História Quando comecei a te ver com outros olhos? - Capítulo 14


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Categorias RWBY
Tags Blake X Yang, Bumblebee, Bumbleby, Drama, Femmeslash, Romance, Rwby, Shoujo-ai, Yang X Blake, Yuri
Visualizações 169
Palavras 6.821
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Bishoujo, Drama (Tragédia), Fantasia, FemmeSlash, Ficção Adolescente, LGBT, Luta, Romance e Novela, Shoujo-Ai
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


HOOOOII!!!
E Nyan sumiu por muito tempo, nom?
Gente, é tarde pra dizer "Feliz ano novo"? KKK esse cap era pra sair em janeiro, mas nossa, foi muito complicado pra mim... Altos problemas familiares, emocionais, pessoais e por ai vai que não me permitiram cumprir a meta de capítulo mensal, então né, por isso tô vindo postar agora xD

Essa fanfic fez um ano dia 2 <3 AEEEEE!!!!! ABRAM AS CAIXAS DE SUCO!
E tudo isso foi graças a vocês, que me apoiaram ao longo do tempo que pude trabalhar mais nessa história e me divertir tanto com o comentário de vocês xD
Serião, muito obrigada a todos que leem :3 Seus lindos!

Para Natsuki e Marceline: OBRIGADA POR SEREM MINHAS LEITORAS E MINHAS AMIGAS FIEIS <3
Lemon tb, um amor de pessoa :3

Se quiserem meu wpp, mande uma mensagem para mim! Vamo debater sobre os capítulos ou conversar sobre qualquer coias enquanto tomamos agua hauhusah

E em compensação por não ter postado em janeiro, esse vai ser longo. Deem uma olhadinha no tanto de palavras que esse tem u.u

Bom, vamo parar de enrolação e vamo pro capítulo!
Hoje, teremos um pouco de Songfic! Desafio vocês a adivinharem a música que toca em determinada parte.
Capa feita por mim :3

Capítulo 14 - Sua sinfonia


Fanfic / Fanfiction Quando comecei a te ver com outros olhos? - Capítulo 14 - Sua sinfonia

Meus saltos colidiram com o chão reverberando sons ritmados e ocos e agudos, típicos do calçado. Rumei para o salão com uma faísca de ansiedade percorrendo por toda a minha carne, frio na barriga. Devo mesmo ir? Estou fazendo a coisa certa? A essa altura, só permitia minhas pernas me levarem para onde eu devia ir.

Onde eu quero estar.

Eu só queria um momento de paz e fuga, me redimir pela preocupação que causei em minhas amigas. Eu só queria fazer a coisa certa, só queria pedir desculpas, só queria descansar um pouco.

E, admitindo para mim mesma com vergonha, eu queria ver como Yang estava.

E lá estava eu no percurso principal. Não hesitei, embora estivesse nervosa e cogitasse correr de volta para aquele quarto e enfiar a cara num livro, acordando somente no dia seguinte.

Muitos dos alunos já festejavam no baile, poucos estavam ainda por ir — como eu e um certo loiro que avistei a poucos metros, resmungando com um inanimado pedaço de tecido.

― Estúpida e idiota gravata!

Sun de gravata é uma novidade, já que não faz parte de seus gostos de vestuário. Ele odeia tudo que o prenda, tudo muito convencional, que tire seu jeito despojado e modesto e rebelde. Entretanto, encontrei esforço e motivação nele, indo para um lugar onde há mar de terno e vestidos, trajes formais e cordiais, e tudo isso é oposto a ele.

Sem saber como cumprimentar, continuei andando ― e muito provavelmente ele ouvira meu caminhar e suspeitou de uma nova presença. Talvez ele virasse por curiosidade para saber quem era, ou ignorasse.

Aquele silêncio sob o céu noturno me incomodava como uma vestimenta áspera ― mesmo que o som de música estivesse cada vez mais próximo, dançando e cantando livremente no ar frio da noite.

Traguei oxigênio, abri a boca, minha voz saiu em um tom que o alcançasse:

― Sabia que ficaria bem com ela.

Assim que ele se virou para mim, pude notar seus olhos cinza-escuro reluzentes, como se estivesse feliz por me ver. Como se estivesse encantado. E parou por um momento, me contemplando como se tivesse visto um ídolo que tanto admira, ou talvez surpreso.

Identifiquei-me com esse olhar.

Eu o encontrava e o fazia com uma certa pessoa de cabelos dourados como ouro. Bom, nem sempre, ou talvez sim.

Lentamente me aproximei sem alardes e tapete vermelho, tomando posição ao lado dele com um pequeno sorriso que denunciava minha vergonha sob aquele olhar intenso, como se quisesse gravar cada traçado e ângulo que eu fizesse ali.

Como Sun estava ali, pensei que pudéssemos ir juntos, fazendo companhia um ao outro, quebrar o silêncio incômodo que me angustiava naquele momento.

Ele é um amigo e uma pessoa boa, por isso confiei aquela curta caminhada e vislumbre com acompanhamento a ele. Criamos uma amizade confortável ao longo daqueles meses, então ele era um bom candidato para conversar quando eu estivesse incomodada com a quietude, ou quando eu só encontrasse sua pessoa em uma situação como aquela, onde a lua me fitava com avidez no seu posto em seu palácio azul-escuro, me intimidando.

― Blake! Você veio! E wow, está muito linda.

― Obrigada, Sun. ― Uma curva em meus lábios. ― Você também está ótimo.

― Me vesti melhor do que pude pra uma coisa tão formal, mas podia ter sido bem mais refinado. Pena que não pude comprar algo mais bonito pra acompanhar sua beleza, embora seja impossível! ― elogiou-me mais uma vez com um sorriso descarado, o que me deixou ligeiramente desconcertada. Não gosto de atrair atenção e sou até que tímida, então tal reação não me soava estranho nem um pouco. ― Então... isso significa que estamos indo juntos? Tipo, pares pro baile?

