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História Quando Caminhos Paralelos se Encontram - Capítulo 15


Escrita por:


Notas do Autor


Oiê, pessoal!

Já está se tornando rotina me desculpar pelo sumiço... foi malzaço!
Mas, tudo deu certo com o enem... passei na federal e minhas aulas já tinham começado. Até pensei em parar com tudo e abandonar a história no meio, mas daí, veio a quarentena, (in)felizmente. Estou presa em casa, então podem contar com minha presença enjoada e a continuação dessa história louca...

Então fiquem com mais um capítulo aew

Capítulo 15 - I'll sing for you


Nick

Agora, eu já sabia sobre tudo. Conhecia o segredo que Amber tanto insistia em guardar, e entendia o porquê disso — ou pelo menos achava. Entendia o porquê de Amber sempre ter sido tão tímida; compreendia o motivo dela se afastar de mim tantas vezes e percebi porque ela estava receosa em ter qualquer relação comigo.

Todo o tempo, Amber só esteve com medo do que eu iria pensar dela, se iria julgá-la ou me afastar. Mas tudo o que eu conseguia imaginar era o quanto eu tinha sido estúpido. Imediatamente, me recriminei por todas as burradas que cometi com ela, em especial aquela em que fui parar ao chão. Muito bem feito, por sinal.

E, mais do que tudo, senti um ódio profundo pela primeira vez. Não demonstrei isso a ela, claro, mas na hora tive vontade de mover meio mundo para encontrar o desgraçado. Como um ser humano pode ser tão sujo a esse ponto? Com uma criança inocente? Felizmente, todos os meus pensamentos homicidas se esvaíram à menção da morte dele. Ainda assim, desejei com todas as forças que, se existe um inferno, que ele ainda esteja lá apodrecendo. Pagando por tudo que fez. Todas as vezes que Amber chorou, cada momento em que ela se sentiu insuficiente e por todos os pesadelos que teve.

Pesadelos exatamente como...

Naquela noite, acordei ouvindo gritos. Gritos de terror e de dor. Não demorei até perceber que vinham do quarto onde Amber estava, logo ao lado do meu. Corri para lá, esbarrando em portas, paredes e uma mesinha no caminho.

A encontrei se debatendo na cama, em meio a lençóis desarrumados, e os travesseiros caídos ao chão. Quando me aproximei, preocupado, seu rosto estava contorcido e estava completamente suada, mas pelo menos os gritos já haviam acabado. Até começarem novamente pouco tempo depois.

Sacudi seus ombros, tentando acordá-la, mas tudo que consegui foi piorar a situação. Agora, ao invés de gritar, ela estava implorando para que eu a soltasse.

— Não toca em mim! Por favor! — Ela começou a chorar, enquanto tentava afastar meus braços.

— Amber, acorda! Sou eu, Nicholas!

Ben já estava latindo incontrolavelmente, mas felizmente ele estava preso do lado de fora do quarto.

— Não! Me solta!

— Abre os olhos, Amber, sou eu!

Ela acordou improvisamente, com um grito engasgado na garganta, o olhar assustado e o rosto completamente encharcado. Assim que percebeu que eu estava ali, começou a soluçar, chorando. Então, se encolheu, abraçando o próprio corpo, com a cabeça apoiada nos joelhos. Qualquer observador desatento não perceberia que ela estava chorando baixinho.

Com certeza Amber não iria conseguir dormir novamente, naquele estado. Imaginei que Amber ainda estivesse em choque quando a peguei e levei-a até a sala, já que não fez nenhuma objeção, ou quando a deixei acomodada no sofá, ao passo em que mal se mexeu. Cheguei a me assustar quando apenas ficou me encarando, com o olhar vazio, até que finalmente piscou.

Não sabia se seria uma boa atitude, mas lembrei o quanto eu sempre desejei um abraço durante meus ataques de pânico. Assim, sentei-me ao lado de Amber e a envolvi com meus braços. Ela não só aceitou de bom grado, como ajeitou sua postura. Eu não queria sair daquele abraço nunca mais.
 

