus amigos. – minha mãe deu todas as instruções me deixando mais animada a cada palavra.

 

- Flashback off -

 

Sorria sempre que lembrava-me daquilo, mas naquele momento minha felicidade estava completamente a mostra.

Estava sentada no sofá da sala colocando o tênis, faltavam apenas alguns minutos para o encontro que teria com meus amigos naquela linda e ensolarada quinta-feira. No mesmo dia que consegui a permissão da minha mãe organizei tudo o que podia, combinamos de sair cedo para não ficar tarde demais já que voltaríamos de ônibus.

Fiquei encarregada de conseguir as bicicletas lá no condomínio até porque ninguém topou ir andando até a casa da minha tia, “Não apela, Lara”. Falaram meus amigos quando dei a ideia.

Passaríamos a tarde lá pedalando, conversando e fazendo algumas trilhas. Minha tia Estela morava em um condomínio de casas que dava passagem para um grande espaço verde, quase uma mini floresta com muitas árvores e até um riacho. Costumava andar por todo aquele espaço com meu primo Miguel, foi com ele que aprendi a gostar da adrenalina que algumas situações nos proporcionavam, já que costumávamos andar por vários lugares sem usar os freios, experiência nada aconselhável, mas divertida em certo ponto.

– LARA!! – Gabe gritou do portão e eu sorri ainda mais.

Era perceptível a felicidade do meu amigo, apesar dele não gostar muito de pedalar, estaríamos os três juntos como a algum tempo já não ficávamos.

– TÔ INDO! – gritei em retorno correndo para pegar a mochila com meu quite sobrevivência, ou seja, celular e fones juntamente com algumas coisas que provavelmente iriamos precisar.

Não demorou muita para que fossemos ao encontro da Laura. Já estava próximo ao meio dia quando chegamos no ponto de encontro, pedi para o porteiro ligar para minha tia e ela nos deu a permissão, estava começando ali um dia que eu esperava muito ser de distração e diversão.

 

POV – Katherine.

 

A quinta-feira feira havia chegado, o tão esperado dia que iria tirar aquela baixinha da minha cabeça.

O plano era simples, não demoraria e talvez nem precisasse realmente andar de bicicleta junto como eles, coisa que admito, era péssima tentando fazer. Não fingiria que estava ali por acaso, assim como pedalar, sutileza nunca foi meu forte.

Almocei primeiro, para depois me arrumar e ir ao estacionamento pegar a bicicleta que o Liam havia me emprestado. Até tentei levar o meu amigo comigo, talvez daquela maneira teria uma desculpa não tão óbvia para aparecer, mas ele negou por conta dos estudos.

Ao contrário de mim, o maior escolheu permanecer em uma escola pública, presando como sempre o status. Não o julgaria por sua decisão, mas sabia que estando em escolas diferentes acabaríamos nos distanciando um pouco, como naquele dia, o Liam nunca perderia a oportunidade de me ver tentar algo com a Lara, no entanto, estava preso na escola por conta de um trabalho.

Desci as escadas decidida planejando tudo o que faria, “Vai ser um beijo, o melhor beijo da vida dela” pensava convencida ao pegar a bicicleta negra do Liam na vaga vazia que meus pais possuíam no estacionamento.

Não me atrevi a andar naquele instrumento maligno, com toda certeza cairia antes mesmo de me movimentar sobre ele, então levei comigo até um condomínio mais afastado, onde o Liam me explicou como sendo o lugar onde uma tia deles morava. Levaria alguns minutos para minha chegada lá, se eu estivesse pedalando com toda certeza levaria menos tempo, mas preferia demorar a perder uma costela.

– Onde pensa que vai, mocinha? – O porteiro perguntou fechando o portão quando tentei passar pelo mesmo.

– Entrar. – Levantei uma das sobrancelhas respondendo o óbvio.

– Precisa me dizer quem pretende visitar para que a pessoa possa conceder uma permissão. – informou fazendo-me revirar os olhos.

Aquilo não estava em meus planos, acabei não perguntando ao meu amigo o nome da pessoa que morava por ali, me recusava a fracassar no meu plano antes mesmo de encontrar com a menor.

– Eu marquei com uns amigos para pedalar, mas cheguei atrasada, não poderia mesmo entrar sem uma permissão? – tentei ser educada mais via na expressão dele que não mudaria de ideia assim tão fácil.