― Tecnicamente, mas minha primeira dança já está reservada.

― Sério? Com quem?

― Com alguém…

Especial.

― Que reservou primeiro.

Eu não gosto de ter que fazer de meus sentimentos um segredo, mas o temor da rejeição, de preconceito e julgamento errôneo me oprimia. Eu prefiro ficar desse jeito do que acabar dando um olhar torto aos meus amigos, ou até quebrar amizade.

Uma nuvem de quietude pairou por nós, que logo desvaneceu com minha voz, seguida de uma pincelada de expressão fechada e arrependida. Uma hora ou outra, eu teria que abordar aquele assunto chato que se entalou em minha garganta:

― Me desculpe por te ter tratado daquele jeito antes. Você só queria me chamar pro baile e eu fui tão... rude e fria.

― Nah! Relaxa. Tá tudo bem. Você estava mal, ai eu fui lá e te chamei num momento não tão bom.

Sorri agradecida pela compreensão, todavia ao mesmo tempo, senti-me amarga por ter agido daquele jeito, porém mais leve por ter me desculpado.

Aos poucos, esse peso se despediu de mim. Suspirei, um alivio me abraçando.

― Obrigada por me entender.

Caminhamos em direção à entrada do salão, onde, a poucos metros do portal de entrada feito de madeira, senti um calor envolver meu braço esquerdo. Meu braço e o de Sun cruzados. A princípio, tiraria, mas ao ver a expressão feliz e reluzente dele, resolvi não fazer. Resolvi ser complacente e autorizar, mesmo sem permissão. Aquiesci em gratidão.

Só por essa noite.

De longe, enxergava as irmãs tão divergentes conversando entre si, entre sorrisos e risos. De longe, tinha um leve vislumbre do traje das duas. Eu já tinha conhecimento sobre o de Ruby, mas não sabia que Yang não optou por um vestido; ela tinha os cabelos selvagens amarrados em um rabo de cavalo, utilizava uma camisa branca e gravata e blazer negros. Só conseguia ver isso por conta de ela estar atrás de uma bancada de recepção.

Me vi ansiosa para ver toda a combinação de roupa que a cobria, vislumbrar sua beleza em trajes formais, ouvir sua voz mais uma vez.

Vê-la.

Somente vieram a perceber nossa presença quando pisamos na entrada do salão, e então fomos recepcionados por um par de olhos violáceos e prateados, seguido de sorrisos amigáveis e grandes.

― Oi Blake! Oi Sun! ― Ruby acenou animadamente para nós com uma mão. Ela sabia que eu viria, e mesmo assim parecia que não tinha conhecimento daquilo, e que estava surpresa e alegre por minha presença.

― Oi Ruby! — Sun cumprimentou, e adicionamos à saudação uma leve e sutil reverência com a cabeça para a garota.

O clima solene nos embalava e nos situava com sua melodia serena. Tudo se encontrava arrumado e elegante. As mesas com rendas brancas e vasos de flores, pessoas dançando ao som compassado e animado, as vestimentas formais dando um ar gracioso aos seus donos, que se moviam juntamente numa valsa.

Cada peça contribuiu para a composição total, para a sensação que devia passar.

Precisava cumprimentar Yang também. A princípio, minha voz se constrangeu e não quis sair. Medo, receio, vergonha? Lembrei daquele sermão anterior, e daquele olhar indecifrável e poderoso que mexia comigo.

Meus olhos pararam nos seus, e o que descobri em mim foi o nervosismo a meu lado, o frio na barriga. Medo de ela me ver torto depois daquela conversa que tivemos, depois daqueles empurrões. Ela fechara a cara daquele momento até ali, com poucas palavras e um semblante que misturava esperança e preocupação durante as noites e dias.

E parecia que o tempo havia congelado por longos segundos. Âmbar e amarelo se encontravam e não sabiam o que dizer, e ao mesmo tempo, diziam muito. Por um momento senti uma sensação equiparada a um tiro.

Sempre sentia isso ao que trocávamos olhares por acaso.

Seus olhos algumas vezes se tornavam indecifráveis, e ao mesmo tempo, abertos como um livro. Conseguia enxergar algumas emoções neles, como alegria, ou raiva, ou tristeza, e até, tranquilidade.

Inspirei pela boca curtamente, inalei coragem, joguei o orgulho no lixo. Meus olhos pararam na superfície da bancada, e por fim, consegui proferir seu nome com um pequeno sorriso a espreita:

― Oi, Yang.

Lembro-me bem da bronca de antes; lembro-me bem daquela raiva e preocupação; lembro-me bem daquele abraço tão cheio de significados, daquele calor confortante, que, ao mesmo tempo em que me fazia querer mais, me acalmava.

Como se juntasse meus caquinhos gentilmente.

― Oi Blake! Olá Sun! Estou feliz que tenham vindo. ― A loira assentiu com a cabeça para nós dois, uma curva nos lábios.

Vi uma ligeira irritação e alegria competindo em suas orbes violáceas quando miraram meu braço cruzado com o de Sun.

― Fiquem à vontade ― ela completou, lançando um breve olhar para mim antes de mirar a atenção numa folha de papel que jazia na bancada de madeira, com diversas palavras. Provavelmente nomes de alunos ou o que fosse.

Eu e Wukong adentramos o salão. Não sabia onde me posicionaria naquele mar de pessoas e melodias, então apenas acompanhei meu amigo, o deixando me guiar. Para ser sincera, não sabia se saía cumprimentando quem conhecia ou ficava em meu lugar, quieta, apenas procurando um canto para ficar.

Pouco tempo depois de nossa chegada, nós encontramos Scarlet conversando com Sage. Sun havia mencionado as características de seus amigos uma vez para mim em conversa fiada, e então, supus que eles fossem os companheiros de time daquele faunus.

Sun me apresentou a eles, e os mesmos reagiram bem. Apertamos as mãos e sorrimos uns para os outros, a fim de passar uma boa primeira impressão.