— Des... desculpa, Nicholas — disse Amber, após um tempo, entre soluços. —  Desculpa mesmo.

— De novo, não é sua culpa. Não precisa disso.

— Precisa sim. — Fungou, embaralhando as palavras. — Você nem pode dormir direito por minha causa! Talvez seja melhor você...

— Se você disser para eu ir embora mais uma vez, eu me mudo para cá, e vou dormir na porta do seu quarto.

Rindo baixinho, Amber levantou a cabeça em minha direção, enquanto enxugava as lágrimas.

— Está bem, prometo que nunca mais te mando embora. Você pode ficar na minha vida o quanto quiser, até enjoar da minha cara.

Essas palavras, quase como mágica, fizeram surgir uma ideia em minha mente. Uma ideia que parecia tão boa ao ponto de largar tudo para não deixá-la escapar. Assim, me levantei do sofá o mais rápido que pude, e corri até o quarto de Amber, voltando de lá com meu sketchbook (caderno de rascunhos) e meu violão.

— Repete o que você disse? — pedi, abrindo o caderno e rabiscando alguns acordes aleatórios.

— Pra ficar até enjoar de mim? — murmurou, com uma expressão inquisidora.

— Isso! — Então peguei meu violão, com os acordes na cabeça.

"Meu coração já está livre,

Então fique, não vou mais te expulsar,

Já não vivo sem você,

Então vem, fique até enjoar"

Parcialmente satisfeito com o resultado, anotei alguns rabiscos no caderno surrado, apoiando-o novamente sobre a mesinha de centro. Assim que me virei, Amber me olhava, admirada, com um sorriso genuíno nos lábios.

— Foi... lindo! De onde veio isso?

— Esses acordes estavam na minha cabeça há semanas, implorando para virarem um refrão, mas nenhuma ideia vinha. Parece que você virou minha musa.

— Eu? — Suas faces estavam coradas. — Então quer dizer que está fazendo uma música sobre mim?

— Mais ou menos isso. Ainda está um pouco simples, mas alguns ajustes vão deixá-la perfeita.

— Então é assim que o famoso Nick Shelter escreve seus hits de sucesso? — brincou. — Continua, vai, quero ouvir mais.

Atendendo a seu pedido, comecei a dedilhar algumas cordas, tentando decidir qual seria a melhor nota para o final do refrão. Pouco tempo depois, quando o sono me alcançou e resolvi parar, notei que Amber já dormia, com a cabeça apoiada em meu ombro.

Por mais que me doesse, a peguei e levei-a de volta para o seu quarto — essa noite, era melhor que dormisse num ambiente conhecido. Assim que a pus em sua cama e me afastei, pronto para dormir no sofá, fui surpreendido por seu pedido:

— Vem cá, fique até enjoar — murmurou, sorrindo, e segurou meu braço, ainda meio adormecida.

Qualquer homem decente negaria. Mas quem eu queria enganar?

Prontamente me deitei ao seu lado, sendo recebido por um abraço. Nos cobri com o cobertor estampado de Amber e sussurrei, sem ter a certeza de que ela estaria me ouvindo:

— Só para deixar claro, Amber, eu nunca enjoaria de ficar perto de você.

— X x X —

Amber

Estando de férias, o despertador já havia sido aposentado por um tempo; então, foi a canção do meu toque de celular o que me acordou naquela manhã. Antes que eu me preocupasse em saber quem estava me ligando, minha atenção foi totalmente capturada pela imagem do homem deitado ao meu lado, com um braço sobre minha cintura. Levei apenas um segundo de susto até me lembrar de todos os acontecimentos da noite anterior; o pesadelo, a música, e então quando eu implorei que ele ficasse comigo.