Então tive uma ideia, costumava funcionar nos filmes, em um pais corrupto eu não duvidaria tanto assim da eficiência que aquela técnica poderia ter. O ditado que dizia “não custa nada tentar” não se aplicaria em nada naquela situação.

– Você precisa... – Não o deixei terminar.

– Não poderia me deixar entrar, prometo que não vou causar transtornos. – Estendi em sua direção uma cédula de vinte reais.

Seus olhos se arregalaram em surpresa e eu sorri de canto, afinal, não era uma ideia tão ruim assim assistir muitos filmes.

– Você não vai me causar nenhum tipo de problema? – perguntou apontando em minha direção com um olhar desconfiado.

– Não vou, palavra de escoteiro. – respondi.

Nunca fui escoteira, mas em minha mente havia uma lógica, uma pessoa que aceitava suborno de uma adolescente não deveria se importar se ela estava ou não falando a verdade.

– Tudo bem então, juízo em? – falou abrindo o portão e me dando passagem.

“Primeira etapa completa” pensei passando pelo caminho principal daquele lugar.

Precisava encontrar a menor, o que aparentemente seria um trabalho difícil já que aquele lugar parecia ser imenso.

– Katherine? – Uma voz conhecia interrompeu meus pensamentos me fazendo largar a bicicleta e dar um saltinho com o susto.

– Ai meu coração, o Liam vai me matar. – falei levantando novamente a bicicleta e a analisando.

– Tá fazendo o que aqui? – Me virei e pude ver o Laura acompanhada do garoto que costumava estar com a Lara nas idas para a escola.

– E-eu. – gaguejei, o plano só daria certo se menor estivesse presente. – Queria andar de bicicleta mas ninguém me convidou, então vim de penetra.

“Merda, gastei vinte reais por nada.” Maldisse mentalmente olhando para os dois à minha frente.

– Desculpa, amiga. – Laura se desculpou. – Mas lembrei de quando me contou que não pedalava muito bem, então achei que não iria querer vir. – se justificou.

Havia passado a semana inteira tentando de todas as formas fazer a Laura me convidar para aquele passeio, mas no fim tive que vir de penetra.

O garoto vez um som nasal para informar que estava presente e então reparei nele. Ele não era tão grande quanto o Liam mas conseguia ser ainda maior que a Laura, e com toda certeza maior que a Lara também. Era dono de olhos castanhos escuros e um cabelo crespo curto, o moreno me fitava com curiosidade e eu retribuía o olhar.

– Gente! Que mal educada, esqueci de apresentar vocês. – Laura riu. – Gabe essa é a Katherine, uma amiga minha da escola.

Sorri, eu não tinha errado ao presumir que aquele era realmente o Gabe que foi citado diversas vezes durante o decorrer do projeto.

– Então você que é a Katherine? – ele perguntou me olhando sugestivo.

“Será que perdi alguma coisa?” Me perguntei silenciosamente após aquela frase.

– Eu mesmo. – respondi ainda um pouco confusa.

Depois disso ele não me respondeu mais nada, apenas permaneceu me analisando.

– Você vai pedalar com a gente? – minha amiga perguntou.

Estava desanimada, não pretendia fazer aquilo já que a Lara não estava por ali, então comecei a pensar nas possibilidades para fugir daquela situação: “Posso fingir uma ligação urgente, quem sabe a morte de um parente... Tem também o alerta vermelho feminino ou então fingir um mal-estar.”

Depois de ter que fugir de várias garotas e garotos com quem fiquei acabei adquirindo conhecimento na arte de pirulitar.

– A Lara está esperando a gente perto da trilha. – Gabe comentou me olhando fixamente como se soubesse que aquilo mudaria de alguma maneira minha opinião.

– Foi para isso que vim, não é mesmo? – respondi animada tentando disfarçar, o olhar do moreno sobre mim já estava começando a incomodar.

Andamos um pouco. Os outros dois não estavam com suas bicicletas então presumi que a Lara estava com elas, e não errei em meu palpite.

Nos aproximamos de uma pequena trilha, árvores circundavam todo o local causando uma sombra de clima extremamente agradável para o calor que sentia naquela cidade.

A menor estava parada um pouco mais à frente sobre uma bicicleta avermelhada apoiado um dos pés no chão para manter o equilíbrio, estava de costas para nós e se mexia acompanhando o ritmo de uma música que era inexistente aos meus ouvidos, até que percebi seus fones. Pensei em falar algo ou chama-la.