Nós quatro bebemos um pouco de ponche, cumprimentando outras pessoas que nos reconheceu e vinham nos saudar. Falamos de diversas coisas, como quem nos acompanharia na dança, se estávamos gostando de como o baile estava, elogiamos a roupa um dos outros, e indagamos como seria a missão do dia seguinte ― na verdade, respondia quando me perguntavam; Sun era quem mais falava.

Rimos de piadas ditas por um ou outro. Rimos de micos que Scarlet contava ter passado, e Sun também. Eu gostei daquele momento, onde me sentia mais relaxada, leve, onde eu conversava com meus amigos.

Sage saiu para dançar com uma garota que o convidou. Ele alegou que tinham combinado, e pediu desculpas por sair tão repentinamente. Entendemos seu lado, e o deixamos ir.

Ficou eu, Sun e Scarlet conversando sem problemas, bebericando nossas bebidas e continuando o assunto da missão que teríamos no dia seguinte. Não tínhamos muitas informações a respeito, mas estávamos certamente ansiosos para o que quer que fosse que nos aguardava.

Olhamos para os ternos, para os vestidos, e ouvimos a música suave e animada que repercutia pelo salão. Não queria fazer muita coisa por ali, eu queria ler um livro num lugar silencioso, mas uma coisa me fazia querer ficar...

Eu ainda aguardava ansiosamente dançar com Yang.

Ao mesmo tempo que imaginei a cena e me constrangi, tive vontade, o desejo de tê-la por perto a passos sincronizados comigo, sorrir para ela, ter sua atenção em mim. Parecia um grande filme, um grande clichê toda aquela fantasia, mas pareceu belo a meus olhos.

E até, de certa forma, egoísta.

Despretensiosamente, quando o assunto acabou, Sun me indagou:

― Blake, quem reservou uma dança contigo antes de mim? ― Arqueou uma sobrancelha loira, curioso, e com um sorriso nos lábios.

― Uma amiga. ― Bebi do meu copo o líquido que jazia pacientemente no recipiente, acabando com o ponche que restava ali.

― Queria saber quem é.

― Descubra.

― Hm… Vejamos… Weiss?

Weiss me convidando para dançar? É algo bem curioso e impossível de acontecer.

Balancei a cabeça em negação.

― Ruby?

Balancei novamente.

Do meu time, restou apenas uma. E aquelas três são as pessoas que mais mantinha contato.

Eu tinha outras amizades, tipo com Velvet Scarlatina, que conheci depois de tê-la visto ser vítima de Bullying de Cardin no refeitório. Eu conversei com ela, dizendo para lutar contra aquela zombaria, e que se precisasse falar com alguém, eu estaria apta a ouvir. E daí nasceu uma amizade.

― Yang?

Estreitei os lábios, permanecendo em silêncio.

Eu não queria assentir, eu estava com vergonha de admitir, mas por que ter tal sentimento em relação a minha amiga? Não tem nada de mais…

Tirando uns sentimentos adicionais.

― Hah! Acertei! ― Ele sorriu largamente em vitória. ― Ela é legal. Vocês são bem amigas, não?

― Posso dizer que sim.

Se uma boa amizade for tem confiança a contar suas dores, chorar no ombro da outra e receber um abraço, dormir do lado da outra no tapete, assistir um filme junto, flertar silenciosamente através de olhares e gestos sutis e entre outras coisas, certamente tinhamos.

Uma amizade aconchegante, que tinha medo de romper por causa de meus sentimentos…

Românticos.

Em muitas histórias, eles ocasionam a quebra de laços.

Eu odeio ter que admitir e ter esse receio, o temor de acabar revelando sem querer. Eu devo falar com ela sobre isso? Eu devo permanecer quieta e tentar cessar? O que eu devo fazer?

― Bom… ― Sun coçou a cabeça. ― Eu poderia dançar com a senhorita depois? Claro, caso queira.

Abri um leve sorriso para ele, uma curva nos lábios, e assenti silenciosamente com um balançar de cabeça.

― Yeah! Te chamo, certo?

― Combinado.

― Alô pombinhos. ― Scarlet comentou com um risinho, e levou um soco no ombro de Sun. ― Ai ai! Eu estava brincando!

Arqueei uma sobrancelha em confusão, balançando a cabeça para os lados. Não gosto do Sun nesse sentido. Que mal tem em dançar com um amigo?

É mais mágico quando se gosta da pessoa, quando se tem alguma química entre você e ela.

Nunca tinha dançado com alguém que visse de tal forma, por isso havia aquela ansiedade na dança reservada combinada entre eu e Yang.

E então, Neptune chegou, cumprimentando a todos nós com um sorriso e um aperto de mão e se juntando à conversa. E novamente éramos quatro.

Vez ou outra, me pegava olhando à esquerda, em direção a recepção, me perguntando se eu iria até ela, ou ela até mim. A vontade de chamá-la sussurrava em minha orelha, mas eu não queria sair dali e ir até lá. Não queria levantar suspeitas, e não queria parecer ansiosa.

Vez ou outra, me peguei pensando nela. Em alguns momentos que passamos juntas, em quando enfrentamos aquele grande Nevermore na prova de admissão, quando a encontrei na Emerald Forest e fomos duplas por um tempo.

E continuamos com uma boa amizade nutrida reciprocamente.

Olhei para o copo de plástico em minha mão, passando a ponta do indicador por sua lateral, sentindo sua textura lisa com ondulações. Perguntava-me se teria coragem de um dia dizer o que sinto para ela.

Talvez enterrasse meu rosto no travesseiro nesse dia, ou fugisse de Beacon.

― Alô, terra para Blake? ― Sun quebrou meus devaneios passando uma mão no meu campo de visão. ― Cê tá bem?

― Estou sim. Não se preocupe. ― E de fato estava bem, apenas viajando em pensamentos.

― Você estava meio distante. ― Neptune comentou.

― Pensando na missão de amanhã e as provas que estão por vir.