Ainda não conseguia entender de onde tinha vindo aquele surto de ousadia. Certamente eu estava bastante grogue de sono, com minhas defesas baixadas e uma imensa necessidade de atenção. Resultado disso: acordei sendo abraçada por Nick Shelter, adormecido, em minha própria cama. Não que eu estivesse reclamando. Por mais louco que parecesse, eu estava bastante feliz naquele momento. Havia muito tempo desde a última vez que eu me senti tão protegida durante o sono, apesar de parecer que Shelter estava dormindo muito profundamente.

Minha teoria foi comprovada quando ele sequer esboçou alguma expressão quando alisei seu queixo quadrado com meu polegar. Não sei bem explicar por que fiz aquilo, foi mais como um instinto, como se eu quisesse decorar cada cantinho do rosto de Nicholas antes que ele acordasse e a magia acabasse. Felizmente, eu já brincava com uma mecha encaracolada do cabelo dele quando seus olhos se abriram, vagarosamente. Puxei rapidamente minha mão, mas tudo que Shelter fez foi abrir um sorriso preguiçoso.

— Por que você parou? — perguntou ele, ainda com uma voz ronronada.

— Eu... não...

— Bom dia — ele me cumprimentou, puxando-me para mais perto.

Eu estava super nervosa, enquanto ele agia como se aquela situação já acontecia rotineiramente.

— Bom... bom dia.

— Um dos melhores que tive até agora — ele falava sussurrando, causando arrepios em meu corpo todo. O que raios estava me acontecendo? — Só um café feito na hora para melhorar tudo.

— Eu posso ir fazer! — ofereci, na intenção de me afastar, mas Nicholas não afrouxou seu aperto.

— Ei, calma! — riu. — Amber, aja naturalmente.

Ele falava enquanto descia sua mão pelas minhas costas, por baixo da minha camiseta, o que fez minha pele se arrepiar novamente, seguido de perto por um friozinho na barriga. Ok, aquilo não era de todo ruim. Mas... eu tinha dito para irmos devagar!

— Eu... tenho que ver quem me ligou!

Dessa vez, saí de seus braços e fiquei de pé em um pulo. Enquanto me apressei até o meu celular, pude ouvir uma risada baixa vindo de Nicholas, ao mesmo tempo em que se espreguiçava.

— Foi... minha mãe! — constatei, retornando a ligação imediatamente. — Oi, mãe! Tudo bem?

— Bom dia, minha filha. Tudo bem, sim. Só liguei para avisar que chegamos em casa ontem à noite.

— Tão cedo? As férias só vão acabar em umas três semanas.

— Pois é, resolvemos voltar antes. Não estava tão legal lá, sem você, e Mare estava louca para te ver.

— Ah, fico feliz que faço falta! — Ouvi minha mãe rindo do outro lado.

— É claro que faz, Amber!

— Sendo assim, vou só tomar café e vou até aí, ver vocês.

— Está bem, venha com Deus, minha flor.

Assim que desliguei a chamada, percebi que Shelter já estava de pé e ainda havia arrumado a cama.

— Nossa! Que garoto arrumadinho que você é — disse, segurando o riso. E logo me vi sendo encurralada entre seus braços, que me abraçavam pela cintura.

— Você nem imagina a bagunça que eu posso fazer — sussurrou ele, bem perto do meu ouvido, com um sorriso travesso.

E então me deixou ali, embasbacada, enquanto se dirigia para fora do meu quarto, avisando que ia colocar água para ferver na cafeteira.

Ok, essa intimidade estava tomando um rumo muito perigoso. Era a hora de parar, certo? O que vinha pela frente seria um caminho muito sério, um para ser evitado. Mas então por que parar era tudo o que eu não queria fazer? Por que ao invés de abominar as sensações que Shelter causava em mim eu as queria cada vez mais?

— Amber, você não vem?

— Estou indo!