– Ei, fiquem quietas, ela não pode ver a gente. – Gabe sussurrou colocando o braço em nossa frente nos impedindo de ultrapassar e fazendo meu quase comentário ir por água a abaixo.

– O que foi? – Laura perguntou olhando para os lados.

– Ela não nos viu ainda, isso significa que vai passar vergonha. – o moreno riu travesso.

Seria o tipo de brincadeira que eu faria com o Liam, então me ative mais ao que ouvia. Lara cantarolava uma música em um idioma que logo identifiquei como sendo o inglês. Sua voz expressava que era mais que uma simples música, era como um desabafo, poderia até dizer que não entendia o que estava acontecendo ali, mas minha fluência fazia com que a tradução surgisse em minha cabeça assim que cada palavra era proferida.


And every time you hurt me, the less that I cry
And every time you leave me, the quicker these tears dry
And every time you walk out, the less I love you
Baby, we don't stand a chance, it's sad but it's true.

 

A menor cantou mais alto, aparentemente havia chegado o refrão da música. Pude ouvir nitidamente o seu inglês com uma pronuncia leve, ela cantava com a firmeza de quem sabia exatamente o que dizia. A tradução da música me fez questionar o motivo da pontada de emoção em sua voz.

 

E quanto mais você me machuca, menos eu choro
E a cada vez que você me deixa, mais rápido estas lágrimas secam
E a cada vez que você vai embora, menos eu te amo
Meu bem, não temos chance, é triste, mas é verdade

 

– I'm way too good at goodbyes. – Lara começou a fazer uma dancinha estralando os dedos no fim de cada movimento. Era divertido vê-la tão solta.

– Essa é a música da vez. – o moreno falou depois de cantarolar junto com a menor. – Lara canta tantas vezes que já aprendi.

– Ela é sempre assim? – perguntei quando a menor se virou nos percebendo ali.

Por um instante ela pareceu estar sem jeito mas logo levou umas das mãos a frente dos lábios fingindo cantar em um microfone e continuou com sua dancinha desajeitada.

– Só quando está entre amigos, ou sozinha. – Gabe falou rindo. – Miga, tá passando vergonha! – gritou para a dançarina da vez que só interrompeu seus movimentos para mostrar o dedo do meio para o moreno que riu.

– Você que é boa em inglês, o que significa assa música? – Laura perguntou abaixando o tom de voz para não atrapalhar a implicância dos outros dois. A olhei, sabia que ela também participava de aulas para melhorar o inglês. – Estou com preguiça de traduzir. – Levantou levemente os ombros.

– Basicamente, ela está dizendo que é boa até demais em despedidas. – expliquei. – I'm way too good at goodbyes. – repeti um trecho da música.

– Pronto, já chega de vergonha, passei vexame por um ano inteiro aqui. – Lara desceu de sua bicicleta e se juntou a nós. – E ai Katherine. – cumprimentou sorridente.

“Ela se lembra do meu nome, um ponto para mim.” Pensei retribuindo seu sorriso contagiante.

– Vejo que está feliz. – tentei puxar algum assunto.

– O que é melhor do que esse ar fresco, essas árvores... – respirou fundo soltando o ar.

– Tem coisa melhor sim! Casa, cama, Netflix e pipoca. – Gabe falou me fazendo rir.

– Sedentário. – a menor revirou os olhos.

– Com orgulho. – o moreno falou dando de ombros.

– Vamos começar ou vão ficar nessa implicância ai? – Laura cortou lembrando a todos o motivo para estarmos ali.

– Gente, vou passar vergonha. – falei quando todos já estavam sobre suas respectivas bicicletas.

– Mas do que a Lara já passou acho que não. – Gabe brincou.

– Isso vai muito além do que a dancinha da La. – Laura implicou comigo.

– O que seria pior que me ver dançando. – A Lara se auto zoou provando que não se importava com as implicâncias.

– Não sei andar muito bem de bicicleta. – confessei sem jeito.

– Vou pegar leve no começo então. – A menor parecia não se importar muito com aquele detalhe.

– Qualquer coisa eu dou um empurrãozinho. – Gabe falou.

– Se eu fosse você não aceitaria. – Laura fingiu sussurrar.

– Se eu fosse você eu seguiria os conselhos dela, não sou nem um pouco amorzinho. – Acabei gostando daquele ar brincalhão que existia entre eles, aquela implicância uns com os outros sem se importar realmente com os insultos.