Depois de se entreolharem, aceitaram minha alegação. Uma mentira descarada, mas vez ou outra eu pensava nas responsabilidades que tinha que cumprir naquela Academia.

― Bom, vou jogar o copo no lixo. ― Me levantei suavemente, dando passos até uma lixeira que encontrei a poucos metros de mim. Ninguém protestou, apenas ouvi um “Ok!” saindo da boca deles.

O copo branco como neve caiu no vasto negro do saco de lixo, junto de outros copos iguais. Um fazendo companhia ao outro.

Suspirei, olhando pela janela. Eu teria que manter aquela máscara e disfarçar bem o que sentia por medo de descobrirem, medo das reações. Para que tanto temor? E gradativamente, aquele sentimento se tornava cada vez maior e mais difícil de controlar. Quantas vezes já sonhei com a Yang e eu juntas? Quantas vezes me peguei a observando de canto nas aulas? Quantas vezes tive pesadelos de ela indo embora, ou me machucando, ou morrendo? É algo maluco. É como prender a respiração.

Me virei para voltar para aquela cadeira, para junto dos meninos, ou talvez fosse tomar um ar lá fora.

Ver se paro de pensar nela.

Havia uma mesa de bufê adiante, cheia de cores, mas não tinha fome naquele momento. Meus pensamentos me alimentavam, mas de uma possível ilusão, ou talvez um dia pudesse cessar aquela porcaria de sentimento que viera no momento errado.

E, de repente, no meio do percurso para retornar aos garotos, senti uma mão repousar em meu ombro gentilmente. Ela estava envolta numa luva branca de seda, e de soslaio analisei por milissegundos procurando saber antecipadamente de quem se tratava. Virei a cabeça, e meu coração saltou de surpresa por um momento.

― Oi, Blake. ― Yang sorria para mim.

― O-Oi, Yang.

Virei-me para ficar frente a frente a ela. Meus olhos percorreram de sua cabeça a seus pés. Um pecado ela ser tão linda e combinar tanto com aquelas roupas.

Trajava um colete marrom-claro, e o blazer cortava mais ou menos na altura do umbigo, contrastando e dando um ar diferente a toda aquela composição. E mais em baixo, uma calça e botas escuras se faziam presentes, terminando todo aquele conjunto cortês.

Simplesmente bela e encantadora.

― Blake, poderíamos conversar um pouquinho? ― questionou, colocando as mãos no bolso da calça, e eu aquiesci com um aceno positivo com a cabeça.

Passamos pelos garotos, e ela cumprimentou-os com um aceno sem cerimônias. Lacônico, sem perder o foco. E, quando ela olhou para Sun, jurei que vi um lampejo de um possível… ciumes?

Confesso que fiquei nervosa sobre o que ela queria falar. O que ela tinha em mente? Yang às vezes era imprevisível, e isso me deixava mais ansiosa do que podia ser.

Fomos para o lado de fora do salão. Sob a brilhante e famigerada lua, amigos e casais faziam companhia uns aos outros, seja observando as estrelas, seja trocando beijos e declarações. Aquilo me chamou a atenção e me trouxe uns pensamentos.

Yang tem reações e ações que me dão suspeitas… Ela vai dizer algo sobre isso?

Yang tem os mesmos sentimentos que eu?

Caminhamos despreocupadamente sob o céu noturno, passando por canteiros muito bem cuidados e luzes que não permitiam tudo ser um breu total.

― O que gostaria de falar comigo? ― Olhava para o chão, nervosa.

― Primeiramente: você está linda. Segundamente, estou muito feliz que esteja aqui. Estou feliz que tenha vindo.

Olhei para ela. Âmbar e lilás se encontrando, um choque passando por minhas veias e uma vontade de abraçá-la inexplicável.

Minhas bochechas esquentaram.

Sorrimos mutuamente, uma não conseguindo olhar nos olhos da outra.

― Posso dizer o mesmo ― minha voz soou baixa e com uma pontada de vergonha e sinceridade. De fato ela estava deslumbrante naquelas vestimentas, e gosto da presença dela. Naquele momento, me sentia nervosa, mas também, pacífica, como um mar com ondas ora baixas, ora médias, ora altas.

Em um momento, eu jurava estar em pleno controle, e ao lado dela, já não tinha a mesma certeza.

Fitou-me, com um grande sorriso como de quem foi lisonjeada. E de fato foi.

― Blake, você me dá a honra de um dia saber de sua história e te ajudar em suas investigações? Sabe, quero fazer algo por ti. ― Apoiou a nuca com as duas mãos, andando sem preocupações sobre o solo pavimentado.

E, com um leve estupor partilhando lugar com uma resposta mentalmente negativa, minha expressão foi se alterando. Flashes do meu passado, dos meus pecados, da violência que fui comparsa.

Eu não quero que ela saiba. Ela vai me ver torto...

― Será uma honra, mas... no momento eu acho melhor não. Há muitas sombras que não me sinto bem em revelar nesses tempos.

Tipo o Adam. Tipo que participei de algumas missões com a nova liderança, sendo cúmplice de assaltos, roubos, sequestros. Não me acho digna a estar viva; não me acho digna estar ao lado de alguém tão resplandecente e de bom coração como Yang.

Sinto-me conspurcada e má ao lado de minhas amigas.

Lembrava-me rapidamente da noite de filme, do sonho, de sua preocupação, de quando fora atingida por aquele batalhóide, de quando dei um beijo carregado de sentimentos em sua bochecha, quando me abraçou tão firmemente naquela sala inóspita. Eu tinha muito do que agradecer, mas não sabia como.

Suas ações, sua doce voz, sua preocupação e sua amizade eram como um macio cobertor para mim em noites frias. Não via malícia em seu sorriso como via em Adam; Não via más intenções, não via corrupção ou desejos sombrios e viperinos, que, a qualquer deslize meu, ela me passaria a perna. Simplesmente não enxergava isso em seus traços. Podia estar equivocada, mas conheço o tipo de pessoas pérfidas.

E sentia que ela não é como elas. Como ele.