 

Nicholas havia insistido para me acompanhar até a casa dos meus pais, ignorando todas as minhas preocupações em sermos vistos por eles. E, após muita insistência e depois de ser distraída com seus truques de sedução, Shelter estava estacionando meu carro na calçada em frente à casa onde meus pais moram.

Me despedi rapidamente dele, saindo do carro o mais rápido que podia para não ser vista, mas Nicholas foi mais veloz ao me alcançar antes que eu pudesse entrar.

— Amber, eu ia te contar antes, mas minha casa já foi totalmente desinfestada. Já posso voltar para lá.

— Mas já? — Eu soava incrivelmente decepcionada, e claramente ele percebeu isso, com uma risada.

— Eu sei, mas é até bom. Não sei o que aconteceria se seus pais resolvessem aparecer, fazendo surpresa.

— É, tem razão.

— Vou voltar lá e arrumar minhas coisas rápido, deixo seu carro, pego o meu e vou para casa. Nenhum rastro de Nick Shelter vai sobrar lá.

— Uma pena... — sussurrei, mas foi o bastante para ele ouvir. Sorrindo, ele me abraçou.

— Apareça quando quiser, você sabe onde moro — afirmou, convencido, e então, com voz travessa, completou: — Podemos assistir a um filme.

— Pode... pode ser.

E então ele se aproximou mais, encostando os lábios nos meus em um selinho rápido. Eu ainda olhava para o horizonte com uma expressão de cachorrinho apaixonado quando ele arrancou com o carro.

Espera... apaixonado? Não. Ainda não. Céus, não! Eu não estava apaixonada. Era só uma pequena atraçãozinha. Ele morou na minha casa por quase um mês e meio, era bem óbvio que acabaria rolando uma química. Mas só isso, certo?

— Amber!

Assim que me virei, lá estava Mare, pronta para me abraçar.

— Mare!

— Ah, que saudade, minha irmã! Nossa, estava tão chato na praia sem você! Tem que ir da próxima!

— Pode deixar que eu vou, sim. Mas foi tão chato assim? O que fizeram lá?

— Hmm... acho que nada mais interessante do que aquilo que você fez — afirmou, com malícia.

— Ahn? Do que você está falando, Mare?

— Ah, nada demais. Só daquele "pedaço-de-mal-caminho" que acabou de te beijar e ir embora com seu carro.

— Ah, Meu Deus. Você viu?! E desde quando você fala assim?

— Isso não importa. Aquele não é o tal cantor que Amy vive suspirando por aí? Aquele com quem você estava trabalhando?

— Eu...

— Mare! O que você está fazendo aí... — A voz de mamãe soou de dentro da casa. Assim que ela abriu a porta e me viu, veio rapidamente para me abraçar. — Oi, minha filha! Ah, que saudade! Vem, vamos entrar!

— Não pense que escapou de mim, mocinha! — Por incrível que pareça, quem falou isso não fui eu, e sim a pequena Mare.

Tudo bem, eu contaria para ela de qualquer jeito. 

— X x X —

— Quando as férias acabaram —

Amber

— Cheguei!

Amy voltou de viagem praticamente um dia antes de suas aulas voltarem, fazendo mais barulho do que uma carreata. Ben, obviamente, adorou a algazarra e começou a latir e pular em volta de suas pernas, que ficou mais que feliz com a recepção.

Nos abraçamos por um longo tempo e trocamos algumas poucas palavras, enquanto a ajudei a levar suas coisas para o quarto.

— Por que meu quarto está destrancado?

— Ah, eu esqueci de fechar.

— E por que você abriu? — E havia começado a investigação.

— Porque eu estava dormindo aí.

— Por que você...

— Amiga, senta aí que eu tenho muita coisa para te contar.


Notas Finais


Por hoje é isso...
Prometo tentar acabar a história o mais rápido possível e sem mais sumiços...

Espero que gostem, curtam e comentem, e usem "alquingel" galera hehe
Bjs <3


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