– Concordo plenamente. – Lara falou juntamente com a amiga e elas riram. – Agora falando sério, vamos para perto do rio, lá é mais reto, a gente tenta ensinar a Katherine a andar melhor e quem sabe se ela tiver coragem a gente desce a ladeira da casa abandonada também. – a menor ditava nosso cronograma.

– Ah, a gente vai muito descer essa ladeira. – Gabe cortou. – Olha o nome da coisa, ladeira da casa abandonada, em que planeta isso é bom? – ele se negava e olha que nem tínhamos saído do lugar ainda. – Quem vai é coelho eu mesmo não!

Ele tinha o sotaque carregado assim como a menor me deixando sem entender muito bem o que ele queria dizer.

– Explica esse negócio do coelho? – pedi suplicante para a Laura que estava parada ao meu lado observando a tudo sorrindo.

– É basicamente o que ele já disse, “não vou de jeito nenhum”. – explicou.

Naquele momento decidi que assim que tivesse a oportunidade tentaria aprender mais sobre o dialeto que eles costumavam usar.

– Deixa de frescura, Gabriel! – Lara falou me surpreendendo.

Até aquele momento eu não sabia que o nome completo do moreno era aquele, para mim Gabe não era um apelido e sim o nome dele.

– Vocês vão e eu fico. – o maior respondeu cruzando os braços.

– Deixa de onda Gabe, bôra! – Laura falou autoritária deixando mostrar o seu leve sotaque ao falar uma gíria local.

– Tá, antes que eu desista. – falou revirando os olhos e começando a pedalar na direção de uma leve ladeira.

Como a Lara programou nós fomos para uma reta de terra que ficava ao lado do riacho, passei um tempo tentando me equilibrar melhor sobre aquele instrumento maligno de locomoção, depois da minha quinta queda a Lara se compadeceu e decidiu parar de pedalar para me ajudar.

– Tem quanto tempo que não faz isso? – perguntou ficando ao meu lado.

– Bastante tempo. – confessei sorrindo sem graça.

– Uma pergunta: Como conseguiu entrar no condomínio? – a menor perguntou ao conseguir segurar em minha cintura durante uma curva.

Senti meu estomago revirar, não só pela quase queda, mas pela proximidade da Lara, aquela sensação até então desconhecida por mim me intimidou um pouco fazendo-me encolher e desequilibrar mais uma vez.

– Calma, não tenha medo, tô te segurando. – Se ela soubesse que era isso que estava me fazendo desequilibrar, não só sobre a bicicleta, não me seguraria daquela maneira.

– Tudo bem. – respirei fundo quando ela me apertou com mais força tentando evitar mais uma queda.

Eu não sabia o estava acontecendo, aquela sensação era de certa forma prazerosa, eram como se borboletas passeando pelo meu estomago. “Então são essas as famosas borboletas” pensei tentando mais uma vez me equilibrar.

– Tenta se manter em movimento assim, sobre duas rodas, você só vai precisar se preocupar com o equilíbrio. – instruiu. – E não tenha medo de cair, eu te seguro.

Passei um tempo precisando do auxílio dela para conseguir me manter longe do chão, mas em certo momento olhei para trás e percebi que suas mãos não estava mais sobre mim.

Consegui andar melhor do que muitas vezes em minha vida, tendo confiança até para descer algumas ladeiras.

– Tá ficando tarde. – Olhei para o céu e percebi que estava perto de anoitecer.

Enquanto a Lara me dava a aula os outros dois pedalaram por boa parte daquele terreno, acabei fazendo com que ela não se divertisse tanto quanto provavelmente planejou, me senti mal com aquilo.

– Vamos fazer assim, vou descer com a Katherine e espero vocês no pé da ladeira da casa assombrada, depois nós passamos na casa de minha tia e de lá vamos embora. – a menor sugeriu para terminarmos o passeio.

– Não precisa ficar comigo, você me leva lá e eu espero vocês descerem. – Não queria atrapalhar ainda mais o passeio deles.

– Tudo bem, não vamos demorar muito, subam que na segunda rodada eu desço com vocês. – Lara falou com os amigos concordando comigo, ela com toda certeza queria muito fazer aquele programa com os amigos. – Subam por aquele caminho e esperem no portão enferrujado, desçam quando conseguirem criar coragem. – implicou.