Ela me observou pacientemente sem dizer nada, como se aguardasse uma resposta. Em seus lábios, um sorriso compreensivo se moldou. Ao mesmo tempo em que entendeu e me deu espaço, no fundo, queria indagar o motivo de eu não poder dizê-la sobre o que passei naqueles tempos alegres e festivos que Beacon estava.

Dizer mais de mim, do meu passado enegrecido. Correr o risco de perder sua amizade.

Mas Yang não é assim. Ela não faria algo assim.

― Não confia em mim? ― Fez um biquinho fofo e me olhou de esguelha, aquele violáceo forte iluminado por luzes artificiais e os raios lunares.

Meu coração se aqueceu ao ver suas pupilas dilatadas e aquela expressão meiga.

Fiquei nervosa, olhei para frente.

Incrível como ela consegue mexer comigo…

― Brincadeira! Se quiser contar, conte, se não, compreendo. ― E então, ela passou a olhar para o céu azul-escuro, salpicado de pontinhos reluzentes que brilhavam para a gente.

― É uma questão delicada e complicada... Mais embaraçada do que imagina. ― Dei um sorriso amarelo, corada.

Pupilas dilatadas.

Não é possível…

Não, não queria acreditar que podia ter a possibilidade de ser recíproco. Eu queria, mas… estava com um pé atrás. Ao mesmo tempo que me alegrava com aquela suspeita, me angustiava de constrangimento imaginando…

Imaginando nós duas juntas.

Aquela porcaria de visão me fez encher a mente de fantasias. Ansiedade. Sob o luar, eu e ela caminhando juntas com ninguém nos vendo. Nós duas nos entreolhando, sorrindo uma para a outra, abraçadas num canto inóspito, lábios colados, calor…

Mordi o lábio inferior, reprimindo todos aqueles pensamentos e desejos que imploravam para serem concedidos.

Nunca pensei que pudesse ver alguém dessa forma.

Certa vez, Adam me disse: “Você não encontrará alguém melhor que eu. Você será minha esposa um dia”.

Adam não era apenas um tutor, ele foi um amante. Um amante que se recusou a aceitar minha partida; que se recusou a aceitar que se tornou uma ameaça a todos; que se recusou a acreditar que não somos compatíveis. Desejo que ele mude, mas certamente meu coração não está com ele.

Não, não está.

Não mais.

― Tudo bem. Mas por favor, não fique escondendo e reprimindo as coisas, sabe? Vai chegar uma hora que sufocará, e você vai explodir de emoções. Sejam por causa de stress, ou problemas com os estudos, ou conflitos com amigos e por ai vai.

Não esconda e não reprima.

Em uma hora, meus sentimentos por ela não serão mais latentes.

E se tudo fosse para os rumos em que imaginava, estaria encrencada.

Meu coração estaria profundamente encrencado.

― Entendo. ― Suspirei levemente, acariciando meu indicador com o polegar para me acalmar. Para liberar todas aquelas emoções e dispersar aquela vontade. ― E você, não se preocupe tanto. Sei me cuidar, sabia?

― Oh, sei muito bem. Mas você é muito teimosa e independente, e não permite os outros te ajudarem, e isso pode ser considerado ruim. Você pode se sobrecarregar demais e dará consequências ruins.

Estreitei os lábios com aquele sermão, os reduzindo a uma linha fina. Os umedeci com a ponta da língua, e procurei uma resposta.

 Bom, isso até eu olhá-la para responder, e a pegar em flagrante olhando mais abaixo dos meus olhos.

Para meus lábios.

Ela desviou o olhar quando notou que eu percebi.

Impossível…

Meu coração se agitou mais ainda, e eu fiquei nervosa. Meu rosto aqueceu, e eu olhei pro chão, totalmente desconsertada.

― … Eu sei lidar com meus emaranhados. Se eu precisar de ajuda... ― respondi. Ponderei por um curto tempo. ― Eu peço. Ok assim?

― Hm... Ok! ― Deu de ombros. ― Ah, e não estou brava e nada disso com você. Só fiquei meio fechada contigo nesses dias por… ―  Parecia difícil para ela dizer o que vinha a seguir. ―  culpa de… orgulho talvez? ―  Coçou a nuca com uma mão levemente, sem desfazer o rabo de cavalo. ― Me sinto uma idiota. Que porcaria!

― Está tudo bem, Yang. Todos nós temos orgulho. ― Eu tive quando persisti naquelas investigações que me davam poucos frutos. Ignorei os avisos, a paciência e preocupação de minhas amigas, e continuei naquela rota árdua. Podia ter simplesmente pedido ajuda e não ter me desgastado, mas o orgulho não deixou. ― Tenho que me redimir por ter causado tanto alvoroço com aquilo lá…

― Perdoada, mas não faça mais! ― Deu um tapa leve em meu ombro, com um sorriso brincalhão. ― Deixou todas super preocupadas com seu bem estar. Olheiras, cansaço, você mal dormia e mal prestava atenção na aula! Não repita mais, por favor! Ou eu pego teu livro favorito…

― Oh, pode deixar. Não vou mais fazer. Vou tentar não fazer.

Ela revirou os olhos e focou nos meus, como um aviso. Como se fosse uma ameaça real que pudesse se cumprir caso eu fizesse o que ela disse para não fazer.

― Eu vou tentar.

― Espero mesmo.

― Ah, e a recepção? Você não tinha que tomar conta? ― Não que eu quisesse que ela saísse, mas tinha essa pertinente curiosidade.

― Ruby está cuidando disso. Eu pedi a ela quando dei uma saidinha.

Depois disso, não sabíamos mais o que dizer. Parecia que o assunto tinha ido embora; tinha ido dançar e nos deixou abandonadas. E ficamos ali, caminhando juntas sob o luar, ora ou outra nos olhando de esguelha.

É louco como, ao mesmo tempo me via nervosa ao lado dela, me sentia confortável e acolhida.

Nossa amizade não era algo tão trivial como parece aos olhos de outras pessoas. Nossa amizade era como música, com os instrumentos certos repercutindo nos tempos certos, como o azul e ânimo de verão, que se encaixam em sintonia, compondo um belo cenário com uma sensação de liberdade e calor.

Um calor confortante.

Assim como aquele sorriso que ela me dava vez ou outra. Como seus abraços tenros. Como um “tudo está bem” silencioso, transmitido em um olhar apaziguador.

E me vi gradualmente perdendo o nervosismo e a timidez que nasceu com aquele novo sentimento ao longo do tempo. Ele é só um acréscimo, uma consideração a mais, uma cor a mais.

Fiquei quieta, aproveitando daquela alegria boba que surgia ao vê-la e estar com ela. Aquela química estranha, um mix de diversas sensações e tinturas de emoções. Um sentimento maravilhoso, sem dúvidas, mas toda rosa possuí seus espinhos, e eu os sentia tendo que manter aquele segredo sob um véu fino, que, se prestar a atenção, pode-se ver o que tem através dele.

E havia a suspeita de ser recíproco…

Inquieta, mexia em meus dedos, cerrando o punho, abrindo, nervosismo me assolava.

― Eu queria conversar mais com você, porém estou muito sem idéias ― ela quebrou o silêncio com sua sinceridade. ― Falar de luta e talvez pão não seja muito apropriado. Então, bela dama, concede-me uma dança? Serei sua parceira nesta noite, e você gostaria de fazer par comigo? ― Yang postou uma mão a meu lado gentilmente, uma elegância cordial.

Hesitante ― e desejando aquele momento por tanto tempo em meus sonhos ―, aquiesci, colocando uma mão por cima da sua, sentindo seu calor através daquela luva de tecido branco e fino.

— Acho mais apropriado ir lá dentro, ou dançamos aqui? — Arqueou uma sobrancelha bem feita. — Seria muito romântico, haha!

Corei com seu comentário. Tudo aquilo, aquele momento já estava sendo, e eu não sabia ao certo a margem do meu limite em continuar naquela situação, antes de acabar tropeçando em algo e revelar o que não devia.

— … Vamos… — Abaixei a cabeça, virei de costas para ela e dei um passo na direção contrária que estávamos. — Lá pra dentro. Aqui está um pouco frio. — E de fato uma brisa gélida rondava por todo o campo, e eu estava de vestido com os braços expostos.

Ela assentiu e se colocou a meu lado, com aquele pequeno sorriso moldado em seus lábios. Notei de soslaio seus passos leves, sua roupa se movendo, seus olhos fitando ora o céu, ora o trajeto, ora a mim. Sua beleza me encantava, e não conseguia ficar muito tempo sem vê-la, ou fazia isso para garantir que ela continuava ali, a meu lado, sorridente como sempre.

Minha preciosa amiga.

Eu não conseguia crer na minha suspeita.

As peças parecem se encaixar tão bem…

Adentramos sem cerimônias, e notei de imediato a diferença de temperatura. Ela me guiou até a pista de dança com passos calmos, onde um limiar de música serena e alegre sussurrava no salão. O clima me embalou, o cheiro de ternos e vestidos novos, perfumes pairavam no ar.

Eu tenho ouvido sinfonias

Antes, tudo o que eu ouvia era silêncio

Uma rapsódia para você e para mim

E cada melodia é eterna

― Relaxe e se divirta nesta noite ― ela disse, beijando as costas de minha mão num gesto cortês e delicado, seus lábios quentes contra minha pele, e seguidamente, me fez dar um giro completo em torno de mim.

A vida estava me amarrando

Então você veio e me libertou

Estava cantando sozinha

Agora eu não consigo encontrar uma nota sem você

Senti mais intensamente o doce perfume de Yang assim que ela repousou uma mão em minha cintura cuidadosamente, a proximidade permitindo contemplar seus detalhes. Apoiei uma mão em seu ombro, e ela com a sua livre, apoiou a minha, nossas palmas juntas.

E agora sua música está em repetição

E eu estou dançando na batida do seu coração

E quando você se vai

Me sinto incompleta

Então, se você quer a verdade...

Ela estava perto, e ao mesmo tempo distante, perdida fitando meus olhos âmbares e tentando ser o máximo possível gentil, cordial e perfeita naquele ambiente.

Se envolver com o baile e vestir seu tema, elegantemente deslizando por aquele chão com suas botas negras, e eu com meus saltos. Nossas roupas cobrindo nossos corpos, mas nossos olhos revelando nossas nuas emoções.

Mudamos a posição de nossas mãos, entrelaçamos nossos dedos, e podia jurar que os dela tremulavam contra os meus, mas sua expressão não delatou aquele nervosismo, apenas gentileza e carinho.

Eu só quero fazer parte da sua sinfonia

Você vai me abraçar forte e não ir embora?

Sinfonia

Como uma canção de amor no rádio

Você vai me abraçar forte e não ir embora?

Afastou-nos com as mãos ainda ligadas, aproximou e me girou novamente, o que me fez ficar de costas para ela. O que arrepiou cada poro de meu corpo foi ela cruzar meu braço em minha frente e me abraçar ternamente e sutilmente, dando um passo gracejado para a esquerda, e então, para a direita.

Me desculpe se isso tudo é demais

Todo dia você está aqui, eu estou me curando

E eu estava ficando sem sorte

Eu nunca pensei que iria encontrar esse sentimento

Eu nunca pensei que poderia ter sentimentos por Yang Xiao Long, mas lá no fundo, pressenti que seriamos amigas, no mínimo.

Acredita em amizade à primeira vista? Pois bem, comecei a acreditar por causa dela. Se não, não teria explicação de nossa sinergia e sintonia, nossa conexão e laços, mesmo tendo nos conhecido há um semestre.

Quando a vi naquela floresta cheia de Grimms, confiei a ela minha vida, uma parceria para passar por aquela infame prova. E tivemos sucesso. Ganhei uma amiga, criamos um laço de amizade.