– Ainda acho que isso não é uma boa ideia. – Gabriel ainda estava receoso com aquela ideia.

Os outros dois subiram a trilha indo em direção ao lugar que a Lara falou e a menor me guiou por outro caminho. Não estávamos sobre nossas bicicletas, o caminho era meio esburacado o que dificultaria nossa descida.

– Acha que o Gabe vai ter coragem de descer? – perguntei tentando puxar assunto.

“É o momento de colocar o plano em pratica.” Pensei sorrindo para a menor.

– Ele pode ser medroso, mas depois vai amar a experiência. – comentou. Aparentemente eles se conheciam muito bem. – Você ainda não me respondeu como conseguiu entrar aqui, tem algum parente morador? – foi a vez dela de perguntar.

– Na verdade eu subornei o porteiro. – respondi a sua pergunta sendo completamente sincera.

A Lara deu uma gargalhada contagiante, não tinha necessidade de mentir sobre aquilo e fitando aqueles profundos olhos negros talvez nem conseguisse.

“Mais um ponto para mim, a fiz rir.” Comecei a contabilizar durante o percurso.

Em dado momento montamos em nossas bicicletas, o caminho seria mais tranquilo. Consegui avistar ao longe uma construção decadente próxima a uma piscina vazia.

– Acho que isso aqui deveria se chamar casa praticamente destruída. – falei fazendo a menor rir mais uma vez.

– Seria um bom nome, mas muito grande. – Lara falou pensativa. – É aquela que vão descer. – apontou a direção de uma ladeira bastante íngreme.

– Eu não teria coragem. – confessei.

– Eu sabia e foi por isso que te trouxe aqui para baixo. – falou brincalhona.

Lara desceu da bicicleta e ficou de pé próxima a mim, tentei fazer o mesmo mas desequilibrei e quase cai sobre a menor que incrivelmente conseguiu me segurar com força sem deixar de ser cuidadosa. Encolhi entre seus braços ao ouvir o som do metal colidindo com o chão.

Me recompus, mas não retirei as mãos da menor que estavam sobre minha cintura.

– Você tem que tomar mais cuidado. – falou quase em um sussurro.

Nossos rostos estavam muito próximos, conseguia sentir o calor de sua respiração batendo contra a pele das minhas bochechas. Aqueles olhos ficavam ainda mais intensos quando vistos daquela proximidade. Desci o olhar para seus lábios e ela os umedeceu com a ponta da língua. Coloquei meus braços sobre seus ombros para impedir uma tentativa de fuga.

– Ainda bem que conseguiu me segurar. – sussurrei sentido as borboletas se agitarem mais uma vez em meu estomago.

A menor apertou com um pouco mais de força a curvatura da minha cintura fazendo-me saltar o ar preso nos pulmões. Meu corpo reagia de forma involuntária a tudo que a Lara fazia, não conseguia ter mais controle sobre mim.

Eu via a chance de matar de uma só vez o meu desejo. “Mas e essas sensações, vão morrer juntamente com ele?” me perguntei fitando novamente o olhar da menor que permanecia imóvel.

Sentia o calor que seu corpo transmitia me mantendo segura do frio que acompanhava o cair da tarde. Minhas mãos suavam e ameaçavam tremer, as borboletas em meu estomago não paravam um segundo se quer e então eu tomei uma decisão.

– Muito obrigado. – falei beijando sua bochecha e tentando me afastar, mas ela manteve suas mãos em minha cintura.

“Ao menos desta vez o plano não falhou, eu desisti dele.” Pensei.

Não me importaria em ser o alvo do julgamento de muitos, mas não pretendia retirar todas aquelas sensações inusitadas que agora residiam dentro de mim por conta do pequeno ser que estava entre meus abraços.


Notas Finais


Kkkk tá, parei nessa parte... Talvez, só talvez, de proposito >.<

Música que a Larinha canta passando vergonha: https://www.youtube.com/watch?v=J_ub7Etch2U&list=PLDCSQWJ7oi6CJ7yOI79DRxDUYri8x68KZ&index=12
Obs: Tem a legendada e a oficial na playlist.

¹= Pirulitar: Sair, ir embora, afastar-se.

Agradeço muito por todos os novos leitores, derreto muito com os comentários (amo comentários e admito ter uma abismo por isso kkk) Como de costume, LOVO MUITO TODOS VOCÊS!!
E um feliz dia das crianças <3


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