Tão opostas, e tão semelhantes em muitos pontos, como por exemplo, termos o orgulho de não pedir ajuda, de querer fazer tudo sozinha. Sorrir em sintonia, uma conexão invisível a olho nu, mas sentida com o coração.

Nunca fui voltada a emoção, admito, mas ela me fez expandir esse lado e utilizá-lo.

Porque eu tenho ouvido sinfonias

Antes tudo o que eu ouvia era silêncio

Uma rapsódia para você e para mim (rapsódia para você e para mim)

E cada melodia é eterna

Mas eu estava enganada: ela não estava se forçando a ser a mais perfeita, e sim sendo si mesma. Estava relaxada e com movimentos fluidos e graciosos. Onde aprendeu a dançar tão bem?

Ela sorria para mim tão genuinamente e puramente que não pude deixar de me encantar.

E sorrimos uma para a outra em meio a multidão e a canção.

E agora sua música está em repetição

E eu estou dançando na batida do seu coração

E quando você se for

Me sinto incompleta

Então, se você quer a verdade...

Nesse momento, ela envolveu minha cintura com um pouco de força, colando nossos corpos, nossos rostos perigosamente próximos. Ficamos frente a frente, respiração misturada, a ponta dos narizes se roçando e meu rosto fervendo, meu coração errando uma batida.

Meus olhos caíram para seus lábios tentadoramente perto. Os meus pulsaram de desejo, e senti minhas orelhas e bochechas aquecerem violentamente.

Me senti febril.

Mordi meu lábio inferior levemente, orando internamente por controle. Pedindo aos céus para não me render e ter tamanha audácia de sanar aquela vontade que sussurrava com voz doce e aveludada para mim.

Uma tentação.

Eu a quero.

Sorrimos envergonhada uma para a outra,  ela deu um breve e baixo riso, suas bochechas não mascararam um rubor que fazia sua expressão se tornar fofa e encantadora. Ela deu mais um passo para a esquerda e nos girou fluidamente, alegre e apaixonada.

Eu só quero fazer parte da sua sinfonia

Você vai me abraçar forte e não ir embora?

Sinfonia

Como uma canção de amor no rádio

Você vai me abraçar forte e não ir embora?    

Eu queria acariciar seu rosto e contemplar pela noite inteira se pudesse, a vendo dormir com aquela expressão angelical sonolenta, em paz.

Jurei que se ela não fizesse algo, eu acabaria fazendo besteira... Eu não sabia o quanto podia amordaçar aquela fera que rugia dentro de mim com ela me testando daquele jeito, sua expiração quente atingindo meu rosto. Umedeci meus lábios com a ponta da minha língua, o coração na garganta, a respiração saindo em poucas tragadas e exaladas de ar.

Corei mais forte ainda quando a peguei fitando minha boca, observando cada ação, a respiração, o nervosismo em que eu me encontrava.

Meu limite estava curto, quase findo. Quanto tempo eu aguentaria naquela situação?

Dividi-me entre controle e desejo, entre permitir e recusar, entre tornar visível o que sentia ou manter sob as cortinas.

Senti seu braço rígido me circundando, seus olhos repletos de brilho, seus lábios semiabertos tão convidativos para mim. Sua postura delatava o que eu desconfiava, seus dedos acariciavam gentilmente os meus, seu rosto se inclinou levemente em minha direção.

Ela também queria...

Yang se aproximou em milímetros, entorpecida e objetiva. Meu corpo arrepiou quando a vi mordendo levemente seu lábio inferior, seus olhos preenchidos de desejo, gradualmente mais perto...

E mais perto...

Meu coração batia rápido demais, eu não conseguia respirar.

Nossos corpos juntos, nossos olhares cruzados. Uma olhando nos lábios da outra, nossa vontade expressa através dos olhos.

Ela estava jogando um jogo de provocação e controle comigo, onde eu estava sob pressão e precisava agir rápido.

Eu quero…

Minha vontade era a de beijá-la ali mesmo e sanar aquela vontade esmagadora, de abraçá-la com força, de explorar todo o seu corpo. Mas… eu hesitei. Eu preferi não fazer, permanecer na passiva, apenas recebendo, e raramente revidando.

Eu tinha que saber primeiro, com clareza, o que ela sentia.

Se era apenas desejo, ou se era mais do que isso.

Seus olhos subiram para os meus. Tão perto. Contemplei sua íris violácea, meu corpo arrepiou, e ela deu um sorriso tão doce e genuíno que derreteu meu coração.

Eu odeio o quanto você mexe comigo.    

Eu amo…

Seu jeito de ser, seu caráter, sua força para lutar pelo o que acredita ser certo, sua alegria, sua determinação.

Você.

E então, colocou sua cabeça ao lado da minha, num abraço tenro ao ritmo melódico da música. Inalei seu perfume, me afoguei naquele aroma tão delicioso.

Meus olhos caíram para a pele de seu pescoço indefesa. A vontade de deixar uma marca ali era enorme, entretanto mordi meu lábio inferior, agarrando o pouco de sanidade que ainda me acompanhava e vestindo-a como uma jaqueta.

Apertei seu ombro com meus dedos, ela suspirou contra minha orelha, o hálito quente me arrepiando. Meu coração lutava dentro das grades ósseas de meu tronco, meus joelhos tremulavam, ameaçando ceder.

Os segundos pareciam horas.

Eu queria ficar daquele jeito com ela para sempre.

Minha vontade era de abraçá-la de volta, de acordar ao lado dela, escutar música com ela, trocar caricias, sentir seu calor, ouvir seu coração pulsar, entrelaçar nossos dedos enquanto nos beijamos, dormir de conchinha com ela e entre outras coisas, mas… era um sonho distante. Talvez uma grande fantasia e romantização, uma visão muito apaixonada de algo que podia claramente não acontecer.

Eu só queria que ela estivesse comigo.

A música acabou, e nós demoramos até nos separarmos. O frio percorreu por todo o meu corpo, como se fosse cruel ficar longe dela.

Deu outro sorriso doce e recuou seus braços até a lateral de seu corpo sutilmente, e eu repeti o mesmo. Parecia uma tortura ter que ficar longe de seu abraço, de sua ternura, de seu calor, mas aceitei sem protestar.

Eu não podia demonstrar.

— Obrigada pela chance de poder dançar contigo. — Xiao Long agradeceu com uma curta reverência, bochechas rosadas.

— Digo o mesmo. Você dança bem.

— Você também.

O pouco momento de silêncio que se fez entre nós parecia uma eternidade rigorosa e tortuosa. Lembrava de cada movimentar que ela fez, cada olhar que queria dizer algo, um sussurro silencioso, palavras não ditas, emoções reveladas através dos olhos.

E então ela se aproximou, levantou levemente meu queixo com seu indicador e disse ao lado de minha orelha direita:

 — Posso te devolver o que me deste outrora?

O que eu a dei?

Meu coração não se aquietou, perguntas vinham a mente, vasculhando toda ação que destinei a ela.

Resolvi arriscar, aquiescendo com um balançar positivo de cabeça.

Ela suspirou contra minha mandíbula, o ar quente arrepiando minha pele, e então, encostou em minha tez com seus lábios macios e cálidos.

Era disso que estava falando?

Um beijo na bochecha.

Lembrei quando a dei depois que enfrentamos Torchwick, as avenidas movimentadas, o trabalho em equipe, os caquinhos de vidro, a sensação de sua língua quente e úmida contra meu dedo ferido.

Delongou em sua ação, e quanto mais demorava, mais sentia meu corpo ser tomado por calor, o desejo me mordiscando.

O calor que tanto me acompanhava quando ela estava perto, como se varresse todo o frio que o mundo tinha.

Minha mente se imbuiu em branco total, emoções correndo por minhas veias, meu coração palpitando, minhas orelhas aquecendo completamente. Ela se afastou com uma mão em meu ombro. A olhei de soslaio, e aquele sorriso dócil continuava moldado em seus lábios.

— Se me der licença, preciso voltar para a recepção. Foi uma honra dançar contigo, Blake.

E ela saiu com um sorriso, me deixando boba na pista de dança, repleta de pensamentos.

Repleta de sonhos, de fantasias e ilusões doces.

Respirei profundamente, estreitei os lábios, suspirei e me direcionei a uma cadeira vazia a alguns metros de distância. A cada passo, pedia calma aos céus. A cada passo, ritmei a respiração que outrora se tornou falha.

Se tornou complicada ao lado dela.

Naquele lugar, percebi que eu tinha mais sentimentos por ela do que imaginei. Naquela valsa, pude notar que já estava perdida, e que tinha sido sentenciada a arcar com aquele sentimento que não devia ter me permeado.

Eu precisava de um tempo para pôr a mente em seu lugar e esfriar, ou eu continuaria agitada até a hora de dormir. E bom, ter mais sonhos com ela podia me sentenciar cada vez mais. Não queria parecer uma pervertida. ou obcecada.

Quanto mais eu aguentaria?

Não queria levantar suspeitas.

Então, sentada em um canto ao lado da parede, contemplei algumas pessoas saírem da pista de dança, e outras adentrarem com alguém num convite gracioso, reiniciando aquele encanto que era dançar em um baile.

Olhei para a esquerda, para o caminho que ela havia tomado para voltar para a recepção, e me perguntei mentalmente:

Yang, quando comecei a te ver com outros olhos?

 


Notas Finais


Como estamos? Vivos?
EU QUERO PÔR ESSA YANG NUM POTINHO!!!
"I just wanna be part of your symphony!" Essa música é demais! Inclusive, foi ela que tocou no clímax do cap! Symphony - Clean Bandit. Tinha várias que podia por, mas essa parecia tão perfeita pra cena...

Geeennte, tenho uma coisinha pra vocês:
Oia, esse capitulo era pra ter outro final, mas achei ele broxante, e debatendo com meu amigo (inclusive, muito obrigada, Fellter <3 Meu revisor, e n esqueço o bug q foi determinar se teria beijo ou não xD), decidi que teria outras ações, e ai foi eu alterar o final. O que aconteceu? Final 2. Nele teve uma coisinha que aqui não teve: BEIJO!!! ISSO, TEVE BEIJO GALERA! Se vocês quiserem, posso postá-lo como "Final alternativo do capitulo 14" :3
Se vocês quiserem, eu mostro pra vocês como foi u.u
Eu dei berrinhos e meu amigo também haushdusdh foi fofo e satisfatório u.u

"Ah, e por que tirou?!"
Bom, eu acho que não está no momento, saca? Tem muita coisa pra acontecer, tipo elas sentarem e conversarem sobre o que sentem e determinarem o que vão fazer com seus sentimentos. Enquanto isso, vai ficar nesse jogo de suspeitas até avançarem mais e sei lá, talvez rolar beijo antes da conversa que devem ter? ahsudhasu
Ou talvez role algo mais suspeito, tipo... a Yang consolar a Blake depois de um pesadelo, e isso no meio da noite! Imagina elas se entreolhando e abraçadas, e caírem no sono juntas. Imaginar isso me deixa com cara de besta, shippando mais ainda xD

Não sei se perceberam, mas a Yang tá com ciumes do Sun KKKK ai vai, ele e a Blake entram de braços cruzados e a loirinha vê. Vocês acham que ela ficou normal? Claro que não! E por isso ficou mais vidrada na nossa emo gotica e decidiu dar aquele beijo na bochecha, que foi tipo um "Você é minha".

Não sei vocês, mas eu dou berrinhos de shipper lendo hsaudhasu mesmo q tenha sido eu a escrever, eu reajo como se não soubesse de nada que acontece no cap xD

Comentem! Deem sugestão de momentos fofos ou até conversas que podem rolar nessa fic!

Nos vemos no próximo capítulo? Nos vemos no próximo!


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